domingo, 25 de setembro de 2011

S.O.S

         As artes não resolvem nada, mas são um baita consolo. Eu acho. Tô sempre à procura de uma música que traduza meus lapsos bipolares, uma citação de livro que acalme minha errância sem fim, uma cena de filme que faça o riso jorrar apenas para mim e sem cúmplices. Trata-se de uma busca meio arraigada, já que a vida real anda cada vez mais sem graça. Ainda que não traga grandes mudanças, sacia um pouco da vontade de sarar alguns machucados existenciais que - não sejam tolinhos - permanecem tatuados na alma, na pele, na vivência toda.
         Em relação aos livros, um quê hiperativo tem roubado minha atenção. Tô às voltas com uns exemplares burocráticos e técnicos - devido à produção do enrolation acadêmico clássico dos que desejam findar a graduação (Sim, TCC! Um Suflair para quem desvendou meu eufemismo malcriado) - mas louca da vida para ler outras coisas mais bestas e menos casadas com o ideal de difundir teorias sociais e humanas. Não que sejam ruins, mas, sabem? Não é o momento. Erramos de caminho. Talvez eu esteja atrás de algo que nunca foi escrito. Ou ande procurando nas bibliotecas erradas...
         Bendita hora em que dei uma chance à saga de Jean Valjean e sua trupe francesa, assim, sem esperar quase nada. Sei lá, a vibe era boa, nosso encontro foi providencial, achei tudo encantador e me apaixonei pela história - fato este que nos leva a uma percepção mais profunda: só daremos valor ao que lermos, se estivermos receptivos a tal. No caso do romance do Victor Hugo, houve química. Só isso. Não criei grandes expectativas, contudo, até hoje sinto saudades daquela sensação de supresa grata e vento fresco tocando o rosto e colocando tudo no seu devido lugar. Tempo bom. Leitura enternecedora.
         Acontece seguidamente. Vem um pensamento solto, que não tem nada a ver com nada, e sou flagrada por mim mesma num jogo de palavras que pergunta quem poderia explicar tantas teorias infundadas. Carpinejar mostra-se solícito. Gabito foi uma recente e extasiante descoberta. Tentei reler Kundera, mas não tô com saco para triângulo amoroso - ainda mais, passado no insosso Leste Europeu. Enfim, desejo ler algo que me defina nem que seja por um minuto. Quero me agarrar às páginas eleitas, para depois, eufórica, comentar com alguém que era exatamente aquilo que meus olhos precisavam testemunhar. Pode até ser preguiça de continuar erguendo a voz para quem não quer escutar, mas preciso mesmo é de uma gentileza literária que fale por mim e me faça sorrir, serena, diante desses dias que parecem ser todos iguais.
                      

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Plantão agridoce

          Dear God, e eu pensando que eu era a única agridoce que estufava o peito e assumia, sem nenhuma culpa, carregar genes docinhos e azedinhos no corpo? Momento Maysa Matarazzo: meu mundinho caiu. Há mais blogs agridoces na vizinhança, gente! Com algumas variantes, lógico, mas o adjetivo garanhão marca presença em mais páginas da web, sim, senhor. Seria eu uma fraude? Em instantes, no Globo Repórter. rs
          Não, não sou. Abomino cópias. Acho que não se pode fugir de inspiração - coisa bem diferente, aliás. A minha, no caso, brota de muita galera literária e casual por aí, mas o fato é que eu nunca seria ridícula a ponto de plagiar a ideia de outrem. Sou ridícula em outras situações, mas não, assim, ferindo meu orgulho leonino. rs // Gosto do que eu faço: ruim, bom, regular, meia-boca, whatever, mas prezo por originalidade e brio. Logo, se vocês virem algo parecido, sei lá eu, não pensem que eu me prestei a homenagear a pessoa em questão. Já expliquei por aqui como surgiu o título do meu bloguinho-filho-querido, né? Eu tenho passion por tal palavra, acho que a madame eufemiza muito dignamente isso que nós todos não conseguimos explicar direito dentro de nós: o anjinho e o diabinho atazanando os dois lados do cérebro. E ponto. Se tive o mesmo insight criativo de algum mortal por aí, o negócio é relativizar. Aqui, só tem bobagem fresquinha proveniente da minha caixola.
          É, o mimimi tá brabo! E eu, como sempre, tô me blindando com aquilo com que fui agraciada em doses cavalares: bom humor! Fiquei meio surpresa, ao constatar que já haviam utilizado a minha matéria-prima, mas, enfim, já virei a página. Só achei pertinente avisá-los. Acreditam que cheguei a flagrar em um blog-primo-distante, uma crônica de-li-cio-sa a respeito do Chico? Deixou a minha no chinelo, obviamente. Uma joia! http://dialetica.org/agridoce/2006/11/17/ora-o-chico-buarque-e-uma-farsa/

