sábado, 22 de junho de 2013

Sobre apagar e chorar pela Helô

Curto meus momentos insanos, mas devo reconhecer que são bem ridículos. Tipo a última postagem, gente. Que foi aquilo? Foi a falta do Ponderinha, certamente. Ok, quem me conhece um pouquinho que seja sabe que não sou fã de rádio, mas daí a fazer um textinho raivoso sem pé nem cabeça tem que ser bem ridícula, hein, Brunam? Nem sempre pago o ônus.
Pois aí eu fiquei remoendo o texto, não saía da cabeça o dito-cujo, ficou fritando o resto dos miolos ainda lúcidos do meu cérebro. Ai, que texto ridículo, que texto ridículo, preciso apagar, snif, como eu sou babaca, como é que eu posso falar mal da mídia alheia desse jeito? Sua ridícula, vai apagar aquela porcaria já! Aí vim aqui e apaguei. (Reparem que tô numa levada de escrever e depois vir falar mal da postagem feita, loop eterno).
Ufa, apaguei, não sou ridícula mais. (Vai sonhando, vai...)

Posso ser contraditória em paz? Brigada.

Gente, não dá pra fugir da sina. Uma hora, você vai se contradizer, sim, e vai ser lindo de ver. Claro, vai desejar uma passagem só de ida pra Tanzânia, mas também vai se libertar. Por que cargas d'água a gente precisa aparentar sempre saber tudo, ser sempre sensato, ser sempre digno de admiração alheia? Por que eu fiz um texto só pra dizer que detesto escutar rádio? Cansei dessa brincadeira, agora vou brincar de apagar postagens.


Ah, deixa eu comentar... ontem assisti ao último capítulo da reprise de Anos Rebeldes, no Canal Viva, e posso dizer que chorei como uma criança que ralou o joelho. Sabe aquele choro desatinado que cai, e tu nem luta contra? Pois é. Heloísa foi metralhada por agentes da repressão - em uma das cenas mais famosas da dramaturgia da Glóbulo - e, nessa hora, meio que foi instantâneo o pensamento de que o ''sistema é sempre mais forte''. Sei lá, só sei que a primeira lágrima caiu ali.
Aí mais pra frente, continuei com o coração apertadinho - de saudade antecipada e de sei lá mais o quê - vendo cenas do assassinato do Herzog e, depois, de exilados voltando pro país, em 79, e terminei melancólica, com um sentimento que não consegui definir. Nem vou.


Auxiliou no post:

Elis Regina, com Velha roupa colorida e Como nossos pais.








quarta-feira, 19 de junho de 2013

Feliz dia, Chicólatras!

Ah...
e vocês ainda têm a audácia de achar
que eu vou esquecer?
Eu nunca esqueço as primaverinhas do meu guri,
do meu Francisco, do meu, do seu,
do nosso Chico.
Porque ele é nosso patrimônio,
nossa inspiração, nosso poeta predileto.
Eu já escrevi dois textos pr'ele nesse blog porque,
às vezes,
me sinto tão apaixonada,
que preciso fazer esse amor transbordar.
Só ele para me fazer torcer pelo Flu, alguma vez que outra -
se ele estiver futebolisticamente feliz, também estarei.
Só ele para ser sinônimo de rei.
Ah, Chico, é um clichê terrível te amar, eu sei,
mas eu sempre amei.
Como se fosse lei.


