terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Sobre o exército imbecil da curtida e o jornalismo colaborativo

É claro que o último post ia dar pano pra manga. Daria uma camisa inteira. Porque o fato é que eu maculei o sagrado tecnológico de cada um que já fez o que condenei - talvez, muitas vezes, sem noção do alcance de sua atitude. No geral, as pessoas acham simplesmente que podem postar o que quiserem nos seus perfis. Queime no inferno, sua hipócrita! Queime, Bruninha, queime.
É notória a utilidade da ''instituição compartilhamento'' para fins de caráter social, de difusão de conhecimento, de promoção de relacionamentos. Eu, por exemplo, sou team-compartilhar-foto-de-cachorrinho-e-gatinho-pra-achar-lar-forever, dane-se quem não gosta. É saudável e diria mais: é necessário. No jornalismo, que foi uma esfera que citei anteriormente, por exemplo, vemos casos de pessoas que reportam amadoramente aos veículos, fatos por meio de vídeos e fotos - e, assim, auxiliam repórteres que não puderam, por algum motivo, ''pegar'' determinado ato in loco. Esse tipo de contribuição é benéfica e merece ser valorizada. Em momento algum quis desmerecer a atuação da audiência nesta alimentação, cuja finalidade maior, ao menos teoricamente, deveria ser a de deixar todos bem informados e cientes do que ocorre na comunidade em que vivem e desenvolvem suas relações. Em suma, eu não critiquei o jornalismo colaborativo na internet e suas vertentes. Capisce? Understood? Ou vão querer que desenhe?
Agora, voltemos ao sadismo descompromissado e alienado da rede. É até complicado eu colocar em letras garrafais que só há gente realmente sádica na rede, que não tem interesse nenhum em propagar o bem comum e só quer mesmo é apavorar geral, até porque eu não sou, , onisciente - que sei eu do que se passa no coraçãozinho de outrem? Mas, sabe, prestando atenção em alguns perfis - maldita expressão: prestar atenção -, algumas coisas não conseguem me fugir aos olhos. Hay que deliberar, meu povo, hay de deliberar. Tem gente por aí que não tem noção de nada, sabe? Essa coisa do celular muito à mão, da transmidiação muito à mão... não sei até que ponto isso é usado para meros fins inocentes. Fotos de meninas nuas que misteriosamente ''vazam'' nos whatsapps alheios, por exemplo - e, não, eu não estou condenando as gurias, seu moralistinha da porra -, são um termômetro cabal de que a tecnologia é usada em muitos casos para promover maldade pura e simples. É como se a instantaneidade da coisa potencialize a gana por sangue, por circo, por escandalizar a vida do outro. Nunca a nossa, claro, até que alguém seja cruelzinho com nós também. Vocês vão vir me dizer que ''ai, Bruna, cada um coloca o que bem entender...'', ou ''ai, e a liberdade de expressão?'', mas é aí que mora o perigo, queridão, você não é uma ilha. Ponderar antes de compartilhar e comentar vídeos, fotos e etc que mostram os demais em situações desesperadoras é um exercício de consciência. Vocês deveriam se perguntar: por que eu tô fazendo isso mesmo?



Auxiliou no post:

Natural blues - Moby




quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Exército imbecil da curtida


