Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2017

Sumiços, porre de vinho, Julia Roberts

Sumi, né? Eu sei. Mas não foi por falta de ideia. Na verdade, seguidamente os ''preciso escrever sobre isso porque tá me sufocando'' vêm me visitar em uníssono. Saudade de usar ''uníssono'' em um texto de novo, ufa, saiu. No colégio, uma vez, uma professora disse que eu era uma pedante literária. Sigo honrando o deboche com gosto.   No geral, eu não tenho mais tempo (será que eu arrumaria tempo?). Não tenho mais tempo para escrever minhas misérias aqui, logo eu que sempre priorizei minimamente este espaço nebuloso. Fazer o quê? É da vida. Nem vim fazer mea culpa até porque ninguém se importa, foi mais para dar as caras, tirar o pó do lugar, abrir as janelas. Como vão? Me convidem para tomar um café, só não liguem para o meu celular, não suporto telefone tocando. Mentira, café com esse calor não tem condição, me convidem para ficar em silêncio tomando um vento na cara. Preciso de silêncio, não aguento mais ter que opinar sobre tudo. Não aguento mais qua…

Eu só penso nisso

Como é que eu vou te explicar?
Essa vontade louca
Muito louca
Eu posso falar?


Eu preciso disso, eu sou louca por isso, eu não vivo sem isso. Gatos. Eu preciso de gatos. Eu vivo para ver vídeos de gatos fazendo gatices. No meu Instagram só dá gatos. Por que seguir blogueiras, se eu posso seguir perfis de gatos? Os feeds da minha vida se alimentam de gatos. Gatinhos. Filhotes. Gatos, gatos, gatos, eu preciso ver gatos, apertar gatos, esmagar gatos, beijar gatos. Gatos me ajudam a viver. Gatos me dão motivos para sorrir. Gatos transformam dias merda em dias merda com poesia. Eu mudo meu trajeto diário para encontrar gatos alheios. Quando eu encontro a Belinha no centro, meu coração dispara. Que vitrine o quê, meu coração só enxerga aquela gata linda e ronronenta de três cores!!! Ela sabe que eu a amo e dá cabeçadinhas em mim. O meu dia melhora 78,34%.    Eu preciso de gatos assim como Humphrey Bogart precisava de cigarros. Assim como Maria Callas precisava de Aristóteles Onassis, aquele grego…

Toques e camas elásticas

E eu que comecei o dia ouvindo I touch myself, do Divinyls? Tenho uma relação bizarra com essa música, escutei no rádio uma vez quando era novinha e fiquei possuída pelo ritmo ragatanga. MINHA MÚSICAAAAAAAAA, NINGUÉM SAI Aí, anos mais tarde, vi ela ser tocada - perdão pelo trocadilho involuntário - na entrada triunfal de uma formanda numa colação de grau que prestigiei - estafada, claro, porque todas as colações são, sem exceção, estafantes. Não tive dúvidas: seria minha entrada triunfal idem quando chegasse o momento. Num janeiro de calor escaldante, lá fui eu desfilar de toga com Divinyls, sem querer, erotizando o ambiente. Percebam o ridículo semiótico da situação. Até então, esta mente casta que vos fala não tinha ideia do que tratava a música, muito embora as pistas estivessem todas ali gritando. Ri loucamente quando me liguei - a perdida do Direito que me inspirou deve ter tido a mesma experiência, convenhamos. Enquanto meus colegas curtiam seu momento único e ególatra com musi…

Onde não puderes citar não te demores

Deve ser um carma de outra vida, não é possível. Eu devo ter sido uma escritora decadente do século XIX - sabe aquela pessoa azeda que foi tão ridicularizada quando tentava vender suas misérias escritas e morreu com um osso de ódio entalado na garganta? Deve ser, porque basta eu ver uma frasezinha com autoria estapafúrdia para eu girar minha metralhadora cheia de mágoas. Sabe aquela frase óbvia que qualquer zé com alguma experiência de vida já disse, e o pessoal ama compartilhar como palavra da salvação dita por alguém com sobrenome difícil de pronunciar? Nossa, que ódio. Eu sei que elas são, na maioria das vezes, verdadeiras e providenciais, mas sabe? Enche o saco, ninguém aguenta - principalmente quem leu as pessoas em questão e sabe que não foram elas que se saíram com tais pílulas de sabedoria.   Não é o fim do mundo, cada um dá vazão ao que quiser, mas em dias em que cada vez mais a autenticidade perde espaço, em que ninguém mais sabe a veracidade de nada, fica feio para você, f…

