sexta-feira, 29 de julho de 2011

Por você, fone!

        Essa é para você que, assim como eu, foi mais feliz quando descobriu os fones de ouvido. Ah, os fones! Poucas coisas fazem meus olhinhos nerds e míopes brilharem tanto quanto fones. De qualidade, lógico - se é para ficar surda, que seja, ao menos, com dispositivos que estourem meus tímpanos com dignidade.
        Eu amo fones, desde o dia em que vi que não precisava escutar o que todo mundo convencionou chamar de "bom". Logo, não soube mais o que era rádio, não dei mais a mínima às canções escolhidas pela audiência da MTV e até hoje estou pouco me lixando para quem é a bola da vez nesse mundinho surreal - que superestima gente bizarra, medíocre e sem nada a acrescentar em suas letras. A notoriedade desse povo não me corrompe, visto que o conceito de sucesso, principalmente no Brasil, é altamente questionável. Não acham?
         O fato é que já não sei o que é viver sem os tais fones, sinceramente. É fone, almoçando; É fone, indo dormir; É fone, estudando; É fone, trabalhando; É fone, saindo sem rumo; É fone, discutindo com idiota; É fone, conversando com amigas - essas lindas já se acostumaram; É fone, fazendo prova; É fone em palestra chata; É fone, brincando com cachorro; É fone em fila de qualquer procedência; É fone, escrevendo para esse bloguinho. É fone, chorando de raiva; É fone, saltitando de alegria; Muitas pessoas chegam a pensar que somos grudados e em homenagem a essas, faço questão de levantar o volume até esquecer de suas existências.
         Nenhuma mesquinharia cotidiana me abala, se eu tiver meus fones. Tendo eles, eu tô numa nice. Ali a lei musical é minha. É fone para tudo aquilo que está acima, mas também é para aplacar tédio e solidão; É fone para trazer a mim o que insiste em estar longe; É fone para ficar mais perto de Frejats, Cazuzas, Leonis, Buarques, Lulus, Caetanos, Joplins e Lennons. E de Marleys, Gessingers, Kurts, Axls, Cyndis, Stings, Mart'nálias e Cartolas. É fone para lá e para cá; É fone dia e noite; É fone sem fim. Amor sem fim. Surdez sem fim. Vício sem fim.

                                  Fones para a vida.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Por quem os sinos dobram?

           Ando com essa indagação na cabeça. Às vezes, eu pego no pé de algo que me tocou e fico semanas ruminando a respeito. O que temos para o momento é essa frase do famoso poema renascentista - e utilizada como título daquele célebre romance do Hemingway - que não me deixa, há alguns vários dias. Não sei racionalizá-la, nem quero interpretá-la no seu sentido original, pois referida passagem me remete a outras nuances... outras vastidões, ora perdidas dentro da alma.
           Por quem os sinos dobram? Por quem diabos os sinos dobram? Há quem ache que literatura é idiotice - e eu respeito, pois são poucos os que merecem reverenciá-la - mas, para mim, ela funciona como uma fuga única e indolor. É sua culpa eu ter ficado com essas palavras à toa, assim, azucrinando as idéias, fazendo eu sentir ciúme do que já foi pensado e discutido. Sei que o que essas palavras soltas provocam no meu coração é só meu e de ninguém mais. Mas, ainda assim, ele permanece.
           Por quem os sinos dobram? Isso não cansa de martelar, equacionar o que ficou vago e já me faz ser só lembrança. São tantos os significados para esse fragmento tão vulgar. Por quem os sinos dobram? "A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos." A tarde talvez fosse azul e talvez eu soubesse a resposta. Talvez eu soubesse que eles dobram por ti.


