domingo, 28 de dezembro de 2014

Relações amorosas me apavoram

Relações amorosas me apavoram. É, é isso mesmo. Ao mesmo tempo em que me fascinam e povoam minha mente com suposições fofinhas e legendas de fotos, me aterrorizam. Eu tenho medo pra caralho. Fujo. Me escondo. É muita timeline pra esconder. Muita amiga e amigo pra suportar. Muita minhoca na cabeça pra deixar pra lá. Muito ciúme pra engolir a seco e com sorriso amarelo. Muito capitalismo pra conviver com civilidade. Muito status social pra sustentar. Muito trauma de infância pra sufocar o outro. Muita falcatrua pra levar na boa e ter que relativizar, porque, afinal, o sistema é esse. Não sei que tom essa postagem tá tomando, mas definitivamente não é sobre vitimismo. É mais sobre preguiça mesmo, estafa, tédio, laconismo. Vejo tantas histórias - algumas com mais riqueza de detalhes que outras - e não consigo entender como a gente pode errar tanto. Como pode se enganar tanto. Como pode ser tão animalesco, quando tinha é que colocar a cabeça para funcionar. HAHAHAHA AI, AMO MINHA INGENUIDADE
Como se a gente conseguisse pensar quando tá hipnotizado por um sorriso, por um jeito, por um peitoral, né, migxs? O sero mano é uma piada mesmo. Assim, a preguiça a que me referi é muito também sobre se proteger. Eu tenho medo de ser ferida. Pode ser uma criancice, mas também pode ser muito inteligente da minha parte: saber o que vale ou não nossa paz é um conceito interessante Concordo que não é muito descolado, inclusive, confessar isso... nem mesmo rende uma montagem com aquelas frases manjadas e IsabelaFreitianas tipo ''AI VAI E ARRISCA, GATA''
HAHAHA JURA, ISA? E quem paga minha terapia depois? Eu não tô num filme da Nancy Meyers, saca? A vida parece mais tolerável na internet mesmo. Mas quando eu voltar pra vida real, tiver que colocar a cara na rua e encarar minha total inabilidade social, eu vou querer me socar lentamente. E aquele sentimento feroz de trouxice aguda vai me corroer até eu sentir meus ossos quebrando e virando mingau. Tudo por causa de um menino. Ai, os meninos. Malditinhos. Tão escrotos e testosterônicos, mas tão mordíveis e cafunáveis. E sempre tem uns caras estranhos que me prendem a atenção e eu queria que eles vissem a mina massa que eu sou e que nós dividíssemos uns olhares de quem se conhece há 300 anos e a tutela de uns gatos de rua, mas eles sempre se encantam por alguém que não sou eu. E eu fico pensando ''puta merda, como ela conseguiu?''. Que sejam felizes, então, mas nem tanto. Blá blá, sumam do meu raio de visão.
Lembro de um cara por quem alimentei uma loucura muito louca e fodida desgraçada pra caralho lá pelos sweet sixteen, e eu não via jeito de a gente ficar junto. Tipo, nem sonhar eu conseguia, sente o drama. E ali eu entendi que eu queria mesmo era sequestrar ele e ir viver na ilha de Lost, sei lá, mas longe de qualquer coisa que pudesse minar nosso amor. Eu queria é viver grudada nele e viver de luz, viver de olhar pros olhos dele, mas sem nada que impregnasse nossa vida de realidade. Sem filas de banco, sem louças pra lavar, sem famílias pra encher nosso saco. Nós e nós e deu, fecha a porta da nossa ilusão aí. Ali, eu entendi que queria é que com todos os que vieram fosse assim. Ali, eu entendi que o amor não foi feito pra essa vida que levamos. Todavia, a gente vai continuar tentando e se vestindo de cinismo. Ou se protegendo, o que dá no mesmo. 



Auxiliaram no post: 

White wedding - Billy Idol
You could be mine - Guns N' Roses




                 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Sobre um ano de merda, aniversário do blog e esperança que vem com The Beach Boys

''Então é Natal, e o que você fez?''

SIMONE, MIGA, NÃO FODE

E aí, marujos deste marzão chamado vida? Muita rabanada? Sabe, não foi um ano dos melhores para mim. Ao contrário de muita gente no Facebook espalhando glórias nas fuças alheias, vim aqui, na humilde, dizer que meu ano foi uma merda. Tá, não uma merda, meeeerda - há coisas piores no mundo - foi uma merdinha, saca? Fiz umas escolhas erradas. Perdi pessoas queridas. Meu peludinho me deixou - e ainda dói. Tive momentos bacanas, mas no geral foi como se eu tivesse passado dormindo desde a quarta-feira de cinzas. É surreal como eu me lembro daquele sentimento de impotência naquela tarde. Porém, felizmente passou. O bom é que os anos passam. E tô me recuperando. Comecei a fazer novos planos, aqueles planos de leonino, coitados, que nascem com o fogo, a excitação, a fúria da esperança, e vão, paulatinamente, perdendo o fôlego. Aff, espero ter maturidade desta vez para agir com perícia. Mais estratégia e menos empolgação, Bruna, é a deixa pro próximo ano.

Neste novo ano, eu tava querendo, se me permitem, ser mais cuzona também, sabe? Eu sou muito boazinha, cheia de idealismos e princípios, não sei até que ponto eu ganho com isso. Queria me importar menos com certas coisas. Queria ser mais... mais.... aff, sei lá eu, não sei nominar a coisa. E não é questão de pagar de franciscana também, é só uma espécie de vontade de experimentar outros jeitos de ser. Foi algo que me passou pela cabeça aqui. Todavia, quem sabe eu já esteja sendo cuzona há tempos, e não tenha me dado conta disso, não? Questão de ponto de vista. Acho que, às vezes, você só cansa de ser você. Tô enjoada dessa minha cara de pateta.

Mas, olha, deixa eu contar aqui pra vocês que, timidamente, sinto brotar um sentimento de renovação dentro de mim, uma parada bem energizante. Não sei até quando vai durar, mas tenho sentido que finalmente me encontrei. Direcionei meus interesses, assentei meu coração vagabundo, me conheci melhor. Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro, seria esta: USEM FILTRO SOLAR
Tá, sério, seria a atividade de se conhecer. Não é fácil e não somos ensinados, em um primeiro momento, a pensar com nossas cabeças. Mas isso já é algo que venho alimentando há uns quatro anos: autoconhecimento. A melhor terapia que existe. E a mais dolorida também. A diferença é que, comparando com os abdominais e o levantamento de ferrinhos, a gente fica mais forte é por dentro mesmo.

Aproveitando o texto, vim parabenizar este bloguxo dos horrores, que completou 4 primaverinhas no dia 22. AEEEEEEEEEE MUITO CHANTILLY PRA GALERA
É um baby, né? Imaturo, pouco convincente, não sabe aonde tá indo. Mas tem bom coração. Vamos ver até quando terá coragem para seguir caminhando. Querendo ou não, ele segue sobrevivendo sem um arranhão da caridade de quem o detesta. Vejo alguns textos antigos lá de três anos atrás e quase choro de vergonha alheia. Mas me policio e mentalizo: aquilo ali já fui eu, não posso apagar nada. A bad passa? Não, não passa, mas aí eu dou jeito de me entreter com coisas idiotas. Daqui uns anos, se continuar, estarei tendo vergonha do que fui hoje provavelmente. Isso é tipo Rei Leão, é o ciclo sem fim. E seguimos.

Bueno, se tem uma coisa que eu já constatei, é que não tem como desejar que todxs tenham um ano maravilhoso, que todxs sejam felizes, pois, quando alguém estiver indo muito bem, alguém não muito distante estará se fodendo pra caralho - trata-se de uma questão de lógica kármica. Entretanto, espero que a gente possa agir da melhor forma diante dessa constante que é a dança das cadeiras. E que dê pra dar umas risadas. A vida não é muito original no roteiro, vive se repetindo com todos, essa raposa. Fiquem com meu Beach Boys altamente inspirador, porque o fato é que não há banda mais natalina que Beach Boys. Será que só eu acho isso? r: sim



E, CHRIS, DE MERI CRISMAS, EU QUERO QUE CÊ RENOVE O CONTRATO COM A MARVEL E FAÇA MAIS UNS 10 FILMES POIS NÃO SERÁ FÁCIL SUPERAR SEU ~~TALENTO~~ DE COLANT, OBRIGADA









Auxiliaram no post:

Os meninos da árvore acima, com God only knows, Don't worry baby, Kokomo, Surfin' safari, I get around, Little saint Nick, etcetera.







        



quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

TOP 10 MUITO MAIS DESCOLADAÇO

TOP 10 MUSICAL DA MIGA CATÁRTICA 2

Devido ao sucesso da última postagem (ninguém leu), eu voltei com mais musiquitas. Eita porra, rolou uma dor na consciência por não ter colocado a bandinha do Knopfler. E outras aí que escutei compulsivamente, inclusive, altas lembranças, só saudades. Vem comigo, porque a inspiração ultimamente foda - só tenho pensado merda e escrito também.


RUNAWAY (BONNIE RAITT) - MINHA NOSSA FAZ UNS 7 ANOS QUE EU SOU LOUCA POR UMA MÚSICA DA BONNIE ESSA GRITONA MARAVILHOSA MAS NÃO ACHO EM LUGAR NENHUM PORÉM ESSA QUE VOS APRESENTO É ÓTIMA TAMBÉM ADORO ESSA VAIBE COUNTRY DE NASHVILLE QUE EU ESCUTEI NUM FILME DO JOHN CARPENTER RUIM DEMAIS KKKKKKK E ASSUSTADOR DEMAIS BOM TALVEZ SEJA ASSUSTADOR SÓ PRA MIM QUE SOU RETARDADA FICA A REFLEXÃO

ROCK 'N' ROLL SUICIDE (DAVID BOWIE) - ESSA MÚSICA ESSA MÚSICA ESSA MÚSICA CARALHO MINHA NOSSA ME EMOCIONA PUTZ ESTOU ARREPIADINHA YOU'RE NOT ALOOOOOOOOOOOOONE NOT ALOOOOOOOOOONE GENTE TIVE UMA FASE DE BOWIE NA BOWIE KKKKKKKKK ESCUTEI O CAMALEÃO DO ROQUENROL DIRETO UNS DOIS MESES AÍ PAREI PORÉM ELE PRECISAVA ENTRAR NESTE SEGUNDO TOP 10 DO SUCESSO

ABSOLUTE BEGINNERS (BOWIE) - COMO EU ESTAVA DIZENDO O GAROTINHO BOWIE SABE COMO NOS ENFEITIÇAR O QUE DIZER DESTA MÚSICA QUE CONHEÇO HÁ POUCO NO ENTANTO CONSIDERO PAKAS E SERVIU DE INSPIRAÇÕES LOUCAS PARA MUITOS TEXTOS ROMÂNTICOS E FOFUCHOS AQUI NO BLOG A PROPÓSITO LEIAM CARALHO

