sábado, 31 de dezembro de 2011

Ten years gone

          Parem esse mundo imediatamente, que eu quero descer já! Fui acometida por uma crise terrível de nostalgia aguda. Putz... ao dar uma passeada por sites e redes por aí, acabei me dando conta de que, dia 29, fez dez anos da morte da cantora Cássia Eller. Não tentem me entender, não sairá nada que preste dessa postagem, mas sabem quando acontece uma coisa meio lispectoriana? Estava eu, aqui, bem serena e distraída, quando caí na real de que há uma década, eu era uma cria pré-adolescente e...
          O que eu tava fazendo que não vi o tempo passar? Nossa, parar um segundo para analisar um período tão grande provoca uma canseira desgraçada, além de um sentimento de saudade inexplicável, umas risadas bobas saltando dos lábios e algumas conclusões meio tortas: sabem como é, nunca se sabe se o caminho percorrido até o presente foi o mais acertado. A gente vai vivendo, vivendo, vai levando, vai se enfiando em umas tramas sem pé nem cabeça, em uns roteiros meio vagabundos que não dão garantia nenhuma de sucesso, até que chega onde tá, no hoje e no agora. Aí se enxerga no espelho, faz um muxoxo e diz para si mesmo: "até que não tá nada mal" ou um "caraca, velho, que que é isso, pode me explicar?" E segue, porque sempre haverá caminho, enquanto houver respiração. "É tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros''. E não é assim mesmo, Seu Caio?
          O ano era 2001. KLB dominava as paradas de sucesso e Leandro, o meu coração e meu guarda-roupa com seus pôsteres espalhados. rs // E a tal cantora de voz contundente nos deixava. Perceber isso me fez ficar igual a uma estátua, relembrando idiotices características dos meus onze/doze aninhos, umas histórias absurdamente ridículas e fantásticas e, como não poderia deixar de ser, pessoas que passaram por mim. Quanta gente é possível conhecer numa vida? A Bruna de dez anos atrás é a mesma dos dias atuais?
Ah! Podiam lançar um álbum de inéditas da Mrs. Eller, né?

É, Led que o diga... "ten years gone..."

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

"NADA HAVER"

         Já havia feito um post muito didático e fofinho com dicas lindas de Português, baseadas no meu reles conhecimento na área, né? Também já falei que eu sou uma entusiasta da palavra bem escrita e empregada, né? Claro, claro, não sou isenta de erros, tenho meus deslizes, odeio escrever algo errado (dia desses, coloquei acento em "melancia" KKK), mas nunca negligencio minhas ações: ando com um dicionário fascinante a tiracolo. (e morro de amores pela minha gramática do terceirão!) Amo eles, somos grudados! s2 // Faço erratas, enfim, não me lixo para o que escrevo. Onde já se viu uma foca recém saída dos corredores acadêmicos, sem capricho gramatical? Penso que isso seja elementar, meu caro Watson.
          É bem verdade que eu apanho lindamente da ênclise, da mesóclise e da próclise e de alguns hífens cretinos, mas podem ter certeza de que o ato de usá-los corretamente já está na minha lista prioritária de coisas a se fazer no novo ano que aponta no horizonte. rs // Cara, tô enrolando e enrolando, mas a verdade é que no meio de tanto assassinato linguístico, há um que anda me irritando de uma maneira singular. Nesse mar imenso de "concertezas", "simplismentes", "encômodos" e tal, o "nada haver" tem despertado meu ódio mais insano. Não sei se há explicação plausível para o verbo haver usurpar descaradamente o lugar da preposição "a" e do verbo "ver", mas, poxa, né? O Google tá aí, lindo, leve e solto, sem falar que, hoje em dia, tanta bobagem é pesquisada na internet... penso que não custaria nada dar uma olhada em sites de ajuda e afins para tentar não escrever tanta asneira. Honestamente, nada haver não tem NADA A VER!
          Deixem titio Pasquale orgulhoso, amem a língua e não sejam relapsos: parem de se exibir com músculos e bundas e tentem ganhar a admiração alheia pelo que escrevem e dizem. Que tal? Tô tão careca de ler esse tipo de coisa, que quando vejo um "nada haver" maroto por aí, só consigo imaginar um papo indígena, galera:

- O que houve nessa taba, camarada?
- CACIQUE DIZER QUE NADA HAVER NA TRIBO, RUMM!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Da série: diálogos agridoces

QUE FASE!

