domingo, 30 de setembro de 2012

Salada de alface e paixão

        E aí que, de repente, não mais que repente, acontece o improvável. Você é premiada pela vida com um cara do jeito que sempre sonhou. Do jeito que queria. Não entro em detalhes físicos e da personalidade, mas, enfim, o fulano é do jeitinho imaginado. Como você sonhou, que vida maravilhosa, não? Só tem um pequeno porém, coisa pouca, um detalhe de nada: você não está apaixonada. Você. Não. Está. Apaixonada. E desconfia que nunca estará, aliás. Detalhe pequeno, diferença brutal.
        Dias passam, e o cara demonstra estar totalmente ''na sua''. Gente boa, partidão. Trabalhador, honesto, um fofo. Ele é um amor, mas para você falta um pouco de loucura - coisa que sobrava com o outro - um que não se importava tanto assim com seus sentimentos, nem abria a porta do carro, todavia fazia você levitar de paixão com um único olhar. Você saiu algumas vezes com o projeto de Brandon Walsh, muito certinho, muito boa companhia, muito atencioso, muito tudo e mais um pouco, mas você segue sem estar apaixonada. Você. Não. Está. Apaixonada. Droga! Até queria estar, mas a cada tentativa de vê-lo com olhos mais famintos e um coração mais palpitante, você se sente mais falsa - definitivamente você não o enxerga como um suculento McChicken, que tem vontade de agarrar com voracidade e comer com a mais honesta lascívia. É inútil forçar uma paixão, minha cara. Você. Não. Está. Apaixonada. Ele pode até fazer bem aos seus dias, ao seu ego, mas é, na melhor das hipóteses, uma saladinha de alface bem insossa.
        Mas o lord - queridinho da sua família - vulgo Salada de Alface da Silva continua arregimentando apoio, ele segue tentando ser seu namorado, sua insensível! Sua melhor amiga faz a defesa dele, diz que é mil vezes melhor o cara gostar mais da mulher que a mulher gostar mais do cara, pois assim você não sofrerá nada do que a maioria das mulheres sofrem, pois assim você não correrá tanto atrás dele, assim não terá tanto ciúme, pois assim você não será a trouxa da história. Nossa, que adrenalina incrível esse relacionamento, quase dois irmãos. vai acabar sendo mãe do cara, vai vendo. Claro que ser objeto de desejo é lisonjeador, claro que gostamos de ter alguém no nosso pé, claro que gostamos de saber que nosso jeitinho estranho encantou um alguém, mas assumir um compromisso por pura gratidão é mediocridade galopante. A paixão é atordoante, mas, convenhamos, sem ela não há nada que resista muito tempo. Tem que haver na relação um espírito de Lúcifer para corroer a alma - em outras palavras, um toque demoníaco que só uma paixão pode dar. Você tem que sentir um encantamento gratuito; e, não, um encomendado.
        Eu sei que as paixões acabam. Eu sei que nos estraçalham e que não só corroem a alma, como nos fazem emagrecer, ficar com olheiras, chorar baldes. Eu sei, já me apaixonei nessa vida. Mas ainda assim, abrir mão delas é mais covardia que o que elas fazem conosco quando dizem goodbye. Tem que ter paixão por mais que machuque, por mais que termine, por mais que seja fugaz - se não você não está sentindo, minha cara, e, portanto, desconfio que esteja viva. A salada de alface é boa, saudável, mas não apetece. Mil vezes um casinho de vinte dias incendiário a uma vida amorosa eternamente no frio siberiano.









