quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Atendimento personalizado

Estava eu, bem bela, esperando para ser atendida no consultório médico, quando me veio o asco mental ao abrir uma revista local (sim, porque o purgatório de esperar passa pela peregrinação às revistas escrotas dos titios médicos): ''atendimento personalizado''. Atendimento personalizado, atendimento personMAS QUE CARALHOS. A cada anúncio percorrido em que constava brilhante frase, eu era inundada por uma vibração mental enviando aos céus uma tomada bem no meio do cu. Osho não faria melhor. Atendimento personalizado é o one-hit wonder dos anúncios publicitários. Que me perdoem os coirmãos, outrora colegas nos bancos universitários da graduação, mas vocês não enganam ninguém. A gente só segue comprando as coisas porque precisa dos produtos e dos serviços; não porque vocês são maravilhosos gestores de relacionamento. Vocês não sabem nada sobre mim, vai personalizar a cara da tua vó.
Mas o que viria, então, a ser o tal atendimento personalizado? Por acaso, vocês vão me receber com um trono - rainha da selva que sou, miau - com o meu nome escrito em dourado brega como eu gosto, além de vendedores clonados com o mais puro gene Evans, de cuequinha passeando com suas línguas em mim? Olha, atendimento personalizado pra mim é isso, sabe, vamos amadurecer esses conceitos aí de marketing. Mais que a repetição da falta de originalidade nas centenas de propagandas que vejo por aí, o que me enerva de verdade é a marca ou afim não ser franca. Eu sei que vocês querem vender, amores, e somente vender. Eu sei que não haverá revolução de consumo nenhuma e os lucros são seu verdadeiro Osíris. Pode ser honesto comigo, capitalista da porra, deboche dessa vida mundana em que lhe enfiaram por ter que pagar suas contas, que eu viro cliente fácil. Fácil, fácil, me faça rir que serei sua eternamente. Sinceridade é o melhor dos atrativos.  
Não impunemente, nutro uma relação extremamente conflituosa com vendedores que oferecem cartões, encartes de propagandas, pessoas que usam frases motivacionais, chefes de empresas, atendentes de telemarketing e Eike Batista.. Não os trato mal - em absoluto - só sou lacônica. E o meu laconismo, num mundo que a do ra um rodeio, é visto como agressão. Na seara dos shoppings e assemelhados, eu não sou arredia, queridos, eu sou é impossível. E o pior é que eu compro. Bastante, eu diria (muito embora tenha urticária só de pensar em prestações e contas penduradas). Tenho fraco por roupas que desafiam a serenidade dos olhos de mamãe, por exemplo. Sabe aquela blusa amarela que meio Maracanã não teria coragem de usar (por uma questão óbvia de não querer ser confundida com uma gema ambulante)? É essa mesma, vou levar. As cores estão aí para serem misturadas, ué.
Em suma, eu queria era falar mesmo de como me estafa esse joguinho do consumo e suas falas sempre tão engessadas, sempre tão sebosas, sempre tão discursinho político. Blá, blá, blá, vocês não querem que eu saia satisfeita do seu estabelecimento, meus amores - até porque se eu estivesse satisfeita da vida, eu nem teria entrado lá. Me poupem da cantilena ou eu vou comprar na concorrência. A porcaria do sapato que vai encontrar o barro da sarjeta mais à noite não é a mesma? Me poupem, vai. 


                Miga, eu sei que tu não é um robô e teu dia tá uma merda, pode desparafusar o sorriso. 






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Zero - Yeah Yeah Yeahs 






       

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Whisky sem gelo


Eu tão cartinha de amor
Tu tão pau de selfie
Eu tão dormir pelada
Tu tão cueca boxer
Eu tão discutir relação
Tu tão adoecer de paranoia
Eu tão verborragia
Tu tão impensável calmaria
Eu tão semiótica
Tu tão significando nada
Eu tão doença
Tu tão cura
Eu tão pura
Tu tão descrença
Eu tão riso incontido
Tu tão calculismo
Eu tão niilismo
Tu tão atrevimento
Eu tão jogo de pensamento
Tu tão ou nada atento

Tu tão rotina de 8 horas
Eu tão fazer greve
Tu tão breve
Eu tão pra sempre
Tu tão quente
Eu tão gélida incoerente
Tu tão whisky sem gelo
Eu tão vinho
Tu vinha?
Eu tão sem ninho
Tu tão viagem pela CVC
Eu tão mochila nas costas
Tu tão sorriso queimando
Eu tão boca larga cantando
Sucintas notas
Tu tão beijo na boca
Eu tão pele na pele
Tu tão Tarantino
Eu tão nouvelle
Nós tão pra ser, mas nem foi
Por isso volto a dizer: oi