terça-feira, 26 de julho de 2011

Fazenda ecológica faz história no RS

(Estão achando que o blog é só bagunça? rs // Aqui vai uma matéria que fiz, em novembro do ano passado, e que é uma das minhas preferidas - uma espécie de diário de bordo sobre um dia muito agradável.)
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        Localizada no coração de Viamão, a fazenda Quinta da Estância Grande foi, antes de tudo, fruto de uma tentativa de inovar quanto ao aprendizado de temas rurais e ecológicos para crianças e adolescentes. Sônia Goelzer, educadora e idealizadora do projeto, conta que sempre buscou formas atrativas de trabalhar conteúdos durante suas aulas. Logo, em 1992, a idéia já estava lançada e começava a ganhar contornos: desenvolver práticas pedagógicas em um ambiente que propiciasse conhecimento sobre questões ambientais e áreas preservadas para um turismo ecológico de qualidade.
        O biólogo Fabrício Bonfiglio, que é um dos monitores do local e trabalha lá desde setembro de 2007, explica que o processo de seu trabalho se apóia muito no fato de ele gostar de trabalhar com crianças e de ser um apaixonado pela natureza: “Aqui, consigo, de modo fácil e prático, passar uma idéia bacana de consciência ambiental para os visitantes”, diz. Para ele, trata-se de uma proposta de contato direto com a realidade das relações da natureza com os seres vivos: “A garotada vê na Quinta, tudo que aprende na sala de aula, de um modo dinâmico e proveitoso, principalmente, se levarmos em conta que, com o avanço das cidades, esses momentos de proximidade com o verde estão cada vez mais raros”, observa.
        Hoje, a fazenda - que é única do segmento no estado - conta com 42 monitores/professores cadastrados, todos formados e desempenhando funções específicas. Só no ano de 2009, recebeu grupos vindos, além do estado, de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Distrito Federal e até do Uruguai – um total estimado em mais de 60 mil pessoas.

  Fabrício comemora o sucesso das atividades  
 
Escola de Cruz Alta conferiu as instalações da Quinta
 
        No último dia 18, a escola cruz-altense Arnaldo Ballvé esteve em Viamão e pôde tirar suas próprias conclusões sobre a fazenda mais querida do estado. Estive junto com o pessoal, que viajou cerca de 5 horas de ônibus, até se esbaldar nas águas e ares do complexo – que, além de abrigar diversos animais em extinção, como uma ilustre família de bugios, e convidar a belíssimas trilhas mata adentro, também é palco da prática de esportes radicais e de várias outras atividades saudáveis.
        Para a professora e diretora do colégio Aline Roese, levá-los a conhecer a fazenda foi um fator de estímulo ao aumento da consciência ambiental, pois estudantes têm a obrigação de assimilar com racionalidade o mundo em que vivem: “Isso aqui é muito bonito e merece ser prestigiado”, encerra.

                Alunos na travessia de percurso com obstáculos 


Como alpinista, sou uma ótima pseudo-repórter


Alunos puderam testar seus conhecimentos efetivamente

        Olhos curiosos e um pouco receosos, afinal, não é toda hora que se vê um ofídio ser tratado com tanta indiferença. Enrolada à mão do biólogo Fabrício, a serpente, mais conhecida como cobra do milho, é observada por cerca de trinta crianças e alguma mães - sedentas por ouvirem que o animal é isento de peçonha. São feitas perguntas clássicas sobre répteis e aí os pequenos podem, de fato, mostrar se estão aproveitando bem as aulas de biologia.
        O monitor, após receber várias informações desencontradas, finalmente, esclarece não haver perigo algum e os convida a tocarem o bicho - um singelo prêmio por terem escutado tão compenetrados sua explanação sobre alguns temas inerentes ao mundo dos temidos seres rastejantes. 


Crianças aproveitam a serenidade do folclórico
Alfredo - a cobra de estimação

segunda-feira, 25 de julho de 2011

80

         Saindo um post chinelão no capricho. Eu já havia dito aqui que gosto dos anos 80 e tal - quem leu, ficou sabendo desse grande fato. Sim, sou uma entusiasta oitentista. Me convide para uma Festa Boys e já seremos amigos de infância! Pois não é que saiu uma lista das 30 mais mais da década na revista Bruna's Embromation? Acho que foi transmissão de pensamento.
         Dividirei com vocês, agora, as músicas internacionais preferidas dessa publicaçãozinha fajuta, no período compreendido entre 1980 e 1989. Enjoy it!

Easy lover - Phil Collins
The killing moon - Echo & The Bunnymen
Victim of love - Erasure
Manhattan skyline - A-ha
Should I stay or should I go - The Clash
Eyes without a face - Billy Idol
Smooth criminal - Michael Jackson
Like a prayer - Madonna
Love changes everything - Climie Fisher
I drove all night - Cyndi Lauper
Dressed for success - Roxette
There must be an angel - Eurythmics
Just like heaven - The Cure
I don't wanna lose you - Tina Turner
Do you remember? - Phil Collins
Don't you forget about me - Simple Minds
The boy with the torn in his side - The Smiths
Sweet child O' mine - Guns n' Roses
Never tear us apart - INXS
Falling to pieces - Faith No More
I was born to love you - Freddie Mercury
Modern love - David Bowie
Just can't get enough - Depeche Mode
So far away - Dire Straits
Bette Davis eyes - Kim Carnes
Sexual healing - Marvin Gaye
Rock you like a hurricane - Scorpions
It must have been love - Roxette
Back in black - AC/DC
You got it - Roy Orbison