 
                                                   








terça-feira, 18 de junho de 2013

Sobre minha arrogância, mudar o mundo e fazer milagres

Se eu tivesse um feedback pontual e certeiro do que eu escrevo, ele me alertaria de que fui extremamente arrogante no último post. (Essa mania de fazer análise do discurso nos textos é uma desgraça na vida, hein). Eu alego de forma descarada que as pessoas não leem sobre a história de seu país - isso sem nem ter feito uma pesquisa que fosse a respeito. Eu também afirmo - ainda que sutilmente - que quem teve lá seus quinze minutos de fama no colegial, não pode ter sido um leitor voraz na época. Eu, a invisível dos corredores estudantis, afirmo isso num revanchismo declarado, ainda salientando que só quem não foi muito cool ao olhos alheios pôde, de fato, ter aprendido na vida sobre a tal História. Ainda dou a entender que sou uma leitora incorruptível e que mereço um bônus dos céus por isso, argh, como cês aguentam. Isso eu vi, após ter postado as linhas, e fiquei pensando que, se eu tivesse leitores raivosos, estaria sendo crucificada na blogosfera naquele momento. Sorte que meus leitores são inexistentes tolerantes e entenderam a essência da ideia que eu quis passar, não? Ou não também, não sei. Só sei que nunca tive a intenção de parecer a dona da verdade nesse bloguinho, ainda que toda hora, vez que outra, eu seja traída pela minha empolgação. (Essa história de voltar atrás me dá uma credibilidade ma-ra-vi-lho-sa, hein? hahaha)

Bueno, seguiremos na vibe reflexiva verde-amarela, pois tenho feito alguns trabalhos a respeito -mentira, nem tenho feito nada, é puro instinto de seguir o agendamento jornalístico e nosso atual momento pede. Pede? Não pede? Impede? Sei lá eu.
Nesses últimos dias, um sopro de consciência social me bateu na cara, um vento gelado cortante, e eu fiquei a pensar no que eu tinha feito, efetivamente, para mudar o mundo nesses breves 23 aninhos. (Sim, ainda queremos mudar o mundo, Tio Sam!) Ok, não fiz nada que tenha merecido indicação ao Nobel ou saído em alguma capa de jornal, mas, do alto do meu pedantismo, eu afirmo que, sim, já dei algumas contribuições para uma sociedade melhor. Vejam bem, sair à rua portando cartazes é digno de respeito, de ovação, mas as transgressões podem ganhar corpo até numa conversa, num conselho, numa intervenção por uma criança, por que não? Eu acredito nas palavras, assim como acredito nas caminhadas. Mas, claro, eu quero fazer mais, eu posso fazer mais por quem não tem voz. Dizem que faço parte de uma elite intelectual, apenas por ter tido a oportunidade de frequentar uma universidade e permanecer no meio, mas sinto que meu parco conhecimento - que mesmo assim é um conhecimento - precisa servir a alguém, a alguma causa. Não sei se consigo abraçar todos/todas, mas definitivamente não quero carregar o estigma dos que supostamente sabem, mas se escondem em fins meramente academicistas. Quero mais e sei que não estou sozinha. Dia desses, meu irmão me chamou de chata por compartilhar no Facebook fotos de cãezinhos/gatinhos abandonados à procura de lar. Longe dele ser um nazista que abomina peludinhos, muito pelo contrário; o problema é que, segundo seu relato, eu não sei parar (hahahaha ai, mano!) Me senti feliz. É claro que é pouco, perto do que muitos fazem, mas, poxa, é o meu jeito de demonstrar que me importo - nem que seja com a parcela de felinos sem mãe da cidade. (Ah... se eu pudesse ter um orfanato de gatos, snif)

Dia desses, eu li num perfil radical por aí que lutar por um grupo de oprimidos, e deixar as outras minorias ''fora'' do dito manifesto, é hipócrita. Difícil rebater essa, né, não? Ela pega fundo no nosso calcanhar, mas eu vou tentar. Não acho hipocrisia, penso ser uma espécie de filtro necessário para manter uma unidade - sem esquecer, claro, que, no fundo, a luta é pela dignidade do ser humano. O chato é fingir que as minorias não existem e relegá-las ao ostracismo, simplesmente porque talvez não convivamos com elas diariamente.
Sabemos que há racismo, sabemos que há homofobia, sabemos que há machismo, sabemos que há transfobia, sabemos que há bullying, sabemos que há n pessoas sofrendo com opressão no mundo inteiro.(Se não acham, deem uma olhada.) Sabemos? Eu sei e você certamente sabe, ser pensante. Então, se não quiserem sair bater panela, que tal apenas mudar o discurso? Ensinar seu filho a respeitar seus coleguinhas gordos, negros, introvertidos (a), o que sejam, em sala de aula? Ou, talvez, não olhar com desdém quando um ou uma transexual deseja usar um banheiro masculino ou feminino? Quem sabe comprar uma briga com alguém que tenta disseminar preconceitos? Isso também pode fazer milagres.  






