sexta-feira, 30 de maio de 2014

Procura-se chatice

''Jornalista é chato.''
''Jornalista acaba ficando é com jornalista mesmo, porque só eles se aguentam.''
''Jornalista não é chato. Chato é gentileza, eles são é insuportáveis.''

OLHA, EU VOU TER QUE CONCORDAR, HEIN? **ROLANDINHO NO CHÃO**

Por isso, declaro aberta a temporada de caça aos corações de jornal. Se você pensa que meu coração é de papel, vai tirando a sua pauta do deadline, meu amô! Meu coração é de jornal. E corações sinceros de jornal me interessam, me interessam. Porque mala tem mais é que se juntar com mala, é da vida. Penso da chatice não se poder fugir muito. Este perfil interessa-se SOMENTE por chatos genuínos. Mas tem que ser chato, daquele em extinção mesmo. Seres da espécie Chatus Braziliensis Puxa-Sacus, burocráticos e perfeitos para as corporações, que enfrentam o exército de um czar pela empresa, por exemplo, nós, aqui do site, estamos dispensando com muita vontade. A chatice que procuramos 
é lírica. É latina. É passional e questionadora. É aquela chatice que não tem como não querer perto. Se essa chatice souber grudar umas linhas nas outras com audácia então, aí é que ferrou tudo.   

Adendo: TEM que ser cheiroso e amar gatinhos.


Como diz que hoje é o dia mundial de vender o próprio peixe e o frio tá de matar, o classificadão tá aí. 



                                                  rsrsrsrsrsrsr a gente é muito muso, hein, amor???????



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Absolute beginners - David Bowie






quarta-feira, 28 de maio de 2014

Sobre as cotas, fome e páginas de merda

É impressão minha ou o país está querendo mudar? Sinto os ânimos à flor da pele. No meu perímetro, vejo muitas reações em virtude da extinção do vestibular da Universidade Federal de Santa Maria, que adotou o ENEM como exame único de seleção, além de ter decidido destinar 50% de suas vagas a cotistas - fato este que veio muitíssimo ao encontro do que sempre defendi. Pode chorar, caro leitor que virá com discurso de ''coitadismo''. Sim, está acontecendo. É um momento lindo para se estar vivo. Quem sabe, estejamos dando alguns passos rumo à indenização legítima de uma etnia que foi sempre marginalizada, não é mesmo? Agora, eles é quem vão sorrir. Eu sorrio também, estou feliz.
Não, meu leitor cerebral e desconfiado, ninguém me pagou para escrever isso. Não tenho o telefone do Genoíno, nem do Lula, tampouco da Dilma. Não sou filiada ao PT, nem faço parte de uma horda de blogueiros buscando demonizar inconscientemente a população com um discurso vermelho inflamado, a fim de instalar uma ditadura barbuda em solo brasileiro. Dá um tempo na TV Revolta aí, champz. O que acontece é uma empatia das brabas com a causa por parte da minha pessoa. Não, não quero pagar de boazinha, até porque não tenho vocação para. Eu quero é pagar para ver. Ver se eu consigo ainda, em vida, desfrutar de uma sociedade, de fato, mais humana e democrática. Mas eu ainda não estou satisfeita, sigo com fome.
Fome de legislações que contemplem minorias. Sim, as mesmas minorias que muitos julgam estarem ''destruindo os valores da família'' - como se a família brasileira fosse um exemplo de pureza e abnegação. Como se eu não tivesse sido criada assistindo, de camarote, às putarias heterossexuais abençoadas da emissora do Marinho. Como se nós não tivéssemos sido criados consumindo, diariamente, discursos militarista, xenofóbico, preconceituoso e fundamentalista desde a tenra idade. Desculpe aí, mas penso que a família já nasceu estragada. A família de comercial de margarina não é tão do bem quanto prega.
São tempos eufóricos estes que estamos vivendo. Não sei é a tal da Copa (imagino que vocês também não aguentem mais ouvir falar nela, assim como euzinha), ou se é porque é ano de eleição. Ou talvez porque vocês não saem do Facebook e só passam curtindo páginas de merda e fazendo perfil junto com os amores, como se fossem gêmeos xifópagos. Não sei, mas tem algo no ar. Por via das dúvidas, que siga trazendo bons ventos.