                                   Super imparcial!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Sobre "Gone with the wind" - só porque o ineditismo não é o meu forte

         Já dediquei aqui uma crônica para "Gone with the wind" - essa maravilha que até hoje convulsiona meu cérebro e me convida a 4 horas de puro nó na garganta e ooohhhhs. O fato é que eu assisti ao filme, novamente, na semana passada, e fiquei louca da vida para falar dele outra vez por essas bandas. Sou repetitiva? Pouco me importa, só sei que tal pérola cinematográfica merece mais um mimo dessa reles espectadora que vos fala. E, opondo-se à primeira análise, em que metaforizei sobre as perdas de Scarlett e trouxe seu exemplo a um plano palpável a nossas vidinhas, a que vem por aí não tem pretensão alguma. Só quer mesmo é lançar palavras no ar e matar minha vontade de divagar...
         Adivinharam, não? Vim falar um monte de abobrinhas sobre meu casal favorito - que, diga-se de passagem, não se entendia muito bem nos sets de filmagem. Eu sou gamada nesses dois e na sua perfeição. Ops, perfeição? Me corrijo: nunca vi dois personagens imperfeitos tão imperfeitos um para o outro. Se, ao lerem meu primeiro texto, vocês os imaginaram como um singelo e doce par do cinema, creio que foram trapaceados. Eles não são fofos, tipo a Amanda Peet e o Ashton Kutcher em "De repente é amor". São uns petulantes, isso sim. Não valem nada, mas têm algo que os une: uma química fora do comum - concebida para entontecer qualquer um que ouse ser taxativo quanto ao seu romance. Eles são tudo, menos previsíveis.
          Basta admirá-los e sou invadida por um misto de sentimentos: tenho vontade de dar uns tapas na Scarlett para deixar de ser cretina; tenho vontade de consolar o Rhett e me bandear até Charleston só para encontrá-lo; tenho vontade de reconciliá-los na marra; tenho vontade de preservar aquela família linda que estavam construindo, após terem casado; tenho vontade de filmar, por conta própria, cenas que ficaram fora da fita original; tenho vontade também de chorar até dormir, por não haver uma continuação sequer da sinopse e eu já conhecê-la, se bobear, até de trás para frente. Don't worry, vou me internar.
          Analisando friamente, é claro que não me agrada muito a romantização dispensada à história dos arrogantes fazendeiros da Geórgia - todos muito soberbos com aquele idealzinho barato de vitória frente ao norte de Abraham Lincoln. Ainda que o núcleo amoroso do filme me faça levitar em frente à televisão, não sou alienada, meus amores. Sou patética, mas também tenho noção dos meandros discursivos que acompanharam a produção do clássico e, para ser franca, cultivo certo desprezo pelo racismo velado que se materializa no roteiro. Tá, tá, não vim falar mal de nada. Isso é mero detalhe, não? Amor eterno por esses lindos que me fazem largar qualquer coisa, só para assisti-los. Não gostou da postagem?
"Frankly, my dear, I don't give a damn" - palavras do Rei de Hollywood.

                           

sábado, 16 de julho de 2011

E eu sou o Bozo

       Pensei muito. Hesitei. Fui dar uma volta. Retornei e finalmente decidi ligar para o acaso - só porque ele falou que não tinha problema, eu poderia telefonar quando quisesse. Ou será que entendi errado?

- Alô, é da casa do acaso?
- É ele. Quem fala?
- Hum.. err.. é a Bruna. Tá lembrado da magrelinha hiperativa, fã de polainas?

Ele, muito surpreso com a ligação - nunca pensou que a dona teria audácia de ligar - assentiu com a cabeça, meio estafado, meio com vontade de desligar... como esquecer daquela moça, a personificação das urgências? Não havia como. Estava lascado.

