segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

3 passos para o pa pa pa pa-radise

       O ''Garota'' já está em clima de doismiletreze (sério?) e eu, como sou uma mãezona para essas gurias queridas que leem minhas crônicas/desabafos/pseudopoeminhas, resolvi iniciar a era dos tutoriais por aqui. Querem levar um fora caprichado e sem volta do boy magia? Trabalhado na crueldade e no talento? Se joguem nos três passos do pa pa pa pa-radise abaixo. E sejam (in)felizes!

1- Além de se encantar pelo homem de forma animalesca e pouco elegante, beije-o como se não houvesse amanhã. Como se estivesse indo lutar na Guerra do Vietnã ou sei lá eu, e nunca mais fosse voltar a vê-lo. Agarre-o pelo colarinho e aja como Edward Cullen quando deu uns pega na Bella, ou seja, dê a entender que estava numa seca sem precedentes. Coma-o vivo praticamente. Sabe quando a leoa vê um invasor na savana? Por aí.

2- Também aja como se ele fosse a última garrafinha de água do deserto do Atacama: deixe claríssimo que só andava pegando trastes/fracassados/garotosdesprovidosdesexappeal, e coloque-o em um pedestal. Faça isso, todavia, não dizendo para ele palavra por palavra, mas, sim, através de olhares vidrados, sorrisos emocionados e conversas nas quais mostra-se uma atenção hipnotizada - tipo o contrário de quando você fala com alguma atendente de telemarketing. Ah, claro, adicione-o em todas as redes possíveis, mande mensagens de celular, perguntando quando ele aparecerá para o pedido de casamento um próximo agito juntos, enfim, corra muito atrás do dito-cujo. Esqueça que um dia teve dignidade.  

3- Nasça Bruna Daniele Souza de Castro, na manhã do domingo, 20 de agosto de 1989, mais precisamente às 10h10min.


VIRAM COMO É FÁCIL?



                               


*Imagem meramente ilustrativa







Sobre agradecimentos, coincidências e beijos

       Faz tempo que não posto, então farei um ''apanhadão''. Imaginem vocês, que eu havia preparado algumas postagens muito antes da passagem do Natal, porém, em virtude de ter ficado ''sem internet'' por cerca de duas semanas, acabei deixando o bloguinho jogado às moscas - até o presente momento, como veem. Até uma postagem sobre sugestões de músicas com temática natalina eu tinha planejado fazer, mas acabei desistindo - claro, levando em consideração a clássica procrastinada, pois isso nunca sai de moda no espaço agridoce, né mermo? Enfim, se ainda houver interesse, busquem por All alone on Christmas, de Darlene Love (trilha do conhecido de nossas infâncias, Esqueceram de Mim), Christmas is all around me, da trilha do ótimo Simplesmente Amor - lançado em 2003, e All I want for Christmas is you, na voz da musa suprema, Mariah Carey. Três baladinhas ótimas que têm tudo a ver com o clima. Caiam nos fones!

                                                  __________//_________

        Eu ando meio preguiçosa, não nego: por muitas vezes negligenciei esse que é meu companheirinho de noites insones, desde o longínquo 22/12/2010. Há dois anos, mantenho uma relação de amor e alguns acessos de ódio com o ''Garota Agridoce'', mas não posso fechar os olhos para o fato de que, aqui - ainda que de maneira errática - consigo ser eu mesma, sem retoques, sem frescuras, sem pretensão de ser algo: apenas uma guria jornalista, que é gaúcha por nascimento, mineira de coração, e brasileira de corpo e alma, desvelando um pouco dos assuntos que a instigam e a fazem ser um caleidoscópio, uma mutante, uma aprendiz da vida. Obrigada a todos que leem meus textos! Obrigada por gastarem seus preciosos minutos diários, digerindo meu tempero agridoce. Sintam-se abraçados, do fundo do coração.

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         Se me permitem, vou filosofar. Essa história de umas coisas acontecerem quando outras coisas resolvem não acontecer definitivamente, nesse ano que finda, conseguiu me desestabilizar. Mas foi um processo fabuloso de descoberta, não há nada de dramático na assertiva acima. Estou convencida de que tudo acontece por um motivo. Coincidências são mera especulação, e nada, nadica que nos visita nesses dias - que parecem todos iguais - é leviano. É um clichê assombroso, mas segue verdadeiro: tudo tem um porquê escondido e bem intencionado. Nos transformar em seres humanos melhores? Possivelmente. Ninguém é vítima da vida, todos - com seus pensamentos e ações - têm porcentagem na balança dos erros e acertos. E nosso incrível poder de pensar positivo e transmutar desejos em atos comprometidos com o bem comum segue imbatível. É verdade também que sem amor não há nada que vigore. Não é autoajuda de almanaque, queridos, é constatação própria desta que voz escreve. Conclusões apocalípticas não são do meu feitio, mas sabe o que eu acho? Que não há segredo, há, sim, atitude e postura de pensar diferente, agir diferente, querer. Nesse 2013, desejo a todos meus leitores - e também para os que nunca vieram até aqui - que amem com vontade, pensem positivo, inundem a vida de sentimentos nobres e queiram. Queiram ser melhores, por eles e para os que os cercam.

                                           

Beijos agridoces!



       

     
 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

MAGINA QUE TRI


        E se as entrevistas nos teles, no impresso e etc fossem sinceras? Já pararam para pensar no caos? EI, MAGINA QUE TRI! Enfim, se há um desejo coletivo insano por ‘’pão e circo’’, que, ao menos, esse circo seja bem feito. Whatever... vamos a algumas falas então:


Jogador de futebol falando sobre os três pontos – que, vejam só, não vieram naquela rodada. Pena!


- Fulano, faltou o que para marcar?

- Ah, véio, faltou eu ser bom, né? Não adianta, tô aí por falta de opção, eu sou um arroz, meu! kk o clube não tem plantel, não tem dinheiro pra contratar, tá tudo uma droga kkk. Falando nisso, nem recebi ainda esse mês, pode isso? Bom, nem tô merecendo na real, porque né, pra isolar uma bola na frente do gol, só sendo muito eu kkkk digo, só sendo muito vesgo kkkkk não, pera, só sendo muito ruim kkkk enfim, abraço aí, fé em Deus e boa transmissão!


BBB ansiosa por ingressar na casa mais vigiada do Braseeel, indagada por Vinicius Valverde – o eterno.


- Eaí, fulana, como tá o coração? E a expectativa?

- Olha, nem sei o que é expectativa kkkk do coração eu nem sei, mas a bunda tá em polvorosa, louca pra aparecer, ainda mais que passei 10 meses indo na acadi, pra preparar meu psicológico kkkk né, BBB não é fácil, o Brasil vai ver quem eu sou, o meu sonho, a minha luta, desde o tempo do Bambam, eu venho esperando essa oportunidade de vencer na vida, sabe? Beijo pros meus pais que sonham em me ver mostrando meu talento na Playboy.


Ministro da Economia falando sobre as compras de Natal e a movimentação na economia. (ah vá, Bruna! kkk)


- E então, ministro, o que esperar dessa injeção de milhões na economia tupiniquim?

- Olha, não sei de que milhões fala, meu jovem, porque né, o país segue mei quebrado kkk mas assim, espero que a galera não gaste o que não tem, né? Porque depois vai chorar na fila do banco pra pagar a fatura do cartão kkkkkk , capaz, cês não cansam dessas perguntas genéricas? kkk que saco! Bom, as criaturas vão se empanturrar de peru e panetone, comprar presentes pra pessoas que elas detestam, e depois ficar 12 meses pagando prestações, pra depois fazer tudo de novo. E era isso, abração e feliz 2013!


Em instantes, dentro de nossa programação agridocinha, mais relatos.









quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O problema

      "O problema da Bruna é que ela dá opinião demais". E assim, dizendo essa frase em algum chá de sermão nos idos dos anos 2000, papai mei que profetizou que eu - sua primogênita - ainda ia me foder muito na vida por ter um bocão sem papas na língua, quase que agoniado por deixar sua marca no mundo. Quase um animal agonizante, que percebe que vai morrer, sem ter chance de ser ouvido - ora porque seu grito não é tão importante assim, ora por pura falta de talento no propósito de compadecer os interessados.
       O fato é que eu sempre fui assim. Como deveras ecoou o grupo rebolativo É o Tchan nas televisões cristãs do Brasil - agora na década de 90 - "pau que nasce torto nunca se endireita''... eu, na minha tortuosidade sem fim, acabei por me converter num autêntico exemplar da garotinha que não sabe controlar a língua, e sai despejando suas impressões pela rua - tipo lixo, percebem? Muitas vezes, já me disseram que eu sou uma pessoa ''engraçada''. Luto ferozmente, para lembrar do momento em que reuni milhares em uma plateia e ganhei uns pilas com esse incrível dom que desconheço em mim. Não sei de que graça falam, mas é possível que façam referência à sinceridade que busco prezar em minhas relações, sejam elas efêmeras ou duradouras. Não se trata, todavia, daquela sinceridade que traz consigo a denotação que já se incorporou ao senso comum. É uma sinceridade pueril, ingênua. É uma sinceridade que acredita em Cinderela e Papai Noel. É uma sinceridade brasileira, uma sinceridade arisca, talvez, em determinados momentos, mas sempre muito arraigada, aglutinada no que entendo essência do que sou. É uma sinceridade fodida, se preferirem.



                                                         Veja bem, minha jovem...