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It keeps you runnin' - The Doobie Brothers




        

terça-feira, 27 de maio de 2014

Já vou lá ver se eu tô na esquina

Quem sabe eu esteja vivendo uma fase diferente aqui no blog. Há uns dois meses, venho observando meus textos e eles não têm me apetecido muito. Não tô dizendo que eu sou uma perfeccionista obcecada, não tenho pretensão de agradar ninguém aqui (aquele clássico para se atenuar diante do público, claro), mas alguma coisa anda me incomodando. E se a inspiração sumir? Se sumir, eu vou ter que parar. E se as palavras emudecerem? Se não conseguir organizá-las, eu vou ter que parar. Ainda que eu goste de passar um tempão aqui escrevendo para as paredes, não vou me sentir apta a continuar. Sem verdade, não vai rolar. Sem essa verdade que só eu vejo, da qual vocês não desconfiam, sabe...
Só que aí, velho, vai ser uma lástima, porque, francamente, eu acredito muito neste blog, neste meu, er... ofício. Eu gosto de contar causos, uai. Eu gosto de trocar descaradamente o bah pelo uai, porque os mineiros são muito mais graciosos que nós. Tá, mas que eu amo Minas, vocês já sabem, falemos de coisa nova. Falemos de como eu ando tentando disfarçar minha introspecção, de como eu ando preferindo observar e calar a sair cuspindo opiniões. É, é isso, às vezes, eu não queria opinar sobre nada, pois fico me sentindo uma metidinha que acha que é dona da verdade, e, argh, eu odeio me sentir assim. Todavia, sem texto opinativo, o presente espaço não cumpre efetivamente seu papel: ninguém vai querer ler postagem estritamente descritiva dos meus dias, porque o fato é que eles são bem comuns. E, outra, a intimidade que eu eternizei naquelas agendinhas não vai ganhar sobrevida aqui. Exceto, claro, se derem um jeito de o Michel Melamed ou de o Wagner Moura fazerem meu par romântico num filme baseado naquelas porcarias. Mas aí são outros quinhentos.   

''Querido diário, hoje eu sonhei com o Doutor Fantástico e foi bem ruim, acordei péssima. Acho que sempre quando a gente sonha com algo, lembra que não superou totalmente. Comprei uma ração nova pro Joey, espero que ele se acostume. Fico assistindo àquela reprise tosca de A Próxima Vítima só por causa do Pedro Vasconcelos. Por que raios as pessoas têm que envelhecer? É um gracinha mesmo ele. Me entupi de cuca de chocolate.''

Com amor e ódio, Bru  

Não sei o que rola, de repente, escrever ficou meio sem sentido, é como se eu não me reconhecesse. Por um lado, tenho tentado me distanciar do que sempre achei parte de mim, só para ver se eu percebo um encantamento novo. Por outro, não quero deixar de escrever, porque me agarrei à ideia de que isso eu fazia razoavelmente bem. Como diria aquele autor famosíssimo, ''mimimim mimimi mimim''. Já vou lá ver se eu tô na esquina, xácomigo






domingo, 25 de maio de 2014

Sobre a linguagem do coração partido do Nick

Ando encantadíssima por um filme que eu vi, há uns dias, pessoas. Fala sobre rejeição, amor bandido, superar um rosto, essas coisas que fazem sofrer. Creio, aliás, não se tratar de um blockbuster americano característico, pois nunca vi passar nos telecines da vida, entretanto, para mim, não deixou a desejar: Language of a Broken Heart (2011) é suficientemente existencial do jeitinho que eu gosto. E rende uns risos não óbvios - só porque o protagonista é um chato bem engraçadinho.
Chamei o moço de chato, mas que nada, ele é um tipo que deveras me agrada: Nick é um escritor que foi traído pela namorada e por quem ainda é loucamente apaixonado. Ele transita entre um amor lírico juvenil e uma obsessão teimosa. Sua ex, por sua vez, deixou de amá-lo, porque sim, porque enjoou dos dramas inerentes a sua carne e pele - logo, foge dele. E como foge. Não sei se meu senso de humor é meio bizarro (claro que sim), mas o fato é que chega a ser engraçado o modo como o boy literato não aceita o fim do romance - ensaiei umas gargalhadas nervosas vendo o sofrimento dele, confesso. Como se ele fosse o retrato do meu próprio ridículo invadindo a tela, da minha parte humana que não cessa, que vaza, ainda que eu seja um animal socialmente domesticável. Enfim...
A partir deste dilema, acontecerão umas sequências bem curiosas de assistir - e uns diálogos do tipo ''Manoel Carlos no Leblon com um pouco mais de sentido''. Aqui, até vai um spoiler: amei o chatinho tocando bateria imaginária num avião, em uma sequência rumo à casa de sua mamãe, a fim de se ''recuperar''. Impossível não pensar que sempre, sejam quais forem as circunstâncias, se envolver é pagar o ingresso do drama com louvor. Alguma hora, vai doer, vai machucar. E vai render algum textinho medíocre de algum blogueiro idiota, pois as palavras precisam ser escritas no calor da hora - senão, perderão a validade. Mas não é por isso que eu e os Nicks espalhados por aí vamos deixar de tentar ler as linguagens dos outros corações que, olha só, estão no mesmo barco.