- Bem no fim, às vezes a gente foge é pra não ficar refém mesmo.
- É... pode ser isso, por mais que eu não assimile muito bem.
- É o álibi dos medrosos, percebe? Eu assumo.
- Ou dos sensatos, vai saber...
- Eu nunca fui sensata, amiga.
- Taí uma verdade, hein? É medo, então.
- Tá, pode ser sensatez mesmo. Acho que tem um momento em que tu vê que tomou tanto na cara, que se obriga a fugir, ou melhor, ser sensato. Nem que seja uma sensatez velada...
- Grata por confundir minha cabeça. Tu me fez ver que tô na mesma sinuca.
- Lembra quando eu te disse que amava ele de um jeito meio doente, de um jeito que tava me deixando meio doente..?
- Não foi comigo que tu falou isso, meu caro Watson.
- Puta merda! Será que eu sonhei, falei isso com alguém ou disse isso in loco pra criatura?
- Certeza que o argumento de "Insensato Coração" foi inspirado na tua vida amorosa, cara.
(risos)
- Certeza que tu tá me tirando, sua louca! Nem olhava essa novelinha de quinta. Lembra da conversa, né?
- Não, não foi comigo. Do jeito que tu é surtada, é bem capaz de tu ter ligado pro Don Juan de Marco de araque e falado palavra por palavra.
- Aí me lasquei, né? O gelo teria explicação, ele deve achar que eu sou uma psicopata.
- E taria muito certo na observação, não?
- Cadê tua porção compreensiva quando eu preciso dela?
- Ai, não é tão mau assim, amiga! Se falou, acho muito digno.
- Ah, sim, digníssimo! Ainda mais bêbada!! Quem vai querer uma esposinha com cadeira cativa no AA?
(risos quilométricos)
- E se tu não tava bêbada? Uma vez tu me disse que se declarou, sóbria, à tarde, no hall de entrada do escritório...
- Ih, pior que foi, mas meu príncipe é tão malandro que nem notou. Usei mensagens subliminares, ele boiou total.
- Ninguém entende tuas subliminaridades, maninha, vai por mim.
- Tá curtindo me zoar hoje, né? Acho que vou ali no apartamento do lado dizer pra um tal de Carlos Eduardo que ele tem uma voyeur que gosta de espiá-lo nu, há uns...
- SHHHHHHHHHHHHHH fica quietaaaaaaaaaa.
- Tá, e se eu tava bêbada de paixão? Sacumé eu apaixonada... não respondo por mim.
(risos)
- Ah, cara, eu sei como tu se sente.
- Qualquer uma sabe como eu me sinto. Somos membros de uma confraria, querida.
- Tá, mas o que tu ia dizer mesmo.. sobre o fato de amar o primogênito dos Irmãos Metralha lá?
- Ah, pois é.. eu ia dizer que a gente sabe muito bem quando uma conversa tem fim. Só que em relação a ele, é como se sempre houvesse reticências e reticências... uma coisa meio sem final, sabe?
(silêncio)
- Pois eu te digo que, euquanto houver reticências perdidas no meio da história, vai ter o que contar. Ponto.
- Não acredito que eu tô tendo esse papo contigo às 5h da matina. Voltamos a ter 13 anos, sério.
- A gente misturou muito ódio e orgulho ferido com vodka vencida. Já ouviu falar em ressaca de emoções?
- Na boa, preferia a ressaca convencional.
- Que fase!
(risos)
RETOMADA DE ASSUNTO DE UNS 8596576 FINAIS DE SEMANA ATRÁS
- Pois é, né... mas aquela vez, lembra? Ele tão lindo, dispensou aquela piranha oxigenada só pra me levar pra casa. Tipo???
- É... aquela vez foi golpe de mestre, reconheço.
- Desgraçado!
- Gênio!
(risos)
- É... acho que o negócio é ir dormir, já que a nossa saidinha foi pro ralo. Trate de esquecer esse cafa.
- Trate de me acordar, tô podre e possivelmente vou dormir mais que a cama.
- Eu tava lembrando de um negócio aqui.. meu, sério, que situação...
- O quêêêêê?
- Tu falou mesmo que, se ele quisesse ser cúmplice da tua idiotice, era só ir contigo? Jura que tu foi piegas nesse nível absurdo?
- CINCO CAIPIRINHAS ME FIZERAM DIZER ISSO, OK?
(risos quilométricos)
- É por isso que eu te amo, sua doente!
- Vaza, cretina, me deixa sonhar com meu príncipe filho da puta!
- Por via das dúvidas, hoje teu celular fica comigo.
- Por via das dúvidas, vou colar um esparadrapo na boca, quando vê-lo.
- Não sei o que seria de mim, sem tuas histórias incrivelmente micadas.
- CAAAAARLOOOOOOOOOOS EDUAAAAAAARDOOOOOOOOOO!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Quando der na telha...