BEIRA MAR (ZÉ RAMALHO) - MAS O QUE DIZER DESSA LETRA DESSE ARRANJO DESSE SOLO FEDERAL DO DOMINGUINHOS ETERNO NA SUA SANFONA EITA CHEGUEI A ME ARREPIAR AQUI ESCUTEI BASTANTE ESSA DO ZÉ FICA A DICA AMANTES DO BOM E VELHO CANCIONEIRO TUPINIQUIM

WEST END GIRLS (PET SHOP BOYS) - AÍ FINALMENTE ENTRARAM NA LISTA LINDINHOS ADORO ESSA MÚSICA DE VOCÊS MAS VOCÊS DEVERIAM TER ME ALERTADO QUE ESCUTÁ-LA EM LUGARES COMO BANCOS EM QUE FICAMOS EM FILAS NÃO É UM BOM NEGÓCIO PORQUE INVOLUNTARIAMENTE COMEÇAMOS A FAZER DANCINHAS RIDÍCULAS PERANTE OS OLHOS ALHEIOS

THE ONLY LIVING BOY IN NEW YORK (SIMON & GARFUNKEL) - SÃO UNS GRACINHAS NÉ SEMPRE QUANDO OUÇO ELES ME TRANSPORTO PARA UM MUNDO DE CALÇAS PANTALONAS E NENHUM SENSO DE RIDÍCULO MAS PERAÍ NÃO ESTOU CHAMANDO ELES DE RIDÍCULOS INCLUSIVE ADORO SUA VAIBE ARCADISTA DOS ANOS SETENTA E ESSA CANÇÃOZINHA É MUITO LINDA

DOWN TO THE WATERLINE (DIRE STRAITS) - O QUE É O QUE É QUE TEM NESSA GUITARRINHA DO MARK QUE ME DEIXA DESCARALHADA DA VIDA SEI LÁ MEU NÃO ENTENDO CARALHOS DE MÚSICA MAS ESSA BANDA É A MELHOR BANDA DA VIDA MENTIRA NÃO É MAS EU SOU FÃ ENTÃO ME DEIXA COM ESSE HIT DO PRIMEIRO ÁLBUM DELES QUE INCLUSIVE NÃO TEM SOMENTE SULTANS OF SWING QUE EU NÃO AGUENTO MAIS BRINCADEIRINHA AGUENTO SIM FÃ É FÃ

TANGERINE (LED ZEPPELIN) - MAS OLHA SÓ EU CONSUMINDO LED ZEPPELIN ESTOU ME SENTINDO O SUPRASSUMO DA DESCOLADEZ MUSICAL MAS É UMA GRAÇA ESSA CANÇÃOZINHA NÃO É MESMO ESCUTEI ELA BASTANTÃO NESSE 2014 BEIJÃO PRO ROBERT PLANT QUE INCLUSIVE ANIVERSARIA NO MESMO DIA QUE EUZINHA NADA A VER ESCREVER ISSO MAS ENFIM

ALWAYS RIGHT (ALABAMA SHAKES) - ESSA MÚSICA É FODA PRA CARALHO E TÁ NOS MEUS FONES HÁ QUASE UM ANO ME FALTAM REFERÊNCIAS PRA ESSA BANDA POIS É RELATIVAMENTE NOVA PORÉM SÓ POSSO DIZER QUE ESSA MINA CANTA PRA CARALHO E ERA ISSO FIM

MAGNET AND STEEL (WALTER EGAN) - ESSA MÚSICA É MUITO ENGRAÇADA MENTIRA NÃO É MAS EU ACHO PORQUE DESCOBRI ELA NUM FILME MUITO TOSCO DE SESSÃO DA TARDE E AÍ ELA GRUDOU NO MEU CEREBELO DE UMA FORMA SATÂNICA E ATÉ HOJE EU ESCUTO SEM PREVISÃO DE TÉRMINO ENFIM NÃO É DESCOLADONA MAS TEM SEU MÉRITO 'CAUSE YOU ARE A MAGNET AND I AM A STEEL 


Putz, como sou paga pau de gringo. De brasileiros, só Zé Ramalho entrou na minha listinha imbecil. Enfim, só mais uma reflexão de última hora. Abraz



Hum, eu ia nessas bolas, hein?










terça-feira, 16 de dezembro de 2014

TOP 10 DESCOLADAÇO

TOP 10 MUSICAL DA MIGA CATÁRTICA

Lá por 2012, fiz umas postagens mongas e nada a ver sobre músicas que eu andava escutando. Não tinha nada melhor pra fazer, eis a razão. Como estamos chegando ao final de mais um ano, vou dividir com vocês as dez canções que eu mais escutei nos últimos meses no meu radinho rosa pink com fones pretos mega ~~deskolado~~. Este é mais um oferecimento da Agridoce Estatísticas, apreciem minha descoladez musical muito louca. 


SUPERMASSIVE BLACK HOLE (MUSE) - PUTA MERDA ESSA MÚSICA DO CREPÚSCULO QUANDO ELES JOGAM BEISEBOL É MUITO VICIANTE UMA COISA LOUCA E MUITO MATT BELLAMYCA SEXY PRA CARALHO FICO ME SENTINDO MUITO GATA LEOA MIAU QUANDO ESCUTO SEUS LYRICS AMO DEVERAS

STILL INTO YOU (PARAMORE) - GENTE ME PERDOA ACHO PARAMORE UM SACO SAQUÍSSIMO MAS NESSA MÚSICA A MINA DO CABELO VERMELHO MANDOU BENZÃO VAI DIZER ADORO ESSA BATIDA MUITO DOIDA E DANÇANTE E TEENAGER PENSO NAQUELE AMOR LINDO QUE EU NUNCA TIVE RISOS

PUBLIC IMAGE (PUBLIC IMAGE) - AI AMO AMÍSSIMO PUBLIC IMAAAAAAAAAAAAAAGE FICO BEM LOUQUINHA QUANDO OUÇO NÃO SEI O QUE ESCREVER SÓ SENTIR

MILHAS E MILHAS (IRA!) - OLHA SÓ O NASI DOS ANOS 2000 FIGURANDO NO TOP DEZ MUITO ORGULHO DA MÚSICA BRAZUCA ADORO ESSA LETRA ADORO ESSE RITMO ADORO O CLIPE RETARDADO QUE EU VI NA VH1 ALIÁS AGRADEÇO A VH1 POR TER DESENTERRADO ISSO NAQUELA MADRUGADA OBRIGADA MESMO

POR QUE NÓS (MARCELO JENECI) - AI MARCELO JENECI POR QUE RAIOS TU FEZ ISSO COMIGO GENTE ESSE HOMEM É A MELHOR COISA QUE ACONTECEU NOS ÚLTIMOS TEMPOS NA MÚSICA TUPINIQUIM DESCULPA HATERS MAS ESSAS LETRAS DELE SÃO VIDA ESSA LETRA É UM ALENTO PRA ALMA PUTA QUE ME PARIU   

WE HAVE NO SECRETS (CARLY SIMON) - EITA CARLY SIMON TU ME ARREBENTA NÉ MULHER AI QUE MÚSICA DO DEMO AMO ESSA VAIBE AMOR E PAIXÃO E LOUCURA ESSA MULHER RESSUSCITA UNS BOY QUE TÁ LOUCO SÓ SOFRO MAS VALE A PENA SOFRER ESCUTANDO CARLY MUSA DA MINHA VIDA

CHANGE (LIGHTNING SEEDS) - MÚSICA DE UM TAL LIGHTNING SEEDS QUE EU DESCOBRI NA TRILHA DE PATRICINHAS DE BEVERLY HILLS MELHOR FILME DO JEREMY SISTO AMO É MUITO VICIANTE ME ANIMA PRA CARALHO NAQUELES MOMENTOS DE BAD RECOMENDO TRILHA DO FILME DA CHER HOROWITZ ALTOS ACHADOS

HOPE OF DELIVERANCE (PAUL MCCARTNEY) - ESCUTEI AQUELE TESUDINHO E GOSTOSO DO GEORGE MUITO MAIS ESSE ANO MAS NADA COMPARADO A ESSA LINDA DO MENINO PAUL E SUA PEGADA LATINA E CALIENTE ATÉ PARECE UM BOLERO NÃO É MESMO AMO ESSA MÚSICA SÓ SEI DIZER ISSO 

JESUS OF SUBURBIA (GREEN DAY) - OLHA O SOM DO MENINO QUE USA MAIS LÁPIS PRETO NO OLHO EM UMA TURNÊ QUE EU EM UMA VIDA INTEIRA PARABÉNS BILLIE JOE ARMSTRONG POR ESSA MÚSICA AMO DEMAIS E OLHA QUE EU DETESTO MÚSICAS COMPRIDAS POIS GERALMENTE ELAS SÃO INSUPORTÁVEIS PORÉM VOCÊ ACERTOU A MÃO SEU LINDO BEIJOS

FADE TO GRAY (VISAGE) - OLHA SÓ A ÚNICA REPRESENTANTE DOS MEUS OITENTINHAS VISAGE MUITO LOUCAÇO E CHEIO DE SINTETIZADORES QUE VONTADE DE SAIR DANÇANDO ISSO COM UMA BOTA ATÉ O JOELHO PUTA MERDA ESSAS ELETRÔNICAS DA ÉPOCA DO PET SHOP BOYS SÃO ÓTIMAS ALIÁS PET SHOP BOYS NÃO ENTROU AQUI POR MUITO POUCO FICA PRA PRÓXIMA VAI TER OUTRAS LISTAS



Linguagem de telegrama é tendência, nem venham espernear. 








segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

''É o que temos pra hoje''

Final de ano, corpos mais à mostra. É hora de mostrar a barriga, o biquíni novo, o vestido comprado para a ceia que se avizinha. ''É o que temos pra hoje'', bradam uns nas tais selfies previsíveis, pois, afinal, é necessário mostrar que estamos desesperadamente aproveitando a vida. Viu, sociedade? É o que eu tenho pra hoje, não deu pra fazer muito, mas uma Budweiser com batatinhas foram a redenção da noite. Anota aí, eu estou aproveitando minha folga proletária. O ''É o que temos pra hoje'' parece ser o slogan de uma geração.
Sei lá, que coisa mais uniforme, mais previsível. Não é inveja, sabe. Sábado, eu e umas criaturas aí fizemos petiscos e bebericamos cervejas ao luar, com uns covers animadíssimos do Robert Nesta Marley (o verão, esse sabe ser previsível). Ninguém soube. Na semana passada, eu tomei umas, em um banho de piscina, e cheguei gritando sem sandália em casa, além de ter saído atrás da minha cadela de madrugada. Pura diversão e nenhuma linha a respeito. No começo do mês, mamãe fez uma lasanha maravilhosa, e adivinha? Nem sinal dela no Insta. A propósito, nem sabem, fiz um perfil no dito cujo, a fim de acompanhar a trajetória peluda do Chico, do Cansei de Ser Gato. Gatos têm estranho poder sobre mim, vocês não podem me culpar. Mas me policiem, pois no dia em que houver fotinho com biquinho e legenda ''good vibes'', ou, sei lá, foto dando bom dia pro sol, aí já pode rolar uma internação. BOM DIA, UNIVERSO!!!11111111 aff calabok

