terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O que eu desejo tem nome e está aqui

E então? Então que eu vim aqui, humildemente, fazer meus votos a vocês para o tal doismilequatorze, porque, muito embora eu seja avessa a sentimentalismos encomendados, também tenho um coraçãozinho passível de virar manteiga nas viradas. Ok. Nas viradas e em tudo que é situação: o fato é que eu sou uma manteiga derretida ambulante - ainda que disfarce razoavelmente. Quem eu quero enganar? Afe.
Bom, eu desejo que no novo ano - ou amanhã, enfim - vocês descubram suas verdades e grudem nelas, apesar de tudo e de todos. E se alimentem da força que habita vossas almas sedentas de felicidade. Porque vocês podem tudo. Um espírito radiante é capaz de promover mudanças - eu acredito, sabe. Desejo que pensem em trabalhar em algo que amem - e não em algo que possa enchê-los de dinheiro. Tá, tá, eu sei que dinheiro é bom, mas não vamos dar tanta moral assim pr'ele, né? Desejo que vocês escutem menos Jorge e Mateus e mais Jorge Ben Jor. Ou mais Jorge Drexler, que também é uma pedida ótima. E que estreiem, quem sabe, um outro Jorge - o argentino Borges - assim como eu farei, por não aguentar mais o fardo de nunca ter lido nada deste moço. Desejo que vocês leiam mais, aliás, porque livro é uma coisa maravilhosa realmente. Não queria ser chata, sabe, mas a literatura tupiniquim é uma delícia. Um Drummondzinho de leve, às vezes, não cai mal. Sei que os não-sei-quantos-tons é que estão na moda, mas uma Cecília Meireles, um Guimarães Rosa, um Castro Alves, um Machadinho? Não é coisa que se ignora. Não custa nada. Desejo que leiam ainda sobre política, que tentem aprofundar suas opiniões e abrir a mente para o desconhecido - porque, se não, pouco adianta sair gritando que o gigante - este indecifrável - acordou. Porque, se não, é quase sonambulismo.
Eu desejo que desejem o que já têm, o que já conquistaram - e que se perdoem pelo que não conseguiram fazer. Eu desejo que, quando tiverem o ímpeto de se fotografarem em frente ao espelho, parem, olhem para a superfície em questão e se admirem, se gostem do jeito que são - e aí, fotografem um cactus, sei lá. Não há nada de errado em fotos no espelho, eu sei, mas creio que haja uma espécie de patologia se instalando, fiquem atentos ao exagero. Eu desejo é outros exageros, aqueles. Eu desejo que vocês vendam saúde física, porque sem ela nada é possível. E desejo vontade, porque vontade é o mais eficaz dos combustíveis. Eu desejo que não desejem celulares moderníssimos, se antes não aprenderem a conversar, a trocar ideias, a debater, a esbanjar gentilezas. Do fundo do meu coração, desejo que vocês sejam mais gentis amanhã. E entendam que vocês não têm inimigxs, invejosxs e o diabo a quatro querendo passá-los para trás. No máximo, alguns fãs - e fã, a gente trata bem. Desejo que vocês tenham gatos (cêis acharam que eu ia esquecer?) e aprendam a amá-los com as peculiaridades que lhes são características. Desejo, enfim, que, caso nada surta efeito, toquem o foda-se com gosto, pois também é deveras terapêutico. Mas tem que ser um foda-se do fundo da alma. Há uma lenda que diz que o tal ''foda-se'' é imune a indiferenças forçadas.
Ah, e desejo que vocês sigam me lendo, me acompanhando, porque eu não pretendo parar tão cedo. E tragam mais leitores, sempre e sempre, pois coisa boa merece ser apreciada, néam? Hihi.


Seguimos juntos em 2014. Feliz virada!

Beijão






domingo, 29 de dezembro de 2013

Sem admirar, não rola

Vocês já devem ter passado pela situação, óbvio. Se perguntarem o que viram em determinada pessoa e por que, hoje em dia, parece improvável terem nutrido algum sentimento por ela. Seria hipocrisia dizer que eu não me arrependo de ter dispensado atenção a certos caras por aí, mas tenho amadurecido quanto a alguns estigmas amorosos conhecidos. Tipo, renegar alguém que já me deixou com borboletinhas no estômago. Não dá, cara, é babaquice. Ok, a borboleta, digo, a pessoa teve sua importância. Fim.
Porém, agora vamos esculhambar com o bom-mocismo do parágrafo acima: simplesmente tenho vontade de vomitar quando lembro que já me interessei por uns figuras aí... quer dizer, o vergonhômetro alheio nem existe mais para contar a história, já explodiu há eras. Bem escroto admitir isso, sabemos, mas rolam uns arrependimentos escabrosos, no puedo evitar. Dia desses, estava eu de bobeira neste antro de perdição conhecido como internets, quando acabei topando com a página de um menino que deveras já incendiou meu discernimento. Foi curioso - para não dizer bizarro. Instintivamente, comecei a ler alguns de seus compartilhamentos - aquele julgamento raso básico a que estamos habituados nesta era facebookiana moderna - e, olha, foi difícil não sentir nojinho em relação a um específico. Que criatura é essa? Que merda, hein? Que babaca! EEEEEEEEEW.... - nada muito argumentado, como é perceptível. Aliás, pouco deste texto está razoavelmente fundamentado, a verdade é que eu só queria desabafar mesmo acerca de como certos posicionamentos podem trucidar com a admiração que temos por outrem. E, sabe, sem admiração pouca coisa dura. Sem admiração não há tesão que vá longe. Sem admirar, não rola.
Algum replicador maroto aí na sala talvez me diga que eu não posso julgar por uma página. Claro que não numa totalidade, meu chapa, mas você há de convir comigo que muito do que reproduzimos nas redes carrega nossa essência, o âmago dos fatos, vide Samuel Rosa. Logo, o meu vômito - ainda que figurado - segue soberano e indiscutível.
Você, leitor sagaz, certamente já se ligou que determinada postagem que me enervou é de cunho político. Sabe, nós, aqui do site, estamos longe de ser extremistas em relação ao assunto, mas também não perdemos tempo discutindo sobre certas cicatrizes sociais. Não voltamos atrás e cabô - excetuando-se, claro, alguma situação em que um extraordinário argumento seja desenrolado. Mas não, não era o caso. Não sei se me sinto envergonhada com o fato de me confessar intransigente, ou orgulhosa por me apegar a um princípio que nada contra a correnteza. Só sei que é sempre um embrulho gratuito no estômago perceber naquele lapso de segundo que o fulano em questão não pensa como você... tipo, é uma pena, dê uma outra volta no quarteirão, pois a gratuidade não se instalou aqui, minha cara. Aham, é um idealismo bem fodido, amiguinhos, mas isso, para mim, é o começo do fim. Pior ainda é quando a criatura finge que partilha da sua opinião, única e exclusivamente para fomentar uma situação, cês sabem qual. Aí é de chorar no cantinho. Bom mesmo é quando uma palavra cola na outra sem querer, no meio duma conversa aleatória numa fila de festa, e tudo faz sentido, ainda que só naquele minuto. Ou quando um jeito de olhar para a vida simplesmente faz eco no jeito do outro olhar a vida, e um silêncio de aprovação faz mais barulho que tudo. É idealismo fodido, mas também pode ser magia acontecendo. E, às vezes, não é que acontece?


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Explorers - Muse






segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Eu, o Marinho e o croissant de chocolate

Aí, ontem, numa destas provas de seleção da vida, veio a tiracolo na prova, um texto incrível da Cláudia Laitano. Puta crônica! Tanto gostei do pensamento da Dona Clau, que, após a leitura, fiquei tentada a ovacioná-la. É, aplaudir mesmo, eu e a prova, barulhão e tudo. Mas fiquei na minha, porque né, não preciso de mais motivos para ser tachada de louca. Só fiquei pensando: que baita cronista essa mulher! E aí, enquanto eu viajava nas questões de Português, fiquei a pensar, de soslaio, quase que inconscientemente, nesta ingrata - porém deliciosa, admito - tarefa de ser cronista. Porque o cronista é um atirador de opinião. Ele fica ali, na dele, observando, emprestando um olhar crítico, tentando promover uma reflexão de um jeito engraçadinho e cativante ao seu eleitorado. E, inevitavelmente, muito da sua credibilidade acaba vindo da sua atuação profissional de antes do delicioso e libertador ato de simplesmente escrever, sei lá, uma coluna no suplemento do jornal de sábado.
Mas, pera lá, não quer dizer que os cronistas estejam em uma posição de destaque única e exclusivamente pelo acaso do destino: é evidente que muitos deles são ótimos. Mas talvez alguma centelha de suas famas, a exemplo da Claudinha, tenha pegado carona em anos de labuta como repórter ou editor em uma redação de prestígio. Em alguns casos, o cara era cantor, teve uma carreira promissora na música, sendo convidado, anos mais tarde, a dar pitacos num jornal de renome nacional. O que o impede? Ou o cara fez tantos gols nos Paulistões da vida, que acabou como um ás da coluna esportiva no Estadão. Quem pode culpá-lo? Eu diria que a crônica é um dos gêneros mais democráticos que existem, estando ao alcance de qualquer zé que sinta necessidade de poetizar o cotidiano. Ou criticá-lo ferozmente, que mané poesia, moça! Munido de uma observação decidida e uns parágrafos fazendo gracejo, não há impedimento. É só escrever - e tal exercício exorciza, vocês hão de convir comigo.
Um dia após a final da Copa do Brasil de 2001, o conhecido da crônica esportiva gaúcha - e gremista até dizer chega - Paulo Sant'Ana, no auge da emoção pelo tricolor haver copado o torneio, não teve dúvidas: fez do seu texto uma canção de uma nota só. Tratou de escrever umas trocentas vezes o nome de um dos heróis (dizem, não me lembro do jogo, muito embora eu tenha assistido a uns lances) do título, o tal Marinho - zagueiro que jogou na Azenha nos anos de 2000 e 2001 - e estava feita a crônica da celebração. Pra que mais? Deixa ele, pô, ele estava regozijado com a atuação do Marinho. Percebem? É como se o coleguxo da Cláudia Laitano estivesse usufruindo de uma espécie de licença-cronística, uma vez que, em virtude de anos de amor à camisa, ele simplesmente podia escrever o que bem entendesse. No caso, uma declaração ao xerifão, por que não? E eu, que sou apenas uma anônima com boas intenções, entro no mundo dos cronistas celebrados por que porta mesmo? Vou eu escrever umas vinte linhas de croissant de chocolate, croissant de chocolate, croissant de choc... e vocês vão me tacar pedras. Eu tenho que comer muito feijão para poder, eu sei. Sorte minha que eu tenho fome. Muita fome.



