sábado, 28 de junho de 2014

Sobre fama e Mr. Escrotildo

Eu sou tão forever-alone que, às vezes, fico imaginando umas respostas aleatórias, caso alguém me entrevistasse aqui neste bloguxo dos horrores. Eu não me orgulho disso, sabe. E, não, eu não quero ser famosa a ponto de ser requisitada para entrevistas. Famosa tipo ''Carol Portaluppi posta selfie enquanto dá uma cagada'' ou "Nicole Bahls mostra a língua para paparazzi enquanto desatola biquini do meio do traseiro''. (Aqui, até cabe um adendo: diz que, daqui um tempo, vai ter no Aurélio um anexo sobre área semântica em que constarão os vocábulos Nicole Bahls e biquini, com uma foto 3x4 da Nic ilustrando tudinho.)
Voltando... só que, hipoteticamente, se meu blog fosse um acontecimento e eu ganhasse notoriedade, creio que eu teria alguma centelhinha de fama. Seria um processo natural da relação criador x criatura. É assim quando algo se destaca na multidão, guardadas as proporções. Os meninos do Restart, por exemplo, contrariando a lógica do ''faça algo de qualidade e consequentemente consiga apreciação'', caíram de paraquedas no mar do sucesso em meados de abril de 2010, ao virarem piada na internet - graças, claro, aos seus numerosos fãs. Ah... os fãs... essa raça geneticamente modificada por aliens cruzados com zumbis.
Não estou dizendo, leitor doente, que a trupe do tal Pê Lanza não tenha talento nenhum, mas é possível que muito da exposição que tiveram na época tenha ajudado a consolidar seu nome no mercado, esse ingrato. Aliás, nem sei por que raios ressuscitei o causo, enfim, foi só para ilustrar. Os guris foram tão, mas tão ridicularizados por conta de seu estilo roqueiro peculiar, que ficaram por semanas martelando no inconsciente coletivo. Prova disso é que eu estou falando deles agora. E ajudando a dar mais audiência. E, sem querer, orbitando de novo em vossa mediocridade. Cabô bom-mocismo, eles são ruins de doer.
Vim com esse papo sobre fama, porque, sinceramente, fico instigada com o tanto de gente querendo aparecer por nada, por esporte, para ter uma nota no jornal, para ter uma foto curtida no Instagram. Quer dizer, instigada é eufemismo, eu fico é aterrorizada. Eu arranco os cabelos.

- Por que você se importa, cara otária? 
- Porque tenho um pingo de noção de ridículo, caro espelho?

Esse tema me lembra do Escrotildo. O cara tem cerca de 5 mil amiguinhos no Facebook (que lamentável essa pauta viciosa nos meus escritos, não? eu vou superar, deixem pra mim que eu sou canhota). Escrotildo é um ás do marketing pessoal: Escrotildo não dorme, ele alimenta seu séquito dia após dia com os lances de sua movimentada vida - e o séquito dele é grande, amigo, porque o fato é que ele nasceu com uma carinha mais ou menos. Pudera, com milhares de miguxos, também fica fácil ser amado, façam as contas aí, questão de proporcionalidade. Bom, Escrotildo compartilha textos cuja procedência ele ignora. Escrotildo curte Maromba é minha religião. Escrotildo solta indiretas para todos e arrota santidade. As fotos de Escrotildo sempre ultrapassam as centenas de mãozinhas (lembrem da questão de proporcionalidade). E Escrotildo é bem feliz. Feliz demaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaais. HASHTAG PARTIU VIVER


Boba sou eu que tenho um smartphone, mas não o uso a meu favor, né? É isso aí.






*O Pê não é o Mr. Escrotildo, mas, sei lá, fiquem à vontade se quiserem associar... 





sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sobre Ilha das Flores e Ilha das Flores - depois que a sessão acabou

