quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Selton e eu, eu e Selton

Descubro coisas curiosas em salas de espera. O último achado foi que a minha alma gêmea é o... Selton Mello? Pois é, meus caros, quem diria que a mulher invisível dele sou eu? God works in mysterious ways...  
Morrendo de tédio galopante, comecei a folhear uma daquelas revistas sofríveis e me deparei com as seguintes palavras do moço:

Aos 33 anos, você disse que não se imaginava casado, com filhos correndo pelo quintal. Mudou de ideia? 
Não. Continuo igualzinho. Mas acho filho uma coisa legal. Homem tem uma vantagem. Posso ser pai aos 50. De repente, ter um filho sem estar casado, penso em coisas assim. Ter um filho com uma amiga, com uma mulher que admiro, que já namorei ou alguém que saquei que pode ser uma boa mãe e que também não está a fim de casar. Ou não ter filho também. Viver sozinho, por que não?

Saca a profundidade do boy...

Por que não?
As pessoas lidam muito mal com a solidão, não conseguem ficar sozinhas. Eu fui ganhando experiência nisso e já tinha um temperamento que me levava a ficar bem assim. Há uma paranoia grande em torno da palavra solidão. Por isso existem as redes sociais. As pessoas estão ali, mas não estão. Tem gente que tem dois mil amigos no Facebook mas só com três conversa sobre coisas íntimas.

Está namorando hoje?
Não. Estava namorando até uns quatro meses atrás. No meu estilo “mineiro low profile”. Namorei uns seis meses. Ninguém soube. Claro, eu não ia ao Sushi Leblon. O Rio de Janeiro é grande, você pode andar por muitos outros lugares.

Estilo ''mineiro low profile''... este homem quer acabar comigo!!! Morri com o sarcasmo sobre o Sushi Leblon. Chupa, Ego!

Essas foram as que mais me chamaram atenção, mas a entrevista toda é um deleite para quem anda carente de um pouco de lucidez. Só sei que terminei de ler com um único pensamento: ''me dá, mããããe, me dá, eu queeeeero''. Este homem é um acontecimento! Claro, para muitos talvez não passe de um chato, mas é inegável sua autenticidade. E inteligência. E charme. Imagine, cara leitora, discutir Nouvelle Vague enquanto esta gracinha mineira passeia pelos seus peitos? Sem falar na voz, vocês já repararam na voz de Selton Mello? Aquela voz é orgástica. Deixaria tranquilamente meu rico soninho ser embalado por um monólogo dele toda noite.  


                                                     Oi, bebê. Te amo, bebê. 




*Selton, please, não entre com uma medida protetiva contra mim, sou só um coração que acredita na solidão compartilhada e curte fazer textos ridículos, tá? Beijos. 








segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Da série: diálogos catárticos

GERAÇÕES

- Olha quanto bonequinho... amo esse aqui, ó, o Capitão América, sabia que ele é meu marido? Ele é bem gost... digo, adoro esse negócio que ele usa, esse escudo para qualquer cois... eer, qual teu favorito?

- Hum... o Bat... acho que o Homem de Ferro! Ah, e também esse, ó...

- Quem é esse? 

- É o Vegeta.

- Hã? Não sei quem é.  

- É do Dragon Ball, é um desen...

- Ewww, odeio desenho japonês... é japonês, né?

- Por que tu não gosta?

- É.. é que a prima é chata com desenho. A prima é chata com um monte de coisa, mas isso não vem ao caso agora. 

- E aquele ali que tá passando na televisão tu gosta, prima?

- Olha, er... não é do meu tempo.


Quando se começa a usar expressões como ''não é do meu tempo'', é porque fodeu muito.


- Eu gosto do Pica-Pau, Tom e Jerry, Fantástico mundo de Bobby, DÊNIS, O PIMENTINHA!!! Meu Deeeeeeus, o Dênis, lembra, mãe? Eu assistia na Eliana!!!


Silêncio.


- Mas, vem cá, e do Super Homem tu não falou... é o teu homenzinho mais bonito... (pega o boneco e imita uma pessoa voando pelos ares vuuuummm) sabia que ele é jornalista como a prima? Ele trabalha no Planet...

- Jornalista? Ele entrega jornal?

- Mooorta. É, é bem parecido com isso. Meow, meow, amorzinho lindo, vem cá, existe criança mais linda nesse mundoooooooooooo?

- Eu sou a criança mais linda do mundo?

- Não, amore, é o meu gato... ó, ele entrou ali na porta. 






                                                              Magoei







quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Annie Hall - um curioso purgatório

Nunca dei a mínima para Woody Allen e quando vieram à tona aquelas acusações de abuso sexual contra sua persona, aí é que piorou: minha indiferença virou um singelo nojinho. Só que eu adoro Diane Keaton, sabe? Andei dando uma lida em sua biografia e decidi que tinha que ver o filme responsável pelo único Oscar de melhor atriz que repousa em sua estante. Foi aí que, uns dias atrás e com vários anos de atraso, habemus Annie Hall (1977), dirigido pelo dito-cujo. 
Chato. Chatíssimo. Insurportável. Me arrastei horas em algo que, tirando os créditos, dura somente 86 minutos, fato que me deixou intrigada, porque muitos dos diálogos são interessantíssimos - vá lá, algumas tiradas do judeu de caráter duvidoso têm seu valor. Não vou me ater a especificações técnicas que domino pouco ou quase nada, mas é como se o filme não tivesse ritmo. A sensação que me deu é que estava espiando da janela esquetes de um casal tedioso e improvável - improvável porque os dois não têm química alguma. Esquetes não, me corrijo, porque eles não fingem, talvez isso seja só a vida que parece se repetir tão assombrosamente com todos os mortais. Na história, Alvy Singer (Allen) é um humorista em crise de meia-idade que nos conta sobre seu rompimento com a aprendiz de cantora Annie (Keaton), e como foi a relação deles até ali. A partir daí, somos brindados com passagens do romance dos dois: como se conheceram, a tortura da primeira conversa disfarçando a tensão sexual e o fato de que ninguém é tão interessante olhando no olho, primeiro beijo, primeiras viagens, bobagenzinhas de casais, enfim, isso pode soar muito romântico, mas que nada... um amontoado de irritação para Brunas. O mais legal é que estou vociferando contra uma película ganhadora do Oscar, ou seja, muito provavelmente a chata seja eu. Quem sou eu para difamar um vencedor de melhor filme, não é mesmo? São questões...
Devo confessar, contudo, que ri bem de umas frases ótimas com que o noivo neurótico se saiu enquanto eu encarava o purgatório. O monólogo na livraria (que homenzinho mais presunçoso!!!) explicando a uma enfadada Annie as misérias de existir me arrancou um berro, mas um berro... não que eu me orgulhe, claro, porque é horrível. Seu esforço nulo em ser uma pessoa agradável e prafrentex, como quando sugerem que ele experimente cocaína, por exemplo, e ele só consegue ser lacônico, também mexeu de verdade com meu humor, estranho humor. Foi aí que me dei conta, chorando por dentro: eu sou muito Alvy Singer na vida. Somos irmãos de alma. Enfim, sigo achando toda a coisa muito sofrível, mas algo acabou sendo cutucado dentro de mim. Que merda, eu odeio Woody Allen.


                          Não deu, miga, mas sigo sendo fã sua e deste look maravi




Auxiliou no post: 

Sound and vision - David Bowie