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You got it - Roy Orbison







segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sobre trocentos rascunhos que não viram a luz do dia, camaros amarelos, e ilusão como prova de estar no jogo

Não gosto de espaçar as visitas, mas acontece que minha inspiração anda num limbo desgraçadinho. Não gosto disso, e, olha, não é frequente: eu sempre ando com a cabeça fervendo de indagações prontas para virarem textos. Mas tem vezes em que acontece, néam? No fundinho, mas bem no fundinho, deve ser a tal pressão do final do ano, certo que é. Retrospectivas, planos, contabilizações de acertos e erros - aquela cantilena conhecida que nos persegue, mesmo que não queiramos. Vocês não sabem, mas, geralmente, quando eu sofro de crises que me bloqueiam as palavras e me fazem sumir, é porque eu já estive por aqui e abri uns trocentos rascunhos que não viram a luz do dia. Eu ensaio, busco uma energia figadal - cês sabem, texto bom é aquele feito com as entranhas - mas aí vou me embananando. Em suma: não sai nada, porque eu já me distraí com a brisa, com o meu gato se espreguiçando com as patinhas coreografadas, com a manchete do jornal que, olha, dava uma crônica melhor e... fim. Lá vai o rascunho ser descartado. Pobre rascunho. Foi mal aí, rascunho, não foi a intenção. Eu iludi o rascunho.
Eu iludi vocês quando falei que não apareceria com frequência, em virtude de outros projetos aí - e o fato é que eu apareci mais do que previa e fiquei satisfeita com isso. E vocês ganharam mais postagens. E, se eu falo assim, é porque eu sei que vocês aparecem e leem - nem que seja para rir e se perguntar ''o que que essa mina quer com esse blog, escrevendo abobrinhas?''
Não que eu me dê importância, sabe, longe disso, mas sempre tem um zé para nos ridicularizar, colocar em xeque o que curtimos fazer - ainda que seja anonimamente. Os fazedores sempre serão massacrados por não fazedores e também por fazedores de outras coisas que não blogs, e o mundo gira e estamos conversados e vacinados. Eu acho o sertanejo universitário o nível musical mais degenerescente a que o ser humano pode se prestar, mas né, nem por isso os camaros amarelos deixam de circular, lépidos por aí, cagando para a minha existência. A galera segue arrochando, e eu sigo escrevendo abobrinhas. E é isso aí.
Mas, falando sobre ilusões (só para que este papo tenha alguma finalidade), é sempre uma coisa curiosa, né? Como iludimos, às vezes até sem querer. Talvez do jeito mais trivial possível, tipo, dizendo que ''vamos, sim, naquela festa, fulana'', mas, ainda assim, fazendo uma trapalhada gigante com a expectativa alheia. Como somos, também, iludidos por nada mais que nossos próprios pensamentos e vontade de enxergar o que queremos enxergar. O fato é que somos marionetes a serviço da ilusão, sempre, toda hora. Caminhando na rua, falando no telefone, fazendo planos mentalmente enquanto tomamos banho, cozinhando e esperando que a receita dê certo...  
Lógico, existem níveis e níveis de ilusão - tá certo isso? - e ''sofrimentos'' condizentes (porque ilusão só faz sofrer, certo?), todavia não consigo ver só o lado obscuro delas, as ilusões. Às vezes, só quer dizer que a gente tentou. Tentou e não deu certo. Ok, na próxima, dá. A gente se ilude, se recupera, segue vivendo, porque se iludir é estar no jogo, por mais que seja cruel, sacaram? E, no fim, a gente sempre dá a volta por cima, nem venham com papinho derrotista - que o digam meus rascunhos relegados ao ostracismo da lixeira, que, de uma forma ou outra, trataram de existir em outras postagens. Eles estão aqui também.



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Fly away from here - Aerosmith








quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Não troco o meu James Bond por você

A solidão assusta, claro que assusta. Solitude não é o projeto de vida de ninguém na vida, não é mesmo? Mas eu convivo bem com a ideia. Não que eu seja uma pessoa sozinha, longe disso, modéstia à parte, sempre dou um jeito de ter uma boa companhia do lado, de estar cercada de pessoas legais. Todavia, quando acontece, não deixa sequelas. Definitivamente, não sou o tipo de pessoa que perde um filme, por falta da dita ''parceria''. Ainda mais sendo o novo do James Bond. Jura!
Eu gosto de ficar sozinha, acho de grande necessidade. Eu me aprecio, gosto da minha companhia, do que eu descubro enquanto testemunha de mim mesma. É sempre libertador. E é meio curioso confessar isso, porque pressupõe que eu sou uma extraterrestre: quase ninguém que conheço é muito fã de uma solidãozinha. Deve haver, claro, mas, no geral, eu noto relações marcadas (ainda) pela posse, pelo controle, pelas cobranças, pela zaga retrancada - ainda mais em tempos esquizofrênicos de redes sociais (esquizofrênicos, sempre escrevo isso). ''Por que não me ligou, fulana?'' ''O beltrano tá estranho, não me ligou mais...'' "Vou parar de ser disponível, ninguém me valoriza...'' Blergh. Preguiça de quem se dá importância demasiada. Preguiça crônica de quem se leva a sério demais. Na boa, não se levem a sério, isso que a gente atravessa todos os dias não é nada demais, é só vida, coisa boba. Você também é coisa boba, ninguém está tão preocupado assim em chateá-lo, em bolar planos maquiavélicos para fazê-lo sofrer. Não crie casinhos, não alimente bolas de neve. Escreva textos sarcásticos, que é mais negócio. Bole um stand-up, ao menos os outros vão rir da sua desgraça - se é que é uma desgraça mesmo.   
Lógico, Batman, quando gostamos, sentimos ciuminhos, sensações estranhas que talvez não sejam nada mais que amor trajando outras máscaras. Eu sinto. Até hoje, tenho acessos de posse estranhos com meu irmão, sinto uma falta desgraçada de contar minha vida para ele, ai dele se não dispensar um tempinho na agenda para falar merda comigo. Não compreendo o porquê da coisa, deve ser do cerne humano de querer controlar, sei lá eu, mas a gente precisa aprender a ser feliz sozinho também. Aprender a extrair felicidade de nós mesmos. Já fui aquele tipinho maçante, que ficava puto da vida, por uma semana, quando a turma do colégio não me convidava - por esquecimento ou de propósito - para fazer tal coisa - e depois tinha que aguentar trocentas fotos lá na parede marcando minha ausência. Tenho pânico só de pensar em agir assim de novo. Credo, nada vale minha paz, só sendo muito ninja para me tirar do sério com uma bobagem dessa. Hoje em dia, mesmo sem ter sido convidada, eu me ofereceria para ir tirar as tais fotos - só pelo prazer de ver os outros se divertirem.  
E dá para acreditar que ainda há pessoas por aí rogando pragas contra o mundo, porque ninguém quis assistir tal filme com elas? Porque o fato é que são muito importantes para chegarem ao cinema sem uma multidão de súditos em seu encalço. O que a oposição irá dizer? Seria uma mácula em suas biografias, obviamente. Ir ao cinema sozinho pode até ser ridículo, mas deixar de ir, por medinho do que os outros - os assustadores outros - vão pensar é bem mais. Vai, que dá nada, bobinho. É só vida. 



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Oswaldo Montenegro, com Lua e Flor e Bandolins   






segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sobre barbas

Neste site de amenidades denominado Agridoce, hoje, vamos falar de barbas. Ai ai, a barba. Sim, tem um caralho de coisa bizarra acontecendo no globo e que merece comentários, mas quem decide a relevância das pautas sou euzinha. A editora-chefe, a suprema dama da redação - ao menos aqui. Risos.

Surfando no achismo e sem nenhuma pesquisa de campo que embase meus argumentos, eu venho dizer que... amados, cês entenderam errado. Não é para virar Papai Noel. Não é para fazer cosplay de Karl Marx. Não é, definitivamente, para virar profeta bíblico. Tô pisando em ovos aqui, reconheço, porque não entendo bulhufas de barbas, mas... ah, eu sei o que agrada minhas retinas. Pegando carona naquela letra raimundiana que deveras ecoou em vossos radins nos anos 90, conheço bem o que faz levantar minha saia - ou, vá lá, o que abre meu calção. E, geralmente, fazendo cair alguma lágrima também.
Penso ser o segredo da coisa a história de mostrar, escondendo. Quer dizer, sou um homem feito - veja a prova na minha face, garota!!! - porém ainda cultivo uma ingenuidade pueril. É a barba por fazer, aquela desgraçada. Ih? Tô barbudo, é? Nem vi, tava lendo Hermann Hesse. É a desconstrução milimétrica da vaidade, que deixa um ar sorrateiro de despreocupação, mas que nada. Sabem bem como fazer. Barba cerrada, não nos deixe jamais!!!

