quinta-feira, 21 de maio de 2015

MERITOCRACIA MY ASS

Ando pensativa sobre meritocracia, merecimento, no pain no gain, fika grande porra, cresce caralhNÃO PERA ME PERDI

Voltemos. Eu ando meio incomodada com algumas coisas que vejo por aí - no Facebook, claro, principalmente, porque é ali que a vida acontece - e isso tem me martelado na cabeça. Assim, a gente sabe que merece as coisas, né, poxa, todo mundo merece ser feliz, blá, blá, o sol nasce para todo mundo, ok. Só acho muito curioso que os outros outorguem merecimento a nós. Sério mesmo? A sensação que me dá é que há uma linha divisória entre os que merecem ser felizes e os que não merecem - tudo porque alguns conquistaram um diploma, por exemplo. Ok, um diploma é muito válido, mas convenhamos, muitos de nós que temos um não fizemos mais nada que nossa obrigação, isto é, honramos a caminhada de ter recebido tudo de mão beijada sempre. A ordem natural era essa, não tivemos que sair muito da zona de conforto de termos nos desenvolvido sem grandes traumas. Quer que desenhe? Nunca passamos fome, tivemos teto e cobertas quentinhas, tivemos bons genitores dedicados ao nosso redor, estudamos em escolas razoavelmente bacanas, brincamos saudavelmente..... aquele arroz com feijão básico, mas que muitos por aí não têm ideia do que seja. Eu, por exemplo - só pra vocês não saírem falando que eu aponto o dedo pra vidas que desconheço - tive, tirando algumas chatices comuns no percalço, um desenvolvimento muito sadio e uma vida muito da mansa até hoje em dia. Não falo isso de maneira esnobe, por favor, mas só a fim de ilustrar o ponto onde quero chegar. Muito do meu círculo social e das amigas com quem me relaciono idem. Logo, eu pergunto: qual o meu mérito em ter um diploma, ser uma pessoa decente, essas coisas? Eu não fiz nada mais que o esperado. Parabéns pra mim, valeu, mas ahh não vem comentar em foto minha que ''eu mereço muito'', ''eu sou uma vencedora''. Caro meritocrata, vai tomar no cu.
Dia desses, eu e umas amigas comentávamos sobre um menino que estudou com nós e era conhecido por ser um boçalzinho. Conhecido por nós, claro - já ele, se achava um rei e um rei muito amado, como não. E pior que no perímetro sádico do colégio - aliás, tal colégio era privado, guardem as pistas - ele era realmente. Hoje em dia, ele está bem colocado, é um figurão, um vencedor na vida, isto é, na linguagem dos yuppies de plantão do Patrick Bateman. Mas nós, que convivemos com aquela joia, sabemos bem o cuzão com quem estudamos. Um cuzão inofensivo, claro, pagador de seus impostos e cidadão de bem, mas que atualmente bate panelinha e vai pra rua. Um protótipo nato daqueles bichinhos que são criados em escala industrial nas escolas particulares deste Brasilzão. Mas, sabe, não me entenda mal, ele é merecedor de todo o sucesso de hoje. Eu realmente não acho que ele esteja onde está em virtude de um possível prestígio paterno. Seu diploma ainda deve guardar o suor seco dos dias de sacrifício que possivelmente atravessou. Trata-se de um futuro digno para um rei que sempre foi. Impossível este texto não soar rancoroso e - dada a miopia interpretativa dos que às vezes me leem - invejoso. Eu vou ter que correr o risco, sabe? Meritocracia my ass.





domingo, 10 de maio de 2015

À minha ''baby galota''

