quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Expressões que eu não aguento mais usar, mas sigo usando, afinal, eu não sei parar

“Querendo ou não!”

Querendo ou não, eu não sei parar, porque lá se vão alguns anos repetindo à exaustão que, querendo ou não, eu não tenho nada mais relevante a dizer, então, querendo ou não, você vai ter que engolir essa opinião sem definição. O "querendo ou não" é meu encerra-discussão. O "querendo ou não'' é o meu atenuador preferido: com ele, você tira o seu da reta, e seu interlocutor nem percebe. Querendo ou não, é o que temos para o momento.  

“JESUS MARIA JOSÉ”

Aqui, vai um exemplar católico, porém bem inofensivo. Usado em momentos de extremo arrebatamento, como quando eu vejo um gato fofo, e não sei lidar com aquele momento em que minhas retinas são invadidas por centenas de arco-íris de sorvete de flocos, ficando, assim, congeladas naquele lapso do mais puro amor, e tudo que sai é isso. Em letras garrafais mesmo, que é para a coisa ganhar o sentido desejado.

“Que loucura, Jorge!”

Nem sei de onde/quem catei isso, tampouco quem seria esse tal Jorge que eu vivo evocando. Só sei que é uma loucura, Jorge.  tá ali, numa boa, trabalhada na elegância, e, não mais que de repente, solta essa pérola. Que loucura, Jorge! Se ao menos fosse o JORGE CLOONEY, néam? Ha

“JESUS AMADO”

Outra expressão que já foi deveras usada pela moça que vos fala. Certa vez, uma amiga – amigona mesmo - disse que estava com saudade de mim e de quando eu arregalava os olhos, proferindo referida frase. Ela disse mais ou menos o seguinte: Bah, fulana, que saudade da tua cara de apavorada, dizendo "Jesus amado!!!"
É por aí, amigo... geralmente, quando me sinto apavorada da silva com alguma coisa, sai esse exemplar estarrecido, tipo ''fudeu, mano''. Em double dates sabor suicídio, por exemplo, é possível verificá-lo.    


Então era isso, amores, encerramos o mês com uma postagem bem idiota lúdica, a fim de fazê-los refletirem sobre as expressões que usamos e irritam cativam a geral. 



Besitos, nos vemos em novembro, tipo, amanhã. 







terça-feira, 29 de outubro de 2013

A caçadora de capitais

Sempre a mesma cantilena. É só isso que eu ouço (tá, não é só isso que eu ouço, mas precisamos de um tom enfático aqui, ok) quase como um mantra sussurrado inconscientemente para dentro de nossos cérebros resignados. Não, não acho que as pessoas - sempre elas, as pessoas - estejam/sejam vazias. Ninguém é vazio, quer dizer, bradar que ''fulano é vazio, cicrana é vazia'' pressupõe uma totalidade, dá a entender que não há nada no fulano e na cicrana - e isso não tem lá muito sentido. Digamos, então, que elas estejam cheias de algo que não nos interessa. Ou já nos interessou, mas agora não tem mais apelo, acontece. Tô só chutando mesmo que todos parecem estar estafados de tanta ''vaziez'', mas por que esse sentimento, se teoricamente ninguém é tão vazio assim? Boa pergunta, eu é que não vou responder.
Er, pensando bem, eu tenho uma sugestão. Não me culpem, tudo isso é fruto de uma incursão perigosa e infantil aos diários de um tal Bourdieu - ele que nos diz sermos feitos de capitais. Somos capital, temos capital, respiramos capital. Somos vivência e isso é tatuagem, não sai. Logo, penso ser natural que sintamos necessidade de capitais que nos preencham, que nos instiguem, que nos atraiam. Eu acho natural, por mais que ache meio assustador também, mas a verdade é que somos bichinhos em busca de sensações que aplaquem nossas errâncias características, portanto, no drama, baby. Essa coisa de falar na primeira pessoa do plural tá ficando meio pedante, até parece que eu sei alguma coisa da vida de vocês. Vou voltar pro singular:

- Prazer, meu nome é volúvel e eu sou volúvel. Eu busco capitais que me alimentem. 

Olha, o que eu tô querendo dizer - talvez bem inadvertidamente - é que a vaziez é só conceitual. Cada um está cheio de alguma coisa e essa coisa nos prende a atenção por um período cuja duração é uma incógnita. E não há por que satanizar isso.  




Auxiliou no post:

Menino Eddie Vedder, com Long nights e No ceiling.  






domingo, 20 de outubro de 2013

Sobre meta batida e paz de verdade

O departamento de estatística aplicada da Agridoce Enterprise declara que a meta de postagens do presente ano foi alcançada. A tentativa era a de passar o número do ano passado, sabe, bem óbvio, e então conseguimos. Aqui, fala-se de quantidade, não de qualidade, é bom que se explique.

Vejamos... nessa imersão de relembrar postagens... nossa.... tem umas aqui que, francamente, tengo ganas de me estapear por ter escrito. Não é fácil se autoanalisar. Em mais de 200 postagens (cof cof), alguma coisinha eu ia detestar depois de algum tempo, lógico, mas aí eu paro e percebo que, poxa, aquilo ali também sou eu. Não posso fugir do que eu senti no momento em que transmutava demônios em palavras. Não posso apagar nada, por mais que eu ria copiosamente do que eu já fui. Ao menos, eu me divirto. Ao menos, eu dou uma chorada eventual.

''Mas consegui, pelo menos, escrever uma canção...'' (Cê Pê Ême Vinte e Dois) 

Consegui, ao menos, escrever uns textos. A galera leu, curtiu. A vida seguiu. As palavras foram fadadas a ser o que foram. Estamos em paz. Paz é bom, recomendo.