Bradley, tudo bem que cê é um espetáculo até fantasiado de Bozo, mas não faça mais isso:




   

Siga assim, ó:





Cês lembram do Rodrigão? Ele entrou, aqui, pela cota de ex-bbb. No plantel do Morenos Futebol Clube, ele é camisa 10.



Só porque somos groupies e amamos os ''cozinheiros'' da música - e porque eles quase sempre são ofuscados pelos guitarmans, uma dose de Fabrizio. Aêêê!





E um pouco de Japa, porque amamos este temperinho oriental combinado a este charme autenticamente tupiniquim, combinado também a este cabelo estiloso, por favorzinho, nunca corte tal cabelo e siga envelhecendo ao estilo Benjamin Button. Grata.





Sabe aquela história de não virar Papai Noel? Pois é, o Daniel Galera pode. Mas só ele. Se você não for o Dani, melhor evitar.





A barba é a vedete da vez, mas os bigodes também têm seu valor, vai dizer?
Arrasou, gato! Assim como os outros felinos de cima.






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Pour some sugar on me - Def Leppard









sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Acho que era Ramones

Eu tinha uns dezesseis, eu acho. Dezesseis para dezessete. Falava com ele diretão, a gente trocava uma ideia legalzinha - legalzinha leia-se insípida - muito embora alguns diálogos fossem monólogos e quase nada tivéssemos em comum. Ele gostava de mim - e até que era bom ser gostada daquele jeito. Numa época de inseguranças latentes e desejo de autoafirmação, aquele sentimento era quase um sopro de vida.

''Gosto de ti de óculos'', dizia o mancebo.  

Até que um dia, ele veio com uns papos estranhos. Ele tinha cara de quem gostava de namorar no domingo, assistindo Faustão no sofá da sala. Um arrepio correu minha espinha. Engoli a seco, blefei:  

- Legal aquela música que tocou no filme, né? Acho que era Ramones...

Não que eu quisesse ir nadar com as baleias do Ártico ou escalar o Everest em pleno domingo, mas ter me acenado com um pouquinho mais de aventura, de traquinagem na vida, teria sido determinante. Determinante para quê? Sei lá eu, cara-pálida. Mas sinto que teria...

Vocês nunca se perguntaram onde estariam, com quem estariam, de que jeito estariam, caso tivessem feito outras escolhas???? Dããr. Claro que sim, né, penso ser algo recorrente quando a gente para e dá uma refletida. Alguns sentem culpas, outros, alívios. Eu sinto cócegas. Rir do passado é o melhor jeito de conviver bem com ele. É claro que eu julguei um rosto, um nome, uma mania de ser sempre comedido e inofensivo nas opiniões, mas.... mas.... não consigo, ainda, achar que eu estava totalmente errada naquela primeira impressão - que talvez pudesse me roubar um pouquinho de felicidade, vai saber. Não, não roubou mesmo.


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The authority song - Jimmy Eat World








terça-feira, 26 de novembro de 2013

Tipo o pão caindo com a parte da geleia para baixo

Tem coisas que são tipo o pão caindo no chão com a parte da geleia para baixo: se existe a possibilidade de ser sacal, vai ser sacal. Vizinho e música em um volume ensurdecedor, por exemplo. Não adianta: entra geração, sai geração, os vizinhos nunca vão escutar nada que você goste. Nem nada pelo que, ao menos, você tenha simpatia. Se é para passar pelo purgatório musical, que seja do jeito mais merda possível. O IBGE, nos seus famigerados censos, deve explicar isso. Eu nunca tive um único vizinho que comungasse do que eu amo ouvir. No geral, sempre fui acordada aos domingos com playlists do melhor do sertanejo da dor de corno. Não que o que eu escutasse não cantasse as dores de amor, mas a diferença entre um:

- AQUELA DESGRAÇADA ME DEIXO O O O OUUUU...

e um

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim, que nada nesse mundo levará você de mim... 

... é de uma sutileza escandalizante. Tem diferença. Faz diferença no ouvido e faz na vida. No jeito de encarar o, vá lá, amor e seus tropeços. Imagina acordar escutando a Bethânia desenrolar os versos do Vinicius? Só nas minhas melhores utopias. Vai lá, engole o choro, que amanhã tem Gusttavinho Lima e você. Ou um Naldo perfurando uns tímpanos com muita vodka - ou água de côco, que, para mim, tanto faz.

Dia desses, pasmem, fui agraciada com Help, dos moços de Liverpool, num volume exorcizante. É você, Satanás? Depois de sofrer, calada, por tantas manhãs, ver os Fab Four invadindo minha janela foi um grata surpresa. A pena é que eu me encontrava numa ressaca tão desgraçada, que só pensava em dormir - sim, aquele sono de babar, o melhor que existe. No fundo, eu devo ter sonhado. Nunca saberei de verdade.



                                                                                  #chatiado




 

domingo, 24 de novembro de 2013

Hey, Lúcifer, vai tomar no cu

Pois eu, recém chegada de Saturno, acabo de saber que o peixão da vez no mar de aplicativos dos celulares-robôs, atualmente, atende pelo nome de Lulu. Sei lá eu por que caralhos, mas é. A mulherada está em polvorosa, atribuindo na internet notas a homens de sua lista pessoal de amigos - e com os quais eventualmente queiram ter um romance, ficada, pegada, lance, enfim. Vejam bem, embora tal começo soe machista, vou me defender dizendo que sempre fui a favor de que nós, mulheres, tenhamos plena liberdade para conduzir nossas vidas sexual e amorosa, e nos libertemos de ''velhas'' amarras. Eu falo, aqui, é da bizarrice desta onda de aplicativos para celular, que parece hipnotizar e emburrecer. Em tempo: tem alguém muito esperto ganhando milhões com a nossa insegurança de tatear no escuro, quando o assunto é amor.
Pode até ser mau humor, como disse a Claudinha Tajes na Zero de sábado, mas talvez seja só o fato de eu ser pragmática demais - ao menos no referido campo. Celular para mim? Não me deixando na mão em se tratando de sinal e enviando mensagens de forma eficiente, já está de bom tamanho. Meu aparelho está longe de ser um Tiranossauro Rex, mas é frequentemente subestimado pela dona: não faço questão alguma de zilhões de bobagens que mais enlouquecem do que promovem a luz. Tecnologia, para mim, só se for para facilitar a vida da preguiçosa que vos fala.
Seguindo no perímetro dos aplicativos - e indo na contramão do que escrevi acima sobre o Seu Lulu - vi por aí que há uns ótimos que nos ajudam, por exemplo, caso precisemos de um serviço de táxi de confiança em determinado lugar. Além de localizarem o carro mais próximo da pessoa, há programas que incluem até o valor estimado da corrida para o passageiro em potencial. Uau! Show! Aí falou minha língua, camarada. Praticidade para a vida. Agora, a troco de que catalizar o aparecimento de velhos fantasmas com um aplicativo cuja única finalidade é dar dor de cabeça? Sim, meu amigo, porque quanto mais vocês causam amorosamente online, mais choram nas minhas timelines. ''Ai, porque vi fulano numa foto com siclana''. ''Ai, beltrano postou que está na festa tal com o Pafúncio e o Teobaldo, e hoje eu não posso sair. Droga.'' Penso que o exercício do famigerado tomar no cu é, inevitavelmente, fruto da nossa própria vontade, não? A gente pede.
E, no mais, vão lamber sabão. Vocês e o tal Lúcifer.









domingo, 17 de novembro de 2013

Sobre desejar igual à ucranianinha, conversar com gatos estranhos, um moreno de coração quente

Aqui, neste site, estamos começando a desenvolver poderes mediúnicos. Cara, em maio do ano passado, eu fiz uma postagem meio esquizofrênica, enumerando coisas que eu queria fazer, mas, sei lá, não sei se faria, mas estava a fim de fazer, mas, sei lá eu, não sei se faria, mas rolava uma ideia de fazer e tal. Ou não, não sei, talvez não rolasse nada, mas o fato é que havia uma vontadezinha e etc. Uma postagem pouco séria, como é do feitio do ser humano que vos escreve. Lá pelas tantas, eu dizia que queria adotar um gato e batizá-lo de Joseph Tribbiani - Joey pros íntimos.

Lá vem ela com o gato de novo........ 

Ora bolas, mas é claro que eu venho com os gatos. A paixão por eles tem aumentado em progressão geométrica, é uma coisa assim... não sei explicar, é como se eu não conseguisse assimilar de onde vem tanto amor. Enfim, voltando ao post, é como se eu tivesse adivinhado que o Joey ia aparecer no meu caminho, é como se eu tivesse aberto meu coração e o chamado para perto de mim... ô história linda essa nossa, hein?
Faz tempinho que eu ando pensando na coincidência e tenho ensaiado escrever sobre, porque o fato é que ela me traz uma paz danada de boa. E ela me sussurra que aquilo que a gente deseja com todo o amor que se pode suportar dentro das veias, dentro dos neurônios, vai vir para nós. Mais cedo ou mais tarde. Vai vir, como que voltando à antiga casa, vai vir... tem que acreditar. Desejamos um balaio de coisas. E desejar é de graça, eu desejo é infinitamente, eu desejo o que não tem nome, como diz aquela ucranianinha amor. Eu desejo e coloco o meu coração leonino inteiro naquele desejo. Eu desejo e vejo no que dá. Aqui, neste site, também amamos ver no que dá. É sempre estimulante, apavorante, uma salada de emoções. Troquem a alface tragada a contragosto por uma salada de emoções, vez que outra, queridos.

