domingo, 31 de agosto de 2014

Sobre atmosfera seriada insuportável e as séries que eu amo

Tô numa crise profunda de irritação com séries gringas e assemelhados há tempos. Não por serem gringas, em aboluto, até porque eu sou fascinada por Friends. Mas pelo fato de o pessoal não trocar o disco, saca? Abro os portais de notícia, lá está a informação de que não sei quem de Game of Thrones matou não sei quem, e agora o trono (???) de sei lá qual reinado está em aberto. Confira o look de não sei quem que ganhou não sei qual prêmio no tal Emmy. Ou confira a música de abertura do... AFF MEU CARALHO. Ou, em uma rede social, alguém está em processo de congelamento cerebral porque não superou o final de algum episódio... tipo? Sério? É pra tanto? Vão se catar, sabe? Que gente mais chata. Só uma dica: vocês não podem implicar com quem acompanha religiosamente os dilemas do Aguinaldo Silva ou do Maneco - por mais previsíveis que possam ser (e são!). Vossas senhorias estão iguais, ainda que suas séries pareçam super descoladas. Mais chata sou eu, sabemos, mas me deixem desabafar sobre o quanto tal indústria tem pautado nossas vivências. Pronto, desabafei.

5 MINUTOS DEPOIS

O fato de eu ter declarado amor eterno por Friends já me deixou com aproximadamente zero credibilidade para o resto do texto, não questiono. Logo, mudei o viés e vim dividir três séries que super adoro - duas delas já findadas - até para, quem sabe, vocês darem um tempo nos zumbis, nos vampirinhos, nos reinadinhos, nos duendes, nas fadinhas, a tentiada é livre.
Devo confessar que, para eu me prestar a sentar o traseiro concentrada em frente a algum programa, ele deve me fazer rir consideravelmente - isso, em se tratando de séries, claro.
Bom, o que dizer de Friends? Friends é vida. É um clichê idiota, é um draminha-classe-média-sofre, é nauseante para quem detesta, massssssssss, poxa, é hilário.

Sério, leitor, vai sem medo. Eu não sei viver sem doses semanais dessa gente. Não tem como não se identificar com o fracasso social do Chandler, por exemplo. Chandler é um estilo de vida.




Ou com a ingenuidade cavalar do Ross. Um Ross bem intencionado vive em todos nós, especialmente no que tange ao amor.



Para mim, quanto mais defeitos visíveis o personagem tiver, mais perfeito ele será. Tipo George Costanza, de Seinfeld, que adoro também. Fala sério, Costanza é professor naquilo que seguidamente meio mundo tenta esconder de si mesmo. Vida longa aos losers de alma, pois, não raro, eles sabem identificar uma bela piada.



Falando em losers, como não amar The Middle? O enredo é sobre uma família desajustada de uma cidade fictícia em Indiana - lugar que, segundo a matriarca Frankie Heck, ninguém faz muita questão de conhecer, porque simplesmente não tem nada para oferecer. Seu marido, Mike, é gerente de uma pedreira e um pai que faz questão de ser realista em tudo - fato que rende umas das melhores tiradas. Fecham o time, seus filhos esquisitos Axl, Sue e Brick - este, um pequeno gênio incompreendido que sussurra para si mesmo. Enfim, eles são hilários e desconstroem o modelo americano feliz de uma forma única. Charlie McDermott (Axl) e seus cachinhos desfilando de cuequinhas samba-canção em todo santo episódio, porém, não são preponderantes para o acompanhamento sistemático da série, sabe........... longe disso...........


  


Entra na minha casa, entra na minha vida, Charlinho...



Agradeço pela atenção dispensada a este texto contraditório. Obrigada, de nada.






 

sábado, 23 de agosto de 2014

TEVE PREMIAÇÃO

Este blog, ele está aos poucos saindo do seu ostracismo característico. Dia destes, fomos premiados. Coisa fina, coisa louca...
Até foi uma forma de encerrar com chave de ouro a fase ''Agridoce'' deste antro de idiotices muito bem intencionado. Pra quem ainda não se ligou: agora, somos "Mi Catarse Es Su Catarse'', porque, francamente, eu sei que nossas catarses se revezam e se batem toda hora, leitores. Enjoei de ser agridoce, quero explorar outras cositas.