Não vou resvalar no clichê de dizer que ''minha mãe é a melhor do mundo'', isso é uma falácia ridícula. Mas, sem dúvida, ela é a melhor que eu poderia ter neste mundo - muitas vezes sem ser digna de tal. Sou abençoada. Só que, segundo ela, eu faço por merecer tudo de maravilhoso que ela faz. "Eu amo meus filhinhos amados'' - ela diz, como que tentando justificar todas as renúncias que fez e faz por mim e meu irmão. E eu rio condescendentemente porque sei que filho também sabe ser bem cruel quando quer. E seguimos neste equilibrar de fraquezas e erros com um balaio de amor e cumplicidade. Porque, apesar das diferenças evidentes, somos cúmplices. E falamos com vozes de criancinha. E eu, passional que nasci, falo tudo que me vem à cabeça com cobertura de chocolate. E chego a enjoá-la de tanto açúcar. Eu enjoo todos, vocês sabem.
A gente não tem uma relação perfeita. A gente já brigou muito. Felizmente, esses tempos ficaram na adolescência, aquela demônia, e hoje em dia quase podemos brincar de perfeição. Atualmente, mais politizada e consciente do meu papel, eu tolero mais, eu converso mais, eu escuto mais a minha amada. Eu trato de fazer valer todo o amor com que fui recebida naquele domingo de 1989 - ensolarado e lindo, como ouvi dizer. Eu trato de ensolarar os dias dela com piadinhas bobas e camas arrumadas, que este capricórnio é uma coisinha irritantemente organizada e avessa a bagunças. Para ela, também não deve ser fácil conviver com um leãozinho imaginativo, preguiçoso - que quer brilhar sem trabalhar muito -  e que tem tendência suicida de brincar com a paciência e os horários alheios. Aliás, tem isso: mamãe é insuportavelmente pontual. ''Tu tem que viver com mais aventura, mãe!'' - eu digo. E a gente cai na risada, porque sabemos que nenhuma de nós vai mudar. Mas a gente se ama. Muito. Demais. Incondicionalmente. E se ajuda, se fortalece, principalmente, porque somos mulheres e entendemos como é ser e vivenciar toda a construção social que deriva disso. Eu empodero minha mãe todos os dias. Mais que tratá-la como uma divindade - que embora eu suspeite que ela é, tamanha dedicação -, eu aprendi a enaltecê-la como sujeito de sua história. Eu escondo aquelas revistas femininas que ela compra, digo que ela é linda e não precisa delas. Ela me xinga e diz para eu parar de ser chata. Eu digo que minha chatice é crônica e necessária, e ensaio um papo cabeça. Ela ouve e arremata: como tu fala bonito, Bruninha! O que seria da minha autoestima jornalística sem essa linda? O que seria de mim sem esse colo que parece me blindar, de maneira sobrenatural, de todo e qualquer mal? Eu seria algo, com certeza, mas possivelmente alguém vazio, alguém opaco e sem vida.
Eu simplesmente amo como ela sabe ser prática e eficiente em tudo que faz, ao contrário de mim, que sou uma lesma e me distraio até com a brisa passando. E amo o fato de ela ter uma espécie de coringa para me consolar sempre que possível - os coringas mudam, mas geralmente atendem pelo nome de ''presente'', do latim agradaris filhes adultis mimadis. E pior que eu nem sinto vergonha. E se não é problema pra mim, não é pra mais ninguém.
Mamãe e eu adoramos ABBA, mas eu queria que dividíssemos mais bandas, aquelas barulheiras que eu escuto e vão ''me deixar surda''. Porém, em algo somos convictas: Crazy, cantada pelo Julio Iglesias, é uma coisinha muito desestabilizadora. Eu fico com os roquinhos e ela fica com as tentativas de me fazer tirar ''aquela merda dos ouvidos'', essa linda, que sabe bem a teimosia que carrego no sangue.
Minha mãe é um doce, um amor, um coração maravilhoso, é o meu coelhinho de estimação, minha terapeuta, minha paz, minha filhotinha, meu amor. Meu irmão e eu somos muito sortudos na vida por ter alguém tão iluminado ao nosso lado. Feliz dia, minha baby galota. Mesmo que seja um dia babaca e comercial e que a gente não precise dele para sentir o laço indescritível que nos une e.........

OK, PAREI.