        Começo a perceber de onde vem minha fama circense não identificada: é de ser eu mesma, e não pedir licença. É tudo culpa dessa mania de ser uma sem-noção com imã para horários e lugares impróprios. Fazer perguntas quando o horário da aula está acabando, por ter achado o assunto explanado pelo professor realmente interessante. Falar dos próprios erros cotidianos como quem pede desculpa por ser tão humana e, no fundo, tão frágil. Rir, em sonho, do Delfim Netto, quando tal simpático ministro afirma que ''é preciso esperar o bolo crescer, para só então dividi-lo'' - logo eu que vejo não existir bolo algum, no máximo, algumas migalhas. Tratar chefes com a indiferença de quem nunca vai ir muito longe na vida, se depender daquela esperteza corporativa e disciplinada que só os visionários possuem. É tudo culpa de ter nascido uma fodida, como muito bem disse papai, ainda que eufemisticamente







domingo, 2 de dezembro de 2012

Ping-pong agridoce

"O que eu vou dizer pra vocês???? Tenho umas ideias super boas de texto, sei lá, fico horas viajando em parágrafos carregados de lascívia agridoce, mas acho que acabo sempre não sabendo me expressar como gostaria. Fico um tantinho prostrada, me acho demasiado mimizenta, e quase sempre acho que tá tudo uma porcaria... ou não, também, sei lá. No fundo, a gente que lida com texto e essa tarefa árdua de provocar sensações no leitor, vive sempre se cobrando pra ser impecável. Isso é um saquinho."


"Imagino início, meio e fim das postagens - mas, claro, pouco me fodendo para a cartilha do bom texto, difundida pelos cursinhos e pelas profuxas de Portuga: 4 parágrafos, sendo um de introdução, dois de desenvolvimento e um de conclusão, e no máximo de 25 linhas. Elas que tomem no meio do seus acentos circunflexos, eu escrevo o quanto eu quiser - ainda mais quando estiver verborragicamente insana e ridícula. Esses manuais de redação, principalmente de vestibulares, sempre me emputeceram. Pra mim, eu nunca tinha escrito tudo que gostaria, sempre tinha algo mais que merecia aparecer, mas eu, como boa (ou péssima?) editora, sempre cortava... será que o exercício de edição no jornalista não começa desde cedo mesmo? Boa pergunta...''


''Foras são sempre um angu, você quer morrer, quer matar o cara a facadas, quer chorar até desidratar, e, invariavelmente, começa uma investigação abissal dos seus passos e do cara em questão, que possam justificar a chutada. Sempre assim. A gente fica se sentindo um lixo. Tipo... o que foi que EU que fiz? A culpa é MINHA? Acho que a gente precisa se livrar dessas amarras e entender que se não rolou, não era pra ser... poxa, ser feliz é uma vez na vida, entendem essa raridade? Eu assimilei isso muito bem depois desse ano, foi uma mudança muito profunda de pensamento. Não vou ficar a vida inteira ''parada'' na de um cara que não quer nada comigo. Posso até lutar por ele um tempo, lógico, mas não volto atrás nessa concepção.''


"Eu nunca, em hipótese alguma, poderia trabalhar trancada em um escritório, por exemplo. Desempenhando funções burocráticas e lidando com gente cheia de protocolo e falsa até no perfume que usa, sabe? É claro que na minha área, rola muita falsidade, muita egolândia, às vezes me emputeço com os ''meandros'' que corrompem o bom jornalismo, mas, ainda assim, é como estar desempenhando uma missão social. Eu gosto de estar na rua, de estar no meio da loucura, eu curto as histórias desse mundão povoado por gente anônima e cheia de curiosidades insanas. Eu curto a loucura, o cheiro de pauta quentinha saindo do forno. Isso é uma cachaça desgraçada, tô nessa por puro feeling mesmo, não foi algo que eu quis desde criança, a vida me direcionou o caminho." 


"Até tava falando com uma amiga minha sobre isso, dia desses. Eu lido muito bem com tudo, não curto frescuras, acho um saco esses "manuais de relacionamento" ou "10 passos para o cara cair na sua". Minha filha, se tu for uma baranga mala, ele nunca vai cair na tua, mesmo que tu siga todos os tutoriais possíveis existentes nesses sites "mulherzinha". Essa de que só o cara tem que ir atrás é uma babaquice absurda. Se os dois querem, por que só um pode efetivamente "jogar"? As revistas mandam a gente fazer um charminho, pois se não, eles não virão atrás. Isso é um machismo terrível, parece que só nós somos "conquistáveis", e eles que podem tomar a dianteira sempre. Qual é? E meu direito de conquistar? Tô me lixando pra isso do fundo do coração, eu sou o que eu sou, e acho uma delícia isso. Se eu achei lindo, eu falo e pronto. Se eu tô amando aquele momento, vou falar e pronto, vou propor um novo encontro na cara dura, dane-se. Não é questão de assustar o outro, é questão de ser honesto com o que rola por dentro. É claro que assim, a gente toma mais no cu, mas né, acho mais digno.  


"Eu tenho certo problema com pessoas tímidas, sabe... nada contra, mas bom mesmo é conversar com alguém que se revela, alguém que se confessa humano pra ti na mais correta definição da palavra. Que ri com vontade, fala bobagem, de-bo-cha do sistema, dessa sina brasileira, discorre sobre variados assuntos sem medo de soar ridículo ou alienado. Eu gosto de gente que ferve por dentro, gente que mostra os dentes, que chora com paixão, e vive eletrizado por sei lá o quê. Eu gosto de gente cerebral, vibrante, otimista, eu gosto dos românticos, sabe? Se tem uma coisa que me desconcerta, é eu falar de algo que detesto, e o outro dizer.. '' ah, pra mim, isso tanto faz... sou eclético". Eu respeito os tímidos, os comedidos, os discretos, mas sou fã mesmo é dos que se doam por inteiro, quebram a cara, e seguem sendo eles mesmos, porque não sabem ser outra coisa.



*Ping-pong é um tipo de entrevista. Imaginem vocês as perguntas.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Carta para um obeso

       Cresci, achando que felinos eram vilões. Em meio a situações acompanhadas pela TV, nas quais Tom perseguia Jerry, e Frajola tentava a todo custo jantar o Piu-Piu, ficava fácil alimentar essa ideia - que, hoje vejo, era de uma miopia galopante. Somando-se a isso uma mãe temerosa de que seus filhos - mi hermano e yo - desenvolvessem alergias e demais enfermidades provenientes do contato com os bichanos, estava feita a distância dos peludinhos. Não só isso, claro: estava feita toda uma infância/adolescência achando-os desprezíveis, apavorantes, estranhos e o diabo a quatro. Porém, a vida manda seu recado: eu não estava preparada para Joey...
        Joey, assim batizado por mim em alusão a Joey Tribbiani - o nova-iorquino de alma siciliana menos inteligente de Friends - foi muito petulante na hora de conseguir meu amor e derrubar meus preconceitos - e talvez aí resida a lógica da paixão com que fui atacada tão violentamente na noite de julho em que nos conhecemos. Na ocasião, tinha eu saído de um conhecido mercado na minha cidade natal. Até aí, tudo bem, porém, ao chegar mais perto de meu destino, uns olhinhos carentes - e que pareciam não ver uma comidinha gostosa há um bom tempo -  roubaram minha atenção. Eram do Joey, o meu Joey. De imediato, chamei ele e seus olhinhos de Gato de Botas para me seguirem. E assim foi. Seguimos seguindo grudados até hoje. Eu e minha ovelhinha. Eu e meu gordo. Eu e meu bichano amado. Eu e meu obeso mimoso da minha vida. Eu e um bichinho que aprendi a amar com um amor, de cuja existência nem suspeitava. Amor sempre surpreende, seja lá como for...
         Eu nunca tive gatos - como devem ter percebido - mas sempre fui uma entusiasta dos animais (pequeno porte, leia-se kkk). Só que essa história de ''virar'' mãe de um bichano resgatado do submundo das ruas foi algo que mexeu comigo, honestamente, pois me fez ver que amar é tarefa que nunca se esgota. É como ser desafiado. Joey deve ter olhado para mim como quem diz "e aí, dona, é capaz de me amar e cuidar de mim???" E eu paguei para ver. Eu, que morria de medo deles, me vi acalentando ''um'' todo prosa por descobrir uma dona tão dedicada e corujona. Não tem volta, é isso que está aí. Somos mãe e filho, e, por obséquio, me chamem de pateta: eu descobri que só quem é pateta, é feliz. Ah a única vilania dele para com a minha pessoa é não saber se teletransportar para vir ficar perto de mim...



-Te conheço?




       

domingo, 11 de novembro de 2012

Pegação louca



Pegação louca não é heresia, é fantasia. Pode ser sacanagem da boa, mas é bem mais que isso. Talvez seja uma espécie de feitiço. Não acontece toda hora, não é em toda sexta que vigora. É uma união de almas no mais íntimo de suas necessidades física e psicológica. Nisso, honestamente, não existe lógica. É uma venenosa loteria. É um lapso de bem vinda loucura em um apático dia. Pegação louca é não saber se tem futuro, e querer sofrer toda a incerteza do depois. Nós dois? Não sei. É usar o coração até senti-lo mastigado em questão de segundos. Pegação louca é uma junção de mundos. É carne, é essência, é perfume, é poesia, é verso sacana, é um ato de Nelson Rodrigues, é rock doente no último volume com guitarras ensandecidas gritando. Pegação louca talvez seja amor brotando. Pode não ser, mas quase sempre é um pedaço de vida congelando. Vivo no passado, morto no presente. Pegação louca só se sente. Pegação louca é um pouco mentira e um pouco verdade. No fundo, é uma total insanidade. Quem sabe, leviandade. Quase sempre vira saudade. Pegação louca são minutos contados por invejosos. São fagulhas penetrando nos hormônios ociosos. Pegação louca hipnotiza e faz querer, mas não impede de doer. Sempre dói depois do depois. Depois de nós dois. Pegação louca é um drama, é cama, é intrincada trama. É Elis cantando Atrás da Porta. É olho no olho que corta. É discutir Benedetti e Neruda, é entender perfeitamente uma atração muda. Pegação louca é um bônus partilhado em cinco, seis horas. É uma urgência sem demoras. É um querer mútuo e anestesiante. É uma paixão mutante. Pegação louca são seres vivendo sua animalesca vontade de serem felizes. São dois estranhos comungando do seu ridículo com boas e ingênuas intenções. Pegação louca são canções. São verões. São refrões. Pegação louca é uma foto ornando a parede das emblemáticas coisas sem sentido da vida. Pegação louca é adivinhação de pensamento, é conspiração do destino como prêmio por bom comportamento. Pegação louca é cheiro que não sai da roupa, é o insano momento em que se tatua o outro no nosso eu. Pegação louca possivelmente não é do mundo real. Talvez até seja ilegal, por fazer brincar de eternidade com o que não se tem. Mas ainda assim, prefiro esse tipo de mal a um insosso e conhecido bem. 



