sábado, 22 de julho de 2017

You're gonna hear me roar

Neste dia até o sol estava brilhando mais, não? Sim, ele entrou em Leão. De 22 de julho a 22 de agosto, uma espécie de magia começa a pairar nas esquinas, no céu, nos olhos por aí... quem não nasceu leonino que aguente, né, mores?  
Salve nossa autoestima sempre! Amém, felinos! Tô com medo do inferno astral? Claro, como não? Mas vamos emanar amor e calor aos corações gelados, que tudo se ajeita. 
(Hoje eu só vou escrever merda - não que eu não escreva sempre, mas hoje estou optando deliberadamente pela merda, divirtam-se.)  

Por muito tempo reneguei meu leonismo, achava-o fútil, bobinho... lia as descrições nas revistas e fazia um muxoxo: mas nunca que isso sou eu, wtf? Só que quer saber? Eu gosto de elogio mesmo, sou uma gatinha manhosa pronta para derreter de amores e gratidão. Gosto de me arrumar mesmo! Aprecio coisas bonitas, porém detesto esnobismo - é possível gostar de um sem se corromper pelo outro, sabiam? Tenho um coração puro e bobo, que acredita, a duras penas, no bem e na bondade. Gosto de fazer a diferença na vida de quem me rodeia, sacam? Ganho meu dia se consigo ajudar alguém, qualquer alguém - até ajudar uma senhora idosa a atravessar uma rua movimentada. Mas ganho meu dia idem quando encontro uma promoção de calças jeans pois ninguém é de ferro - e eu que não quero ser, tem muito sangue correndo aqui, seria um desperdício. Amo minha juba, meus cabelos são minha inspiração - sou um Sansão de saias. Sou extrovertida mesmo, sou efusiva mesmo, converso não só encostando em ti, como tocando na tua alma - profundidade me agrada. Penso que, quando me conhecem, ou me odeiam ou me amam de cara. Não deixo margem para dúvidas. E sou egoísta, não divido doces, me escondo para comê-los. 
Sou empolgada com o que me tira do prumo - gatinhos, cerveja com minhas amigas lindas, músicas boas, homens gostosos que não valem nada, barbas ralinhas, coisas criativas e instigantes, textos bem escritos e vocativos corretos, conhecimento, biografias, gente interessante, dias bonitos, etc - e não sei não me empolgar com qualquer porcaria diferente com que meus olhos cruzem. Sou assim, um ser humano empolgado, falador de abobrinhas em demasia. E luto constantemente para meu lado escuro e pouco iluminado não dominar meus pensamentos. Sou barulhenta e esbarro em qualquer coisa inanimada, é o meu charminho. Sou perdida, perdidaça, vivo na minha própria galáxia. Odeio, odeio - puta merda, como eu odeio - gente grosseira e que não sabe ser gentil. PORRA, CUSTA SER GENTIL COM OS OUTROS, ARROMBADO? 
Ser leonino é uma delícia e uma dor, porque, no fundinho, é muito fácil passar a perna em nós. Sofremos de uma espécie de trouxismo congênito, a gente simplesmente quer acreditar que merece o melhor, que vão ser bonzinhos com nós, que vão valorizar nossos talentos e gentilezas. Compramos com louvor a ideia de que somos necessários no... glup, mundo. Pobrezinhos... tão ingênuos. Tão teatrais, tão dramáticos, tão leais, tão inundados de mortal vaidade, tão mesquinhos, tão humanos, tão românticos, tão viscerais e insuportáveis, tão generosos, tão descrentes e niilistas, tão fascinantes para quem sabe apreciar. Tão apagados quando não têm pelo que lutar. Salve nós, salve nossa época, salve o rei da selva - ao menos da nossa selva, sei que somos. ROAAAAAAAAOOOOR


                                    Tudo isso que o sol toca é o seu ego, Simba!







quarta-feira, 19 de julho de 2017

How can you mend a broken heart, Hugh Grant?