     

sábado, 29 de setembro de 2012

Equilibristas sem talento

       Estava eu a pensar, há alguns dias, como é difícil equilibrar os setores da nossa vida. Vocês não acham? Desconfio que nunca consigamos estar ''100%'' em tudo que queremos. Às vezes, você  indo super bem no trabalho, galgando postos de trabalho de gabarito e etc, mas sua vida amorosa anda num limbo sem fim. Sai, vai a bares, dá uns pega em gente vazia e medíocre, e volta solitário para casa. Em outras, distribui mel por onde quer que vá, volta da rua com o celular abarrotado de números interessantes, porém a relação com seus pais beira o Apocalypse Now e sua carteira encontra-se num cruel ostracismo capitalista.      
       Acontece. Bem que tentamos, mas não conseguimos nos deixar em paz, vivemos loucos tentando equiparar os lados, numa frenética competição com nós, nós mesmos e Irene. Definitivamente, não somos justos com... er, essas pessoas, conhecidas pelas redondezas como nós mesmos. Somos mesquinhos, vivemos contabilizando acertos, nos massacrando por erros do passado, atiçando nosso bom senso. Que prêmio é esse que tanto perseguimos? Creio estarmos conquistando úlceras, e não, bonificações. A culpa é de quem? Da sociedade de consumo? Da mídia? Dos comentários maldosos das nossas titias solteironas? Não sabemos, que dilema.
       , , não é um assunto que mereça tanto drama, trata-se tão somente de uma constatação: isso é vida, Bruna, acostume-se com as metades, os lados que não se juntam, a eterna briga entre os setores. Seus hobbies brigando com suas responsabilidades, seu cabelo opaco e sem vida implorando por um corte discutindo com a visita a sua vovó - e que você esqueceu, lógico, por estar presa na fila do banco. Nós ajeitamos daqui, remendamos do outro lado, e - adivinhem? - não damos conta de tudo. Sentimos culpa por não darmos conta de tudo. Nos achamos a mais negligente das criaturas, a criatura mais desinteressante e sem planejamento do universo. Não entendo essa vilania contra mim mesma, mas sinto na pele todo os dias. Vocês também são vilões?
        Família, amigos, projetos pessoais, vida afetiva, vida sexual, hobbies, vida profissional, futuro, vida social, festas, presente, planos, sem falar na internet - amiga falsa que toleramos por necessidade. Que bagunça, não? E ainda temos que nos manter atualizados sobre as tendências - quem vai querer usar skinny quando toda a torcida do Flamengo veste pantalona? Ter opinião na ponta da língua sobre a Primavera Árabe e a alta do preço da gasosa, ter um projeto estruturado de existência, casar, ter filhos, fazer o financiamento de um apê e viajar para Trancoso nas férias. Não se pode descuidar de nada, é questão de ser bem alinhado, ora bolas! Pessoas normais encontram um equilíbrio, já ouviu falar, Agridoce? Pior que não, alguém me salve.








sábado, 15 de setembro de 2012

Sobre Prestes, resignação e o gigante

Olá, meus caros agridocinhos!