                                                            HI, STRANGER




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Romance ideal - Paralamas do Sucesso






terça-feira, 20 de maio de 2014

O sereio

''O Leonardo é o sereio da seleção'', afirmou uma guria, em uma enquete que eu achei numa Capricho roída pelas traças, lá dos idos de 98. SEREIO
Poucas coisas me deixam tão abobalhada quanto jornais e revistas velhos, e a verdade é que eu rio demais quando me deparo com algum - tipo, só eu entendo, nem se deem ao trabalho. Pois o fato é que na ocasião, o Léo foi uma unanimidade - uma dezena de adolescentes histéricas enumeraram os atributos físicos dele à publicação, elegendo-o muso da Copa da França - e foi aí que me veio à memória o moçoilo da lateral. Peraí, eu conheço esse cara! Ele era bonitão meeeeeesmo. Choquei com o sereio.


Aqui, o sereio fazendo o sério na sua passagem pelo Milan. Amei o cabelo. 




Aqui, o sereio sensualizando no terno e gravata quando virou cartola no mesmo Milan. Amei o carão. 




Aqui, o sereio num lance brilhante ou fazendo alguma cagada em campo. Façam suas apostas. 




Aqui, fiquei com vontade de morder o sereio, porque o sorrisinho tá demais. Palmas, ele merece! 




Como estamos nesta vibe patriota futebolística irresistível, pois logo nossos heróis pisarão em campo (blergh), vim dividir com vocês o achado, porque, sei lá, me deu na telha. E o eterno gostoso galã da lateral canarinho merece.

#VAITERCOPASIM
#MASNÃOVAITERSEREIO
#PESAROSA





terça-feira, 13 de maio de 2014

Sobre arrancamento capilar, mudar de país e bananas

Eu sei que minha profissão não é grande coisa, assim, sabe, não é lá uma medicina para a qual vocês arriam as calças sem pestanejar, mas bagunça também não é. Pera lá, campeão. O jornalismo flutua num mar de ideologia e técnica quase mimético, sabemos. Falemos, hoje, de alguns desdobramentos infelizmente relacionados a ele, pois me encontro num momento sublime de arrancamento capilar. Sei que pode parecer fácil, sei que pode parecer risível, mas dá trabalho se intitular jornalista, viu? Se você acha que não, largue o microfone, pare de tirar fotos com jornalistas que pagam de celebridade e leia o que titia Bruna tem a dizer, calouro. Não tenho muita estrada na área, mas o mínimo para não ser uma trouxa eu domino, pode ter certeza.
Vivemos uma era desgraçada em que boatos na internet são responsáveis pelo linchamento de inocentes à luz do dia. Era maldita de compartilhamentos infinitos de montagens toscas misturadas a textos de impacto sem contexto algum. Contexto! C O N T E X T O! (soletrem mais uma vez comigo, não vai doer.) Sei que parecer loucura, champz, mas você faz jornalismo às avessas sem querer, ao endossar mensagens cuja validade é questionável. Você engrossa lindamente o caldo da mediocridade. Eu sei, também não aguento mais tanta corrupção, tanto crime, tanto desamor, tanta mudança de cabelo do Neymar Jr., mas não é por isso que eu vou criar um mar de lixo na sua timeline. Sei que #issoéBrasil, mas é a porcariazinha de país adorável onde você nasceu. Quem sabe, na próxima manhã, você não #ACORDA bem longe daqui então? Que tal no inferno? Ah, claro, leve as #hashtags com vossa senhoria. 
Olha, e não é preciso ser muito esperto para perceber algumas coisas. Buscar politização é bem mais que defender este partido político em detrimento daquele outro. Somos seres políticos, temos uma vivência arraigada em traumas passados. Como diria John Donne, nenhum homem é uma ilha. É muito fácil tirar foto com uma banana e exaltar igualdade, mas se recusar a discutir cotas étnicas em universidades públicas, por exemplo. É muito fácil desmerecer centenas de jornalistas comprometidos que leem sobre filosofia, sociologia, economia, linguística, semiótica, história e o diabo a quatro, e dizer que ''qualquer um faz isso''. Você, leigo com síndrome de compartilhamento aguda, me fere de morte quando fala que nós não temos voz para nada e obedecemos cegamente a determinada linha editorial. Se mude pro estrangeiro logo, faça o favor.