VAMO LÁ, BRASIL, QUE HOJE A ESTUPIDEZ TÁ NOOOOOTA 10

Eu até não sei como não escrevi antes sobre isso que estou prestes a escrever, visto que é algo que me embrulha o estômago desde sempre. Tá aí, tô aqui abobada pensando que nunca veio o insight pra comentar isso, essa nojeira de compartilhamento em massa da desgraça alheia, muito mais evidente, claro, nestes tempos escrotos de Facebook e smartphones inteligentíssimos - ao menos no nome. Galera vai lá e compartilha foto de cão ensanguentado. Galera vai lá e compartilha foto de acidente. Galera vai lá e compartilha foto de corpo estirado no chão. Galera vai lá e compartilha foto de gente espancada, QUAL É, MANO, CÊS PERDERAM A NOÇÃO DE EMPATIA? Quer dizer, vocês já tiveram algum dia empatia pela dor alheia, digo, antes de ter um celular com câmera? Ou esse emburrecimento veio como bônus na nota fiscal?
Mais que a atitude infame de fotografar e sair por cima como canal de notícias local, o que me deixa puta da cara mesmo são as curtidas que vêm a tiracolo nos tais compartilhamentos. Sempre infinitas, sempre absurdamente numerosas - e, não raro, acompanhadas de muitas opiniões, também numerosas, todos falam, todos sabem do que ocorreu, todos xingam, todos entendem muito da fatalidade quando não é com o próprio rabo. É tipo o exército imbecil da curtida. Cá entre nós, será que as pessoas sabem realmente o que uma curtida quer dizer? Digo isso, pois ela poderia e deveria servir como um instrumento de boicote, ou seja, não achei digno, não curto. Simples. E o post ficaria lá às moscas convivendo com o ostracismo eterno - não porque as pessoas não sentem muito pelo que aconteceu, mas poque têm respeito pelo drama do outro, pela infelicidade que, vejam só, pode sortear qualquer um. Porque, principalmente, se colocam no lugar e, tenho quase certeza, não gostariam de estar servindo de entretenimento barato para a curiosidade fétida de quem está no sofá de casa. Ou gostariam? E se fosse com sua família, seus amigos, com você mesmo?
Em março do ano passado, meu tio materno sofreu um atropelamento horroroso por uma motocicleta, que o deixou com um problema gravíssimo na perna direita. Na noite do ocorrido, ficou inconsciente numa avenida movimentada da cidade, à espera de socorro. E, como não deixaria de ser, foi fotografado pra caralho. Bacana, né? Fotos dele com a perna esfacelada correram as redes, tu viu o fulano, guria? Tem na página de não sei quem, vou te mandar. Tudo pelo bem noticioso, claro, eu que vejo maldade onde não tem.
Eu sei, sabe, que desde sempre a miséria do outro nos toma pelo braço. É algo psicologicamente cruel, mas muito verdadeiro. Só que, pensa, a gente pode se policiar. Ou viramos animais sem o mínimo de senso crítico? Ai, minha ingenuidade. Embora possa parecer, esse post não é por ciuminho de quem quer pagar de ''jornalista'', por favor, até porque essa face do jornalismo, de ter que cobrir catástrofes, ainda que a perceba necessária, me entristece com frequência. É pela banalidade mesmo, pela falta de critério, pela animalização virtual. É pelo nojo constante e genuíno do exército imbecil da curtida, o majestoso - e aparentemente invencível.




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Henrique e Juliano - os manés

Poucos músicos fazem umas letras tão sem verossimilhança quanto os universitários, aqueles. Adoro, mas pra rir por dentro, sabe. Caso eu vá a alguma baladinha de música sertaneja universitária - e olha que sertanejo universitário é beeeeem diferente de um sertanejo gostosinho tipo o do Almir Sater, por exemplo -, não raro, eu viro para quem está comigo e comento: ''amiga, olha essa letra, presta atenção''. E me mato rindo. Sozinha, claro, porque esse é o meu destino na vida. Enfim, sobre o Henrique e o Juliano, por exemplo. Umas graças, mas né......... ai, que preguiça. Acompanhem comigo antes que eu pegue no sono:

Aqui sentado nessa mesa 
Só o copo de cerveja é minha companhia
E essa casa está tão cheia
E parece vazia sem você comigo

(Um clichê horroroso, né, meu povo? Nem vou me dar ao trabalho.)

E hoje está fazendo um ano
Aqui no meu calendário ainda está marcando
O dia, o mês, foi a primeira vez
E o que me prometeu, será que se esqueceu?

(Gatinho, o calendário mudou, o ano mudou. Supera isso, meu fio!)

De todos nossos planos, nossos filhos, nosso apartamento
Da nossa lua de mel, do nosso casamento
Como pude acreditar nesse seu juramento?
E agora estou sozinho outra vez

(Gente, esse tipo de sonho em 1950 é até compreensível, mas em pleno 2000 e tantos...? Pensa comigo, no meio de tanta coisa interessante e excitante para se planejar as a couple, como viajar, criar uma ONG, abrir negócios, escalar montanhas, nadar pelado numa cachoeira, desbravar a América do Sul de moto, tomar porres de Curaçau Blue, conversar com os índios do Xingu, publicar livros, aprender idiomas, sei lá, até assaltar um banco vestidos de Bonnie e Clyde, tu vem me falar de filhos? Casamento? Apartamento? Lua de mel? Wtf, Julianinho? Beleza, quem sabe esses desejos viessem depois de muita maturação da relação, mas não me surpreendo que você esteja sozinho agora.)

