sábado, 17 de dezembro de 2016

A garota de rosa shocking fez trintão

Deem uma sobrevida às ombreiras e ao fixador de cabelo, pois vem aí uma resenha super deluxe edition dos 30 anos de Pretty in Pink: sim, a garota de rosa shocking agora é uma simpática balzaquiana. Chama a mamãe, pois estou convicta de que ela já quis dar uns beijos no Andrew McCarthy - o bonitinho, logo ali em 1989, seria um dos patetas hilários que descobre o chefe morto num final de semana na praia e resolve fingir que nada aconteceu. Todo mundo completamente doido na década de 80 ou nem?
Lançado em fevereiro de 1986 e dirigido pelo magnata das comédias adolescentes oitentistas, John Hughes, o filme, ao longo dos anos, saiu da sombra de mero entretenimento jovem e acabou ganhando roupagem cult. Aconteceu o mesmo com Curtindo a Vida Adoidado e Clube dos Cinco - ambos também dirigidos por Hughes. O porquê disso? Boa pergunta. A ambiência hipster cinematográfica, ela não tem limite. Ou, quem sabe, o diretor seja mais profundo do que eu imagino.
A comédia romântica é protagonizada pelo já mencionado McCarthy e pela ruivinha, ícone teen, Molly Ringwald, contando com coadjuvação de luxo de um Jon Cryer promissor, já possivelmente antecipando a veia cômica que o levaria ao estrelato. Ele, Duckie Dale, está enamorado da amiga Andie Walsh, que está é derretida por Blane McDonough, o príncipe yuppie do colégio - hoje em dia, por exemplo, Blane seria o que chamamos de bundinha. Andie vê Duckie somente como um amigo divertido e fiel, mas, vocês sabem, ele está crente de que pode conquistá-la. Enquanto ela foge das investidas do moço, sonha com a bundinha de Blane, digo, sonha com ele, além de ter que suportar as agruras de estudar em um lugar que parece jogar na sua cara todas as diferenças existentes entre os descamisados e os bem nascidos da cidade. Mal sabe ela que o objeto de suas afeições também está de olho em suas madeixas vermelhas. Ah... os amores óbvios de Hollywood.
Em um Estados Unidos neoliberal, na época governado por Ronald Reagan e etc, me parece que essa luta silenciosa de classes consegue transcender a tela. Mas é só uma impressão mesmo. Talvez resida aí a profundidade da coisa, não? Sabemos bem que os dilemas do consumo sabem azedar as relações humanas. Blane é uma gracinha, um anjinho que caiu da nuvem sorrindo, mas nem sempre isso é suficiente. Em contrapartida, gosto muito da postura decidida e madura de Andie, ao aconselhar seu pai em alguns diálogos comoventes e ao lutar dignamente pelo seu amor-próprio - em uma referência clara ao nome do filme. Vestir rosa pink também é empoderar-se. E isso, lá na década perdida, talvez tenha soado revolucionário.





Auxiliou no post: 

Turning japanese - The Vapors






        

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Ex-gremista também ama

Oi, sumidos!
Vi que vocês não têm visitado mais o site... queria saber se tá tudo bem...


A ambiência futebolística zoadíssima que deu as caras domingo merecia que eu escrevesse umas palavrinhas nostálgicas - uma espécie de recompensa pelos anos de serviços prestados à instituição Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, pois, sim, já fui bem fanática por aquela desgraça. Quem sabe eu tento a sorte na crônica esportiva? Já ensaiei tímidas escritas em jornais tenebrosos nesta senda de vitórias. Hah    
Eu realmente nunca achei que o Internacional fosse ser rebaixado, não sei, mas isso me parecia um castigo exclusivo para quem ousava torcer pelo seu oponente. Fala sério, o Grêmio é muito inacreditável. Tem que ter uma boa dose de coragem para abraçar aquele azul, preto e branco na vida. É uma disposição natural para ir às maiores glórias e às maiores derrocadas em questão de meses, jogos, acréscimos. Quem consegue levar 5x0 numa final de Libertadores? Quem consegue ganhar um jogo, pegando um pênalti de antecedentes dramáticos e fazendo um gol logo em seguida num contra-ataque com sete jogadores em campo? Deve ter algo ali além do que julga nossa vã filosofia, não há dúvida.
Mas como foi que eu tive coragem? Eu, como nasci no final da década de 80, peguei uma fase muito gloriosa do menino da Azenha - agora menino do Humaitá - quando criança. Nos anos 90, só deu ele. Terá sido isso? Terá sido o Grêmio daquele tempo um corruptor ardiloso de criancinhas incautas filhas de colorados? Sabe de quem eu me lembro muito, ainda que vagamente? Do Danrlei. A imagem dele é a que mais me vem à cabeça quando recordo essa safra vencedora, esse clube raçudo que aprendi a amar sem saber quase nada da vida. É uma lembrança muito boa que eu tenho. Ou, vai ver, foi tudo culpa das madeixas douradas de Paulo Nunes naquele inesquecível corte tigelinha... mistério...
Os anos passaram, e eu me tornei uma adulta um tanto nauseada com a facilidade que o futebol tem de legitimar opressões, questões sociais que ainda doem em muita gente. Dei uma parada, dei uma refletida. Não conseguia mais ficar perto de uma atmosfera tão tóxica. De uma atmosfera que acha inofensivo chamar o adversário de ''macaco'' e mentir à própria inteligência, dizendo que ''são coisas do jogo''. É impossível conceber como um esporte tão democrático pode ser tão excludente ao mesmo tempo. Se me oponho a isso hoje em dia, não sei que tipo de torcedora fui - talvez uma lunática, façam seus julgamentos. Porém sei que tipo de torcedora sou (sou ainda?). Política, sempre. Raramente adepta a cornetas, pois escutá-las de volta de quem amo é draaaaaaama. Debochada somente quando a piada é realmente muito boa: ser imortal mas morrer sempre, time grande não cai, etc. Passional, claro - no jogo de volta daquela semifinal pavorosa contra o Santos, em 2007, me joguei no chão algumas vezes. Felizmente, não houve desfibriladores. Joguinho desgraçado. Enfim, acho que sou uma ex-gremista que ainda sente o coraçãozinho acelerado por conta de certas camisas. Ex-gremista que sente a garganta seca e um orgulhinho incrédulo ao olhar sincronias perfeitas de certas torcidas na televisão. Ex-gremista mesmo quando tenta disfarçar não ter ex nenhum. Vi isso quarta-feira passada. Amiga, nem sabe... sigo apaixonada. Argh.        




                                                                  BU