Vocês devem me achar muito amarga, né? Conta aqui pra mim no meu ouvidinho. Magina, criatura, eu sou uma flor de pessoa. Eu realmente sou um doce. Mas eu gosto de debochar, ainda que talvez faça isso bem mal. Eu não vivo sem. Me incomoda essa homogeneidade nas atitudes virtuais. São sempre aqueles mesmos comentários nas fotos:

MINHAS GATAS
LINDONA
QUE LINDA
GATEDO
QUE GATA, UAU
NOSSA, ASSIM VOCÊ ME MATA
MUITO LINDA, AMIGA A A AAAA
QUE VIDA DIFÍCIL
NOITE TOP
SÓ AS GATAS
SE FOR CRISE, QUE CONTINUE (aqui, pontuei corretamente a frase condicional - coisa que nunca vejo)
AOOOOW POTÊNCIA (até agora não identifiquei o que é isso; se é uma gíria sertaneja, se é um grito de guerra ou se é só retardo mental galopante, enfim...)
VAMO BOTAR
SÓ OS PATRÃO
DIMÓÓÓÓIS (parece que adentraremos 2015 - quiçá o século XXII - com esse neologismo desgraçado)


Não é querer pagar de ser superior, sabe, porque eu também sou tragada pelo sistema. Eu sou um produto dele igual ao pessoal que critico. Mas, poxa, tem como esconder trouxice. Não se destruam sozinhos, lindxs! Dá pra fingir que se é interessante. Ainda tá em tempo. Me surpreenda, gatinho, não poste fotos de sua ceia e de sua virada. Ou poste, mas poste com inventividade. Com provocação. Seja Salvador Dalí. Em 2015 seremos muito felizes, e ninguém saberá de nada. Seremos o segredinho um do outro. Como posso ser amarga, sendo tão romântica? ME DIZ



Auxiliou no post:

Waiting on a friend - The Sights









domingo, 7 de dezembro de 2014

A década em que o Misha chorou

The Works é minha capa preferida do Queen. Não álbum, somente capa, ainda que nele constem ''Man on the prowl'' e ''It's a hard life'', músicas pelas quais tenho carinho especial. Em 2014, completaram-se 30 anos de seu lançamento. Fiquei viajando nisso aqui e me veio uma vontade de escrever sobre anos 80. Amo/sou. Pior que sou mesmo, nasci em 89 e fico fantasiando que carrego um resquício da inventividade dessa época dos blazers com ombreiras.
Um tempão atrás, tive uma fase obcecada pelos tais anos, ainda mais quando me caiu às mãos, num jornal onde trabalhei, um almanaque sobre a década. De ursinho Misha chorando à queda daquele murinho lá, passando por Paolo Rossi e os 3x2 da Itália contra o Brasil, eu sabia de tudo. E falava para quem nem queria escutar, insuportável que sou.
Só acho que eu não precisava ter me fantasiado de Cyndi Lauper naquela primeira festa à fantasia da faculdade, mas, pensando bem, até que foi bom. Quando mais eu poderia usar polainas com scarpin rosa pink? Não posso mais pedir desculpa por ser verde fosforescente. Os 80 foram barulhentos, escandalosos, coloridos, cafonas e incompreendidos, tal qual a Cyndi de araque aqui. Toca aí, galera.


                                                     Freddinho de All Star, awnnnnnnnn.



                                     


Vai ser difícil alguém passar os russos no quesito ''seres peludos fofuchos em Jogos Olímpicos''.







 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Os namoradinhos estão na sex shop

Vocês viram que a cantora Anitta disse que os homens não estão assim tão interessados nas mulheres mais, pois elas ''dão muito em cima deles'', né? Claro que viram, óbvio que viram, quem não sabe de alguma coisa hoje em dia? Nas minhas timelines, já choveu textão - ah, o textão! - sobre o assunto, e a vida seguiu. Done.
Sabe, há alguns anos, eu, com minha criação do jeito que o status quo gosta, teria aplaudido mentalmente as palavras da funkeira, que foi catapultada à fama há pouco mais de um ano e meio. Porque, lógico, recompensas vêm àquelas que se comportam, certo? Ser uma menina boazinha vai me garantir um príncipe montado num pangaré. Quanto mais recatada e santa eu for e mais pano minhas roupas tiverem, mais pontos estarei ganhando com algum lindo por aí que anda me observando, certamente. Credo, que mentalidade tirana essa. Dá pra acreditar que as mamães ainda estão passando esse ensinamento às meninas? Estou longe de ter tido uma educação repressora, uma tipo à da Carrie, a estranha, mas essa novelinha do ''se dar ao respeito'' muito passou na minha televisão juvenil. ATÉ HOJE, eu escuto e olha que eu tenho 25 anos. A gente cresce ouvindo essa ladainha. ''Não vai querer ficar falada, né?'' "Olha os modos''. É o hit parade de uma geração inteira de cromossomos XX. Em vez de educarem as meninas para serem donas do próprio destino e fazerem-nas seguras para suas verdadeiras ambições, blá blá, inconscientemente muitas genitoras querem mais é que elas sejam dignas do amor e admiração masculinos. Porque isso as fará premiadas pela vida. Isso fará com que sejam diferentes daquelas ''vadias'', quando, bem no fundinho, todas querem é ser felizes. Percebem como o ônus fica todo para nós? Ainda se alimenta - e muito - essa cultura nojenta de que os homens é que escolhem, quando o grande fato é que eles não têm que apitar nada na nossa vida amorosa. Não é para criar animosidades, até porque prezo muito pelo sexo oposto (rs), mas, sei lá, buscar criar um debate, tentar colocar na cabeça das pessoas que nossas vidas pessoais não têm que figurar nos jantares de família e serem motivo de plebiscito. 
Olha a Bruna amargurada falando contra o amor. Já tô lendo alguns pensamentos aqui de antemão. Mas, enquanto isso, eu presencio namoros abusivos em que não existe diálogo. Namoros escrotos em que fulaninho é quem dá a palavra final sobre a roupa da fulaninha, em que a menina está com o cara claramente para fugir de julgamentos, pois é possível que ela não tenha tido uma amiga para lhe dizer que estar com um cueca não faria dela um ser humano merecedor de mais respeito.   
É uma cultura tão desgraçada que nem sei presentificá-la em minha própria mente. Só sei que é uma libertação diária. As meninas definitivamente não podem achar que a fala da Dona Poderosa está certíssima e seguir cantando aqueles versos ridículos que falam sobre inimigas e o escambau. A gente precisa se ajudar nisso. 
Ah... os namoradinhos vão bem, titia. Estão todos na sex shop da esquina.



Auxiliou no post:

Milhas e milhas - Ira!







quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Sobre fracasso, Belchior, Scarlett O'Hara e Charlie McDermott

Eu fracassei assombrosamente. Não passei no que queria, morri na praia. Tentei, blá, blá, mas qual é, ninguém lembra dos tentadores. Todos lembram é dos fracassados. É o fracasso que ganha quadrinho na parede. E na parede da memória, essa lembrança é o quadro que dói mais. Não é preciso ser Belchior para se dar conta. Os pais, as mães e aqueles poucos que nos amam seguem dizendo que somos awesome, que somos uns tesouros travestidos de gente, mas, argh, como é difícil sentir isso depois de um tombo. Estou me sentindo um lixinho de olhos castanhos, não há quem mude isso. Uma burra completa, uma imbecil. Se em um universo paralelo, eu tenho inimigxs, possivelmente agora elxs estão degustando um chá de ervas feito com minhas lágrimas. Quem dera meu tombo tivesse sido como esse aqui.
Pobre leãozinho com esse ascendente escorpiano que o faz descer dez metros de lama abaixo do fundo do poço. Pobre leãozinho que começa a se martirizar e sentir cada centímetro de sua juba inundada pelo drama e pela miséria existencial sem previsão de restabelecimento - a não ser, claro, à custa de muita luta interior e catarse, pois o fato é que o nome deste bloguinho não leva tal vocábulo impunemente.  
Ok, ok, claro que não é pra tanto, mas sei lá, eu sou assim desde sempre. Nunca consegui assimilar derrotas como alguém de American Pie. Sempre quem vem à tona é a Scarlett O'Hara. Mamãe diz até que a carinha de bunda está ficando igualzinha.
Até é de se pensar sobre. Será que eu queria o êxito só por mim exclusivamente ou minha vontade de vencer era um espelho do que esperavam de mim? Não acredito que vou escrever isso, mas... será que é porque minha imagem... er... não podia ser manchada? Argh, que ego maldito, Bruna. Me deixem, tô confusa. E tô tristinha. KD CHARLIE MCDERMOTT SEM CAMISA NA MINHA FRENTE AF
Deixem os vitoriosos lá com seus louros e medalhas, enquanto eu travo uma batalha mental contra o lodo.
Enfim, não tenho mais o que fazer, senão superar. Blergh, eu vou superar, gurus da autoajuda. Só deem tempo de eu encasquetar com outra coisa. Nessas horas, até é bom ser hiperativa crônica: a novidade sempre aparece.



                                                                    Sai daqui, mina.






     

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Lorena e Vítor - o começo

Estava eu aqui de bobeira, cá com meus botões, e me toquei de não ter dado satisfações nenhumas sobre a Lorena e o Vítor. Caso não se lembrem deles, aqui tem dica.

