segunda-feira, 29 de abril de 2013

Da série: diálogos agridoces

DEIXE MEU NOME FORA DISSO


Redação, aproximadamente 15h30min - uma moça faz uma entrevista via telefone, aquele parto de sempre.


- Alô, eu poderia falar com a Fulana...? É sobre uma reunião da secretaria de vocês aí...

- É ela... sobre o que seria?

- Então, Dona, eu queria confirmar alguns dados... o horário que...

- Foi bom tu ter ligado, Ciclana, o horário mudou... será às seis da tarde.

- Uhum, que bom que eu tenho uma bola de crist, ENFIM, me diz uma coisa... como vocês enxergam essa questão aí da mudança na presidência da comissão? Tem a ver com o quadrado da hipoten, digo, com a falta de apoio da situação?

- É complicado eu te dizer assim, sabe...

- Hehehe eu sei, é que vocês não quiseram me receb...

- Ah... até quando tu escrever aí, nem diz que fui eu que falei. Não precisa colocar nome, ok?


(danem-se as teorias, se ela disse que não precisa sair nome, então não precisa, né)


- Mas e daí eu uso o nome de quem? Do Teobal, digo, eu preciso usar suas palavras para a matéria ter validade, entende... hehehe preciso citá-la hehehe, sabe?

- Mas não quero que saia meu nome, não pode sair.

- Ok, eu vou dar uma chorada aqui então, até mais.


Beijo pras fontes, amo vocês!





sexta-feira, 26 de abril de 2013

Aquele momento

Aquele momento em que você nota que tem franja, mas quer se livrar dela. Rapa? Aquele momento em que você nota que tem 23 anos, mas ainda morre de medo de tirar sangue. Sai correndo? Aquele momento em que sua amiga conta que aquele lindo - com quem você nunca ia ter nada mesmo - andava desfilando pela Itália. Pedi pra saber alguma coisa? Aquele momento em que você nota que o Tio Jesse, de Três é demais, sempre vai ser o tio mais gostoso da história dos seriados americanos. Aquele momento em que você nota que suas fotos de formatura ficaram tenebrosas e não pode mostrá-las para ninguém. Aquele momento em que você nota que não tem um puto para gastar na sua conta. Aquele momento em que você nota que queria ter o cabelo da Anne Hathaway, em Os Miseráveis, porém não tem sex appeal suficiente para sustentar um corte daqueles. Aquele momento em que você nota que só você gosta dos filmes do Owen Wilson - e que ele deve fazer só comédias mesmo. Aquele momento em que você nota que quer escrever roteiros, em vez de notícias. Aquele momento em que você nota que quer fazer filmes, em vez de panquecas. Aquele momento em que você nota que nunca vai gostar de batata doce. Aquele momento em que você nota que não aparece mais ninguém praticamente na sua timeline do Facebook, pois bloqueou geral. Quem mandou ser antissocial? Aquele momento em que você nota que "Everyday is like sunday" é bem melhor na versão do Pretenders que na do Morrissey. Vezes mil. Aquele momento em que você nota que não dá pra ler Agatha Christie com qualquer espírito. Aquele momento em que você nota que a glória dos seus 15 anos foi saber cantar "Faroeste Caboclo" inteira. Que fase, hein? Aquele momento em que você nota que mandou beijo pro carinha do delivery. Aquele momento em que você nota que tem gente que ainda não sabe que só se coloca acento no verbo ''ter'', se dá ideia de posse, e nunca, >>>nunca<<<, caso passe o sentido de ''haver''. Aquele momento em que você nota que é chata com essas coisas. Aquele momento em que você começa a considerar a ideia de ser um poço de chatice com qualquer coisa. Aquele momento em que você nota que anda escrevendo coisas muito pessoais - e isso é um saco. Aquele momento em que você nota que tem comido toneladas de pães de queijo - e isso é ruim pra sua barriga. Aquele momento em que você lembra que pouco se fode pra isso, mas não ia curtir uns bacons salientes ali e tal. Aquele momento em que você nota que tem pessoas que leem, de fato, seu blog - e você não sabe se ri ou chora. Aquele momento em que você nota que ainda detesta alguns ex-colegas. Aquele momento em que você nota que esse texto ficou chato pacaraleo, mas já escreveu demais pra voltar atrás. E aí, vai acabar deixando, ué.







