quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Fanática por mim

         Ando pensando nessa história de ser ''fã'' de algo. Que coisa estranha, hein? Geralmente, dispensamos devoção cega a pessoas das artes, sejam músicos, atores, diretores, pintores, malabaristas ou palhaços de circo. Whatever, a gente gosta porque gosta. Eles lá na deles, mal desconfiando da nossa singela existência fanática e cheia de amor para dar, e nós, aqui, no limbo do ostracismo, amando, brigando por eles, indo aos shows e gritando histericamente. Gritando histericamente! Por pessoas que nem nos conhecem! Parei e me vi imersa no absurdo da situação. Creio que esteja faltando calor humano na coisa, hein, honestamente...
         , eu sou fã de um monte de gente por aí. Sou fã do Freddie e dos outros incríveis do Queen, sou fã do Meu Amor Buarque, sou fã do Heródoto Barbeiro, sou fã do Lamarca, sou fã do Christian Bale e do Steve Martin. Sou fã da Amanda Peet, aquela fofa. Sou fã dos filmes do Almodóvar porque eles me perturbam e me fazem ver que tentar controlar a vida é uma baita besteira. Sou fã das letras de Gabi, O Pensador. Sou fã dos filmes da Nancy Meyers pois aquele ''arzinho natalino'' daquelas histórias dela são um prato cheio para o meu lado carentão e sonhador aflorar. Sou fã de comédias que não parecem comédias e me fazem rir loucamente, pois eu não esperava que fosse rir de situações tão milimetricamente roteirizadas e sem graça. Sou fã de um bom rock no último volume para exorcizar fantasmas. Definitivamente, sou fã de música e papos gostosos com pessoas desencanadas e sagazes. Definitivamente, sou fã dos errados: quem paga de certinho me dá certa náusea e um cadinho de sono.
         Eu também sou fã de mães solteiras que criam seus filhotes sem perspectiva nenhuma em meio a comentários maldosos de gente desocupada, e tentam dar um futuro àquelas crianças concebidas ao acaso. Sou fã de pessoas que nascem em condições sociais de extrema penúria, e, mesmo assim, conseguem viver dignamente, estudando, trabalhando, prosperando, criando alternativas e, principalmente, contrariando a sina brasileira de ter nascido "sem eira nem beira". Sou muito fã de gente honesta e que - ainda que não tenha a pretensão de mudar o mundo - preza por dignidade em suas relações - sejam elas afetivas, comerciais etc. Sou fã de pessoas autênticas que não se prendem a estereótipos e tendências esdrúxulas, e vivem por aí, no seu completo anonimato, sendo elas mesmas na delícia de serem elas mesmas. Sou fã da galera que - mesmo vivendo em meio a esse arsenal esquizofrênico de tecnologia - cultiva hábitos simples e ainda frequenta bibliotecas e pracinhas fofas para namorar. Minha bagagem fanática - como podem ver - é enorme, mas ainda não comecei a ''adular'' a verdadeira homenageada da noite...
          É, sou eu. Sabe, eu ando meio abismada com os meus feitos. Não é fácil ser Bruna Daniele, não, meu povo. Cheguei à conclusão de que sou uma entusiasta de mim mesma - ainda que, claro, eu queira me esbofetear vezenquando. Tudo isso, pois no fundinho, eu sou minha única opção real de superação. Sou muito fã de mim, porque naquela noite - em que eu tinha tudo para desabar chorando - eu coloquei um puta sorriso falso no rosto e até que me senti melhor. Sou fã de mim, porque eu não desisto dos meus textos, mesmo quando eles não andam de jeito nenhum - tipo esse aqui, que tava mofando nos meus rascunhos. Sou fã de mim, porque eu sei do meu melhor e do meu pior, e pago a conta - ainda que sob um custo emocional altíssimo. Sou fã de mim, porque eu aprendendo nessa longa estrada da vida a me sentir de verdade. Sou fã de mim porque, sabe... para me aguentar... só eu mesmo. Eu e eu nunca fomos tão amigos.





segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Festa da vinda

         Por muito tempo (digamos que uns 10 anos, rs), eu detestei fazer aniversário. Pode ser que se sintam solidarizados com a causa, uma vez que também aniversariam todo o ano, né, amados? Pois bem, não sei se já tiveram esse ódio incontrolável pelo dia de vossos nascimentos e pela obrigação de estar em paz consigo mesmo e bla bla super resolvida com todos os setores da minha vida, não mais velha, melhor e bla bla bla. Não sei se curtem aniversariar, não sei se têm calafrios só de pensar... talvez isso role com everyone... talvez eu seja the only one... mas hoje vou lhes contar uma história pra boi dormir.


15 MINUTOS DEPOIS


          Demorei??? Tava lá mandando um e-mail pra Marthinha. Sim, a Medeiros, a escritora, aquela criaturinha genial e porto-alegrense... aniversariamos no mesmo dia, e - desde que eu soube - vivo me gabando do feito por aí, porque, né? Ela é uma das minhas favoritas (sei que de vocês também, rs)... e eu mando e-mails emocionados, desejando mais livros incríveis, mais crônicas fabulosas, mais tudo de melhor... poxa, ela merece, vive enchendo minha, aliás, nossas vidas de poesia e encantamento! Ela nunca me viu, nunca trocamos um ''oi'' sequer, mas acho super justo. Martha não me conhece, mas eu a conheço! E parece que é de tempos... de muito antes de ela começar a povoar de crônicas os Donna ZH dos domingos... vai saber, né??? Well, sobre o que falávamos? Ah, sim, sobre o quanto fazer aniversário me enchia de angústia. Me enchia o saco. Bom, o que posso dizer? tudo no passado. Não que eu morra de amores agora, claro, sempre fico naquela paranoia de acontecer alguma catástrofe e meu dia ficar marcado com alguma lembrança ruim. Ou de eu passar o dia inteiro de pijama, com o cabelo em estado deplorável, curtindo uma friaca federal e sendo privada do calorzinho tímido dos clássicos veranicos de Agosto - como aconteceu ano passado, aliás. (Foi realmente um diazinho detestável, creio ter sido um dos piores aniversários. Superou até o de 13 anos, época em que eu tinha 87485748 espinhas na cara, não pegava niente, e entrava naquele looping aterrorizante de pré-adolescência, vivendo naquela minisociedade chamada colégio e sofrendo todos os traumas possíveis e característicos da idade...) mas, ainda que haja essa ansiedade natural de que as coisas terminem bem, eu definitivamente decidi assumir uma postura ''brigadora'' nesse joguinho tinhoso.
          Mais um ano passou, mais um ano!!! Mais um ano novinho em folha para eu viver. Mais uma folha de caderno  para eu rascunhar. Mais um recomeço, mais uma continuidade, mais erros, mais acertos, mais experiências, mais amores, mais gente nova para conhecer, mais amizades, mais mudanças de opinião, mais brigas, mais raivas entaladas, mais encontros inesperados, mais decepções, mais sorrisos, mais piadas sem graça, mais banhos de chuva, mais dias ensolarados do jeito que eu gosto. Mais vida cheia de vida!!! -  que eu disposta a morder com todos os dentes, essa parte eu não negocio. Foi-se o tempo em que eu me sentia apática e intrigada com o fato de estar ''envelhecendo sem talvez não estar aproveitando tudo''. Hoje, eu não fico mais velha, fico melhor. Para mim, para o mundo, e para quem tem o prazer de cruzar comigo por aí (sempre modesta, rs). Os 22 se despedem e abrem alas para os 23.

