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Mostrando postagens de 2011

Ten years gone

Parem esse mundo imediatamente, que eu quero descer já! Fui acometida por uma crise terrível de nostalgia aguda. Putz... ao dar uma passeada por sites e redes por aí, acabei me dando conta de que, dia 29, fez dez anos da morte da cantora Cássia Eller. Não tentem me entender, não sairá nada que preste dessa postagem, mas sabem quando acontece uma coisa meio lispectoriana? Estava eu, aqui, bem serena e distraída, quando caí na real de que há uma década, eu era uma cria pré-adolescente e...
          O que eu tava fazendo que não vi o tempo passar? Nossa, parar um segundo para analisar um período tão grande provoca uma canseira desgraçada, além de um sentimento de saudade inexplicável, umas risadas bobas saltando dos lábios e algumas conclusões meio tortas: sabem como é, nunca se sabe se o caminho percorrido até o presente foi o mais acertado. A gente vai vivendo, vivendo, vai levando, vai se enfiando em umas tramas sem pé nem cabeça, em uns roteiros meio vagabundos que não dão…

"NADA HAVER"

Já havia feito um post muito didático e fofinho com dicas lindas de Português, baseadas no meu reles conhecimento na área, né? Também já falei que eu sou uma entusiasta da palavra bem escrita e empregada, né? Claro, claro, não sou isenta de erros, tenho meus deslizes, odeio escrever algo errado (dia desses, coloquei acento em "melancia" KKK), mas nunca negligencio minhas ações: ando com um dicionário fascinante a tiracolo. (e morro de amores pela minha gramática do terceirão!) Amo eles, somos grudados! s2 // Faço erratas, enfim, não me lixo para o que escrevo. Onde já se viu uma foca recém saída dos corredores acadêmicos, sem capricho gramatical? Penso que isso seja elementar, meu caro Watson.
          É bem verdade que eu apanho lindamente da ênclise, da mesóclise e da próclise e de alguns hífens cretinos, mas podem ter certeza de que o ato de usá-los corretamente já está na minha lista prioritária de coisas a se fazer no novo ano que aponta no horizonte. rs // Ca…

Da série: diálogos agridoces

QUE FASE!

- Bem no fim, às vezes a gente foge é pra não ficar refém mesmo.
- É... pode ser isso, por mais que eu não assimile muito bem.
- É o álibi dos medrosos, percebe? Eu assumo.
- Ou dos sensatos, vai saber...
- Eu nunca fui sensata, amiga.
- Taí uma verdade, hein? É medo, então.
- Tá, pode ser sensatez mesmo. Acho que tem um momento em que tu vê que tomou tanto na cara, que se obriga a fugir, ou melhor, ser sensato. Nem que seja uma sensatez velada...
- Grata por confundir minha cabeça. Tu me fez ver que tô na mesma sinuca.
- Lembra quando eu te disse que amava ele de um jeito meio doente, de um jeito que tava me deixando meio doente..?
- Não foi comigo que tu falou isso, meu caro Watson.
- Puta merda! Será que eu sonhei, falei isso com alguém ou disse isso in loco pra criatura?
- Certeza que o argumento de "Insensato Coração" foi inspirado na tua vida amorosa, cara.
(risos)
- Certeza que tu tá me tirando, sua louca! Nem olhava essa novelinha de quinta. Lembra da conv…

Quando der na telha...

Olá, pessoas!

          Tirei duas semaninhas sabáticas para fazer o que sei de melhor: procrastinar. Ah, sei lá, acho que depois da centésima, fiquei meio bloqueada - como sempre ocorre em finais de ano, diga-se de passagem. Ando cheia de ideias, mas com certa dificuldade de materializar... acho que nunca comentei por aqui, mas o fato é que basta o último mês do ano dar as caras, para eu marcar presença no time dos introspectivos. E essa introspecção, invariavelmente, acompanha minhas palavras: penso, penso, arquiteto postagens, e, não saio do lugar. É o mal de dezembro me pegando de jeito.
           Bom, já que eu ando um zero à esquerda para propor qualquer debate no recinto, sugiro que falemos do já mencionado "mal de dezembro" - que, tenho certeza, tira com a cara de mais gente por aí. O que vem a ser tal coisa? Trata-se da ansiedade típica dos finais, uma espécie de obrigação de ser feliz e esfregar isso na cara de quem quer que seja: a vontade pode até ser de tomar e…