Está sofrendo por amor? Eu sugiro Al Green. Mais precisamente, How can you mend a broken heart
Aquilo ali não é uma música, é uma espécie de transe. Sinto uma corrente elétrica percorrendo todo o meu corpo sempre que escuto. E eu escuto muito. Então eu fico ali, sendo mastigada por aqueles acordes, numa comunhão linda e de profundidades de que ninguém suspeita. Não consigo nem respirar direito. Dá gosto de sofrer ouvindo isso - pode ou não pode estar sendo meu som oficial de chorar no banho. Se é para corroer nossos pobres corações, vamos fazer direito. Com um mínimo de elegância. O Hugh Grant, por exemplo, já fez isso em Um Lugar Chamado Notting Hill - logo, estamos absolvidos. Só colocar as mãos no bolso, sair chutando latinha e pronto: eis uma imitação pateta de Hugh Grant.   
Para ser franca, tal música nem é dele - digo, do Green, não do Hugh Grant, dã. Segundo minhas pesquisas inúteis, o hit foi composto pelos manos Gibb, esses queridos que adoram criar músicas para outros também fazerem sucesso e são conhecidos nas grandes rodas por Bee Gees. (I started a joke - que estará na minha lápide, claro - eu nem lembro que é deles. Não dá. Aquela música tem a alma do Faith No More, mals aí. Outra hora, venho falar da relação cabulosa que mantenho com a regravação na voz do Mike Patton, porque é simplesmente a música da minha vida.) Ai ai... cataaaarse!
Pois bem, muito embora pareça, não vim falar de músicas dos irmãos barítonos e filmes de gosto duvidoso, mas sim de... er, sofrer por amor. Sofrer por amor... sofrer... coisa engraçada. Há alguns dias, eu comentava com uma amiga sobre isso - e com outras certas pessoas com quem eu sequer deveria estar comentando essas coisas. Parece a sina de todos nós, pobres mortais. Causa mortis: amor. Ou falta de, vai saber. Sofrer, sofrer e sofrer mais um pouco. Os Sofrimentos do Jovem Werther talvez seja o livro de cabeceira de todo coração espezinhado. Era o meu, que horror. Por um lado, é ótimo: se não se sofre, não se tem texto. Os livros de amor - ou, sei lá, tortura medieval, acho que tem sentido - só são escritos pois há coisas que precisam ser ditas e sofrimentos que precisam ser externados. Ninguém escreve sobre felicidade - ela se basta, ela simplesmente existe. Por outro lado, isso é uma lástima. Ter matéria-prima somente quando se leva uma pancada na cabeça não é lá muito digno. É... que remédio, possivelmente os textos mais lindos, as músicas mais tocantes, as expressões artísticas mais atordoantes, todos eles tenham sido criados no auge de uma dor lancinante. Chuto que Barry Gibb tinha levado um pé homérico no traseiro e saiu aquela coisa maravilhosa. Nem sei o que pensar. How can you mend a broken heart? Eu também não sei, meu caro. Uns colecionam seios em noites infrutíferas; outros bebem à exaustão completa; umas cortam os pulsos e os sentimentos por completo; outras escrevem crônicas na esperança de serem ouvidas... cada um na sua. Na sua solidão e na sua cruz. No melhor e no pior de dois mundos.



                                Certo que a mina deixou ele por causa desse cabelo



Auxiliou no post: 

I started a joke - Faith No More 






  

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A menina que contava vacilos

Nesta minha tortuosa busca por autoconhecimento (que promoção de sapato o quêêê, eu só quero me conheceeeeeeeer), eu venho descobrindo que eu falo demais. Mas, pera lá, não vou me espezinhar - não mais. Perdoa a lua em áries e não desiste de mim - ou desiste, sei lá, isso já não é problema meu mais. Tirando o ridículo bem intencionado que paira sobre essas tentativas de interpretação astrológica, talvez arianos bem arianíssimos realmente me entendam... dói, né? Dói sentir o coração sempre a 200km/h, como que num racha assassino e previsível, não é mesmo? É DOI-Codi, parceiro. Não trabalhamos com mornidão aqui, eu sei, vamos nos abraçar e lamentar essa delícia horrorosa. 
Eu falo mesmo. Eu falo demais. Pra caralho. Erro mais por conta disso? Certamente. Eu não conto mais carneirinhos - eu conto vacilinhos. Eiii, mas tu é gostoso, hein? Vai se fo o ooo der, tá me deixando louca!!! 

- Amiga, vocês ficaram só duas vezes, tu disse isso mesmo?
- Claro, é gostoso mesmo, vou fazer o quê? Eu reporto fatos e agi segundo o desejo que me habitava kkkk isso é Freud, sabia? Aff

Deixa eu falar, porra. Deixa eu falar. Danem-se as suposições, dane-se o que vai pensar de mim. Só sendo muito ingênuo para achar que vai me conhecer por um mero elogio, por uma mera gentilezinha safada. Eu elogio, sei lá, até um chão quando vejo que ele está brilhoso e encerado. Palavras na minha boca são o que são, vendaval para quem sabe apreciar. Posso até errar, mas rio muito disso também, porque as pessoas felizes fazem isso realmente, elas riem de si mesmas com prazer. Querem se matar de vez em quando, como não?, mas riem muito - até doer a barriga -, deixam os dentes à mostra, não economizam na piada. São transparentes. A Tati Bernardi, que de tão genialmente lúcida chega a ser louquinha, já escreveu sobre isso uma vez e me identifiquei bem na época quando li. Na sua crônica, ela ''lamentava'' não ser uma mulher misteriosa, uma mulher que vai se revelando aos poucos, que faz joguinhos, que não despeja seus sonhos e seus demônios na primeira olhada no olho... em outras palavras, elegante e contida. Oras se a gente nasceu para ser elegante e contida, Tatiane? Minha querida, a gente sente a vida na garganta pronta para ser tragada como um ácido, uma sorte, uma dor, uma loucura abençoada. 
Eu falo demais... mas, olha, de falação em falação, tem vezes em que eu acabo sendo magistral. Vocês sabem, a prática leva à perfeição. Falar não é sinal de fraqueza. Só quem fala entende de verdade, não se perde em possibilidades, em quases, lamentando a palavra derramada - ou melhor, não derramada, quando tudo que queria era transbordar (como vejo por aí nas capas do site ao lado). Falem, falem sem medo. São só pessoas como você.


                                                   Que assoalhão da porra!!!