Tá, voltando aos gatos – só porque eu amo escrever sobre esses seres peludos e obesos e incompreendidos – diga você, humano racional, como ainda não se deixou envolver pelos miados? Aquilo ali são notas musicais carregadas da mais pura ternura. Desde que Joseph aconteceu, naquela noite julina molhada de chuva, algo mudou dentro de mim. Hoje em dia, se vejo algum felino na rua, eu paro para observá-lo, perdida entre os transeuntes, num recanto particular. Só que, tímidos que só eles, quase nunca dão as caras para a Bru. Se vejo algum deles, refestelado em algum colo de algum dono por aí, eu paro e fico admirando-o. Eu converso com esse gato cuja procedência desconheço. Eu me saio com pedidos desconcertantes: 

- Oi, posso encostar no teu gato? Sacumé, eu amo, não posso evitar... 

Em um futuro próximo, consigo visualizar uma sala, algumas almofadas arranhadas, uma cortina rasgada, muito pelo no sofá - os pelos, naturalmente, são dos meus filhos – e muita vida entre miados. Trata-se da personificação daquela lenda da louca solitária dos gatos? Nananinanão
Também tem um gato de pelagem morena, de voz rouca e coração quente, vestindo cuequinha samba-canção para a dona aqui - que eu sou filha de Deus, né.


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João e Maria - Chico Buarque







sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Sobre compromisso, sacrifícios em nome do amor, Bruna sendo vaca

Hoje, o dia é dos 124 anos da Proclamação da República, mas a noite é dos solteiros. Não, pera, viajei. Aqui, onde me encontro, cai uma chuvinha marota no momento - o que eu considero um convite à reflexão. Logo, convido vocês e o Deodoro para uma prosa descompromissada. Descompromisso, mas que palavra fabulosa.

Compromisso é o tipo de palavra que me apavora. É forte o embate interior, não me perguntem o porquê, já disse, um dia resolverei isso - ou não - com umas sessões de análise. Claro, para os rotuladores de plantão, não passarei, euzinha, de uma irresponsável, uma doidivanas, uma hippie. Mas eu acho que não é bem por aí, penso que a confissão não me descredibiliza muito, sabe. É que compromisso lembra contrato, que lembra cláusula, que lembra.... vixe, chega. Ninguém gosta de amarras, por mais que seja fã de um discursinho cheio de protocolos, enquanto tenta elevar seu marketing pessoal. É claro que, querendo ou não, acabamos criando vínculos, compromissos, rotinas, um contrato de leitura com a nossa audiência, mas penso que isso acaba sendo uma contingência, aquela coisa da qual, se tivéssemos opção, fugiríamos. Não aquilo para o que abrimos o peito, os sentidos, os olhos, os desejos mais entranhados e dizemos: venha. Os sentimentos são livres - pássaros em voo - já diria aquele ser incrível chamado Mário Quintana.


Pegando carona na ideia, vocês não acham curioso quando escutam frases do tipo "amigo que é amigo, faz tal coisa''? Ou, quem sabe, ''amor que é amor, não faz tal coisa''? Acho que vem bem ao encontro do que eu dizia, aquela coisa do compromisso como forma de sacrifício, de anulação (tá, eu não falei acima, mas agora tô falando), de se perder na busca por preservar uma convenção, um rótulo. Eu me enervo quando sou agraciada com alguma fala do tipo. E tenho muitos bons amigos, a despeito do que vou escrever mais adiante, se querem saber.
Mas, cara, amigo erra. Amigo tem preguiça. Amigo, simplesmente, às vezes, não quer te ver, porque não está a fim. Amigo não é uma entidade, amigo é humano. E humanos são isso aí que são mesmo, e não deixam de ser menos fascinantes por isso.
Ah, quanto ao amor... ah, o amor... o amor idem, pessoal. É claro que cada caso é um caso (como não amar clichês?), mas, no geral, se é para ficar junto, dividir uma vida, um cotidiano, é necessário que haja leveza, riso (muito riso, por obséquio), uma gratuidade que não se sabe explicar. Se a criatura já vem falando que eu preciso falar menos, gostar de aipo e ter doutorado, é porque talvez não queira ficar comigo de verdade. Vocês podem até achar que amor é sacrifício e etc, mas eu, como boa hedonista que sou, não levanto tal bandeira, não.


Vejam bem, se tem uma coisa da qual eu faço questão na vida, é a de ser extremamente educada com todo ser humano que me contate. Eu não abro mão. Também não sou educada somente com quem é comigo. Quando me tratam mal, eu faço questão de retribuir sendo amável (x10). Não é samaritanismo barato, só sei que, por enquanto, gosto de viver assim. É divertido.
Mas, hein? Só não vem me oferecer promoção via telefone, sério, eu não gosto de promoções. Eu não gosto de p r o m o ç õ e s. Eu não quero comprar nada. Eu não quero vender a alma ao Tinhoso para ter o celular do momento.

- Moça, estamos com uma promoção aqui do jornal...

- Er, eu já assino o jornal de vocês, moço. Serião.

- Bom, mas aqui não há registro de assinatura com esse número para o qual eu liguei...

- He he, tá... assim... é que na verdade eu tô mentindo, sabe? E não tô com tempo pra promoção, beijo pra ti.


Eu, que sou uma flor de condescendência, também sei ser bem vaquinha.








terça-feira, 5 de novembro de 2013

Nem todos querem propaganda de margarina

Dia desses (tipo, ontem), encontrei, por acaso, um cara que foi meu coleguxo nos tempos dos gloriosos -  porém ao contrário - anos de ensino fundamental. Ele empurrava um carrinho de bebê. Com um bebê dentro, por supuesto. Ele não me reconheceu, creio eu, mas eu o reconheci - não esqueço facilmente um rosto, eu poderia ganhar facinho uns trocados desenhando retratos falados. Mas, enfim, fiquei pensando com meus botões. Seria a criança filha dele? Possivelmente. Grande parte da galera que jogou bola comigo na rua, já juntou as escovinhas de dentes e tratou de procriar. Há uns anos, isso me assustava, quer dizer, assumir um compromisso patriarcal com vinte e poucos anos por pressão de sei lá quem me parecia insanidade. E eu chegava a fazer comentários radicais a respeito. Hoje, no entanto, tenho olhos mais tolerantes em relação à pauta. Tolerantes, ok, mas não menos intrigados. Eu ainda me pego pensando no porquê de a ideia genérica de casamento - ou, vá lá, união sem assinar papel - com filhos e papagaio ainda ser vendida como solução de vida feliz a todos os seres da Terra. (Sim, eu sei que vocês já estão me julgando um ser infeliz. Eu sei que vocês estão me julgando. E devem. Só não vale me apedrejar na rua, sim?)
Eu fiquei matutando sobre. Eu fiquei, foi inevitável. Talvez eu tenha sido traída pela imagem, e a criança nem tenha parentesco com ele, vai ver, a criatura só estava ajudando uma desconhecida na rua, que diabos tenho eu com isso? Mas sempre que eu vejo alguém que praticamente cresceu comigo, embebido, tão jovem, em um rol de tarefas, sabidamente, programadas socialmente para manter a ''ordem'', é quase impossível não começar a investigar mentalmente os caminhos que levaram a pessoa a assumir tal postura. Porque o fato, meus caros, é que nem todos sonham em casar, constituir família, morar junto, ter horta, criar filhos e etc. Alguns milhões querem, lógico. E que bom para eles. Mas essa não é uma verdade universal, por mais que as propagandas de margarina insistam na jogada.


Em tempo: eu amo crianças. Com suas respectivas mamães.
HAHAHAHAHAHAHA

Não, sério, foi só para dar uma brincada. Eu gosto e muito de crianças, elas têm uma sinceridade nata que me encanta. Adoro sua pureza e o jeito como descobrem o mundo. Mas, por mais fofas e lapidáveis para o bem que sejam, elas ainda não têm o dom de se criarem de forma autodidata. E é aí que reside o drama, uma vez que nem sempre contam com tutores dignos da tarefa de educá-las. Muitas têm sorte. Outras, nem tanto.


Besitos, nos vemos.






domingo, 3 de novembro de 2013

Quando um jornal sobre coxas fala por ti

Se me permitem, hoje, vou nostalgicar. E inventar um neologismo, que o momento pede - e eu tenho crédito com o Pasquale.

Eu ando remexendo gavetas. Gavetas, gente, gavetas! É sempre um mundo à parte, vocês hão de convir comigo. Nem sei bem o sentimento que me invade, só sei que eu precisava divagar sobre. Ah, tem isso também: eu ando divaguenta (digo, dois neologismos). Não que eu não seja divaguenta desde sempre - só o fato de a pessoa se prestar a atualizar um blog fodido simpático com regularidade professoral, já pressupõe que o ser humano é fã duma conversa fiada - mas, nos últimos tempos, eu chego a estar piegas. Ternuras estranhas têm escorrido do meu coraçãozinho quando divago sobre a minha vidinha. Acho que foram as gavetas, essas sabidas.
Porque a gaveta sabe do nosso passado, ela fica, ali, à espreita, esperando nossa volta. E a gente sempre volta - nem que seja para procurar um boleto vencido, uma prova perdida de faculdade, um gosto ou uma sensação. Ela sabe dos vacilos, das glórias, de tudo. A gaveta é você, a gaveta sou eu. Somos gavetas.

Pois eu, fuçando nas minhas, achei até um jornaleco que eu mesma redigi, lá nos idos de 2003 - no auge dos meus 14 anos e do meu mariachuteirismo inveterado (perdão, três neologismos). Quer dizer, desde que me conheço por gente, sou entusiasta de coxas masculinas jogando um futebolzinho arte, mas, como boa adolescente, à época, o negócio floresceu. E lá fui eu escrever uma espécie de top 10 dos mais jeitosos meninos dos gramados do certame nacional - uma tosquice abismante. E hilária, vocês deviam ler. No quesito gostosura suprema, Unidos do Dieguinho de Vila Belmiro foi nota dez, por dois anos seguidos - sim, referida eleição seguiu em 2004, mas, felizmente, não deixei nenhum papel para a posteridade.