Mas, em meio a toda aquela formalidade que me desconcerta, só conseguia lembrar de uma coisa:

DO JOSEPH TRIBBIANI, CLARO


                                            

                                                                    MAIOR SER HUMANO



Auxiliou no post:

Shine on you crazy diamond - Pink Floyd









quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre meus últimos aniversários

Aniversário realmente é uma coisinha indigesta. Sério, pensa um pouco mais profundamente aí. Depois que parei com as anarquias com os brinquedos e com os amiguinhos que vinham religiosamente provar os brigadeiros de mamãe, só catarses. Só draminhas. Ok, sempre válido perceber que, uhul, vivemos mais um ano, 365 dias de respiração - ainda que muitas vezes no piloto automático - mas o gosto agridoce é inevitável pra nós, profundos cronistas e pensadores da vida que levamos. O que não acontece com os imbecis, claro. Imbecis amam aniversariar.
Em 2008, passei trabalhando. E era algo de que eu gosto tanto, que nem me importei de caminhar alguns quilômetros atrás da minha pauta. Que puta dia gostoso aquele!
Em 2009, passei atulhada de roupas que comprei e que não usei nem metade, obviamente. Porque quando a gente compra demais, não usa é nada.
Em 2010, passei dando uns beijos ótimos em um projetinho de príncipe. Foi bem interessante.
Em 2011, passei chorando. E incrivelmente puta da cara por todo o frio que resolveu fazer naquele dia. Do veranico de meados de agosto, vim, e por ele espero todos os anos. Amém.
Em 2012, passei especialmente bêbada, em uma das noites mais loucas da minha vida. E com uma amiga que espero levar pro resto dela.
Em 2013, passei anestesiada. Metaforicamente, felizmente, mas não menos anestesiada. A anestesia é minha e eu uso como quiser.


E hoje... bem, ano que vem eu conto. Se eu respirar até lá, claro.  







domingo, 17 de agosto de 2014

Jornalistas Que Se Amam Demais Anônimos

Eu posso estar equivocada, mas acho que jornalista não é celebridade. Assim, não sei qual o tipo de redação lisérgica nas dependências da Disney em que só toca ''Eu me amo'', do Ultraje (certo que o mané do Roger tinha que estar enfiado nisso), que uma galera por aí anda frequentando... mas, olha, há um cheirinho de vergonha alheia no ar. E tá cheirando bem mal.
Não é querer pagar de humildona, sabe, todos possuímos essa maldição chamada ego e por ela nos corrompemos em maior e menor grau, vez que outra, etc, etc, só que, né... bom senso também vem no pacotinho da maternidade. Quer dizer, deveria. Jornalista não pode querer ser mais notícia que a própria notícia.
Não sei se só reparei agora ou se a moda já tá fazendo bodas, mas há um sem-número de criaturinhas fazendo, de próprios punho e sobriedade, páginas de homenagem a si mesmos no Facebook. Sim, tipo, eles pra eles mesmos. É quase uma masturbação virtual-acadêmica. Não satisfeitos, eles têm tido a pachorra de me convidar pra massageá-los neste joguinho excitante de pouco dizer e muito curtir - eles, que pouco se importam com a opinião desta reles jornalista sem página. Sem matéria no clicrbs, querendo saber onde eu passei as férias de inverno. Sem fãs. Sem nada, a não ser meu romantismo maldito por esta profissão madrasta. É só eu que me apavoro com o egocentrismo destes fofos? Assim, me fala baixinho aqui no meu ouvido que também acha bizarro, que também não entende, que também ri dessa autoestima equivocada toda. Acho que eu tenho é inveja do quanto eles se amam - eu, que, entre tapas e beijos, me curto pra caralho até.
Sabe, entre ironias e ironizados, eu realmente fico intrigada. Mesmo. Porque não me imagino me levando tão a sério. Qual é? Jornalista é só um mártir de uma utopia que tira o sono, mas não compensa. Jornalista deveria ser só um tipo bonachão, querendo salvar as pessoas da mentira, da má-fé dos poderosos e dos patrões... jornalista é só um contador de uns causos que emocionam e ajudam a tocar a vida. Sabe? Sem muito glamour, sem muito paetê, sem muita pretensão de ser famoso, sem muita sisudez com ares de grande coisa. Onde foi que tudo degringolou?
Eu sei que falando pra milhares de pessoas diariamente, criando uma rotina produtiva incansável com os abastados e os humildes, é inevitável que o rosto torne-se um símbolo. Não sou ingênua: acho até questão de tempo, afinal, construímos uma relação marcada pelo platonismo com quem muito aparece nas mídias que acompanhamos. Me faltam teóricos pra embasar isso, mas vocês entenderam o que eu quis dizer. Só que, né, galera? Tudo ao seu tempo, tudo de um jeito que não seja forçado. Me permitam uma analogia zueirinha: que seja tipo falar ''boa noite'' pro esposo da Fatiminha. Sem percebermos.




