quinta-feira, 30 de abril de 2015

JE SUIS CUZÃO

Tenho notado que tá super in, super na moda, criar alternativas para relaxar. Tudo fotografado, claro, porque a gente também precisa criar uma inveja potencial. No meio da onda, resolveu-se resgatar o tão celebrado Yoga - que, imagino, deve ser uma maravilha pelas fotos, Dalai Lama não faria melhor divulgação. Também, agora, há os livros de colorir para adultos, quase que uma Semana de 22 ressuscitada........... er, vemos muitos artistas por aí. Tão no direito, né? Que vou dizer eu? Eu, como sou um cérebro impressionável e fraco, vou me virando com uma serotoninazinha sintética e uns apertões em gatos. E seguimos.
No fundinho, bem no fundinho, tá meio ruim pra todo mundo. Mas a gente se vira, se esforça, se beija, se toca, se liga, se estressa, cirrose a galope. Eu escrevo textos debochados porque a minha sina é tergiversar. E isso me faz resgatar o fel maravilhoso que habita as entranhas do meu ser Almodóvar. Cada um na sua tentativa, na sua busca, na sua, no seu galho, hummm, um pôr do sol, vamos fotografar? No filter pro namastê. Como sou grata pela vida. E pelos meus cartões Visa. ''Não adianta ter doutorado e não cumprimentar o porteiro'' - eles dizem. Mas também não precisa assinar a carteira de trabalho pra moça que trabalha na minha casa, isso já é demais. Depois não sobra pro meu festivalzinho indie, poxa, eu não tenho culpa, todo mundo da firma vai.          
Longe de mim querer me colocar num saco à parte. Deste limbo vim e deste limbo sobrevivo. Todavia, entretanto, contudo... sabe, eu poderia apontar com meu dedinho indicador com esmalte Colorama descascado umas cinco pessoas espiritualizadíssimas para a plateia, e extremamente cuzonas quando as cortinas fecham - só para início de prosa. O que é ser cuzão? É algo muito relativo, assim como tudo na vida. O que pode ser cuzice para você pode não ser pro resto do país, mas, no geral, sabemos como não ser. É tentar ser franco nas relações, não alimentar esperanças em gente que não queremos ver no domingo depois da festa. É não fazer intrigas. É calar a boca quando a cabeça vivida e as mãos calejadas do seu pai entram em choque com o seu idealismo porra-louca juvenil (eita caralha, eu sei!!!!). É não dar em cima do namorado da sua amiga. É sair fora de uma relação assim, que, não raro, só traz sofrimento. É não ficar contando vantagem só porque comprou um carrinho popular, até porque grande merda ter um carro hoje em dia. Merda mesmo, vamos morrer todos sufocados por dióxido de carbono. É não querer ''aparecer'', é ficar na humildade ali, de boa. Falando nisso, como eu curto caras assim........... snif (só um adendo romântico porque estou na fase do mês regida loucamente pelos hormônios).
Eu sei que são tempos loucos, eu sei. Me pergunto diariamente onde vamos parar. Tenho pena considerável dos bebês que estão vindo - e vocês sabem que eu não estou exagerando, reflitam comigo. O Cidade Alerta, portal da verdade do Edir e soberano implacável da justiça na terra, não me deixa mentir. São tempos loucos, confusos, niilistas, tristes, alegres com Prozac, doentes, medonhos, mas ainda bem que existem os filtros, que ninguém é de ferro. São tempos loucos em que uma tarde na grama vira um acontecimento. Uma respirada de ar puro é digna de manchete. Uma série chata medieval sobre um trono imbecil provoca histeria coletiva. Um beijo de amor numa novela provoca ira em neandertais engravatados - e desculpa aí se estou ofendendo os neandertais. Mundo de merda. Ainda bem que as fotos não têm cheiro. E eu posso legendar as minhas do jeito mais escroto possível, afinal, esse é o meu legado.