  

terça-feira, 5 de maio de 2015

Vamos pro bar? Vai tocar Cartola feat. Dj Superego

Um dos grandes ônus de ser cronista, na minha humildíssima opinião, é se colocar, muitas vezes, como um cagador de regra em potencial. É incômoda a sensação, detesto. Mas ajo como uma, não nego. Existe um acordo sutil entre criadores de textos opinativos e leitores destes mesmos artigos baseado na cumplicidade e identificação de ideias. Se me permitem: um fã-clube. Olha, longe de mim achar que eu tenho fãs, de ver-da-di-nha, eu tenho noção do ridículo, mas inevitavelmente crio uma relação com inúmeros estranhos que comungam das minhas impressões. Relações de admiração talvez. Repulsa idem. Por menor que seja meu perímetro de atuação, ainda assim haverá - sempre haverá - alguém me lendo. É a lógica da exposição. Uma vez exposta, haverá um dedo indicador, nem que seja para rir da minha cara e dizer quão patética eu fui.
Eu gosto de ser cronista (a propósito, não gosto de me intitular assim, whatever) desde sempre. E penso ter facilidade para a coisa, inclusive já tive muitos feedbacks bons - bobinha essa Bruna, os feedbacks, até mesmo os falsos, sempre são bons, do contrário as pessoas não diriam. Enfim, o pessoal se identifica, eu fico felizinha e abro um sorrisão, e vamos tocando. Mas, no fundo, eu sigo pensando: que sei eu de definitivo sobre isso? Que maçada! Acho que a coisa é mais existencialista para mim, por não escrever em um canal hegemônico e etc, afinal, alguém imagina um Antônio Prata, uma Cláudia Laitano da vida com mimimi depois de receber seu contracheque generoso? Ok, eu não sei bulhufas do salário do Prata nem da Cláudia, mas vocês me entenderam. Eu sou um nada. Se eu ainda fosse um nada em um canal midiático tido como incontestável e de irrefutável abrangência, não perderia tanto o sono. Mas sendo mais um nada no rol de nadas do Blogspot, o drama é inevitável. Mais ainda porque eu levo isso a sério. Eu sinto uma paixão desgraçada por escrever. É bem verdade que eu também quis ser estilista, investigadora da polícia e psicóloga, mas, desde meus 12, 13 anos, eu sabia intuitivamente o caminho ingrato por onde a vida me levaria. Vida, sua raposinha.  
Sei, claro, que há pessoas bem resolvidas que assimilam candidamente que o texto opinativo é - mais que uma verdade absoluta - um chamamento à reflexão, à divagação, à conversa de bar regada a um chopinho, porém não me escapa a ideia de que o outro lado da moeda também se impõe. A cagadora de regra em potencial sempre é feroz, o nosso id adora nos torturar com requintes de crueldade, vocês sabem. Felizmente, nascemos fadados à falta de originalidade também devido ao superego, esse bom moço.
Em suma, essa crônica - ou projeto de - é mais para acalmar os ânimos, dar uma segurada na onda, dar uma freada na ambiência aparentemente irrefreável que os cronistas carregam consigo. Eu não sei nada, cara. E caso saiba, possivelmente vou ser mal interpretada, isso é a nossa - ou só minha, vai saber - missão na terra. Falar o que não quis dizer e se meter em confusões provenientes de carência galopante. Coisas do ego, esse fanfarrão. Essa tríade ainda nos mata de desgosto, hein? Ou de prazer. Só sei que eu vou pro bar, que vai tocar Cartola.



                                                                     Não me diga isso.