Vítor e Lorena, o casal que nunca foi, mas que, depois que deixou de não ter sido, deu certa saudade. Eram muito improváveis os dois. Conheci bem de perto. Nem imaginam, aliás, que os desnudo por essas bandas. Não contem, a propósito, our little secret

Lorena segue vivíssima, mas vou conjugá-la no passado. Era um tipo curioso. Fumante crônica. Chata convicta. Petulante, estudava arquitetura, mas era boa mesmo em arquitetar meios de se esconder de si mesma. Toda problemática, detestava o curso, escolhido a esmo, tudo porque ela era muito boa em desenhar janelas. Gostava de dançar Lust for life pelada em frente ao espelho, com os peitos balançando, sonhadores, enquanto achava que ninguém podia vê-la. Servia mesas num barzinho onde um cara tocava piano magistralmente - era o Vítor. O Vítor era músico e ator, mas não ganhava dinheiro com nenhuma das duas artes. Era um tipo que dá vontade de morder - eu tranquilamente morderia o Vítor, se o visse em cima duma mesa dando sopa -, olhar, cheirar, querer. O Vítor era um romântico. E tinha uns olhos que faziam perder o rumo de casa. O Vítor também era bonachão - todas as mulheres queriam sentar-se no amor do Vitinho. Uma espécie de Edu, Coração de Ouro dos anos dois mil. Só que Loreninha nem aí. E ele lá, tocando de boinha seus Chopins, só imaginando como seria interessante ter aquela doidivana mais perto que o usual. Até que um dia, aconteceu. Eu vi tudo, por trás de uma árvore. O bloquinho em mãos, só esperando o cataclisma.
Se apaixonaram, vai saber como, vai saber por quê. Acho que tudo começou naquela tarde em que a Lorena foi trabalhar com a blusa virada, era a marca registrada da nossa heroína: as etiquetas acenando por fora da roupa. O Vítor não deixou barato e disse algo espirituoso, como era do seu feitio. Ela quis fazer a superior, mas não se conteve e ficou só de sutiã ali mesmo, rindo, entregue àquela novidade de reconhecer no colega de trabalho uma nova saída. Aí, meus amigos, ela chegou bem perto dele, com os olhinhos imaginando traquinagem, semidespida metafórica e literalmente, e lhe deu um beijo no rosto. Um simples beijo queimando de curiosidade.

Deve ter sido ali, mas não tenho certeza. A fumaça do cigarro da Lorena me fez sair de lá.










sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Queria Talking Heads, mas só consegui gauchinho pernóstico

Uma noite dessas, eu fiquei meio louca despirocada, querendo ir a uma festa especial Talking Heads. Minha nossa, preciso ir pra algum lugar que toque Talking Heads a noite inteira. Puta merda, onde, Osíris? Deve haver algum lugar nesse mundo, nessa cidade, nesse perímetro. Eu necessito fazer as dancinhas dos anos 80 desesperadamente. Até minha camiseta das cabeças dançantes eu encomendei, porcaria. Por um mundo onde eu possa ser new wave sem culpa, sem restrição, sem medo.

AJUDA LUCIANO
AS CABEÇAS VERMELHAS DANÇANTES NÃO PODEM ESPERAR

Mas terão. Terminei numa Quartaneja, desejando não ter nascido. Porque a neja, ela te faz sentir assim. E porque cada um tem o que merece. Eu, certamente, estava em dívida com o cosmos. Mas, sabe, bem modéstia à parte, eu sei criar personagens ótimos para atravessar umas horas de tortura social longe da minha bolha. Até que me saio bem, pois, havendo cascata sem fim de cevada, a gente se amortece de si mesmo e entra no joguinho. Só que dessa vez não foi assim. E, sabe, eu não consigo levar nenhum papinho de night a sério, escutando música que eu detesto. Pena pros desavisados. Vamos queimar um aqui e agora. 

TIPO, A CRIATURA VEM ME TROVAR DE BOMBACHA

Digerindo.................................................

E de alpargata. E de boina. E eu realmente não entendi onde foi que ele achou que eu era o tipo dele. Vai ver, eu era o tipo dele só por ter um par de peitos, não? Eu devia ter ido com aquela camiseta do Pantera que eu nunca comprei, porque nunca gostei deles, mas que, ao menos, me livraria dessas ciladas.   
Mas que estereótipo é esse do gauchinho que vai caçar nas baladas? Será que ele está indo combater tropas imperiais depois da festinha? Fuja, querido, fuja.  

Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra? 

NÃO, NÃO SIRVAM
QUE TÁ BEM CAFONA
E RIDÍCULO


Longe do meu portão com essa tradição falida. Obrigada, de nada.








  

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Ode a Chandler Bing

Eu curto caras abobados. Vou explicar.

Há tempos, venho confirmando que, do sexteto que monopoliza o Central Perk descaradamente, Chanandler Bong é o que mais me arranca contorcionismos provenientes de riso. Ai, riso. Quem não gosta de ter alguém irresistivelmente engraçado ao lado? Quem não quer companhia passível de fazer rir em qualquer momento da vida? Ai, preciso, desculpa. Eu gosto é de gente abobada, dá licença. Caras abobados, então, passam na fila do meu coração facim facim. Curiosa, ao menos, eu vou ficar.
Porque o abobado, geralmente, ele sabe rir de si mesmo. E pessoas que sabem se zoar são uma graça e um alento neste mundinho de esquetes prontas e gravando. Af.
Mas, voltando ao Bing, o Bing é uma delícia. E eu seguidamente me reconheço em cada imbecilidade que ele faz.

MENHA NOSSA, EU SOU UM CHANDLER DE SAIAS

Por aí. A identificação beira o ridículo. Seguidamente, coloco as mãos no rosto: não aguento me assistir duas vezes. Chandler é muito zoado. Chandler se dá muito mal no amor - aliás, ele não sabe lidar com a práxis do amor. Exceto quando finally percebe a Monica, mas não vou dar spoilers (como se houvesse alguém que ainda não conhece a história, né, mas ok). Às vezes, lembro de umas vozes que já ecoaram em minha mente: ''tu não é uma pessoa séria, Bruna, tu não é uma pessoa séria.....''
E, então, fazer esse texto também serve como terapia.
Enquanto houver Chandler Bing dançando daquele jeito fascinante e peculiar, existirão festas para mim, para que eu finja que me levo muito a sério. Haverá vida para mim. Obrigada por existir, amor. Obrigada por este sarcasmo maravilhoso - e que, não raro, afasta as pessoas. Eu fico contigo.





ESSA CARA







sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Desapaixonar-se

Se apaixonar é bom. Se for correspondida, melhor ainda, viu, amiga catártica?
R I S O S

Não, sério, se apaixonar é bom, é saudável, é curioso, é engraçado, é bizarro e é bonitinho. Mas desapaixonar....... olha, sei lá, não sei muita coisa da vida, mas diria que se desapaixonar é o nirvana.

Tô brincandinho, migos buditas, não me xinguem.

Mas que é libertador, isso é. É uma sensação única de reencontro com você mesmo. De apaixonamento gratuito por você mesmo. Porque você fica naquela, né, encantado por aquele outro ser, meio hipnotizado por aquela outra vida tão simplória e óbvia, que vai esquecendo gradativamente da sua obviedade. Sei que não posso falar por todos, mas geralmente não sabemos brincar de paixão de outro jeito: invariavelmente a gente sofre pra caralho, se destrói, se martiriza, ficando na ponte aérea paraíso-inferno com escalas masoquistas nos condados de ciúme e possessividade. A gente é feliz também, mas é aquela coisa, tudo muito pautado por uma realidade comercial e escrota contra a qual lutamos inutilmente.
Pode haver abnegados por aí que amem de outro jeito, mas a maioria ainda é protagonista do filmezinho acima. Me inclua nesse pacote, claro, como não.
Quando finalmente você se desapaixona, algo muito novo e muito velho renasce: a sua vida. Seus gostos, seus filmes, suas músicas, suas gírias, seu jeito estranho e único de ser, além dela, a sua autoestima. Uma salva de palmas para a autoestima, que ela merece:




Qualquer esperto aí vai me gritar ''mas, ô, Bru, gostar tanto de alguém a ponto de aniquilar a autoestima não é amor, hein?''. Eu sei, amigão, mas quem nunca, né? Quem nunca. A gente gosta e se perde. Quem sabe, achar o limite seja o grande desafio. Uma vez, gostei tanto de um cara, que me destruí. Perdi a vontade de viver. Não de um modo dramático, como, possivelmente, vocês estão desenhando aí no paint de suas cabeças doentes. Foi algo muito sorrateiro e capcioso. Foi sem eu perceber. Eu simplesmente deixei de me querer. E deixar de se querer é o fim de tudo.
Confesso que isso não vai durar muito, essa vibe do texto, porque a gente sempre anda arrastando a asa para alguém, ainda que inconscientemente - eita sina desgraçada. Mas, por ora, vou aproveitar esse sentimento de que tem gente aí que não cabe mais na minha vida. Gente que é tipo aquele meu pijama rosa sem elástico - só serve pra fins de sono mesmo.
Como diria aquele bigode sagrado da música brasileira, ''no presente, a mente, o corpo é diferente... e o passado é uma roupa que não nos serve mais...''









quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Eu te amo, meu Brasil, eu te amo

A história do desaparecimento do pai do Marcelo Rubens Paiva foi algo que me marcou ali pelos 17 anos. Quando li pela primeira vez Feliz Ano Velho, a passagem em que ele narra o dia em que militares invadiram sua casa e levaram seu pai arrastado - para nunca mais - calou profundamente em mim. Até hoje, mexe comigo, me dá vontade de chorar. Ele nunca mais viu o pai. E é uma narrativa parecida com muitas de um passado bem recente do país - e ao qual, vejam só, muitos imbecis travestidos de sujeitos de bem fazem coro, pedindo sua volta. Se tá complicado de assimilar, digite aí no seu buscador do Google: desaparecidos políticos. Se quiser variar, tempere a pesquisa com ditadura chilena, ditadura brasileira, ditadura argentina, ditadura cubana - sim, cubana, porque toda ditadura é terrível - e reflita um pouco. Há um número bizarro de pessoas que nunca foram encontradas. Nunca houve paradeiro. Seus descendentes já morreram - e grande parte sem saber que fim tiveram seus pais, irmãs, tios, primas. Não há cemitério para levar flores, chorar de saudade. Não há corpo - os restos mortais confundiram-se com o pó. Parece poesia, mas quem dera. Viraram indigentes, suas vivências foram aniquiladas. E seus assassinos e torturadores vivem à sombra de um estado que os perdoou com honras e méritos. Anistia geral para os que ficaram. Ustras da vida que o digam.
Como não tivemos nenhum exemplar de esquerda no quintal brazuca, foquemos na atuação de extrema direita que assombrou gerações. Como pode haver pessoas exigindo outra intervenção militar? Como pode não sentirem empatia por essas famílias, cujos parentes perderam-se no tempo? Imagine que você fosse filho de Rubens Paiva, imagine que fosse um dia como outro qualquer. Aí, do nada, milicos invadem sua casa sem qualquer cerimônia. Quais são seus direitos? Que direitos, minha senhora? Seu marido é um subversivo. Qual o crime que ele cometeu? Ser contra o regime. Mas ele é uma pessoa de bem. Ah é? Ele que vá explicar isso lá tomando um choquezinho no saco, esse comuna de merda.
Imagine que você fosse filho do Herzog, então. Aí, do nada, seu pai é convidado a prestar esclarecimentos, de boinha, numa nice, no II Exército. Coisa rápida, ué, afinal, ele não deve nada a ninguém. Só que, dias mais tarde, sua família recebe a notícia de que ele se suicidou, uma coisa inexplicável. Você corre para quem?
Vamos mais longe: imagine que seu pai não figurou em livro nenhum. Não era um político influente tampouco jornalista. Seu crime? Ser um reles operário que ousava fazer parte do movimento sindicalista, lutar por uma vida mais digna para seus filhos. Enfim, ele não aceita as condições sub-humanas em que é obrigado a trabalhar, não concorda com a tirania de simplesmente não poder fazer greve, sob o risco de levar uma bala na cara. Enfim, ele é um prato cheio para os déspotas que iludem meio mundo cantando "Eu te amo, meu Brasil, eu te amo....'' Até que um dia ele cai. Ele é torturado. Espancado por ter ousado desafiar o patrão. Mais um desaparecido, quiçá. Ninguém mandou estar ''fazendo merda'', não é mesmo? Ninguém mandou não trabalhar quieto, enquanto via seu salário não valer nada diante dos preços que subiam assombrosamente nos mercados, não é mesmo?      
Mas, quem sabe, você só seja mais um filho de um empresário cheio da grana, tendo tudo do bom e do melhor, simplesmente não entendendo de onde vem tanto ódio por um governo bonzinho patriota, que até faz adesivos de carro com o slogan ''Brasil: ame-o ou deixe-o'', a fim de comemorar essa beleza de país, onde, vejam só, a ordem é tanta, que nem greve existe mais. Tudo funciona. E todo mundo pode ter uma televisão a cores para assistir O Bem Amado.   