De copo sempre cheio, coração vazio
Tô me tornando um cara solitário e frio
Vai ser difícil eu me apaixonar de novo
E a culpa é sua  

(Ai, lá vamos nós. Ô refrãozinho bem enjoado. Seguinte: a culpa não é da garota, cara. Alguém me contou uma vez que não dá pra colocar nas costas dos outros a responsabilidade de nos fazer felizes, e, bem, me parece muito verdadeiro. Quanto a se apaixonar de novo... você certamente nunca andou de ônibus, né? Uma voltinha por dia e essa sua teoria cairá por terra. Pesquisas apontam que não há melhor lugar para cultivar platonismos.)

Antes embriagado do que iludido
Acreditar no amor já não faz mais sentido
Eu vou continuar nessa vida bandida
Até você voltar

(Antes embriagado do que iludido? Sério mesmo? Partindo da premissa de que humanos normais se iludem a cada respirada, algo me diz que você já deveria estar frequentando, há tempos, as reuniões do Alcoólicos Anônimos, querido. Ou possivelmente já está agonizando de cirrose, porque, né? Vê se para com o trago, porque mulher detesta bêbado e, como seria de se esperar, sms do além.)





*Em um futuro não muito distante, analisaremos Marcos e Belutti, porque, convenhamos, essa história de preferir encher o saco dos outros domingo de manhã a estar em um hotel em Dubai me cheira à sociopatia, quer dizer, não tem lógica alguma.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Se chorar, não poste


SE BEBER, NÃO DIRIJA
SE CHORAR, NÃO POSTE

Foda-se. Vamos lá. Eu sou um tipo desgraçado de entender. Eu nunca tive compreensão. Eu simplesmente não deveria existir do jeito que eu existo, mas cá estou, entregue à teatralidade miserável da vida real.

QUE TE DEIXA SEM FONE DE OUVIDO NA ENCRUZILHADA CONVULSIONADA
SEM FONE, SEM CARINHO, SEM LENÇO, SEM DOCUMENTO

A droga do fone simplesmente esfacelou-se dentro do meu bolso, como que por encanto. Deve ter sido no momento em que eu, muito provavelmente, me debulhava em lágrimas, honestíssimas lágrimas. Ai, fone, por que tão sorrateiro? Por que me deixaste, oh, pequenino e empoderador ser? Sem você, a catarse não é a mesma. Sofrer sem trilha sonora é o pior dos castigos. Chorarei também pelo fone derramado.
Fui ferida, porque viver é se ferir. Acho curioso quando no meio de um embolamento de ideias que não se reconhecem, alguém solta um ''tu é louca'', a fim de desestabilizar a outra parte e entregá-la ao pavor de talvez não reconhecer suas demandas como sendo legítimas. Acho curioso, mas só para ficar mais bonitinho no texto mesmo. Eu acho é cruel. É desumano, se me permitem acompanhar meu emocional em frangalhos. O ônus dos turbilhões sentimentais com pernas e coração é que, ainda que escrevam coisas maravilhosas, obrigada, convivem com a descredibilização constante. Pobres seres que não se encaixam no mundo dos controlados. E lúcidos, claro, porque os lúcidos são sempre os outros.
Não, eu não sou louca - e isso é realmente um momento de ensinamento. Eu sou é muito sã. Não caio mais nessa. Quantas vezes fui denominada como tal e fiquei tateando no escuro para encontrar o que julgavam errado em mim? Muitas, incontáveis... dolorosas buscas. Mas agora minha loucura, essa loucura, é abraçada, é acolhida. Como eu não fui. E possivelmente nunca serei.