- Sei, sim, de quem se trata. Como vai, chati.. ERR, SUA QUERIDONA?
- Hehe, galã, como acha que eu vou indo? Tô esperando que tu aconteça com toda a pompa e circunstância. Tu me deve algumas cositas...
- Opa, então quer dizer que tu ainda leva fé em mim? Depois de tanta topada na parede, tanta mentira a meu respeito, tanta opinião desse mundaréu de leigos por aí? Estou, no mínimo, espantado.
- Ah, sabe.. não é que eu leve taaaanta fé assim como teu ar presunçoso poderia supor. É fantasia, eu sei, mas não deixo de sonhar que tu, criatura, vai me presentear com algo bom.
- Boa sorte! - respondeu em tom de deboche.
- Pensa que vai ficar só nisso?.. Ihh, peraí, não me deixa falando sozinha, nãããão. Tarde demais.

       Esboçando leve animação, fiquei a pensar. Quem sabe ele estivesse tramando algo sensacional para mim, e foi blasé no papo, justamente, para eu sentir o gostinho da surprise mais adiante, néãm? Mas a verdade é que me tratou de um modo risível, como se eu fosse uma porta. Mentira, ele teria sido mais gentil com uma porta - qualquer uma dessas anda tendo mais poder de persuasão que eu. Enfim, tirou com a minha cara legal. Deu corda para eu me enforcar, literalmente. Quem mandou acreditar em acaso, né? Tudo culpa dessas novelas com temática árabe, enfiando goela abaixo histórias fofinhas de maktub e bla bla bla.
       Já estava me sentindo a otária do século, por ter ido pedir respostas, mas, pelo jeito, eu precisava me humilhar um pouquinho mais. Sou boa nisso. Engoli a raiva e liguei outra vez.

- Oi, como vai essa vida, acasinho? Me ajuda, pô!
- Vai dormir, Bruna, vai. Tenho gente mais interessante com que me ocupar.
- Filho da mããããe! - devolvi, agora mais fiel ao que se passava dentro de mim.
- Ora, vai me xingar? Tu sabe que não adianta. Quando estiver distraída, eu agirei.

E eu sou o Bozo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O que o Poetinha ensina

           Estava eu aqui muy ansiosa - normalíssimo - pensando no que escrever para vocês, meio p. da vida com algumas coisas, meio querendo sair sem rumo (mas com a certeza de que tudo daria certo) e eis que lembrei que, no último sábado, dia 9, fez 31 anos da morte do Poetinha, aquele ser adorável. Para quem não lembra da alcunha, falo de Vinicius de Moraes - Vini para os leitores íntimos, como eu. Para quem não lembra ainda, falo do moço dos sambinhas gostosos de ouvir, dos sonetos de atazanar coração e do cachorro engarrafado, fiel escudeiro.
            Já havia visto algo no jornal ou na internet, mas acabei esquecendo. Então, hoje, voltaram à mente, o tal do Seu Vinicius e seus pensamentos, algumas frases ditas por ele, pequenos fragmentos que já li a seu respeito. Fiquei aqui viajando na lembrança desse cara, que foi um entusiasta acima de tudo. A real é que a gente tem uma conexão, percebem? Ele sabe muito de mim. Seguidamente, a alegria de viver que habitava sua alma carioca briga com meus desânimos, e eu quase posso vê-lo apontando o dedo na minha cara, dizendo: "Tá errado, Bruninha! Vai, vai viver.."  
             Recordo bem do momento de ter lido um poema seu, pela primeira vez, lá pelos meus 13 anos e sentir como se tivesse levado um soco na boca do estômago ou uma tacada de beisebol na cabeça. Que porrada! Uma paixão fulminante, permeada por certa incredulidade: "Tu não pode ter escrito isso, homem, tá brincando comigo?" Mas a verdade é que ele escreveu e foi certeiro nas minhas concepções - coisas assim de que eu nem desconfiava ainda. Desde então, é como se eu devesse satisfações a ele, que nunca se poupou em vida e fez dela uma espécie de sábado à noite eterno.  
             Quando eu ando meio cabisbaixa ou, vá lá, p. da vida - como é o caso no momento - não deixo de sentir vergonha, por me sentir fragilizada tão de graça. O que diria Vini dessas minhas covardias? De certa forma, o talzinho quer que eu encare o desconhecido, chame-o para tomar um café ou faça igual a ele: encha a cara e não tenha medo de ser feliz - com todos os riscos que se corre por isso.   

Vira e mexe, paga e vê
Que a vida não gosta de esperar
A vida é pra valer
A vida é pra levar...