                                                     Poxa, eu sou um vovozinho tão legal.








   

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

EU COLOQUEI A MÃO NUM LESMÃO

E aí, lindxs? Andei meio afastadinha, sem querer querendo, porque precisava priorizar outras cositas na vida aí - como eu odeio isso de ter que escolher, nem sempre parece que opto dedicar tempo ao que é mais produtivo..... enfim, no dramas anymore. Como hoje o dia é carregado de simbolismo (não que eu dê a mínima), vou lhes contar um causo de terror que me ocorreu há uns dias.

EU COLOQUEI A MÃO NUM LESMÃO!!!
EU, BRUNA, COLOQUEI A MÃO NUM RAIO DE LESMA QUE ESTAVA REPOUSANDO NUM PANO DA COZINHA

!!!

Eu já comentei aqui uma vez que poucas coisas me aterrorizam tanto na vida quanto lesmas. Eu também acho ridículo, gente, mas não consigo evitar. Lá se vai uma vida toda tendo síncopes cada vez que vejo uma. Tempos de umidade realmente são desafiadores para mim. Até aqui vai uma dica para potenciais inimigxs - se é que eu tenho algum nessa vida -, me coloque em enfrentamento com uma lesminha marota. Qualquer armadura ou pose autossuficiente cairá por terra. Tipo a múmia lá, quando o Brendan Fraser mostra o gatinho.
Pois nessa tal madrugada em que me deparei com o inimigo, os pelinhos do braço se eriçaram, o coração deu uma volta na garganta, dei um grito que certamente acordou Tutankamon e finalmente concluí, entregue ao meu descontrole molusco, que a gente não consegue se livrar de alguns medos na vida - por mais imbecis que sejam. Comigo e com as lesmas não sei o que rola. Vai ver, eu fui uma aí em outra vida e morri agonizando, embebida em cloreto de sódio e ojeriza cruel humana. É uma possibilidade.

E na noite retrasada que eu sonhei que o It, do Stephen King, ganhava uns trocados dirigindo táxis e eu pegava vosso táxi??????? Conto outra hora.


                                                    Mimimi eu tenho medinho de lesma.






terça-feira, 28 de outubro de 2014

Sobre eleições - que eu já estava levemente agoniadinha

Preciso escrever alguma coisa, desabafar mesmo, não é nem vontade de debater, tô cansada dessa gente que prefere alimentar discursos prontos a ler, se informar, buscar ter empatia pela situação do outro. Sei lá eu, não sei como organizar as ideias aqui - eu que, modéstia à parte, faço isso muito bem. Irônico é que grande parte do pessoal que eu vejo criticando e ridicularizando outrem em virtude da escolha eleitoral, é quem mais arrota santidade, vomita compartilhamentos sobre Jesus e sua família.... fico aqui viajando na minha bolha se a tal do ''amar uns aos outros'' não carrega um pouco desta empatia às mazelas de quem nasceu em um contexto miserável e sem perspectiva........... MAS OK

Sabe, digo isso de verdadinha mesmo, felizmente pouco importava quem fosse eleito no domingo para mim e para minha família. Como diz meu pai, ''não mamamos em partidos políticos'', não temos o rabo preso. Felizmente, nossa economia doméstica não depende de auxílios estatais, tampouco de PT ou PSDB. Entra governo, sai governo, a gente segue com a mesma vidinha adorável de carnês, cheque especial, saldo no vermelho, mas muito amor e fartura. Se eu me considero uma privilegiada? Sim e muito. Pude pagar por estudo e posso seguir me dando apenas ao luxo de estudar. Nunca faltou comida em minha mesa, tenho um teto maravilhoso e próprio. Sempre tive tudo que quis - tá, ok, nem tudo, mas nunca me faltaram regalias. Porém, não viajo ao exterior, não compro marcas caras e não tenho ambições de riqueza na vida - serião mesmo. Que bom se você tem - desejo que consiga tudo isso que certamente o fará mais feliz - viu, a propósito, logo algum tucano volta e suas viagens pros isteitis com o dólar um pra um estarão garantidas, espera um pouquinho mais, champz! O fato é que eu tenho uma vida razoavelmente confortável. Porém, sabe, nem todos têm, nem todos tiveram a vida mansa como a minha. Nem todos nasceram neste maravilhoso estado sulista, oásis de prosperidade e politização (ok, vamos imaginar que eleger um cara que diz NÃO TER PARTIDO é um exemplo de politização). O Brasil, apesar de sua riqueza e da sua maravilhosa biodiversidade, é ainda bem miserável. Ok, eu não conheço o país todo, mas certamente ainda há locais em que não há o básico do básico - isto a que eu, com essa vidinha classe média bem maizoumeno, estou acostumada. Como exigir que pessoas com esse histórico de sofrimento votem única e exclusivamente por ética e moralização da vida pública? Sério mesmo? Me explica essa. Como exigir que elas não escolham um partido que olha por elas - nem sempre, ok, mas bem mais que seu opositor -, que não escolham por mais justiça social?
Se eu me envergonho das denúncias de corrupção? Sim, certamente, mas eu não leio somente o blog do Reinaldo Azevedo. Quando eu vou a algum consultório médico, eu não leio somente a Veja. Experimente dar uma lida em veículos alternativos e que desafiem a grande mídia, cérebro pensante. Vale lembrar que o Mensalão, por exemplo, foi julgado e exaustivamente midiatizado. "Ai, Bruna, mas eles seguem mandando no país''. Não sei, não, cara, isso é muito relativo, sem falar que muitos deles foram presos - isso em um país onde o finado ACM mandou e desmandou, violou painéis de votação do senado e etc e nos mandou à merda, não deixou de ser surpreendente e de lavar a alma. Ah, só pra refrescar vossas memórias: tudo isso no mandato do menino Fernando Henrique, que, à época, teve outros escândalos. É realmente lamentável que a tutela da corrupção esteja, hoje, entregue a um partido só, como se tal legenda fosse o mal do mundo, a responsável pela desgraça particular de nossas vidas. Qual é? Não se torne um comentarista de portal, meu caro, isso é péssimo para sua reputação de curso superior.
Enfim, se eu ando preocupada com o inchaço do estado - e que, invariavelmente, acarreta mais corrupção, além de cargas tributárias absurdas? Também... é uma situação delicada, mas não acho que eu esteja vivendo numa ditadura. Qual é? Vocês se ridicularizam com esse discurso míope igual ao da tucana ensandecida do vídeo que correu o Facebook. Vocês, por acaso, andam sendo espancados na rua? Tendo vossas liberdades constitucionais cerceadas? Sendo chamados a depor a troco de nada em DOI-CODIS camuflados no país? Então, parem de falar merda peloamordedios. Se ditadura é não poder mais destilar discurso de ódio a minorias constantemente marginalizadas como negros, gays, transexuais e etc, então eu viverei com prazer neste regime. Se ditadura é viver em um país que finalmente instituiu cotas étnicas em universidades públicas como pagamento por anos de infeliz subalternidade, então viverei neste regime. Não custa lembrar que vocês não são obrigad@s: a Decolar.com tem preços ótimos e acessíveis.
Por fim, este separatismo gaúcho é de uma imbecilidade que me apavora. Vocês têm ideia de que não há uma uniformidade de sufrágio neste estado lindo, né? Vocês têm ideia de que há cidades em que a Dilma ganhou e outras em que o Aécio, né? Como bem disse um amigo meu no Twitter: ''vai dar um trabalhão separar isso..................''
Não sejam mesquinhos e, pior, burros, queridos. Você têm ideia de que este discurso separatista infantil só alimenta mais animosidades com pessoas nascidas no Norte e no Nordeste, né? E, outra, vocês têm ideia de que o candidato tucano PERDEU REALMENTE a eleição em estados do Sudeste, né? Rio de Janeiro e Minas Gerais, prazer. Outra: Minas Gerais, de onde ele se orgulhava de ter saído com 92% de aprovação, após ser governador............ sei não, hein. Acho que os mineiros não estavam assim tão satisfeitos.
 

É claro que eu não vou mudar posição de ninguém com esse texto - nem quero, viva a democracia e a distância. Só queria fazer algumas considerações mesmo. Ah, e também lembrá-los: se você xinga os nordestinos, se você propaga discurso leviano contra eles, não pode sair todo prosa abanando o rabinho para aquelas praias maravilhosas que existem na terra magnífica deles. Quer dizer, poder pode, mas você é bem cretino se faz isso.



Beijão e feliz Dilma a tod@s!




                                                              Vai que é tua, mamãe!





         

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Sobre leviana, Groucho Marx e seu curso pra aturar, maçãs coradas e Freak Scene

E aí, também estão com os cabelos em pé com PT, PSDB, Dilma, Aécio, Esquerda, Direita, Sartori, Tarso, ataques, Petrobrás, aeroporto, delação premiada, propina, debate, meme do twitter, leviana, não levanta o dedo pra mim, vinte listas que você tem que ler antes de votar, Tancredo, Minas como nova Pasárgada e etc, etc, etc? Eu tô, mas tô resistindo bravamente.
Eu tô amando a gente bem empolgado com esses trastes em quem temos que votar, porque isso se opõe à máxima de que não ligamos para esta lady, a política. A gente tem que ligar e muito para política. Tem que se envolver, ler, pesquisar, ler muito, procurar enxergar variadas realidades por diferentes janelas, debater - não brigar e partir para a ofensa pessoal, mas, entretanto, se afastar lindamente caso testemunhemos algumas opiniões muito cagadas. Vai despistando, saca? Muito já fiz, laconismo se aprende. Ou beba, tal qual Groucho Marx, que aí as coisas ficam mais interessantes. Vomite tudo depois, a propósito.
A gente pode votar em quem quiser, que maravilha isso, não? Por mais errados e escrotos que sejam os motivos, a gente tem esse poder nas mãos. Tem quem vá votar no Aécio porque não aguenta mais a roubalheira do PT. Sim, pois o partido do Luis Inácio inaugurou a corrupção no final da década de 70 - diz que já surrupiavam peças de carros nas famigeradas montadoras do ABC paulista, enquanto ainda eram mero embrião da legenda trabalhista. Tem quem fique hipnotizado pelas maçãs coradas de menino Aécio e por seu dom magnífico para a oratória - muito provavelmente um resquício tancrediano naquele corpo esbelto que só beija mulheres lindíssimas. A brilhante página ''Orgulho de Ser Hétero'' seguidamente enumera tal característica como um fator primordial para ser um bom gestor público. Pobre Dilma, que é dentuça e não tem carisma. Pobre dela que não agrada ao padrão de beleza elitista deste solo tupiniquim.
Enfim, tem votos de tudo que é natureza. Alguns sensatos, outros impronunciáveis, todos soberanos na sua missão.