Su deboche es mi deboche

Terminei, há uns dias meses, o último livro da ótima Tati Bernardi, aquela moça que meio mundo ama incluir em suas selfies, muito embora a maioria daquelas frases toscas não sejam de autoria da roteirista - palavras da mesma. Pois Tati, que fez de seu transtorno psicológico matéria-prima para muitas de suas genialidades, me fez rir quase convulsionada com o hilariante - porém não menos denso - Depois a louca sou eu. Eu simplesmente cheguei ao cúmulo de parar a leitura e, entre risos histéricos, repetir para mim mesma:''ela não pode ter escrito issoooooooo''. Pois não é que escreveu? E escreveu muito bem (putaquepariu, um texto bem escrito é a minha Disney!!!). É um tom confessional delicioso e intimista, é quase como se eu quisesse abraçar Tatiane e dizer que também já estive ali - estaremos sempre algumas vezes na vida porque esses dilemas psicológicos são dificílimos de desgrudar. Talvez não desgrudem nunca.
Foi um deleite ver a escritora revelar seus piores dramas …

Curtinhas catárticas

Eu só queria comprar uma camiseta branca. Branca, verde, vermelha, qualquer cor. Uma fucking camiseta simples. Dessas que, outrora, James Dean exibia em Juventude Transviada. Uma camisetinha simples, fuleira, dessas que com 20 golpinhos se compram. UMA PORRA DE UMA CAMISETA IRRISÓRIA PARA TRABALHAR. Sem frescuras. Sem babados. Sem detalhes assimétricos. Sem frases em inglês que não fazem o menor sentido. Sem modismos à la Kendall Jenner - ou qualquer uma dessas imbecis com dinheiro que vocês amam idolatrar. Só uma reles camisetinha de algodão. Sabe o que é revirar as gôndolas da vida e não achar uma camiseta assim, amigo do terceiro mundo? Peloamordedeus, a simplicidade virou artigo de luxo mesmo. Cá estou, vestindo uma camiseta com uma frase ridícula em inglês e uma choker embutida. Vão tomar no cu. 

Eis que me deparo com uma foto daquela fofinha de Stranger Things, a Millie Bobby Brown, em uma pose questionável com emojis de fogueirinha em plena luz do dia no Instagram - aquela des…

Eu tenho riniteeeeee!

Eu nunca vou enfiar essa merda no nariz! Eu tenho riniteeeeee! Essa sou eu dizendo que nunca vou usar cocaína. Nunca, nunquinha, é nojento demais. Como que conseguem aspirar aquele pó de origem duvidosa narinas adentro com a alma leve, despreocupada? Assim, eu até queria sentir a loucura e a vibe, mas nasci muito cagona para experimentar. E cheia de rinite. Rinites infinitas e desconhecidas habitando esse narizinho lindo. Deus me livre. Não, leitor, isso não é uma versão piorada daquela propaganda bizarra da Eliana, nos anos 90, dizendo para você abrir a mão e dizer não às drogas - tampouco uma mensagem patrocinada pelo PROERD. Sou só eu, vida saudável afundada em ansiolíticos, dissertando sobre o tema após gritar a sentença acima em meio a umas 20 pessoas desconhecidas, bota micão.  E os hippies, hein? Como conseguiam sair se picando adoidado nos anos 60 com aquelas agulhas pavorosas? Amigo, se eu vejo uma agulha já saio correndo. Já não é mais fobia, é algo sem nome. Adoraria, entre…

Fogo no rabo

O sono é feroz, domina, e a preguiça, lancinante, puxa seus membros fatigados para qualquer lugar em que se possa ficar apoiado. Mas é sábado e você combinou de ver seus amigos - e o pior é que em algum nível do seu coração você quer realmente vê-los. O que você não quer é se locomover, então você faz o que qualquer filho da puta já fez alguma vez na vida: enrola. Enrola pra caralho. A vida como ela é.  ''Aposto que se o fulaninho fosse, já estaria lá''. Tão verdade que não consegui nem disfarçar o sorriso cheio de dentes. Se fulaninho estivesse lá, eu já estaria lá antes de ser. Se fulaninho vem, por exemplo, às quatro da tarde, desde as dez da manhã eu estarei experimentando calcinhas. Refletindo sobre isso, parei uns minutos... e me saí, resignada, com uma ótima, como se tivesse um cigarro no canto no boca e fosse Nelson Rodrigues: ''o fogo no rabo é uma vontade inabalável''. Não que eu não sinta fogo no rabo por meus amigos queridos, mas definitivam…