E aí que os risos gritados, depois de feita a digestão da publicaçãozinha marota, me fizeram cair na real. Eu sempre fui jornalista. Eu bem que tenho cara de repórter decadente do Ego mesmo.


Ricardinho Izecson era outro que sempre figurava na lista do amor.












quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Expressões que eu não aguento mais usar, mas sigo usando, afinal, eu não sei parar

“Querendo ou não!”

Querendo ou não, eu não sei parar, porque lá se vão alguns anos repetindo à exaustão que, querendo ou não, eu não tenho nada mais relevante a dizer, então, querendo ou não, você vai ter que engolir essa opinião sem definição. O "querendo ou não" é meu encerra-discussão. O "querendo ou não'' é o meu atenuador preferido: com ele, você tira o seu da reta, e seu interlocutor nem percebe. Querendo ou não, é o que temos para o momento.  

“JESUS MARIA JOSÉ”

Aqui, vai um exemplar católico, porém bem inofensivo. Usado em momentos de extremo arrebatamento, como quando eu vejo um gato fofo, e não sei lidar com aquele momento em que minhas retinas são invadidas por centenas de arco-íris de sorvete de flocos, ficando, assim, congeladas naquele lapso do mais puro amor, e tudo que sai é isso. Em letras garrafais mesmo, que é para a coisa ganhar o sentido desejado.

“Que loucura, Jorge!”

Nem sei de onde/quem catei isso, tampouco quem seria esse tal Jorge que eu vivo evocando. Só sei que é uma loucura, Jorge.  tá ali, numa boa, trabalhada na elegância, e, não mais que de repente, solta essa pérola. Que loucura, Jorge! Se ao menos fosse o JORGE CLOONEY, néam? Ha

“JESUS AMADO”

Outra expressão que já foi deveras usada pela moça que vos fala. Certa vez, uma amiga – amigona mesmo - disse que estava com saudade de mim e de quando eu arregalava os olhos, proferindo referida frase. Ela disse mais ou menos o seguinte: Bah, fulana, que saudade da tua cara de apavorada, dizendo "Jesus amado!!!"
É por aí, amigo... geralmente, quando me sinto apavorada da silva com alguma coisa, sai esse exemplar estarrecido, tipo ''fudeu, mano''. Em double dates sabor suicídio, por exemplo, é possível verificá-lo.    


Então era isso, amores, encerramos o mês com uma postagem bem idiota lúdica, a fim de fazê-los refletirem sobre as expressões que usamos e irritam cativam a geral. 



Besitos, nos vemos em novembro, tipo, amanhã. 







terça-feira, 29 de outubro de 2013

A caçadora de capitais

Sempre a mesma cantilena. É só isso que eu ouço (tá, não é só isso que eu ouço, mas precisamos de um tom enfático aqui, ok) quase como um mantra sussurrado inconscientemente para dentro de nossos cérebros resignados. Não, não acho que as pessoas - sempre elas, as pessoas - estejam/sejam vazias. Ninguém é vazio, quer dizer, bradar que ''fulano é vazio, cicrana é vazia'' pressupõe uma totalidade, dá a entender que não há nada no fulano e na cicrana - e isso não tem lá muito sentido. Digamos, então, que elas estejam cheias de algo que não nos interessa. Ou já nos interessou, mas agora não tem mais apelo, acontece. Tô só chutando mesmo que todos parecem estar estafados de tanta ''vaziez'', mas por que esse sentimento, se teoricamente ninguém é tão vazio assim? Boa pergunta, eu é que não vou responder.
Er, pensando bem, eu tenho uma sugestão. Não me culpem, tudo isso é fruto de uma incursão perigosa e infantil aos diários de um tal Bourdieu - ele que nos diz sermos feitos de capitais. Somos capital, temos capital, respiramos capital. Somos vivência e isso é tatuagem, não sai. Logo, penso ser natural que sintamos necessidade de capitais que nos preencham, que nos instiguem, que nos atraiam. Eu acho natural, por mais que ache meio assustador também, mas a verdade é que somos bichinhos em busca de sensações que aplaquem nossas errâncias características, portanto, no drama, baby. Essa coisa de falar na primeira pessoa do plural tá ficando meio pedante, até parece que eu sei alguma coisa da vida de vocês. Vou voltar pro singular:

- Prazer, meu nome é volúvel e eu sou volúvel. Eu busco capitais que me alimentem. 

Olha, o que eu tô querendo dizer - talvez bem inadvertidamente - é que a vaziez é só conceitual. Cada um está cheio de alguma coisa e essa coisa nos prende a atenção por um período cuja duração é uma incógnita. E não há por que satanizar isso.  




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Menino Eddie Vedder, com Long nights e No ceiling.  






domingo, 20 de outubro de 2013

Sobre meta batida e paz de verdade

O departamento de estatística aplicada da Agridoce Enterprise declara que a meta de postagens do presente ano foi alcançada. A tentativa era a de passar o número do ano passado, sabe, bem óbvio, e então conseguimos. Aqui, fala-se de quantidade, não de qualidade, é bom que se explique.

Vejamos... nessa imersão de relembrar postagens... nossa.... tem umas aqui que, francamente, tengo ganas de me estapear por ter escrito. Não é fácil se autoanalisar. Em mais de 200 postagens (cof cof), alguma coisinha eu ia detestar depois de algum tempo, lógico, mas aí eu paro e percebo que, poxa, aquilo ali também sou eu. Não posso fugir do que eu senti no momento em que transmutava demônios em palavras. Não posso apagar nada, por mais que eu ria copiosamente do que eu já fui. Ao menos, eu me divirto. Ao menos, eu dou uma chorada eventual.

''Mas consegui, pelo menos, escrever uma canção...'' (Cê Pê Ême Vinte e Dois) 

Consegui, ao menos, escrever uns textos. A galera leu, curtiu. A vida seguiu. As palavras foram fadadas a ser o que foram. Estamos em paz. Paz é bom, recomendo.

Aproveitando o ensejo, que maravilha é estar em paz de verdade. Quando você não mente para você mesmo. Quando você não se esconde em um personagem. Quando você acredita na sua verdade e segue grudado nela, apesar de tudo que joga contra. Quando você se ama o suficiente para não desistir de nada que sonhou - antes de virar adulto e ser abarrotado pelas contas grudadas na geladeira. Quando você coloca seu coração na jogada de um jeito tão arrebatador e vibrante, que só faz esperar pelo melhor. E o melhor vem para os que cultivam esse tipo de paz. Já vi estatísticas a respeito disso também.



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More than a feeling - Boston 








     

sábado, 12 de outubro de 2013

Para minha cria predileta

Eu tenho um amor da vida e o nome dele é Leonardo. É o meu caçula, o meu bebê, o meu melhor amigo, a minha metade, o meu melhor e o meu pior. Eu sou apaixonada pelo meu irmão, trata-se de um platonismo alimentado diariamente. Eu amo a risada gostosa dele, eu amo seu talento tímido pro piadismo, eu definitivamente sou mais feliz quando rio com ele. E disso nós dois entendemos: quando estivermos muito sérios, desconfie.
Mamãe diz que fui eu que o batizei, porque eu era uma entusiasta da já encerrada dupla, brejeira e graciosa, Leandro & Leonardo. Então, quando ela perguntava como eu queria que meu caçulinha fosse nominado, eu devia soltar algo como um Linardo ou Nunado, porque o fato é que quando a criaturinha chegou, lá nos idos de agosto de 1992, o nome já estava certo. E aí fomos apresentados. O danado quase nasceu no meu aniversário de 3 aninhos, percebam como é uma ligação curiosa e indissolúvel. Naquele ano, eu não tive festinha nem parabéns em volta de uma mesa decorada, todavia ganhei o melhor presente da vida, do mundo, de tudo. E aí, seguimos nos reconhecendo um no outro, crescendo juntos, nos estapeando vez que outra – porque o amor tem dessas coisas, claro – até chegarmos à fase adulta – isso de que, francamente, nenhum de nós é muito fã: a gente insiste nessa roubada de deixar uma certa criança arisca viva, espero que isso nunca morra.
A gente se xinga demais, a gente se ama e se odeia na mesma fração de segundo, mas a gente é de coração. Sangue é uma coisa muito feroz mesmo. Tanto, que, quando a minha cria sangra, eu sangro junto, não tem jeito. A gente já se fez sangrar também, acontece, mas estamos cientes de que cicatrizar as coisas também é aprendizado de uma vida inteira. E é possível que estejamos indo bem no processo, viu.  
Eu sou sanguínea, o Léo, cerebral. Eu sou imediatista, o Léo, estratégico. Eu sou efusiva, o Léo, reservado. Eu sou teatral, o Léo também, mas se controla. Nós dois somos orgulhosos. Nós dois amamos a vida, mas eu mostro de um jeito bem ridículo – já o Léo é elegante, tenho certa inveja disso. Eu ensinei Português pro Léo. O Léo me ensinou a não usá-lo muito em momentos de raiva. Eu amo sacaneá-lo na frente de parentes, porque ele fica com uma carinha linda de quem não sabe onde se enfiar de tanta vergonha. Ele, em contrapartida, ama me mandar calar a boca, porque quase nunca aguenta meus monólogos e minhas tentativas de tentar debater a estratégia daquela propaganda tal de carro. Eu sou das sociais, das humanas, o Léo, das exatas. Já o nosso amor é bem exato e humano, passa fácil por cima dessas diferenças acadêmicas.   

- Gostou dessa música, Léo? Catei numa trilha de filme.
- Não, parece de velório. Não sei como tu escuta isso.
- Ah vai se catar!

- Bah, mas tu escutando Caetano? Tinha que tá caindo um dilúvio mesmo.
- Ha ha como tu é engraçadona.

Provocações de amor me interessam, me interessam. Irmãos sempre serão crianças, e Seu Leonardo sempre será a minha. 
 