Tem quem esteja meio tonto com tanta informação, brincando de surdez com Freak Scene, a fim de ver se uma raiva aí passa. Nem conto quem é.



Auxiliou no post:

Música do Dinosaur Jr. previamente citada, seu curioso.











segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Confissões de Brunescente

Sempre, desde nova, tive um ímpeto maria-marianesco de cultivar diários, agendinhas, anotações. Uma necessidade introspectiva de caçar palavras para registrar minhas impressões sobre os dias. A diferença é que meus escritos seguem no anonimato, enquanto os da Maria Mariana - filhota do Domingos - deram cria e se transformaram em série de televisão e filme, leia-se Confissões de Adolescente. Para ser franca, nem sou fã dela - sou é entusiasta disso que ela fazia, incentivada pelo pai. Se eu pudesse deixar um recado às gerações mais novas, seria esse: não se preocupem tanto em deixar fotos na frente do espelho para a posteridade; escrevam, meus queridos, teatrizem, roteirizem a vida. Adociquem o amargor dos dias.
Achei uma aqui, perdida e acuada em meio à bagunça dos gibis, medalhas de interséries e revistinhas de signos - aquela máxima da adolescência (como se eu não buscasse comparações astrais até hoje no Personare, né, mas tudo bem, vamos supor que eu seja adulta). Mas voltando à agendinha... ela segue muito viva, muito feroz, muito dona. Ainda sinto o gosto de cada palavra, cada vírgula, cada trecho de música. Assustador.

''Por que eu ainda me iludo que vou ir bem? Eu tenho que cair na real de que se eu não me trancar no quarto e comer aquela apostila, não vou ir mesmo.'' (13/11/06)

Também acho, Bru. Mas os números complexos passam, tudo passa...


''Parte por parte, eu ia destrinchando todo, como um jogo novo, como um chocolate que tem n gostos, mas acabou! Acabou!'' (25/11/06)

Era sobre macho, claro. Sempre sobre eles.


''Podia me imaginar ali contigo, dançando, pulando, sendo tua namorada que te deu sorte... te amando, quieta, e sendo desejada pelos teus hormônios e pelas tuas mãos juvenis...'' (20/02/07)

Caralho, que coisa mais cafona e linda. Chorei.


''Caso ou compro uma bike? UFPEL, futebol, carreira, vida social. Acho que se eu não tivesse juízo, já tinha me mandado...'' (06/04/07)

Dúvidas massacrando a juventude e a maturidade e a......


''Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha, 
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor 

(...)
Quero aprender com o teu pequeno grande coração'' (05/09/07)

Ainda gosto dessa música. 


''Os feriados e suas vésperas são inspiradores pra mim, toda vez é a mesma situação: chuva, tempo fechado, melancolia que brota sem resistência e, logo, eu escrevendo minhas frustrações e o que marca meus dias com impiedosa e fiel lembrança. Tudo como um roteiro imutável em que só as datas diferem mesmo...'' (11/10/07) 

Credo, que drama.



Vai um episódio de Confissões aí?












segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Eu não uso o Tinder

Veja bem, embora pareça, não quero me colocar em uma casta superior de meninas devido ao fato de não marcar presença neste fabuloso e lascivo aplicativo. Eu poderia facilmente instalá-lo também. Segura minha mão aqui e diz que me entende. O que me incomoda é colocarmos a chande de sucesso de nossas vidas amorosas nas garras de um celular, de uma máquina que nem sempre pode ser amigável. Claro que é preconceito, mas, por enquanto, penso que ele tem me salvado de algumas ciladas - sim, Bino, já ouvi histórias. Não é nada do tipo ''encontrei um maníaco sexual sociopata'', são aquelas bizarrices comuns a quem nunca olhou no teu olho, pegou na tua mão, dividiu teu fone de ouvido, riu tua risada. Aquela bizarrice de quem está ali só pela própria lascívia, robôs que nos tornamos. Robôs, pelo jeito, incapazes de olhar para os lados e fazer o acaso. Ai, o acaso...
Escrevendo isso, até parece que eu sou muito romântica. Acho que sou, mas não obviamente romântica, gosto do romantismo como segredo que só duas pessoas sabem, aquela piada interna - nada gritado em timelines, em apelidinhos conhecidos até pelos cachorros da casa. É aquela coisa maliciosa de quem tem um tesouro e fica rindo para desconhecidos na rua. Falando em romantismo (ou falta de), seguidamente me pergunto por que o desespero atrelado ao tal Tinder não me apetece. Nada que me tire o sono, claro, afinal quem manda nesta droga de vidinha sou eu, mas as amigas sugerem, o Zero Hora naquele desserviço que só ele sabe enumera casais que deram certíssimo através da coisa, o mundo conspira, os sábados solitários sem Netflix fazem pensar merdinha....... e aí, tu pensa ''mas e se eu fizesse um?''. Aff, sai pra rua, Bruna. Me re-cu-so. Posso até ser uma trouxa - sei que estão pensando isso - mas, hão de convir, uma trouxa de personalidade.
Sei que as pessoas aderem ao que quiserem, sei que generalização é leviandade, e sei que, embora eu tenha começado o primeiro parágrafo dessa droga dizendo que não quero me colocar como superior, já estou irremediavelmente me condecorando por não ser uma entusiasta do aplicativo. Não há o que fazer. Bem no fundinho, penso carregar resquícios byronianos na alma dos quais não consigo me desfazer - ou não queira, vai saber. A segunda geração faz isso com os impressionáveis e miolos-moles, quem pode me culpar? Não consigo pensar em amor, profundidade e devoção com tanta pataquada tecnológica. Bom, talvez logo eu faça um perfil, só pela zuerinha -  e para me livrar dessa sensação de que está acontecendo uma festa surreal por aí para a qual eu não tenho convite. Por via das dúvidas, dá um match lá na Madame Bovary.


                                                         EAE, TAMO NESSAS CARNE?








   

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

300

THIS IS SPARTAAAAAAAAAAAAAAAAA

AAAAAAAAA


AAAAAAAAAAAAAAAA

(GERARD BUTLER EM - FILMINHO EM QUE O RODRIGO SANTORO FEZ O XERXES)


Chegamos à trecentésima postagem aqui na bloga.
O que isso quer dizer? Nada.
Por que eu fiz relação com o filminho do Santoro? Porque eu sou idiota.
Achei que ficaria tendência.

Mas, olha, estava eu aqui pensandinho com meus botões........ tem coisa muito boa aqui. Sem falsa modéstia, tem textos em que eu sou genial pra caralho. Também tem muita porcaria, mas foquemos nas partes em que não provoco vômito geral. Bem que vocês podiam ler........ assim, uma lidinha não custa nada.

TEM 300 POSTAGENS, UAI
ALGUMA COISA HÁ DE AGRADAR


Fica o apelo.

Fiquem com o Gerard. Todo Sparta, todo gritãozinho, que meda.










segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Tira essa colher de açúcar do meu suco de abacaxi com hortelã

É curiosa essa história de não gostar de nada muito doce, afinal, açúcar é preferência nacional, não é mesmo? Mas comigo sempre foi assim. Mamãe conta - e talvez esta danadinha seja a culpada - que, quando preparava meu leitinho do crescimento, economizava na glicose - possivelmente já empenhada em me presentear com um spoiler de vida, quem sabe. Pouco açúcar em meus mamás, em meus suquinhos, em meus chás para curar gripe, em tudo. Logo, eu sofria quando ficava sob os cuidados de alguma titia desavisada, dificilmente tomando alguma coisa preparada por elas que pecasse pelo excesso. A coisa deveria conter algum amargor ou nada feito.
Cresci, esse ser humano deveras equilibrado e meigo, mas sigo sem gostar muito de açúcar. Nos dias e nos chás. Assim, não me olhe com essa cara, gosto de doces com convicção, inclusive, como toda ansiosa que se preze, recorro muito a eles em dias de cão, mas em se tratando do meu suquinho sagrado de abacaxi com hortelã: não. Não! Chega de açúcar no meu chá e no meu café também. Blergh. Tem que ter um quê azedo - este, no caso, simbólico pois tais bebidas não são passíveis de serem. Tem que ter um gosto diferente, não sei, Freud talvez explique - sempre ele. Assim como não gosto de colheres cheias de diabetes nas minhas xícaras, também não gosto de gente muito doce, muito calda repugnante. Pode não ser de comum acordo, mas geralmente, pessoas doces demais enjoam sem volta. Se me permitem associar: é como se elas fossem sempre cândidas, sempre protocolares, sempre risonhas - e isso é meio enfadonho, não? Quer dizer, dá dor de barriga.
Leitor, não me condene, não estou dizendo que sou fã de mau humor declarado e do azedo gratuito. Eu gosto é do azedume charmoso, porque, convenhamos, ele sabe ser bem cativante quando esculpido. Eu gosto é da palavra solta sem obviedade e que emudece os cheios de teorias prontas, eu gosto é da frase desaforada. Eu gosto é daquele amargor de quem não se leva a sério e vive meio atordoado pela pequeneza que tem diante da vida: o IBGE garante que os amarguinhos são bem menos arrogantes que os docinhos demais, os bonzinhos demais, os seguros e eficientes demais. Eca, repugnei aqui.
Se você chegou até aqui e ainda está se perguntando o que diabos eu quis dizer com toda essa conversinha fiada, sinto muito: é bem capaz de você andar enjoando meio mundo por aí. Sugiro testar a quantas anda sua taxa de glicose também. Um felzinho despretensioso e maduro é vida. E é prova de que a gente assimilou o jogo. De que a gente segue à espreita, sagaz.