                                                         Desculpa se eu sou muso, tá?




sábado, 16 de agosto de 2014

Minhas barbies de moicano

É muito curioso como construções de gênero pautam nossas vivências. Hoje, tô política, então não vou dizer que é escroto e doente: apenas vou levantar as sobrancelhas candidamente: ''curioso''. Não raro, muitos colegas da minha área se dedicam a estudar tal temática. Que delícia o Jornalismo andar de mãozinhas dadas com as Ciências Sociais, néam? Me beija, jornalindo. Claro, para cada cérebro curioso nas redações, tem uma meia dúzia reproduzindo estereótipos na mídia hegemônica, na baladinha de sexta com o pessoal da ''firma'', na fila do pão. Tem, velho, tem jornalista cuja cabeça é um ovo. O coraçãozinho dói aqui, mas tem - na federal e na particular, leia-se.
Mas outra hora, minha metralhadora cheia de mágoas continua queimando os coleguxos-repete-senso-comum, não vim falar sobre eles. Vim comentar algumas coisas com as quais nunca me identifiquei e pelas quais eu deveria me interessar, afinal, eu nasci uma mocinha. Sei lá, meu, nunca curti flores. Nunca tive palpitação ao ganhar buquês de rosas vermelhas - sério, tal qual receber uma conta pelo correio. Claro, me apareça um moreno garboso (serião mesmo que eu escrevi GARBOSO?) com uma rosa entre os dentes, me convidando pra um tango, pra ver se a coisa não muda de figura... só uma suposição, claro, até porque eu nunca dancei um tango. Ainda.
Já comentei aqui no blog que ser mãe não é um sonho na minha vida. Quem sabe, a vontade nasça num futuro próximo - terei o maior prazer em abraçá-la -, mas ainda não vi graça em bebês. Só em bebês tipo o Garfield, claro, mas isso vocês já sabem.
Er... vejamos, não acho graça em ficar falando horas e horas sobre roupas, sapatos, maquiagem e o Instagram da Kim Kardashian. Pra ser mais franca ainda: eu fujo de gente assim igual ao Tinhoso, da cruz - o que não quer dizer, claro, que eu não sinta calafrios e borboletas no estômago quando veja uma liquidação de calças jeans. Cada coisa é uma coisa, né, povo. Tenho pânicos estranhos ao entrar em salões de beleza. Tenho pânicos estranhos ao escutar conversas características de tal recinto. No campo amoroso (campo amoroso?? é de comer isso?), indo mais adiante no rol de comportamentos que se convencionou chamar de ''femininos'', realmente tenho problemas em dar a entender que sou difícil, que sou recatada - o que não quer dizer, evidentemente, que esteja escrito na minha testa: SIRVA-SE. Gosto de trocar uma ideia sem joguinhos, ou seja, se eu estiver a fim do papo e do cara, falar e falar e falar mais um pouco, sabendo que isso em nada diminuirá o respeito que mereço. Parece simples, né? Bom se fosse. Detesto também caras que querem pagar de cavalheiros. Ou que acham que precisam me proteger. Ou que acham que têm que abrir porta de carro pra mim. Ou que acham que têm que zoar orientação sexual de outros caras pra afirmar constantemente a sua. Vamos combinar, que achismo bem errado esse de alguns queridos por aí.
Poderia ficar citando muitas manifestações mais de como construções de gênero são irritantes pra mim - e pra vocês também, tenho certeza -, mas aí eu estaria escrevendo um livro. De repente, numa dessas andanças, até sai, hein? Mas, primeiro, vou botar minhas barbies pra dormir - elas, que fizeram um moicano.

 


                                                                    Chupa, Mattel!






sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Sobre dúvidas terroristas, Ferreira Gullar e call center lover

Ando meio ressabiada pra vir postar aqui. Pela primeira vez - em quase 4 anos completos escrevendo -, tenho sentido que é uma exposição desnecessária. Que é tipo dar murros em pontas de facas. Que eu exponho muito minha vida - e olha que, em tempos de redes bestializantes, me acho até bem discretinha, se comparar meu uso com o de celebridades próximas a mim. Mas, enfim, ando confusa. Só que tal confusão não freia o acúmulo dessa espécie de bolo alimentar opinativo na minha garganta. Logo, vivo um dileminha. Café-pequeno, lógico, mas não menos irritante. Acho que são as dúvidas banais diárias que vão matando nossa sanidade lentamente. Elas devem, inclusive, pautar o terrorismo entre si, ardilosas que são:

- E aí, nem? Hoje, a gente podia dar uma ressuscitada na história do blog, né, não?
- Já é, demorô! Mas primeiro, deixa eu me concentrar aqui, que ela não sabe se puxa assunto ou não... véi, tô rindo litros. 