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Por um triz - Skank







sábado, 3 de outubro de 2015

Um relato de 26 anos com espírito de 16 - ou ''BITCH, DON'T KILL MY VIBE''

Essa coisa da idolatria é uma coisa muito louca e bizarra e doentia e incrível e mágica e surreal e faz o coração sair pela boca, né? Não sei bem o que rola, mas é uma sensação boa. Ok, eu sei que muitas vezes as pessoas idolatradas nem sabem que respiramos. Mas não tem muita importância, porque a gente já aprendeu a amar. E eu diria que é gratificante manter um espírito de 16 anos se manifestando dentro da gente. Desculpa aí, mas eu não quero nem saber se estou velha demais pra fazer certas coisas. Vai cortar a onda de outro aí, bitch. Ou melhor, BITCH, DON'T KILL MY VIBE!!!!

Então, estava eu ali, batendo o pezinho e tocando bateria imaginária, com a cabeleira, recém pintada de um ruivo suspeito, pra lá e pra cá, escutando ''Não sei viver sem ter você''. Um filme louco passando pela cabeça. Que momento! Caralho! Só eu e uma das bandas que eu mais amei na adolescência à frente. Sim, eu fui sozinha ao show, e nem precisa ficar com peninha: eu fiz questão. Só eu e meu ídolo a poucos metros de distância. Delícia. Dei gritinhos histéricos. Simulei convulsões. Eu sou toda coração, nem quero me curar. Mas, por dentro, eu murmurava: ''não creio que vou chegar tão perto e não vou sequer tirar uma foto, falar alguma bobagem''. Eu devo ter feito caretas tristes, certamente, enquanto era observada por pessoas incrédulas com minha loucura abençoada. Enquanto sofria. Tão perto e tão longe, isso nunca fez tanto sentido. Eu queria ouvir a voz. Sensoriais que somos, queremos chegar perto. Como bem resumiu uma grande amiga minha: ENCOSTAR. Encostar, afagar, sentir coração com coração. Estamos fadados à coleção de sensações. Pra lembrar, pra viver em paz...  

Marcam, essas coisas marcam, como marcam. Com ''Regina Let's Go'', eu me lembro da Capricho em que a Britney foi capa e pela qual eu paguei R$5,00, depois da aula, nos idos de 2001. E daquele meu All Star preto que eu usei tanto que chegou a desbotar. ''Tarde de Outubro'' embalou minha primeira ideia de fuga de casa, isto é, a letra tinha sido feito pra mim, fazia todo sentido. ''Peguei minhas coisas, fui embora...''   
A já citada "Não sei viver...'', poxa vida, essa doeu. Cara, junto com ''The Zephyr Song'', isso foi a música dos meus 14 anos. Em 2003, eu não entendia bem o que acontecia, aquele vazio niilista da oitava série, aquelas raivas e aqueles amores que se camuflavam no peito, e aquelas notinhas perfeitas de quem tinha o futuro muito promissor, mas odiava isso. Com ''Irreversível'', eu me lembrei de 2005, de como eu odiava Física e não conseguia estudar, malditas fórmulas! E de como eu chorava por aquele malditinho lá. Eca.
Fiquei torcendo pela chegada de "Além de Nós''. Porra, Além de Nós. Essa é a minha favorita, favoritíssima. Deus, como eu amo essa música. Ela é a que mais ecoa em sei lá que buraco perdido dentro de mim. Quantas idas ao cursinho em 2007 escutando a famigerada? Só eu sei. Tempinho bom. Mas não tocou, aí eu chorei. Mentira, chorei depois só, de emoção, de medo de não conseguir um abraço que fosse, de tanto regurgitar lembranças. Chorei, mas ri infinitamente mais. Melhor show a que eu fui em tempos. Salve, batera lindo da minha vida! Salve! Um dia ainda falaremos dos filósofos gregos, de Ciências Sociais, de Kiss, de Ramones e do teu vegetarianismo cativante! Ficou pra outro dia, já que eu fiquei petrificada do teu lado e só consegui manter as mãos no peito e a boca aberta - minha marga registrada. Um dia, a gente se bate por aí de novo.


                                                    COMO NÃO AMAR?????????????

     

**suspiros**