A ideia deste post surgiu de algo bem interessante. Ontem, eu dei uma lida numa entrevista do cineasta Jorge Furtado e decidi dividi-la no perfil que tenho em uma rede social, uma vez que ele fez algumas considerações sobre jornalismo - e isso, independente de quem vier, sempre me faz dar uma parada. Gosto de ver o que estão falando, etc. Na ocasião, o repórter também nos lembrou da passagem de 25 anos daquele que parece ser um dos maiores feitos do porto-alegrense, o curta ''Ilha das Flores'', lançado em 1989 e até hoje considerado um marco em sua carreira. 
Arrisco dizer que não haja ninguém que não tenha assistido a tal documentário, especialmente nos anos de ensino médio, mas, vá lá, quem sabe nem todos conheçam. Desde que o vi, fiquei encantada. Encantada, mas não num sentido ''jogo no time do Jorge Furtado Futebol Clube'', e, sim, ''que baita jeito de contar uma história, com deboche e precisão''. Trata-se de um roteiro quase lúdico sobre como a economia gera relações desiguais entre os seres humanos - e, sim, essas são palavras da Wikipédia, a Enciclopédia Livre. Para ilustrar referido dilema, acompanhamos a trajetória de um reles tomatinho...   
Bom, até então, eu tinha por verdade tudo que assisti, quer dizer, ainda que impactante, nada me pareceu mentiroso ou exagerado, até pelo fato de eu não viver em Porto Alegre e não conhecer o local onde supostamente se deram as filmagens (rs). E porque espera-se que documentaristas não mintam, digo, ainda que o gênero comporte uma ''brincada'' com a realidade, toma-se como verdade tudo que está na tela, pois, do contrário, seria A Lagoa Azul ou Matilda ou sei lá eu, não é mesmo? Só que aí, caríssimos, uma amiga minha na rede social, muito solícita, comentou que existe um híbrido de matéria jornalística e documentário (outro, cuja existência eu desconhecia até aí) que desconstrói a ladainha toda do Jorginho. E aí ferveu o kissuco. Mentira, não ferveu nada, tão loucos por uma polêmica, né? Ferveu é a paranoia na minha cabeça. Vocês, às vezes, também não pensam que estão vivendo numa realidade paralela onde tudo é conspiração? Em quem vocês confiam? Tudo que noticiam é verdade? Jorge Furtado seria um farsante comunista e ateu? Será que só eu não conhecia essa matéria, o lado B da Ilha das Flores? Será que nas escolas, estão passando para os adolescentes o filminho do Jorge e o outro em seguida para dar uma estimulada na criticidade da galerinha? Será que eu sei alguma coisa sobre documentário? Vejam, em instantes, no próximo parágrafo. 


Por via das dúvidas, deem uma olhada nos dois vídeos e tirem suas próprias conclusões. Eu não sei é de mais nada. 








Mas continuo achando ''Ilha'' um puta documentário. Tá, mas então quer dizer que eu me deleito com uma mentira? Será que eu não tenho vergonha nessa cara? Vai dormir, Bruna, vai.  




Auxiliou no post:

Paranoia - Raul Seixas





    

terça-feira, 24 de junho de 2014

Sobre espiar na fechadura e inseticida

Quando eu tinha uns 14, 15 anos (caraio, isso já tem mais de 10 anos), eu pensava que eu seria uma puta mulher bem resolvida, quando tivesse os meus vinte e poucos. No draminhas, no inseguranças, no confusões, eu seria um dínamo das decisões, ninguém ia me segurar, Brasil. Que mina confiante do caralho! Essa seria eu - e eu estaria na capa da Revista Tpm da minha vida todo mês.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Deu.

Acho que no fundo era mais um pensamento para me consolar quando eu sofria horrores, por exemplo, por um carinha que não tinha me dado bola. E teve muitos carinhas (ainda que ''carinhas'' esteja no plural, o ''teve'' fica no singular mesmo, porque é no sentido de ''haver'', seu zé ruela). Bom, levando em conta que um destes lábios que eu quis beijar, hoje, desfila num carro rebaixado com vidro fumê, além de possivelmente ter estado em algum presídio, vejo que não foi tão ruim.
Assim... que eu sou uma puta duma mulher, eu não tenho dúvida (nháá..... é... digamos que eu não tenha dúvidas), mas gostaria de ainda não me sentir tão cria medrosa e chorona, de vez em quando, no campo amoroso. Na verdade, nem estou apaixonada para estar escrevendo sobre, só que me veio à cabeça a ideia de que a gente não deixa de ser a gente mesmo, só porque ganhou uns anos a mais. De onde eles vieram? Não estavam aqui na manhã passada. A gente não deixa de carregar os mesmos privadíssimos traumas e amargores só porque dizem que os vinte e poucos são o auge do sucesso. A gente segue sendo criança que espia na fechadura - como diria Nelson Rodrigues: ''um anjo pornográfico''. A gente segue alimentando borboletas por nada e morrendo de dor no estômago. Eu sigo sendo a mesma guria de dez anos atrás, e isso é um anticlímax de doer no horizonte de expectativa do leitor. Ou nem tanto, é verdade. Ao menos, aprendemos a comprar inseticida. Eu aprendi.



Auxiliou no post:

Magnet and Steel - Walter Egan







   

domingo, 22 de junho de 2014

Beleza Americana - por que Lester Burnham parece um herói moderno?