         

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Seu riso & você

A risada internética escrotizou de vez  mudou ao longo dos anos, não é mesmo? Eu acho uma graça dispensar atenção a como os risos alheios têm se manifestado na rede, uma vez que sou desocupada o bastante para tanto. Do simplório ''hahaha'', que já foi deveras usado - e reafirmado como onomatopeia máxima da comicidade de determinada questão - passamos a usar variantes curiosas, como se o tal não fosse suficiente para expressar o quanto estamos rindo. Bom, falo por mim, não uso, acho econômico demais, exceto quando eu quero ser debochada sem ferir os sentimentos do meu interlocutor protocolar ou, claro, quando estou falando com o meu chefe. Beijo pro RH! Sou adepta mesmo é dos esdrúxulos, tipo aquele "caindo da escada, bêbado de vodka" AEHAUEHAIEHAUEH ou aquele ''deixei meu priminho de 3 anos mexer no teclado" KLSKLJYAKÇOPUAKSDLSDKAÇ, que é pra coisa ganhar uma conotação risível meeeesmo. Tem quem ria com aquele do "cachorrinho engasgando e sofrendo de bronquite" HUAHUHAUHUAHAUHA - esse eu não curto, sei lá, parece que latindo. Enfim, tem para todas as criatividades e retardos, mas devo confessar que admiro os entusiastas do econômico lá de cima: vocês, sim, são elegantes. Podem estar tendo convulsões de tanto rir, em frente ao computador, mas vão sempre se sair com um comedido hahaha. Há quem se contente com um singelo hehehe. Não consigo compreender. Por outro lado, há os fãs de um bom kkkkkkkkkkkk - esse eu acho brega num nível ''uso calcinha bege e pochete", mas não há como negar que facilita nosso trabalho em momentos de preguiça. Aperta a tecla K e manda o recado do mesmo jeito, ainda que de forma bem imbecil. O rs também funciona, claro, mas, geralmente, é mais um constrangimento que uma manifestação de riso, néãm?
Bueno, tudo muito lindo, tudo ótimo, agora... não vem rir com haha pra mim. Tudo menos um haha. Quer dizer, você não se prestou nem mesmo para escrever três has pra mim, é isso? Qualé? Podia ter rido com um hehehe, né, que ainda tem uma simbologia safadinha. Esse haha é malicioso ou é uma obrigação? - tipo, que eu digo pr'essa mina? Nem vem com haha, enfia seu haha no meio do seu orifício anal cachorrinho com bronquite. Não sei expressar meu desprezo por esse haha... meu, isso é quase um bocejo, certo? Me chama de escrota quatro-olho mongolona otária qualquer coisa, mas não me responde com haha, eu imploro. Prefiro que diga que chorando. De vergonha alheia.      







sexta-feira, 19 de abril de 2013

10 metas da minha vidinha que só o blog sabe


1- Viajar de moto, com muito vento na cara, escutando Tunnel of love a todo volume. Smells like victory.

2- Me mudar pra Minas.

3- Tentar trabalhar em um jornal não tão promíscuo.

4- Parar de achar que caras promíscuos são príncipes.

5- Atualizar o maldito infeliz bastardo inútil necessário Lattes.

5- Viver sem rinite.

6- Casar com um barbudinho e ter cabeludinhos.

7- Fazer mestrado em História ou Literatura Brasileira ou Linguística nada.

8- Aprender a calar a boca.

9- Aprender a fazer arroz.    

10- Parar de dançar igual ao Chandler Bing.



                                                           
                                                        XIII, CÊ CONTOU!!11!




quinta-feira, 18 de abril de 2013

Entrevista - Dia do Livro

Então, galera, como vossas senhorias devem lembrar, hoje é Dia Nacional do Livro Infantil! 

ÊÊÊÊ!

Aqui no blog sempre haverá um cantinho solícito para a literatura e assuntos relacionados. E é por isso que eu trago, hoje, uma entrevista bem bacana que eu fiz com o designer gráfico, ilustrador e escritor de livros infantis Mathias Townsend, para falar um pouco sobre o universo literário infantil e algumas curiosidades da - breve, porém promissora - carreira dele. Chega mais!



Garota Agridoce - Há quanto tempo tu te dedica à ilustração? E aos livros infantis?