         Sobre o que falaremos hoje?? Hum, fiquei na dúvida, hesitei um bocado, mas, por fim, decidi. Eu havia prometido a mim mesma que não falaria de política por essas bandas. Primeiro, porque sempre sou mal interpretada. Sempre. E segundo, porque - na minha humilde opinião - é como dar murros em pontas de facas. Me entenderam, não? Pois é, mas mesmo demonstrando estar alheia a toda essa ''festa da democracia'', não consigo ficar abraçada ao silêncio, fingindo que acho tudo e lindo e etc. Eu sinto ódios extremos. Sinto um nojo que me sufoca. Muitas e muitas vezes, já fui julgada ''alienada" por não participar de forma efetiva de debates e manifestações relacionadas ao já mencionado banquete da democracia, o grande trunfo do povo de poder escolher seus governantes e eleger as melhores propostas. O que eu vou dizer? Eu sinto uma resignação desgraçada, é mais forte que um possível espírito combativo que eu possa carregar. Existiu um cara, cuja vida me inspira e me faz refletir. Segundo o que li, ele dedicou sua vida inteira a uma luta supostamente fadada ao fracasso. Começou, tímido, liderando uma das mais controvertidas marchas, a chamada "Coluna Prestes", teve a esposa feita refém de uma polícia com tendências nazistas, viveu na clandestinidade por boa parte de sua existência, foi cassado, foi considerado inimigo da pátria, foi perseguido por burocratas do partido que amava, enfim, entregou seu brio a uma luta emblemática. Eu, claro, não sou fanática pelo Luís Carlos - o tal líder da coluna - mas não posso deixar de me sentir intrigada pela sua história de vida. O que ele ganhou em troca? Ser lembrado pelos livros de história como um autêntico personagem brasileiro ''brigador'' me parece justo, óbvio, mas e além disso? O país melhorou em alguma coisa, ao menos? Penso que ele trocaria - dada a sua ânsia por mudanças - todos os filmes e representações em que ganhou vida, por uma sociedade, de fato, mais igualitária, menos miserável, mais fraterna e humana. Não só ele me faz pensar, mas também tantos outros que entregaram sangue e suor por amor a seus ideais, e, no entanto, só conheceram a dura face da realidade que extermina, que cala, que sepulta. O Brasil vale tanto a pena assim?
          Essa ladainha acima é para demonstrar a insatisfação com que sou tomada, a cada 4 anos. Quando os discursinhos sebosos e milimetricamente decorados invadem nossos televisores e nossas ruas nos conhecidos e repugnantes "santinhos". Não posso nem pensar no tanto de dinheiro que é gasto para veicular toda essa propaganda dispensável. Não há uma preocupação sequer em convencer pelas palavras. Nossos futuros representantes devem achar que, de fato, somos imbecis, pois o texto é sempre o mesmo: "por mais saúde, empregos, educação, vote em fulano... aquele que está com o povo...!!" Eu, particularmente, me sinto profundamente ofendida com essas abobrinhas despejadas em horário nobre. Desde que o mundo é mundo, precisa-se de saúde de qualidade, escolas decentes, transportes, segurança, empregos, investimentos para atrair empresas e o diabo a quatro. Todavia, entra legenda, sai legenda, e o caos continua o mesmo. Cada vez mais, os salários dos legisladores sobe de maneira grotesca. Cada vez mais, eles insistem em aumentar seu "quadro funcional", pois há "trabalho demais". Entretanto, quem depende de um salário mínimo risível para sobreviver, tem que se contentar com pouco. Eu não consigo assimilar tanta palhaçada, honestamente.              
          Eu tenho lá minhas crenças políticas, claro. Ainda procuro manter o pensamento de que há pessoas idôneas que se filiam a partidos por caráter e idealismo, e não para encher o bolso de dinheiro. Não sou fanática, não entro em brigas por candidato nenhum, não gosto de radicalismos e não me sinto estimulada a votar - dada a porcaria na qual essa tal "democracia'' se transformou. Também não falo aqui, é bom deixar claro, de esquerda, direita e etc - essas tendências que cada vez mais se confundem em seus propósitos. Esse texto foi mais um desabafo, sabem? Eu, que sou jovem, deveria estufar o peito e gritar que eu posso fazer a diferença. Mas não me sinto assim, definitivamente. Me sinto sozinha e frágil prestes a ser engolida pelo "sistema". Me sinto uma idiota por estar escrevendo esse texto. Me sinto ficando pequena, enquanto o gigante se prepara para calar minha boca. Me sinto mais brasileira que nunca? Pode ser.


Abraços verde-amarelos!  
    

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Top10 Agridoce

ÊÊÊÊÊÊ!!!! Hoje, tem Top10 na lojinha agridoce. Atendendo a inúmeros pedidos (um, e foi de um amigo, rs), eu volto para lhes contar o que anda excursionando em meus fones, enquanto ando em ônibus diversos, vou à feira, saio para flanar por aí, lavo louças e etc. Não deixem de mandar suas cartinhas, vai que uma delas seja lida no ar, hein? Beijinhos agridoces com muita música, telespecssssss!