Tá aí um trecho de "Samba pra Vinicius" que não me deixa mentir.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Gosto(so)!

          Eu gosto de uma infinidade de coisas. E, podem ter certeza, quando eu gosto, é para valer. Antes de gostar, posso afirmar com veemência que eu sou extremamente passional. Gosto de coisas bobas, gosto de coisas pouco usuais. Gosto de dirigir comédias românticas na caixola e inventar personagens surreais. Eu sou a atriz de mim mesma, gosto do meu espetáculo. Mas poucos sabem o que se passa aqui no meu camarim. Fácil assim? Nem tanto.
          Gosto de nega-maluca, mas detesto fazer a calda. Gosto de dias ensolarados. Gosto de falar com voz de criança para os meus cachorros. Gosto de pessoas altruístas e humildes. Gosto de gentilezas. Gosto de letras de música. Gosto de trocar idéias com pessoas sagazes e com algo a acrescentar. Gosto de viajar na maionese. Gosto de aeróbica. Gosto de fazer piadas. Gosto de discutir sobre Guerra Fria. Gosto de ler biografias. Gosto de sintonia. Gosto de olhares reveladores. Gosto do Clark Gable e da Vivien Leigh juntos. Gosto de ser canhota. Gosto de fazer imitações. Nunca vi nada demais em olhar a lua - confesso - mas a noite me fascina, gosto dos seus mistérios. Gosto de noites quentes de verão. Gosto de comédia stand-up. Gosto do Poetinha. Gosto de abraços sinceros. Gosto de elogios merecidos. Gosto de sacanear fãs de protocolo e burocracia. Gosto da voz do Freddie Mercury e de suas gayzices também. Gosto de cantar loucamente no chuveiro. Gosto do Chandler. Gosto de homens com a barba por fazer. Gosto de homens descolados e cheirosos. E gosto mais ainda dos que me fazem rir. Gosto de cuidar, mas só faço isso com o coração - não sei racionalizar certas coisas.
          Gosto de Semiótica. Gosto da década de 80 e de seus modismos. Gosto de Joaquim José da Silva Xavier. (Tiradentes, se preferirem.) Gosto das minisséries da Globo. Gosto de caipirinhas e de vinho. Gosto de sorrisos maliciosos. Gosto de rir igual a uma retardada. Gosto dos Kennedys. Gosto de usar All Star com blazer. Gosto de sapato meia-pata. Gosto de jogar futebol. Gosto de Olimpíadas, mais que de Copa do Mundo. Gosto de assistir a jogos de vôlei. Gosto de esmaltes. De ir a farmácias, então, nem se fala. Gosto de ver fotos velhas, mas não de tirar novas - não tenho saco. Gosto de falar sozinha. Gosto de prestar atenção no comportamento das pessoas. Gosto de Coca-Cola e de pudim. Gosto do Owen Wilson e de seu narizinho torto. Gosto de torcer pelo Grêmio e berrar quando é gol. Gosto de crases bem colocadas. Gosto de imaginar como foi a história de Fernando Seixas e Aurélia Camargo - sou patética, eu sei. Gosto de ler jornais amarelados pela passagem do tempo. Gosto de churrasco, mas passo longe do chimarrão. Gosto de ser questionada. Gosto de sonhar como serão meus filhos - os danados já têm até nome. Gosto de investigar. Gosto de explicar assuntos que eu domino. Gosto da natureza do jornalismo e desse fascínio que exerce sobre mim. Gosto muito do Chavinho.
          Gostar é ação que não se explica. Eu gosto, porque gosto. Havia mais queridos meus para serem colocados aí... esqueci de alguns, logicamente. Foi bacana ficar escrevendo sobre essas coisinhas de que eu gosto e que, de alguma forma, vão moldando o que eu sou. Gosto de tudo isso, mas mais ainda daquilo que está por vir. E vocês gostam de quê? (De ler textos egocêntricos é que não, né, gente?)