''Apesar de todo erro, espero ainda que a festa do adeus seja a festa da vinda..." (Cartola)








sábado, 18 de agosto de 2012

Top10 Agridoce

       Agora, toda semana, terá um post especial, falando sobre meu intrigante gosto musical. Tenho um puta ciúme do que eu escuto (?), mas vou dividir com vocês o que anda passeando nos meus fones, enquanto eu ando pela cidade com aquela cara habitual de pateta. , mentira, não vai ter porra de post nenhum, detesto ficar presa a regrinhas de postagem, só me deu uma súbita vontade de vir falar disso - claro, pois nada de mais interessante povoa meus neurônios no momento. Vi que ando escutando com super frequência as canções a seguir. Sintam-se inspirados. Sintam-se musicados, música nunca é demais, né?

1- Matriz - Ramirez (Ah, super fofinha, super Malhação, super-tenho-16-anos- e-sonho-com-um-carinha-meloso-que- me-ponha-no-colo-e-cante-para-mim-e-meu-All-Star-surrado. Tô pouco me fodendo para o fato de que isso é Emo e etecetera, só quero saber se posso voltar pro Sweet Sixteen.)

2- Quero que vá tudo pro inferno - Roberto Carlos (Tamo junto, Rei, se bem que na cidade onde eu tô morando mei que faz verão o ano inteiro, pelo jeito, minha nossa, vim parar em Salvador e não me liguei? Ah, Jovem Guarda é um prato cheio, néãm.)

3- Café da manhã - Roberto Carlos (Ah, o Roberrrrrto, depois que parou de tentar imitar João Gilberto, ficou um doce e... hum... essa música me dá uma fome... cadê a geleia???)

4- Meu mundo e nada mais - Guilherme Arantes (Catarse, catarse, catarse, catarse!!!! Quando fui ferido, vi tudo mudaaaaaaaaaaaaaar, das verdades que eu sabiaaaaaaaaaaaaa!!! Bem boa para umas noites daquelas de remoer dissabores.)

5- Ouça - Maysa (Sua diva, genial, tresloucada, toca aqui, amiga, bora chorar uma fossa sem sair do salto, falando nisso, mulher, super pegaria teu netinho, Jayminho Matarazzo, que genética boa, hein, gata???)

6- Moonlight serenade - Glenn Miller (Ah, parem de me encher o saco, não aqui no momento, sinto informar, mas me encontro na São Paulo dos anos 20, tomando um sorvetinho super meiga, enquanto me preparo para assistir a algumas declamações da Semana de 22, acompanhada por esse cavalheiro gatíssimo, cujos olhos parecem pertencer a um quadro da Malfatti.)

7- Suspicious mind - Elvis Presley (Mimimimimimim we can't go on together with suspicious mind, buaaaaaaaaaaa, mimimimimi, é isso mesmo, Rodolfo Augusto, tudo acabado entre nós, we can't go on desse jeito, meu filho! Sai da minha casa, sai da minha vida, sai da minha playlist, Elvis, eu nem namorado tenho, porra.)

8- Solitary man - Johnny Cash (Caro esposo de June Carter, super me solidarizei com sua sina solitária, ao checar a tradução de sua canção num site fuleiro. Espero estar certa tal letra, aliás, pois fiquei com peninha de ti e com raivinha das piranhas que te largaram. Ah, me liga!)

9- Tell mama - Etta James (Eu amo essa mulher, eu amo essa música, eu amo esse ritmo, eu amo sair cantando essa coisa excitante do modo mais errático possível, minha nossa, isso tá mexendo comigo, socorro, vou levar uma pedrada do meu vizinho!!)

10- What is love? - Haddaway (Anos 90 mandam lembrança com essa balada extremamente dançante e caliente e sedutora e zás e zás e zás. Quem nunca fez trocadilho com o nome, né? Baita som, tô chorando lágrimas de dançarina do Gugu, por não poder sair saracoteando no momento. Baby, don't hurt, no more....












quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Sobre notícias sem-sal e reportagens charmosas