1- Vo(C) - Vídeo Hits (Taí um autêntico one-hit wonder. Essa música é tipo um "Come on Eileen", do Dexys Midnight Runners - que também acho ótima, por sinal. Não sei de outra música dessa banda que tenha emplacado (se alguém souber, ignore minha ignorância), mas essa é uma delícia de escutar, sabe. Com esses versinhos ''vou lhe esperar comportadinho no quintal...", sabe? Ai, sabe? Que coisa, sabe? Por que eu fico fantasiando esse desgraçado fofinho e etc quando escuto isso, sabe? Odeio ter essa manteiga na cavidade torácica.)

2- Mystify - INXS (Eu acho INXS uma banda fabulosa. Sei lá, não entendo caralhos de música, (ia começar a ter aulas de violão, mas amarelei, rs), mas sei reconhecer quando a coisa me pega de jeito. E a banda do finado Hutchence me pega de jeito lindamente. Nem sei se essa tal Mystify é dele, para ser honesta, todavia, todavia, todavia, todavia, hein? Não tenho argumentos plausíveis, a música é boa e pronto - sou ótima na arte da persuasão, hein, mals aê.)

3- Not enough time - INXS (E se você escuta uma, quer escutar as outras, isso é muito sério. Se você só conhece "Beautiful girl" - aquela que o Paulo Ricardo regravou e para a qual emprestou seu jeitinho tupiniquim (?) - na hora de colocar mais coisa na cesta de compras, hein? Diferentemente do Coldplay, por exemplo, que me irrita com certos minimalismos (?), Michael Hutchence e sua trupe me encantam pelo mesmo motivo. Tipo aquela coisa ''tô cantando, mas tô sem vontade, gata...")

4- Under cover of darkness - The Strokes (Falando em cantar sem vontade, lembro do menino Julian Casablancas. Ai, Julian, não, você não canta sem vontade, canta com muita paixão, super sério. Mas essa sua carinha de "peguei um táxi e vim parar nesse show, nem sei o que tô fazendo aqui... tô em Saturno? arrebata meu coraçãozinho groupie. Essa música é relativamente recente e demorei para ver quão deliciosamente escutável ela é. Experimente dançar como se não houvesse amanhã ao som dessa coisinha do Julian e cia, e depois hablamos. Ai, peraí, olha o lindinho do Fabrizio.....)

5- Camaro Amarelo - Munhoz e Mariano (Pegava fácil o cabeludinho, não sei qual dos dois é. De boca fechada, lógico, mas pegava. Bom, o que dizer? A música tem lá seu trunfo, convenhamos: tem um refrão pegajoso e eficiente. Mas que letrinha bem... er... curiosa, não? (amo eufemismos) E, outra, por que diabos o carro tem que ser a-ma-re-lo? , eu sei que é para rimar com ''caramelo'', mas - b-e-m-n-a-b-o-a - se eu ficasse rica do dia pra noite, eu ia é comprar um carro discreto, clean, para mostrar quão rica, esnobe e blasé tinha ficado, sei lá, né? Esses sertanejos não sabem ser milionários, honestamente. E eu curto um masoquismo auditivo, nota-se. "Agora, eu fiquei agridoce, doce, doce, doce...")

6- More than words - Extreme (Mimimimimimimimimimimmimimimimimimi olha isso, como não amar? Mimimimimimimi por que ainda estamos separados, meu amor? Mimimimi faria tudo para ter você do meu lado? Mimimimimi sou patética? Mimimimimi olha esse ritmo abalando meu coração de tijolo, em que mundo estamos? Sério, baita música para encharcar travesseiros, sofrer por amor, esse combo conhecido aí. Depois de desidratar ao som do violãozinho, sugiro colocar mais um pouco de vodka no copo e ir lamber sabão. Desteto gente chorona. Tipo eu, assim.)

7- Cartomante - Ivan Lins (Até ir a um congresso de comunicação, há alguns meses, eu não conhecia essa música absurda. Absurdamente linda e comovente e sei lá mais o quê. E, olha, analisando o contexto em que foi composta e etc, devo lhes dizer que... sei lá, eu devo ter sido da guerrilha do Araguaia, talvez uma subversiva daquelas bem fodidas no meu amado Brasil da década de 60, porque, honestamente, essa letra abalou minhas estruturas. Sem mais delongas, acho formidável. Pra escutar com o coração. "Pense nos seus filhos..." é, tipo, uma passagem corrosiva? Nem sei explicar.)

