segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Eu não uso o Tinder

Veja bem, embora pareça, não quero me colocar em uma casta superior de meninas devido ao fato de não marcar presença neste fabuloso e lascivo aplicativo. Eu poderia facilmente instalá-lo também. Segura minha mão aqui e diz que me entende. O que me incomoda é colocarmos a chande de sucesso de nossas vidas amorosas nas garras de um celular, de uma máquina que nem sempre pode ser amigável. Claro que é preconceito, mas, por enquanto, penso que ele tem me salvado de algumas ciladas - sim, Bino, já ouvi histórias. Não é nada do tipo ''encontrei um maníaco sexual sociopata'', são aquelas bizarrices comuns a quem nunca olhou no teu olho, pegou na tua mão, dividiu teu fone de ouvido, riu tua risada. Aquela bizarrice de quem está ali só pela própria lascívia, robôs que nos tornamos. Robôs, pelo jeito, incapazes de olhar para os lados e fazer o acaso. Ai, o acaso...
Escrevendo isso, até parece que eu sou muito romântica. Acho que sou, mas não obviamente romântica, gosto do romantismo como segredo que só duas pessoas sabem, aquela piada interna - nada gritado em timelines, em apelidinhos conhecidos até pelos cachorros da casa. É aquela coisa maliciosa de quem tem um tesouro e fica rindo para desconhecidos na rua. Falando em romantismo (ou falta de), seguidamente me pergunto por que o desespero atrelado ao tal Tinder não me apetece. Nada que me tire o sono, claro, afinal quem manda nesta droga de vidinha sou eu, mas as amigas sugerem, o Zero Hora naquele desserviço que só ele sabe enumera casais que deram certíssimo através da coisa, o mundo conspira, os sábados solitários sem Netflix fazem pensar merdinha....... e aí, tu pensa ''mas e se eu fizesse um?''. Aff, sai pra rua, Bruna. Me re-cu-so. Posso até ser uma trouxa - sei que estão pensando isso - mas, hão de convir, uma trouxa de personalidade.
Sei que as pessoas aderem ao que quiserem, sei que generalização é leviandade, e sei que, embora eu tenha começado o primeiro parágrafo dessa droga dizendo que não quero me colocar como superior, já estou irremediavelmente me condecorando por não ser uma entusiasta do aplicativo. Não há o que fazer. Bem no fundinho, penso carregar resquícios byronianos na alma dos quais não consigo me desfazer - ou não queira, vai saber. A segunda geração faz isso com os impressionáveis e miolos-moles, quem pode me culpar? Não consigo pensar em amor, profundidade e devoção com tanta pataquada tecnológica. Bom, talvez logo eu faça um perfil, só pela zuerinha -  e para me livrar dessa sensação de que está acontecendo uma festa surreal por aí para a qual eu não tenho convite. Por via das dúvidas, dá um match lá na Madame Bovary.


                                                         EAE, TAMO NESSAS CARNE?








   

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

300

THIS IS SPARTAAAAAAAAAAAAAAAAA

AAAAAAAAA


AAAAAAAAAAAAAAAA

(GERARD BUTLER EM - FILMINHO EM QUE O RODRIGO SANTORO FEZ O XERXES)


Chegamos à trecentésima postagem aqui na bloga.
O que isso quer dizer? Nada.
Por que eu fiz relação com o filminho do Santoro? Porque eu sou idiota.
Achei que ficaria tendência.

Mas, olha, estava eu aqui pensandinho com meus botões........ tem coisa muito boa aqui. Sem falsa modéstia, tem textos em que eu sou genial pra caralho. Também tem muita porcaria, mas foquemos nas partes em que não provoco vômito geral. Bem que vocês podiam ler........ assim, uma lidinha não custa nada.

TEM 300 POSTAGENS, UAI
ALGUMA COISA HÁ DE AGRADAR


Fica o apelo.