Este ano, completam-se 15 anos do lançamento de Beleza Americana e Clube da Luta - dois dos meus filmes prediletos e, coincidentemente, membros da mesma árvore genealógica americana: eu diria que são meio-irmãos. É incrível como os dois conseguem desconstruir o American Way of Life, mostrando cidadãos comuns, protagonistas de diálogos que, ainda que beirem o ridículo, trazem em seu encalço uma dramaticidade que transcende a tela. Duas sátiras da vida que não escolhemos reproduzir, mas que acabamos levando e da qual nos orgulhamos, porque, ops, agora já é tarde. Porém, por ora, vou me ater à soberba de Kevin Spacey interpretando um risível Lester Burnham - deixemos a insônia psicótica de Edward Norton e sua camisa branca sexy para outro momento (que mané Brad Pitt, gurias!).
Mais que sarcásticos analistas do estilo de vida doente do Tio Sam, eles são crônicas vivas de nós mesmos - e isso é uma coisinha desgraçadamente fascinante. Devo confessar que sou (levemente) obcecada por filmes dessa natureza: quanto mais deboche, melhor. Quanto mais caricatura, melhor. Quanto mais intimismo, melhor. Ainda que seja corrosivo, também é muito libertador assisti-los, como por exemplo também Réquiem para um Sonho - parente distante, mas não menos parte do clã. Ao confrontá-los, minimizamos nossa existência, vemos que nada mais é que uma corrida estúpida ao nada, ao pote que, oras, nunca foi de ouro. E, por mais absurdo que pareça, Lester, o publicitário de meia idade em coma profundo no subúrbio feliz - como ele mesmo se descreve -, acaba se convertendo na personificação do nosso herói moderno, ao abandonar um emprego medíocre e ir fritar hambúrgueres para reviver uma adolescência que ele suspeita ter voltado.
Sua vida, há tempos, é levada no piloto automático: ele ignora sua filha Jane, mantém um casamento apático com Carolyn, uma guru de si mesma cega por crescer no ramo imobiliário, e vê numa paixão platônica pela melhor amiga de Jane, Angela, um sentimento de frescor inundá-lo. A complexidade do personagem é ilustrada por suas fantasias sexuais com a garota, cuja beleza mostra-se como sintoma de sua própria plasticidade. Ela é comum e sabe disso, logo, usa a falta de autoestima da primogênita dos Burnham para se sentir melhor.
No filme, ainda somos apresentados à vizinhança peculiar da nossa família feliz: um casal gay que faz saudáveis corridas pela manhã, um militar aposentado da marinha americana extremamente homofóbico, além de seu filho, um adolescente que faz vídeos caseiros sem que as pessoas saibam. É dele a sequência do saco plástico mais famoso de Hollywood solto ao vento - e que parece poetizar toda a banalidade da trama. Bom, como foi dito no final da década de 90: olhe bem de perto.




- Cuidado, Lester, vai derrubar cerveja no sofá.
- Mas isso é só um sofá!!!

Para ela, não é só um sofá.




Ps: Escute bem de perto Elliott Smith dando uma roupagem maravilhosa a Because, dos Beatles.




sábado, 14 de junho de 2014

Não vou curtir sua página nojenta

Vou tentar problematizar uma questão bem idiota e mínima. Tão idiota que talvez vocês nunca tenham pensado como um problema a respeito. Bom, é só um chute. Nestes tempos insanos e modernos, em que sinalizamos apreciação com meras mãozinhas com o polegar levantado, gostar ou não gostar de algo é quase a mesma coisa, quer dizer, trata-se de uma moeda que não tem mais dois lados. Curtimos o que detestamos. Curtimos por curtir. Não sei vocês, mas eu acho um problemão.
Dia desses, falava com um conhecido sobre páginas que nos mandam, milhares por dia, pedindo uma curtida, uma atençãozinha, uma mão, o que custa, né? Custa, cara. Custa muito. Custa minha paciência - que já não é das mais gandhianas - custa meu senso crítico, custa minhas retinas vendo algo por que não se interessam. Claro, dirá você aí, do alto da sua poltrona: ''mas que ladainha, é só não curtir, pombas!!'' Claro que é simples, mas o simples nem sempre é tão simples quando envolve outrem. E, no momento em que você opta por olhar o lado obscuro das coisas, invariavelmente vai se tornar mais e mais sozinho, é da vida. Quantas páginas você já não curtiu para pagar de legal com o seu amigo? E aquela foto em que sua amiga saiu extremamente bizarra, e você teve que curtir na marra e arrematar com um linda? E vocês que curtem página do Luciano Huck? Não sentem nem remorso?  
Contardo Calligaris, por cujas ideias me interesso bastante, falou sobre isso em uma Zero Hora da vida, há um tempo (a propósito, se for trecho de algum livro dele, me deem um toque). Dói, mas é bem elucidativo: 