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(Just like) Starting Over – John Lennon 












terça-feira, 8 de outubro de 2013

Solos de guitarra não vão me conquistar

''Solos de guitarra não vão me conquistar...''

HÃN???
PAULA TOLLER, AMADA, CÊ TÁ LOUCA??????
SOLOS DE GUITARRA VÃO, SIM, ME CONQUISTAR, INCLUSIVE JÁ ESTOU CASANDO NUM CHALEZINHO NAS MONTANHAS ANDINAS

Porque é aquela coisa: um menino com uma guitarra faz estragos violentos. Uma guitarra ou algo que o valha, não interessa muito quantas cordas o tal instrumento tenha pra mim - que, sim, tenho um coraçãozinho ridiculamente groupie batendo dentro do peito. Ria da minha patetice, estranho, é de graça.
Música é um departamento perigoso, eu não sei lidar.


Mas, hein, eu queria mesmo era dizer oi. Então, oi. Ainda não havia dado as caras nesse outubro maroto. E vim fazer isso com essa pagação deslavada, uma vez que o registro de um flagrante de um certo semblante compenetrado dedilhando coisinhas gostosas de ouvir precisava ganhar forma. Tá aí.
Quando abri as estatísticas aqui, e vi que as visitas estavam gentilmente escasseando, senti uma dorzinha na alma. Eu tinha que fazer algo, nem que fosse um rascunho de ode aos violonistas, aos guitarristas, aos baixistas, aos bateristas, aos saxofonistas, aos artistas, aos istas que parecem viver só pra me fazer ficar com cara de paisagem na multidão. Sigam na empreitada, tá demais.



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Eternas ondas - Zé Ramalho
Gatinha manhosa - Tremendaum







segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Sobre ignorar, ficar quieta e cuecas

Pegando um gancho na postagem em que confessei não saber bulhufas sobre o que ocorre na Síria, vamos analisar a palavra ignorante. Sim, eu sou ignorante quanto aos causos de lá, só sei meio por cima que há um ditador - óbvio - que oprimiu por trocentos anos uma galera, e era isso. Não quis ler mais nada, ando f a r t a, >> farta <<, fArTa destas mesmas coisas de sempre. Ou seja, eu sou ignorante, uma vez que ignoro. Ignorar não é crime, não sei o porquê de tanto pavor em relação à palavra. No fundinho, ignorante é tipo aqueles vocábulos que já incorporaram a sua semântica um estigma pejorativo indestrutível. Ignorante é xingamento. Mas o fato é que a gente ignora, eu ignoro, tu ignoras, nós vivemos ignorando. Na verdade, eu acho uma delícia ignorar, tenho pra mim que é um estímulo a seguir melhorando como pessoa, lendo, sei lá, passando por cima dos meus preconceitos. Não me apavora a ideia de ignorar, mas sim a de sair despejando palavras sobre o que eu desconheço. Ah, aí sim eu fico me sentindo um lixinho humano. Já fiz isso um zilhão de vezes, essa minha língua comunicóloga me trai um bocado. Mas já há uns anos, venho me policiando a respeito, e, olha... tenho feito progressos satisfatórios. Rola um orgulhinho besta de mim, quando, no auge da coceirinha pra falar algo, eu me saio com um "bah, não sei nada sobre isso''. E fico quieta. Sendo uma total imbecil, é possível, aos olhos do meu interlocutor, mas me sentindo um ás da esperteza pra mim mesma - que sou a plateia que realmente importa. As gurias talvez concordem comigo: não é lindinho quando aquele cara que julgamos interessante, em vez de tentar impressionar e vir com aquele discursinho seboso, nos presenteia com uma conversa franca, sem retoques, dizendo, sei lá, que não sabe sobre determinada coisa, mas vai ver algo relacionado??? Humildade é mais atrativa que muita coisa enaltecida às raias da cegueira por aí, arrisco. É sempre um encantamento. Sempre, que desgraça. Não sei como é para os cuecas que me leem - se é que leem - mas deve ser a mesma coisa pr'eles também. Certeza. Sinceridade pode até não conquistar, mas que perturba, isso perturba, nos resgata do comodismo. Assim como quando alguém ignora algo, e não tem medo de gritar isso aos quatro ventos.



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I see you, you see me - The Magic Numbers





domingo, 22 de setembro de 2013

Lagriminha

Ele tem aquele jeito que faz cair lagriminha de quem olha, mas nem nota isso, porque é muito ocupado. E é um jeito tão dele, que é impossível não querer ter perto, não querer encostar. É um jeito tão curiosamente comum, que instiga. Tão estranhamente bonito, que afasta. Tão urgente, que paralisa. Tão anônimo, que sensibiliza. E sensibilizar é o que menos quer, na verdade, ele só fica ali existindo na dele, incógnito, e nessa distração é que acaba sendo percebido. Rompendo com o horizonte de expectativa dos olhos que querem encostar. Das mãos que querem dizer.





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No cimento - Érika Machado










sábado, 21 de setembro de 2013

Eu não li nada sobre aquele negócio lá na Síria

Vocês querem conhecer a história do Vítor e da Lorena, eu sei. Eu também quero contar, mas vou fazer isso em doses bem homeopáticas. Ou vocês morrem de tédio com a falta de continuidade da trama ou ardem de curiosidade, vou correr o risco. Porém, na postagem de hoje, não tem nenhum dos dois. Na verdade, eu ando meio sei lá com essa vida, sabem? E vim despejar coisas.


Nem sei onde li, mas sei que li por aí que nós, consumidores e receptores, andamos produzindo um absurdo de conteúdo inútil na internet - inclua, por obséquio, meu bloguinho na jogada. Aonde vai o monte de abobrinha que a gente escreve, pessoas? Já pararam pra pensar a respeito? É muito fácil interagir hoje em dia, né? A gente fica se sentindo assim meio superespecial, apto a falar de qualquer coisa, a produzir conteúdo. Conteúdo a um click de ser gerado, é a era da instantaneidade (fiquei meia hora raciocinando pra escrever instantani? cuma mesmo?). Ninguém escreve cartas pro Domingo Legal mais. A gente senta o pau no Twitter, oras! Trata-se de uma época excitante de informação e opinião e críticas e tudo isso vindo de tudo que é lado e das mais bestializantes plataformas e... e... e nós digerindo, e regurgitando isso em forma de conteúdo, em forma de palavras, em forma de sentidos, em forma de impressões acerca dessa porcaria de mundo onde somos obrigados a viver. Só que a gente se lambuza nesse pote de fel da informação. E parece querer cada vez mais mostrar que está, sim, por dentro. Que leu, sim, sobre o aquecimento global. Que escutou, sim, o último cd do Vítor Ramil. Que decorou, sim, o setlist do show do Bon Jovi no Rock in Rio pra comentar sua performance. Que tem acompanhado, sim, o julgamento dos mensaleiros, ora bolas, tá me achando com cara de ignorante e mal informada???? Pra que calar a boca, se eu posso opinar? Pra que segurar meus dedinhos ávidos por reconhecimento cibercultural, se eu posso compartilhar um status mega profundo e inteligente sobre, sei lá, o quanto a Veja é nojenta e tendenciosa? Eu preciso dos louros da vitória, você também precisa. Estudos senegaleses apontam que, quanto mais curtidas e retweets eu tenho, mais guloso eu vou ficando.
Olha, não há nada de errado em ser bem informado, interessante, discorrer sobre variados assuntos, enfim, ter opinião. Nada mesmo, eu a m o pessoas assim, cês também devem ter paixão. Todavia, é aí que talvez resida nosso dilema, caríssimos: vivemos uma era em que falar sobre tudo é requisito indispensável pra entrar no tal mundo feliz, no mundo das ideias onde todos racionalizam e não sofrem. A impressão que dá é que perdemos o trunfo do ''desconhecer'', como se ninguém fosse nos levar a sério se disséssemos que, poxa, não lemos a última edição da Carta Capital. Ninguém mais pode se dar o luxo de simplesmente não saber. Não saber, mas que delícia. Não, eu não sei. Não, eu não quero opinar sobre isso. Não, eu não tenho opinião formada a respeito. Não sei. N Ã O S E I. Não saber? Você está proibido de não saber, filhinho. Penso ser essa loucura atrás de constatações sagazes e sábias, no fundo, fruto da nossa própria insegurança, porque, né? Convenhamos, todos querem ser charmosos e conquistar a geral pelo intelecto, pelo que têm a dizer. Todos querem ser pensantes, e eu também quero, me apavora a ideia de viver à margem desse banquete farto do conhecimento. Só que, né? Isso é ilusão, já que eu não li nada sobre aquele negócio lá na Síria. Me perdoa, mundo, por favor.