domingo, 16 de junho de 2013

Relegando a História e criando boçais

Sabe, desde que você nasce, você tem uma identidade, faz parte de uma história, de uma civilização, de um grupo social específico. Eu, no caso, sou brasileiríssima. Eu amo meu país, apesar de ele não me orgulhar muito em diversos aspectos. Conheço muita gente por aí que se julga mais gaúcha que brasileira - os tidos separatistas de plantão (até pode ser brincadeira, mas eu tenho certo medinho deles, anyway). Mas eu não. Eu bato o pé, eu brigo, escreve aí na certidão, seu moço: bra-si-lei-ra. Talvez eu goste de ser brasileira, só para contrariar, é possível, confesso.
E entender a história do Brasil me pareceu meio óbvio na incursão de aprender a amá-lo - porque isso, meus amigos, ah, isso é um exercício diário, quase na marra. Passando desde o chamado ''descobrimento'' - termo comportado para usurpação - até os dias atuais, lá se vão muitos livros, muitas leituras, muitas conversas, muitos debates, etc... até quem sabe alguma discriminação, pois sabe como é né, em tempos de colégio, não é muito legal querer saber sobre história, sobre os presidentes e suas cagadas, sobre colonialismo e o escambau: os coleguinhas te zoam sem dó. Ainda mais quando tu resolve fazer perguntas e interagir - e, ainda mais ainda, quando faltam quinze minutos para acabar a aula. O fato é que eu terminei não sendo muito cool nesse período, mas em contrapartida aprendi um bocado. Havia, como eu, uma turma de resistentes, não estive sozinha na empreitada todo o tempo, mas a maioria esmagadora é que me vem à memória quando penso na época. A maioria do ''odeio História, só tem que ler''. ''Odeio ter que decorar esse monte de porcaria''. "Vamos matar aula, os dois últimos períodos são de História'' (no Ensino Médio, o equivalente era a Sociologia). Não que eu não tenha cabulado alguma aula, longe disso, mas em se tratando dessas matérias, eu ficava meio prostrada. Poxa, como o pessoal não conseguia gostar de um assunto tão legítimo, tão necessário, tão vivo no no nosso cotidiano? Tão brasileiro, tão íntimo do que a gente comprava no mercado, do que a gente lia no jornal, do que a gente assistia nos debates políticos? Que coisa.
Hoje em dia, sigo algumas pistas do porquê de não haver negociação. Não condeno em uma totalidade, mas sinto um pouco de vergonha: possivelmente quem não se interessou em saber em que país estava se enfiando quando saiu da barriga de mamãe, é o mesmo indivíduo que ergue a voz para falar mal de tudo, para enaltecer a Europa e os Estados Unidos, para dizer que aqui nada dá certo. Bom, talvez nem todos sejam assim, mas sinto que há uma relação feroz nisso. E eu fico triste, de verdade.
A nossa sina de ''perdedor'' começa muito antes de um governo corrupto, de uma manifestação por melhores condições de trabalho. Está fácil o nosso bolão, até já citei a palavra acima. O que somos hoje é apenas reflexo do que fizeram com gerações passadas, é apenas retrato de anos de humilhação, de servidão e de roubo - sim, roubo!!! - de nossas riquezas naturais. A origem da negligência é mesquinha e está ao alcance de todos que tiverem boa vontade para descobri-la. A gente não vai mudar muita coisa se munindo desses conceitos arcaicos, mas, quem sabe, a pátria receba um pouco mais do amor que lhe é justo - e uma pitada de tolerância, que, né? Tolerantes lutam melhor. Bem melhor.