Um pai que rasga encartes de propaganda

Meu pai e eu não poderíamos ser mais diferentes. Eu sou gremista, ele, colorado; Eu gosto de rock e amo um enlatado americano - como ele chama -, ele só ouve música de raiz - como também chama. É tão tradicionalista que chega a dar nojo. Um nojo poético, digamos. Ele é liberal convicto, eu flerto com várias saladas políticas, muito apesar de ter um ímpeto de Voltaire que me seduz. Ele, apesar de ser um baita cérebro, ama uma sessão indolor de Datenas e Rodrigos Faros - este último em pleno domingo, é mole? Já eu prefiro enfiar a cabeça numa betoneira a acompanhar a empreitada. Só que ele entende de arrobas e de bushels, fala de economia e deixa meio mundo calado - já eu, só sei que, felizmente, essas coisas me alimentaram a vida inteira. Perdão por não gostar do que faz seus olhos brilharem, pai. Um homem do campo pai de uma pseudo-patricete-urbana meio desmioladinha... é, a vida prega peças.  Ele é tão canceriano que chega a dar raiva - tão chantagista emocional, tão de lua, tão doí…

Mãe de pet

Até eu, que eu sou uma doente descontrolada por gatinhos e afins, tenho um pingo de noção ao me intitular ''mãe'' dos meus bichinhos. Por favorzinho, sim? Nós não somos mães porcaria nenhuma - no máximo, tutoras babonas que amam seus peludinhos e zelam pelo bem estar deles, o que não me parece ser digno de medalha. Há tempos, venho pensando sobre isso e tenho me incomodado com a denominação. Mãe de cachorro também é mãe. Mãe de pet é mãe, sim. Qual é? Em maio último, foi uma enxurrada desse tipo de pérola nas timelines que, a duras penas, mantenho. Eu queria me matar. Aí eu fiquei dias e dias matutando: mas será que eu vou ter que escrever uma baboseira das minhas para dizer o óbvio? Que vocês NÃO são mães? Que vocês estão sendo ridículas e egoístas ao saírem se proclamando guerreiras por cuidarem de um animalzinho? Pelo jeito, sim. Então comecemos pelo começo, como diria o outro lá.  Mãe de pet não deixa de fazer nada em sua vida por conta de seus ''filhos'…

Orgulho trouxa

Sabe aquele tipo de pessoa que se dá importância demais? Que se ofende se você não procura, não implora por ela, não se ajoelha para sair com ela, para vê-la? Não sejam assim. Ou sejam, claro, mas não cruzem meu caminho - que cansaço! Assim, eu sei que todos somos importantes num plano circunstancial abaixo do Equador, mas sugiro não alimentarem a ideia de que são insubstituíveis, imprescindíveis tanto tanto tanto assim. Que preguiça.  Trata-se de uma cosita que me rouba algumas horas de sono sempre. Ser ou não ser assim tão disponível para amores, crushs, amigos, irmãos, gatos, papagaios, pessoas em geral? Se muito solícitos, muito trouxas, muito servis, com tão poucas ocupações e por isso tão pouco interessantes? Se pouco solícitos, mais passíveis de sermos disputados? Não é uma equação tão infundada assim, pensem comigo. Os manuais de relações humanas sempre dissertam sobre o tema. Não procure quem não procura você, não se apegue, seja frio, pessoas gostam do que não têm, blá, blá…

You're gonna hear me roar

Neste dia até o sol estava brilhando mais, não? Sim, ele entrou em Leão. De 22 de julho a 22 de agosto, uma espécie de magia começa a pairar nas esquinas, no céu, nos olhos por aí... quem não nasceu leonino que aguente, né, mores?   Salve nossa autoestima sempre! Amém, felinos! Tô com medo do inferno astral? Claro, como não? Mas vamos emanar amor e calor aos corações gelados, que tudo se ajeita.  (Hoje eu só vou escrever merda - não que eu não escreva sempre, mas hoje estou optando deliberadamente pela merda, divirtam-se.) 
Por muito tempo reneguei meu leonismo, achava-o fútil, bobinho... lia as descrições nas revistas e fazia um muxoxo: mas nunca que isso sou eu, wtf? Só que quer saber? Eu gosto de elogio mesmo, sou uma gatinha manhosa pronta para derreter de amores e gratidão. Gosto de me arrumar mesmo! Aprecio coisas bonitas, porém detesto esnobismo - é possível gostar de um sem se corromper pelo outro, sabiam? Tenho um coração puro e bobo, que acredita, a duras penas, no bem e na …

How can you mend a broken heart, Hugh Grant?

