quarta-feira, 31 de maio de 2017

A gente muda

- Coloca aquele blusão ali, de gola...
- Ew, não gosto dessa gola...
- Mas tu gostava!!!
- A gente muda, mãe...

E aí nasceu uma crônica. Percebam como trabalha a nossa mente. De nós, os cronistas. Percebam como é sorrateira a mente de uma cronista jovem e com idiotices mil na cabeça. Tudo é inspiração e ela não tem hora para chegar; ela vem, senta, pede um café. Eu sempre estou pronta, ela é de casa. Aqui, as blusas de gola não servem mais, perderam a validade, naaah, é como se eu me sentisse presa. A gente muda, e que bom que muda!! Porque ser sempre a mesma coisa enjoa, chega uma hora em que a gente nem se surpreende mais consigo mesmo - e isso é sempre um drama. Eu mudei um monte já, embora ache que não. Eu não suportava The Doors; hoje saio requebrando os quadris quando ouço a vozinha do Jim... ô, Jim, vem cá. Eu não bebia cerveja; hoje para me fazer feliz é só chamar para um rockzinho com 3 latões a 10 pila - pila mesmo, que aqui neste blog não temos mais tanta frescura ortográfica. Sigo querendo esbofetear uns quando vejo crases mal empregadas, entretanto. Sorry, I ain't sorry. 
A gente muda, e bom mesmo é quando a gente passa por cima dos próprios preconceitos e das próprias amarras mentais, quando entende que o universo não está assim tão interessado em nos ferrar e toda perseguição presumida não passa de síndrome de umbigo não resolvida. Não serei tão leviana ao falar de gostos pessoais, pois uma criatura que já leu esses sociólogos franceses da vida nunca mais enxergará meras preferências como obras do acaso, mas falo mesmo é dessa errância que nos põe para frente, que nos instiga... desses amores que nos atropelam e nos fazem sentir vivos, que ar novo é esse nos meus pulmões? Eu não gostava de gatos; hoje tenho em mim todos os gatinhos do mundo. Que lástima, sigo fazendo trocadilhos idiotas com autores famosos. Um beijo, Fernando Pessoa, eu te amo.
Mudar é bom, mas melhor mesmo é quando a gente não muda somente para agradar uma plateia, uma pessoa, um quase amor. Bom mesmo é quando a gente não muda de princípios e de caráter para caber numa situação, num projeto falso de felicidade. Mudar é bom mesmo quando a gente se reconhece naquela mudança, quando somos honestos com isso que chamam de essência. Por isso, não tem jeito de eu investir nessas botas pavorosas que vão acima do joelho. Exceto, claro, se eu for convidada para trabalhar no Xou da Xuxa, tudo é negociável.


QUEM QUER PÃO? 