Cem

Cem postagens, é isso? Cheguei à centésima ladainha agridoce? Hum, e agora? Continuo? Para que lado vou? Fico parada à margem dos meus questionamentos ou sigo nadando em círculos só pelo prazer do exercício? Cem textos, cem tentativas, cem gritos, cem anos de solidão trancafiada nesse porão do Blogspot. Cem caminhos, cem atalhos, cem emoções, cem trechos azedos para cem parágrafos doces. Menina cem vergonha.
         A centésima vem com gosto de resignação, mas ainda comporta rebeldia pueril e uma pitada de esperança - que é para a receita não desandar de vez. A centésima traz na mala um monte de vivências fadadas a ser o que são, cem grandes sobressaltos: tudo que esteve aqui, assim foi por uma razão. E estamos ótimos. Peraí, tá errado, estamos péssimos: também há por essas bandas cem mentirinhas contadas para entretê-los. A graça é a abstração, não? Conversinha cem fundamento.
         A centésima vem com ares de grande coisa, parecendo flagrar meus titubeios e ordenando …

Detalhes

Sim, mulheres gostam de detalhes. Não nos perguntem por que, rapazes, apenas é assim. Detalhes são do sexo feminino, não se iludam com o artigo. Detalhes grudam na massa cinzenta e não há quem dê jeito nisso: uma vez processados pelo cérebro, está feita a droga. Detalhe guardado é açúcar escorrendo do livro de romance na hora de ler. Devanear torna-se tarefa fácil.
        Ela nunca disse, mas lembra até hoje da sua carinha ciumenta quando comentou que o primo lindo dela passaria as férias na cidade. Ela lembra da camiseta branca que você usou naquela festa e o fez parecer o cara mais irritantemente gostoso da face da terra. Ela lembra daquela noite terrível de inverno, em que você sorriu do jeito mais enigmático que os olhos dela poderiam testemunhar. Ela lembra de todas as suas gírias - de quem passa mais tempo na rua do que em casa, sob os cuidados da vovó. Ela lembra da sua mania antiga de olhar fixamente para alguma coisa no horizonte como se quisesse abraçar o mundo.
  …

Eu e o estresse em Arial 12

Quem lê meu blog, deve ter uma leve noção de que eu faço tempestade em copo d'água. Não é muita coisa, mas a tendência à tragicomédia existe e arrebata algumas postagens instintivamente, em uma frase que outra. Sabem aquela coisa meio shakespeariana, meio "Os sofrimentos do Jovem Werther"? Pois é, adoro um teatro, um drama, uma cena meio Televisa... rs // Tergiversadores, como eu, sabem bem como é.
           Enfim, o vendaval da vez atendeu pelo nome de monografia, e eu honrei o script de forma irretocável, literalmente. Teve muita rajada de vento, raios, trovoadas, além da clássica penumonia por não estar devidamente agasalhada e ter pegado chuva na volta para casa. Lindo de ver! Cheguei a sonhar com o tal trabalhinho acadêmico, somatizei horrores essa droga, e não me perguntem o porquê, apenas foi assim. Claro, qualquer um que já esteja a léguas dessa fase, trilhando os caminhos dos mestrados e das dissertações da vida, dirá que minha conversinha é pra boi d…

Verborragia

Fiquei parada, mas não disse nada, não podia dar o braço a torcer, sei lá se fiz certo, talvez eu tenha deixado escapar uma puta chance de morder essa felicidade insuspeita com todos os dentes, o que me lembra que amanhã tenho consulta no dentista, nossa, eu morro de medo daqueles aparelhinhos que fazem um barulho meio como o da motosserra do Jason, talvez eu tenha me livrado de uma cilada, vai saber, falando nisso, por que diabos tiraram o seriado do Bino do ar? Era legalzinho.
          Tá tudo meio estranho, ando inspirada pelas coisas mais toscas e abismantes, pelas conversas mais casuais e improváveis, pelos momentos mais bobos e coadjuvantes. Preciso materializar essa inspiração que anda me tirando o sono, não acredito que vou arrumar uma insônia pra me atazanar justo agora no final do ano, caraca, esses finais de ano me deprimem um pouco, é muito consumismo pra quase nada de espírito reflexivo, pensando bem, não vou mais refletir porcaria nenhuma, vou ligar, mandar me…

Palavras de uma Cartólatra

Encerro o mês de novembro com uma homenagem ao saudoso Angenor de Oliveira - ou Cartola, como ficou eternizado - cujo aniversário de morte se dá hoje, dia 30. Tenho fascinação pela história desse homem, que, mesmo tendo origem humilde, trilhou um caminho brilhante na música brasileira. É o tipo de figura pela qual tenho interesse genuíno, uma admiração gratuita, um carinho inexplicável, sem que seja necessário racionalizar. Sentir está de bom tamanho. E Cartola inunda meu coração tímido e boêmio de sentimentos, assim meio que de graça, sabem?
          Mais que a doçura de suas canções, o que me instiga mesmo é a trajetória marcada por percalços que protagonizou ao longo da vida - em que sua arte escandalosa conviveu com a mesquinharia e sua genialidade com o abandono. O famoso mangueirense, ainda que compusesse verdadeiras relíquias, foi em boa parte de sua existência, um andarilho, sem eira nem beira, trabalhando em atividades que pouco contemplavam suas habilidades artíst…