    

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Tenha dó, pateta, tenha dó!

''São Paulo revivendo a Paris de 68, e essa pateta escrevendo sobre finais e drinks de um tal de Brian???? Oras, tenha dó!!!"

Tenho acompanhado muitos blogs, portais de notícia e afins a respeito da semana de protestos em São Paulo contra o aumento da tarifa de transporte público, e a verdade é que eu ando meio atordoada - e farei alguns apontamentos. (Caso vocês achem tudo um monte de abobrinhas, não hesitem em deixar comentários me ridicularizando, não censuro nada por aqui.) No Facebook mesmo, é um sem-número de publicações sobre, todas trazendo comentários ferozes xingando oposição e situação, a mídia, a Dilma, a Copa, entre outros. Penso isso ser, por um lado, bem um reflexo de como as pessoas pararam de tomar como verdade somente o que a trupe do Marinho noticia. E, num Brasil dominado por redes sociais - espécie de mídia alternativa à televisão que domina os lares - isso faz uma diferença positiva na leitura diária dos fatos (pra quem tem acesso à internet, claro) É óbvio que muita coisa não é mostrada em horário nobre no Jornal da Pati Poeta - bem vindos à desconstrução da realidade - é óbvio que na polícia há muitas pessoas despreparadas e sem senso de justiça, que seguem à risca o clichê de que a polícia é treinada para reprimir, não, proteger. É óbvio também que não será a última vez que haverá enfrentamento entre quem sai às ruas e quem brada contra esse direito legítimo de reação aos desmandos. Todavia, generalizar é leviano, sejam eles policiais e/ou manifestantes. Por outro, é um saco geral entulhando meu feed, até parece que é um campeonato para ver quem opina mais, quem sabe mais, quem é mais cientista político que o outro. Ah, tenham dó, leiam para vocês, façam essas análises óbvias com vossos reflexos no espelho e discutam com quem acharem prudente, e só. Até porque, depois de desligar os notebooks, vocês não voam para a Terra da Garoa, né? Peloamordedeus, eu não estou sendo uma reacinha, apenas julgo necessário o conhecimento para ter voz e para não sair difundindo tanta bobagem. Se não sabemos, calemos a boca, calemos os dedos no teclado. Não é vergonha não saber do que se trata - o mundo está cheio de movimentos, protestos, etc, fica difícil acompanhar tudo mesmo - vergonha é disseminar ignorância.     
O retrospecto brasileiro não deixa mentir: nossos protestos nunca são somente acerca do que se acha que é. Trata-se, muitas vezes, da gota d'água de uma recorrência de absurdos que vão minando a boa vontade de quem não faz parte de uma elite privilegiada. A já centenária Revolta da Vacina - 1904 - (lembram das revoltas da República do Café com Leite?), por exemplo, é um bom caso de uma sociedade com os nervos à flor da pele. À época, o mote do levante popular era a obrigatoriedade da vacina contra a varíola, encetada pelo sanitarista Oswaldo Cruz, porém, no fundo, também era um grito de insatisfação contra a alta dos preços dos alimentos, o voto de cabresto, a reforma urbanística proposta pelo Executivo, e que, por tabela, deixaria sem moradia milhares de trabalhadores, e por aí vai...
Eu sigo a favor dos protestos, é a nossa única arma para desestruturar realmente os poderosos - já que o voto não anda cumprindo muito seu papel. Contudo, há de se pensar: quem com 100% de certeza pode afirmar que os envolvidos nas manifestações sabem de fato o que fazem ali, pelo que lutam, o porquê da necessidade de se mobilizarem? Quem pode garantir que muitos não estão somente engrossando a massa de  baderneiros - como os discípulos do Mainardi gostam de falar?
    

