segunda-feira, 23 de março de 2015

BRUNA - UM POEMA


BRUNA É TÃO ERRADA
QUE NO ULTRASSOM ERA MENINO
ATÉ QUE NASCEU AQUELA COISINHA CARECA
E LÁ FOI ELA SER GAUCHE NO DESTINO


ELA É BRUNA, BRUNA CASTRO
MAS NÃO É PRIMA DO FIDEL
EMBORA SIMPATIZE PRA CARALHINHO COM CUBA
E DETESTE GENERAL E CORONEL


BRUNA SABE USAR CRASE
MAS NÃO SABE VIVER
TEM UM CORAÇÃO MONGOLÃO
E COM FREQUÊNCIA QUER MORRER


BRU NÃO SAI COM GATINHO LIBERAL
ELA GOSTA É DE COMUNA
BRU É TÃO DO CONTRA
QUE COMUNA RIMA COM BRUNA


BRUNA É JORNALISTA
É CANHOTA E DESCOORDENADA
BRUNA TOMA PAROXETINA
PRA NÃO SE JOGAR DA SACADA


BRUNA NÃO SEPARA SUJEITO DE VERBO
BRUNA MANJA DO PORTUGUÊS
PORÉM ELA SABE QUE ISSO NÃO É PÁREO
PRA QUEM SABE CHUPAR A PICA DO FREGUÊS


BRUNA NÃO GOSTA DO BENTO GONÇALVES
NEM DO 20 DE SETEMBRO
BRUNA PREFERE TIRADENTES E ZUMBI DOS PALMARES
O 20 QUE ELA RESPEITA É O DE NOVEMBRO


NAQUELE DOCUMENTÁRIO DA FACUL SOBRE IDENTIDADE GAÚCHA
ELA CONSTANTEMENTE QUERIA VOMITAR
PORÉM AGUENTOU E DISTRIBUIU SORRISOS AMARELOS
AFINAL PRECISAVA PASSAR


BRUNA FAZ POEMINHAS PRA ALIVIAR A DOR
E ESCUTA BUENA VISTA SOCIAL CLUB
E AÍ VOLTA PRA UNS ANOS SAUDOSOS
E PRA RODA DE SAMBA DO CARTOLA - NEM QUE SEJA PELO YOUTUBE





                                                         




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Finishing school - Dashboard Confessional








quarta-feira, 18 de março de 2015

Marcos e Belutti - um passeio na Apollo 11

Como prometido, voltamos ao deboche para com estas criaturinhas que nadam no dinheiro, usam fivelas de ouro, além de pouco se foderem para a minha reles existência: os sertanejos.
Hoje, vamos queimar o domingo de manhã, digo, o Marcos e o Belutti - a propósito, quem raios se chama Belutti? Espero, de coração, que isso seja um apelido, um sobrenome, uma promessa, enfim, ninguém merece ser chamado disso de graça. Bom, sigam-me os desgostosos com essa cançãozinha do inferno.

Tá com voz de sono, foi mal se te acordei
Desligue e volte a dormir, depois me ligue aqui


(Menino do céu, tu tem que ter muito pouco amor à vida pra me ligar num domingo de manhã e ainda ter a pachorra de dizer pra ligar de volta. Assim? Na boa, cara, a mina trabalhou a semana inteira, estudou a semana inteira, sentou na pica do capital a semana inteira, ou seja, no domingo, ela quer DORMIR. Ela quer colocar o soninho dos justos em dia. Se você ama, deixe dormir. Não tem essa de ''quem ama cuida''. Quem ama, deixa dormir. Esse é o segredo para as relações da modernidade do Bauman durarem. E não me manda desligar, quem manda aqui sou eu, seu mala!)