*Escute, lendo Mardy Bum, dos Arctic Monkeys, ou Bottle It up, da Sara Bareilles, ou Sexy boy, do Air, ou True love ways, do Buddy Holly, ou Tell me where it hurts, do Garbage, ou Deixe estar, da Marina Lima, ou Sexual healing, do Marvin Gaye, ou Everyday is like sunday, versão do Pretenders, ou All shook up, do Ry Cooder, ou Goodnight moon, da Shivaree, ou Young folks, do Kooks, ou Love me like you, do Magic Numbers, ou....... tá, chega. :)      





quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Aleatorize-se


       Pois eu, que já havia decorado a ordem de músicas do meu tocador pessoal, resolvi colocá-las para dar o ar da graça de modo aleatório. Que grata surpresa. No aleatório, tudo é possível. A surpresa é sempre grata. Músicas no aleatório é tipo dar uma chance para as supresas deliciosas da vida, é viver sem medo, é abrir um sorriso para o desconhecido e se descobrir encantado - passível de gargalhar como se não houvesse amanhã outra vez.
        A cada música que começava, eu me surprendia com a infinidade de possibilidades com que poderia ser agraciada. Desse modo, a californiana Under the bridge, a country escandalosa If it’s make you happy, as guitarrísticas Tunnel of love, Lady writer – entre outras – foram apreciadas de forma singular. Perguntarão vocês que grande porcaria é isso, não? Pois eu garanto que tem graça – e muito! Poderia ser a vez de Caetano ou quem sabe, de sua irmã cantando Vinícius - aquele carioca diabólico? Poderiam ser os olhos cor de ardósia de Chico ou outros olhos quaisquer me fazendo sonhar – castanhos talvez? Não sei, qualquer um seria incrível a sua maneira, pois eu não esperava nenhum. A iminência da dúvida era o grande barato –  o trunfo maior. Pra que viver sabendo o que vai acontecer? Pra que viver num plano sem fim? É muito mais divertido não esperar nada, e ser inundado por uma maravilha insuspeita. A vida acontece melhor no aleatório – me convenci.
        Aleatorize-se. Aleatorize sua vida, não se prenda a uma rotina estafante. Ou melhor, dê sua cara à rotina, personalize sua vida, não aceite migalhas de você mesmo. Já diria a diva da televisão americana, Oprah Winfrey: ‘’o amor que você recebe é proporcional ao amor que você dá”. Pois então, irradie amor: por você, pelos outros e por onde você passar. O mundo é uma loucura, tem muita coisa ruim, muita mediocridade, muita chuva e granizo, mas ainda assim é um jogo excitante: não baixe a cabeça, meu caro, lance seus dados e espere pelo melhor – você já deve ter ouvido por aí que o pensamento tem poder. Jogue com o que você tem de mais digno, sua bondade, seu coração, seus ideais. Coloque seu coração no que fizer, mais que seu cérebro. Use-o até que sinta seus músculos exaustos: tendo a exaustão um quê de paixão, terá valido a pena.
        Todavia, faça isso por você, pela sua vida, pelo seu bem viver: não espere recompensas, não espere honrarias, tenha em mente só que isso é uma autoalimentação. Aleatorize-se por você, pela sua sanidade, para amadurecer e aprender a apreciar o imprevisível. Aleatorize-se, deixe suas músicas bagunçadas, permita que suas bandas façam um coquetel com suas emoções e seja idiotamente feliz. Saúde! 







terça-feira, 23 de outubro de 2012

Humor sociológico

Aí, a Agridoce se dirige a uma banquinha de livros, cuja temática passeia pelas ciências sociais, humanas e musicais. Tudo muito lindo, muito de encher los ojos, muito comprável e etc. Eis que suas retinas deparam-se com um livro sobre Noel Rosa, o poeta da vila, o genial sambista - cuja vida foi ceifada precocemente pela tuberculose - e ela tem um ataque levemente histérico. Coisa pouca, sabem.

- NOEEEEEEEEEEEL ROOOOOOSA???? (cara de ''estou vendo os cavaleiros do Apocalipse vindo em minha direção.")

Garoto da Sociologia, ignorando a obviedade, responde: 

- É, é um livro do Noel e talz.

- Que tudo na vida! E tem mais de algum compositor por aqui?

Garoto da Sociologia fazendo gracinha para quebrar o gelo:

- Ah, tem daquele cara, o Che...

Agridoce entrando na onda e ajudando estragando a piada:

- Hum, da clássica dupla sertaneja Che e Fidel????

- Sim, CHECHERERECHECHÊ.

Fim.









domingo, 14 de outubro de 2012

Sobre cafeína e rótulos

Cheguei ao teste combinado, um pouco adiantada. E fui recebida na sala onde seria testada, com um singelo oferecimento:

- Quer um copo de café????
- Obrigada, não vou querer, café me faz mal... (favor imaginar essa assertiva dita em slowmotion, como naquelas zoações típicas do Programa Pânico.)  

Foi o mesmo que dizer ''Sim, eu fui cúmplice de Hitler no Holocausto." ''Sim, eu sou a menina que quase foi estrangulada pela boneca da Xuxa, devido ao pacto que ela fez com o cramunhão.'' 

        CHOCADOS! Os senhores daquele recinto ficaram chocados. Eu, jornalista, negando café. E, mais: tendo o disparate de dizer que o fulano me fazia mal. Não adiantou nem eu argumentar dizendo que ''me baixava a pressão e coisa e tal, mas que eu até que tomava umas xícaras...'' Nada disso, minha credibilidade já havia sido abalada para todo o sempre. Poser, essa mina é uma baita duma poser! Se bobear, nem bloquinho ela carrega na bolsa, esse projetinho de jornalista.
         Pois foi aí que eu comecei a pensar. Tive uma Epifania Lispectoriana Aguda em Dó Maior e por pouco não caí sentada num sofá simpático que havia ali na sala em que me encontrava. Passei a ver como rótulos são nojentinhos, escrotinhos e mesquinhos em sua natureza. Rótulos nos limitam, nos roubam o pouco de originalidade que ainda resiste intacto no melhor de nós, aquele melhor criança, ingênuo, natural - o mais fácil de ser corrompido. É claro que a diferenciação é necessária no mundo: em um mundo habitado por sambistas e roqueiros, repressores e hedonistas, segregar é tarefa inconsciente. Ninguém escapa ao julgamento alheio e ao seu próprio, mas não consigo simpatizar totalmente com certos estigmas. Quer dizer que se eu for jornalista, não posso deixar de consumir cafeína em doses cavalares? Quer dizer que se eu for jornalista, tenho que amar toda e qualquer pauta que me caia às mãos? Quer dizer que se eu for jornalista, tenho que viver ligada no 220, sacrificando minha saúde mental e meu bom-mocismo, para saber de coisas que nem me interessam de verdade? No way, baby. Envelheci uns 20 anos só de pensar nisso.
          É claro que não me senti ultrajada devido ao fato de recusar o bom e velho café tupiniquim, mas que essa história acabou se convertendo num causo interessante, isso foi, pois trata-se de um assunto recorrente entre nós, não? Somos humanos que convivem diariamente com padrões de comportamento. Padrões que enganam. Padrões que irritam. Padrões que enojam. ''Jornalista que é jornalista, usa all star, vive de café e coxinha do bar da esquina e não dorme 8h por noite.'' Favor enfiar tais conceitos num orifício anal por aí. E que história é essa de não dormir? Enquanto não houver outro muro de Berlim sendo derrubado, meu sono da beleza continuará como prioridade, por favor, né.
          São vários exemplos de como a sociedade está impregnada de rótulos. É como se as pessoas andassem na rua com uma placa dizendo o que são e qual sua atribuição no mundinho que habitam, ainda que isso seja tão pequeno perto do que podem ser e fazer. Nerds, piranhas, metaleiros, workaholics, playboys, patricinhas, santos, pecadores. Poxa, quanta miséria nesses olhos que veem só o óbvio. E pensar que tudo começou com um cafezinho relegado, hein? Acho melhor não mexer mais com esses cafémaníacos.







quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Amores (im)possíveis

(Escute, lendo What if..., da Blubell. Ops, é o contrário.)  


