segunda-feira, 21 de março de 2016

O Brasil pede menos fuças

Trata-se de uma coisa que me deixa agoniada. Desconcertada. Intrigada. Meio sem palavras. Fascinada. Comovida. Dadas as circunstâncias, até meio invejosa. São tempos difíceis para se gostar da própria cara, reconheçamos o óbvio. E as pessoas conseguem. Resistem. Na tela do celular. Na capa da outra rede. Jesus Maria José, na área de trabalho do computador pessoal!!! Meus olhinhos com astigmatismo chegam a brilhar.
São infindáveis as opções para se ilustrar estes espaços, vocês hão de convir comigo. O mundo está cheio de belezas. De feiuras igualmente admiráveis e passíveis de significado. Cachorrinhos. Gatinhos. Ornitorrincos. Um filhinho. Família. Mamãe. Papai. Vovozinhos. A Grande Família. O Tuco e o Popozão. Papagaios - o verde deles está em alta com essa onda verde-amarela, não acham? O lábaro que ostentas estrelado. Qualquer lábaro, até do Tio Sam tá valendo. Abaporu. O seu cu. Quadros do Romero Britto. Guernica. Capa de algum álbum do Amado Batista. Ou do Arctic Monkeys. Jorge e Mateus. O clareamento dental do Gusttavo Lima e você. Dedo do meio. O mãozinha da Família Addams. Desenhos em geral - eu usaria o Pé de Pano, melhor equino da história. Filtro dos sonhos - sei que ninguém mais aguenta, mas estamos falando de soluções rápidas aqui, não? Filtros de café, acho conceitual. Seguindo no perímetro alimentício, frango com batata doce. Ou um pote de Whey Protein? Batata frita com ketchup. O próprio tubo de ketchup. Christian Bale com a cara ensanguentada de Patrick Bateman. Christian Bale em qualquer personagem. Batman. O Alfred com aquela cara sonsa - melhor que a sua cara sonsa sem dúvida é. Uma árvore. Uma flor. Uma poesia. Uma dor. Um cobertor. Uma Hattori Hanzo. O Pai Mei. O bigodão gigante do Pai Mei. O bigode do Emiliano Zapata. Ok, qualquer bigode, eles são tão engraçados. Qualquer frase genérica daquela página maldita Cifras. Qualquer frase da Clarice Lispector atribuída à Martha Medeiros. Qualquer frase do Bob Marley atribuída ao Arnaldo Jabor. Qualquer frase anônima atribuída a algum filósofo que nunca foi lido. Qualquer frase dizendo positividade ou que seja doce - argh, e o pessoal diabético que se dane, né? Um saco de açúcar. O saco do seu namorado. O seu namorado e o seu ficante na mesma foto, total vanguarda. A foto da foto. Nenhuma foto, que tal uma artezinha rupestre? Mas nãããão, por ora, as próprias fuças seguem imbatíveis. E montagens com v á r i a s fotos das fuças? Que coisa. A psicanálise, o FBI, Papa Francis, sei lá, alguém precisa nos dar respostas urgentes.

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                                                                HEHE




Auxiliou no post: 

Nothing's gonna hurt you, baby - Cigarettes After Sex







                                             