8- Daysleeper - R.E.M. (O título dessa música é um resumo fiel da minha vida - creio que da de vocês também - porque, se tem algo que eu curto fazer nessa minha existência prosaica, é dormir. Eu vivo dormindo, devo ter nascido dormindo, em um senhor exercício de volta ao passado, posso imaginar titio obstetra falando para mamãe, no parto, que sua cria primogênita roncando, em vez de chorar, sei lá. E mamãe, lá, anestesiada e sem entender nada. Ah, sim, também pode ser um retrato da vida dos jornalistas de plantão e de outros trabalhadores madrugadores, não? Que seja, adoro essa do R.E.M. Na real, adoro mais coisas deles, mas em outro programa, comento, rs.)

9- A noite perfeita - Leoni (Olha esse fofucho do Leoni voltando a me atazanar??? Desde "Garotos II: o outro lado", eu não tinha um caso tão passional com ele. Aliás, suspeito que essa música tenha sido feita em parceria com o carinha do Kid Abelha, o George Israel - maldita Wikipédia que não sabe nunca das coisas, penso estar na hora de eu dar uma escrivinhada por lá, para zuar de vez, rs. Seja de quem for, ótima, ficou ótima na voz dos dois, amei o clipe, me identifiquei com a letra e também acho que "se nada acontecer, a culpa é dela com certeza". Eu, no caso.)

10- I'll fly with you - Gigi D'agostino - (Encerro o top10 de hoje com essa música super atual, dançante, lançamento inédito de David Guetta Feat. alguma-pseudo-cantora-promíscua., tô brincandinho, né, a música vem direto dos anos 2000 - aquela época em que eu via minhas primas indo para a balada e morria de vontade de adentrar aquele mundo maravilhoso de luzes coloridas e cerveja no cabelo. Se eu falei até do Munhoz e do outro lá, o que é encerrar com essa breguice dessa/desse tal Gigi (não tenho ideia de quem seja)? Até que é interessante, sacumé, para bailar, não é necessário tanto discernimento assim. Escuta aí, seu chato.)









domingo, 2 de setembro de 2012

Pode ser Pepsi?

Aí, no auge da tepeême, Bonnie Blue Butler - uma adorável e decidida garota - foi ao bar mais próximo e pediu algo para beber - "algo" leia-se aquele líquido que se aloja de maneira aterradora em nossas bundas, mas segue delicioso e inigualável: Coca-cola, a maléfica, a imperialista, a cancerígena, a toda boa.

- Não tem Coca, mocinha! - disse o simpático - porém azarado - atendente.
- Pode ser Pespi? - prosseguiu, sem medo do perigo.

RESPIRADA DRAMÁTICA DE BONNIE

- Não. Definitivamente, não pode ser Pepsi. Aliás, nunca vai poder ser Pepsi, meu caro. Talvez no dia em que chova canivetes ou elefantes sobrevoem nossas cabeças, aí quem sabe, possa ser Pepsi. , esquece, nem assim. Me dá logo um copo de querosene, acho menos sofrível.

Em seguida, saiu, meio arrependida do showzinho, mas convicta de que nunca poderia ser.