domingo, 10 de julho de 2011

Ainda sobre rede social

          E não é que um dos posts mais visualizados dos últimos dias foi aquele em que desabafei sobre redes sociais? Sinto cheiro de ironia no ar. Não que eu conte com uma legião de leitores ávidos e fiéis - devo estar longe disso. Mas, se houve um número considerável de acessos, foi porque, de alguma forma, se sentiram instigados, não? Ok, também podem ter lido apenas com o intuito de desprezá-lo. Contudo, algo me diz que não se trata disso, não...
           Acho irônico, pois vivemos em uma época em que "momentos felizes" só têm validade se forem expostos nas ditas redes. Logo, com tanta foto exalando felicidade, tanto comentário gentil, tanto nick de msn bom-bás-ti-co, tantos momentos esfuziantes de amor, compartilhados e esfregados na cara da sociedade, supõe-se que a satisfação seja geral. Mas não é o que eu vejo. Cada vez mais, flagro gente reclamando de vazio existencial, de amizades que só existem no papel, de pseudo-amores, de relações superficiais. Cada vez mais, vejo desesperados citando autores famosos para aplacar solidão, todos muito confusos, tentando provar que são, sim, bons, que são, sim, dignos de crédito. Poxa, se decidam! Estão mesmo explodindo de alegria ou só estão fingindo? 
           Sério, não queria voltar a esse assuntinho indigesto, porém fui gentilmente convidada, dado o "sucesso" da tal postagem. Meu faro leonino me faz imaginar que há muito mais pessoas que eu poderia supor, endossando tudinho que eu escrevi a respeito. Todas cansadas, se sentindo reféns desse rol de inutilidades da web. Mas isso é só um chute. Vai que esteja todo mundo felizão-numa-vibe-vida-loka-sem-fim e eu que seja a descrente da história. Se for isso, mil perdões, hein.
      

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Os estranhos

        Dia desses, me aconteceu uma coisa bem curiosa que fez (adivinhem!) eu refletir. Estava eu em um papo aleatório com um colega na faculdade quando, de repente, um amigo - conhecido há mais tempo e com quem eu tenho mais intimidade - veio ao meu encontro. Convidei-o a se sentar e em um segundo nós três já trocávamos idéias, assim como quem não quer nada. Discorremos sobre assuntos variados, partilhamos alguns pontos de vista, discordamos acerca de outros e assim o tempo foi passando sem que notássemos.
         Após o time de desocupados ficar desfalcado, comentei com meu velho amigo como a conversa fora produtiva - a essa altura, meu coleguxo já havia encerrado sua participação na prosa - e eis que sua réplica foi uma surpresa para mim. "Achei ele meio estranho" - afirmou. Atentem para a sutileza da frase, pois tal colocação aguçou minhas teorias filosóficas, profundamente. Não sei explicar, mas aquele "estranho" dito com tanta convicção a respeito de uma pessoa recém conhecida chegou a soar insano. Quem já não disse o mesmo? Confessem que vivem distribuindo rótulos por aí, enquanto se acham muito normais...
         Foi aí que me bateu uma vontade de medir o nível de "estranhice" da gente enquanto ainda somos meros anônimos aos olhos alheios. Estranhos para quem? Quando deixamos de ser estranhos? Estranhos reconhecem outros colegas de condição? Ou isso é só fantasia? Quem é que outorga quem é estranho e quem é isento desse bônus? Perguntas de uma estranha...
         Sei lá eu se há respostas ou verdades absolutas sobre isso. Só sei que, enquanto não nos revelamos, ficamos a mercê de julgamentos prévios. Sempre foi e será assim. Muitas vezes, somos julgados até depois de mostrarmos muito do que somos, imaginem então quando escondemos o jogo. "Fulaninha é estranha." "Ele tem hábitos estranhos." Qual é, povo? No fundinho, a gente sabe que nossas estranhices têm é medo de existir. Atacar as que nos cercam parece ser uma saída mais fácil. Falando nisso, meu estranhômetro acabou de explodir aqui.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sobre agridoces, barras com cookies e etc

Olá, meus queridos anônimos!