Eu nem sei o que faria nesse inverno
Qualquer coisa que não fosse com você
Me causaria tédio


(Ah, bonitinho, né? Mas só pra ti saber, Belutti (imagina chegar para as tuas amigas: oi, gurias, esse é o Belutti!!! se aguentar a zoação, é amor), os vinhos e as massas discordam da parte do tédio. Mas, sei lá, tem um pouco de verdade no que eles falaram, afinal, no inverno a tendência é à melancolia. Vou dar um crédito pra eles aí.)

Poderia estar agora no espaço em um módulo lunar,
Ó que chato
E se eu tivesse agora velejando num barquinho no Caribe,
Deus me livre
Poderia estar agora num hotel mil estrelas em Dubai

Mas eu, eu, eu  
Prefiro estar aqui
Te perturbando, domingo de manhã
É que eu prefiro ouvir sua voz de sono
Domingo de manhã,
Domingo de manhã


(Gente do céu, essa parte do módulo lunar não faz o mínimo sentido, quer dizer, estou saindo com o Neil Armstrong e não me avisaram??? Idem para a parte do barquinho no Caribe acompanhado de um ''Deus me livre''. Belutti, eu fui no Google e... bem, o Caribe é tipo isso aqui, ó:




Enfim, a parte do hotel em Dubai é o bônus da patacoada, sem falar que, pela lógica da música, uma coisa exclui a outra, ou seja, não há como ligar de Dubai para qualquer cidade do mundo. Dubai tem arranha-céus de 93483948938 andares, e nenhum telefone. Poxa!)




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Chelsea dagger - The Fratellis






terça-feira, 17 de março de 2015

A bicicletinha do Leônidas da Silva

Estava eu em uma rodinha feminina, dia desses, discutindo as delícias e agruras de ter 20 e poucos. Até que o assunto chegou nos relacionamentos, claro, porque isso é um carma que persegue todos nós. Papo vai, papo vem, questionei as moças sobre o que achavam de a mulher tomar a iniciativa em festas, por exemplo, estes lugares aonde vamos, a fim de tentar achar os amores de nossas vidas toda sexta-feira. Em questão de segundos, fui fuzilada com olhares de reprovação. Uma arrematou: ''ai, sabe, nisso eu sou antiga, não vou atrás deles''. Aí eu fiquei lá com uma cara de tacho, meio desconcertada da vida. Ok, tem outras rodas por aí.
Não que as meninas do recinto sejam um termômetro cabal de um pensamento conservador generalista quanto à ética do flerte na sociedade, mas, sabe, só euzinha lá perdida no meu argumento me fez pensar. Pra algumas, é quase um ultraje ter que puxar um papo que seja. E eu estou lindamente na contramão disso. Eu não puxo só papo, eu entrevisto mesmo. Conversar é uma delícia, desculpe, mas isso eu faço muito bem. Poxa, gatas, lipoaspirem esse pensamento vitoriano e machista de suas vidas amorosas.
Esse assunto sempre me intrigou. Quer dizer que se eu achar um cara interessante, fazer contato visual por horas, não posso, mesmo assim, chegar e dizer um ''olá'' que seja? Qual é? E se ele for um palerma? E se ele for mudo? Bom, é bem verdade que ''olás singelos'' não fazem meu tipo, eu sou devota mais é da escola Groucho Marx de interação mesmo - não que eu me orgulhe, claro, isso é só uma constatação. Alguma espertinha aí da audiência talvez diga que ''ah, Bruninha, se não veio falar contigo, é porque não gostou de ti''. Dane-se, querida, é a ala dos cuecas que manda agora? Percebam como é uma posição de subserviência esta de ficar esperando ser conquistada, esperando ser "cortejada", esperando que a vida nos brinde com um amor. Não que eu seja irresistível, mas não posso tentar conquistar ninguém então? É isso mesmo? Ah, para, dá nada, eles são só humanos como nós. Que frescura. Desde nova, eu venho escutando que não é a mulher que vai atrás, que é o homem que faz isso, que é o homem que faz aquilo, e, olha, isso é limitador, isto é, todos queremos ser felizes. Vamos dividir as culpas e as vontades, please.
É claro, my dear, que tentando mais, as chances de se dar mal são infinitamente maiores, não fico imune sendo moderninha por aí. As bolas foras multiplicam-se na velocidade da luz. Mas também, meu amigo, quando eu acerto... aí é gol de placa. Aí é Leônidas da Silva fazendo gol de bicicleta. E, olha, teve alguns... teve aquela vez do... e aquela outra do....
Enfim, também tenho direito de tentar golear.