Está sofrendo por amor? Eu sugiro Al Green. Mais precisamente, How can you mend a broken heart.  Aquilo ali não é uma música, é uma espécie de transe. Sinto uma corrente elétrica percorrendo todo o meu corpo sempre que escuto. E eu escuto muito. Então eu fico ali, sendo mastigada por aqueles acordes, numa comunhão linda e de profundidades de que ninguém suspeita. Não consigo nem respirar direito. Dá gosto de sofrer ouvindo isso - pode ou não pode estar sendo meu som oficial de chorar no banho. Se é para corroer nossos pobres corações, vamos fazer direito. Com um mínimo de elegância. O Hugh Grant, por exemplo, já fez isso em Um Lugar Chamado Notting Hill - logo, estamos absolvidos. Só colocar as mãos no bolso, sair chutando latinha e pronto: eis uma imitação pateta de Hugh Grant.    Para ser franca, tal música nem é dele - digo, do Green, não do Hugh Grant, dã. Segundo minhas pesquisas inúteis, o hit foi composto pelos manos Gibb, esses queridos que adoram criar músicas para outros ta…

A menina que contava vacilos

Nesta minha tortuosa busca por autoconhecimento (que promoção de sapato o quêêê, eu só quero me conheceeeeeeeer), eu venho descobrindo que eu falo demais. Mas, pera lá, não vou me espezinhar - não mais. Perdoa a lua em áries e não desiste de mim - ou desiste, sei lá, isso já não é problema meu mais. Tirando o ridículo bem intencionado que paira sobre essas tentativas de interpretação astrológica, talvez arianos bem arianíssimos realmente me entendam... dói, né? Dói sentir o coração sempre a 200km/h, como que num racha assassino e previsível, não é mesmo? É DOI-Codi, parceiro. Não trabalhamos com mornidão aqui, eu sei, vamos nos abraçar e lamentar essa delícia horrorosa.  Eu falo mesmo. Eu falo demais. Pra caralho. Erro mais por conta disso? Certamente. Eu não conto mais carneirinhos - eu conto vacilinhos. Eiii, mas tu é gostoso, hein? Vai se fo o ooo der, tá me deixando louca!!! 
- Amiga, vocês ficaram só duas vezes, tu disse isso mesmo? - Claro, é gostoso mesmo, vou fazer o quê? Eu re…

Ladra, envenenada e sabida

Eis que numa sexta-feira de 2017, me veio a iluminação. Eu deveria ter feito História! Porra, eu tinha que ter feito História, é evidente! Por que raios eu não fiz História? Há quanto tempo ando renegando essa coisa que me consome? Que epifania, meus caros. O fluxo de consciência foi tão forte aqui, que ainda me sinto no dia da proclamação da república - não reparem, lia, há pouco, sobre as peripécias de Pedrinho II, nosso eterno monarca inconstitucional.   Gostar de História, a matéria, sempre me pareceu muito natural, muito orgânico - perguntadeira que sempre fui e deveras ansiosa por descobrir os porquês, as metades, as razões, como as coisas eram, como poderiam ter sido, já fatalmente envolvida pelos acasos da vida. Eu, com 13 anos, era uma chata insuperável, meus colegas me odiavam. Os professores, entretanto, devotavam amor eterno - carentes, que eram, de ouvidos solícitos às suas riquezas por anos estudadas. ''Vamos matar aula todos então?'' ''Claro que…