Freddie vive

No último dia 24, completaram-se 20 anos da morte de Freddie Mercury - meu vocalista preferido, desde o tempo em que eu nem suspeitava que fosse gostar de Queen. Nunca havia escrito nada muito organizado para ele, então, hoje, resolvi deixar registrada a minha louca admiração por esse exemplar purpurinado do rock mundial. E não é crônica, a propósito. Vou chamar de declaração passional de uma fã bem intencionada e que tem a mania irritante de ser efusiva. Bora pagar pau pro Farrokh Bulsara?
         Cara, eu amo o Freddie! Amo as gayzices dele, amo as dancinhas, amo a genialidade, amo a audácia de misturar muito dignamente ópera com rock n' roll, amo o talento ímpar, amo seus figurinos bizarros, amo sua virtuosidade para instrumentos musicais, amo sua timidez nas raras entrevistas que concedia, amo seu humor involuntário, amo o lirismo de suas canções, amo as palavras malcriadas que ele disse no Queen live at Wembley '86 - em resposta a um rumor de dissolução da banda - e amo,…

O cara

Basta ele entrar no recinto, para todas torcerem os pescocinhos esperançosos em sua direção. Talvez nem quisesse chamar tanta atenção, mas o fato é que chama. Ele é o cara, não se discute. Entretanto, não age como se fosse o maioral. Não faz o tipo exibido, daqueles que adoram contar vantagem para os amigos. Apenas desfila com uma confiança marota, exalando, humildemente, seus feromônios para a plateia de lobas salivando. Chega, na dele, sossegado, troca algumas palavras com um conhecido que encontrou, ali, por acaso. Ri uma gargalhada gostosa e indecifrável, enquanto seu sensor de macho que sabe o que quer capta tudo o que acontece à volta. Usa um perfume que embriaga qualquer mocinha incauta que ouse chegar perto. Ninguém sabe o nome da fragrância, mas certamente é responsável por uma espécie de paralisia. Pobres das mortais que sentirem, nem vão dormir à noite. Ah, tem mais essa: ele tira o sono, o cara.
         O cara é um ponto de interrogação que não foi desvendado nem…

Alma doidivana

Olá, meus anônimos preferidos!

       Tô passando rapidinho hoje! Nada de reflexão, diálogo ou resenha passional de filme. Vim deixar uma letra que eu amo de paixão e que serviu de inspiração para um blog que criei, em outubro de 2010 - um pouquinho antes de eu trazer minhas tralhas, em definitivo, pro endereço agridoce. Cêis sabem que eu curto música, tipo demais, né? Cêis sabem também que eu vivo grudada com meus fones de ouvido, né? Pois bem... "Cena Beatnik", do Nei Lisboa, apareceu aleatoriamente aqui no meu radim, e eu pensei em dividir com vossas senhorias a energia fofa que ela me transmite.
       Meu extinto recanto, "Alma Doidivana", me dá uma saudadinha, mas a inspiração foi para sempre. Sabem por quê? Porque, no fundo, sei que qualquer um pode ser um pouco doidivana, carregar na alma um doce devaneio, um velho desatino. Ou ter, quem sabe, no caminho, algum doidivana que inspire os mais velhos devaneios e os mais doces desatinos. Vai saber, né? Isso fi…

Senza fine

Nós fomos um porre, cuja ressaca ainda provoca alucinação e dor de cabeça. Nós fomos um vendaval, um dia de calor escaldante, um típico feriado de outono. Nós fomos o incenso que queimou e só deixou o cheiro impregnando o ambiente. Nós fomos chuva com sol, culpa e redenção. Nós fomos mais que cúmplices, fomos membros de uma seita secreta. Nós fomos a turnê que foi cancelada, os ingressos de uma peça que nunca foi ensaiada. Nós fomos uma cena do Tarantino, daquelas bem ridículas e fascinantes. Fomos uma tela audaciosa do Dalí, um parágrafo de um livro do Freud que encalhou na prateleira, porque assustou muita gente.           Nós fomos equação sem solução, uma questão dissertativa, cuja resposta não convenceu a professora. Nós fomos a música que a gravadora dispensou por ter um refrão incompreensível e ser pouco comercial. Nós fomos inconsequência travestida de lugar-comum, uma poesia concretista, uma barra de chocolate meio amargo. Nós fomos marketing viral, pauta sem fonte…