TÁ LÁ, É GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL DA BRUNINHA, A CRAQUE DA CAMISA 10


      

quarta-feira, 11 de março de 2015

8 de março - uma nadadinha básica no chorume

O dia era o 8 de março, o fatídico. Muitos homens levaram suas mães, irmãs, namoradas, sogras, primas, whatever, para almoçar, lhe deram flores em alusão ao dia, enfim, muitas foram tratadas como rainhas no domingo - ainda que tenham que ter lavado a louça do dia e varrido a casa, claro. Como esses homens nos amam, não? É muito romantismo e cavalheirismo. Que lords esses moços! Eles, claro, frisaram que o parabéns era destinado somente às mulheres de verdade. Mulher de gabarito! Mulher que ''se dá o valor'', não essas aí. Mulher de verdade, não essas que saem a cada final de semana e tomam todas. Não essas que abortam ''os filhos''. Não essas que ousam sair com a roupa que quiserem e serem donas da própria vida. Não essas que têm um pinto e se intitulam mulher. Por favor, essas são caricaturas, essas não são mulheres de verdade. Blá, blá, a mesma bomba de chorume direitista e católica (Sorry, Franciscão, tu até é bem simpático mas tua igreja me dá nos nervos!) que desde 1750 nos é oferecida a cada ano, nem sei por que raios me dou ao trabalho de recapitular esse monte de zzzzzz. Mas fica aqui a mensagem deste bem intencionado e muy educado bloguinho: enfiem vossos parabéns e os próximos bem no meio do cu. Ou, sei lá, experimentem parar de buzinar para mulher desacompanhada na rua, quando estiverem de carro junto com um séquito de bobalhões a tiracolo. Já seria de muita valia.  
Mais que o monte de homenagem sexista e ridícula, o monte de homem falando merda na internet, o que me deixou sinceramente triste mesmo foram os xingamentos à presidenta Dilma. E, se você for minimamente esperto, vai entender o porquê. Não é porque eu sou petista, cara - não sou filiada à merda nenhuma. É pela contradição do comportamento de vocês, que à tarde eram só amores e montagens cafonas com rosas, e à noite eram só ferocidade e ''vaza, vadia'' ou ''vagabunda ladrona'', e outros xingamentos nojentos ditos única e exclusivamente por ela ser uma mulher, e, bem, mandar no país. (Cá entre nós, deve doer, né? Ver uma feiosa lá sambando na cara de vocês, né? - e, se a chamo de ''feiosa', é por ter ciência de que ela não carrega o padrão de beleza cultuado midiaticamente e de que muitos a ridicularizam por isso) É, principalmente, por não respeitarem a figura de uma mulher que merece respeito como qualquer outra. Como até merece respeito a santa da sua mãezinha - que, claro, não tem desejos sexuais e tem uma índole irrepreensível. Ok, as pessoas - nem todas - baseadas em sei lá que argumentos estão descontentes com o governo dela. Beleza. Cês têm direito, cara. Em 92, o povo foi pra rua e tirou o Collor. Justíssimo. Se for pra ela sair, que saia, a força das ruas está aí pra fazer valer a vontade da maioria. Mas não é chamando a criatura de ''gorda cretina'', que seu argumento vai ser mais sólido. Só a título de curiosidade: os xingamentos, há 22 anos, eram mais refinados, não? Claro que sim, o Collor era o presidente bonitão, o cara que pilotava jet skis, o esportista descoladão. Era outro nível, cof cof.
No mais, fiquem aí, vão pra rua dia 15, vão pro raio que os parta, me xinguem, falem o que quiser, não me incomodo. Só repensem a atitude machista e lembrem-se de que as mulheres da sua família são as mulheres que vocês renegam muitas vezes na rua, na balada, no trabalho. Elas não vieram com uma etiquetinha dizendo ''intocável''. 