Eu sempre achei as notícias sem-sal. São sucintas, vá lá, têm sua serventia, enchem de novidade a vida dos transeuntes por aí, mas não queiram elas ter o charme das reportagens, dos livros-reportagem. Elas são frias, são pálidas, não escavam, não procuram além do que o fato oferece – ele e seu miserável lead. São ótimas, claro, super servis, informam com maestria, apavoram com crueza ímpar, embebedam de realidade todo o boteco..... ah, mas não queiram elas, no alto da sua previsibilidade, ter todo o arsenal de suas primas-irmãs. Tirem o editor-chefe da chuva, suas recalcadas.
No Jornalismo, você aprende que deve ser breve. É tipo fazer um charminho e sair de cena. Conte o que, quem, quando, onde, e, se der, alguma outra coisinha e vaze, seu exibido! Seu leitor/ouvinte/telespectador não tem tempo para conversinhas para boi dormir. Tá, tudo bem, a gente entende. Mas é que... ah, sabe... eu não tava preparada para essa economia. Eu sou leonina, meu bem, sou tudo, tudo – menos breve. Sou espalhafatosa narrando, quem dirá escrevendo. Preciso de muito adjetivo e superlativos e diminutivos e ironias e gracejos linguísticos e bagunça interpretativa para me sentir um pouco que seja realizada. Eu quero contar a história, lógico, mas tem que haver uma romantização digna da coisa, entendem? Se não, de que jeito vou ganhar meu Prêmio Esso? Meu Jabuti? KKKK... De que jeito provocar os instintos mais viscerais do meu leitor? De que jeito fazer esse desgraçado chorar, rir ou me odiar até a morte? Eu preciso de um recheio gordinho, uma conotação honesta e desimpedida. Eu preciso provocar algum sentimento, e não botar alguém para dormir com alguma manchete repetida à exaustão.
Eu quero a reportagem tocando bem fundo na ferida, fazendo da fonte um astro que ganha um diário vívido naquelas linhas, contando sua sina insuspeita. Eu quero que sua apatia anônima ganhe voz, forma e provoque os acomodados. Eu quero identificação gratuita. Eu, definitivamente, preciso sentir que isso vale a pena de algum modo. É, espalhafatosa e idealista – tô fodida desmo.






domingo, 12 de agosto de 2012

Sou e não nego

Brasileiro só aceita título se for de campeão. E eu sou brasileiro. (Ayrton Senna)


Mas o meu coração é brasileiro... (Natiruts)


(...) pouco executado pelas rádios brasileiras, Tom Jobim só encontrava o reconhecimento e os prêmios no Exterior. Dizia que o único país onde o atacavam era o Brasil. Uma vez lhe perguntaram por que sempre retornava.

- Volto para me aporrinhar. Para responder a esse tipo de pergunta. Para ser um dos 5% de brasileiros que pagam imposto de renda. Para perder o apetite ou morrer de indigestão. Volto porque nunca saí daqui – retrucou.


