sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Sobre fazer merda e o Mario Bros

Não tenho me arrependido de nada do que eu tenho feito. Bom, considerando que eu só tenho feito merda, isso é uma constatação preocupante. Aliás, merda é um pouco pejorativo, parece até que eu não meço as consequências das minhas atitudes. Tá achando que aqui é bagunça? Ha, enfim... O fato é que eu tenho feito muita coisa sem pensar, e, curiosamente, não tenho voltado a pensar no(s) assunto(s) - daí a conotação escatológica da coisa, percebam. Eu não tenho remoído nada. Nadica. Não deixa de ser uma legítima dádiva para quem chegava a i-m-p-r-i-m-i-r conversas de messenger e fazer análises fuleiras do discurso com elas. Sim, você leu certo, eu sou anormal.

- Mas, amiga, aqui, por exemplo, ele deu mais de três has... tipo ''hahahaha'' quer dizer que ele realmente riu, entende?
- Não dá pra garantir, né... tu não tava lá pra ver.
- Partindo da ideia de que ''haha'' é debochado quase parando e ''hahaha'' é protocolar demais, concluo que minha piada foi um sucesso.
- Claro que sim, tá, tá, ele riu de rolar no chão. Acho que tá até agora lá, desmaiado. Sorrindo no chão, claro.
- Muitíssimo obrigada. Por nada. Devolve meus papéis. 

Essa aparente leviandade em se tratando das minhas atitudes nunca me fez também - e também nunca me surpreendeu tanto: como disse acima, o meu retrospecto de autoesculacho já rendeu algumas noites de pouco sono e inúmeras memórias ridículas no pensamento. Não que eu não pense agora, só que hoje em dia não é martírio, não é mais sofrimento; é, no máximo, um trecho gessingeriano: "aperto de mãos, apenas bons amigos''. Hasta la vista, carrapato existencial. Eu não sei se é só uma fase, não sei se vai durar, só sei que tou amando essa minha negligência bem intencionada, cuja beneficiária-mor e essa que voz caga, digo, fala. O nosso reflexo no espelho adora gritar que a gente faz merda, mas o conceito dele a respeito é muito provinciano. Ele não sabe nada sobre nós. Coitado, ele não sabe nada sobre mim.

- Ih, otária, foi puxar assunto de novo com esse cara que nem sabe teu sobrenome?
- Super sério que você deixou o trabalho da faculdade em segundo plano pra atualizar essa droga de blog?
- Não pensou nas pautas, não ligou pra nenhum entrevistado, não arrumou as laudas, vai sifuuuu...
- Não creio que a senhorita gastou tudo isso em barras de chocolate. E ainda faltou academia hoje. Vai morrer gorda e encalhada. Muahaha.
- Tá fazendo tudo errado, meninas não tomam a iniciativa. Meu bem, custa, ao menos, fingir esperteza?
- Você está flertando no trabalho, Agridoce???????????

Eu ando numa paz abissal, vou te contar, tou pra ver. Nunca imaginei que chegaria nesse nível de aconchego interior. Agora eu me perdoo por tudo, por qualquer ato que sai no automático. E eu vivo no automático, é incrível. Não protagonizo mais joguinhos comigo mesma - cansei, literalmente, desse filme.
Fazer merda pode ser simplesmente dar vazão aos sentidos, agir sem amarras, não se preocupar com a língua alheia. Não sei, mas que eu passei dessa fase, eu passei. Mario Bros ficaria orgulhoso.









domingo, 3 de fevereiro de 2013

Capa de jornal


Atentem para um caso raro de vulnerabilidade agridoce:



Tem dias em que a modernidade assusta, e tudo que você quer é se prender, ser capturada, ser presa por um amor. Sim, quero um amor. Adoro minha liberdade – ou quase sensação – mas quero, sim, ser tragada para dentro de um mundinho paralelo em que só eu e esse tal existam. Quero meu Landon Carter, meu Fabrizio Moretti, meu Humphrey Bogart, meu Chandler Bing, meu Dave Grohl  – maldito mundinho hollywoodiano, maldito mundinho rockstar que não me deixa ser uma adulta bem resolvida. Eu preciso do meu príncipe roqueiro e inteligente e gostoso e cabeça e não-fumante e solidário e sorridente e vindo de um livro dos Irmãos Grimm – é caráter de urgência. Dane-se o feminismo, dane-se Simone de Beauvoir, dane-se Pagu, dane-se minha dignidade, dane-se vergonha na cara, eu quero o meu amor, cadê você que não aparece, seu desaforado? Cansei de olhar para olhos que não me despertam nada além de sono, eu quero é olhar para esse tal que me escorre pelo dedos em quases irritantes, e sentir, na mais piegas definição da palavra, uma paixão avassaladora. Eu quero que, após isso, você lute por mim. Sim, eu quero ser defendida, quero ser exaltada, eu quero ser uma musa, um tormento, uma solução, uma brisa inspiradora, eu quero ser a sua piranha, meu caro desconhecido. E só sua. Eu quero ganhar flores – nem que seja para depois dizer que não sou fã de rosas, e consolar seu bom-mocismo falho com minha sinceridade – que, claro, você há de amar. Eu quero ganhar colo, quero ser devorada, quero ser questionada, quero ser mimada, quero ter ataques de ciúme, mesmo desconhecendo o porquê, mesmo não me reconhecendo depois. Quero discutir e praguejar sua existência, e depois ir atrás de seu casaco na chuva, implorando por um beijo. Eu quero um amor almodovariano, um amor modernista, um amor buarqueano, um amor sessentista, um amor conservador e revolucionário, um amor otário. Eu quero reconhecer sua sombra no escuro – tudo isso, por ter decorado o mapa do seu corpo. Eu quero ser seu mais sincero estorvo. Eu quero receber uma declaração e ficar sem palavras, quero entender seus olhares sem ter que dizê-las – quero que, no nosso caso, sejam meras coadjuvantes. Quero que tenhamos não espírito de casal, mas, sim, de amantes – quero adrenalina, quero ser sua pequena grande menina. Eu quero ser entendida, quero que meus defeitos virem atração principal. Eu quero que esse amor, nosso amor, vire matéria de jornal. Capa de jornal. 










sábado, 2 de fevereiro de 2013

Apaixonáveis apaixonantes

       Ora, pois, me encontro no recinto, a fim de fazer uma pequena retificação. Retificação esta que se refere ao segundo item das ditas "verdades agridoces" - e francamente, tem tanta verdade mais... mas, enfim, vim, humildemente, fazer aquele mea culpa habitual. Vejam bem, não quis dizer que os moços não se apaixonam numa totalidade... ou são uns frios, obcecados exclusivamente em perpetuar seus genes. Fui movida por um intrincado "retrospecto biológico da coisa", no qual constam modos distintos de apaixonamento, mas reconheço que a generalização foi leviana. Quem sou eu para saber se fulano é ou não apaixonado pela ciclana? Fail, Agridoce, tá de castigo.
        Penso só que - querendo ou não - meninas e meninos não gostam de maneiras iguais, nem demonstram isso de modo unilateral. Sem falar na bagagem ancestral de ambos os gêneros na construção da civilização moderna, e todo aquele papo de patriarcado e blá blá blá - vocês sabem, não nasceram ontem. É óbvio que eu gostaria de dizer que fiz uma extensa pesquisa de campo que embasa todos os meus argumentos, mas isso seria um baita dum caô, então, seguirei apelando para o senso comum a que fiz referência anteriormente. E, aproveitando o ensejo, vim falar outras verdades que me ocorreram em se tratando da temática... ai, ando romântica, me abracem.
        Na verdade, verdadinha mesmo, quero dizer que todos nós somos apaixonáveis e podemos inspirar paixões - eis um fato interessante, pois somos inconfundíveis no nosso pior e no nosso melhor. Esses nossos jeitinhos insuportáveis e fascinantes são capazes de apaixonar qualquer um. Ninguém é igual a nós e, mesmo com essa profusão de bundas femininas esculturais e músculos masculinos deliciosos - nesse jogo divertido de padrões surreais e inatingíveis - ainda, sim, somos uns charmosos incorrigíveis na normalidade do nosso cabelo bagunçado, da nossa barriga saliente, do nosso mau humor matinal característico. Falo da essência que não se pode comprar, não se pode transferir. Personalidades nunca foram tão atraentes e perturbadoras, penso eu...
        Nos apaixonamos pelos milhares de jeitos que habitam esse mundão. São vários, são mágicos, são petulantes, são pessoas agindo e mudando nossa vida. Às vezes, erramos no alvo, claro, mas a culpa não é nossa, caros leitores e leitoras. É mérito dos Antônios, Lucas, Fernandos e Rafaéis e seus jeitos alienados estressadinhos, recitando poemas ao violão. É mérito das Déboras, Helenas, Vitórias e Manuelas sorrindo imbecis para o amor na prateleira, a cada conversa de esquina. Ou, quem sabe, culpa das agridoces verborrágicas que escrevem em blogs falidos por aí, por que não? Vai saber... qualquer um pode ser agente de uma paixão, já disse acima. Vamos nos apaixonar, depois a gente vê.
       



Auxiliaram no post: 

Hangover days - Jason Collett e Emily Haines
Alone again (Naturally) - Gilbert O'Sullivan