Olá, pessoas!

          Tirei duas semaninhas sabáticas para fazer o que sei de melhor: procrastinar. Ah, sei lá, acho que depois da centésima, fiquei meio bloqueada - como sempre ocorre em finais de ano, diga-se de passagem. Ando cheia de ideias, mas com certa dificuldade de materializar... acho que nunca comentei por aqui, mas o fato é que basta o último mês do ano dar as caras, para eu marcar presença no time dos introspectivos. E essa introspecção, invariavelmente, acompanha minhas palavras: penso, penso, arquiteto postagens, e, não saio do lugar. É o mal de dezembro me pegando de jeito.
           Bom, já que eu ando um zero à esquerda para propor qualquer debate no recinto, sugiro que falemos do já mencionado "mal de dezembro" - que, tenho certeza, tira com a cara de mais gente por aí. O que vem a ser tal coisa? Trata-se da ansiedade típica dos finais, uma espécie de obrigação de ser feliz e esfregar isso na cara de quem quer que seja: a vontade pode até ser de tomar estricnina, mas para todos os efeitos, a alegria deve imperar na vitrine. Até parece que só a gente vai ficar fora desse banquete farto de comemorações, né? O negócio é se jogar na vodka e guardar os mimimis no armário, já que na primeira sexta-feira chuvosa de janeiro, eles retornarão triunfantes e lépidos mesmo.
           É bem provável que vocês, amados agridoces, pensem que eu esteja numa deprê desgraçada com esse papinho barato da trupe dos ansiosos e bla bla bla, mas devo alertá-los de que não é nada disso. Tô numa nice, numa legal, mas o que me ocorre é que eu teimo em observar as coisas, percebem? Tenho um faro muito aguçado para captar falsos sorrisos, alegrias capitalistas vazias que só se sustentam no dia da compra, declarações medíocres de "Feliz Natal" por e-mail, acompanhadas das últimas promoções de não-sei-qual-loja, entre outras manifestações doentias desse câncer chamado "sociedade". Sinto que há uma afobação meio geral em querer demonstrar "felicidade" quando na real, ninguém está tão feliz assim.
           Honestamente, anseio por mais verdade. Menos trânsito. Menos caos e gente intransigente. Menos formalidades e améns para as convenções. Mais risos até doer a barriga. Mais brincar com cachorro. Mais desejos reais de bons começos para todos. Menos esnobismo e protocolo. Mais brilho no olho e altruísmo. Menos fotos previsíveis. Mais momentos sublimes sem testemunhas. Mais pessoas pensando por si próprias. Mais originalidade. Menos catar trecho de livro famoso na internet sem nunca ter entrado numa biblioteca. Menos preconceitos. Mais música boa e difusão de conhecimento. Eu quero mais ser feliz quando der na telha, e não porque "hoje é um novo dia de um novo tempo que começou".