         Dia desses, eu escrevi um texto sobre o homem ideal. Cêis lembram, né? Tudo muito lindo, muito idealizado, muito amor, mas muito sem sentido. Não que o resto do que eu escreva faça algum, mas eis que fiquei refletindo nesse particularmente, e tive um ímpeto de rir desgraçadamente pro meu reflexo no espelho. Quem eu queria enganar? Quem vocês querem enganar com fórmulas prontas que cabem numa caixinha? Acho que caí na real, que dor. (Sim, o texto é meu e eu faço conclusão na introdução. Se não gostou, é só ler alguma redação chatinha de vestibular, rs)
         Quando se trata do homem - ou vá lá da mulher - ideal, nós, minas e manos, temos nossas preferências nacionais na ponta da língua. Ai, detesto tatuados! Porra, cara, mulher pra mim tem que ter bundão e peitão e saber se arrumar! Ai, adoro engravatados que usam óculos e são magrinhos! Curto mulher que se valoriza e gosta de um bom rock! Não me imagino namorando um cara que ouça sertanejo! As frases são diversas, todas querendo aplacar vazios que nos corroem por dentro, alimentar fantasias que existem desde sei lá quando, preencher fraquezas que se impõem ferozmente em dias que parecem ter o mesmo roteiro. No fundo, queremos companheiros de pegação, companheiros de emoção, parceiros de vida, parceiros de risos e solidão, pouco importa a idealização. Só queremos que isso seja natural, seja uma atordoante viagem intrigante. Se for passível de explicação, já deixou de ser palpitante. Alguém, por obséquio, já conseguiu racionalizar uma paixão? Acho brabo, agridoces.
          Você até pode achar charmoso o fato de ele gostar de Caetano e imitar a voz do Axl Rose, mas definitivamente não é por isso que cai de amores por aquele panaca. O panaca é tudo menos um panaca, mas ele tem algo que mexeu com você. Mexeu, do verbo ''revirar'' por dentro. Tirou seu sono, deu uns tapas no seu discernimento e gritou na sua cara ''e agora, coração de gelo?". Foi o cabelo bagunçado? Foi o olho que lia o fundo da alma? Foi a voz deliciosa? Foi o estilo "me deixa, sociedade''? Não se sabe. Mistério. Que desgraça e que delícia esse amor. A gente só ama aquilo que não entende. E queremos entender só olhando nos olhos, sem ter que medir as consequências e dominar as urgências. Te amo hoje, amanhã já não sei. No fundo, os pré-requisitos são uma defesa ingênua, uma vez que a possibilidade de ser capturado é iminente. Gostamos, porque gostamos e não há razão mais honesta. Gostamos, porque não queremos gostar: desobedecer o inconsciente é uma arte.
          Quando eu escrevi aquele texto, eu me iludi. Eu iludi meio mundo. Vocês se deixaram iludir. Sabemos que não é daquele jeito, até porque se fosse assim, só os bons moços teriam direito ao banquete farto que o coração oferece. O amor nasce entre certinhos e malucos. Entre hippies e yuppies. Entre santos e pecadores. A princesinha do pop, em Criminal, parece entender do tema. Ninguém escolhe o que faz bem, somos impulsionados instantaneamente ao que faz mal - aquele mal que não se encaixa em quase nada, não cabe na vida, mas, de maneira surreal, se aninha sem igual no pensamento.





         

domingo, 30 de setembro de 2012

Salada de alface e paixão

        E aí que, de repente, não mais que repente, acontece o improvável. Você é premiada pela vida com um cara do jeito que sempre sonhou. Do jeito que queria. Não entro em detalhes físicos e da personalidade, mas, enfim, o fulano é do jeitinho imaginado. Como você sonhou, que vida maravilhosa, não? Só tem um pequeno porém, coisa pouca, um detalhe de nada: você não está apaixonada. Você. Não. Está. Apaixonada. E desconfia que nunca estará, aliás. Detalhe pequeno, diferença brutal.
        Dias passam, e o cara demonstra estar totalmente ''na sua''. Gente boa, partidão. Trabalhador, honesto, um fofo. Ele é um amor, mas para você falta um pouco de loucura - coisa que sobrava com o outro - um que não se importava tanto assim com seus sentimentos, nem abria a porta do carro, todavia fazia você levitar de paixão com um único olhar. Você saiu algumas vezes com o projeto de Brandon Walsh, muito certinho, muito boa companhia, muito atencioso, muito tudo e mais um pouco, mas você segue sem estar apaixonada. Você. Não. Está. Apaixonada. Droga! Até queria estar, mas a cada tentativa de vê-lo com olhos mais famintos e um coração mais palpitante, você se sente mais falsa - definitivamente você não o enxerga como um suculento McChicken, que tem vontade de agarrar com voracidade e comer com a mais honesta lascívia. É inútil forçar uma paixão, minha cara. Você. Não. Está. Apaixonada. Ele pode até fazer bem aos seus dias, ao seu ego, mas é, na melhor das hipóteses, uma saladinha de alface bem insossa.
        Mas o lord - queridinho da sua família - vulgo Salada de Alface da Silva continua arregimentando apoio, ele segue tentando ser seu namorado, sua insensível! Sua melhor amiga faz a defesa dele, diz que é mil vezes melhor o cara gostar mais da mulher que a mulher gostar mais do cara, pois assim você não sofrerá nada do que a maioria das mulheres sofrem, pois assim você não correrá tanto atrás dele, assim não terá tanto ciúme, pois assim você não será a trouxa da história. Nossa, que adrenalina incrível esse relacionamento, quase dois irmãos. vai acabar sendo mãe do cara, vai vendo. Claro que ser objeto de desejo é lisonjeador, claro que gostamos de ter alguém no nosso pé, claro que gostamos de saber que nosso jeitinho estranho encantou um alguém, mas assumir um compromisso por pura gratidão é mediocridade galopante. A paixão é atordoante, mas, convenhamos, sem ela não há nada que resista muito tempo. Tem que haver na relação um espírito de Lúcifer para corroer a alma - em outras palavras, um toque demoníaco que só uma paixão pode dar. Você tem que sentir um encantamento gratuito; e, não, um encomendado.
        Eu sei que as paixões acabam. Eu sei que nos estraçalham e que não só corroem a alma, como nos fazem emagrecer, ficar com olheiras, chorar baldes. Eu sei, já me apaixonei nessa vida. Mas ainda assim, abrir mão delas é mais covardia que o que elas fazem conosco quando dizem goodbye. Tem que ter paixão por mais que machuque, por mais que termine, por mais que seja fugaz - se não você não está sentindo, minha cara, e, portanto, desconfio que esteja viva. A salada de alface é boa, saudável, mas não apetece. Mil vezes um casinho de vinte dias incendiário a uma vida amorosa eternamente no frio siberiano.









     

sábado, 29 de setembro de 2012

Equilibristas sem talento

       Estava eu a pensar, há alguns dias, como é difícil equilibrar os setores da nossa vida. Vocês não acham? Desconfio que nunca consigamos estar ''100%'' em tudo que queremos. Às vezes, você  indo super bem no trabalho, galgando postos de trabalho de gabarito e etc, mas sua vida amorosa anda num limbo sem fim. Sai, vai a bares, dá uns pega em gente vazia e medíocre, e volta solitário para casa. Em outras, distribui mel por onde quer que vá, volta da rua com o celular abarrotado de números interessantes, porém a relação com seus pais beira o Apocalypse Now e sua carteira encontra-se num cruel ostracismo capitalista.      
       Acontece. Bem que tentamos, mas não conseguimos nos deixar em paz, vivemos loucos tentando equiparar os lados, numa frenética competição com nós, nós mesmos e Irene. Definitivamente, não somos justos com... er, essas pessoas, conhecidas pelas redondezas como nós mesmos. Somos mesquinhos, vivemos contabilizando acertos, nos massacrando por erros do passado, atiçando nosso bom senso. Que prêmio é esse que tanto perseguimos? Creio estarmos conquistando úlceras, e não, bonificações. A culpa é de quem? Da sociedade de consumo? Da mídia? Dos comentários maldosos das nossas titias solteironas? Não sabemos, que dilema.
       , , não é um assunto que mereça tanto drama, trata-se tão somente de uma constatação: isso é vida, Bruna, acostume-se com as metades, os lados que não se juntam, a eterna briga entre os setores. Seus hobbies brigando com suas responsabilidades, seu cabelo opaco e sem vida implorando por um corte discutindo com a visita a sua vovó - e que você esqueceu, lógico, por estar presa na fila do banco. Nós ajeitamos daqui, remendamos do outro lado, e - adivinhem? - não damos conta de tudo. Sentimos culpa por não darmos conta de tudo. Nos achamos a mais negligente das criaturas, a criatura mais desinteressante e sem planejamento do universo. Não entendo essa vilania contra mim mesma, mas sinto na pele todo os dias. Vocês também são vilões?
        Família, amigos, projetos pessoais, vida afetiva, vida sexual, hobbies, vida profissional, futuro, vida social, festas, presente, planos, sem falar na internet - amiga falsa que toleramos por necessidade. Que bagunça, não? E ainda temos que nos manter atualizados sobre as tendências - quem vai querer usar skinny quando toda a torcida do Flamengo veste pantalona? Ter opinião na ponta da língua sobre a Primavera Árabe e a alta do preço da gasosa, ter um projeto estruturado de existência, casar, ter filhos, fazer o financiamento de um apê e viajar para Trancoso nas férias. Não se pode descuidar de nada, é questão de ser bem alinhado, ora bolas! Pessoas normais encontram um equilíbrio, já ouviu falar, Agridoce? Pior que não, alguém me salve.








sábado, 15 de setembro de 2012

Sobre Prestes, resignação e o gigante

Olá, meus caros agridocinhos!