Auxiliou no post:

Beatle George, com Someplace else, Love comes to everyone, All those years ago e I live for you 










sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Expliquitismo agudo

Eu sou uma explicadora. Demorou até cair a ficha, mas agora que caiu, só vai. Em virtude disto, eu tomo no cu de uma forma abismante todos os dias, mas não posso evitar. De ser uma explicadora e de me desgraçar da cabeça. Eu explico. Eu explico de novo. Eu faço questão de explicar. Eu passo por chata. Aliás, passar por chata é eufemismo e gentileza: a chatice aqui já foi somatizada. Tudo porque eu insisto em explicar. Eu contemporizo como ninguém. Vai ver é porque eu sou jornalista. Blé, grande jornalista.
Explicadores sofrem. Sofrem porque explicam. Explicam porque sofrem. E serão assim até o cerrar de suas cortinas devidamente explicadinhas para a plateia. Às vezes, no auge da ingenuidade, me passa a ideia de que eu tinha que deixar as coisas meio no ar, meio bolinha quicando antes de ser raquetada, a fim de, quem sabe, ficar até mais interessante para os que me ouvem. Como se eles fossem ir atrás do que eu deixei pendente quando explicava. Ledo engano. Ninguém se importa. Se foram, não fui informada. Quero explicações, a propósito.
É um joguinho da moeda cruelzinho esse. Porque os explicadores também querem respostas que venham ao encontro de seus anseios explicativos. Eles querem tudo mastigadinho e bem desenhado. Eles querem, esses arrogantes, uma comunicação bem feita. Para eles, isso é o básico, é o mínimo: ora bolas, se fazer entender. Eles não toleram meias explicações, meias verdades, meios fatos. Eles não suportam a bolinha solta no ar, sem saber para que lado da quadra ela vai pender.
Eu explico até quando sei que não vale a pena. Eu explico, mesmo sabendo que possa ser prolixa. Eu explico, porque vai me dando uma coisa louca e romântica como se o que eu digo pudesse mudar alguma vida, alguma sensação. Eu explico e isso tem nome: é expliquitismo agudo. Queria poder me curar.



Auxiliou no post:

Karma police - Radiohead






sábado, 13 de setembro de 2014

Sobre homofobia e os corações gelados

''Ai, porque agora tudo é homofobia...''

KIRIDINHA, QUEM SABE DÁ UM TEMPO NAS MARY KAY E VAI LER UNS LIVRINHOS, HEIN? QUE TAL?

QUEM SABE PARA DE COMPARTILHAR PORCARIA DO TESTOSTERONA, HEIN, FERA?

Desculpa aí, amigs, mas sim, praticamente todo um arsenal de piadas escrotinhas e insinuações que ouvimos desde a tenra infância são de cunho homofóbico. São cruéis, são nojentas, são mesquinhas, desde sempre. Devem ser criminalizadas com urgência. Pra ontem, meu país. É terrível que pessoas sejam humilhadas e, em muitos casos, assassinadas ainda em virtude de sua orientação sexual (lembra? não é opção sexual, é orientação sexual: ninguém escolhe acordar um dia com a boca cheia de formiga, ninguém opta deliberadamente pelo sofrimento, ponha sua massa encefálica para trabalhar, queridx!). O caso do adolescente morto em Goiás há uns dias, e que ganhou destaque na mídia, é mais um triste exemplo de mártir dessa intolerância travestida de fé e moral, incitada por Malafaias, Felicianos e outros defensores da ''família'' - como se a comunidade LGBT fosse contra a instituição familiar, né? Santa ignorância, Batman! Esse discurso de ódio não é mais questão de aceitar ou não, de exaltar os ânimos em uma discussão ou ficar de boinha, ele está matando gente, ele virou genocídio. Um genocídio naturalizado em nossas televisões.
Aproveitando o ensejo, vocês têm ideia do quão intolerante pode ser um grupo para incendiar criminosamente um CTG que iria celebrar um casamento homoafetivo???? Assim, me falta repertório para falar sobre, porque o fato é que eu cago lindamente para CTGs há tempos, sem falar que na minha casa, felizmente, papai e mamãe nunca me enfiaram goela abaixo tradicionalismos com os quais não me identificava e possivelmente nunca me identificarei. Tudo numa nice. MAAAAS poxa vida, seriam oficializados 27 casamentos heterossexuais. Que diferença faria as gurias casarem lá? O argumento é só o ódio? E o ''Liberdade, Igualdade e Humanidade'' da bandeirinha? Creio que era só pra bonito mesmo. Não posso nem dizer que estou com vergonhazinha de ser gaúcha porque francamente nada me surpreende: já estou careca de ouvir e ver demonstrações preconceituosas de muitos nascidos nesta terra - que é de povo muy culto e diferenciado, como é sabido por aí. Argh.
''Ai, Bruna, porque isso agora é modinha...'' ''Porque os gays querem é aparecer''. Olha, amigo, que bom que virou modinha. E quero mais é que essa modinha permaneça ad infinitum e mude consideravelmente esse status quo de Idade Média, em que direitos civis legítimos são encarados como privilégio e provocação. Se não estiver bom pra você, amigão, se muda pra Rússia - que por lá, as coisas estão regredindo assombrosamente. Certamente, seu coraçãozinho gelado ficará satisfeito.







    

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Frases Chorão

Ele me trocou por outra. Uma outra que curte Frases Chorão no Facebook. Não sei o que é pior: ter sido trocada por uma mina que curte Frases Chorão no Facebook ou ter me interessado por um cara que é capaz de gostar de alguém que curte Frases Chorão no Facebook. O fato é que isso me levou à questão do erro antes do erro. Ele não parecia ser o cara que curte garotas que curtem Frases Chorão... parecia? Quer dizer, ele não me deu pista nenhuma. Vivemos dias e mais dias, sem que eu suspeitasse dessa mácula horrorosa no currículo dele. Do cara que, hoje, pega a mina que curte Frases Chorão no Facebook, enquanto eu saboreio um James Taylor azedo no repeat infinito. Se existisse, eu curtiria a página Frases James Taylor no Facebook, só de vingança. Também faria um perfil falso, bem psicopata, e deixaria no mural dele em letras garrafais que não só não deixei de escutar ''Handy Man'', como também curti uma página, no caso Frases James Taylor no Facebook. Ufa.
Aquele boçal dizia que Handy Man estava, candidamente, me roubando de mim. Dizia que James estava me enlouquecendo. Que eu tinha que parar de escutar Handy Man e lembrar que o Paulo Ricardo fez uma versão lamentável dela em português, selando, assim, o nojo sem volta da melodia. Peguei foi nojo dele. Não como agora que ele saboreia a poesia de sua musa charliebrownica, claro, foi uma coisa mais branda. Mas vê-lo ser algoz de Handy Man não dava pra mim. Sempre optaria por Handyzinha e ele sabia disso
Até que ontem, revi-o na rua com sua nova namorada. Sim, a mina que curte Frases Chorão impunemente no Facebook. Os dois trajavam camisetas com os dizeres Família Charlie Brown. Ele segurava um skate. Ela tinha o desenho do rosto do Chorão no antebraço. Foi aí que eu vi que eles precisavam ficar juntos por toda a eternidade. Felicidades.   








terça-feira, 9 de setembro de 2014

Sobre a ceifadora e os lúcidos

E aí, proletários? Lendo muitos best-sellers sobre personagens com câncer que resolvem se pegar?

Vocês curtem sofrer, hein? Bom, cada um na sua. Mas que vocês já foram mais exigentes, isso foram.

Perdi um tio maravilhoso, há uns dias, vítima do mesmo mal explorado à exaustão nestes livrinhos muquiranas para entreter adolescentes mijonas. Que me perdoem as mijonas, digo, adolescentes, mas é, sabe. É um consumo muito óbvio, muito pronto. Enfim, foi aí que veio o pânico: eu preciso escrever sobre a ceifadora e tentar afastar essa nuvem de fumaça que parece estar rondando os meus. Nunca escrevi sobre ela - ao menos não com envelope endereçado, bonitinho e coisa - e a verdade é que nem sei se quero lhe dar uma sobrevida no presente blog, tô confusa, eis a questão. Queria tanto escrever que tô confusa e que essa confusão pudesse me absolver, mas sei lá. Tô me sentindo sei lá, acuada, pensativa, com medo de me encarar no espelho.
É dela, da ceifadora, a incumbência de nos torturar, sorrateiramente, nos embebendo em remorsos das mais variadas naturezas, com a questão-mor de nossas vidas: estaremos, nós, usando este tempo útil na terra de forma digna? Estaremos, de fato, aproveitando a existência? Que coisa desgraçante pra cabeça, não recomendo que façam isso. Porém, o trunfo dos pensamentos é esse: têm vida própria. E quando querem vir, vêm, donos de si, arrasando com qualquer calmaria. Ah.. essa foi boa, que calmaria?
São tempos diabólicos, mesquinhos, tecnológicos e enojantes demais. E provocar o discernimento, pensando de forma crua neles, somente piora tudo. Só sei que, eu pelo menos, não vou alcançar um pouco de paz de espírito, dando audiência aos livrinhos acima já esnobados. Me poupa, mundo, me deixa respirar!!!


Lúcido deve ser parente de lúcifer
A faculdade de ver deve ser coisa do demônio
Lucidez custa os olhos da cara


Viviane Mosé








domingo, 31 de agosto de 2014

Sobre atmosfera seriada insuportável e as séries que eu amo

Tô numa crise profunda de irritação com séries gringas e assemelhados há tempos. Não por serem gringas, em aboluto, até porque eu sou fascinada por Friends. Mas pelo fato de o pessoal não trocar o disco, saca? Abro os portais de notícia, lá está a informação de que não sei quem de Game of Thrones matou não sei quem, e agora o trono (???) de sei lá qual reinado está em aberto. Confira o look de não sei quem que ganhou não sei qual prêmio no tal Emmy. Ou confira a música de abertura do... AFF MEU CARALHO. Ou, em uma rede social, alguém está em processo de congelamento cerebral porque não superou o final de algum episódio... tipo? Sério? É pra tanto? Vão se catar, sabe? Que gente mais chata. Só uma dica: vocês não podem implicar com quem acompanha religiosamente os dilemas do Aguinaldo Silva ou do Maneco - por mais previsíveis que possam ser (e são!). Vossas senhorias estão iguais, ainda que suas séries pareçam super descoladas. Mais chata sou eu, sabemos, mas me deixem desabafar sobre o quanto tal indústria tem pautado nossas vivências. Pronto, desabafei.

5 MINUTOS DEPOIS

O fato de eu ter declarado amor eterno por Friends já me deixou com aproximadamente zero credibilidade para o resto do texto, não questiono. Logo, mudei o viés e vim dividir três séries que super adoro - duas delas já findadas - até para, quem sabe, vocês darem um tempo nos zumbis, nos vampirinhos, nos reinadinhos, nos duendes, nas fadinhas, a tentiada é livre.
Devo confessar que, para eu me prestar a sentar o traseiro concentrada em frente a algum programa, ele deve me fazer rir consideravelmente - isso, em se tratando de séries, claro.
Bom, o que dizer de Friends? Friends é vida. É um clichê idiota, é um draminha-classe-média-sofre, é nauseante para quem detesta, massssssssss, poxa, é hilário.