Auxiliou no post:

A matter of feeling - Duran Duran






domingo, 15 de fevereiro de 2015

CARNAVALZETA


ALALAÔ Ô Ô Ô 
MAS QUE CALÔ Ô Ô Ô

Não vou poder fugir, né? Falemos então dele, o magnânimo. Assim, o carnaval esconde um código de manifestações que eu não consigo entender. Fico deliberando sobre comigo mesma e não acho saída. (Com uma expressão facial tipo aquela do Chris, quando Greg Wuliger comenta que tem uma menina ''muito na dele''. ''Cara, ela tá tão na sua'', eis a frase.) Não tô falando positivamente ou negativamente, apenas como uma observadora, que sou, da realidade - que ônus na vida, a propósito. Claro, é fascinante essa coisa de pensar, pois nos sentimos o suprassumo da cadeia evolutiva da vida terrestre, mas é inevitável constatar que talvez pudéssemos ser mais serenos - isso mesmo, serenidade é o sentimento - sendo robôs. Bom seria... robotizar a existência para não perder tempo tentando explicar o que não se explica. Eu, por exemplo, não perderia meu precioso tempo antropologizando carnaval e seu modus operandi com cara de Tyler James Williams - divino, por sinal, que coisinha hilariante esse piá.      
Ontem fui a um clube da cidade, a fim de ser foliona. Os amigos convidam, a atmosfera conspira... nhéé, tá, vamos lá, poxa, ''ficar em casa é coisa de gente velha e triste''. Mas hein? Eu nem tô triste, quer dizer, também não estou exultante, mas definitivamente não estou escutando Everybody Hurts, do R.E.M. Porém, beleza, vamos fingir que eu acredito nesta falácia, afinal, é carnaval, tudo é fantasia - cá entre nós, estas máscaras sociais são um achado. Hoje, mais empoderada como ser humano que entende que não há melhores amigos que um sofá preguiçoso e Friends um filminho do coração, eu rio, acho graça, abro um sorriso debochado. Ora dizer que ficar em casa é coisa de gente triste? Triste é ter que fugir de si mesmo toda sexta-feira e se entorpecer pra ver graça nos outros, na vida. Triste é ter que sair de casa com uma empolgação encomendada. Ou quem sabe não seja triste pra você, ok, mas creio que totalmente infundadas minhas afirmações não sejam. Quando eu era mais nova e meus pais bancavam os carrascos não me deixando fazer o que toda a galáxia de adolescentes de 16 - inclusive muitas das minhas amigas - estavam fazendo nos blocos de carnaval, eu quase podia sentir pena de mim mesma. ''Putz, só eu fiquei mesmo em casa assistindo a Maria Beltrão narrar a ala das baianas, hein? Uau!'' 
Que papo de tiazona esse, como se eu realmente fosse a voz da sabedoria... mas, sabe, gosto de recordar essas coisas e ver que eu não estava perdendo grande coisa. Nossa, perdendo nada mesmo. Ontem no clube, enquanto sorvia uma Bud - a cerveja da moda, claro -, inocente e alheia aos meus devaneios, e escutava um Greatest Hits Ivetão aparentemente no repeat infinito, vi que as coisas não mudaram muito. Ala das baianas, hoje vou vê-la desfilar. Com gosto. 


E só para que não me chamem de triste, deixo essa coisa maravilhosa que sintetiza semioticamente bem o carnaval que todo mundo faz, mas ninguém conta: 


  

Cínica, pode ser. Triste jamais.







  

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Sobre o litoral farroupilha e a polêmica do comunicador