         Sobre o que falaremos hoje?? Hum, fiquei na dúvida, hesitei um bocado, mas, por fim, decidi. Eu havia prometido a mim mesma que não falaria de política por essas bandas. Primeiro, porque sempre sou mal interpretada. Sempre. E segundo, porque - na minha humilde opinião - é como dar murros em pontas de facas. Me entenderam, não? Pois é, mas mesmo demonstrando estar alheia a toda essa ''festa da democracia'', não consigo ficar abraçada ao silêncio, fingindo que acho tudo e lindo e etc. Eu sinto ódios extremos. Sinto um nojo que me sufoca. Muitas e muitas vezes, já fui julgada ''alienada" por não participar de forma efetiva de debates e manifestações relacionadas ao já mencionado banquete da democracia, o grande trunfo do povo de poder escolher seus governantes e eleger as melhores propostas. O que eu vou dizer? Eu sinto uma resignação desgraçada, é mais forte que um possível espírito combativo que eu possa carregar. Existiu um cara, cuja vida me inspira e me faz refletir. Segundo o que li, ele dedicou sua vida inteira a uma luta supostamente fadada ao fracasso. Começou, tímido, liderando uma das mais controvertidas marchas, a chamada "Coluna Prestes", teve a esposa feita refém de uma polícia com tendências nazistas, viveu na clandestinidade por boa parte de sua existência, foi cassado, foi considerado inimigo da pátria, foi perseguido por burocratas do partido que amava, enfim, entregou seu brio a uma luta emblemática. Eu, claro, não sou fanática pelo Luís Carlos - o tal líder da coluna - mas não posso deixar de me sentir intrigada pela sua história de vida. O que ele ganhou em troca? Ser lembrado pelos livros de história como um autêntico personagem brasileiro ''brigador'' me parece justo, óbvio, mas e além disso? O país melhorou em alguma coisa, ao menos? Penso que ele trocaria - dada a sua ânsia por mudanças - todos os filmes e representações em que ganhou vida, por uma sociedade, de fato, mais igualitária, menos miserável, mais fraterna e humana. Não só ele me faz pensar, mas também tantos outros que entregaram sangue e suor por amor a seus ideais, e, no entanto, só conheceram a dura face da realidade que extermina, que cala, que sepulta. O Brasil vale tanto a pena assim?
          Essa ladainha acima é para demonstrar a insatisfação com que sou tomada, a cada 4 anos. Quando os discursinhos sebosos e milimetricamente decorados invadem nossos televisores e nossas ruas nos conhecidos e repugnantes "santinhos". Não posso nem pensar no tanto de dinheiro que é gasto para veicular toda essa propaganda dispensável. Não há uma preocupação sequer em convencer pelas palavras. Nossos futuros representantes devem achar que, de fato, somos imbecis, pois o texto é sempre o mesmo: "por mais saúde, empregos, educação, vote em fulano... aquele que está com o povo...!!" Eu, particularmente, me sinto profundamente ofendida com essas abobrinhas despejadas em horário nobre. Desde que o mundo é mundo, precisa-se de saúde de qualidade, escolas decentes, transportes, segurança, empregos, investimentos para atrair empresas e o diabo a quatro. Todavia, entra legenda, sai legenda, e o caos continua o mesmo. Cada vez mais, os salários dos legisladores sobe de maneira grotesca. Cada vez mais, eles insistem em aumentar seu "quadro funcional", pois há "trabalho demais". Entretanto, quem depende de um salário mínimo risível para sobreviver, tem que se contentar com pouco. Eu não consigo assimilar tanta palhaçada, honestamente.              
          Eu tenho lá minhas crenças políticas, claro. Ainda procuro manter o pensamento de que há pessoas idôneas que se filiam a partidos por caráter e idealismo, e não para encher o bolso de dinheiro. Não sou fanática, não entro em brigas por candidato nenhum, não gosto de radicalismos e não me sinto estimulada a votar - dada a porcaria na qual essa tal "democracia'' se transformou. Também não falo aqui, é bom deixar claro, de esquerda, direita e etc - essas tendências que cada vez mais se confundem em seus propósitos. Esse texto foi mais um desabafo, sabem? Eu, que sou jovem, deveria estufar o peito e gritar que eu posso fazer a diferença. Mas não me sinto assim, definitivamente. Me sinto sozinha e frágil prestes a ser engolida pelo "sistema". Me sinto uma idiota por estar escrevendo esse texto. Me sinto ficando pequena, enquanto o gigante se prepara para calar minha boca. Me sinto mais brasileira que nunca? Pode ser.


Abraços verde-amarelos!  
    

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Top10 Agridoce

ÊÊÊÊÊÊ!!!! Hoje, tem Top10 na lojinha agridoce. Atendendo a inúmeros pedidos (um, e foi de um amigo, rs), eu volto para lhes contar o que anda excursionando em meus fones, enquanto ando em ônibus diversos, vou à feira, saio para flanar por aí, lavo louças e etc. Não deixem de mandar suas cartinhas, vai que uma delas seja lida no ar, hein? Beijinhos agridoces com muita música, telespecssssss!


1- Vo(C) - Vídeo Hits (Taí um autêntico one-hit wonder. Essa música é tipo um "Come on Eileen", do Dexys Midnight Runners - que também acho ótima, por sinal. Não sei de outra música dessa banda que tenha emplacado (se alguém souber, ignore minha ignorância), mas essa é uma delícia de escutar, sabe. Com esses versinhos ''vou lhe esperar comportadinho no quintal...", sabe? Ai, sabe? Que coisa, sabe? Por que eu fico fantasiando esse desgraçado fofinho e etc quando escuto isso, sabe? Odeio ter essa manteiga na cavidade torácica.)

2- Mystify - INXS (Eu acho INXS uma banda fabulosa. Sei lá, não entendo caralhos de música, (ia começar a ter aulas de violão, mas amarelei, rs), mas sei reconhecer quando a coisa me pega de jeito. E a banda do finado Hutchence me pega de jeito lindamente. Nem sei se essa tal Mystify é dele, para ser honesta, todavia, todavia, todavia, todavia, hein? Não tenho argumentos plausíveis, a música é boa e pronto - sou ótima na arte da persuasão, hein, mals aê.)

3- Not enough time - INXS (E se você escuta uma, quer escutar as outras, isso é muito sério. Se você só conhece "Beautiful girl" - aquela que o Paulo Ricardo regravou e para a qual emprestou seu jeitinho tupiniquim (?) - na hora de colocar mais coisa na cesta de compras, hein? Diferentemente do Coldplay, por exemplo, que me irrita com certos minimalismos (?), Michael Hutchence e sua trupe me encantam pelo mesmo motivo. Tipo aquela coisa ''tô cantando, mas tô sem vontade, gata...")

4- Under cover of darkness - The Strokes (Falando em cantar sem vontade, lembro do menino Julian Casablancas. Ai, Julian, não, você não canta sem vontade, canta com muita paixão, super sério. Mas essa sua carinha de "peguei um táxi e vim parar nesse show, nem sei o que tô fazendo aqui... tô em Saturno? arrebata meu coraçãozinho groupie. Essa música é relativamente recente e demorei para ver quão deliciosamente escutável ela é. Experimente dançar como se não houvesse amanhã ao som dessa coisinha do Julian e cia, e depois hablamos. Ai, peraí, olha o lindinho do Fabrizio.....)

5- Camaro Amarelo - Munhoz e Mariano (Pegava fácil o cabeludinho, não sei qual dos dois é. De boca fechada, lógico, mas pegava. Bom, o que dizer? A música tem lá seu trunfo, convenhamos: tem um refrão pegajoso e eficiente. Mas que letrinha bem... er... curiosa, não? (amo eufemismos) E, outra, por que diabos o carro tem que ser a-ma-re-lo? , eu sei que é para rimar com ''caramelo'', mas - b-e-m-n-a-b-o-a - se eu ficasse rica do dia pra noite, eu ia é comprar um carro discreto, clean, para mostrar quão rica, esnobe e blasé tinha ficado, sei lá, né? Esses sertanejos não sabem ser milionários, honestamente. E eu curto um masoquismo auditivo, nota-se. "Agora, eu fiquei agridoce, doce, doce, doce...")

6- More than words - Extreme (Mimimimimimimimimimimmimimimimimimi olha isso, como não amar? Mimimimimimimi por que ainda estamos separados, meu amor? Mimimimi faria tudo para ter você do meu lado? Mimimimimi sou patética? Mimimimimi olha esse ritmo abalando meu coração de tijolo, em que mundo estamos? Sério, baita música para encharcar travesseiros, sofrer por amor, esse combo conhecido aí. Depois de desidratar ao som do violãozinho, sugiro colocar mais um pouco de vodka no copo e ir lamber sabão. Desteto gente chorona. Tipo eu, assim.)

7- Cartomante - Ivan Lins (Até ir a um congresso de comunicação, há alguns meses, eu não conhecia essa música absurda. Absurdamente linda e comovente e sei lá mais o quê. E, olha, analisando o contexto em que foi composta e etc, devo lhes dizer que... sei lá, eu devo ter sido da guerrilha do Araguaia, talvez uma subversiva daquelas bem fodidas no meu amado Brasil da década de 60, porque, honestamente, essa letra abalou minhas estruturas. Sem mais delongas, acho formidável. Pra escutar com o coração. "Pense nos seus filhos..." é, tipo, uma passagem corrosiva? Nem sei explicar.)

8- Daysleeper - R.E.M. (O título dessa música é um resumo fiel da minha vida - creio que da de vocês também - porque, se tem algo que eu curto fazer nessa minha existência prosaica, é dormir. Eu vivo dormindo, devo ter nascido dormindo, em um senhor exercício de volta ao passado, posso imaginar titio obstetra falando para mamãe, no parto, que sua cria primogênita roncando, em vez de chorar, sei lá. E mamãe, lá, anestesiada e sem entender nada. Ah, sim, também pode ser um retrato da vida dos jornalistas de plantão e de outros trabalhadores madrugadores, não? Que seja, adoro essa do R.E.M. Na real, adoro mais coisas deles, mas em outro programa, comento, rs.)

9- A noite perfeita - Leoni (Olha esse fofucho do Leoni voltando a me atazanar??? Desde "Garotos II: o outro lado", eu não tinha um caso tão passional com ele. Aliás, suspeito que essa música tenha sido feita em parceria com o carinha do Kid Abelha, o George Israel - maldita Wikipédia que não sabe nunca das coisas, penso estar na hora de eu dar uma escrivinhada por lá, para zuar de vez, rs. Seja de quem for, ótima, ficou ótima na voz dos dois, amei o clipe, me identifiquei com a letra e também acho que "se nada acontecer, a culpa é dela com certeza". Eu, no caso.)

10- I'll fly with you - Gigi D'agostino - (Encerro o top10 de hoje com essa música super atual, dançante, lançamento inédito de David Guetta Feat. alguma-pseudo-cantora-promíscua., tô brincandinho, né, a música vem direto dos anos 2000 - aquela época em que eu via minhas primas indo para a balada e morria de vontade de adentrar aquele mundo maravilhoso de luzes coloridas e cerveja no cabelo. Se eu falei até do Munhoz e do outro lá, o que é encerrar com essa breguice dessa/desse tal Gigi (não tenho ideia de quem seja)? Até que é interessante, sacumé, para bailar, não é necessário tanto discernimento assim. Escuta aí, seu chato.)









domingo, 2 de setembro de 2012

Pode ser Pepsi?