domingo, 20 de março de 2016

¯\_(ツ)_/¯

Juro que, ao falar em política brasileira atualmente, me vem à mente esta simbólica carinha:
¯\_(ツ)_/¯ 
S o m e n t e ela. 
Sério - seríssimo -, eu queria opinar simplesmente em toda e qualquer conversa política com essa carinha. E sair soberana. Eu diria que os emojis nos dão alento para viver. Porque não está fácil viver. Se está fácil pra você, faça um canal no youtube e dê umas dicas pra nós, reles mortais que estamos nos arrastando neste jogo diário de suportar o peso da existência. Argh, o peso da existência. Porque existir pesa. Dá trabalho, cansa, martiriza, produz dúvidas. Não aguento mais ler sobre política. Não aguento mais ser um ser político. Aristóteles, seu magnânimo filho da puta, como eu te odeio.  
Eu só sei duvidar. Eu não aguento mais duvidar. Quem sabe, por isso, eu seja uma gênia. Mas não é assim que me sinto. Me sinto apática e completamente perdida. Não sei o que esperar dos próximos acontecimentos. Que a corrupção é uma desgraça crônica da nossa pátria, já sabemos. Jânio Quadros está até hoje varrendo tudo.......... varre, Jânio, varre. Então, o que fazer? Pra quem correr? 
¯\_(ツ)_/¯
¯\_(ツ)_/¯
Minhas convicções políticas tendem a seguir o viés canhoto, é inegável. Não dá para esperar muito de uma jornalista que quer achar um sentido para viver na antropologia. A esquerda me fode a vida, mas eu sigo meio encantada, vocês sabem, sou previsível. No entanto, não morro de amores pelo Luiz Inácio e rio da cara de quem chama o governo petista de comuna. Cá entre nós, até eu dividindo meus Bis sou mais comunista que o PT. Não existe comunismo em país onde banco tem recorde de lucro. 
Eu queria ir pra rua. Ir pra rua é fantástico. Eu tô só por depor um presidente e sentir que sou um híbrido de cara-pintada e Heloísa de Anos Rebeldes (1992)*. Mas como ir pra rua com gente que chama beneficiário de Bolsa Família de vagabundo que não quer trabalhar? Como ir pra rua com viúvas de Médicis e Figueiredos? Choram Marias e Clarices....
Desculpe, mas não dá. Dedico este texto à primeira dúvida que roeu os frios neurônios do meu cérebro. Sim, porque aparentemente eu deixei de acreditar e congelei. Gigante uma ova. 



*A propósito, deem um jeito de assistir a Anos Rebeldes. É demais!



                                            Status: mais lacônica que Helô





quinta-feira, 10 de março de 2016

Feminista eu? Tá louca, Bruna!

O rótulo ''feminista'' assusta, né? Onde já se viu ser chamada dessa coisa horrenda aí. Eu não sou feminista, sou feminina, meu bem. Argh, pausa pra vômito. Como se uma coisa excluísse a outra. Nenhuma mulher deve ser coagida a se denominar feminista, mas fazer suposições sobre uma palavra cujo significado verdadeiro se desconhece é desonestidade intelectual. Burrice, sabe.
Eu já elenquei neste espaço os momentos que despertaram em mim uma consciência feminista e não vou entrar em detalhes novamente, mas queria deixar claro que eu também morria de medo de ser ''tachada'' de. Sei lá, não me sentia confortável. Mas isso era quando eu não tinha lido nada profundamente. Pois aí eu fui ler, estudar - sim, porque é um estudo - e aprender. Em suma, sair das trevas da ignorância.
Você, amiga que me lê no momento, pode até espernear e dizer que não é feminista, mas, se por algum motivo, já se sentiu discriminada única e exclusivamente por ser mulher, devo dizer que carrega um ímpeto dele, o feminismo, no peito. Se já deixou de colocar uma roupa, porque sabia que na esquina de casa haveria homens ''mexendo'' com você, e ficou chateada por isso, saiba que carrega uma faísca feminista no coração. Ai, Bruna, mas os homens são assim desde sempre, eles mexem, eles brincam. O nome disso é machismo, minha cara. O mundo é machista desde que é mundo porque foi feito para homens e funciona segundo suas leis e princípios. Não quero soar academicista, até porque não tenho propriedade pra isso, mas vivemos, desde que as coisas são o que são, em um sistema de opressão chamado patriarcado. Busquem saber as amarras que advêm disso, politizem-se. Não para impressionar os outros, mas para viverem melhor, para terem consciência dos meandros sociais e políticos em que estão envoltas. Saca os sonhos de uma estudante de Ciências Sociais............
Eu sei, eu sei, temos homens maravilhosos convivendo com nós. Ai, Bruna, que horror, meu namorado não é machista, tá louca? Ele é, amiga, ele é; não porque é o cramunhão, e, sim, porque reproduz os privilégios aos quais seu gênero está habituado há séculos. Reproduzir discursos privilegiados é mais fácil que andar pra frente.
Meu pai é um baita cara, mas é machista. Não um machista que espanca mulheres e as assedia na rua, mas um machista que se recusa a lavar uma louça, por exemplo. E eu sigo amando ele mais que tudo na vida. Todos nós, homens e mulheres, estamos à mercê da nocividade do machismo e ele aparece em diferentes níveis de opressão. Tem mulheres que sofrem mais e outras que sofrem menos, sempre, claro, levando em conta os importantíssimos recortes étnicos e de classe. Viram a gravidade de sair despejando asneira sem nem saber do que as coisas tratam?
O machismo me enoja, por exemplo, quando eu preciso sair sozinha à noite. E sei que enoja vocês também. Eu sei, eu sei, a violência é cruel com homens e mulheres, mas homens não sentem medo de serem estuprados. O machismo me enoja quando eu vivo num país onde o aborto é ilegal, restringindo o direito sobre o meu corpo. Não me interessa sua crença, meu bem, eu não quero ser obrigada a ter um filho que não planejei e ter que criá-lo como um castigo por ter ''aberto as pernas''. O machismo me enojou quando eu tive que trabalhar numa redação de jornal cheia de homens e tive que conviver com insinuações sexuais sobre o meu corpo, porque eu era ''uma novinha bonitinha''.
Sabe, se vocês se reconheceram nesses relatos, que podem até soar bobos, saibam que possuem uma célula feminista pulsando aí dentro de vocês. E não existe motivo para se envergonhar disso.