Ah, não desistam de mim! Não tô tão inspirada nesse setembro de postagens magras, mas nunca me esqueço de vocês.

Beijos

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

We'll always have Paris

         Não sabia por onde começar. Nem se devia começar. Bebericou mais um pouco do martini e, aproveitando que estava a anos-luz do território da dignidade, despejou várias palavras feridas e sem nexo no ar. No corredor onde todas as vozes tinham o mesmo tom, ergueu-se um eco de mágoa que se sobressaiu a quase crível harmonia. A intenção era clara e muito bem arquitetada: provocar dor igual ou maior que a sentida. Havia um quê de justiça insistindo em marcar presença naquele jantar dos corações espezinhados. Bebidas diversas para ressuscitar velhos silêncios que não se explicaram. Tortinhas de melancolia servidas para fazer qualquer um morrer de indigestão. Equações sem prova real, emoções à flor da pele, grande palhaçada sem freio.
          Era tanta lembrança que precisava ser exorcizada. Tanto papel que precisava ser jogado fora, tanto ponto que precisava honrar seu destino. Buscou um banheiro e ensaiou no espelho. Que bobeira, não havia nada que pudesse voltar. Verborragia gêmea do ridículo que nem o reflexo sujo na superfície merecia ouvir. O álcool barato no sangue e a sofreguidão arrematada nas pálpebras com sombra roxa eram o resumo do caos. Do ciúme que fazia todos os poros da pele berrarem em uníssono uma cantiga infernal de desabafo. Estava entregue a si mesma, buscando consolo numa das cenas finais de Casablanca, em que Rick diz a Ilsa que eles sempre terão o que os uniu uma vez. "We'll always have Paris". Frase linda e mentirosa a que se agarrava, já que o vazio parecia criar raízes - talvez ainda tivessem algo.
          Naquela fatídica hora, o viu comemorando, rindo meio com vergonha dos estranhos, fugindo discretamente dos chatos de plantão, sendo assediado pelos olhos femininos - deliciados em ver tamanha segurança. Não entendia como sabia ser incrivelmente magnético, ainda que parecesse ter vestido a primeira camiseta puída que achou no guarda-roupa. Ele tinha o dom. Ficou a lembrar como idealizou estar no mesmo momento, admirando aquele sorriso doce e cafajeste, sendo a namorada que lhe deu sorte, o amando quieta e sendo desejada pelos seus hormônios e pelas suas mãos de espírito juvenil. Ela havia sido, mas, agora, os soluços roubavam a cena. Choro patético de uma patética ainda apaixonada. Nem Humphrey Bogart, nem as taças do líquido vulgar, nem ninguém salvaria a madrugada. Contudo, eis que a porta daquele palco solitário se abriu. Teria sido o vento ou a personificação do monólogo que acabara de ser encenado para as paredes?