Aproveitando o ensejo, que maravilha é estar em paz de verdade. Quando você não mente para você mesmo. Quando você não se esconde em um personagem. Quando você acredita na sua verdade e segue grudado nela, apesar de tudo que joga contra. Quando você se ama o suficiente para não desistir de nada que sonhou - antes de virar adulto e ser abarrotado pelas contas grudadas na geladeira. Quando você coloca seu coração na jogada de um jeito tão arrebatador e vibrante, que só faz esperar pelo melhor. E o melhor vem para os que cultivam esse tipo de paz. Já vi estatísticas a respeito disso também.



Auxiliou no post: 

More than a feeling - Boston 








     

sábado, 12 de outubro de 2013

Para minha cria predileta

Eu tenho um amor da vida e o nome dele é Leonardo. É o meu caçula, o meu bebê, o meu melhor amigo, a minha metade, o meu melhor e o meu pior. Eu sou apaixonada pelo meu irmão, trata-se de um platonismo alimentado diariamente. Eu amo a risada gostosa dele, eu amo seu talento tímido pro piadismo, eu definitivamente sou mais feliz quando rio com ele. E disso nós dois entendemos: quando estivermos muito sérios, desconfie.
Mamãe diz que fui eu que o batizei, porque eu era uma entusiasta da já encerrada dupla, brejeira e graciosa, Leandro & Leonardo. Então, quando ela perguntava como eu queria que meu caçulinha fosse nominado, eu devia soltar algo como um Linardo ou Nunado, porque o fato é que quando a criaturinha chegou, lá nos idos de agosto de 1992, o nome já estava certo. E aí fomos apresentados. O danado quase nasceu no meu aniversário de 3 aninhos, percebam como é uma ligação curiosa e indissolúvel. Naquele ano, eu não tive festinha nem parabéns em volta de uma mesa decorada, todavia ganhei o melhor presente da vida, do mundo, de tudo. E aí, seguimos nos reconhecendo um no outro, crescendo juntos, nos estapeando vez que outra – porque o amor tem dessas coisas, claro – até chegarmos à fase adulta – isso de que, francamente, nenhum de nós é muito fã: a gente insiste nessa roubada de deixar uma certa criança arisca viva, espero que isso nunca morra.
A gente se xinga demais, a gente se ama e se odeia na mesma fração de segundo, mas a gente é de coração. Sangue é uma coisa muito feroz mesmo. Tanto, que, quando a minha cria sangra, eu sangro junto, não tem jeito. A gente já se fez sangrar também, acontece, mas estamos cientes de que cicatrizar as coisas também é aprendizado de uma vida inteira. E é possível que estejamos indo bem no processo, viu.  
Eu sou sanguínea, o Léo, cerebral. Eu sou imediatista, o Léo, estratégico. Eu sou efusiva, o Léo, reservado. Eu sou teatral, o Léo também, mas se controla. Nós dois somos orgulhosos. Nós dois amamos a vida, mas eu mostro de um jeito bem ridículo – já o Léo é elegante, tenho certa inveja disso. Eu ensinei Português pro Léo. O Léo me ensinou a não usá-lo muito em momentos de raiva. Eu amo sacaneá-lo na frente de parentes, porque ele fica com uma carinha linda de quem não sabe onde se enfiar de tanta vergonha. Ele, em contrapartida, ama me mandar calar a boca, porque quase nunca aguenta meus monólogos e minhas tentativas de tentar debater a estratégia daquela propaganda tal de carro. Eu sou das sociais, das humanas, o Léo, das exatas. Já o nosso amor é bem exato e humano, passa fácil por cima dessas diferenças acadêmicas.   

- Gostou dessa música, Léo? Catei numa trilha de filme.
- Não, parece de velório. Não sei como tu escuta isso.
- Ah vai se catar!

- Bah, mas tu escutando Caetano? Tinha que tá caindo um dilúvio mesmo.
- Ha ha como tu é engraçadona.

Provocações de amor me interessam, me interessam. Irmãos sempre serão crianças, e Seu Leonardo sempre será a minha. 
 



Auxiliou no post:
(Just like) Starting Over – John Lennon 












terça-feira, 8 de outubro de 2013

Solos de guitarra não vão me conquistar

''Solos de guitarra não vão me conquistar...''

HÃN???
PAULA TOLLER, AMADA, CÊ TÁ LOUCA??????
SOLOS DE GUITARRA VÃO, SIM, ME CONQUISTAR, INCLUSIVE JÁ ESTOU CASANDO NUM CHALEZINHO NAS MONTANHAS ANDINAS

Porque é aquela coisa: um menino com uma guitarra faz estragos violentos. Uma guitarra ou algo que o valha, não interessa muito quantas cordas o tal instrumento tenha pra mim - que, sim, tenho um coraçãozinho ridiculamente groupie batendo dentro do peito. Ria da minha patetice, estranho, é de graça.
Música é um departamento perigoso, eu não sei lidar.


Mas, hein, eu queria mesmo era dizer oi. Então, oi. Ainda não havia dado as caras nesse outubro maroto. E vim fazer isso com essa pagação deslavada, uma vez que o registro de um flagrante de um certo semblante compenetrado dedilhando coisinhas gostosas de ouvir precisava ganhar forma. Tá aí.
Quando abri as estatísticas aqui, e vi que as visitas estavam gentilmente escasseando, senti uma dorzinha na alma. Eu tinha que fazer algo, nem que fosse um rascunho de ode aos violonistas, aos guitarristas, aos baixistas, aos bateristas, aos saxofonistas, aos artistas, aos istas que parecem viver só pra me fazer ficar com cara de paisagem na multidão. Sigam na empreitada, tá demais.



Auxiliaram no post:

Eternas ondas - Zé Ramalho
Gatinha manhosa - Tremendaum