segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sobre Chicago, perguntas e meu sonho de ser vedete

Acho musicais um saco, sabem? Não tenho paciência para as performances, embora até ache as coreografias simpáticas e etc. Talvez seja pelo fato de uma vontade desgraçada de sair sapateando visitar meu corpo em frente à televisão. E aí a sessão de filme vai para o dito beleléu, enfim. Todavia, assisto a ''Chicago'', de boca e coração abertos. Toda vez que termino de assistir à saga de Roxie Hart e Velma Kelly na glamurosa e ensanguentada princesinha de Illinois, nos anos 20, sinto lapsos de sonho marejando as retinas, enquanto danço um número de Charleston em um cabaré francês, londrino ou sei lá, trajando uma cinta-liga vermelha e peninhas inocentes na cabeça. Ali, saio saltitando, sendo abraçada pelo letreiro luminoso que leva meu nome... eu que, até pouco tempo, me encontrava, apática, no sofá da sala. Não é o máximo? Eu já tinha avisado: aqui tem imaginação para alimentar toda uma vida. Amem-na ou deixem-na! - já diria nosso presidentinho Médicizinho.
 Pois bem, prossigamos, vim contar a vocês que ando bem pensativa sobre esse filme de Almodóvar que é a vida. Você se apaixona num posto de gasolina pelo namorado da sua melhor amiga, que ainda não havia sido apresentado formalmente a você, toma um porre de vinho numa festa, bate a cabeça, perde a memória e acaba numa voluptuosa noite com o cara na casa da ex-melhor irmãzinha. Quantas vezes você não se indignou e bradou em alto e bom som que “isso só acontece comigo!!!”? Aposto minha Nutella que um zilhão de vezes. Mais ou menos por aí, o negócio é ter em mente que tudo pode acontecer. Parece que depois que completei os 21, não parei mais de aprender – não que não tivesse antes, claro, mas as relações começaram a ser assustadoramente mais críveis - grande parte, aliás, a um custo emocional altíssimo: choros quilométricos encharcando os lenços e travesseiros. Bom, hoje em dia, a cada mês vencido, tomo um balde de água gelada na cabeça e volto a me questionar a respeito das mesmas ladainhas. Como nos livrarmos da loucura que habita nossos esqueletos? Como lidar com expectativas frustradas que dilaceram a alma? Como dominar as vontades mais ferozes? Como não voltar a protagonizar os mesmos erros, outrora, chorados? Como se deixar em paz com tanto pensamento infernal? Como contabilizar mais acertos? Como transmutar dores em sementes do bem? Como deixar essa ideia estúpida de tentar entender tudo e todos de lado? Virem-se, isso é tema de casa.
  Falei acima sobre a casa dos 20, pois, realmente, para mim, foi um marco. Digamos que deixei de ser uma completa idiota em uma escala considerável. Não sei bem o porquê, mas aquela história de “o mundo é maior que o teu quarto” fez um sentido brutal para mim. Aos poucos, minhas convicções caíram por terra – e seguem – e tratei de começar um profundo exercício de autoconhecimento. Meio na marra, mas iniciei: eu, eu mesma e a cria que abria o berreiro às câmeras nas filmagens de aniversários. Fui resgatar lá no fundo do baú o tal do “o que fizeram para mim e o que eu fiz do que fizeram para mim?”. Foi e segue sendo uma experiência incrível, a cada dia, as bofetadas doem menos. aprendendo a dançar no caos, fazer malabarismo com as circunstâncias, sorrir no escuro, tolerar absurdos com uma candura Gandhiana e etc. Mas ainda quero ser Catherine Zeta-Jones, lógico.