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Blue skies - Jamiroquai
Shine - Laura Izibor









sábado, 14 de setembro de 2013

Lorena ainda não sabe lidar com a corrente elétrica – Capítulo 1

Ela dizia que não se importava mais, Lorena, a cética. Mas no momento em que o reviu naquela fatídica tarde de verão, indo para o trabalho, sentiu aquela maldita corrente elétrica percorrendo todo seu corpo de novo. A corrente elétrica era a conhecida paralisia incompreensível, que fazia com que todos os ossos fossem tomados por uma energia arrebatadora - e com a qual ainda não sabia lidar de modo racional, por não ter conseguido subtrair aquele rosto da memória. E era isso o que mais doía – mais que sentir o estômago retorcido, os olhos começando a lacrimejar timidamente, o coração atordoado dentro do tronco, como se pudesse ser ouvido a quilômetros de distância dali. E para ela, seus batimentos cardíacos eram ouvidos por todos, em uníssono, como se fossem a pior sinfonia de acompanhar. Tanto que, quando se cruzaram na Avenida Morrinhos, na mesma tentativa de alcançar a calçada, ela não soube o que dizer, ela engasgou nas palavras, ela emudeceu e ficou ali, olhando pro chão, pro nada, perdida nela mesma. Perdida naquela metrópole, que agora era seu lar doce lar – ainda que nem tão tragável. Lorena, a ingênua, fingiu que não o reconhecera – agora que Vítor não usava mais barba. Talvez ele tivesse aparado, a fim de deixar uma fase para trás, era justo. Mas ela ficou arrasada, por notar o que ele fizera com o rosto dele, não era o mesmo, não era a mesma feição. Foram muitas as noites, grudada nele, num exercício quase que de fusão, de hibridismo, logo não se sabia quem era quem.
Evidentemente, a cicatriz no maxilar magro, o jeito como ele sorria quando ficava nervoso – tudo isso permanecia marcado como uma doença no pensamento dela. E foi isso que veio à tona naquela tarde de calor escaldante, em que ele resolveu aparecer sem sua barba política, porém firme com os olhos de ressaca: ele tinha aprendido a engoli-la como ninguém, e possivelmente ainda sabia. E então doía mais um pouco, que remédio. E a pele dela morria, lentamente, pelo toque que não tinha mais. Morria de fome. A corrente elétrica ainda era uma espécie de amor. E gritava.


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O nosso mundo – Barão Vermelho






sábado, 7 de setembro de 2013

Deu merda

Olá, pessoas legais que leem meu bloguinho!


Pela primeira vez, em quase 3 anos escrevendo, eu ando sem tempo para atualizá-lo. Santa ironia, Batman! Logo eu, que sempre procrastinei everything, a fim de abastecer meu filhote de coisas legais e tal, não tenho arrumado horas no dia pra lhe dispensar atenção. Mimimi.
Ou seja, as visitas desta que vos escreve neste setembro – ou neste semestre, não sei - possivelmente serão mais esparsas. Tudo porque eu resolvi não procrastinar outras coisas por aí. Percebam a mudança: eu sempre fui uma procrastinadora de marca maior. Eu até já documentei isso, tomada por um acesso de fúria indescritível, (cata os arquivos de fevereiro do ano passado aí, ô, preguiçoso), porque, realmente, hein, Bruna, ajeitar a versão final da monografia cinco dias antes do prazo final para entregá-la à universidade não é lá uma jogada muito promissora, né não???? É claro que ia dar merda. Ia dar e deu. Deu uma merda abissal. Uma merda antológica. E lá fui escrever uma crônica-desabafo, pra me livrar daquela ira absurda, daquela impotência, daquela culpa por não ter feito antes, daquela sensação corrosiva de “sou a criatura mais imbecil do universo” (como eu escrevo melhor quando tô putaça da vida, é gritante a diferença).
Mas a probabilidade de dar merda não é só quando você atrasa a entrega do seu trabalho final de graduação, por pura mania de achar que pode controlar o andamento dos fatos. Nem é sobre ele que vim falar hoje, muito embora eu tenha dedicado quase dez linhas sobre o case “a versão final da monografia: um filme de terror num dia quente da porra em fevereiro”. Dá uma dorzinha no coração perceber é que a gente espera pela merda sempre. Nos desacostumamos a ficar em paz, amiguinhos. Nos desacostumamos a ser felizes, eis a verdade. E isso é dramático, pois pressupõe que viemos parar neste mundo – vasto mundo, Raimundo – para sofrer. E só sofrer. Como assim? Dedicar uma existência inteira a contabilizar merdas, porque um Zé aí falou que somente assim seremos grandes seres humanos e...... é sério isso? É um destino muito reles pra uma vida, desculpa aí, mas não dá pra assimilar candidamente. É como se a iminência da merda estivesse entranhada no nosso inconsciente, nos fazendo esperá-la com um tapete vermelho de boas vindas. Em contrapartida, quando tudo parece estar “dando certo” nas nossas vidinhas – seja lá o que isso signifique – não aproveitamos a glória daquele momento ou daquela fase, inteiros, plenos de espírito de agradecimento. Metadinha de nossos cérebros espera, afoita, pela merda, como se ela é que fosse a normalidade, e não o contrário. Ficamos desconfiados, cheios de teorias para explicar aquele lapso de dias em que tudo se encaixa com maestria, sem que fritemos os neurônios em busca de respostas. Definitivamente, é como se gritássemos: hey, eu acho que não mereço tudo isso, hein? E, assim, selamos nosso talento insuspeito para o referido casamento escatológico. E, assim, nasce mais uma crônica raivosa. E, assim, nasce mais uma merda.   



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Entre seus rins - Ira
About you  – The Jesus and Mary Chain
On every street – Dire Amor Eterno Straits







sexta-feira, 30 de agosto de 2013

THE BIG ONE

De acordo com o IBGE, 74,3% das pessoas que me cumprimentaram pela passagem do meu aníver, me desejaram um amor... um moço assim, que digamos mexa com as minhas estruturas. Ah, acho super válido, né, eu quero o meu barbudinho, the big one, cês sabem, pra assistir a reprises de Friends e criar gatos. Se foi de verdadinha ou não, o fato é que foi desejado. Ok. Eu também vivo sonhando com aquele ideal inatingível, é do cerne do ser mulher  humano - essa espécie que curte alimentar uma ilusão, especialmente quando assiste a comédias românticas protagonizadas pelo garoto Ashton em feriados chuvosos. Todos temos o ideal de pessoa que se encaixaria perfeitamente em nossa estranheza, não? Podem confessar, eu tenho o meu. Só que, contrariando a lei basilar de O Segredo - aquela que diz que desejando ardentemente determinada coisa, ela aparece no seu apartamento e toca o interfone - as opções que aparecem, vez que outra, não são assim tão como eu tinha imaginado... sacam? Oras, então a solução é imaginar outras coisas e ver no que dá, hein?
Pra começo de conversa: quero um viciado em academia, de preferência que poste fotos na frente do espelho nas famigeradas redes, mostrando aos amiguinhos seus quadradinhos da alegria no abdômen e seus bracinhos estourando de gostosura. Nossa, eu me amarro nisso! Seria maravilhoso também se ele comentasse a todo instante que cada treino foi como escalar o Aconcágua. Bom, também quero que meu príncipe seja obcecado por carros, ou melhor, por sons de carro. E fotografe seu possante e o som dele num loop eterno, fazendo milhares de álbuns exaltando sua aquisição. Vocês não têm ideia do quanto um carrinho na capa do Facebook mexe com meus hormônios, seus lindos, ah vocês não sabem...
Seguindo no perímetro facebookiano, também quero que o meu  lord curta páginas tipo Orgulho de ser Hétero. E que ele seja bem homofóbico, sabe? Ô delícia de homem! Se for de um modo super velado e hipócrita, então, vai ser difícil não pular no pescoço de tal criaturinha e encher de beijos. Quero também, p o r f a v o r, que ele escute só - E SÓ - sertanejo. Imagina sair com um homem desse, escutando um Telozinho, no último volume?????? Sorry, meninas, mas eu vi primeiro.
Basicamente, seria isso, nada de exigências. Bom, tem aqueles detalhezinhos que fazem toda a diferença, claro, como escrever bem errado, colocar crase antes de verbo, essas coisas... ah, gostar de rodeios seria o máximo, já ia esquecendo. E achar que Bangladesh é uma banda indiana de rock.


Vai que agora, né?




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Are you gonna be my girl? - Jet








domingo, 25 de agosto de 2013

Tutorial para assimilar a autora

Neste blog, basicamente, externo situações chatinhas que me ocorrem. Chatinhas, mas sempre muito ridas, porque comigo é assim: pra eu me recuperar, eu preciso rir. E eu tô sempre fazendo piada com o que acontece comigo sem que eu possa evitar, com o que eu provoco e sei que tô fazendo errado, etecetera. Talvez isso seja, como diz o menino Roberto Frejat, nada mais que desespero. Que seja então, néam? Se eu não ironizar, enlouqueço.
Porém, mesmo à mercê de todos os tipos de sentimentos depreciativos e da conjunção astral do cruzamento de Saturno com os Cavaleiros do Zodíaco, eu posso ser surpreendida por uma vontade inabalável de simplesmente não tolerar ser abalada por nada. Eu posso, um dia, levantar com um espírito tão radiante, que esqueço de reclamar, esqueço de olhar só o concreto da cidade onde vivo, esqueço de me vitimizar. Mas que delícia sentir isso? Como foi que aconteceu mesmo? Tá, eu levantei, escovei meus dentinhos e coloquei minha camisetinha poser do Queen, foi isso? Preciso anotar e repetir amanhã de manhã. Quando você consegue a proeza, chega a querer guardar um manual físico da coisa. Eu queria, ok.
Entretanto, mesmo sem tutoriais passíveis de serem decorados, eu já capturei o espírito da coisa, tcharam, deixa pra mim, universo. Isso eu não conto pra ninguém. Só quem sorrir pra mim, vai saber...


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Poor little girl - George Harrison






quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Telefonemas

Ah, os telefonemas...