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Cem

         Cem postagens, é isso? Cheguei à centésima ladainha agridoce? Hum, e agora? Continuo? Para que lado vou? Fico parada à margem dos meus questionamentos ou sigo nadando em círculos só pelo prazer do exercício? Cem textos, cem tentativas, cem gritos, cem anos de solidão trancafiada nesse porão do Blogspot. Cem caminhos, cem atalhos, cem emoções, cem trechos azedos para cem parágrafos doces. Menina cem vergonha.
         A centésima vem com gosto de resignação, mas ainda comporta rebeldia pueril e uma pitada de esperança - que é para a receita não desandar de vez. A centésima traz na mala um monte de vivências fadadas a ser o que são, cem grandes sobressaltos: tudo que esteve aqui, assim foi por uma razão. E estamos ótimos. Peraí, tá errado, estamos péssimos: também há por essas bandas cem mentirinhas contadas para entretê-los. A graça é a abstração, não? Conversinha cem fundamento.
         A centésima vem com ares de grande coisa, parecendo flagrar meus titubeios e ordenando que sejam digitados os medos que corroem o bom do meu discernimento agridoce, só para ver se alguns fantasminhas são exorcizados. Coitada, mal sabe que já está tudo no acervo ao lado, nas suas noventa e nove irmãs de natureza inquieta e agoniada, meio ressabiadas com tanta informação. Talvez nem a centésima entenda sua dona, a essa altura do campeonato. E então isso fica cem solução.
         Cem vezes os portões foram abertos, cem vezes eu quis sumir e me esconder atrás de palavras, cem vezes elas buscaram acalmar minha errância particular. Cem vezes, minha insanidade soprou em meu ouvido que, enquanto eu escrevesse, seríamos boas amigas. Faz cem postagens que ando contando um pouco do que se passa, ainda que por linhas tortas. Faz mais de cem dias que ando assim desse jeito sem saber até quando, em centenas de retratos adornando a parede. Cem querer ser chata, cêis tão gostando?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Detalhes

        Sim, mulheres gostam de detalhes. Não nos perguntem por que, rapazes, apenas é assim. Detalhes são do sexo feminino, não se iludam com o artigo. Detalhes grudam na massa cinzenta e não há quem dê jeito nisso: uma vez processados pelo cérebro, está feita a droga. Detalhe guardado é açúcar escorrendo do livro de romance na hora de ler. Devanear torna-se tarefa fácil.
        Ela nunca disse, mas lembra até hoje da sua carinha ciumenta quando comentou que o primo lindo dela passaria as férias na cidade. Ela lembra da camiseta branca que você usou naquela festa e o fez parecer o cara mais irritantemente gostoso da face da terra. Ela lembra daquela noite terrível de inverno, em que você sorriu do jeito mais enigmático que os olhos dela poderiam testemunhar. Ela lembra de todas as suas gírias - de quem passa mais tempo na rua do que em casa, sob os cuidados da vovó. Ela lembra da sua mania antiga de olhar fixamente para alguma coisa no horizonte como se quisesse abraçar o mundo.
        Detalhes são adereços, são sorrisos pela metade encobertos pela timidez. Detalhes são cores em dias que insistem em ser cinzas, são risos que escapam quando o silêncio impera no ambiente. Detalhes são datas que se perderam no calendário, mas alguém ainda comemora. São companhia em noites solitárias e chuvosas. Detalhes permanecem, detalhes criam raízes no inconsciente, detalhes são rascunhos de algo maior que pode ou não ter dado certo. Detalhes são frios na barriga que não conseguem ser disfarçados. Detalhes são obscenos em sua natureza, pois tiram a roupa da fragilidade que tanto procura se esconder.            
         São peritos em dissecação, pois expõem fraquezas, contam segredos, gritam verdades sufocadas. Detalhes são protagonistas de sonhos, algozes de noites mal dormidas. Detalhes sempre têm morada dentro de nós, de certa forma, relacionam-se com o mistério de cada um. Os detalhes rondam e não nos deixam em paz, pois, no fundo, apresentam minuciosamente todos os pedaços de que somos feitos. E isso sempre atordoa um pouquinho - querendo ou não.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Eu e o estresse em Arial 12