A gente muda

- Coloca aquele blusão ali, de gola... - Ew, não gosto dessa gola... - Mas tu gostava!!! - A gente muda, mãe...
E aí nasceu uma crônica. Percebam como trabalha a nossa mente. De nós, os cronistas. Percebam como é sorrateira a mente de uma cronista jovem e com idiotices mil na cabeça. Tudo é inspiração e ela não tem hora para chegar; ela vem, senta, pede um café. Eu sempre estou pronta, ela é de casa. Aqui, as blusas de gola não servem mais, perderam a validade, naaah, é como se eu me sentisse presa. A gente muda, e que bom que muda!! Porque ser sempre a mesma coisa enjoa, chega uma hora em que a gente nem se surpreende mais consigo mesmo - e isso é sempre um drama. Eu mudei um monte já, embora ache que não. Eu não suportava The Doors; hoje saio requebrando os quadris quando ouço a vozinha do Jim... ô, Jim, vem cá. Eu não bebia cerveja; hoje para me fazer feliz é só chamar para um rockzinho com 3 latões a 10 pila - pila mesmo, que aqui neste blog não temos mais tanta frescura ortográfica.…

Mães guerreiras e filhos do Christopher

A maternidade me fascina, mas não de um jeito acolhedor, como se eu quisesse ser genitora algum dia. Meu fascínio é meramente curioso, um mero voyeurismo social de uma mente questionadora além da conta - e que sofre por ser assim muitas vezes. Quem entende de verdade as mães?  Quem me lê há tempos, sabe que ser mãe não é um sonho na minha vida - desconfio de que nunca será -, porém não é por ser essa montanha de gelo que não se imagina chamando o Chris Evans II pro banho, que eu não me atraia pelo caráter político da coisa. Tá, pensei melhor: ser mãe dos filhos de Christopher seria lindo. Daria à luz um time de futebol-sete tranquilinho. Imagina que amorzinho todos andandinhos vestidos de Capitão América igual ao papai? De camisetinha do New England Patriots???? AWNNNNNNN OK PAREI    O fato é que mães têm minha total compreensão e apoio, além de empática inquietação. Essa coisa que a sociedade espera, de que sejam heroínas, desfaleçam pela prole, se destruam por casamentos fracassado…

Eis um novo amor

Ofegante, saí do estabelecimento. Mal podia me conter, a boca seca, o coração acelerado, o gosto de novidade gritando na alma. Felicidade inundando o coração... sim, era ele. Eu ia ver ele, mal podia esperar para tocá-lo. Usá-lo até o máximo de suas forças, me esfregar nele - ele que me entende tanto e em tantos níveis. Meu fone de ouvido novo. Só meu - não divido fones, nem tentem. Acharam que eu falava do quê??? Só nós, os doidos por música, os que buscam sentido em cada pequeno fragmento de vida com um sonzinho espreitando as sensações, entendemos. Ah, claro, é possível que estas simpáticas merdas estejam nos deixando consideravelmente surdos, mas como arrancá-las de nossas vidas? Como simplesmente nos curvarmos a uma sociedade que não entende nosso (meu) gosto musical ridículo de trilhas sonoras dos anos 80? Não posso compactuar, prefiro o ostracismo. Sabe, quando ouvi a primeira guitarra de Brown Sugar gemendo, ali na rua mesmo, eu sabia que era amor. Aquilo ali é muito forte. N…

LIVE AND LET SLEEP

''Se você ama deixe livre'' uma ova. Se você ama mesmo, deixe dormir. Live and let sleep... já diria Paul McCartney. Os amores só vão durar quando os amantes entenderem que precisam deixar dormir. Deixe sua menina dormir, parça. Se um cara aparecesse com um buquê de rosas e se declarasse para mim, é bem possível que eu achasse comovente, todavia, entretanto, contudo, se ele viesse com um vale-colchão da Ortobom a tiracolo... aí eu consideraria coisa do destino, do cosmos. Encontro divino de almas.  Não aguento mais viver dentro do armário da produtividade, da vida saudável e ativa, do carpe diem... eu gosto de dormir, caralho. E sei que você também gosta, seu cretino, não precisa bancar o workaholic modelo. É, dá para ver no seu doce olhar, tão doce e tão cheio de olheiras. Por isso saio dignamente deste móvel escuro e hipócrita e assumo: eu gosto da coisa. Sim, eu gosto de dormir. Oooh yeah, baby, eu sou preguiçosa. Mas, pera lá, sou como Peter Parker nas palavras de D…