domingo, 9 de junho de 2013

Brian e seu coquetel sábio

Brian Flanagan é dono de uma das réplicas que mais aprecio. Ou melhor, aprendi a apreciar. Sempre que eu não consigo assimilar o processo de maturação de algo - cuja tríade ''começo, meio e fim'' mostra-se inexorável - eu volto a pensar nas suas palavras. E a verdade é que, excetuando-se algumas situações - como uma ressaca, por exemplo - elas fazem um sentido brutal. Sim, alguém já deve ter dito brilhantes fonemas, talvez o Platão ou a Xuxa, mas só parei para analisá-los na voz de Brian, que é meu barman preferido desde que eu tomei uns drinks no Flanagan' s Cocktails & Dreams

- Não tem que acabar assim!
- Tudo que acaba, acaba mal. Do contrário, não acabaria.

Um relacionamento amoroso que finda, por exemplo, é uma incoerência, um disparate, uma piadinha para com os planos, os beijos trocados, os presentes dados. Ninguém começa uma história antevendo um final. Nem mesmo de um livro: quem nunca se iludiu que a leitura do querido duraria para sempre que atire a primeira página. Finais são um saco. Sofre-se por finais de paixões, de filmes, de livros. Sofre-se pelo final da lasanha do sábado à noite. Depois da última garfada, o vazio. Depois da última cena, a dor por ter que ler os créditos que sobem sem cessar. É como se tudo vivido antes fosse apagado. Lembranças boas my ass! Não existe lembrança boa. Se tortura, fazendo querer viver de novo, não pode ser bom.
Quem dera eu acreditasse naquela teoria que tenta apaziguar os ânimos, que diz que qualquer coisa que acaba é porque tinha que acabar, porque tinha que fazer parte da nossa vida em um determinado momento, mas se despediu porque tinha que ser assim. Eu, até hoje, não consigo superar Rhett Butler saindo porta afora, ignorando meus apelos, sem me explicar por que tomou uma posição tão desafiadora somente nos quinze minutos finais do seu filmezinho. Um antíclimax de soluçar. Frankly, my dear, eu precisava saber o que aconteceria! Ou melhor, eu precisava que acontecesse o que eu queria! Pior que um final, é um final pela metade.





Auxiliou no post:
Hope of deliverance - Paul McCartney






sábado, 8 de junho de 2013

Porta-voz dos desajustados, contadora de fábulas

Eu confesso: superestimei meu apego ao mercado factual, à massacrante rotina de eventos. Eu nunca nutri uma paixão desenfreada pela coisa, mas pensei que poderia tranquilamente tirar dela minha cota de dignidade na sociedade, minha parcela proletária feliz. Quem eu quis enganar? Eu sou só uma criança que queria escrever um mundo de possibilidades, contar histórias e inspirar com adjetivação despudorada. Talvez tenha errado a dose, eu nunca tive muito limite.
Aquela foi uma noite em que não consegui dormir. E os sentimentos atropelavam tudo que viesse pela frente - até o sono. Era uma mistura de vontades que não suportavam mais ser relegadas com um desejo de fazer acontecer imediatamente, sem esperar por respostas, vento a favor, previsão dos astros. Eu queria produzir, deixar um recado, um bilhete dizendo que voltaria, apesar de viver fugindo.
Eu queria ser repórter da editoria de comportamento, só isso. E seguir à risca o clichê que imagino na minha cabeça castanha. Investigar os males do coração, do pensamento e, quem sabe, curar com frases e exclamações. Só queria escrever o que eu quisesse, disfarçando minha indisciplina com um lead sedutor. Eu só queria ser a sua repórter, meu caro desajustado. A sua porta-voz, a sua amiga curiosa que conta fábulas lindas para você dormir e sonhar com os anjos, enquanto descobre seu passado e seu presente. Só isso.