Da série: diálogos agridoces

O PIADISTA E A NUDEZ COMPARTILHADA

-Eu nunca deveria ter me despido pra ti!
-Ah, mas foi tão bom... é tão bom.. hehe
-IDIOTA! Falei metaforicamente...
-Tu e tua velha insistência em colocar poesia onde não existe...
-Tu e tua velha mente que só pensa em sacanagem...
-Tu gostou da sacanagem também, poetisa!
-Sim, mas agora quero filosofar. Posso?
-Não, não pode. Não, sem antes vestir algo, né... (risos maliciosos)
-Vou ficar do jeito que tô. E trata de prestar atenção.
-Tá legal, mas por que tu falou nisso justo agora?
-Porque eu sei que isso é um erro.
-Erro incrível... vamos cometer de novo?
-IDIOTA! Me refiro ao que te disse antes... fiquei nua quando falei de sentimentos.
-Não tem nada de errado nisso...
-Tem, sim. Sei que tu vai usar tudo isso contra mim, mais cedo ou mais tarde.
-Por que tanta certeza?
-Eu sei bem com quem tô lidando...
-Não parece.
-Opa, por que eu deveria pensar diferente?
-Sei lá, eu gosto de ti também...
-Ai, e eu quero tanto essa nudez compartilhada...
-AH, …

Nunca foi fofa

As fotos não mentem: ela havia sido um bebê fofo. Nossa, que menina graciosa e dotada de movimentos angelicais: bochechas convidativas, olhares espertos, trejeitos açucarados para qualquer estranho. Esboços de palavras proferidos com o melhor da meiguice infantil. Uma lady do berçário. Fofa! Sem mais. Quem viu, corrobora.
         Porém, bastou uma passagem de tempo e lá se foi a fofura. Começava a era da obscuridade. A criança passou a falar com propriedade. E, falando, passou a presentear a família e os agregados com pérolas descabidas. Os pais imploravam por compaixão, para que fosse uma garotinha tímida como as outras. Que nada! A não fofa sabia que tinha uma missão a cumprir. Contava causos cabulosos em aniversários, piadas em casamentos, dava uns cascudos lendários nos primos menores - eternizados em filmagens dessas reuniões de parentes, aliás - fazia umas artes terríveis no quintal da sua infância e intrigava a todos com sua língua ferina, que, diga-se de passagem, a…

Barraco? No, thanks

Acho curioso quando flagro alguma pessoa dizer em alto e bom som: "Bla bla bla, ai, não levo desaforo para casa". Bom, acredito que "levar desaforo para casa" não seja o projeto de vida de ninguém nesse mundo - nem o meu - mas muito me impressiona o ar convencido que quase sempre sai junto de tais palavrinhas. Percebem? Para mim, é como se fosse uma declaração de amor indireta ao barraco - sonho de consumo dos que não conseguem ser notados por meios mais dignos.
         Disse que acho curioso? Menti, gente. Acho é pobre de espírito; Acho decadente; Acho pernóstico. Quando presencio uma afirmação desse tipo, creio que seja possível me ver salivando de ódio, olhando fixamente para o ser humano genérico e carente de argumentos, autor da frase-escândalo. Desconfio que tal desprezo seja pelo fato de eu tentar, sempre que possível, avaliar fatos e circunstâncias de maneira fria e analítica. É aquela velha mania de ser sensata, sabem? Mas sei que a coisa é mais p…

Sobre "De repente é amor"

Muitos diretores de comédias românticas não se dão conta de que precisam de pouquíssimo para entreter o público e, de quebra, fazê-lo acreditar em amores fulminantes e verdadeiros. Nadando contra essa maré de desavisados, Nigel Cole conseguiu fazer "De repente é amor", filme que, além de barato - obviamente, em se tratando de orçamentos hollywoodianos - envolve e faz rir, amparado por um roteiro que prima, brilhantemente, pela casualidade - item que mexe com os corações, desde que o mundo é mundo.
         O mote da história é o encontro inusitado de Oliver Martin e Emily Friehl - respectivamente interpretados por Ashton Kutcher e Amanda Peet - que, em um voo de Los Angeles a Nova York, acabam tendo um envolvimento totalmente nonsense que irá uni-los sempre dali em diante. Claro, nosso casal de mutantes passa por muitos desencontros até se dar conta de que a ficada em pleno avião foi para valer: é curioso como os obstáculos que se opõem à consolidação da união não s…