Os 45 anos do padrinho

Sim, O Poderoso Chefão completou 45 anos agora em março, e eu estou enrolando há um mês esse texto, logo, falemos de uma vez dos Corleones - até porque, vocês sabem, presente bloguinho ama um clichê cinematográfico. Devo confessar que não simpatizava com os mafiosos de Nova York quando mais nova, achava-os qualquer coisa menos lendários, só que aí - só que aí!!! - me caiu às mãos o livro do Mario Puzo, irmãozinho... e eu não estava preparada. A história é machista, feita por homens e basicamente para homens? Uhum. Mas, como sou uma familióide sentimental gravíssima, há tempos diagnosticada, acabei achando uma brecha para uma paixão arrebatadora. Don't ever take sides against the family again, seu fiadaputa!
Devorei as famigeradas páginas após ter visto a trilogia, por isso foi meio impossível não associar Vito Corleone a Marlon Brando, Michael Corleone a Al pacino, Kay Adams a Diane Keaton, Tom Hagen a Robert Duvall (brilhante, por sinal!), e por aí vai. Os mais puristas talvez c…

TPM - Triagem de Pensamentos Maléficos

Ai, pelo amor de Deus, nunca vou curtir essa página ridículaaaaaaaaaa, sai daqui!! Fuja! Odeio esse programa de vocês, é horrível, nunca vou recomendar isso. Putz, e essa cólica? Parece que tão dançando flamenco na minha barriga, pode mais, pode doer muito mais, DÓI MAIS CARALHA, EU AGUENTO!! Ah não, lá vem a creiça de novo citando Zack Magiezi com essas selfies aleatórias do nada... será que não tem ninguém mais pra citar nessa merda? Que saudade do Caio Fernando Abreu, porque, convenhamos, desse ainda os textos tinham um começo, um fim, uma lógica... esse não, tipo, são umas afirmações... hum... ''ela é daquelas que não suporta mentira''. Dãã, hein? Jura, amore? Ela gosta de abraços apertados e jeans com lycra. UAU, GÊNIO, MARAVILHOSO, LANÇA UM LIVRO. Não aguento mais esse cara e nem sei quem ele é. Notas sobre ela, notas sobre ela, notas sobre elazzzzzz... nota a minha mão na tua cara aqui, sua chata. Falando em livro, e o teu romance, hein, Bruna, sua cretina podr…

É isso aíííííííííííí

Hoje, na feirinha: eu entrevistando Seu Jorge. Vou ter que procurar um exorcista porque, olha, é cada abobrinha que sai dessa cabeça castanha que eu levanto abismadíssima. Mas vamos à pauta. Estava eu, sentadinha, gravador em mãos, sabatinando Seu Jorge. O mais louco é que eu sonhei a coisa toda e só fui lembrar que sonhei porque estava perdendo tempo de vida no Instagram - como é do feitio dos jovens - e topei com as fuças de Jorge. Jorge, o entrevistado. God realmente works in mysterious ways... Me lembro de pouca coisa, mas é claro - claríssimo - que eu perguntei por que ele e a Ana Carolina atazanaram minha vida com aquela versão horrenda de The blower's daughter, há mais de dez anos. Percebam que esse ódio sobreviveu à passagem dos anos e rendeu uma sessão de terapia psicodélica. Não me entendam mal, eu adoro Seu Jorge e a Ana, mas... hum... que ideia equivocada, não? Eu simplesmente tinha vontade de tacar um tijolo no rádio quando aquela lamentação começava - sim, crianças,…

Selton e eu, eu e Selton

Descubro coisas curiosas em salas de espera. O último achado foi que a minha alma gêmea é o... Selton Mello? Pois é, meus caros, quem diria que a mulher invisível dele sou eu? God works in mysterious ways...   Morrendo de tédio galopante, comecei a folhear uma daquelas revistas sofríveis e me deparei com as seguintes palavras do moço:
Aos 33 anos, você disse que não se imaginava casado, com filhos correndo pelo quintal. Mudou de ideia?  Não. Continuo igualzinho. Mas acho filho uma coisa legal. Homem tem uma vantagem. Posso ser pai aos 50. De repente, ter um filho sem estar casado, penso em coisas assim. Ter um filho com uma amiga, com uma mulher que admiro, que já namorei ou alguém que saquei que pode ser uma boa mãe e que também não está a fim de casar. Ou não ter filho também. Viver sozinho, por que não?
Saca a profundidade do boy...
Por que não? As pessoas lidam muito mal com a solidão, não conseguem ficar sozinhas. Eu fui ganhando experiência nisso e já tinha um temperamento que me leva…