sexta-feira, 1 de maio de 2015

Verborragia III - O que eu sou mas talvez nem tanto, agora já nem sei

Frequentemente, me pergunto que tipo de ideia passo na internet, aqui no blog mais precisamente, porque, vocês sabem - e não adianta torcer o nariz -, somos atores sociais. A gente se reinventa bastante dependendo das circunstâncias. Eu fico nessa noia e me questiono, tipo ''naquela postagem fui muito babaca'', e, na real, eu tô mais é pra um animalzinho com a pata quebrada atrás da moita. Não sei se minhas palavras sempre condizem fielmente com o que eu sou, isto é, eu tenho certeza de que sou uma pessoa afável e boa de se estar perto, mas possivelmente não me venda assim muitas vezes. É a lua em Áries, certamente. Odeio vendas.
Eu só queria mostrar meus textos pra blogosfera, minhas impressões e o modo como junto os períodos pro mundo. Fazer uns eufemismos gostosos como quando o pé amortece e a gente fica evitando o desconforto, até que é preciso colocá-lo no chão. E também brincar com a possibilidade infinita das hipérboles, pois, desde que eu escutei nos anos 90 que o Cazuza trouxe mil rosas roubadas, isso me ganhou de um jeito único. Sou louca por figuras de linguagem, e o exagero como piada me motiva. Eu fico pensando, claro que sim, no que acham que eu sou. E a verdade é que eu sou absurdamente inofensiva. Eu sou impressionável num nível pateticamente ingênuo. Eu não levo quase nada a sério e me estrepo por isso. Eu sou intensa mas nem sempre coloco isso pra fora: tive a certeza de que isso me deixou doente há uns três anos. Eu sou ciumenta de coisas bobas, mas tento fingir que sou descolada. Eu sou uma orgulhosa cretina - nem sempre também, porque quando tiro pra esfregar o rostinho do amor-próprio na sarjeta... meu amigo, devo ser insuperável. O talzinho é uma parábola ótima. É bom ter, mas até ali: daqui a pouco você já tá ''se achando'' e fazendo inimizades sem sequer ter saído de casa. O ser humano é fabuloso, adoro. 
Nunca comento em fotos de amigas que elas estão lindas, ainda que elas estejam lindíssimas. Nem gosto que comentem isso nas minhas, por mais que, de fato, eu esteja. Acho lisonjeiro. Demais. Irritante. Pernóstico. Demais. Nem precisa. Mamãe já me acha um arraso de moça. E quem quiser comer, vai dar um jeito. Eu sempre fui da bagunça, daquilo que ninguém espera, da provocação. Eu gosto de dar uma chacoalhada na vida, de gente que não se leva a sério. Mas talvez eu erre bem mais sendo assim. E os erros sempre voltam para fazer um terrorismo digno. 
Eu furo programas com amigos pra ficar dormindo. E eu entendo perfeitamente quando isso acontece de volta, porque dormir é um direito sagrado que deveria estar previsto na carta magna do país. Eu realmente acho que nunca vou enjoar de Friends e espero: seria péssimo se isso acontecesse, nada mais faria sentido. Eu sinto um misto de satisfação e humilhação ao constatar que danço igual a um minhoca com lordose. Eu enrolo para tomar remédios e, dependendo da situação, minto que os tomei. Eu já decidi que não quero ter filhos, mas acho que isso vai mudar quando eu amar loucamente algum cara e for correspondida por ele, quer dizer, a vontade de eternizar o gene amado deve ser uma propensão biológica, não sei. Comecei a reconsiderar porque finalmente coloquei na cabeça que o amor é uma força poderosa. Mas isso só vai ser possível quando eu parar de olhar somente pro meu umbiguinho feio, não posso esquecer. Só vai ter sementinha se for de arrebatar. Eu adoro matar baratas, chego a persegui-las. Adoro mudar meu cabelo, por mim eu andaria com uma peruca diferente a cada dia. Pra mim, não existe bom humor matinal espontâneo - existe robô matinal. Ou sarcasmo matinal, puta merda, amo sarcasmo e gente adepta da coisa. É quase um imã destrutivo, um abismo ornamentado de hibiscos. Não gosto de flores. Se me der uma crise de riso, é mais meu estilo. Do meu clã familiar, sempre fui a mais dramática, chorona, carente, pegajosa, errada, falante, gritona, briguenta, cheia de teorias e musical. E, claro, a mais sozinha.     
Vocês leem meus textos mais que eles, já me acostumei. Aliás, eles não leem, só passam os olhos em sinal de caridade corporativa. Quem me afaga é estranho. Mesmo assim, os amo com paixão e desespero. E agora estou desesperada porque escrevi tudo isso, e vi que ainda não me conheço. 




Auxiliou no post:

Dying - Hole