Expectativa, sua criada

Você convive com ela, desde que se conhece por gente. Penetrante e manipuladora, a tal corrompe suas noites de sono sem pestanejar: basta um segundo de distração e já levou sua paz. Às vezes, você tenta não entrar no seu joguinho, se fazer de difícil, continuar cuidadoso e fingir esperteza. Ledo engano, my dear! Nesse momento, ela surge, triunfante, e anuncia ter tomado para si até sua alma. A denominação da cascavel? Expectativa, sua criada.
          Expectativa! Expectativa! Expectativa!! Expectativa, como deve ser do conhecimento de todos, vem do vocábulo espera. Eu espero, tu esperas, ele espera... esperamos pelo que, afinal? Por quem? Não se sabe ao certo, mas é fato que aguardamos, ansiosos, por algo que se perde no horizonte. Queremos essa coisa que insiste em escorrer pelas mãos, esse alguém, cujo endereço sumiu do mapa, essa manchete de jornal que não tem jeito de ser noticiada. Espera-se de maneira insana e doente. A expectativa está impregnada nas roupas, nos tre…

A liberdade e o Sete de Setembro

A gente enche a boca para dizer que é livre, que exerce o livre arbítrio do jeito que bem entende e tal. Balela! Por gentileza, se existir no mundo alguém que faça só o que realmente quiser, me apresente. Longe de mim duvidar da palavra de algum romântico por aí, que acredita que é possível levar a essência das vontades ao pé da letra, mas não posso evitar o espanto, uma vez que a gente se importa, sim, muito com a opinião alheia ainda. Tem de ser dito e assumido: somos uma espécie de eternos serviçais, prontos a agradar a terceiros, nos lixando para o que queremos de verdade.
         Parece muita pretensão eu querer falar por todo mundo, mas estou convicta de que se trata de um “mal” que acomete mó galera nas redondezas. Claro, não chega a deixar a geral prostrada numa cama, sem ter forças para nada, mas o fato é que incomoda, né? Confessem aí, que vivem pensando no que devem ou não fazer, em como devem ou não agir. Eu, ao menos, sou uns 68,23% assim. Gasto boa parte da vid…

Nós, os humanos

Nessa era obscura em que redes sociais nos intimam, de maneira irritante, a definir o que somos, o exercício da descrição chega a ser uma parábola para mim. Acho um saco essas tentativas de definição, além de preguiçosas e inúteis. Penso que a gente nunca é uma coisa só. Tentamos ser cúmplices de nós mesmos, mas muitas vezes ficamos reféns das circunstâncias. Escapamos, ilesos, ainda que meio desorientados, habitando um universo à parte, e torcendo por compreensão alheia. Somos pedaços, somos impressões, somos insuportáveis para quem não nos conhece - e mais ainda para quem nos acompanha desde sempre. Somos aquilo que, como diria a Marthinha da elite, ninguém vê.
         Ainda que o fato de falar disso provoque meus olhares desconfiados, me sinto profundamente intrigada: trata-se de um grande mistério da humanidade, hein? Os dogmas da igreja católica ficariam no chinelo, se comparados com o que nós, os humanos, trazemos na cabeça, no coração, arraigado na vida toda, nas rel…

Sobre "Ratatouille"

Já deveria ter escrito algo a respeito de Ratatouille e esse fascínio que causa em mim, mas só hoje levei o impulso adiante. Pois então, digo que ele é uma delícia, é uma lição de vida, é uma graça, é charmoso, é inteligente, é bem roteirizado, é mais que uma animação e muito mais que um filme "de bichinho" para distrair numa tarde chuvosa. Quando a ótima Isabela Boscov afirma que se trata de “uma odisséia com um rato”, não há exagero: há um fato irrefutável. Rémy e suas peraltices com os ingredientes são um soco filosófico na boca do estômago, seguido de recuperação lenta. Muito lenta.
           Não sei se vocês já viram, gostaram ou tiveram vontade de jogar o DVD no lixo, após os créditos aparecerem na TV. Só penso que, se houver ainda um pouquinho de sonho latejando em vossos corações, será impossível não se envolver com a saga do tal Rémy na busca de vencer na Paris dos grandes chefs. Tudo é tão bem arquitetado, que - como também diria a crítica de cinema – n…

Sobre pensamentos e rosquinhas

O cérebro, esse artista, faz gato e sapato de nós. Ok, ele pode. Se houvesse uma hierarquia no corpo humano, eu diria que ele é a última bolacha do pacote mesmo. Possui a racionalidade que falta ao coração e é a morada das grandes sacadas. É bem verdade que muita gente por aí anda negligenciando o coitado, se negando a utilizá-lo, mas, ainda assim, outorgo que ele é o fodão. Seu único problema é separar os pensamentos mais corrosivos para os momentos mais impróprios. Impossível fugir do susto. Pensou? Dançou, meu amigo. Digeriu? Vai ter úlcera, vai somatizar, sim. As lágrimas vão cair. O drama vai nascer tímido, mas, ainda assim, dono de si, invadindo seus ossos e seu semblante e convidando a uma deliciosa DR com você mesmo - ou, vá lá, seu alter ego.
       Você está lá, quietinho (a) na sua, varrendo seu quarto, ajeitando sua escrivaninha das escritas insones, quando, de repente, uma música tocando no rádio é o passaporte para um divã silencioso e leviano. Nesse instante, os…