sábado, 1 de setembro de 2012

O homem ideal

         Eaí? E aí, que eu tava aqui, num tédio soberano, escutando "Love me, please, love me" - aquela breguice francesa sem igual, mas que tem seu encanto - quando sobreveio uma onda forte de devaneios, cujo carro-chefe era a tal incógnita do homem ideal. Ah homem ideal? Mulher ideal? De novo essa ladainha de pessoas ideais e mimimimi? Já disse, não existem pessoas ideais para ninguém, somos todos eternos imperfeitos buscando alguéns que se solidarizem a nossas fraquezas mundanas. Como diria Selton Mello, no filme brazuca "A mulher invisível": mulher ideal - ou, vá lá, homem, minha pauta de hoje - só existe na ideia. Só na idealização. Ah, Selton fofucho, mas quem disse que eu não tenho ideias? Meu homem ideal existe e tá por aí, quase posso sentir seu perfume, ao dobrar a esquina. Loguinho, esbarra em mim, póóódexar.
          Meu homem ideal... hum... meu homem ideal seria um santo, para começo de conversa, porque aguentar meu gênio agridoce num é mole, nego. Tá, não é para tanto, tô longe de ser intragável, quis dizer mesmo é que, dada a minha ânsia por respostas, o cara teria que ser ninja no quesito "desarmar minha hiperatividade". Meu homem ideal teria um cabelo igual ao do falecido nº1 nos áureos tempos, para eu esquecer da vida fazendo cafuné, acho digníssimo. Não teria um corpo super malhado e plástico, todavia, me faria sentir irremediavelmente atraída, e não quero saber de muxoxo: vocês sabem que a atração física é fundamental na questão, não há por que alimentar hipocrisias. Prossigamos. O tal ideal teria um estilo interessante, um casual-vesti-a-droga-da-primeira-camiseta-que-vi-no-armário-e-fiquei-lindo. Teria um sorriso que me faria esquecer o caminho de casa, tal qual o do falecido nº2, e olhos questionadores - talvez verdes, talvez azuis, talvez castanhos, não tenho predileção por cores, mas, definitivamente, eu teria que gostar de olhá-los.
          Meu homem ideal não seria um babaca por joguinhos de computador e todo esse escambau aí. Até poderia jogar, acho aceitável, mas não seria um fanático sunita. Teria que torcer por um time de futebol, lógico, e xingar o juiz - acho uma gracinha. Teria que ser dono de um baita coração, gigantão mesmo, e se indignar com as mazelas do mundo. Também amar animais e ser solidário: essa história de fazer a sua parte, mesmo que ninguém dê a mínima. Poderia alimentar vira-latas ou mendigos, não importa, mas teria que me fazer suspirar e pensar “ai, olha isso, cara, seu lindo”. Hum, vejamos, teria que ter opiniões fortes e - de preferência - discordar de mim em alguns assuntos. Também acreditar em alguns princípios e defender alguma causa - ainda que fadada ao fracasso. Teria que ter ambições, lógico, mas nunca deixar que elas suplantassem sua dignidade. Em outras palavras, não teria um espírito medíocre: eu gostaria muitíssimo de admirá-lo. Sem admirar, nada feito.
           Meu homem ideal seria cheiroso e me faria querer ficar grudada nele, 24h por dia. Teria que ter um pouquinho de ciúme, para eu achar fofinho e me sentir amada. Teria que gostar de conversar e debater alguns temas, mesmo que falássemos para as paredes. Teria que gostar de música boa e ter alguns artistas preferidos. Teria que - se possível - tocar algum instrumento, pois é inútil tentar esconder minha veia groupie. Teria que ter deixado Harry Potter, Nárnias diversas, Senhor dos Anéis, piratinhas, ETs, zumbis e assemelhados na sua querida in-fân-cia, por obséquio. Teria que ler alguns autores interessantes, óbvio, evidente, claro. Teria que ser inteligente, óbvio, evidente, claro, mas nunca pernóstico. Teria que apoiar minha carreira - fosse lá que carreira - e dizer que eu escrevo magistralmente - mesmo que fosse mentira. Meu homem ideal seria gostoso pacaraleo - na alma, nas atitudes e por que não, no corpo? - e teria um jeito gostoso de levar a vida, digo o meu gostoso. Meu garoto ideal teria um jeito sexy de dirigir e de me fazer um elogio. Meu homem ideal também teria um botão para desaparecer instantaneamente... sabe, né? Talvez desse uma vontade de louca de sair piranhar com as migas na buatchy.



Waguinho, sempre te quis...