O texto do tal comunicador sobre nosso litoral farroupilha mexeu aqui com meu senso de ridículo, logo, também vou opinar. O fato é que não vi nada demais. Tá engraçado? Não sei, sabe, para achar determinada coisa engraçada, é preciso estar a par do objeto que faz graça, dos seus antecedentes, e não sou discípula do cara. Não por nada, só não sou - nem dele, nem do programa do qual faz parte - então, pra mim, soou forçado. Achei alguma ou outra coisa sagaz e bem escrita, mas opino como uma pessoa que dá uma olhada nos textos alheios, a fim de ter repertório. Não achei ofensivo, só, sei lá, irrelevante? Mas, beleza, tem quem tenha achado ultrajante, minha nossa, Bento Gonçalves está a chorar nas trincheiras, alguém leva esse ''catarina'' para fora de nossos domínios já.
Fiquei a pensar que grande parte da possível ofensa residia no fato de o cara ter nascido em Santa Catarina, e, né, onde já se viu essa gente falar mal do Rio Grande do Sul? ''Ai, Bruna, você está louca, querida''. Estou? Acho que não. Existem, sim, pessoas que alimentam um tipo de competição (???) velada entre os estados, não sei bem de onde surgiu essa babaquice, mas é fato que está no ar que respiramos. Eu ousaria dizer que é mais por parte de nós, gaúchos - e, argh, como me enoja ter que ficar dentro desse saco no momento - visto que nosso histórico de esnobismo é assustador, mas deixemos no meio a meio então. Tem gente que é apaixonada pelo estado, a ponto de deixar o raciocínio em segundo plano, a propósito, qual o nome da doença? Sim, porque é doentio. ''Você não é tradicionalista, Bruna.'' Olha, amigo, realmente, se é pra alimentar ódio entre naturalidades, me inclua fora dessa.
Acho escroto curioso esse bairrismo, sabe... assim, eu gosto de morar aqui, nunca me faltou nada, blá, blá, minha essência está aqui, ok, mas o semblante de aprovação é até ali, colega. No momento em que aquela macheza-gaúcha-toco-os-arreio-nesses-estrangeiro começa, eu já tô a léguas de distância. Nesse momento, eu já mudei minha certidão pro Pará, pra Nicarágua. Deu.
Pode parecer injusto, mas o tal do sentimento de pertencimento só vai dar as caras, providencialmente, quando eu for visitar outro estado. Idem pra quando eu for a Porto Alegre, tendo nascido no interior. Idem pra quando eu for pra Malásia ou pro Condado de Puta que Pariu, tendo nascido brasileira. Até quando eu fizer uma visita e contar as horas para estar com os pés pra cima na minha cama de novo. Nossos valores e sentimentos são cultivados em lugares de irrisório espaço. E só. É assim que as coisas são. É assim com todo mundo. Tem autores ótimos que falam disso e da nossa sintomática contradição, dá uma googleada aí.
Quanto ao cenário de apocalipse descrito pelo cara sobre a orla... olha, não me pareceu exagerado. Quer dizer, vamos desconstruir o termo ''praia''. Ok, praia é ótimo. Ficam lindas em fotos no Instagram. São lindas nos clipes. Dão ótimos e salivantes pensamentos quando a gente está sob tortura no trabalho. Mas, infelizmente, chegando lá, elas não são assim tão convidativas. Tem um vento desgraçado. Tem música chata do cara que desconhece fones. Tem gente sem noção te acertando com bolas de variadas procedências. Tem tarado te secando. Tem cães adoráveis se utilizando da areia como um imenso vaso sanitário a céu aberto. Tem a areia, como não, nos brindando com deliciosas micoses. Tem o sol nos fazendo fritar como bacon no óleo quente. Assim, é bom, é agradável, mas tem que ter saco, tem que querer muito. Da praia mesmo, eu só tiraria a água, me vê uma porçãozinha aí que eu vou levar pra viagem, moço. No geral, praia é isso - a não ser, claro, que você tenha colocado azulejos numa especialmente pra uso próprio. Enfim, o fato é que o jornalista poderia ter escrito até sobre Copacabana, a princesinha do mar, e seguiria soberano - com o bônus ainda do arrastão, que felizmente não se popularizou por aqui.
Mas vai ver, tudo é porque ele não nasceu nos pampas, né? Mereço essa gente.





domingo, 8 de fevereiro de 2015

Os hominhos e a astrologia

Astrologia é aquela coisa: não acredito nem desacredito. Na real, acho que serve pra gente se sentir menos culpado pelas merdas que faz na vida, né, migos? Tem quem odeie e tem quem ame. Eu, no caso, tô sempre dando uma olhada, confesso. Não custa nada. Sei que vocês também olham. Abobrinha por abobrinha, poderia citar umas histórias de como a astrologia previu tudo direitinho. Enfim, tô aqui de bobeira e resolvi fazer análises sobre os hominhos com quem já topei neste jogo pedregoso que é o amor, baseando-me no meu parco conhecimento astral. E também porque eu li um livro muito engraçado a respeito, dia desses, e não paro de rir.

ÁRIES: Não tenho muita propriedade para falar dos arianos, só sei que fiquei encantadíssima por um na praia, certa feita. Só que ele morava longe, enfim, mas parecia ter uma personalidade instigante, gosto de gente assim. E ele era de fogo, o que muito casa comiguinho. Só não vem ser esquentadinho pro meu lado, que vai levar um corte. Detesto gente estúpida. Arianos, tirando isso, devem ser ótimos, estamos aí.

