terça-feira, 22 de dezembro de 2015

5 ANOS DE BLOG - PARTICIPE DA PROMOSHARE


Hoje, nós da empresa, completamos 5 anos de blog. Vamos dar o play para entrar no clima:

                       
#POLÊMICA: sempre preferi o parabéns da Angélica em vez de o da Xuxa. O que não quer dizer que eu ame a Angélica, claro, por mim ela pode ir pra casa do caralho.

ENFIM, VAMOS CELEBRAR! 5 ANOS DE MERDA ININTERRUPTA AQUI! UHUL, HEIN?

Era 22 de dezembro de 2010, estava euzinha encerrando mais um semestre da faculdade de Jornalismo, meio desgraçada da cabeça (sempre, né), entediadíssima no Orkut, quando finalmente tomei coragem e decidi dar a cara a tapa. Trouxe todas as minhas tralhas para o Blogspot e a esperança de mudar alguma coisa. Infindáveis crônicas começaram a ganhar o mundo e a me deixar mais desgraçada da cabeça ainda: sei lá, escrever é uma forma de ficar nua, de se deixar analisar, de ser sincero até a última gota, e isso nem sempre é bom negócio. Mas, enfim, felizmente tenho sobrevivido sem grandes traumas - mas não sem grandes catarses, por isso esse nome maravilhoso. Eu comecei como ''Garota Agridoce'', aquele azedume travestido de Açúcar União*, mas amadureci as ideias e entendi que isso, essa tentativa literária fajuta, é uma catarse contínua, é um meio de me reinventar, de doer e alcançar a cura, de ser resiliente. E eu entendi mais ainda que as histórias das minhas crônicas quase sempre são as mesmas de vocês, e por isso mi catarse sempre será su catarse, caro leitor. Porque a gente está irremediavelmente no mesmo barco. Aprender a nadar junto é o grande desafio.
Nestes sei lá quantos dias, vocês sofreram e riram comigo - ainda que eu não tenha ideia de quem muitos são. Vocês aprenderam a pontuar vocativos e a usar crases, e a lidar com as mazelas da vida. Entenderam que eu sou um animalzinho sentimental e me apego facilmente ao que desperta meu desejo, tipo Chris Evans, bichaninhos ou sucos de abacaxi com hortelã. Tem dias em que a inspiração é pouca, mas o que vale é o ridículo de muitas vezes tentar. Acho que vêm por aí mais uns 5, 10 anos, quem sabe, de blogueação e invenção de neologismos. Desculpe aí, mas eu não tô nesse mundo pra mesmice e obediência.
Feliz dia 22 pra mim!
Feliz dia 22 pra quem me lê e já viu algum alento nessas humildes linhas.



*A Empresa União LTDA não está patrocinando esta postagem, mas né, estamos aí. Vai que.





terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Bruna, uma frutinha estragada