Mathias Townsend - Comecei a trabalhar com ilustração profissional desde o tempo da faculdade, ganhava bolsa para ser ilustrador do EAD. Na literatura infantil, comecei em 2009, justamente com o projeto do meu primeiro livro "O Blusão Vermelho e o Mistério da Montanha", que foi lançado em dezembro de 2011. Até então nunca tinha feito nada específico para livros.

GA - Esse teu livro fala de um menino que, embora de poucas palavras, tem uma imaginação muito fértil e fantasia diversas aventuras. Rolou um mote biográfico? Conte mais...

Mathias - Não houve uma inspiração pessoal, mas, sim, a vontade de criar alguma história bonita, de pessoas simples... no caso, do menino Téo e da avó dele, Chica, que moram perto de uma grande montanha, cujas lendas a respeito intrigam o guriTive um cuidado, talvez involuntário, para organizar texto, ideia e visual de um jeito que transmitisse um clima legal para o leitor, unindo entretenimento e reflexões sobre coragem, família, superação, etc...  

GA - Tem alguma influência familiar no teu trabalho?

Mathias - Tem sim, bastante por sinal. Minha mãe foi professora de Literatura, então, desde pequeno sempre tive bastante incentivo nessa área.

GA - Na tua opinião, como anda o mercado de literatura infantil?

Mathias - Com certeza, é um mercado bastante fechado, tanto para autores quanto para ilustradores, pois as editoras já possuem seus fornecedores garantidos e não costumam "arriscar" investindo em gente nova. Mas, com um pouco de interesse e muitas tentativas, é possível conseguir aos poucos um espaço.

GA - Muitas vezes, é difícil inserir a criança no universo literário. Qual tua opinião a respeito? De quem é essa tarefa?

Mathias - Acho que é tarefa da escola, da própria sociedade, e, principalmente, dos pais. É preciso que o incentivo à literatura não seja algo maçante ou uma ''forçação de barra'' como, por exemplo, leituras obrigatórias para o vestibular. Tudo que é forçado e obrigatório acaba se tornando chato, principalmente para crianças e jovens.

GA - Quais tuas inspirações para escrever? Quais os livros que marcaram tua infância? O meu foi "A operação do Tio Onofre'', da Tatiana Belinky, a propósito... (risos)

Mathias - Apesar de ser meio clichê, sempre adorei "O Menino Maluquinho", do Ziraldo, pois conseguia captar mensagens diferentes dele como criança, depois como jovem e agora mais "crescido" também. Fora isso, hoje gosto muito dos livros de Oliver Jeffers, Irmãos Grimm, Maurice Sendak...

GA - E na literatura adulta, algum autor favorito?

Mathias - Gosto bastante da literatura regional e latino americana, como José Hernandez e João Simões Lopes Neto.

                                                                              Foto: Jean Pimentel/DSM


Buenas, era isso, queridos. Se quiserem saber mais sobre o trabalho do escritor, é só dar uma conferida no http://www.mathiast.com/



Agora, me deem licença, que eu vou ler o Gato de Botas pro meu filho, digo, felino. 








domingo, 14 de abril de 2013

10 coisas que eu odeio, mas o mundo tá nem aí

1- UFC

2- Programas de auditório

3- Rodrigo Faro 

4- UFC

5- Fotos no espelho

6- Vírgula separando sujeito de verbo

7- UFC

8- Obsolescência programada

9- Virais de internet que viram memes, que viram novos memes, que viram virais de internet, que vi

10- #Uso #indiscriminado #de #hashtags  



quinta-feira, 11 de abril de 2013

Erasmo, eu não sei o que quero.

Certa vez, lendo uma revista dessas semanais, vi uma frase de um tal Erasmo Carlos, que, à época, nunca tinha visto mais gordo - eu devia contar uns 10, 11 anos, não sei. É vaga a lembrança, não saberia reproduzi-la com fidelidade, só lembro mesmo do que dizia, do sentido. E dizia muito bem dito, aliás. Eu nunca esqueci aquela (maldita) frase. Vejamos... tremendão afirmava que toda geração - mais cedo ou mais tarde - vai se rebelar contra tudo e todos: família, amigos, escola, professores, governo, Estado..... mas aí, depois de brigar, brigar muito, vai cansar e acabar falando de amor. A-m-o-r. Percebam a inteligência do cara. A gente vive se rebelando, rebelando, rebelando, rebelando.... aí vai cansando, cansando, cansando... pra que brigar? Pronto, fazendo poesia, cantando baixinho, vai ficando desarmado. E nem sei por que caralhos me lembrei disso. Acho que faltando amor na minha reportagem, vou dar uma ligada praquela fonte esperta, xácomigo. (não!)

