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Mostrando postagens de Dezembro, 2010

Sobre o tal sabor agridoce

Parece-me que fui incompreendida nesta minha paixão súbita (nem tão súbita assim) pela palavra "agridoce", uma vez que andei recebendo uns comentários bem despropositados a respeito. Ok, vamos aos esclarecimentos. A tal palavra pela qual fui arrebatada fincou raízes em meu pensamento, desde que me caiu às mãos um livrinho de breves biografias de algumas figuras que haviam participado, ativamente, dos 500 anos do Brasil - sim, li isso lá nos idos de 2000. O trecho no qual fiquei vidrada, dada a utilização do termo, era mais ou menos assim: "(...) entre móveis e objetos trazidos da pátria, Isabel, princesa do Brasil, vivia seu agridoce exílio no castelo do marido, na França."
          Tratava-se do fim melancólico da princesinha boazinha que havia lutado pela causa abolicionista, durante grande parte da vida. Depois de uma rápida consulta ao dicionário - com 11 anos, a ignorância é, notoriamente, galopante - para mim, não restaram dúvidas sobre o que o &quo…

Da série: o que esperamos depois da festa

Olha, não posso ser chamada de baladeira porque não vivo dentro de boate - raramente adentro nesse submundo. Mas uma vez que outra, acabo entrando no jogo do "ser vista para ser lembrada" e me submeto a beber cerveja, sorrir para estranhos, receber cantadinhas de retardados mentais e terminar a noite parecendo um zumbi de chapinha. Faço concessões, claro, mas não queiram me dizer que todas as etapas da operação-balada são TU-DO na vida. Eu sei que vocês, gurias, pensam o mesmo que eu: se pudessem abolir algo de suas vidas, seria o pós-festa. Maldito pós-festa. Porque o pré-festa é mágico, não? Lembramos de tudo, a roda da bebida ainda cheira à civilidade, estamos com os pés descansadinhos e o cabelo - pasmem - sedoso, cheirando a shampoo, não cigarro. É o paraíso! Já o pós-festa... me faz querer dormir para sempre, sério. É como se eu escutasse in loco John Lennon cantando para a platéia de bêbados que o sonho acabou. Já me encontro em estado de arrependimento mórbido, por t…

Natal + Supermercado = Inferno na terra

Era véspera de Natal, dia 24. O supermercado, entulhado de gente intransigente e esfomeada. Correria, nervos à flor da pele e ela, a rainha do caos, a fila, que, para mim, sem dúvida, media uns 20 quilômetros. Mas, vem cá, o que eu fazia naquele triângulo das bermudas infernal? Deixem eu me explicar. Não gosto muito, é bem verdade, mas, nesse caso, acho necessário. Fui até lá comprar a versão mais palatável do panetone, aquele que vem com chocolate, em vez das frutinhas terríveis. Onde já se viu Natal sem chocotone, né, gente? Isso não é vida. Pois, como de costume, peguei correndo a mercadoria desejada e fui para o calvário. Só que o montante de gente a minha frente parecia aumentar. Impressão? Destino? Miopia? Nem sei direito, mas o fato é que aquilo começou a me irritar profundamente, uma vez que olhava para os funcionários e eles pareciam atender as pessoas com, cada vez mais, lentidão. Eu falo sério, se quiser me ver em pânico, me convide para uma passadinha no super. …

Meu bônus querido

Ok, passado o post insosso de boas-vindas, vou mostrar a que vim. Nem tenho noção do tamanho da sinuca em que estou me metendo, mas preciso, leia-se pre-ci-so, fazer desse blog um companheiro diário, uma espécie de confidente para quem começarei a contar abstrações, desejos e demais idiotices que rondam essa cabeça castanha. Sinto que, dessa forma, terei mais gosto pela vida, ainda que não tenha leitores. Sabem? Como se o importante fosse estar dentro do jogo, ainda que as táticas já tenham falhado várias e várias vezes. Uma espécie de Orkut intelectual, sei lá. Nenhum visitante no perfil escroto, mas a esperança de ser vista resiste.
          Pois bem, devo confessar que ando abismada com a quantidade de pessoas - em sua maioria mulheres - que escrevem em blogs! Meu Deus, é gente talentosa que não acaba mais! Sim, há as exceções: mortais desocupados que fizeram a porcaria do "diário virtual", postaram meia duzia de tosquices sobre a conspiração divina que pairava …

A arte de começar

Relutei muito em aderir à onda dos blogs. E olha que faz tempo que eles povoam meu imaginário. O fato é que eu, embora estudante de Jornalismo, há 2 anos, não me sentia madura o suficiente, para uma empreitada como essa.  Ora, por achar que não teria tempo para mantê-lo, dignamente, atualizado. Ora, por sentir uma certa banalização do canal – que virou febre de 9 entre 10 adolescentes com crises existênciais gravíssimas – preferindo, então, deixar meus textos na segurança do anonimato a vê-los circulando em uma terra sem lei.
            Porém, a paixão pela palavra e o desejo de ser lida (destino ingrato esse nosso, que faz com que nos dediquemos a escrever para que outros leiam) me fizeram reavaliar possibilidades. Uma tarde dessas, me ocorreu uma epifania digna de Clarice Lispector: “Ora, é , praticamente, um disparate eu ainda não possuir um blog para chamar de meu!” Ainda que eu seja fã de um acinte – como, por exemplo, ser gaúcha, e ABOMINAR chimarrão – vi que não po…