Fiquem com o Gerard. Todo Sparta, todo gritãozinho, que meda.










segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Tira essa colher de açúcar do meu suco de abacaxi com hortelã

É curiosa essa história de não gostar de nada muito doce, afinal, açúcar é preferência nacional, não é mesmo? Mas comigo sempre foi assim. Mamãe conta - e talvez esta danadinha seja a culpada - que, quando preparava meu leitinho do crescimento, economizava na glicose - possivelmente já empenhada em me presentear com um spoiler de vida, quem sabe. Pouco açúcar em meus mamás, em meus suquinhos, em meus chás para curar gripe, em tudo. Logo, eu sofria quando ficava sob os cuidados de alguma titia desavisada, dificilmente tomando alguma coisa preparada por elas que pecasse pelo excesso. A coisa deveria conter algum amargor ou nada feito.
Cresci, esse ser humano deveras equilibrado e meigo, mas sigo sem gostar muito de açúcar. Nos dias e nos chás. Assim, não me olhe com essa cara, gosto de doces com convicção, inclusive, como toda ansiosa que se preze, recorro muito a eles em dias de cão, mas em se tratando do meu suquinho sagrado de abacaxi com hortelã: não. Não! Chega de açúcar no meu chá e no meu café também. Blergh. Tem que ter um quê azedo - este, no caso, simbólico pois tais bebidas não são passíveis de serem. Tem que ter um gosto diferente, não sei, Freud talvez explique - sempre ele. Assim como não gosto de colheres cheias de diabetes nas minhas xícaras, também não gosto de gente muito doce, muito calda repugnante. Pode não ser de comum acordo, mas geralmente, pessoas doces demais enjoam sem volta. Se me permitem associar: é como se elas fossem sempre cândidas, sempre protocolares, sempre risonhas - e isso é meio enfadonho, não? Quer dizer, dá dor de barriga.
Leitor, não me condene, não estou dizendo que sou fã de mau humor declarado e do azedo gratuito. Eu gosto é do azedume charmoso, porque, convenhamos, ele sabe ser bem cativante quando esculpido. Eu gosto é da palavra solta sem obviedade e que emudece os cheios de teorias prontas, eu gosto é da frase desaforada. Eu gosto é daquele amargor de quem não se leva a sério e vive meio atordoado pela pequeneza que tem diante da vida: o IBGE garante que os amarguinhos são bem menos arrogantes que os docinhos demais, os bonzinhos demais, os seguros e eficientes demais. Eca, repugnei aqui.
Se você chegou até aqui e ainda está se perguntando o que diabos eu quis dizer com toda essa conversinha fiada, sinto muito: é bem capaz de você andar enjoando meio mundo por aí. Sugiro testar a quantas anda sua taxa de glicose também. Um felzinho despretensioso e maduro é vida. E é prova de que a gente assimilou o jogo. De que a gente segue à espreita, sagaz.







Auxiliou no post:

Beatle George, com Someplace else, Love comes to everyone, All those years ago e I live for you 










sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Expliquitismo agudo

Eu sou uma explicadora. Demorou até cair a ficha, mas agora que caiu, só vai. Em virtude disto, eu tomo no cu de uma forma abismante todos os dias, mas não posso evitar. De ser uma explicadora e de me desgraçar da cabeça. Eu explico. Eu explico de novo. Eu faço questão de explicar. Eu passo por chata. Aliás, passar por chata é eufemismo e gentileza: a chatice aqui já foi somatizada. Tudo porque eu insisto em explicar. Eu contemporizo como ninguém. Vai ver é porque eu sou jornalista. Blé, grande jornalista.
Explicadores sofrem. Sofrem porque explicam. Explicam porque sofrem. E serão assim até o cerrar de suas cortinas devidamente explicadinhas para a plateia. Às vezes, no auge da ingenuidade, me passa a ideia de que eu tinha que deixar as coisas meio no ar, meio bolinha quicando antes de ser raquetada, a fim de, quem sabe, ficar até mais interessante para os que me ouvem. Como se eles fossem ir atrás do que eu deixei pendente quando explicava. Ledo engano. Ninguém se importa. Se foram, não fui informada. Quero explicações, a propósito.
É um joguinho da moeda cruelzinho esse. Porque os explicadores também querem respostas que venham ao encontro de seus anseios explicativos. Eles querem tudo mastigadinho e bem desenhado. Eles querem, esses arrogantes, uma comunicação bem feita. Para eles, isso é o básico, é o mínimo: ora bolas, se fazer entender. Eles não toleram meias explicações, meias verdades, meios fatos. Eles não suportam a bolinha solta no ar, sem saber para que lado da quadra ela vai pender.
Eu explico até quando sei que não vale a pena. Eu explico, mesmo sabendo que possa ser prolixa. Eu explico, porque vai me dando uma coisa louca e romântica como se o que eu digo pudesse mudar alguma vida, alguma sensação. Eu explico e isso tem nome: é expliquitismo agudo. Queria poder me curar.