TOURO: Não sei o que pensar dos taurinos, quer dizer, já li que são possessivos e materialistas, confere? Não gosto de materialismo. Mas essa coisa da posse até me agrada em determinado nível, essa coisa de demonstrar afeto e coisa. Mas sei lá, parecem dar bons pais de família e chefes, não sei se são bons namorados. Taurinos, venham me provar que estou errada.

GÊMEOS: Ai, amo geminianos? Mozão Evans é geminho. Tá, falando sério, adoro a inventividade deles, me atraem. Só ouvi dizer que não são muito fiéis, confere, meninos? Aí ferrou, porque gosto de exclusividade. Tá, não ferrou tanto assim, porque não sou uma julgadora ferrenha da moralidade. Só gosto de franqueza. Se forem francos, me liguem, até porque vocês são bons de papo e isso me ganha.

CÂNCER: Awn, o que dizer desses caranguejinhos de lua? Cês são de lua, né? Essa coisa maternal e romântica me toca, de verdade. Só que vocês são meu inferno astral, gatos, será que rola? Há uns três anos, fiquei loucaça por um, foi muito desastroso engraçado. Acho que a gente não tinha muito a ver na real. Mas se for o Wagner Moura, eu encaro. Com ascendente em câncer, lua em câncer, tudo em câncer.

LEÃO: Ai, o que dizer destas mulinhas? Nunca tive o azar de topar com uma criatura igual a mim por aí nos labirintos do flerte, mas tudo pode acontecer. Eu não descartaria, porque essa parte teatral da gente, de tentar enxergar a vida como uma performance do Freddie Mercury me agrada deveras. Gosto de sonhadores, de entusiastas, ainda que seja por causas fodidas. Ouvi dizer que são ótimos amantes, gurias, invistam,

VIRGEM: Já tive loucurinha por uns quatro, eita sina. Mas a gente não tem nada a ver. Odeio essa mania de organização? Essa meticulosidade com a vida? Não é recalque, mores, é só falta de saco com esses chatinhos. Mas eles são charmosos, confessemos. Só não são pra mim. Espero que meu coraçãozinho entenda.

LIBRA: Essa coisa de o libriano buscar a justiça me atrai. Tá, só sei isso, um total clichê. Já ouvi dizer que são românticos, gosto disso. Nada em demasia, mas né, sempre válido ser capturada por um mundo de sonho e beleza. Porém, me faltam histórias com este signo, então vamos adiante.   

ESCORPIÃO: Gente, tenho imã com essa gente? Ô se tenho. Sempre saiu faisquinha, sabe, essa coisa de fogo com água não dá boa coisa. Ou dá tanto que dói. Mas é um signo que admiro pela resiliência. Tenho muito disso, já que meu ascendente é dessa turma venenosa aí. Eu diria para manter distância, mas é que nem eu me aguento.

SAGITÁRIO: Ai, olha o meu paraíso astral aí, que bonitinho. Há uns sete anos, eu era doida por um. Ele era um completo abobado e eu babava nisso, não me perguntem o porquê. Mas ele não queria nada comigo, então eu sofri, chorei largada, todo aquele processo pelo qual o Cristiano Araújo também passou. Mas sem mágoas, gosto do descompromisso sagitariano, parece quente.

CAPRICÓRNIO: Ishhh, só tretas. Não simpatizo at all. Mas vai saber, né, quem sabe daqui um tempo tô eu aí com um crush deste signozinho. Bate na madeira, miga. Tá, mas sério, me faltam referências na verdade. E quem sabe a praticidade terrena dessa turma case com meus (raros) dias pragmáticos, né?

AQUÁRIO: Dizem as línguas astrólogas que aí reside meu par ideal. Vai saber, né? Gosto de aquarianos, tenho simpatia, parecem pessoas de mente aberta e isso me agrada. Uma vez, soube que um era gamadinho, mas gamadão mesmo pela minha pessoa, mas da minha parte não rolava nada. Pena. Pena mesmo? Nunca saberei.

PEIXES: Enfim, chegamos ao final do zodíaco. E quanto aos peixinhos? Nhoin, parecem ser uns lindinhos nesta lenda chamada romance. Pegar na mão, olhar no olho, abraçar apertadinho. Até escorreu uma lágrima aqui. Só ouvi dizer que é difícil entrar neste mundo do pisciano, visto que até ele se perde lá. Quando quiserem sair da calmaria da água, saibam que há uma curiosa aqui, meninos.