Focas

Sempre quis escrever a respeito de estudantes de jornalismo e seus variados perfis. Na maior cara de pau leiga que eu tenho, considero isso um achado da análise comportamental. Sejamos francos: ainda que se busquem profissionais-dínamos-com-super-poderes-e-que-amem-todas-as-mídias, não há como abraçar tudo, não acham? Eu acho.
         Se não fui xingada até agora, creio que vamos inaugurar os trabalhos com esse post. É bem verdade que, hoje em dia, com toda essa selva louca e coleguinhas muy amigos e prontos para puxar nosso tapete, devemos nos blindar e tentar aprender o máximo que pudermos, enquanto meras testemunhas do mágico mundo acadêmico - aqui entram leituras, reflexões e, óbvio, a prática. Sei que o conhecimento jornalístico em todos os âmbitos é o básico para quem almeja sucesso profissional na área, mas, ainda assim, terei que discordar de quem enche a boca para dizer que ve-ne-ra tudo que é inerente a essa confraria de doidos. Se você topar com alguém assim, no …

Desencontros Drummondianos

Cazalberto tinha uma queda por Ana Banana, que arrastava um caminhão por Zé Ruela, que era gamado por Mariazinha, que era louca da vida por Fulano De Tal, que dava uns pega na Branca de Neve.
        Cazalberto passou no vestibular e foi morar no raio que o parta, Ana Banana entrou para um convento no interior de Minas, Zé Ruela casou e teve 13726 filhos, Mariazinha cansou de esperar pelo príncipe e virou uma piranha com P maiúsculo, Fulano De Tal morreu de cirrose hepática, e a Branca de Neve... bom, a Branca voltou para os sete anões, que era mais negócio.
        Já dizia Vinicius: “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida...”



Se o Nando foi lá e fez...

Já ouviram falar do avião que caiu, há exatos 39 anos, no meio da gélida cadeia de montanhas andinas, em um episódio que transcendeu o campo da fatalidade e virou, praticamente, uma lenda? Eu já. E conto a vocês que essa história mexe comigo de uma maneira que nem sei explicar. Me lembro de ter visto, muito novinha, algo na TV a respeito, e depois, mais velha, seguir o faro natural de quem se recusa a ficar só com as manchetes e as metades. Enfim, tratei de investigar e matar minha curiosidade pela raiz.
          Fiquei vidrada. A saga do tal time de rugby uruguaio, na tentativa de vencer a cordilheira e voltar à vida foi algo com que, honestamente, me solidarizei, principalmente, quando percebi o quão improvável era escapar daquele inferno gelado. Li, há três anos, a narração comprometida de Fernando Parrado - um dos sobreviventes da tragédia e figura fundamental no processo de resgate - sobre o episódio em questão, em um livro arrebatador e cru. A obra, intitulada "…

Guardem segredo

Não sou muito partidária de fazer posts temáticos. Sabem? Dia daquilo, dia daquele outro... acho pouco original, sem falar que, para mim, dia do ser humano é todo dia. Sempre é válido homenagear anônimos, conhecidos, amigos e afins pela diferença que fazem em nossas vidas. Mas abro exceções, lógico, não sou inflexível - na real, o que trago na caixa torácica é manteiga derretida pura - por isso, em virtude da data alusiva aos pequenos, resolvi falar um pouco sobre o universo das crianças.
         Mas, peraí, esqueçam questões pragmáticas e de cunho elucidativo. Vim falar mesmo é sobre meu período de criança. Eu sei que acontece com vocês do mesmo jeito: basta relembrar a fase em que só estudávamos, olhávamos desenhos incríveis na TV, fazíamos umas artes medonhas e não víamos a hora de crescermos, para as lágrimas ensaiarem uma descida básica pelo rosto. Falando nisso, por que diabos nos tornamos "grandes"? Grande porcaria essa que nos aguardava, né, não? Se soubéss…

Pedaços de carne

"O mundo está ao contrário, e ninguém reparou." Inicio o post de hoje com esse clichezão proveniente da caixola genial de Sir Nando Reis, pois, realmente, no momento, não vejo frase mais cabal para ilustrar o amontoado de pensamentos que acamparam em mim. Eu sei, o mundo e as pessoas são o que são - esse nada flutuante acontecendo em meio a esse lapso de tempo que ninguém consegue assimilar direito - mas certas coisas ainda fogem a minha compreensão. Não adianta, não entram na cabeça. Vejamos... no campo dos relacionamentos, por exemplo.
           Não entendo uma pessoa estar com uma outra pessoa, olhar todo dia bem nos olhos dela, deixar trocentas declarações - de amor questionável, by the way - em redes e etc, e chifrá-la como se não houvesse amanhã com o primeiro (a) que aparece louco por um sexo selvagem. Não entendo. Como diria a sempre sensata Martha, deve ser medo de intimidade - estado que abrange muito mais que uma noitada vazia. A geral clama tanto por c…