       De repente, eu tava ali, com a face sendo inundada por lágrimas, e o fato é que nem queria me conter. Poxa, finais olímpicas em que o Brasilzão é protagonista me fascinam um bocado. Me extasiam profundamente, pois, ali, na quadra, há um engrandecimento de uma pátria constantemente espezinhada. Maltratada. Seguidamente, pelos seus próprios filhos, aliás. Ali, no braço, na superação do atleta, por vezes desconhecido, surge um ímpeto de gritar que – caraca - eu sou muito brasileira! Eu sou brasileira! Bra-si-lei-ra. E com orgulho. Sou de um Brasil corrupto, sim, em que falta boa vontade política, em que há uma violência aterrorizante. De um Brasil, cujo passado é nebuloso e marcado pelo colonialismo e pela exploração, mas, ainda assim, é o meu país, é a minha raiz. Mesmo com tantos defeitos, o ufanismo é infinitamente maior, uma vez que estamos irremediavelmente ligados por uma sina, por uma gênese que se impõe - se indigna, grita e não tem medo de cara feia.
       Naquele momento em que vejo o herói olímpico suplantar a falta de investimento, a mediocridade de quem torce pelo adversário, a falta de apoio governamental, a dificuldade diária dos treinos – em detrimento de sua família e sua vida pessoal – me sinto retratada naquela epopeia, naquela batalha para honrar uma bandeira, pois eu recordo o tanto de coisa boa que carrega o DNA tupiniquim também, caramba! Eu sou gaúcha, adoro viver nesse estado incrivelmente abagualado, mas, poxa, sou muitíssimo mais brasileira. Sou honesta em assumir que nos merecemos - eu e essa minha pátria intrigante. E, como disse, apesar de todos os pesares, sinto extrema satisfação de dizer que sou daqui. Da terra do inventivo Santos Dumont, do dínamo das pistas, Ayrton Senna, dos combativos Tiradentes e Chico Mendes...
        Sou do Brasil dos pampas, do pantanal e do litoral fabuloso. Eu sou do Brasil de Bentinho e Capitu, do regionalismo torto de José de Alencar e de Castro Alves. Sou do Brasil do Chico, do Caetano, do Cartola, do Noel, e do Zé Kéti. Sou do Brasil do pão de queijo e do churrasco. Sou do Brasil de Ouro Preto e dos Lençóis Maranhenses. Sou do Brasil de Arariboia, do Brasil de Zumbi dos Palmares. Sou do Brasil dos candangos, dos retirantes, dos bandeirantes e dos barões, como o de Mauá. Sou do Brasil de Portinari, Tarsila e Aleijadinho. Do Brasil contraditório de Chateaubriand, Rui Barbosa, Yolanda Penteado, Oswaldo Cruz, Prestes e Lampião. Sou desesperadamente do Brasil que me acolhe. Sou e não nego.






sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Relato piegas


         Vou contar um segredo procêis: eu sou piegas pacaraleo. Uma chorona, vivo fazendo draminha à la Paulina Martins em A Ususrpadora. Super acredito em princípios, valores, amo um idealismo furado. Enfim, uma otária completa. Goethe e seu jovem Werther, por exemplo, me fazem entrar em profunda catarse. 
          Em se tratando do amor, por exemplo. Ahhh... o amor! Essa pulguinha atrás da orelha insistente. Sou tão piegas, que, por mim, nunca, jamais, em hipótese alguma, haveria desencontros. Tipo aqueles sobre os quais, meu Poetinha escreveu... nanana, não haveria sofrimento, nada de dores-de-cotovelo e vontade de chorar baldes. Na maternidade, nasceríamos com um itinerário amoroso e estaríamos fadados a viver algo verdadeiro: não passaríamos a vida inteira dando topadas na parede, insistindo em relações, ou, vá lá, platonismos que só nos machucam. Lindo de ver, almas gêmeas seriam uma realidade. Bateu o olho, foi correspondido, amou de verdade, ficou a vida inteira. Simples assim.
          Não tô usando drogas, meus caros. Mas essa história de histórias insistirem em acabar e fingirem que nunca foram uma história é uma coisa chata, que muito me fragiliza. Deve ser culpa das novelas mexicanas e seus amores teatrais e arrebatadores que eu vivia assistindo quando criança. Mas, dia desses, quando vi duas pessoas – conhecidos meus – e que já foram um casal deveras lindo, tratarem-se com uma frieza protocolar e cirúrgica, senti um puta vazio, uma vontade de mandar um e-mail para a assessoria de imprensa do mundo e dizer que tudo errado. Mals aê a deselegância, mas bela porcaria isso onde a gente tendo que viver, hein? Deem um jeito ou me mudo. Duas pessoas que já trocaram tantos carinhos, partilharam tantos risos, tantas ideias, souberam tanto um do outro, agora, tendo que viver como se fossem completos estranhos. Palavras cordiais, sem paixão, sem segundas intenções, olhares sem vida, apáticos, tentando negar um passado. Não sei por vocês, mas isso me comove. Se não durou, era tudo mentira? As palavras eram encenação? E por que foram ditas? Por que acabou? Amor acaba? A piegas, além de se comover, não tem resposta para nada. Bela repórter me saio.
          Termos como ''a fila anda'' e genéricos me desagradam um bocado. Me incomoda esse rodízio de pares, até parece que é muito fácil conhecer alguém verdadeiramente nessa vida: conheci fulana, ela é legal, conheci ciclano, ele curte jazz como eu. Santa ingenuidade. Não gosto desse clima de selva sentimental a que estamos expostos, em que ninguém é de ninguém e todos agem como se tivessem fazendo ''suas filas andarem numa eterna busca por algo melhor''. Se até hoje não me conformo com a separação do Brad e da Jennifer, imaginem vocês como me sinto com as separações que acontecem ali na esquina. 



quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Prazer, balada



Copos cheios
Corações vazios
Luz colorida
Por que viemos?

Prazer plástico
Veneno indolor
Pulsa a vida
Mas não somos o que temos

Dor que sorri
Paixão que corrói
Não parece ter saída
Isso que vivemos

Medo calado
Pista sedutora
Corpos quentes
Mas que ainda têm fome

Vento gelado
Nexo sem sentido
Amnésias recorrentes
Afinal, qual é teu nome?



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Curiosidades agridoces

Como há um público muito seleto que clama por entrevistas aqui neste espaço, aqui vai uma EXCLUSIVA, feita pela produção do "Garota Agridoce" com a mina agridoce, Bruna Daniele Castro, diretamente do Castelo de Caras. Um luxo só. Confira!



Qual a sua lembrança de infância mais remota?
Eu fingindo que tava dormindo pra não ir ao jardim de infância de manhã, nos idos de 95. Me achava muito esperta. Aí, como meus pais eram coniventes com meu soninho rebelde, eu ia no horário da tarde e as freirinhas sempre me repreendiam. Lembro até hoje “Bruninha, tu não estás no teu horário..’’ (risos)

Maior ídolo na adolescência?
Sei lá... acho que o Freddie Mercury, pela intensidade e magnetismo. E teve aqueles gurizinhos de boy bands, claro, peguei a fase áurea do KLB, logo...

Onde você passou as suas férias inesquecíveis?
Bah, quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, ia pra uma fazenda de uns conhecidos da minha vó materna. Só hoje vejo o quanto aquele tempo era fabuloso. O verão de 2011 também ainda me mata de saudade... mas ainda pretendo conhecer Minas e visitar as cidades históricas de lá, e creio que será inesquecível.

Qual a sua ideia de um domingo perfeito?
Cara, eu nasci num domingo, mas detesto. Sei lá, churrasco em casa com tudo que eu gosto, sol lá fora, vitória do Grêmio... risos pela casa... mas o mais importante é sentir que ele deixou algo de bom, até pelo fato de domingos serem um saco.

O que você faz para espantar a tristeza?
Sou fã de fossa (risos), até que curto um pouco.. potencializa os fantasmas e os textos saem que é uma beleza. Mas o fato é que sou uma pessoa muito alegre e de bem com a vida. Quando a tristeza vem, eu deixo ela viver e dou um jeito de ter uma catarse e me alimentar daquilo...

Que som acalma você?
MPB daquelas bem chatinhas. Ou aquela clássica dos casamentos (risos), Canon em Ré Maior, do Johann Pachelbel.  

O que dispara seu lado consumista?
Farmácias, ir ao mercado com fome, revistas...

Qual a palavra mais bonita da língua portuguesa?
Não tenho predileção por nenhuma, mas amo ler dicionários.

Que livro você mais cita?
Gosto de Drummond... ''a tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos..'' Isso mexe comigo, há um certo tempo.

Que filme você sempre quer rever?
O pai da noiva 1 e 2, Casablanca, Ratatouille, Chicago, Lisbela e o prisioneiro, E o vento levou, Volver, Kill Bill 2, Pequena Miss Sunshine, De Repente é amor, Maluca Paixão, Starsky e Hutch, Minha mãe quer que eu case, A fantástica fábrica de chocolate (com Gene Wilder)... eu vivo revendo filmes, que porre.