Auxiliou no post:

Karma police - Radiohead






sábado, 13 de setembro de 2014

Sobre homofobia e os corações gelados

''Ai, porque agora tudo é homofobia...''

KIRIDINHA, QUEM SABE DÁ UM TEMPO NAS MARY KAY E VAI LER UNS LIVRINHOS, HEIN? QUE TAL?

QUEM SABE PARA DE COMPARTILHAR PORCARIA DO TESTOSTERONA, HEIN, FERA?

Desculpa aí, amigs, mas sim, praticamente todo um arsenal de piadas escrotinhas e insinuações que ouvimos desde a tenra infância são de cunho homofóbico. São cruéis, são nojentas, são mesquinhas, desde sempre. Devem ser criminalizadas com urgência. Pra ontem, meu país. É terrível que pessoas sejam humilhadas e, em muitos casos, assassinadas ainda em virtude de sua orientação sexual (lembra? não é opção sexual, é orientação sexual: ninguém escolhe acordar um dia com a boca cheia de formiga, ninguém opta deliberadamente pelo sofrimento, ponha sua massa encefálica para trabalhar, queridx!). O caso do adolescente morto em Goiás há uns dias, e que ganhou destaque na mídia, é mais um triste exemplo de mártir dessa intolerância travestida de fé e moral, incitada por Malafaias, Felicianos e outros defensores da ''família'' - como se a comunidade LGBT fosse contra a instituição familiar, né? Santa ignorância, Batman! Esse discurso de ódio não é mais questão de aceitar ou não, de exaltar os ânimos em uma discussão ou ficar de boinha, ele está matando gente, ele virou genocídio. Um genocídio naturalizado em nossas televisões.
Aproveitando o ensejo, vocês têm ideia do quão intolerante pode ser um grupo para incendiar criminosamente um CTG que iria celebrar um casamento homoafetivo???? Assim, me falta repertório para falar sobre, porque o fato é que eu cago lindamente para CTGs há tempos, sem falar que na minha casa, felizmente, papai e mamãe nunca me enfiaram goela abaixo tradicionalismos com os quais não me identificava e possivelmente nunca me identificarei. Tudo numa nice. MAAAAS poxa vida, seriam oficializados 27 casamentos heterossexuais. Que diferença faria as gurias casarem lá? O argumento é só o ódio? E o ''Liberdade, Igualdade e Humanidade'' da bandeirinha? Creio que era só pra bonito mesmo. Não posso nem dizer que estou com vergonhazinha de ser gaúcha porque francamente nada me surpreende: já estou careca de ouvir e ver demonstrações preconceituosas de muitos nascidos nesta terra - que é de povo muy culto e diferenciado, como é sabido por aí. Argh.
''Ai, Bruna, porque isso agora é modinha...'' ''Porque os gays querem é aparecer''. Olha, amigo, que bom que virou modinha. E quero mais é que essa modinha permaneça ad infinitum e mude consideravelmente esse status quo de Idade Média, em que direitos civis legítimos são encarados como privilégio e provocação. Se não estiver bom pra você, amigão, se muda pra Rússia - que por lá, as coisas estão regredindo assombrosamente. Certamente, seu coraçãozinho gelado ficará satisfeito.