*A Colorama não está patrocinando este post, até porque seus esmaltes são um lixo. 




sábado, 18 de abril de 2015

Organização Secreta dos Gatinhos - OSG

Deve haver uma organização secreta tipo a do Bond, James Bond, só que dos gatinhos e das gatinhas - xs conhecidxs maquiavélicxs, insensíveis, apáticxs. Acho que elxs se reúnem, de tempos em tempos, em sessões discretíssimas e fora do alcance dxs donxs, para deliberarem acerca de suas potencialidades e se saírem com alguns planos cruéis:

- Eu acho que vou começar a dormir com as patas pra baixo, man... se eu fizer isso, logo logo, a minha humana comerá na minha mão. É uma desequilibrada completa... não pode sequer me ver ronronar.

- Hahaha! Bem pontuado, caro irmão felino, o tal ronronar é o nosso maior trunfo frente àqueles seres menores. Eu, seguidamente, faço umas carinhas fofas como se estivesse a imitar um bebê da espécie humana. É infalível, glorioso, sempre me saio magistralmente bem. 


Eles e elas vão dominar o mundo. Que bom.





*Uma das criaturas mais geniais, incríveis e inteligentes que já existiram no universo também achou prudente não subestimar e se aliou a eles. Sugiro rever conceitos. 





Auxiliou no post:

Candy says - Banda do Lou Reed






quinta-feira, 16 de abril de 2015

Modernidade sólida com calda de chocolate


E aí, insuportáveis?


Fiquei sem internet quase um mês, logo, o abril que presenciam mostra-se mais sem graça que vocês compartilhando página Cifras. Mas vamos lá, tentemos mudar o retrospecto. O que me contam, além da mesmice de sempre? Eu tava pensando... a gente é a repetição da repetição da repetição da repetição da repetafff. Bom, isso o Lavoisier, o Chacrinha e o Steve Jobs - sim, pois o Jobs sabe de todos os mistérios da vida, segundo a rede - já disseram à exaustão que não se cria nada de muito novo no mundo, tudo é resto de outra coisa com roupagem de novidade. Só que, sabe... às vezes essa mesmice me prostra. Às vezes, ela dói mais que o usual. Eu tô doída, há certo tempo. 
Fiquei sem internet quase um mês e, aproveitando a contingência cotidiana, resolvi abraçar a tentativa involuntária de desintoxicação virtual. Sem timelines, sem portais e seus comentários. Celular esquecido em um cômodo da casa - e o nirvana aparente. Notícias, só no papel diagramado, em meio a encartes das Casas Bahia - se bem que faz falta uma flechinha pra fechar o spam. No more vídeos QUE VÃO RESGATAR SUA FÉ NA HUMANIDADE E 20 COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE NÃO SEI QUE CARALHOS. Uma certa paz começou a me habitar, confesso. Até reli uns xerox da faculdade e senti o frescor da profissão ressuscitada do mundo dos mortos - não que fossem papéis interessantes, claro, só resgatei algumas teorias como quem não quer nada. Sim, nem sei o que quero. Mas, em meio à quase alforria, eu permanecia acorrentada ao contrato de leitura, esse maldito. Eu não conseguia ''desligar'' porque me imaginava desaparecendo de um diálogo firmemente estabelecido, ou seja, eu fiquei mais ansiosa e atacada que o normal. Lutei bravamente, mas, coitada, sempre muito à mercê da falta que eu poderia estar fazendo, dos e-mails importantíssimos que eu deveria estar recebendo - em detrimento daqueles de propaganda, frequentes, em que é sugerido o aumento de tamanho do meu pênis inexistente. Cheguei à conclusão previsível que ninguém mais aguenta ler: estamos enlouquecendo. Não sou só eu. A diferença é só que uns disfarçam melhor que os outros - me inclua na equipe dos outros, como não, puta merda, eu não sei disfarçar. Talvez haja discordância, mas penso ser a tal ''modernidade líquida'' um fardo bem desgraçadinho. Ok, a gente ganha e muito, ok, muitas possibilidades, mas isso não quer dizer, necessariamente, mais qualidade de vida. Acho que a sólida era melhor. Vai que fosse com calda de chocolate ainda por cima? Hummmmm, que delícia e que droga. Nunca provarei deste tempero. Boa sorte com os ansiolíticos, Geração Z.



Auxiliou no post: não é da tua conta