ENQUANTO ISSO POR AÍ 

- Bom, mas tu tem que ver o que quer, então.
- Doutor, eu devia sentir vergonha de falar isso, mas... er... eu não sei o que quero. Eu, honestamente, não sei o que quero! consegue me entender, né?
- Aí fica complicado. Essa idade dos 20 e poucos, né... mas passa, guria, passa.
- É... acho que chove hoje, né, vi na previsão.

(muxoxo)






Ajudou no post:
6th avenue heartache - The Wallflowers








domingo, 7 de abril de 2013

Feliz dia 7, cambada!

Velho, eu curto ser jornalista. Pra caralho. Caralhíssimo, eu diria. Um puta parabéns pra mim, pra nós!


Na semana que passou, eu andei fazendo uma das coisas que eu mais gosto na vida: ler jornal. Há uns bons meses, eu não parava para ler um exemplar de cabo a rabo - nos últimos tempos, me acostumei somente a visitar portais de notícias e... argh não é a mesma coisa. Nada como abrir a editoria de comportamento e ler o vício de linguagem preferido do meu colunista do coração. Nada como ler uma reportagem bem escrita com todos os desdobramentos característicos da natureza do emblemático lead. Nada como sentir o papel entre as mãos, fazer um debate solitário com a manchete e depois finalizar com a cruzadinha dos campeões. Diliça!
Eu nunca escondi que a mídia impressa é minha favorita. Na faculdade ainda, vivia exaltando os repórteres de impresso, a rotina produtiva deles, enfim, puxando descaradamente o assado pr'eles. Os tidos como diabólicos, maquiavélicos, articuladores, pouco econômicos, embromadores... é, amigo, essa é a minha praia. Eu amo redações. Poderia tranquilamente viver dentro de uma, por mais desgastantes e loucas que sejam - e são, meu!!! Falo, porque, de todos os trabalhos jornalísticos que fiz até hoje, grande parte se deu para a mídia em questão - não sei, aliás, se foi acaso ou incompetência para as outras, eis um mistério pra mim. Mas sinto que rola uma coisa mais latina pelo impresso, não sei explicar. Vai ver é minha incompetência mesmo para as outras, que remédio. Todavia, contudo, entretanto, não digo que uma é melhor que a outra. Apenas reafirmo o que venho pregando há certo tempo: cada jornalista tem sua menina dos olhos. A notícia de última hora é que, antigamente, me sentia culpadíssima por não morrer de amores por rádio, televisão e etc, já, hoje em dia, nem aí, Chatô que perdoe a discípula dele. 
Bem, o papo nostálgico tá super, mas vou aos cumprimentos e aos desejos, antes que a audiência se encha:

- Desejo fontes que atendam os telefones prontamente, e que seus aparelhos nunca estejam desligados.
- Desejo pautas apaixonantes.
- Desejo editores que não coloquem suas tendências políticas acima do texto imparcial e digno.
- Desejo que os jornais de cidades do interior comecem a contratar pessoas formadas e abandonem o amadorismo e o provincianismo que lhes são característicos.
- Desejo que os leitores dessas cidades boicotem tais veículos e exijam mais qualidade editorial.
- Desejo que as rádios - também do interior - parem de agir como canais exclusivos de venda e tratem de informar com seriedade.
- Desejo que a sagrada reunião de pauta nunca seja relegada e vire raridade.
- Desejo que os estudantes de jornalismo não entrem nessa furada, achando que é só televisão e brincar com microfone, pois, do contrário, quebrarão a cara.
- Desejo que a classe honre sua condição de artesã da palavra e inicie a utilização da norma culta da língua portuguesa.
- Desejo alguns furos jornalísticos de qualidade pra essa galera parar de sofrer com a informalidade. E uns vários para mim, claro.
- Desejo capas infinitas pra alimentar nosso ego, afinal a gente merece. ÊÊÊÊÊ!
- Pras girls: desejo uns colegas repórteres bem gatos para que vocês tenham mais vontade de trabalhar, hein? E uns flertes inocentes, que isso ajuda bastante a manter a sede de notícia.
- Desejo dias doces nesse mundo do cão que é o jornalismo diário.
- Desejo que minha letra no bloquinho fique mais decente, pois nunca entendo nada do que escrevo. Caos.
- Desejo uns dias fora de série e nada de rotina.
- Desejo que nunca falte o debate clássico numa mesa de bar regado a umas geladas.
- Desejo umas festas espetaculares com credenciais de respeito.
- Desejo que o jornalismo pare de ser encarado com superficialidade e adquira o status de ciência que sempre mereceu.
- Desejo tudo de melhor para todos que lutam pela informação e vivem para isso, enfim.