Auxiliou no post: 

Banquete dos signos rs - Zé Ramalho





*Esta postagem não teve a intenção de queimar ninguém. Vamos nos conformar: nossos signos são um saco completo. Nós somos um saco. E o fato é que isso acima é um monte de achismo, não me xinguem, vlw, flw. 





quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Depois

''DEPOIS DE TANTOS DESENGANOS, NÓS NOS ABANDONAMOS COMO TANTOS FICANTES''


Quero que você vá pra puta que pariu
Hei de ir pra lá também
Depois de varar madrugadas, esperando por nada
De aguardar nem que fosse um não
Em vão
Tu viraste-me as timelines
Não digitou as respostas
Que eu preciso atualizar

Quero que você baixe uma versão do android melhor
Hei de baixar uma melhor também
Nós dois já tivemos conversas
Mas venceu nosso Vivo Tudo
Não podemos negar
Foi péssimo
Nós fizemos históricos
Pra ficar na memória
E a cabeça nos desgraçar

Quero que você viva sem fazer check-in
Eu vou conseguir também
Depois de aceitarmos as mensagens ignoradas
Vou trocar seu whatsapp pelo de outro alguém
Meu bem, vamos ter liberdade para trovar à vontade
Sem sacanear mais ninguém
Quero que você seja infeliz
Hei de ser infeliz também depois.



Desculpe, Marisa.
Marisa, sabia que você é minha cantora nacional preferida? Deixa pra lá.










segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Sobre matar uma postagem e joguinhos mentais

Tô aqui, com uma cara de pateta, olhando pra tela deste famigerado notebook, imaginando que se eu mentalizar, o texto que escrevia há uns minutos voltará. Ele volta, tem que voltar. Ok, ele não vai voltar, reconheçamos o óbvio, a droga não salvou. Parece muito com algumas coisas que já fiz na vida. Abre outro rascunho aí e cala essa boca. Olha, ele, o texto, tinha potencial. Tava ficando do jeito que eu gosto - eu, que nasci assim tão enjoadinha exigente pra gostar de algo. É bem verdade que não são uma unanimidade nem pra mim mesma, mas tenho que confessar que ó: dos meus textos eu gosto. Da maioria. E não é uma autoestima pseudo-literária forçada, do tipo ''se eu não gostar, ninguém gosta''; eu realmente sou louca por essas abobrinhas adoráveis que escrevo, de coração.
Tá, mas não é sobre isso que vim falar. Quer dizer, no finado texto que ficou perdido aí no submundo do Blogspot, falava eu sobre jogos de poder. Joguinhos mentais, sabe? Aquela coisa de ver quem domina quem, ainda que de maneira pouco franca em relação às regras. Acontece sempre. E é assustador como isso pauta nossas relações pessoais. Não queria que fosse assim, onde é que eu aperto pra cancelar isso? É lamentável que nossa espécie fique à mercê de palavras não ditas, de demonstrações de vaidade sem querer querendo, de palavras ditas demais, com sede demais, tolas, ridículas, mas tão imperiosas e convidativas na hora. Como quando um casal discute, cada um cego pelas suas verdades, cada um acusando o outro de estar mentindo por ter sido desse ou daquele jeito. Quem tá enganando quem? Existe engano de fato? Qual o limite da verdade? Os dois podem estar discutindo por afirmarem a mesma coisa, apenas com tons de voz diferentes - veja você que ridícula tal situação. Os dois podem estar presos a um ideal de subserviência, aquele que não admite tragar silêncios em detrimento de palavras finais ditas pela outra parte. É tudo uma questão de cronometrar a saída, eu diria. Não deu tempo dessa vez, tente na próxima.
Relações, relações, relações. Quanto mais tento entendê-las, mais me frustro e me recolho. Pode ser propaganda enganosa, mas os que se aventuram não têm sido lá bons marqueteiros aos meus olhos. Ou vai ver foi essa miopia, descoberta pelas freirinhas em 95, que já corrompeu o meu discernimento - se é que eu tenho um. Jogo por jogo, ainda tenho preferido a versão em que eu fico à espreita e tenho paz. 


Auxiliou no post:

Talihina sky - Kings of Leon