Da série: diálogos agridoces

MOONLIGHT SERENADE

- Quero ficar com esse teu moletom puído hoje. Me dá? Me dá?
- Mas por quê?
- Porque eu não posso te acorrentar aqui comigo, então quero, ao menos, um souvenir... para atravessar os dias longos que vêm por aí.
- Adoro teu senso de humor trash.
- E eu adoro a tua combinação de barba milimetricamente mal feita mais moletom mezzo adolescente/mezzo adulto, fazendo um estrago desgraçado nas minhas retinas.
- Vou ficar mal acostumado com tantos elogios.
- Tu merece. Ou melhor, não merece, mas quem decide sou eu.. cala a boca e tira a droga do moletom.
- Chega de brincadeira. Eu preciso ir...
- Vai, mas deixa o fofinho do capuz. Enfim, se não quiser se desfazer dessa peça de roupa, que tem estranhos poderes sobre mim, aliás, a ideia do acorrentamento ainda segue atazanando meus instintos... que tal?
- Não dá. A gente precisa voltar para o mundo real. Contingências diárias gritam lá fora.
- Droga! Jurei que poderíamos ficar por Neverland dessa vez...
- Hum, então quer s…

Por Dios, madrecita!

E eis que ficou com cara de nada olhando para a porta da redação barulhenta do jornal, onde, geralmente, escrevia seus poemas secretos. Foi rápido, mas, de repente, já não estava mais ali. Malagueña Salerosa tocava distante, ainda que claramente audível. Foi aí que tudo fez sentido. Descobriu estar trajando um vestido preto, dono uma generosa fenda, carregar uma flor vermelha entre os cabelos revoltos e negros e estar sendo embalada por um gentil cavalheiro, cujas feições brincavam com seu discernimento - não sabia de quem se tratava, mas até que funcionavam bem juntos. Ele dançava com ela, que dançava com os olhos amendoados e promissores dele. Havia uma plateia de curiosos em volta, mas já estavam de partida. Daqui a pouco, ali, seriam só aqueles petulantes e a luz como cúmplice. A música parecia não ter fim, o momento pedia para ser congelado - poucos merecem ser eternos nessa vida, e aquele precisava.
          A letra, ainda que contasse o lamento de um amor fadado ao i…

S.O.S

As artes não resolvem nada, mas são um baita consolo. Eu acho. Tô sempre à procura de uma música que traduza meus lapsos bipolares, uma citação de livro que acalme minha errância sem fim, uma cena de filme que faça o riso jorrar apenas para mim e sem cúmplices. Trata-se de uma busca meio arraigada, já que a vida real anda cada vez mais sem graça. Ainda que não traga grandes mudanças, sacia um pouco da vontade de sarar alguns machucados existenciais que - não sejam tolinhos - permanecem tatuados na alma, na pele, na vivência toda.
         Em relação aos livros, um quê hiperativo tem roubado minha atenção. Tô às voltas com uns exemplares burocráticos e técnicos - devido à produção do enrolation acadêmico clássico dos que desejam findar a graduação (Sim, TCC! Um Suflair para quem desvendou meu eufemismo malcriado) - mas louca da vida para ler outras coisas mais bestas e menos casadas com o ideal de difundir teorias sociais e humanas. Não que sejam ruins, mas, sabem? Não é o mo…

Plantão agridoce

Dear God, e eu pensando que eu era a única agridoce que estufava o peito e assumia, sem nenhuma culpa, carregar genes docinhos e azedinhos no corpo? Momento Maysa Matarazzo: meu mundinho caiu. Há mais blogs agridoces na vizinhança, gente! Com algumas variantes, lógico, mas o adjetivo garanhão marca presença em mais páginas da web, sim, senhor. Seria eu uma fraude? Em instantes, no Globo Repórter. rs
          Não, não sou. Abomino cópias. Acho que não se pode fugir de inspiração - coisa bem diferente, aliás. A minha, no caso, brota de muita galera literária e casual por aí, mas o fato é que eu nunca seria ridícula a ponto de plagiar a ideia de outrem. Sou ridícula em outras situações, mas não, assim, ferindo meu orgulho leonino. rs // Gosto do que eu faço: ruim, bom, regular, meia-boca, whatever, mas prezo por originalidade e brio. Logo, se vocês virem algo parecido, sei lá eu, não pensem que eu me prestei a homenagear a pessoa em questão. Já expliquei por aqui como surgiu o…