Que música não sai da sua cabeça?
I started a joke, versão do Faith No More.

Um gosto inusitado.
Imaginar cenas de filmes na cabeça e dirigi-las mentalmente.

Um hábito de que você não abre mão.
Debochar.

Um hábito de que quer se livrar.
Procrastinar.

Um elogio inesquecível.
"Bruna, como tu fala bonito” – minha mãe vive enchendo minha bola. 
“Teu texto foi um dos melhores que já passaram por mim” – de uma ex-colega de trabalho.

Em que situação vale a pena mentir?
A verdade é que todos mentimos, sem exceção. É do cerne humano, portanto, não vejo muito drama na questão. Claro, sou pela franqueza e sinceridade sempre, mas se não tem jeito...

Em que situação você perde a elegância?
Com esnobismo, negligência, má vontade, quando me acordam, quanto tô com sono e não me deixam dormir, quando presencio injustiça, preconceito e pensamento mesquinho, na companhia de velhos amigos... penso não ser muito elegante.

Em que outra profissão consegue se imaginar?
Diretora de cinema. (risos)


*O modelo de entrevista foi pedido emprestado ao pessoal da revista Donna ZH, mas eles não sabem disso. 

Sobre falta de inspiração, minha cara de sonsa e etc.


          Fiquei quase um mês sem vir aqui. Sei lá, precisava de férias. Tá, é mentira, minha inspiração anda num limbo desgraçado. Pela primeira vez, não sei sobre o que escrever, abro vários rascunhos, e não termino nenhum. Vou até a janela, coloco os hermanos para tocar - a fim de ver se minha veia parnasiana inútil e decorativa brota - e nada. Como uma barra de chocolate inteira, rezo para que o cacau não se converta em erupções cutâneas, imagino um post polêmico sobre como nós, minas, somos escravas da ditadura da beleza, mas quem diz que eu ando com paciência para sentar a bunda na cadeira e escrever minhas abobrinhas de sempre? Eu sei que vocês andam com saudade da chata, vulgo eu. De mim e minhas metáforas sem sentido. Eu sei, podem parar com o muxoxo, sei que a-do-ram vir aqui e me odiar... ou rir dos meus assuntos nada convencionais... tudo bem, já entendi que sou um mal necessário em vossas tardes de trabalho tediosas. Por isso, eu volto. Revolto.
            Dia desses, me perguntaram por que não publico matérias jornalísticas e coisas do gênero aqui, uma vez que sou jornalista formada e etecetera e talz. Aí eu fiz a cara de sonsa que caracteriza meu desprezo honesto e expliquei paulatinamente que... hum... bom... er, a vida real já tem espaço demais por aí. Esse blog é a casa na árvore que eu não tive, porque morava num concreto armado sem fim. Eu uso a realidade como matéria-prima, lógico, mas gosto de ser uma artesã desaforada nesse propósito. Leio jornais diversos, assisto a meus teles preferidos, mas na hora de vir escrever minhas ladainhas aqui... poxa, deixa a babaquice da rotina fora disso, né? Ser sério é ótimo, uma prova de maturidade, mas enche o saco.
           Tirando esse causo sobre a pergunta intrigante, não tenho nada para contar. Poderia falar de Olimpíadas e de como me sinto magnetizada por eventos esportivos em que a bandeira verde-amarela do meu país ganha representatividade. Poderia falar sobre como me agrada que as cotas sejam mantidas em instituições federais de ensino como a UFRGS. Poderia falar de como as polainas seguem sendo um hit imbatível no inverno, ainda que tenham passado por um período de ostracismo fashion - após a aparição meteórica na fosforescente década de 80. Poderia falar de tudo isso, mas, né? Vou ali na janela fazer um rapel esperto, ao som de ''Nothing else matters'', para brindar essa noite estrelada com um pouco de adrenalina leonina da boa. Fui.