        Como vão? Como têm se saído com suas dores cotidianas e suas misérias de sempre? Muita luta? Muito a vencer? Vivo matutando, aqui na minha insignificância sem fim, sobre algumas cositas e me saio com algumas conclusões tortas e sem sentido... poxa, quem queremos enganar? Somos uma família de desajustados, solitários, sedentos por atenção alheia - ainda que não gritemos isso aos quatro ventos. (Não pega bem admitir que estamos só sobrevivendo, em vez de vivermos essa vida voluptuosa que escandaliza nossos olhos preguiçosos.) Somos uns eternos desesperados em agradar, em cativar: queremos, inconscientemente, ter pessoas grudadas em nós, fascinadas por nossas personalidades incríveis e irresistíveis. Só que é muita mão, não acham? O ostracismo é mais digno, se bobear.
        Vocês não têm idéia (sim, eu vou colocar acento em idéia até quando eu quiser) do quanto eu gostaria de ver suas reações quando leem o que eu escrevo por aqui. Adoraria vê-los lendo. Morrendo de rir das minhas asneiras. Indignados com alguma análise rasa vinda da minha cabeça juvenil. Ou, vai saber, encantados com meus dotes... (?) Sabem, a criaturinha que vos escreve anda meio mudada. É tanta mudança interior que às vezes nem se reconhece diante da própria imagem no espelho. Mas segue. Porque seguir é mais que um capricho, uma escolha. Trata-se de uma regra, e agridoces, como eu, não têm querer: ou seguem ou são engolidos. Bem no fim, ser assim, metade de cada coisa, tem sua recompensa. Mudar está fora de cogitação.
         Eu tenho que reescrever um artigo científico de 10 páginas, mas estou aqui trovando fiado com vocês. Me empanturrando com uma barra linda de chocolate branco com cookies - que eu furtei sem culpa de um armário secreto da cozinha - e escutando Keane como se não houvesse amanhã - tudo isso porque eu sou assim, meio sem lógica, meio passional, meio humana demais e pre-ci-sa-va de um colinho. Queria uma companhia específica, mas o Blogspot foi o único a acenar para mim. Será que, se eu suborná-lo, ele refaz esse porre, digo, trabalho acadêmico?


PS: Misturar salada de sentimentos com Bedshaped pode não fazer bem.


Beijos

domingo, 3 de julho de 2011

Tudo que eu não disse

         Tudo que eu não disse permanece em mim. Entalado, somatizado, guardado como um papel de bombom naquela agenda velha: aparentemente, não tem importância, porém sabe ser fiel às lembranças. E talvez isso doa mais. Tudo permanece, resiste, ainda que nada possa ser feito a seu favor: o insucesso daquelas palavras proibidas de existir é o que tenho para todo o sempre. E talvez isso seja a razão de eu chorar baixinho, quieta em em recanto especialmente verdadeiro, toda vez que não consigo fugir de mim mesma. Agridoce rotina. 
         Tudo permanece, ainda que eu lute para extirpar essas sílabas não pronunciadas do coração tal qual um doente batalha pelo direito de continuar vivendo. Tudo permanece. É força escancarada que se impõe. Tem raízes, tem poder, tem forma e data. Permanece, porque eu deixo - teimosa - mas mais ainda porque sabe que terá vez - outra vez. Decidi não brigar mais. Que esse querer querido de tudo que não foi dito ressuscite quando for hora e me faça sorrir, algum dia, sem ter vontade de ir embora.

sábado, 2 de julho de 2011

Sobre rede social

       Bom, hora de pôr o dedo na ferida. Como sou filha de uma época em que redes sociais proliferam-se loucamente, acho pertinente discutir numa boa a importância - muitas vezes sem base - que tais ferramentas têm em nossas vidinhas medíocres e vazias.
       Sei que, sendo comunicóloga em formação e mediadora em potencial de debates sobre fenômenos da mídia em geral, devo estar a par das mudanças tecnológicas. Ok, contingências da futura profissão. Também sei que não posso ficar à margem das mudanças de comportamento relacionadas a essas tais redes, pois isso pode me levar a parar no tempo. Bla bla bla, tá, entendo. Mas a verdade é que me sinto perdida, atordoada com tanto lixo travestido de evolução. Com essa voz insistente que me assombra, dizendo "se você não aderir, a sociedade va te engolir". Mais ou menos por aí. Sei que não se trata de um drama catastrófico, mas totalmente irrelevante também não é.
        Espero que vocês tenham maturidade interpretativa suficiente para entender que não estou condenando esses "antros" de glamour virtual. Mas, sim, atentando a certos exageros, frutos da falta de critério e do desespero irremediável em aparecer a todo custo - pois, pelo que me parece, a vida já não vale a pena sem que haja atualizações constantes em todas essas tralhas. Sinceramente, me recuso a acreditar que vocês considerem normal, por exemplo, um ser humano ter 4 perfis no Orkut, 25 álbuns em cada um, além de incontáveis canais sem sentido, onde não fale nada que preste! E aí?
         Antes que eu receba alguns comentários malcriados me lembrando que faço/fiz parte, sim, de algum grupo, farei minha doce defesa. Já tive Orkut e deletei. Também já tive Twitter e o moço foi pelo mesmo caminho: acabou assassinado pela dona. Entendo que, de certa forma, ambas as redes perderam o propósito, caíram na vulgaridade, deixaram de ter uma finalidade construtiva para mim. Logo, excluí-las me pareceu o mais sensato a fazer. 
         Hoje, tenho apenas um perfil no Facebook - até por eu precisar de um meio para divulgar esse blog falido - e não sinto necessidade de ter mais. Por enquanto, estamos indo bem, contudo, confesso que faço minhas próprias regras naquela fogueira das vaidades: não comento fotos indiscriminadamente, não "curto" qualquer porcaria sem nexo, não adiciono pessoas só para fazer número e não torro meu precioso tempo com joguinhos dispensáveis. No dia em que ele me encher a paciência, eu peço o divórcio e estamos conversados - coisa que a maioria não faz, vai se saber o porquê.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Não tem explicação

