segunda-feira, 25 de julho de 2016

Gradicida, escrivinhadores

O povo acha que a gente começou a escrever ontem, né? Só a título de carteiraço literário desnecessário e escrotão: eu sou graduada no Liceu Clarice Lispector de Epifanias, tá? Também me especializei com louvor no Instituto Machado de Assis de Sarcasmo Aplicado e na Academia Inglesa de Sentimentos Obscuros Byronianos. Catarse aqui não é pouca coisa, percebam.
É inegável que eu tenho influências. Muitas, incontáveis. Qualquer coisa me inspira. Adoro autores que conseguem extrair boniteza das misérias humanas... convenhamos, que misérias ambulantes nós, entregues às mais provincianas das sensações, aos mais privadíssimos traumas. Morro de peninha e de amores - aquela relação doentia de sempre.
Gosto de ler me doendo, me remoendo, me gastando, me perdendo, me achando, mea culpa. É destrutivo, mas sempre me faz renascer. Eu sempre renasço, guarde aí. Ou quase isso. Então hoje, dia nacional do escritor, é dia também de me dar um afaguinho que seja, um abraço mais demorado. De mim para mim, porque - apesar dos ridículos que são muitos e também incontáveis - eu escrevo. Escrevo muito. Escrevo até quando não escrevo: não raro estou escrevendo em sonho e sempre levanto rindo horrores - autossuficiente em piadas que nasci. Se tem algo que eu nunca vou mendigar nessa vida, é piada. Saravá!
É dia também de agradecer à Clarice, à Cecília Meireles, à Lygia Fagundes Telles, à Rachel de Queiroz, ao Saramago, ao Drummondzão véio de guerra, ao Victor Hugo, ao Quintana, às frias carnes do cadáver de Brás Cubas, digo, Machado de Assis, ao Caio Fernando, ao Vini, poetinha, diplomata e compositor de sambinhas, ao Gabo, ao Castrinho Alves, awnnn, quantos recreios em tua companhia, hein, maravilhoso? Ao Leminski, ao Rubem Fonseca, que até hoje me dá calafrios, ao Shakespeare, ao Fausto, ou melhor, ao Goethe - nunca sei quem é quem -, ao George Orwell e seu grande irmão, àquela debochada fabulosa da Natalia Klein, grata surpresa cronística dos anos recentes, ao Bernard Shaw, ao Nelson Rodrigues, pervertido e genial, ao Galeano, ao Antonio Prata, ao meu marido Daniel Galera (kkkk ai, Bru, se mata), ao Luis Fernando Veríssimo, ao Guimarães Rosa - uma rosa para você, Guima, cê é demais -, à Claudinha Tajes, que me faz doer a barriga de tanto rir (e o coração de tanto chorar baixinho), ao Hemingway e esses sinos rebeldes que dobram, ao Benedetti, ao Neruda, ao Kundera, àquele russo, aquele das noites brancas, sabe? Você sabe... só amor. Às lindas da infância e que ainda acalentam meu todo criança: Tatiana Belinky, Lygia Bojunga Nunes, Sylvia Orthof, Ana Maria Machado e Ruth Rocha. Quanta coisa guardada nesse meu cérebro imaginativo... aos tantos e tantas que ainda vou ler e aos tantos e tantas que nunca lerei mas que guardo com amor no coração e no pensamento por terem, ao menos, me atiçado as ideias. Obrigada. Sigam escrevendo por mim. Por nós. Fosse o lendário Chico Bento que estivesse atrás desse teclado, ele diria: ''gradicido, escrivinhadores''.





   

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Beijos à vontade, almas em pedaços

Quem ele queria no comecinho? Mas bem no comecinho? Hum, não era eu... era a minha amiga. Hum, era a cunhada da prima da melhor amiga de sei lá eu quem, acontece. A gente nunca sabe que tipo de carência está preenchendo, que tipo de vivência está querendo abraçar, que pessoa está idealizando. Quem é você? O que quer de mim afinal?
Já devo ter escrito isso nestes anos de labuta incansável - previsível que sou - porque segue me atormentando: essa conexão de amores e quase-amores é uma selva de esparadrapos ambulantes. Sim, prazer, os esparadrapos ambulantes somos nós, sendo usados para curar sabe-se lá quais dores. De repente até rola, que sei eu das ideias que vocês cultivam sobre amor e resiliência emocional, não é mesmo? Mas por outro lado... hum, que ideia bem problemática. Nada como um amor novo para esquecer um velho - eles dizem. Jura mesmo? Pessoas tapando buracos que elas sequer fizeram? Ok, então. Beijos à vontade, olhos fechados para não ver o caos, almas em pedaços, toques mentirosos. 
Não, não é bem sobre castidade que falo - e se vocês entenderam isso, voltemos às aulas de interpretação com urgência -, mas, sim, sobre se responsabilizar pelas próprias vontades. Ser responsável pelo tipo de sentimento que pode estar despertando por puro capricho, por pura vaidade. É tão errado assim ficar sozinho? Apreciar a própria companhia não é bem sobre solidão. 
Eu sei, não somos mais crianças e já temos uma coleção de adagas lacerando o peito... ah, a passagem dos anos... a cada aniversário, mais velhos e mais cínicos. Cinismo a essa altura do campeonato é até poético. Será isso o máximo que merecemos? Amores pela metade? Pessoas que até estão com nós, mas na verdade estão vivendo no ano passado? Talvez seja uma egotrip desgraçada, não sei, estou na cordinha-linha-tênue-bamba entre amor-próprio e fé cega no melhor do meu coração, mas me recuso a acreditar que só sirvo - servimos - para aplacar meros sofrimentos. Eu quero nem que seja um sofrimento novo, nada de restos. Sai do meu colo, filhão. Feridas só fecham se paramos de cutucá-las, se deixamos-as sozinhas para doerem o que têm de doer. Melhor ainda, inclusive, se não envolvermos terceiros na jornada pedregosa de regeneração - porque, sim, eu acredito ser possível. Se não acreditarmos... pobres de nós. 



Auxiliou no post: 

Disfarça e chora - Cartola







sexta-feira, 1 de julho de 2016

Só Pra Contrariar feat. MC Tinder

Estou conversando com umas cinco pessoas
Mas meu superlike vai ser pra sempre teu
O que as circunstâncias tecnológicas fazem
A alma perdoa
Tanta enganação
Quase me enlouqueceu

Vou mandar um emoji de amor
Vou mandar um coração
E dizer o que eu sinto
Com certo nojinho
Pensando em você
Vou bloquear, o que for
E com toda emoção
A verdade é que eu minto
Que esse celular tá cheio de contatinho
Não sei te esquecer

E depois não rolou
Ilusão que eu criei
Bateria foi embora
E a gente só pede
Pra algo menos tedioso aparecer
Já não sei quem me elogiou
Que será que eu falei
Dá pra ver nessa hora
Que o amor-próprio só se mede
Depois de o porre ceder

Fica dentro do meu histórico
Sempre uma vontade
Só pensando nas tuas fotinhos
Eu me encanto de verdade
E quando eu instalo o Tinder de novo
É teu nome que eu chamo
Posso até dar match com alguém
Mas é você que eu amo  quero muito dar uns pegas 




                                               Quem foi trouxa de novo?????