Tem uma prima minha que seguidamente fala ''Bruna, tu que lê bastante, me responde uma coisa''. Eu acho uma graça. Fico intrigada com isso, de verdade. Que eu leio bastante, realmente não é novidade para ninguém (basta perceber meu rico vocabulário, né, mores), mas ela supor que eu posso responder qualquer coisa me assusta, porque o fato é que eu não sei nada da vida. Quanto mais eu... vá lá, leio, mais imbecil me sinto diante dela. Digo, da vida, não da minha prima.
É claro que ela não diz isso para encher minha bola, falei mais para ilustrar mesmo. E é claro que pessoas que leem mais, tendem a ter mais respostas prontas na ponta da língua, é uma questão lógica de sincronia entre linguagem e discurso. Mas sapiência definitivamente não nos garante certeza quanto aos mistérios que nos cercam. É só uma tentativa, uma busca. No meu caso, leio mais como um sintoma desesperado de entendimento, como se disso dependesse minha sobrevivência, nada a ver com autopromoções - poucas coisas me enojam tanto quanto bajulação (não se deixem levar pela minha etiqueta astrológica). Eu leio mais mesmo é porque sou uma curiosa irremediavelmente desgraçada da cabeça. Porque preciso me entender e preencher os leads da minha existência. Eu leio porque não me levo a sério, e isso me mata um pouco a cada dia. Eu leio para me proteger. Porque sinto demais e tenho uma memória assombrosa, logo, tenho que teorizar um pouco dessa bagunça. E quando falo que leio com essa arrogância necessária, não me refiro nem a Kafkas e Dostoiévskis - essas instituições literárias que, embora geniais, são maçantes e complexas. Falo é de qualquer coisa que me caia às mãos. Falo é de uma esperança entranhada de que aquilo por que meus olhos, por ventura, cruzem acabe com minha errância. Falo de astrologia, filosofia de boteco, manchetes de jornal, cartinhas empoeiradas nas gavetas do meu quarto. Falo de ler o que está nas entrelinhas. Entre linhas, tudo é possível.
Vocês já devem ter ouvido por aí que as pessoas mais felizes são precisamente as mais ignorantes. Pois eu não tenho dúvidas disso. A gente não lê, aprende, assimila, whatever, para ser feliz. Saber é doer, meus caros. E quanto mais lemos, mais emaranhados em falsas certezas ficamos. As pessoas leem e aprendem porque o sistema quer os bem instruídos e os detentores de capital cultural, a fim, claro, de manter a verticalização - mas, vejam bem, o sistema não está preocupado com a nossa sanidade mental. Pensar enlouquece, e eles não querem maçãs mentalmente podres. Eles querem é maçãs brilhantemente técnicas e eficientes. Já os frutos que levam indagações genuínas em suas sementes ficarão sempre à margem em uma árvore qualquer por aí. ''Tu que lê bastante, me responde uma coisa...'' 
Antes soubesse, minha cara, antes soubesse. Eu, no máximo, me desculpo por ser uma frutinha estragada.







sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Estepes & trepa-trepas

Ninguém fala muito a respeito, mas no fundo todo mundo sabe. Todo mundo sente quando é segunda opção. Se você não é segunda opção, que bom, parabéns, seu troféu está a caminho. Claro que há uns poucos sortudos e sortudas que não pegam fila, mas no geral a competição pelo coração alheio é mais cansativa que uma São Silvestre. Estudos apontam - sim, porque os estudos sempre apontam - que não está não sendo fácil, está é sendo impossível mesmo. Kátia, me ajuda. Ajuda nóis.
Os segundas-opções são ótimos, eles nem sabem que são, mas têm um sorriso inocente que ilumina o mundo. Sorriem sem motivo, são bobos alegres. Mais bobos que alegres. E sobrevivem da caridade de quem os detesta. Ou melhor, de quem os visualiza, e não responde - educadamente, claro. Poucas coisas são tão irritantes quanto ser ignorado com parcimônia. Se fosse com grosseria já era meio caminho andado para o ódio se instalar, que ódio também é vivência e catarse, não sejam tão católicos.
No fundo, esta crônica é um grande desabafo pois o fato é que eu estou no fogo cruzado. Eu faço de segunda opção e sou feita dela também. É uma via horrorosa de mão dupla. Nós fazemos isso, todos temos nossos estepes - como aprendi erraticamente desde novinha neste jogo sujo que é banda do clube dos corações solitários. "É a vida", dirão alguns, e não é impunemente que ela anda tão mesquinha. Eu não sei as circunstâncias por que muitos endureceram e perderam la ternura, mas não tenho dúvida de que é um conceito equivocado. Nem vou apontar soluções, quero mais é que a gente exploda nesse inferninho de superficialidade. Explode, imbecil, explode.  
Quando o Thiago preferiu a Patrícia, em detrimento do meu coraçãozinho pueril, lá pelos idos de 95 (caraca, 20 anos da pré-escola!!!) eu vi que o amor era um joguinho do mal e injusto. Assim, o Thiago até dividiria a gangorra da pracinha comigo - desde que Pati, a soberana, não estivesse por perto. E aí eu ficava lá com as migalhas de Thiago, invejando ela na apresentação de Natal, a vitoriosa, a dona do coração do lordzinho, com uma sensação horrível sufocando a garganta e pensando que eu era pouco para aquele simpático bananinha de 6 anos. E poucas coisas são tão tristes quanto se sentir pouco para alguém. Eu queria ser a Pati. Eu queria que o Thiago me olhasse como olhava ela - ela, que estava de olho mesmo era no Rômulo. A paixão e suas conexões perversas, uma quadrilha Drummondiana desde sempre.
Cresci, e esse sentimento não me deixou completamente. Eu sei que não deixou vocês totalmente também. Para todos os efeitos, seguiremos sendo crianças na pré-escola. A diferença é que agora não é possível chorar por qualquer coisa no meio da aula. E eu superei o Thiago, até porque ele não tinha personalidade para brincar no trepa-trepa comigo. Espero que siga trepando bem mal hoje em dia.