domingo, 14 de maio de 2017

Mães guerreiras e filhos do Christopher

A maternidade me fascina, mas não de um jeito acolhedor, como se eu quisesse ser genitora algum dia. Meu fascínio é meramente curioso, um mero voyeurismo social de uma mente questionadora além da conta - e que sofre por ser assim muitas vezes. Quem entende de verdade as mães? 
Quem me lê há tempos, sabe que ser mãe não é um sonho na minha vida - desconfio de que nunca será -, porém não é por ser essa montanha de gelo que não se imagina chamando o Chris Evans II pro banho, que eu não me atraia pelo caráter político da coisa. Tá, pensei melhor: ser mãe dos filhos de Christopher seria lindo. Daria à luz um time de futebol-sete tranquilinho. Imagina que amorzinho todos andandinhos vestidos de Capitão América igual ao papai? De camisetinha do New England Patriots???? AWNNNNNNN OK PAREI   
O fato é que mães têm minha total compreensão e apoio, além de empática inquietação. Essa coisa que a sociedade espera, de que sejam heroínas, desfaleçam pela prole, se destruam por casamentos fracassados, abdiquem da vida pessoal pelo bem estar dos filhos, tudo isso me deixa doente das ideias. "Ai, mas não é bem assim, Bruna". Vocês sabem que é, apontar o dedo sujo para mulheres que são mães é esporte nacional. Talvez por isso, inconscientemente, eu tenha desistido da empreitada. Entre ser escrota ao afirmar isso e perder minha liberdade, ser escrota é minha meta desde criancinha. 
Mãe não nasce sabendo ser mãe. Essa brincadeira de cuidar de outro ser humano é loucura, vocês têm noção da cilada? Respeito muito, porque eu não tenho o dom. Admiro, mas também planto a sementinha da desobediência. Rebelem-se, mães! Ou me chamem para trocarmos umas ideias, sem julgamentos, sem seriedade, ao melhor estilo ''respostas sacanas para perguntas cretinas''. Eu, felizmente, mesmo sendo essa enviada do demônio, tive muita sorte na vida. Putz, sou abençoada! Tenho uma mãe fora de série, um verdadeiro mulherão da porra cuidando de mim desde que nasci, naquele domingo ensolarado de agosto. Mas minha mãe sofre, minha mãe não sabe tudo, minha mãe tem dúvidas, minha mãe já fez muita burrada. Não me levem a mal, mas sempre penso que nós, os filhos desses seres humanos incríveis, carregamos o peso de muitos traumas deles próprios nas costas. Vai saber se não é por causa delas que vivemos mergulhados em ansiolíticos e entupimos as salas de espera de terapeutas diversos? Ter ciência disso, na melhor das hipóteses, pode nos ajudar a julgar menos as realidades que se apresentam. Elas estão fazendo o melhor que podem - e tudo isso tateando no escuro. 
Por isso estas palavras hoje, nesse dia marcado por hipocrisias - como é de se esperar de todo amor mercantilizado por datas medíocres, que fazem com que nos sintamos uns lixos se não gastarmos uma nota numa cesta de café da manhã. Por isso não me apetecem, mesmo que façam muitas queridas alegres, dedicatórias como guerreira, deusa, etc. Ninguém conhece os medos dos guerreiros. E, no fundo, o que eles mais queriam na vida é que soubéssemos que eles também podem sangrar.
   







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Valsa Epônina - Izumi Tateno







    

sábado, 6 de maio de 2017

Eis um novo amor

Ofegante, saí do estabelecimento. Mal podia me conter, a boca seca, o coração acelerado, o gosto de novidade gritando na alma. Felicidade inundando o coração... sim, era ele. Eu ia ver ele, mal podia esperar para tocá-lo. Usá-lo até o máximo de suas forças, me esfregar nele - ele que me entende tanto e em tantos níveis. Meu fone de ouvido novo. Só meu - não divido fones, nem tentem. Acharam que eu falava do quê???
Só nós, os doidos por música, os que buscam sentido em cada pequeno fragmento de vida com um sonzinho espreitando as sensações, entendemos. Ah, claro, é possível que estas simpáticas merdas estejam nos deixando consideravelmente surdos, mas como arrancá-las de nossas vidas? Como simplesmente nos curvarmos a uma sociedade que não entende nosso (meu) gosto musical ridículo de trilhas sonoras dos anos 80? Não posso compactuar, prefiro o ostracismo. Sabe, quando ouvi a primeira guitarra de Brown Sugar gemendo, ali na rua mesmo, eu sabia que era amor. Aquilo ali é muito forte. Não tem como um dia dar errado quando se começa com Brown Sugar, é questão de lógica. 
Começar os trabalhos do sistema com o menino roque é aumentar a qualidade de vida em uns 50%. Ontem, por exemplo, foi o Jimi. Vocês têm ideia do que um Jimi Hendrix pode fazer pela vida de vocês? The Valleys of Neptune is arising.... é fato que Jimi e sua guitarra eram o mesmo ser.
Para segundas-feiras, eu sugiro começar com Hey ho, let's go, batendo o pezinho e tudo. Imagine-se em uma rodinha punk e o desgosto logo se vai... pode ser ridículo, mas que é uma injeção de energia, isso é. Qualquer dia, conto como uma das minhas melhores amigas e eu, bem patetas, participamos de uma sem nem mesmo saber do que se tratava. Ah, a ingenuidade das patricinhas no show de rock...
Para todos os dias da vida, sugiro Billy Idol. Vocês sabiam que faz uns 15 anos que eu amo Billy Idol? Nosso caso está debutando. E lembro como se fosse hoje da primeira vez em que escutei Dancing with myself, naquele filmezinho bobo do Patrick Dempsey quando era um pequeno ET em hollywood, o Namorada de Aluguel. Assisto com gosto até hoje, afinal, nem só de cineastas chatos e filósofos vive um ser humano. E a vida é curta demais para ficar aguentando fone ruim, dá licença. 