terça-feira, 13 de setembro de 2011

Antro dos potinhos verdes e rosas

         Certa vez, falei aqui que eu detestava ir ao super. Reitero a posição: tenho calafrios só de pensar em ir até lá, mesmo sabendo que é para comprar comida. Não gosto, tenho pânico, sempre dou de cara com algum conhecido, cuja fuça me dá vontade de vomitar, nunca encontro nada, acho tudo muito caro e vivo pagando micos. Tô para resolver isso num divã, me aguardem.
         Mas, se o mercado é meu calvário, as farmácias são a minha redenção. Não sei, deve haver algo que explique minha fascinação por todos aqueles produtos que marcam presença nas prateleiras, me incitando a torrar dinheiro em shampoos milagrosos, creminhos adoráveis pro cabelo - entre outros itens básicos da sobrevivência feminina - e também, é claro, nos esmaltes - anõezinhos coloridos que fazem meu coração pulular dentro do peito. Cara, aquilo ali é a minha Disney!
         Sou uma fresca, eu sei, mas o fato é que adoro esse universo da higiene pessoal - tanto que, hoje, ao lembrar que meu condicionador acabou, resolvi falar desse maravilhoso nicho do comércio para vocês, leitores dessa idiota que vos escreve. Na real, eu tinha tudo para ter pavor do lugar "farmácia", uma vez que abomino tomar remédios - moradores notórios de lá - e fui uma assídua visitante do recinto, por conta das injeções que tomava, quando criança, devido às amigdalites ferozes. Vai saber, ficou só o amor...
         Se eu estiver perto de alguma, é certeza que vou adentrar e ficar xeretando. Não resisto, sempre levo alguma coisinha. Uma vitamina para um banho de creme (só mulheres entenderão!), um sabonete de bebê (sim!! quem mais usa?), uma acetona, um chicletinho Valda ou um 40º graus, da Colorama - a quem, aliás, já jurei amor eterno. Quando eu quero dar um up na vida, me jogo naquele antro dos potinhos verdes e rosas e não tem erro! rs

domingo, 11 de setembro de 2011

Da série: diálogos agridoces

IDEIA ESTÚPIDA

- Às vezes, é melhor dormir com a impressão mentirosa que perder o sono pensando na obviedade que fere.
- Não acho.
- Tem certeza?
- Não, não tenho, só queria te contrariar.
- Bem teu papel.
- E o teu é se iludir, não?
- Talvez. Mas não deixa de ser mais digno. Na minha ilusão, eu sou feliz e não machuco ninguém.
- Hum, captei o sarcasmo.
- Nada além do previsível. Lembra? Pra ti, eu sempre fui previsível.
- Quem sabe eu esteja arrependido.
- Quem sabe seja tarde demais.
- Pra dizer adeus ou pra dizer jamais?
- Incrível como "jamais" combina com a gente.
- Nossa, com isso eu concordo.
- Pra mim, tanto faz.
- O mesmo ceticismo barato de sempre...
- Por que eu mudaria?
- Porque é um hábito terrível.
- Pode até ser, mas não é o pior.
- Qual é o pior?
- Gostar de ti até os ossos.
- É sério?
- É, preciso parar com essa ideia nociva e estúpida de te querer mais que a mim mesma.
- Não vai conseguir.
- Como é que tu sabe?
- Tô vendo nos teus olhos...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Mea-culpa