      Ando relendo algumas obras daquela linda da Clarice. A verdade é que, ainda que tenhamos ficado um período afastadas, sempre a considerei uma das mentes mais sagazes do Modernismo. Eu penso, penso e penso mais um pouco, e não vejo lógica em tanta inteligência junta numa criatura só. Qual o segredo da escrita dessa mulher, que não dominava direito a própria existência, fazendo desta uma incógnita para si mesma? Qual a origem daquela resignação disciplinada e que, divinamente, ela converteu em trechos literários embasbacantes? Não tem explicação, gente!
       Vocês que são fãs sinceros da nossa ucraniana amada - e não meros visitantes do Pensador - devem sentir o mesmo que eu, ao lerem uma frase que seja, proveniente daquela alma atormentada. Devem engolir o choro, sentir o sangue estagnado e entender o cérebro como um felizardo, por receber tantas palavras dóceis e bem casadinhas, naquele pacto de vivência mútua entre a realidade que grita e o sonho que envolve.
      Sinto cada vez mais estar perto do coração selvagem, uma vez que a hora da estrela chegou. (Um beijo para quem entendeu!)

Detector de cilada

       As coisas deveriam ser mais práticas, não acham? No âmbito amoroso, por exemplo. Não que eu sofra horrores por tal sentimento: hoje em dia, me encontro resignada, debochando de quem é romântico demais. Contudo, fico em estado de agonia eterna aqui, ao imaginar como tudo poderia ser mais simples, e não é. Em como a gente cria mil fantasias sobre situações remotas e em como projeta infinitas atribuições a seres que não sustentam nenhum dos sonhos que causaram em nós.
       Eu vou falar, tô sem saco para joguinho. Queria era um detector de cilada... botou pilha, ligou e pronto: fica lá na dele, fazendo o serviço quietinho, nos livrando de desilusões e não deixando que gastemos nosso precioso latim com qualquer um. Ninguém vai inventar isso? Cadê a galera da Engenharia para dar conta desse meu desejo - e de toda a torcida do Flamengo? No fundinho, a gente queria adivinhar qual o caminho exato do pote dourado, para se dedicar só a essa procura insana pela qual vale a pena viver. Mas isso não passa de sonho vagabundo. Sem falar que esse caminho é cheio de pedágios.  
       Sabe quando você cai na night, achando que é naquele dia que vai topar com um Chris Evans, disponível, dando sopa no bar, todo trabalhado na gentileza e cheio de amor para dar? Você se arrumou super diva e está com o coração gotejando ternura, porém é bem provável que a desperdice com qualquer débil mental que grite que "cê é uma mina bem pegável". Então, o detector de cilada agiria em uma situação assim. Pista de dança, olhares exalando paixão... de repente o nosso incrível dispositivo antitraste entra em ação e faz você recuar: hora de dar tchau para o casinho de ocasião, pois ele é casado e pai de 183869 filhos. Sério, alguém precisa criar isso, não vejo a hora de usar. 
        A gente quer o detector. A gente precisa dele. E, se a gente quer, é porque não suporta mais construir em terrenos irregulares, dispensar atenção a pessoas que não têm nada a ver. A gente necessita do detector, pois não aguenta dormir com dúvidas e acordar com o pensamento ainda mais emaranhado em pontos de interrogação. A gente o aguarda ansioso, principalmente, porque ele também pode piscar a nosso favor. Já imaginaram quando o amor da vida for encontrado? Não cheguei a comentar, mas há boatos de que faz um barulho ensurdecedor... tipo música para os nossos ouvidos.