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Mostrando postagens de Outubro, 2017

Eu só penso nisso

Como é que eu vou te explicar?
Essa vontade louca
Muito louca
Eu posso falar?


Eu preciso disso, eu sou louca por isso, eu não vivo sem isso. Gatos. Eu preciso de gatos. Eu vivo para ver vídeos de gatos fazendo gatices. No meu Instagram só dá gatos. Por que seguir blogueiras, se eu posso seguir perfis de gatos? Os feeds da minha vida se alimentam de gatos. Gatinhos. Filhotes. Gatos, gatos, gatos, eu preciso ver gatos, apertar gatos, esmagar gatos, beijar gatos. Gatos me ajudam a viver. Gatos me dão motivos para sorrir. Gatos transformam dias merda em dias merda com poesia. Eu mudo meu trajeto diário para encontrar gatos alheios. Quando eu encontro a Belinha no centro, meu coração dispara. Que vitrine o quê, meu coração só enxerga aquela gata linda e ronronenta de três cores!!! Ela sabe que eu a amo e dá cabeçadinhas em mim. O meu dia melhora 78,34%.    Eu preciso de gatos assim como Humphrey Bogart precisava de cigarros. Assim como Maria Callas precisava de Aristóteles Onassis, aquele grego…

Toques e camas elásticas

E eu que comecei o dia ouvindo I touch myself, do Divinyls? Tenho uma relação bizarra com essa música, escutei no rádio uma vez quando era novinha e fiquei possuída pelo ritmo ragatanga. MINHA MÚSICAAAAAAAAA, NINGUÉM SAI Aí, anos mais tarde, vi ela ser tocada - perdão pelo trocadilho involuntário - na entrada triunfal de uma formanda numa colação de grau que prestigiei - estafada, claro, porque todas as colações são, sem exceção, estafantes. Não tive dúvidas: seria minha entrada triunfal idem quando chegasse o momento. Num janeiro de calor escaldante, lá fui eu desfilar de toga com Divinyls, sem querer, erotizando o ambiente. Percebam o ridículo semiótico da situação. Até então, esta mente casta que vos fala não tinha ideia do que tratava a música, muito embora as pistas estivessem todas ali gritando. Ri loucamente quando me liguei - a perdida do Direito que me inspirou deve ter tido a mesma experiência, convenhamos. Enquanto meus colegas curtiam seu momento único e ególatra com musi…

Onde não puderes citar não te demores

Deve ser um carma de outra vida, não é possível. Eu devo ter sido uma escritora decadente do século XIX - sabe aquela pessoa azeda que foi tão ridicularizada quando tentava vender suas misérias escritas e morreu com um osso de ódio entalado na garganta? Deve ser, porque basta eu ver uma frasezinha com autoria estapafúrdia para eu girar minha metralhadora cheia de mágoas. Sabe aquela frase óbvia que qualquer zé com alguma experiência de vida já disse, e o pessoal ama compartilhar como palavra da salvação dita por alguém com sobrenome difícil de pronunciar? Nossa, que ódio. Eu sei que elas são, na maioria das vezes, verdadeiras e providenciais, mas sabe? Enche o saco, ninguém aguenta - principalmente quem leu as pessoas em questão e sabe que não foram elas que se saíram com tais pílulas de sabedoria.   Não é o fim do mundo, cada um dá vazão ao que quiser, mas em dias em que cada vez mais a autenticidade perde espaço, em que ninguém mais sabe a veracidade de nada, fica feio para você, f…

Su deboche es mi deboche

Terminei, há uns dias meses, o último livro da ótima Tati Bernardi, aquela moça que meio mundo ama incluir em suas selfies, muito embora a maioria daquelas frases toscas não sejam de autoria da roteirista - palavras da mesma. Pois Tati, que fez de seu transtorno psicológico matéria-prima para muitas de suas genialidades, me fez rir quase convulsionada com o hilariante - porém não menos denso - Depois a louca sou eu. Eu simplesmente cheguei ao cúmulo de parar a leitura e, entre risos histéricos, repetir para mim mesma:''ela não pode ter escrito issoooooooo''. Pois não é que escreveu? E escreveu muito bem (putaquepariu, um texto bem escrito é a minha Disney!!!). É um tom confessional delicioso e intimista, é quase como se eu quisesse abraçar Tatiane e dizer que também já estive ali - estaremos sempre algumas vezes na vida porque esses dilemas psicológicos são dificílimos de desgrudar. Talvez não desgrudem nunca.
Foi um deleite ver a escritora revelar seus piores dramas …