           E não é que eu voltei àquela confraria de doidos, chamada Twitter? Até pensei aqui com meus botões: poxa, aí eu desço o pau em cima das redes e bla bla bla, e agora, volto com uma cara de gato de botas para um dos canais, outrora, humilhados? Credibilidade vai bem, obrigada. Não acho que eu deva satisfação a vocês – sejam quem forem – mas, enfim, vim fazer meu mea-culpa. Mais que tentar sair por cima, vou buscar refletir (mais uma vez)! Sigam-me os filhos pródigos.
           Confesso, senti falta. Das idiotices, de saber das notícias (?), de uns perfis ótimos que eu seguia e etc, pois, querendo ou não, aquela droga alucinógena pautava muitos dos assuntos do meu cotidiano. Isso é um fato para o qual não posso torcer o nariz, por mais pupila do Che que eu queira ser: faço parte desse mundinho intrigante da web e ficar à margem pode ser perigoso - ainda mais, sendo estudante da área já mencionada por aqui em outros posts. Não que estar dentro seja garantia de algum bônus também. Enfim. Mas não pensem, meus caros, que o caminho da volta foi imune a crises de consciência e martírio existencial: tive colapsos medonhos até me dar o direito de regressar. rs (#DramaQueen) // Eu tinha uma palavra a zelar. Uma escolha para sustentar. Ninguém quer ser tachado de volúvel, não é mesmo? Nem a agridoce, que falou mal, mas agora encontra-se lá, super fútil e feliz da vida, falando merda para quem quiser ler.
           Ainda tô meio ressabiada, lógico, no entanto, a moral da história é o exercício de se permitir um olhar diferente, mesmo com todas as convicções e pré-julgamentos. Quem disse que temos que pensar sempre do mesmo jeito? Seremos menos dignos de crédito, se ousarmos mudar de opinião? Imagino que, se os princípios pagarem a conta, o devaneio tá liberado. O fato é que estamos sempre em constante mutação, mesmo que enchamos a boca para reafirmar velhas ideias - e, no fundo, acabaremos por ficar reféns de tudo que seguirmos, por mais libertadores que pareçam os caminhos, no momento. No fim, a angústia é a mesma, não acham? Já mudei muitas visões que eu tinha, ao longo da minha breve e contraditória biografia, e isso só me fez ver o quão patético é tentar repreender aquilo que grita dentro de nós e, muitas vezes, está além da nossa própria compreensão - o tal do pensamento. "(...) os bons meninos de hoje eram os rebeldes da outra estação.." Adoro essa música e, hoje, ela me absolve! Bem no fim, andamos em círculos e nem notamos...   

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Um dia é do Peixe, outro é do caçador

            Adoro ter a sorte de assistir a algum jogo cheio de gols, viradas, jogadas bonitas e afins - se não assim, ao menos com uma boa dose de emoção, susto e interrogação nos olhos. Uma partida com essas coordenadas evidencia algo que já notei, há algum tempo: cabemos exatamente dentro de um campo de futebol. Com juíz ladrão, carrinho, gol de voleio e torcida. Sem exceções, todos estão dentro e sendo testados pelo imprevisível.
            Pois bem, na última quarta-feira, engoli o orgulho e prestigiei um do co-irmão - morador da Avenida Padre Cacique e muy valoroso rival do meu time do coração. Com um placar de 3x0 bem construído em cima do Peixe, nada parecia abalar a confiança do time gaúcho, que caminhava, de fato, à consolidação dos três pontos, em casa. Mas - e, como diz Juremir Machado da Silva, sempre há um "mas" em tudo - algo aconteceu no caminho vermelho e branco.
             Em questão de minutos, o time praiano empatou o certame e enfiou na mala um resultado que, dadas as circunstâncias, teve gosto de vitória. Foi aí que a mente agridoce começou a fervilhar. Secações bobas à parte, foi um jo-ga-ço! Que reação santista fora aquela? Que apagão colorado fora aquele? Coisas do futebol, que, para mim, cada vez mais se parece com vida - isso que a gente tenta, inutilmente, prender e domesticar. Aos 35 do 2º tempo, você está com tudo encaminhadinho, nos conformes, e nos acréscimos leva um gol, tem um jogador expulso e erra um pênalti. Tudo pode acontecer e também pode não acontecer. É apavorante, é injusto, é uma delícia pertinaz e é assim. O imperfeito é quem dá as cartas.
            Aí quando tudo está meio perdido, meio entregue ao adversário, você renasce e mostra a que veio, impregnado de esperança e de sonhos urgentes. No entanto, depois do intervalo, volta do vestiário um tanto cabisbaixo, convicto de que é bobagem e que nada faz sentido. Porém, alguma coisa acontece de novo e o faz mudar os conceitos, redefinir estratégias e combater outra vez. E aí a coisa vai indo. A roda vai girando e mostrando que não há permanência -  nem dos lances geniais e nem das pisadas na bola. E aí, você esboça um tímido sorriso e cansa de tentar racionalizar everything. (Ou não também...)