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Para o diabo os conselhos de vocês - Os Condenados 




   

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Duas pedrinhas de gelo derretendo no copo

Eu nunca tinha assistido ao filme ''500 Dias Com Ela'', uma vez que não simpatizava com o casal protagonista. Mas o destino, ele age. E, um dia desses, acabei vendo tudinho. Sabe, em meio àquelas sinopses hollywoodianas previsíveis para entreter casais, eu diria que o argumento do filme se sobressai à conhecida cantilena do ''nos batemos na rua, enrolamos mil dias, mas finalmente nos beijamos e ficamos juntos, pois os créditos já teimavam em subir''. Diria também que seguirá originalíssimo por alguns tempos, única e exclusivamente porque fala a verdade. Cretina verdade (essa mania de pensar como uma socióloga da Sorbonne tá me aniquilando aos poucos, mas penso estar tarde para reverter o processo).
Só o fato de a história terminar mal para nosso protagonista, já é um indicativo de que ela vale mais a pena que uma, sei lá, daquelas clássicas com a Sandra Bullock. Nada contra Sandrinha, em absoluto, mas é que a gente vai cansando de comédias românticas, néam, quando se dá conta de que elas não ganham uma sobrevida na vida real. Eu diria mais: quanto pior acabar o filme, melhor ele será. O amor não é hollywoodiano, queridos, ele é um filme francês. E a trilha é ruim.
O texto pode até soar meio dramático, mas que nada. Eu já fui Tom Hansen, assim como já fui Summer Finn. E essa reciprocidade imediata assim que os olhos se cruzarem não vai acontecer sempre - na verdade, ela não acontecerá nunca, porque a felicidade - nem que seja efêmera - não é gratuita. Claro que vão rolar bons momentos, mas a sensação que vai ficar quando a gente pensar neles, vai ser tipo ''putz, mas eu batalhei demais por isso, hein?''.Os olhos cheios de vivência e olheiras darão o tom no espelho.
O fato é que relacionamentos têm tudo para dar errado - e eles dão. São duas expectativas, dois modos de enxergar a vida, dois róis de expressões sarcásticas, duas dezenas de amigos, dois estilos musicais, dois medos de perder - ou de ganhar - duas bagagens culturais. Duas pedrinhas de gelo derretendo no copo. E elas derretem, logo, não se lembram de sua essência.
Quando duas vidas se tocam, ninguém nunca sabe o que se passa. Ele pode querer dividir a tal vida. Ela pode querer dividir só uma cama. Ele pode querer só uma noite. Ela pode querer um casamento. Ela pode estar desgostosa com uma ex-relação e louca para mostrar felicidade novamente. Ele pode estar se fodendo para isso e não agir como um príncipe. Eles podem estar desgraçadamente sozinhos, mas serem orgulhosos demais para admitir isso. Eles podem estar habitando qualquer lugar dentro de si mesmos, e ainda assim serem mais inatingíveis do que parecem. E é isso, não há por que demonizá-los.


Ps: Que agonia aquela criatura Deschanel atuando. Qual é, mina, você tem 13 anos? Dispensável o clichezinho do ''sou uma garotinha-problema, não se apaixone por mim, seu banana''.

Ps²: Passei o filme inteirinho pensando que o Joseph Gordon-Levitt ainda estava encarnando o gurizinho bonachão de ''10 Coisas que Eu Odeio em Você''. Na verdade, não consigo associá-lo a outro papel. Cameron deixou marcas.




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Hook - Blues Traveler