       

terça-feira, 8 de março de 2016

Mulher de verdade

Sou uma feminista medíocre, raramente milito em detrimento de minhas rotinas pessoais. Mas nunca fui escrachada ou tive minha ''carteirinha'' confiscada no movimento. Sigo me depilando, usando maquiagem e sendo uma romântica insuspeitíssima (é a vênus em libra, perdoa). Eu sou uma mulher de verdade, sabe? Mas também tem mulher de verdade que não é feminista. Mulher de verdade que nem sabe o que é feminismo e por algum motivo acha-o dispensável em sua vida. Também tem mulher de verdade que é feminista e, ao contrário de mim, escolheu não se depilar, usar maquiagem ou acreditar no amor. E tá tudo bem igual. Todas são mulheres de verdade. Todas têm suas dores e vivem segundo as circunstâncias que acharam em seus caminhos. Tem mulher de verdade que gosta de rosas e mulher de verdade que acha isso um saco, tipo eu. Posso receber minha parte esmagando gatinhos?
Tem mulher de verdade que já abortou, muita mulher de verdade que ainda vai abortar. Tem mulher de verdade que já traiu o marido, o namorado. Mulher de verdade que ama outras mulheres. Mulher de verdade que ama mulheres e homens. Mulher de verdade que, por algum motivo, não exerce a maternidade do jeito que disseram que era o certo: ela é solteira e sai todo final de semana para beber com as amigas, mas segue sendo uma puta mulher. Todas nós somos putas. Tem mulher de verdade que nasceu biologicamente com um pênis, e quem é você para dizer que ela não pode? Tem mulher de verdade que milita no movimento negro, mulher de verdade que sofre preconceito étnico, mulher de verdade de dreadlocks e tranças, tem mulher de verdade que alisa o cabelo. Tem muita mulher de verdade nas tribos indígenas que resistem nesse país imenso. Tem mulher de verdade gorda e magra. Tem mulher de verdade com deficiência física. Tem mulher de verdade que não quer ter filhos. Tem mulher de verdade que teve filhos mas não queria. Casou mas não queria. Tem mulher de verdade que quer casar e cuidar somente da casa, qual o problema? Pensar que só essa vida é bacana é que é problemático.
Tem mulher de verdade que é chamada de guerreira, mas intimamente está cansada desse embate em que só ela cozinha, só ela limpa, só ela cuida, só ela organiza, só ela, só ela, porque culturalmente foi ensinada que só ela DEVE - do contrário, seria uma pessoa sem brio. Ou alguém que não valeria a pena ter ao lado como namorada, esposa. Sabe, você não é guerreira, você é oprimida. Mas isso não é vergonhoso. Vergonha é oprimir, protegido pelo manto sagrado do ''mamãe me ama, faz tudo por mim''. Vergonha é não lavar um copo sequer na pia, já que ''aquela moça que trabalha aqui é paga pra isso.'' Não é?
Tem mulher de verdade de tudo que é jeito. E todas elas são muito de verdade, porque só elas sabem a delícia e a dor de serem o que são. Menos florzinha e promoção sexista e mais empatia, que tal?