                           (essa montanha de ferro foi e sempre será minha Disney)





Auxiliou no post:

Ela disse adeus - Paralamas do Sucesso



''Sempre o último a saber...''








terça-feira, 8 de dezembro de 2015

007 Contra Spectre

Estou há dias para escrever isso. Fui ver Spectre. Pausa pra emoção fluir. Que puta filme! Socorro! Saí meio abestalhada da sala de cinema, fazendo dancinha e tudo com a clássica musiquinha, mas com o coração esmigalhado por nosso menino prodígio da MI6 haver dito em certas entrevistas que não vai rolar continuação - não com ele. Tudo indica que Daniel Craig despediu-se mesmo de suas funções como 007 - e lá vamos nós na empreitada de achar um substituto à altura dos socos ótimos que ele levou nos últimos 9 anos. Não sou especialista em Ian Fleming - guardem as pedras, please -, mas convenhamos, o ator britânico imprimiu ao agente secreto uma veracidade que há tempos não víamos no personagem.
Bueno, nesta nova cilada, Bond, James Bond, segue sendo um moço muito do indisciplinado e viaja ao México sem conhecimento de seus superiores, a fim de investigar uma ligação - a ligação que que dá nome ao filme - e eliminar um tal Marco Sciarra, um dos tantos terroristas que o loirinho fez evaporar do planeta. Quando seu novo chefe, agora interpretado pelo ótimo Ralph Fiennes no lugar da saudosa M de Judi Dench, descobre as suas ações não declaradas, o suspende imediatamente e ordena que o simpático e eficiente Q (Ben Whishaw) implante um chip em sua corrente sanguínea com o objetivo de monitorar seus passos. E paro por aqui, porque as sequências estão é de se descabelar na cadeira. Eu fiz. Bom, eu me descabelo por qualquer coisa, não me tomem como parâmetro.
O que mais me instigou na nova história foi o modo inteligente como diretor e roteiristas entrelaçaram-na às sinopses de Cassino Royale (2006), Quantum of Solace (2008) e Skyfall (2012), isto é, se vocês acharam que havia terminado, não terminou coisa nenhuma, meus queridos. Sentem que lá vem história! E que história, queria ter contado quantas vezes coloquei a mão na boca durante as quase 3h de duração. Fiquei salivando por mais. Merecem destaque o novo vilãozão super do mal do Christoph Waltz (sim, o carinha do Django Unchained está muito diferente!!!) e a bond girl da Léa Seydoux, que interpreta, óbvio, muito mais que um reles apêndice de James Bond: a moça guarda segredos que dão fôlego considerável à trama. E se vocês estavam com saudade de ver nosso pequeno órfão inglês apaixonadinho como em Cassino, preparem-se para emoções. Bond, mais que ser letal e ter licença para matar, vai mostrar que sabe amar. Vem me amar também, Bondzinho.
As paisagens exploradas em belíssimas fotografias, como desertos, caveiras mexicanas, perseguições em ruelas italianas e alpes austríacos são uma pintura à parte: vocês sabem, Hollywood sabe como nos deixar de queixo caído. É claro, meus caros, que se vocês não viram os antecessores, vão achar tudo meio sem graça e sem nexo, mas em suma o filme é um deleite. Eu sou suspeita, sou uma entusiasta de 007 há certo tempo. Lidem com essa mácula adolescente no meu currículo. E lidem, se conseguirem, com a música-tema cantada pelo novato Sam Smith combinada a uma abertura surrealmente linda. E eu achando que ninguém superaria o vozeirão da Adele...


                                      Um martini, please! Batido, não mexido.