Feliz dia 7, cambada!
  



*Beijo pra quem entendeu a foto.














sábado, 6 de abril de 2013

Quinze anos

Velho, ontem me deram quinze anos. Quin-ze!

Estávamos mamãe e eu em uma loja, embebidas naquele típico e maçante programa mulherzinha, quando eis que escutei minha genitora confabular com uma vendedora sobre minha magreza - cêis sabem, eu sou um palito, mas um palito muy apetitoso, diga-se de passagem.

- Mas ela é tão miudinha, né? Corpinho...
- Sempre foi assim, mas bah, quantos anos tu dá pra minha guria? (gauchismo lindo de ver, uai)
- Olha, uns 15... é, por aí... tem 15, né?

(risos)

- Ca-paz! Ela tem 23. É formada já e tudo! (mamãe cabando comigo, como quem diz: "nem dá pra acreditar com essa cara de pateta, né?" - só faltou dizer que a véia assiste Tom e Jerry ainda, e toma nescauzinho antes de dormir.)


A moça caiu para trás. E ganhou minha gratidão eterna, evidentemente. Mulher, depois dos 20, sempre vai jogar fogos quando for sentenciada com menos idade. Pode ser babaquice - e, de fato, é - mas a gente fica feliz da vida, encara como o suprassumo dos elogios. Freud deve explicar. Enquanto as duas riam sobre o acontecido, eu fiquei divagando entre uma trocada e outra de roupa. Percebam que nunca passaremos uma ideia unilateral do que somos. A gente é um zilhão de coisas perante os olhos alheios. Quando ponho o pé na rua, não sou mais a jornalista adulta (ao menos no papel, rs) Bruna Castro; eu sou o que a geral quiser, e ela, possivelmente, será bem superficial na análise - que o diga o episódio acima, em que fui uma estudante terceiranista outra vez. Claro, ali houve um veredicto baseado na minha compleição física - que nunca me deixou ser um mulherão, e não há nada de absurdo no causo, em absoluto. Só me chamou a atenção mesmo essa situação. Vai saber quantas vezes não nos arrumamos com o intuito de seduzir todo o time de garotos da rua, destilando a feminilidade que o Tom Jobim cantou pra Helô Pinheiro, e talvez tenhamos passado a ideia errada. Vai saber. Vai saber se numa dessas tentativas, não passamos por adolescentes usando as roupas balzaquianas da titia vaidosa. É uma possibilidade.
O julgamento é inerente aos olhos que nos cercam, não acho um problema. Mas que às vezes pode ser cruel, pode. Eu passo por imbecil lunática, se ouso, sem querer, atravessar a rua com o sinal fechado. Eu passo por cretina mal educada, se não dou atenção a um transeunte que vende rifas, mesmo que ele não saiba que eu tenho pressa para não perder o horário do ônibus. Eu passo por escandalosa que só a fim de aparecer, se rio freneticamente numa conversa ao telefone com uma amiga que não vejo há anos. Eu passo por vagabundinha de quinta, se tento chamar atenção de um cara numa festa, me utilizando de uma brincadeira pouco usual - ele que certamente não sabe que não faço isso com frequência e só fui adiante, porque vi um brilho no olho dele que me fez parar e passar por cima da minha timidez.

- Essa mina deve fazer isso com todos!

Claro que deve. E pode ser que não faça também. Eu passo por qualquer coisa. Você, leitora, passa igualmente. Eu posso ser qualquer coisa diante de quem cruza comigo nessas esquinas nada discretas da vida. É uma delícia e uma desgraça. O fato é que a gente nunca é a mesma coisa, embora seja sempre a mesma. Percebam o caos. Só sei que, depois que me deram quinze anos, tudo lindo. Feliz début para mim.