    

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Frases Chorão

Ele me trocou por outra. Uma outra que curte Frases Chorão no Facebook. Não sei o que é pior: ter sido trocada por uma mina que curte Frases Chorão no Facebook ou ter me interessado por um cara que é capaz de gostar de alguém que curte Frases Chorão no Facebook. O fato é que isso me levou à questão do erro antes do erro. Ele não parecia ser o cara que curte garotas que curtem Frases Chorão... parecia? Quer dizer, ele não me deu pista nenhuma. Vivemos dias e mais dias, sem que eu suspeitasse dessa mácula horrorosa no currículo dele. Do cara que, hoje, pega a mina que curte Frases Chorão no Facebook, enquanto eu saboreio um James Taylor azedo no repeat infinito. Se existisse, eu curtiria a página Frases James Taylor no Facebook, só de vingança. Também faria um perfil falso, bem psicopata, e deixaria no mural dele em letras garrafais que não só não deixei de escutar ''Handy Man'', como também curti uma página, no caso Frases James Taylor no Facebook. Ufa.
Aquele boçal dizia que Handy Man estava, candidamente, me roubando de mim. Dizia que James estava me enlouquecendo. Que eu tinha que parar de escutar Handy Man e lembrar que o Paulo Ricardo fez uma versão lamentável dela em português, selando, assim, o nojo sem volta da melodia. Peguei foi nojo dele. Não como agora que ele saboreia a poesia de sua musa charliebrownica, claro, foi uma coisa mais branda. Mas vê-lo ser algoz de Handy Man não dava pra mim. Sempre optaria por Handyzinha e ele sabia disso
Até que ontem, revi-o na rua com sua nova namorada. Sim, a mina que curte Frases Chorão impunemente no Facebook. Os dois trajavam camisetas com os dizeres Família Charlie Brown. Ele segurava um skate. Ela tinha o desenho do rosto do Chorão no antebraço. Foi aí que eu vi que eles precisavam ficar juntos por toda a eternidade. Felicidades.   








terça-feira, 9 de setembro de 2014

Sobre a ceifadora e os lúcidos

E aí, proletários? Lendo muitos best-sellers sobre personagens com câncer que resolvem se pegar?

Vocês curtem sofrer, hein? Bom, cada um na sua. Mas que vocês já foram mais exigentes, isso foram.

Perdi um tio maravilhoso, há uns dias, vítima do mesmo mal explorado à exaustão nestes livrinhos muquiranas para entreter adolescentes mijonas. Que me perdoem as mijonas, digo, adolescentes, mas é, sabe. É um consumo muito óbvio, muito pronto. Enfim, foi aí que veio o pânico: eu preciso escrever sobre a ceifadora e tentar afastar essa nuvem de fumaça que parece estar rondando os meus. Nunca escrevi sobre ela - ao menos não com envelope endereçado, bonitinho e coisa - e a verdade é que nem sei se quero lhe dar uma sobrevida no presente blog, tô confusa, eis a questão. Queria tanto escrever que tô confusa e que essa confusão pudesse me absolver, mas sei lá. Tô me sentindo sei lá, acuada, pensativa, com medo de me encarar no espelho.
É dela, da ceifadora, a incumbência de nos torturar, sorrateiramente, nos embebendo em remorsos das mais variadas naturezas, com a questão-mor de nossas vidas: estaremos, nós, usando este tempo útil na terra de forma digna? Estaremos, de fato, aproveitando a existência? Que coisa desgraçante pra cabeça, não recomendo que façam isso. Porém, o trunfo dos pensamentos é esse: têm vida própria. E quando querem vir, vêm, donos de si, arrasando com qualquer calmaria. Ah.. essa foi boa, que calmaria?
São tempos diabólicos, mesquinhos, tecnológicos e enojantes demais. E provocar o discernimento, pensando de forma crua neles, somente piora tudo. Só sei que, eu pelo menos, não vou alcançar um pouco de paz de espírito, dando audiência aos livrinhos acima já esnobados. Me poupa, mundo, me deixa respirar!!!


Lúcido deve ser parente de lúcifer
A faculdade de ver deve ser coisa do demônio
Lucidez custa os olhos da cara


Viviane Mosé