quarta-feira, 5 de junho de 2013

Verborragia II - um apanhadão sobre hit parade, falta de saco, manual do flerte e Phil Collins

Às vezes, não é nem o caso de estar apaixonada pelo cara; é mais um exemplo daqueles pensamentos inconvenientes, hit parade da massa cinzenta, tipo “preciso passar no banco para encerrar minha conta” – que aparecem de hora em hora, por falta de algo mais interessante ou mais “pensável”. Na ausência de novidade consistente na vida, ele vai ficando, ficando e fixa raízes. Quando vê, a criatura ficou, grudou. E você lá gastando preciosos segundos de vida, pensando. Bem puta, bem raivosa, bem estafada, bem enojada do seu inexistente controle emocional, mas - ainda assim - pensando. Maldito gerúndio. Bem, maldito até que algo mais atrativo apareça, pois - não se enganem - sempre aparece. Enquanto houver feromônios, aparecerá. Como aparecem também as fases de escutar Phil Collins, balbuciando as letras na madrugada em um profundo estado de autopiedade e catarse. É bem verdade que nessas noites insones sempre rolam umas descobertas, naquele esquema “creio que realmente não me conheço’’, pois o susto ainda permanece entranhado. Então lá vai. Vou falar pausadamente para digerir junto com a plateia: eu não tenho saco para trovas. Eu. Não. Tenho. Saco. Metafórica e literalmente falando, claro. O fato é que eu não tenho saco para o exercício da trova amorosa, e isso me assusta, porque, oras, todo mundo tem saco para trovas na sociedade. Quem não gosta de ser trovado? Que tipo de alien soy yo? (aqui cabe um adendo: se você não é do sul, “trova’’ lê-se “flerte”, ok, forasteiro?) Eu penso que a trova é mentirosa, ainda que seja um eficiente catalizador de autoestima. O carinha que chegou elogiando meus textos, mas levou um forão agridoce e não disse mais nada sobre uma vírgula sequer que escrevi, não me deixa mentir. Depois da minha negativa, ficou evidente que ele pouco se fodeu para as minhas investidas literárias. Tudo começa com a trova, e é aí que reside minha desgraça, pois tendo o desprazer de me interessar por um forasteiro, só através dela talvez possa receber a atenção pela qual anseio. Será que existe flerte digno e incorruptível? Já diria o Nasi que o tal flerte é fatal, filhinhos. Fatal, fatalíssimo, e ainda tem um manual secreto, não? Compartilhado por meia dúzia de mortais cheias das artimanhas e donas de todo o charme existente na Terra – e que, não contentes, ainda formam uma sociedade secreta de como sensualizar sem perder a classe. Antigamente, eu levava super a sério essa lavagem cerebral que as revistas femininas vendem às discípulas, mas hoje eu só posso rir. Primeiro, porque já tentei seguir algumas instruções e me senti uma retardada mental - como se eu já não me sentisse assim sem ler os dez passos rumo à conquista do homem perfeito da página 45. E, segundo, porque eu realmente não sei flertar. Eu sou péssima em joguinhos, ohhh my god, eu não sei flertar. Eu demonstro interesse, quando quero dispensar. Eu dispenso sem querer, quando o que quero é pular no pescoço da criatura (aliás, aqui, cabe outro adendo: embora esteja super na moda, eu não sou vampira, ok). Eu sou um desastre romântico. E um desastre que escuta Phil Collins ainda, pobre de mim. Sabe, Martin Luther King Jr. tinha um sonho e eu tenho o meu: eu só queria que as coisas fossem mais espontâneas, como uma espécie de Código Morse do olhar que faria com que não gastássemos latim com flertes imbecis para aplacar a raposa da solidão. Eu só queria que, em vez de sair trovando adoidado, a gente já fosse se reconhecendo sem precisar dizer nada, entendem? Ah, e o sonoplasta até poderia tocar alguma do Phil, vai.