Aí, no auge da tepeême, Bonnie Blue Butler - uma adorável e decidida garota - foi ao bar mais próximo e pediu algo para beber - "algo" leia-se aquele líquido que se aloja de maneira aterradora em nossas bundas, mas segue delicioso e inigualável: Coca-cola, a maléfica, a imperialista, a cancerígena, a toda boa.

- Não tem Coca, mocinha! - disse o simpático - porém azarado - atendente.
- Pode ser Pespi? - prosseguiu, sem medo do perigo.

RESPIRADA DRAMÁTICA DE BONNIE

- Não. Definitivamente, não pode ser Pepsi. Aliás, nunca vai poder ser Pepsi, meu caro. Talvez no dia em que chova canivetes ou elefantes sobrevoem nossas cabeças, aí quem sabe, possa ser Pepsi. , esquece, nem assim. Me dá logo um copo de querosene, acho menos sofrível.

Em seguida, saiu, meio arrependida do showzinho, mas convicta de que nunca poderia ser.









sábado, 1 de setembro de 2012

O homem ideal

         Eaí? E aí, que eu tava aqui, num tédio soberano, escutando "Love me, please, love me" - aquela breguice francesa sem igual, mas que tem seu encanto - quando sobreveio uma onda forte de devaneios, cujo carro-chefe era a tal incógnita do homem ideal. Ah homem ideal? Mulher ideal? De novo essa ladainha de pessoas ideais e mimimimi? Já disse, não existem pessoas ideais para ninguém, somos todos eternos imperfeitos buscando alguéns que se solidarizem a nossas fraquezas mundanas. Como diria Selton Mello, no filme brazuca "A mulher invisível": mulher ideal - ou, vá lá, homem, minha pauta de hoje - só existe na ideia. Só na idealização. Ah, Selton fofucho, mas quem disse que eu não tenho ideias? Meu homem ideal existe e tá por aí, quase posso sentir seu perfume, ao dobrar a esquina. Loguinho, esbarra em mim, póóódexar.
          Meu homem ideal... hum... meu homem ideal seria um santo, para começo de conversa, porque aguentar meu gênio agridoce num é mole, nego. Tá, não é para tanto, tô longe de ser intragável, quis dizer mesmo é que, dada a minha ânsia por respostas, o cara teria que ser ninja no quesito "desarmar minha hiperatividade". Meu homem ideal teria um cabelo igual ao do falecido nº1 nos áureos tempos, para eu esquecer da vida fazendo cafuné, acho digníssimo. Não teria um corpo super malhado e plástico, todavia, me faria sentir irremediavelmente atraída, e não quero saber de muxoxo: vocês sabem que a atração física é fundamental na questão, não há por que alimentar hipocrisias. Prossigamos. O tal ideal teria um estilo interessante, um casual-vesti-a-droga-da-primeira-camiseta-que-vi-no-armário-e-fiquei-lindo. Teria um sorriso que me faria esquecer o caminho de casa, tal qual o do falecido nº2, e olhos questionadores - talvez verdes, talvez azuis, talvez castanhos, não tenho predileção por cores, mas, definitivamente, eu teria que gostar de olhá-los.
          Meu homem ideal não seria um babaca por joguinhos de computador e todo esse escambau aí. Até poderia jogar, acho aceitável, mas não seria um fanático sunita. Teria que torcer por um time de futebol, lógico, e xingar o juiz - acho uma gracinha. Teria que ser dono de um baita coração, gigantão mesmo, e se indignar com as mazelas do mundo. Também amar animais e ser solidário: essa história de fazer a sua parte, mesmo que ninguém dê a mínima. Poderia alimentar vira-latas ou mendigos, não importa, mas teria que me fazer suspirar e pensar “ai, olha isso, cara, seu lindo”. Hum, vejamos, teria que ter opiniões fortes e - de preferência - discordar de mim em alguns assuntos. Também acreditar em alguns princípios e defender alguma causa - ainda que fadada ao fracasso. Teria que ter ambições, lógico, mas nunca deixar que elas suplantassem sua dignidade. Em outras palavras, não teria um espírito medíocre: eu gostaria muitíssimo de admirá-lo. Sem admirar, nada feito.
           Meu homem ideal seria cheiroso e me faria querer ficar grudada nele, 24h por dia. Teria que ter um pouquinho de ciúme, para eu achar fofinho e me sentir amada. Teria que gostar de conversar e debater alguns temas, mesmo que falássemos para as paredes. Teria que gostar de música boa e ter alguns artistas preferidos. Teria que - se possível - tocar algum instrumento, pois é inútil tentar esconder minha veia groupie. Teria que ter deixado Harry Potter, Nárnias diversas, Senhor dos Anéis, piratinhas, ETs, zumbis e assemelhados na sua querida in-fân-cia, por obséquio. Teria que ler alguns autores interessantes, óbvio, evidente, claro. Teria que ser inteligente, óbvio, evidente, claro, mas nunca pernóstico. Teria que apoiar minha carreira - fosse lá que carreira - e dizer que eu escrevo magistralmente - mesmo que fosse mentira. Meu homem ideal seria gostoso pacaraleo - na alma, nas atitudes e por que não, no corpo? - e teria um jeito gostoso de levar a vida, digo o meu gostoso. Meu garoto ideal teria um jeito sexy de dirigir e de me fazer um elogio. Meu homem ideal também teria um botão para desaparecer instantaneamente... sabe, né? Talvez desse uma vontade de louca de sair piranhar com as migas na buatchy.



Waguinho, sempre te quis...






quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Fanática por mim

         Ando pensando nessa história de ser ''fã'' de algo. Que coisa estranha, hein? Geralmente, dispensamos devoção cega a pessoas das artes, sejam músicos, atores, diretores, pintores, malabaristas ou palhaços de circo. Whatever, a gente gosta porque gosta. Eles lá na deles, mal desconfiando da nossa singela existência fanática e cheia de amor para dar, e nós, aqui, no limbo do ostracismo, amando, brigando por eles, indo aos shows e gritando histericamente. Gritando histericamente! Por pessoas que nem nos conhecem! Parei e me vi imersa no absurdo da situação. Creio que esteja faltando calor humano na coisa, hein, honestamente...
         , eu sou fã de um monte de gente por aí. Sou fã do Freddie e dos outros incríveis do Queen, sou fã do Meu Amor Buarque, sou fã do Heródoto Barbeiro, sou fã do Lamarca, sou fã do Christian Bale e do Steve Martin. Sou fã da Amanda Peet, aquela fofa. Sou fã dos filmes do Almodóvar porque eles me perturbam e me fazem ver que tentar controlar a vida é uma baita besteira. Sou fã das letras de Gabi, O Pensador. Sou fã dos filmes da Nancy Meyers pois aquele ''arzinho natalino'' daquelas histórias dela são um prato cheio para o meu lado carentão e sonhador aflorar. Sou fã de comédias que não parecem comédias e me fazem rir loucamente, pois eu não esperava que fosse rir de situações tão milimetricamente roteirizadas e sem graça. Sou fã de um bom rock no último volume para exorcizar fantasmas. Definitivamente, sou fã de música e papos gostosos com pessoas desencanadas e sagazes. Definitivamente, sou fã dos errados: quem paga de certinho me dá certa náusea e um cadinho de sono.
         Eu também sou fã de mães solteiras que criam seus filhotes sem perspectiva nenhuma em meio a comentários maldosos de gente desocupada, e tentam dar um futuro àquelas crianças concebidas ao acaso. Sou fã de pessoas que nascem em condições sociais de extrema penúria, e, mesmo assim, conseguem viver dignamente, estudando, trabalhando, prosperando, criando alternativas e, principalmente, contrariando a sina brasileira de ter nascido "sem eira nem beira". Sou muito fã de gente honesta e que - ainda que não tenha a pretensão de mudar o mundo - preza por dignidade em suas relações - sejam elas afetivas, comerciais etc. Sou fã de pessoas autênticas que não se prendem a estereótipos e tendências esdrúxulas, e vivem por aí, no seu completo anonimato, sendo elas mesmas na delícia de serem elas mesmas. Sou fã da galera que - mesmo vivendo em meio a esse arsenal esquizofrênico de tecnologia - cultiva hábitos simples e ainda frequenta bibliotecas e pracinhas fofas para namorar. Minha bagagem fanática - como podem ver - é enorme, mas ainda não comecei a ''adular'' a verdadeira homenageada da noite...
          É, sou eu. Sabe, eu ando meio abismada com os meus feitos. Não é fácil ser Bruna Daniele, não, meu povo. Cheguei à conclusão de que sou uma entusiasta de mim mesma - ainda que, claro, eu queira me esbofetear vezenquando. Tudo isso, pois no fundinho, eu sou minha única opção real de superação. Sou muito fã de mim, porque naquela noite - em que eu tinha tudo para desabar chorando - eu coloquei um puta sorriso falso no rosto e até que me senti melhor. Sou fã de mim, porque eu não desisto dos meus textos, mesmo quando eles não andam de jeito nenhum - tipo esse aqui, que tava mofando nos meus rascunhos. Sou fã de mim, porque eu sei do meu melhor e do meu pior, e pago a conta - ainda que sob um custo emocional altíssimo. Sou fã de mim, porque eu aprendendo nessa longa estrada da vida a me sentir de verdade. Sou fã de mim porque, sabe... para me aguentar... só eu mesmo. Eu e eu nunca fomos tão amigos.





segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Festa da vinda

         Por muito tempo (digamos que uns 10 anos, rs), eu detestei fazer aniversário. Pode ser que se sintam solidarizados com a causa, uma vez que também aniversariam todo o ano, né, amados? Pois bem, não sei se já tiveram esse ódio incontrolável pelo dia de vossos nascimentos e pela obrigação de estar em paz consigo mesmo e bla bla super resolvida com todos os setores da minha vida, não mais velha, melhor e bla bla bla. Não sei se curtem aniversariar, não sei se têm calafrios só de pensar... talvez isso role com everyone... talvez eu seja the only one... mas hoje vou lhes contar uma história pra boi dormir.