Sério, leitor, vai sem medo. Eu não sei viver sem doses semanais dessa gente. Não tem como não se identificar com o fracasso social do Chandler, por exemplo. Chandler é um estilo de vida.




Ou com a ingenuidade cavalar do Ross. Um Ross bem intencionado vive em todos nós, especialmente no que tange ao amor.



Para mim, quanto mais defeitos visíveis o personagem tiver, mais perfeito ele será. Tipo George Costanza, de Seinfeld, que adoro também. Fala sério, Costanza é professor naquilo que seguidamente meio mundo tenta esconder de si mesmo. Vida longa aos losers de alma, pois, não raro, eles sabem identificar uma bela piada.



Falando em losers, como não amar The Middle? O enredo é sobre uma família desajustada de uma cidade fictícia em Indiana - lugar que, segundo a matriarca Frankie Heck, ninguém faz muita questão de conhecer, porque simplesmente não tem nada para oferecer. Seu marido, Mike, é gerente de uma pedreira e um pai que faz questão de ser realista em tudo - fato que rende umas das melhores tiradas. Fecham o time, seus filhos esquisitos Axl, Sue e Brick - este, um pequeno gênio incompreendido que sussurra para si mesmo. Enfim, eles são hilários e desconstroem o modelo americano feliz de uma forma única. Charlie McDermott (Axl) e seus cachinhos desfilando de cuequinhas samba-canção em todo santo episódio, porém, não são preponderantes para o acompanhamento sistemático da série, sabe........... longe disso...........


  


Entra na minha casa, entra na minha vida, Charlinho...



Agradeço pela atenção dispensada a este texto contraditório. Obrigada, de nada.






 

sábado, 23 de agosto de 2014

TEVE PREMIAÇÃO

Este blog, ele está aos poucos saindo do seu ostracismo característico. Dia destes, fomos premiados. Coisa fina, coisa louca...
Até foi uma forma de encerrar com chave de ouro a fase ''Agridoce'' deste antro de idiotices muito bem intencionado. Pra quem ainda não se ligou: agora, somos "Mi Catarse Es Su Catarse'', porque, francamente, eu sei que nossas catarses se revezam e se batem toda hora, leitores. Enjoei de ser agridoce, quero explorar outras cositas.




Mas, em meio a toda aquela formalidade que me desconcerta, só conseguia lembrar de uma coisa:

DO JOSEPH TRIBBIANI, CLARO


                                            

                                                                    MAIOR SER HUMANO



Auxiliou no post:

Shine on you crazy diamond - Pink Floyd









quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre meus últimos aniversários

Aniversário realmente é uma coisinha indigesta. Sério, pensa um pouco mais profundamente aí. Depois que parei com as anarquias com os brinquedos e com os amiguinhos que vinham religiosamente provar os brigadeiros de mamãe, só catarses. Só draminhas. Ok, sempre válido perceber que, uhul, vivemos mais um ano, 365 dias de respiração - ainda que muitas vezes no piloto automático - mas o gosto agridoce é inevitável pra nós, profundos cronistas e pensadores da vida que levamos. O que não acontece com os imbecis, claro. Imbecis amam aniversariar.
Em 2008, passei trabalhando. E era algo de que eu gosto tanto, que nem me importei de caminhar alguns quilômetros atrás da minha pauta. Que puta dia gostoso aquele!
Em 2009, passei atulhada de roupas que comprei e que não usei nem metade, obviamente. Porque quando a gente compra demais, não usa é nada.
Em 2010, passei dando uns beijos ótimos em um projetinho de príncipe. Foi bem interessante.
Em 2011, passei chorando. E incrivelmente puta da cara por todo o frio que resolveu fazer naquele dia. Do veranico de meados de agosto, vim, e por ele espero todos os anos. Amém.
Em 2012, passei especialmente bêbada, em uma das noites mais loucas da minha vida. E com uma amiga que espero levar pro resto dela.
Em 2013, passei anestesiada. Metaforicamente, felizmente, mas não menos anestesiada. A anestesia é minha e eu uso como quiser.


E hoje... bem, ano que vem eu conto. Se eu respirar até lá, claro.  







domingo, 17 de agosto de 2014

Jornalistas Que Se Amam Demais Anônimos

Eu posso estar equivocada, mas acho que jornalista não é celebridade. Assim, não sei qual o tipo de redação lisérgica nas dependências da Disney em que só toca ''Eu me amo'', do Ultraje (certo que o mané do Roger tinha que estar enfiado nisso), que uma galera por aí anda frequentando... mas, olha, há um cheirinho de vergonha alheia no ar. E tá cheirando bem mal.
Não é querer pagar de humildona, sabe, todos possuímos essa maldição chamada ego e por ela nos corrompemos em maior e menor grau, vez que outra, etc, etc, só que, né... bom senso também vem no pacotinho da maternidade. Quer dizer, deveria. Jornalista não pode querer ser mais notícia que a própria notícia.
Não sei se só reparei agora ou se a moda já tá fazendo bodas, mas há um sem-número de criaturinhas fazendo, de próprios punho e sobriedade, páginas de homenagem a si mesmos no Facebook. Sim, tipo, eles pra eles mesmos. É quase uma masturbação virtual-acadêmica. Não satisfeitos, eles têm tido a pachorra de me convidar pra massageá-los neste joguinho excitante de pouco dizer e muito curtir - eles, que pouco se importam com a opinião desta reles jornalista sem página. Sem matéria no clicrbs, querendo saber onde eu passei as férias de inverno. Sem fãs. Sem nada, a não ser meu romantismo maldito por esta profissão madrasta. É só eu que me apavoro com o egocentrismo destes fofos? Assim, me fala baixinho aqui no meu ouvido que também acha bizarro, que também não entende, que também ri dessa autoestima equivocada toda. Acho que eu tenho é inveja do quanto eles se amam - eu, que, entre tapas e beijos, me curto pra caralho até.
Sabe, entre ironias e ironizados, eu realmente fico intrigada. Mesmo. Porque não me imagino me levando tão a sério. Qual é? Jornalista é só um mártir de uma utopia que tira o sono, mas não compensa. Jornalista deveria ser só um tipo bonachão, querendo salvar as pessoas da mentira, da má-fé dos poderosos e dos patrões... jornalista é só um contador de uns causos que emocionam e ajudam a tocar a vida. Sabe? Sem muito glamour, sem muito paetê, sem muita pretensão de ser famoso, sem muita sisudez com ares de grande coisa. Onde foi que tudo degringolou?
Eu sei que falando pra milhares de pessoas diariamente, criando uma rotina produtiva incansável com os abastados e os humildes, é inevitável que o rosto torne-se um símbolo. Não sou ingênua: acho até questão de tempo, afinal, construímos uma relação marcada pelo platonismo com quem muito aparece nas mídias que acompanhamos. Me faltam teóricos pra embasar isso, mas vocês entenderam o que eu quis dizer. Só que, né, galera? Tudo ao seu tempo, tudo de um jeito que não seja forçado. Me permitam uma analogia zueirinha: que seja tipo falar ''boa noite'' pro esposo da Fatiminha. Sem percebermos.




                                                         Desculpa se eu sou muso, tá?




sábado, 16 de agosto de 2014

Minhas barbies de moicano

É muito curioso como construções de gênero pautam nossas vivências. Hoje, tô política, então não vou dizer que é escroto e doente: apenas vou levantar as sobrancelhas candidamente: ''curioso''. Não raro, muitos colegas da minha área se dedicam a estudar tal temática. Que delícia o Jornalismo andar de mãozinhas dadas com as Ciências Sociais, néam? Me beija, jornalindo. Claro, para cada cérebro curioso nas redações, tem uma meia dúzia reproduzindo estereótipos na mídia hegemônica, na baladinha de sexta com o pessoal da ''firma'', na fila do pão. Tem, velho, tem jornalista cuja cabeça é um ovo. O coraçãozinho dói aqui, mas tem - na federal e na particular, leia-se.
Mas outra hora, minha metralhadora cheia de mágoas continua queimando os coleguxos-repete-senso-comum, não vim falar sobre eles. Vim comentar algumas coisas com as quais nunca me identifiquei e pelas quais eu deveria me interessar, afinal, eu nasci uma mocinha. Sei lá, meu, nunca curti flores. Nunca tive palpitação ao ganhar buquês de rosas vermelhas - sério, tal qual receber uma conta pelo correio. Claro, me apareça um moreno garboso (serião mesmo que eu escrevi GARBOSO?) com uma rosa entre os dentes, me convidando pra um tango, pra ver se a coisa não muda de figura... só uma suposição, claro, até porque eu nunca dancei um tango. Ainda.
Já comentei aqui no blog que ser mãe não é um sonho na minha vida. Quem sabe, a vontade nasça num futuro próximo - terei o maior prazer em abraçá-la -, mas ainda não vi graça em bebês. Só em bebês tipo o Garfield, claro, mas isso vocês já sabem.
Er... vejamos, não acho graça em ficar falando horas e horas sobre roupas, sapatos, maquiagem e o Instagram da Kim Kardashian. Pra ser mais franca ainda: eu fujo de gente assim igual ao Tinhoso, da cruz - o que não quer dizer, claro, que eu não sinta calafrios e borboletas no estômago quando veja uma liquidação de calças jeans. Cada coisa é uma coisa, né, povo. Tenho pânicos estranhos ao entrar em salões de beleza. Tenho pânicos estranhos ao escutar conversas características de tal recinto. No campo amoroso (campo amoroso?? é de comer isso?), indo mais adiante no rol de comportamentos que se convencionou chamar de ''femininos'', realmente tenho problemas em dar a entender que sou difícil, que sou recatada - o que não quer dizer, evidentemente, que esteja escrito na minha testa: SIRVA-SE. Gosto de trocar uma ideia sem joguinhos, ou seja, se eu estiver a fim do papo e do cara, falar e falar e falar mais um pouco, sabendo que isso em nada diminuirá o respeito que mereço. Parece simples, né? Bom se fosse. Detesto também caras que querem pagar de cavalheiros. Ou que acham que precisam me proteger. Ou que acham que têm que abrir porta de carro pra mim. Ou que acham que têm que zoar orientação sexual de outros caras pra afirmar constantemente a sua. Vamos combinar, que achismo bem errado esse de alguns queridos por aí.
Poderia ficar citando muitas manifestações mais de como construções de gênero são irritantes pra mim - e pra vocês também, tenho certeza -, mas aí eu estaria escrevendo um livro. De repente, numa dessas andanças, até sai, hein? Mas, primeiro, vou botar minhas barbies pra dormir - elas, que fizeram um moicano.

 


                                                                    Chupa, Mattel!