We'll always have Paris

Não sabia por onde começar. Nem se devia começar. Bebericou mais um pouco do martini e, aproveitando que estava a anos-luz do território da dignidade, despejou várias palavras feridas e sem nexo no ar. No corredor onde todas as vozes tinham o mesmo tom, ergueu-se um eco de mágoa que se sobressaiu a quase crível harmonia. A intenção era clara e muito bem arquitetada: provocar dor igual ou maior que a sentida. Havia um quê de justiça insistindo em marcar presença naquele jantar dos corações espezinhados. Bebidas diversas para ressuscitar velhos silêncios que não se explicaram. Tortinhas de melancolia servidas para fazer qualquer um morrer de indigestão. Equações sem prova real, emoções à flor da pele, grande palhaçada sem freio.
          Era tanta lembrança que precisava ser exorcizada. Tanto papel que precisava ser jogado fora, tanto ponto que precisava honrar seu destino. Buscou um banheiro e ensaiou no espelho. Que bobeira, não havia nada que pudesse voltar. Verborragia gêm…

Antro dos potinhos verdes e rosas

Certa vez, falei aqui que eu detestava ir ao super. Reitero a posição: tenho calafrios só de pensar em ir até lá, mesmo sabendo que é para comprar comida. Não gosto, tenho pânico, sempre dou de cara com algum conhecido, cuja fuça me dá vontade de vomitar, nunca encontro nada, acho tudo muito caro e vivo pagando micos. Tô para resolver isso num divã, me aguardem.
         Mas, se o mercado é meu calvário, as farmácias são a minha redenção. Não sei, deve haver algo que explique minha fascinação por todos aqueles produtos que marcam presença nas prateleiras, me incitando a torrar dinheiro em shampoos milagrosos, creminhos adoráveis pro cabelo - entre outros itens básicos da sobrevivência feminina - e também, é claro, nos esmaltes - anõezinhos coloridos que fazem meu coração pulular dentro do peito. Cara, aquilo ali é a minha Disney!
         Sou uma fresca, eu sei, mas o fato é que adoro esse universo da higiene pessoal - tanto que, hoje, ao lembrar que meu condicionador acabou…

Da série: diálogos agridoces

IDEIA ESTÚPIDA

- Às vezes, é melhor dormir com a impressão mentirosa que perder o sono pensando na obviedade que fere.
- Não acho.
- Tem certeza?
- Não, não tenho, só queria te contrariar.
- Bem teu papel.
- E o teu é se iludir, não?
- Talvez. Mas não deixa de ser mais digno. Na minha ilusão, eu sou feliz e não machuco ninguém.
- Hum, captei o sarcasmo.
- Nada além do previsível. Lembra? Pra ti, eu sempre fui previsível.
- Quem sabe eu esteja arrependido.
- Quem sabe seja tarde demais.
- Pra dizer adeus ou pra dizer jamais?
- Incrível como "jamais" combina com a gente.
- Nossa, com isso eu concordo.
- Pra mim, tanto faz.
- O mesmo ceticismo barato de sempre...
- Por que eu mudaria?
- Porque é um hábito terrível.
- Pode até ser, mas não é o pior.
- Qual é o pior?
- Gostar de ti até os ossos.
- É sério?
- É, preciso parar com essa ideia nociva e estúpida de te querer mais que a mim mesma.
- Não vai conseguir.
- Como é que tu sabe?
- Tô vendo nos teus olhos...

Mea-culpa

E não é que eu voltei àquela confraria de doidos, chamada Twitter? Até pensei aqui com meus botões: poxa, aí eu desço o pau em cima das redes e bla bla bla, e agora, volto com uma cara de gato de botas para um dos canais, outrora, humilhados? Credibilidade vai bem, obrigada. Não acho que eu deva satisfação a vocês – sejam quem forem – mas, enfim, vim fazer meu mea-culpa. Mais que tentar sair por cima, vou buscar refletir (mais uma vez)! Sigam-me os filhos pródigos.
           Confesso, senti falta. Das idiotices, de saber das notícias (?), de uns perfis ótimos que eu seguia e etc, pois, querendo ou não, aquela droga alucinógena pautava muitos dos assuntos do meu cotidiano. Isso é um fato para o qual não posso torcer o nariz, por mais pupila do Che que eu queira ser: faço parte desse mundinho intrigante da web e ficar à margem pode ser perigoso - ainda mais, sendo estudante da área já mencionada por aqui em outros posts. Não que estar dentro seja garantia de algum bônus tamb…