15 MINUTOS DEPOIS


          Demorei??? Tava lá mandando um e-mail pra Marthinha. Sim, a Medeiros, a escritora, aquela criaturinha genial e porto-alegrense... aniversariamos no mesmo dia, e - desde que eu soube - vivo me gabando do feito por aí, porque, né? Ela é uma das minhas favoritas (sei que de vocês também, rs)... e eu mando e-mails emocionados, desejando mais livros incríveis, mais crônicas fabulosas, mais tudo de melhor... poxa, ela merece, vive enchendo minha, aliás, nossas vidas de poesia e encantamento! Ela nunca me viu, nunca trocamos um ''oi'' sequer, mas acho super justo. Martha não me conhece, mas eu a conheço! E parece que é de tempos... de muito antes de ela começar a povoar de crônicas os Donna ZH dos domingos... vai saber, né??? Well, sobre o que falávamos? Ah, sim, sobre o quanto fazer aniversário me enchia de angústia. Me enchia o saco. Bom, o que posso dizer? tudo no passado. Não que eu morra de amores agora, claro, sempre fico naquela paranoia de acontecer alguma catástrofe e meu dia ficar marcado com alguma lembrança ruim. Ou de eu passar o dia inteiro de pijama, com o cabelo em estado deplorável, curtindo uma friaca federal e sendo privada do calorzinho tímido dos clássicos veranicos de Agosto - como aconteceu ano passado, aliás. (Foi realmente um diazinho detestável, creio ter sido um dos piores aniversários. Superou até o de 13 anos, época em que eu tinha 87485748 espinhas na cara, não pegava niente, e entrava naquele looping aterrorizante de pré-adolescência, vivendo naquela minisociedade chamada colégio e sofrendo todos os traumas possíveis e característicos da idade...) mas, ainda que haja essa ansiedade natural de que as coisas terminem bem, eu definitivamente decidi assumir uma postura ''brigadora'' nesse joguinho tinhoso.
          Mais um ano passou, mais um ano!!! Mais um ano novinho em folha para eu viver. Mais uma folha de caderno  para eu rascunhar. Mais um recomeço, mais uma continuidade, mais erros, mais acertos, mais experiências, mais amores, mais gente nova para conhecer, mais amizades, mais mudanças de opinião, mais brigas, mais raivas entaladas, mais encontros inesperados, mais decepções, mais sorrisos, mais piadas sem graça, mais banhos de chuva, mais dias ensolarados do jeito que eu gosto. Mais vida cheia de vida!!! -  que eu disposta a morder com todos os dentes, essa parte eu não negocio. Foi-se o tempo em que eu me sentia apática e intrigada com o fato de estar ''envelhecendo sem talvez não estar aproveitando tudo''. Hoje, eu não fico mais velha, fico melhor. Para mim, para o mundo, e para quem tem o prazer de cruzar comigo por aí (sempre modesta, rs). Os 22 se despedem e abrem alas para os 23.

''Apesar de todo erro, espero ainda que a festa do adeus seja a festa da vinda..." (Cartola)








sábado, 18 de agosto de 2012

Top10 Agridoce

       Agora, toda semana, terá um post especial, falando sobre meu intrigante gosto musical. Tenho um puta ciúme do que eu escuto (?), mas vou dividir com vocês o que anda passeando nos meus fones, enquanto eu ando pela cidade com aquela cara habitual de pateta. , mentira, não vai ter porra de post nenhum, detesto ficar presa a regrinhas de postagem, só me deu uma súbita vontade de vir falar disso - claro, pois nada de mais interessante povoa meus neurônios no momento. Vi que ando escutando com super frequência as canções a seguir. Sintam-se inspirados. Sintam-se musicados, música nunca é demais, né?

1- Matriz - Ramirez (Ah, super fofinha, super Malhação, super-tenho-16-anos- e-sonho-com-um-carinha-meloso-que- me-ponha-no-colo-e-cante-para-mim-e-meu-All-Star-surrado. Tô pouco me fodendo para o fato de que isso é Emo e etecetera, só quero saber se posso voltar pro Sweet Sixteen.)

2- Quero que vá tudo pro inferno - Roberto Carlos (Tamo junto, Rei, se bem que na cidade onde eu tô morando mei que faz verão o ano inteiro, pelo jeito, minha nossa, vim parar em Salvador e não me liguei? Ah, Jovem Guarda é um prato cheio, néãm.)

3- Café da manhã - Roberto Carlos (Ah, o Roberrrrrto, depois que parou de tentar imitar João Gilberto, ficou um doce e... hum... essa música me dá uma fome... cadê a geleia???)

4- Meu mundo e nada mais - Guilherme Arantes (Catarse, catarse, catarse, catarse!!!! Quando fui ferido, vi tudo mudaaaaaaaaaaaaaar, das verdades que eu sabiaaaaaaaaaaaaa!!! Bem boa para umas noites daquelas de remoer dissabores.)

5- Ouça - Maysa (Sua diva, genial, tresloucada, toca aqui, amiga, bora chorar uma fossa sem sair do salto, falando nisso, mulher, super pegaria teu netinho, Jayminho Matarazzo, que genética boa, hein, gata???)

6- Moonlight serenade - Glenn Miller (Ah, parem de me encher o saco, não aqui no momento, sinto informar, mas me encontro na São Paulo dos anos 20, tomando um sorvetinho super meiga, enquanto me preparo para assistir a algumas declamações da Semana de 22, acompanhada por esse cavalheiro gatíssimo, cujos olhos parecem pertencer a um quadro da Malfatti.)

7- Suspicious mind - Elvis Presley (Mimimimimimim we can't go on together with suspicious mind, buaaaaaaaaaaa, mimimimimi, é isso mesmo, Rodolfo Augusto, tudo acabado entre nós, we can't go on desse jeito, meu filho! Sai da minha casa, sai da minha vida, sai da minha playlist, Elvis, eu nem namorado tenho, porra.)

8- Solitary man - Johnny Cash (Caro esposo de June Carter, super me solidarizei com sua sina solitária, ao checar a tradução de sua canção num site fuleiro. Espero estar certa tal letra, aliás, pois fiquei com peninha de ti e com raivinha das piranhas que te largaram. Ah, me liga!)

9- Tell mama - Etta James (Eu amo essa mulher, eu amo essa música, eu amo esse ritmo, eu amo sair cantando essa coisa excitante do modo mais errático possível, minha nossa, isso tá mexendo comigo, socorro, vou levar uma pedrada do meu vizinho!!)

10- What is love? - Haddaway (Anos 90 mandam lembrança com essa balada extremamente dançante e caliente e sedutora e zás e zás e zás. Quem nunca fez trocadilho com o nome, né? Baita som, tô chorando lágrimas de dançarina do Gugu, por não poder sair saracoteando no momento. Baby, don't hurt, no more....












quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Sobre notícias sem-sal e reportagens charmosas


Eu sempre achei as notícias sem-sal. São sucintas, vá lá, têm sua serventia, enchem de novidade a vida dos transeuntes por aí, mas não queiram elas ter o charme das reportagens, dos livros-reportagem. Elas são frias, são pálidas, não escavam, não procuram além do que o fato oferece – ele e seu miserável lead. São ótimas, claro, super servis, informam com maestria, apavoram com crueza ímpar, embebedam de realidade todo o boteco..... ah, mas não queiram elas, no alto da sua previsibilidade, ter todo o arsenal de suas primas-irmãs. Tirem o editor-chefe da chuva, suas recalcadas.
No Jornalismo, você aprende que deve ser breve. É tipo fazer um charminho e sair de cena. Conte o que, quem, quando, onde, e, se der, alguma outra coisinha e vaze, seu exibido! Seu leitor/ouvinte/telespectador não tem tempo para conversinhas para boi dormir. Tá, tudo bem, a gente entende. Mas é que... ah, sabe... eu não tava preparada para essa economia. Eu sou leonina, meu bem, sou tudo, tudo – menos breve. Sou espalhafatosa narrando, quem dirá escrevendo. Preciso de muito adjetivo e superlativos e diminutivos e ironias e gracejos linguísticos e bagunça interpretativa para me sentir um pouco que seja realizada. Eu quero contar a história, lógico, mas tem que haver uma romantização digna da coisa, entendem? Se não, de que jeito vou ganhar meu Prêmio Esso? Meu Jabuti? KKKK... De que jeito provocar os instintos mais viscerais do meu leitor? De que jeito fazer esse desgraçado chorar, rir ou me odiar até a morte? Eu preciso de um recheio gordinho, uma conotação honesta e desimpedida. Eu preciso provocar algum sentimento, e não botar alguém para dormir com alguma manchete repetida à exaustão.
Eu quero a reportagem tocando bem fundo na ferida, fazendo da fonte um astro que ganha um diário vívido naquelas linhas, contando sua sina insuspeita. Eu quero que sua apatia anônima ganhe voz, forma e provoque os acomodados. Eu quero identificação gratuita. Eu, definitivamente, preciso sentir que isso vale a pena de algum modo. É, espalhafatosa e idealista – tô fodida desmo.






domingo, 12 de agosto de 2012

Sou e não nego

Brasileiro só aceita título se for de campeão. E eu sou brasileiro. (Ayrton Senna)


Mas o meu coração é brasileiro... (Natiruts)


(...) pouco executado pelas rádios brasileiras, Tom Jobim só encontrava o reconhecimento e os prêmios no Exterior. Dizia que o único país onde o atacavam era o Brasil. Uma vez lhe perguntaram por que sempre retornava.

- Volto para me aporrinhar. Para responder a esse tipo de pergunta. Para ser um dos 5% de brasileiros que pagam imposto de renda. Para perder o apetite ou morrer de indigestão. Volto porque nunca saí daqui – retrucou.