                                     Quando o fone do Billy falha de um lado só 



Auxiliou no post: 

White weeding - Billy Idol






quarta-feira, 3 de maio de 2017

LIVE AND LET SLEEP

''Se você ama deixe livre'' uma ova. Se você ama mesmo, deixe dormir. Live and let sleep... já diria Paul McCartney. Os amores só vão durar quando os amantes entenderem que precisam deixar dormir. Deixe sua menina dormir, parça. Se um cara aparecesse com um buquê de rosas e se declarasse para mim, é bem possível que eu achasse comovente, todavia, entretanto, contudo, se ele viesse com um vale-colchão da Ortobom a tiracolo... aí eu consideraria coisa do destino, do cosmos. Encontro divino de almas. 
Não aguento mais viver dentro do armário da produtividade, da vida saudável e ativa, do carpe diem... eu gosto de dormir, caralho. E sei que você também gosta, seu cretino, não precisa bancar o workaholic modelo. É, dá para ver no seu doce olhar, tão doce e tão cheio de olheiras. Por isso saio dignamente deste móvel escuro e hipócrita e assumo: eu gosto da coisa. Sim, eu gosto de dormir. Oooh yeah, baby, eu sou preguiçosa. Mas, pera lá, sou como Peter Parker nas palavras de Doutor Octopus em 2004: preguiçosa porém brilhante. Uhum. Sabe aquele sono de levantar desnorteado? Eu gosto, sociedade, eu gosto. Me julgue, mundo corporativo. Me julgue, chefinho. Aquela baba que eu deixo poeticamente no travesseiro é a prova de que tudo valeu a pena. Aquela baba tem história e resiste. 
Levantando, dia desses, de mais uma madrugada em que eu dormi umas 6 horas mas claramente foram 10 minutos, comecei a relembrar amargamente todos os minutos que enrolei para ir ao berço esplêndido. Aquilo dói. Aquele arrependimento lisérgico - quer dizer, você acordou mas não sabe se está ali ainda - que bate a cada toque do despertador e nos faz relembrar cada perfil ridículo do Facebook que visitamos sem necessidade, cada pseudo-conversa fracassada que alimentamos por puro ego, cada pesquisa esdrúxula que fizemos no Google por incapacidade de desligar tudo e arrastar o traseiro para a cama - tudo, tudo é remoído com requintes de crueldade a cada manhã. E quem disse que faremos diferente na noite seguinte? Passar o dia caindo de sono pelos cantos é o nosso esporte favorito. Medalha de ouro na categoria bocejinho resignado.  
O fato é que se trata de um assunto meio polêmico, pois minha geração anda com preocupantes distúrbios de sono, certo? E, não, não falo daqueles lindos que passam a noite inteira fazendo groselha na internet, dormem o dia inteiro e voltam à rede na noite seguinte para reclamar de insônia. Ainnn, e esse soninho que não vem? Se alguém vir meu sono, manda ele me procurar, hein? Hihihi. Vosso sono está enfiado aqui no meu cu, senhor. Insônia é diferente de não conseguir dormir por pura biologia desregulada, nos poupem dessa cantilena. Eu, felizmente, durmo bem, durmo como um anjo - mas sempre quero mais, podre que nasci. E milito abertamente pela descriminalização da furada com os amigos - com o parceiro, com a família - em prol de uma soneca bem tirada. Me deixem dormir em paz!!! Ou melhor, vamos dormir juntos. (postei e saí correndo)  



                                                               EAEW




PS: A Ortobom Enterprises não está patrocinando este post, mas É AQUELE DITADO