   

quarta-feira, 4 de março de 2015

20 anos de Lendas da Paixão

Lendas da Paixão está fazendo 20 aninhos de lançamento, que amor. Reassisti a essa droga, há uns dias, e resolvi reportar, dada a data redondinha. Digo droga, porque é literalmente uma droga de efeitos perversos. Sempre que vejo fico meio atordoada, demoro dias para me recuperar, fico fantasiando aquela trilha maldita até abrindo a geladeira e pegando a margarina, e, como não deixaria de ser, vejo aparições de um cabeludo Tristan Ludlow em cada vão da casa. Em cada esquina, isso mesmo, Samuel Rosa, eu vejo seu olhar. Uma loucura. Esses épicos me arrebatam sempre, como que me tragando para um mar denso e confuso. O fato é que essa tal Hollywood não tem um pingo de condescendência com nós, os miolos moles, as almas vagabundas, os impressionáveis, os imbecis com boas intenções.
Bueno, a sinopse é sobre três irmãos que vivem com o pai, William Ludlow - que se separou da esposa quando estes eram crianças -, em um rancho afastado do oeste americano, mais precisamente em Montana, no início do século XX - sim, aquela atmosfera de primeira grande guerra e coisa. Os meninos são Alfred, o mais velho e desde pequeno, sério e dedicado em seus afazeres, Tristan, o filho do meio, criado em contato com os índios e com uma bravura que chega a assustar os demais, e fechando a tríade, Samuel, que é frágil e convive com a proteção excessiva dos irmãos. Até aí, tudo na paz, os três crescem fazendo umas estripulias e colecionando histórias bonitinhas. Porém, com a chegada de Susannah, noiva do caçula, ao convívio rude da fazenda, estas relações masculinas, antes intocadas, sofrem um abalo considerável - e é aí que vemos o conflito que dará norte a toda a sinopse. E não vou contar mais nada, sabe, porque tenho esperança de que vocês, caso não tenham visto ainda, verão e me mandarão e-mails, deixarão comentários e me apoiarão, a fim de trocarmos figurinhas e enxergarmos os olhos indômitos do Tristan num filme imaginário, pois é tudo o que nos resta. Mas só alerto: essa coisinha hollywoodiana é bem mais que um filme sobre paixão, não se deixem enganar. É, principalmente, sobre laços. E, ai, como laços são bonitos. Sim, cara, você vai chorar. 
Só porque eu fiquei "Tristan isso, Tristan aquilo", me deixem fazer umas considerações sobre esse serzinho indecifrável, que inevitavelmente sintetiza as relações dolorosas que podem surgir entre nós, animaizinhos sentimentais. Ele é, sem dúvida, o preferido do pai, ainda que este ensaie algumas reprimendas diante da personalidade intempestiva do filho. Ele é, sem dúvida, a cocaína da trama, visto que pessoas aventureiras sempre serão irresistíveis, ainda que também saibam ser bem cruéis. E ele é, sem dúvida, o culpado do meu choro máximo, não tem o que discutir, as maiores reviravoltas do filme são protagonizadas pelo seu belo rostinho. E isso, essa coisa de reviravolta, tem aos montes. Assim que eu gosto, mesmo que não admita. A tristeza sabe ser bonita, se olhada com delicadeza. E delicadeza é o que não falta... ai, ó o nó na garganta de novo. Paro por aqui.







*O filme é baseado em um livro, cujos personagens não tem necessariamente o mesmo destino contado na obra cinematográfica. Sugiro cautela para não rolar uma decepção.