       De repente, eu tava ali, com a face sendo inundada por lágrimas, e o fato é que nem queria me conter. Poxa, finais olímpicas em que o Brasilzão é protagonista me fascinam um bocado. Me extasiam profundamente, pois, ali, na quadra, há um engrandecimento de uma pátria constantemente espezinhada. Maltratada. Seguidamente, pelos seus próprios filhos, aliás. Ali, no braço, na superação do atleta, por vezes desconhecido, surge um ímpeto de gritar que – caraca - eu sou muito brasileira! Eu sou brasileira! Bra-si-lei-ra. E com orgulho. Sou de um Brasil corrupto, sim, em que falta boa vontade política, em que há uma violência aterrorizante. De um Brasil, cujo passado é nebuloso e marcado pelo colonialismo e pela exploração, mas, ainda assim, é o meu país, é a minha raiz. Mesmo com tantos defeitos, o ufanismo é infinitamente maior, uma vez que estamos irremediavelmente ligados por uma sina, por uma gênese que se impõe - se indigna, grita e não tem medo de cara feia.
       Naquele momento em que vejo o herói olímpico suplantar a falta de investimento, a mediocridade de quem torce pelo adversário, a falta de apoio governamental, a dificuldade diária dos treinos – em detrimento de sua família e sua vida pessoal – me sinto retratada naquela epopeia, naquela batalha para honrar uma bandeira, pois eu recordo o tanto de coisa boa que carrega o DNA tupiniquim também, caramba! Eu sou gaúcha, adoro viver nesse estado incrivelmente abagualado, mas, poxa, sou muitíssimo mais brasileira. Sou honesta em assumir que nos merecemos - eu e essa minha pátria intrigante. E, como disse, apesar de todos os pesares, sinto extrema satisfação de dizer que sou daqui. Da terra do inventivo Santos Dumont, do dínamo das pistas, Ayrton Senna, dos combativos Tiradentes e Chico Mendes...
        Sou do Brasil dos pampas, do pantanal e do litoral fabuloso. Eu sou do Brasil de Bentinho e Capitu, do regionalismo torto de José de Alencar e de Castro Alves. Sou do Brasil do Chico, do Caetano, do Cartola, do Noel, e do Zé Kéti. Sou do Brasil do pão de queijo e do churrasco. Sou do Brasil de Ouro Preto e dos Lençóis Maranhenses. Sou do Brasil de Arariboia, do Brasil de Zumbi dos Palmares. Sou do Brasil dos candangos, dos retirantes, dos bandeirantes e dos barões, como o de Mauá. Sou do Brasil de Portinari, Tarsila e Aleijadinho. Do Brasil contraditório de Chateaubriand, Rui Barbosa, Yolanda Penteado, Oswaldo Cruz, Prestes e Lampião. Sou desesperadamente do Brasil que me acolhe. Sou e não nego.






sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Relato piegas


         Vou contar um segredo procêis: eu sou piegas pacaraleo. Uma chorona, vivo fazendo draminha à la Paulina Martins em A Ususrpadora. Super acredito em princípios, valores, amo um idealismo furado. Enfim, uma otária completa. Goethe e seu jovem Werther, por exemplo, me fazem entrar em profunda catarse. 
          Em se tratando do amor, por exemplo. Ahhh... o amor! Essa pulguinha atrás da orelha insistente. Sou tão piegas, que, por mim, nunca, jamais, em hipótese alguma, haveria desencontros. Tipo aqueles sobre os quais, meu Poetinha escreveu... nanana, não haveria sofrimento, nada de dores-de-cotovelo e vontade de chorar baldes. Na maternidade, nasceríamos com um itinerário amoroso e estaríamos fadados a viver algo verdadeiro: não passaríamos a vida inteira dando topadas na parede, insistindo em relações, ou, vá lá, platonismos que só nos machucam. Lindo de ver, almas gêmeas seriam uma realidade. Bateu o olho, foi correspondido, amou de verdade, ficou a vida inteira. Simples assim.
          Não tô usando drogas, meus caros. Mas essa história de histórias insistirem em acabar e fingirem que nunca foram uma história é uma coisa chata, que muito me fragiliza. Deve ser culpa das novelas mexicanas e seus amores teatrais e arrebatadores que eu vivia assistindo quando criança. Mas, dia desses, quando vi duas pessoas – conhecidos meus – e que já foram um casal deveras lindo, tratarem-se com uma frieza protocolar e cirúrgica, senti um puta vazio, uma vontade de mandar um e-mail para a assessoria de imprensa do mundo e dizer que tudo errado. Mals aê a deselegância, mas bela porcaria isso onde a gente tendo que viver, hein? Deem um jeito ou me mudo. Duas pessoas que já trocaram tantos carinhos, partilharam tantos risos, tantas ideias, souberam tanto um do outro, agora, tendo que viver como se fossem completos estranhos. Palavras cordiais, sem paixão, sem segundas intenções, olhares sem vida, apáticos, tentando negar um passado. Não sei por vocês, mas isso me comove. Se não durou, era tudo mentira? As palavras eram encenação? E por que foram ditas? Por que acabou? Amor acaba? A piegas, além de se comover, não tem resposta para nada. Bela repórter me saio.
          Termos como ''a fila anda'' e genéricos me desagradam um bocado. Me incomoda esse rodízio de pares, até parece que é muito fácil conhecer alguém verdadeiramente nessa vida: conheci fulana, ela é legal, conheci ciclano, ele curte jazz como eu. Santa ingenuidade. Não gosto desse clima de selva sentimental a que estamos expostos, em que ninguém é de ninguém e todos agem como se tivessem fazendo ''suas filas andarem numa eterna busca por algo melhor''. Se até hoje não me conformo com a separação do Brad e da Jennifer, imaginem vocês como me sinto com as separações que acontecem ali na esquina. 



quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Prazer, balada



Copos cheios
Corações vazios
Luz colorida
Por que viemos?

Prazer plástico
Veneno indolor
Pulsa a vida
Mas não somos o que temos

Dor que sorri
Paixão que corrói
Não parece ter saída
Isso que vivemos

Medo calado
Pista sedutora
Corpos quentes
Mas que ainda têm fome

Vento gelado
Nexo sem sentido
Amnésias recorrentes
Afinal, qual é teu nome?



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Curiosidades agridoces

Como há um público muito seleto que clama por entrevistas aqui neste espaço, aqui vai uma EXCLUSIVA, feita pela produção do "Garota Agridoce" com a mina agridoce, Bruna Daniele Castro, diretamente do Castelo de Caras. Um luxo só. Confira!



Qual a sua lembrança de infância mais remota?
Eu fingindo que tava dormindo pra não ir ao jardim de infância de manhã, nos idos de 95. Me achava muito esperta. Aí, como meus pais eram coniventes com meu soninho rebelde, eu ia no horário da tarde e as freirinhas sempre me repreendiam. Lembro até hoje “Bruninha, tu não estás no teu horário..’’ (risos)

Maior ídolo na adolescência?
Sei lá... acho que o Freddie Mercury, pela intensidade e magnetismo. E teve aqueles gurizinhos de boy bands, claro, peguei a fase áurea do KLB, logo...

Onde você passou as suas férias inesquecíveis?
Bah, quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, ia pra uma fazenda de uns conhecidos da minha vó materna. Só hoje vejo o quanto aquele tempo era fabuloso. O verão de 2011 também ainda me mata de saudade... mas ainda pretendo conhecer Minas e visitar as cidades históricas de lá, e creio que será inesquecível.

Qual a sua ideia de um domingo perfeito?
Cara, eu nasci num domingo, mas detesto. Sei lá, churrasco em casa com tudo que eu gosto, sol lá fora, vitória do Grêmio... risos pela casa... mas o mais importante é sentir que ele deixou algo de bom, até pelo fato de domingos serem um saco.

O que você faz para espantar a tristeza?
Sou fã de fossa (risos), até que curto um pouco.. potencializa os fantasmas e os textos saem que é uma beleza. Mas o fato é que sou uma pessoa muito alegre e de bem com a vida. Quando a tristeza vem, eu deixo ela viver e dou um jeito de ter uma catarse e me alimentar daquilo...

Que som acalma você?
MPB daquelas bem chatinhas. Ou aquela clássica dos casamentos (risos), Canon em Ré Maior, do Johann Pachelbel.  

O que dispara seu lado consumista?
Farmácias, ir ao mercado com fome, revistas...

Qual a palavra mais bonita da língua portuguesa?
Não tenho predileção por nenhuma, mas amo ler dicionários.

Que livro você mais cita?
Gosto de Drummond... ''a tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos..'' Isso mexe comigo, há um certo tempo.

Que filme você sempre quer rever?
O pai da noiva 1 e 2, Casablanca, Ratatouille, Chicago, Lisbela e o prisioneiro, E o vento levou, Volver, Kill Bill 2, Pequena Miss Sunshine, De Repente é amor, Maluca Paixão, Starsky e Hutch, Minha mãe quer que eu case, A fantástica fábrica de chocolate (com Gene Wilder)... eu vivo revendo filmes, que porre.

Que música não sai da sua cabeça?
I started a joke, versão do Faith No More.

Um gosto inusitado.
Imaginar cenas de filmes na cabeça e dirigi-las mentalmente.

Um hábito de que você não abre mão.
Debochar.

Um hábito de que quer se livrar.
Procrastinar.

Um elogio inesquecível.
"Bruna, como tu fala bonito” – minha mãe vive enchendo minha bola. 
“Teu texto foi um dos melhores que já passaram por mim” – de uma ex-colega de trabalho.

Em que situação vale a pena mentir?
A verdade é que todos mentimos, sem exceção. É do cerne humano, portanto, não vejo muito drama na questão. Claro, sou pela franqueza e sinceridade sempre, mas se não tem jeito...

Em que situação você perde a elegância?
Com esnobismo, negligência, má vontade, quando me acordam, quanto tô com sono e não me deixam dormir, quando presencio injustiça, preconceito e pensamento mesquinho, na companhia de velhos amigos... penso não ser muito elegante.

Em que outra profissão consegue se imaginar?
Diretora de cinema. (risos)


*O modelo de entrevista foi pedido emprestado ao pessoal da revista Donna ZH, mas eles não sabem disso.