          Quem lê meu blog, deve ter uma leve noção de que eu faço tempestade em copo d'água. Não é muita coisa, mas a tendência à tragicomédia existe e arrebata algumas postagens instintivamente, em uma frase que outra. Sabem aquela coisa meio shakespeariana, meio "Os sofrimentos do Jovem Werther"? Pois é, adoro um teatro, um drama, uma cena meio Televisa... rs // Tergiversadores, como eu, sabem bem como é.
           Enfim, o vendaval da vez atendeu pelo nome de monografia, e eu honrei o script de forma irretocável, literalmente. Teve muita rajada de vento, raios, trovoadas, além da clássica penumonia por não estar devidamente agasalhada e ter pegado chuva na volta para casa. Lindo de ver! Cheguei a sonhar com o tal trabalhinho acadêmico, somatizei horrores essa droga, e não me perguntem o porquê, apenas foi assim. Claro, qualquer um que já esteja a léguas dessa fase, trilhando os caminhos dos mestrados e das dissertações da vida, dirá que minha conversinha é pra boi dormir, mas, cara, foi um drama mesmo! Dores no peito, braços formigando, taquicardia, respiração ofegante... creio que já tive uns cinco infartos imaginários nas últimas semanas. rs
           Não sei se acontece com todos, lógico, mas penso que seja impossível fugir do frio na barriga. Poxa, os questionamentos tomam conta da cabeça! Será que eu tenho cacife para estruturar um texto científico de fundamento? Será que eu não passo de um pesquisadorzinho de meia-tigela? Será que eu serei bom o bastante para defender meu ponto de vista? Será que eu escrevi tudo que precisava ser escrito? Será que eu fiz os espaçamentos certos naquela porcaria? Será que eu fiz o sumário corretamente? Será que eu vou gaguejar na hora de apresentar? Será que a banca vai me trucidar e eu vou entrar para a história da universidade como a maior retardada dentre as retardadas? Será que eu toco o foda-se, corro pro bar mais próximo e paro de me martirizar? Já escrevi aqui em outra ocasião, "será" é verbo do mal. Muito do mal.
            O fato é que meu cérebro anda meio avariado com toda essa conclusão. Com todo esse final. Com todas as correlações e etc. Com todas essas normas malditas da ABNT - que, lógico, percebo necessárias, não sou alienada. Com todos esses sentimentos misturados que, ora brigam, ora são cúmplices. Talvez muitos se identifiquem com o meu causo de hoje. Talvez alguns achem que eu não tinha nada de mais interessante para postar - e estarão certos. Para mim, só fica uma certeza: esse estresse em Arial 12 foi só o começo. Vem muito mais por aí.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Verborragia

          Fiquei parada, mas não disse nada, não podia dar o braço a torcer, sei lá se fiz certo, talvez eu tenha deixado escapar uma puta chance de morder essa felicidade insuspeita com todos os dentes, o que me lembra que amanhã tenho consulta no dentista, nossa, eu morro de medo daqueles aparelhinhos que fazem um barulho meio como o da motosserra do Jason, talvez eu tenha me livrado de uma cilada, vai saber, falando nisso, por que diabos tiraram o seriado do Bino do ar? Era legalzinho.
          Tá tudo meio estranho, ando inspirada pelas coisas mais toscas e abismantes, pelas conversas mais casuais e improváveis, pelos momentos mais bobos e coadjuvantes. Preciso materializar essa inspiração que anda me tirando o sono, não acredito que vou arrumar uma insônia pra me atazanar justo agora no final do ano, caraca, esses finais de ano me deprimem um pouco, é muito consumismo pra quase nada de espírito reflexivo, pensando bem, não vou mais refletir porcaria nenhuma, vou ligar, mandar mensagem e propor uma viagem a dois. Acho que quero férias de mim.
          Pensava que nunca ia descobrir quem canta essa música da vinheta da VH1, mil vezes raios, fazia uns 2 anos que andava atrás dessa do Buddy Holly, putaquepariu, que coisa mais linda, nunca vou enjoar, bah, honestamente, uns versinhos desses com saxofone é pra me matar do coração. Será que eu sou cardíaca? Tenho que parar com essa mania de somatizar tudo que é chatice que me acontece. Agora, presta atenção, moça, tu vai se focar no que tu quer. Respira, respira e ignora esses comentários de gente que nunca te quis como amiga. Ah, daí sim que acabou meu esmalte?
          Incrível, por que eu ri disso na cara da pessoa? Nem fiz de propósito, só não entendo quem não acha graça das coisas, vive reclamando, fazendo intriga, espalhando mediocridade por onde passa, credo, se eu não começar a ver maldade em tudo, ainda vou me estrepar muito nessa vida. Será que meu livro venderia? Criei uns personagens ótimos, que linda essa história que eu inventei, ai, tô pensando seriamente em cortar o cabelo de novo. Vou assistir Friends, preciso rir até doer a barriga das carinhas de paisagem do Ross.