Chico ligou, né? Cês sabem, ele sempre liga, é um querido mesmo, e fica todo prosa, me cantando Futuros Amantes, pra eu entender que um amor é atemporal de qualquer jeito e que o importante mesmo é amar. Em meio a compromissos burocráticos, ele dá um tempo na genialidade e faz um 21 pra desejar uns mimos pra Bruninha, é um galanteador incorrigível esse Seu Francisco. Miúcha manda saudações também, claro, assim como sua filhota, Bebel, e todo o clã. Ai que amores que eles são! Me desmancho! Mas não contente com meus ããããins suspirados via telefone, ele ainda encerra com Todo o Sentimento. E aí eu não aguento, né? Tipo, todo o sentimento tá ali, eu já tô vulnerável. E me lavo chorando. Mas eu ainda tenho lágrimas pro Caê, né... ah esse baiano atrevido, esse menino do rio e do meu coração. Leonino entende leonino, percebam. E ele sabe como me pegar. Não é que o danado cantou Céu de Santo Amaro pro coração de manteiga aqui? É bem verdade que eu ando numa levada Podres Poderes, mas ahhhhh, baiano, tu tem o jeito. Lindo, lindíssimo, amei. Os meus lindos dos Titãs também ligaram, tá? Nem ousem pensar que eles esqueceram. Rolou um coral fabuloso de Diversão, e o Nando interrompeu um show que ele tava fazendo não sei onde pra participar. Ruivão, seu querido, espero revê-lo em breve.
A Marisa Monte também fez das suas, me deixou sem palavras. Essa minha amiga tá cada vez melhor, e, contrariando seu retrospecto arredio com a imprensa, prometeu uma entrevista exclusiva aqui pro blog pra falar do seu último trabalho. Só aguardar. E guardar. Guardei e não consigo esquecer, aliás, o papo que eu tive com o Freddie, direto do além, uma coisa surreal. Meu dentucinho preferido também ligou, povo, evidente, somos muito ligados. Ah, que papo ótimo... falamos dos nossos gatos e de como nos sentimos magnetizados pelos felinos e seus atos banais, como arranhar as almofadas da sala. É um doce! Pedi How can I go on, mas ele fez charme... acabei ganhando One year of love. De leve, de leve, pois havia mais ligações na espera...





segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Habemus censuram

Sempre que eu me sinto muito sufocada de sentimentos e eteceteras com os quais não sei lidar, eu lembro do bloguinho. É tipo uma reação em cadeia: eu preciso escrever sobre isso, preciso externar minhas impressões, preciso que leiam como me sinto (ô ego maldito!). Preciso desabafar no blog!!!
Minha vida, por mais sem gracinha que seja, é matéria-prima pra isso aqui que vocês leem - o que não quer dizer que isso aqui seja inteiramente biográfico. Mas é aquela coisa, eu conto minha história pra vocês de qualquer jeito, seja, por exemplo, quando eu comento que algum moço não quis meus beijos (eu ia escrever amor, mas né, não vou vulgarizar o dito cujo), ou quando eu digo que fico deveras puta ao ler ''nada haver'' e "concerteza'' pelos redutos internéticos, ou quando eu corrompo algum autor por aí, tipo a Ciça Meireles:

''Eu falo merda porque o instante existe
E minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste
Sou pateta.''

Eu sou eu aqui, sou sempre eu, por mais que doa. E, acreditem, sempre dói mais em mim. Enfim, a dor de hoje me parece uma incógnita, mas eu vou falar sobre. Tentar. Então, lá vai: estão me censurando! Por que raios resolveram me censurar? (estão, resolveram, tudo sujeito indeterminado mesmo). Pessoas que supostamente deveriam me amar ou ao menos tolerar do jeito que sou, decidiram me censurar. E eu tenho me sentido putíssima com isso (poucas expressões representam tão bem uma sensação quanto essa, hein). 

- Pra que ser assim, Bruna?

Oras, pra que ser assim? Porque, caralhos, eu sou assim. Parece que, simplesmente, a gente tem que ir se matando um pouquinho todo dia, a fim de ser mais agradável. E daqui a pouco, a gente é nada mais que um mero rascunho de si próprio. Se, digamos, eu nego - leia-se muito polidamente - um chimarrão na roda da fofoca tradicionalista, é porque, ora bolas, eu não gosto da coisa. Pra ser mais franca: eu detesto. Mas nãããão, eu tenho que tomar, eu tenho que fingir interesse, quiçá até queimar a língua, porque, francamente, água fervente não é páreo pra quem é bagual. E eu vomito onde mesmo?

- Querida, e como vai dizer que não toma mate na casa da sogra? Vai ser um papelão. Ha ha

Como eu vou dizer? Dizendo, ué, na cara dela assim, como digo em vossas fuças, titia, a fim de que comecemos a relação da maneira mais franca possível. E ela que me traga um chá, por gentileza, enquanto eu aproveito a delícia que é o filho dela.


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Outono - Chimarruts






sábado, 17 de agosto de 2013

Pidona

Oi, gente, sentiram falta da lesma?


É, eu ando nessas de pensar se alguém sente minha falta. Quem será que sente? Será que eu sou querida, mesmo que, por puro talento, faça de tudo pra ser intragável? Eu explico: vai chegando meu aniversário, e eu vou ficando mais reflexiva, mais introspectiva, pensando no que eu andei fazendo nos últimos trezentos e poucos dias... é meio que um exercício inevitável de contabilizar perdas e ganhos. É instintivo, não que eu queira, simplesmente acontece. Vamos colocar a culpa disso no famigerado inferno astral, sempre ele, se é que existe. 
E eu também fico carente, caralhos, eu fico carente num nível pidão inenarrável. Eu torço por abraços, por cafunés familiares, por declarações do universo que façam eu me sentir um ser humano assim... digamos que fabuloso. Que sortudos somos por conviver com você, agridoce!!!! Feliz ano novo, adorável criatura!!!! Ass: Universo

Percebam a ingenuidade da pessoinha... é esse o espírito que me habita nesses dias, um espírito pueril, nota-se, mas também muito grato, muito inundado por ternura, esperançoso de que a idade me traga sagacidade - isso que eu persigo até ali no meu perfil - e mais resiliência, mais capacidade de fazer humor com qualquer coisa com que eu tropece no caminho. Não sei viver de outro jeito, meus caros, estou fadada a ser desse jeitinho peculiar que sou. Porque, como dizia a outra lá, o que nos resta é dançar sobre os destroços - e eu danço, mesmo que ridiculamente. 


  

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Vovó é que é sortuda

Dia desses, falávamos, uma amiga e eu, sobre como os caras ficam mais atraentes quando não se expõem tanto nas ditas redes sociais. Não sei se somente nós fomos acometidas pela síndrome, mas rola uma curiosidade maior. Sempre rola. Sei lá eu se é mistério, sé é porque eles parecem mais maduros, se é porque ao vermos que não tiraram fotos na última festa a que foram, automaticamente deixaram de usar a túnica da vulgaridade e se converteram em seres superiores. Não sei o que é, mas aí reside um bom chamariz. Ao menos, pra mim. (Aqui, é válido salientar que eu não entendo bulhufas de meninos e desse jogo fabuloso da conquista, ok.) 
Só se fala em redes sociais. Tudo acontece ali: manifestos ganham forma, casamentos e namoros são acompanhados em tempo real, notícias polêmicas e opiniões a tiracolo são difundidas pra todo o globo, etc, etc, etc. Qualquer um tem ao menos algum canal em que é visto, sentido, julgado, acompanhado tipo novela. Os que não têm - possivelmente a minoria - não sabem o quanto são invejados por mim. Essas pessoas (guardem isso) é que são felizes, é que estão realmente felizes, à margem dessa esquizofrenia que gentilmente chamamos de progresso. Olha, não sei vocês, mas eu perco um pouquinho da minha sanidade a cada dia brincando de gerir perfis. Mas é aquela história, eu já tô dentro, não dá mais pra sair.
Tirando essa parte em que eu faço a apocalíptica (vocês já deviam estar habituados, né), o fato é que a situação não é nada animadora. Agora seria o momento de eu inserir alguma porcentagem de quantas pessoas enlouqueceram ou morreram de inveja por causa do Instagram no último semestre, a fim de deixar o texto com uma roupagem jornalística séria e tal, mas não, eu não tenho nenhum dado, eu só queria era dividir mesmo com vocês o quanto me apavora essa vida que a gente vem levando. Claro, qualquer inocente aí vai gritar que se eu tô incomodada, eu tenho mais é que me retirar, mas como me dar ao luxo, se eu não sou uma ilha isolada? Eu vivo com vocês, cara, eu não posso me esconder.
As pessoas, elas avisam quando saem de casa. Elas nos contam onde foram jantar (se for num lugar descoladaço, as chances são mais altas, ca-la-ro). Elas também contam o que estão deglutindo. Elas dizem como estão se sentindo - e, se foram ao médico por conta da comida que não caiu bem no restaurante, elas também avisam se estão hospitalizadas. Falando nisso, vocês já curtiram a página do Hospital da Paloma? Altas dicas pra hipocondríacos lá.
Que Dios me libre, e eu lá quero que geral saiba onde eu ando? Credo, o pouco que eu compartilho da minha vidinha classe média já me apavora, imaginem vocês, sou muito mais fã do anonimato (no meu caso, dum anonimato passível de alguns 15 minutos de fama, ok?). Acho que a minha vó, lá naquela vida rural e bucólica, é que é a verdadeira celebridade. Vovó, essa sortuda.



Acompanhem agora que lindo eu compartilhando isso no Facebook, chorando pra ser lida. Eu disse, não posso me esconder. 






  

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Há um ano

Joey está comigo há um ano, desde que o resgatei do submundo da orfandade. Joey, há um ano, me faz ver que eu sempre amei gatos e que eles são criaturinhas fascinantes e doces, ao contrário do que a oposição diz. Joey, há um ano, é meu saquinho terapêutico de banha: não há tristeza que resista a essas dobrinhas peludinhas. Experimente abraçar isso, e sua vida nunca mais será a mesma. A minha não é há um ano.




Ah, abaixo eu trago uma parte (de três) de um documentário bem bacana - e curtinho, nem cansa! - que eu catei no youtube, há uns meses - desde que iniciei os trabalhos na maternidade felina - falando sobre gatinhos e suas curiosidades, além de depoimentos de gatólatras assumidos, tipo o Ruy Castro, por exemplo. (Devo reconhecer que eu já assisti a esses vídeos algumas várias vezes, e em praticamente todas acaba escorrendo alguma lágrima. Mas também, as criaturas colocam Clair de Lune na trilha, pô!) 




Felinem-se!