Quem sabe eu esteja vivendo outro tempo, cuja falta de identificação não me permita saborear o momento. Quem sabe eu esteja fazendo rimas sem querer na frase acima. E até que ficou bem jeitoso.
Quem sabe seja hora de começar um concretismo singelo aqui, afinal, eu acho um charme.

Quem sabe eu deva cair na real, afinal eu não sou Ferreira Gullar. Lembrar quem a gente é sempre é uma faca na jugular.

Hoje, numa conversa informal com duas amigas, algo me escapou. Elas notaram meu abatimento e eu confessei ainda estar chateada devido à morte recente do meu bichaninho. Aí, uma delas arrematou:

- Primeira vez que tu sofre por amor, né, amiga?

E eu ri, porque acho mais digno sofrer por um felino-amor que por uma dor de cotovelo. E (também!!!) porque me dei conta de que é raríssimo eu chorar as pitangas às minhas amigas em se tratando de relacionamentos. Em contrapartida, sou uma mãezona: escuto, aconselho, tramo vingancinhas, invento apelidos escrotos, enfim... dou aquela cobertura básica no plano de recuperar músculo cardíaco choroso. Penso me sair bem como call center lover. Já as minhas dores... ah, jura, não curto encher os outros com isso. Até porque, se eu desabafo tudo, logo, não tem texto depois. Pra mim, é mais negócio transmutar o ódio em bytes.

Até tentei replicar:

- Mas vocês lembram do fulano aquela vez?
- Ah, mas não foi tanto assim... de ficar com a voz embargada e tudo.


Elas não sabem nada. Ou sabem mais que eu.








quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Dia do Fico

Não é 9 de janeiro de 1822, mas vocês podem mandar e-mail pra todo mundo dizendo que fico. Não vou mais excluir o blog. Dom Pedro e o Chalaça, diz que vão começar a ler. Eu ia, ia mesmo. Sei lá, acho que perdeu a graça - justo pra mim que sempre ri horrores escrevendo aqui. Mas aí eu pensei melhor. Ou pior, vai saber... resolvi deixar. Depois, eu passo a senha e vocês veem se vale a pena. Vocês, que são mis discípulos... e leem mis cagadas.

Afinal, mi catarse es su catarse. Aproveitem pra dizer que o nome também mudou.


Auxiliou no post: 

Personality Crisis - New York Dolls


domingo, 10 de agosto de 2014

Ao meu tudo

Quando eu tinha uns 13, 14 anos e começava a entrar naquela fase insuportável da aborrescência, sempre depois de alguma briga com o meu pai, eu fazia questão de ficar horas enumerando todos os defeitos que eu julgava que ele tinha e que eu faria o possível para desviar na vida. Hoje em dia, mais velha, eu paro e penso: bom, se eram defeitos, eu imitei todos. Eu fiquei igualzinha. Eu sou a cara do meu pai. Eu tenho os mesmos olhos e o mesmo idealismo. Eu sou teimosa. Eu sou meio canceriana também, quem estou enganando? Eu sou uma baita fã de um reininho surpresa. Não tenho palavras pra explicar a importância dele na minha vida, tudo que eu sou hoje, eu devo a ele, até porque não levo muita fé na minha habilidade para viver e ser adulta: meu pai me ensinou e me ensina até hoje a ser gente. E eu fico maravilhada com a serenidade dele diante da existência - eu, que infelizmente nasci levemente desequilibrada, como ele afirmou uma vez. Eu fico maravilhada com a capacidade que ele tem de acalmar meu coração. De me dar lições de moral que se repetem à exaustão: tenho pra mim que ele decora as coisas no espelho do banheiro, não tem outra explicação pra tamanha eloquência.
Por mais que minha falta de idade e o excesso de vivência dele entrem em colapso muitas vezes, por mais que não nos identifiquemos em algumas posições políticas, em alguns gêneros musicais, por mais que eu faça algumas cagadinhas eventuais, por mais que ele tenha ciúme do meu amor pelos felinos (tem que eu sei!!!), por mais que existam essas diferençazinhas bobas que, às vezes, nos façam perder a paciência, é tudo muito camuflado de amor. É só amor. Agradeço por ter tido a sorte de ter nascido filha de um cara tão gente boa, por ter um pai tão presente, tão amigo, tão maravilhoso, tão super-herói, ainda que seja de carne e osso. E sangre. Agradeço por ele me encher de vida diariamente com sua sabedoria e proteção. Agradeço com toda a gratidão que me habita. Espero poder desfrutar disso muitos anos mais. Eu te amo infinitamente, meu pai!


- Quem é o meu amor? Quem é o meu amor?