(...) é uma posição de muita dependência afetiva. Tanto que, se você tem amigos, é óbvio que tem que curtir tudo o que eles colocam na rede social, porque essa é a verdadeira demonstração de amizade hoje em dia: curtir tudo o que seu amigo posta, mesmo que você não tenha interesse algum. Aliás, tem uma boa razão para isso, porque há geralmente uma reciprocidade: se você curte o que seu amigo coloca, ele vai acabar curtindo o que você coloca. É uma espécie de seguro mútuo sobre o fato de ser minimamente gostado.   

AI, CONTARDO, ME ABRAÇA 
(uma vida para ter dois dedos de prosa com esse ser humano)

O que existe por trás de uma curtida inocente? É, dava uma tese de doutorado. As razões podem ser secretas até para quem curte. Como membros da tribo de curtidores compulsivos, queremos com tal ato, demonstrar que estamos a fim daquela pessoa. Queremos quase sempre marcar uma posição de empatia. Queremos dizer para nossos amigos que estamos acompanhando suas vidas, ainda que pouco nos identifiquemos com o que andam fazendo. Geralmente, também perdemos nossa originalidade, mas o fato é que estamos vacinados.

Ah, já ia esquecendo: não vou curtir sua página nojenta.




Auxiliaram no post:

Make it up - Ben Kweller 
Love ain't no stranger - Whitesnake






sexta-feira, 13 de junho de 2014

SAVE THE DATE

Aqui no blog, eu amo homenagear gente que nem desconfia que eu respiro, vocês já devem ter sacado. Pois hoje é dia de agradecer ao universo pela existência do Chris. Ai, o Chris.............

Nós, chrisevanzetes, agradecemos pelos olhos azuis mais cristalinos do planeta.




Bonito o cinto, Christopher.




Como eu sou uma mãezona, aqui vai uma compilação ótima do nosso geminiano mais amor:




Que nunca nos falte o babador. Amém





PS1: Chris parece ser uma simpatia. Sabe aquelas pessoas que riem da própria cara? Amo! Dá uma ligada pra mim, gato, bora dar umas risadas. Traz o uniforme.

PS2: Choro rindo com ele no minuto 1:21, sem graça pelo fato de o seu Steve, tadinho, não ter nenhum poder ''sobre-humano''. ''He's a really good guy'' - diz ele. Vem ser um good guy aqui em casa, seu lindo espirituoso.










quinta-feira, 12 de junho de 2014

Campanha #ADOTEUMCOLONIZADO

Ai, a Copa, esse raposa...

Nem bem chegou e já trouxe a discórdia. Olha, eu tô pouco me lixando para o desempenho da seleção (porque parei drasticamente de acompanhá-la, desde que tomamos aquele gol do Thierry Henry, pois o Roberto Carlos estava ajeitando sua meia na pequena área). Não tô falando isso para fazer média e pagar de rebelde, me achando muito transgressora por ''não ligar para futebol''. Tem uns trocentos cérebros com essa ideia original por aí. Só que há tempos não me apetece o verde-amarelismo do futebol, perdeu o encanto para mim. Acho que me enerva o culto cego a uma modalidade específica. Eu gosto mesmo é de olimpíadas - só para citar outro evento esportivo e eu não ficar sem graça no final do parágrafo.
Porém, me enerva mais é ver vocês pagando pau pra europeu. Assim.......................

QUALÉ?????????????

Incrível como os textos são sempre uma cagação de regra deslavada, por mais que a gente tente dar uma disfarçada. Até rimou. Mas, hein, é isso mesmo: tô falando que vocês não podem torcer por países cujo imperialismo amordaçou nosso destino (sente a poesia do troço). Sei que não é problema meu... bom, se a babaquice de vocês me incomoda, logo, é muito problema meu. E se não gostou, é só me xingar nos comentários, pois eu não censuro nada por aqui. Essa falta de lei no recinto me fascina, confesso.
Sugiro adotar um colonizado, então, se a gana por cuspir no ''ordem e progresso'' é tão grande assim. Sim, colonizado, gente como a gente. E, como vocês amam enfiar uma hashtagzinha até no meio do cu, lancei essa aqui, ó:

#ADOTEUMCOLONIZADO
#ADOTEUMCOLONIZADO
#ADOTEUMCOLONIZADO
#ADOTEUMCOLONIZADO





segunda-feira, 9 de junho de 2014

Não vou querer filhos, obrigada

Às vezes, me pego pensando na questão de ter ou não ter filhos, e quase que em uníssono meus pensamentos sempre chegam à máxima de que é irresponsabilidade demais cogitar isso num mundo como o de hoje. Não sou o tipo de pessoa que fica encantada, louca para ter um, se vê algum bebê - para ser franca, quando mais nova, era bem mais fã - todavia, não deixo de ficar comovida. É sempre muito tocante partilhar, ainda que por alguns segundos, de uma inocência que se mantém à margem de toda maldade, que faz carinhas e boquinhas sem saber por quê.
Falo no assunto, pois me percebo na faixa etária em que, geralmente, muitas moças estão casando e engravidando. Estou, segundo os argumentos biológicos, no período ideal para ser genitora, ainda que eu tenha mais afinidade no momento com uma maratona de Pokémon na televisão (insira aqui seu xingamento dizendo que eu não saí da adolescência). E tenho acompanhado muitos exemplos de casais jovens perto de mim, o que me faz ficar ali, abobada, pensando se eles estão, de fato, plenos com aquela escolha - não raro, forçada devido às circunstâncias. Fico e não consigo demover impressões da cabeça, como se a constituição da família fosse - mais que um presente da vida, uma sorte - uma obrigação católica opressora, principalmente para as mulheres (interpretem com carinho o ''opressora'', hein, por-fa-vor-zi-nho). Famílias são empresas, contratos sociais, negócios. Antes de ser composta por seres que amamos e com quem nos importamos, o vocábulo família é uma instituição. E, em determinados ângulos, considero isso bem nocivo. Nocivo para quem, cara-pálida? Para o sujeito, enquanto único e detentor de ambições particulares, desejos e, sim, por que não, traumas com os quais nem ele sabe lidar. Quando peso isso e mais algumas coisas na balança, não sei se me agrada a ideia de ser encarada como uma heroína por uma criança. Não, eu não tenho essa vaidade, Revista Claudia. Criança dá trabalho. É um acontecimento lindo, mágico, extasiante - a linha do tempo do meu Facebook que o diga - mas não estou certa se quero educar alguma para viver nesta selva lá fora.    
Lógico que, se eu tivesse uma, eu seria louca, babona, obcecada, não deixaria ninguém chegar perto, gostaria, inclusive, de guardá-la num potinho só para mim e evitar qualquer contato seu com a imundície humana. Ok, tô brincando. Mas essa história ''de filho'' parece ser a brincadeira favorita do ser humano, seu fetiche maior. Ter uma copiazinha sua e moldá-la a seu gosto, projetando um espelho de atitudes em toda a vivência dela. Analisando por um viés meramente racional, não deixa de ser doentio, penso.
Creio ser impossível não pintar a autora como o monstro do lago Ness, após ter escrito tudo isso - e o fato é que ela é, sim, bem egoísta, ainda que seja capaz também de uns gestos bem bacanas. Não que eu me orgulhe disso e de ser incapaz (talvez por enquanto) de abrir mão de uma vida pessoal, só acho fundamental não esconder. Por enquanto - e quem sabe enquanto eu viver - não vou querer filhos, obrigada. Me contento com bichinhos. Meu ideal de felicidade pode não ser o mesmo que o seu, que fantástico, não?


Auxiliou no post:

I can't make me - Butterfly Boucher





                

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sobre ser doce, mau humor e colocação pronominal

Oi, queridos, e essa vida? Chegamos à metade do ano, né, que loucura...

Que junho traga tuAAAAH MAS VAI TOMAR BEM NO MEIO DO CU

Que seja doAAAH MAS VAI TE FODER

Mas, hein, não consigo controlar minha antipatia por pessoas que pagam de fofinhas em rede social. Er... assim, eu curto pessoas educadas e tal, não custa nada dar um bom dia, néam, para os estranhos que leem minhas baboseiras na internet, masssssss... ah, cala a boca e posta um som maneiro então, melhor jeito de dizer bom dia. Sei que é chatice da minha parte (não sei se é perceptível, mas eu sou um cadinho insuportável) e, não, eu não quero fundamentar o texto, é isso aí mesmo. Claro, geral tá pouco se fodendo para o que me irrita, logo, alivia aí, são só umas linhas mal humoradas.
O mau humor sempre será um catalisador incrível de textos deliciosos de ler. Ai, como começar a explicar isso? Pega na minha mão aqui e diz que me entende, por favor. Meus melhores textos foram escritos com um ódio supremo cozinhando os miolos, serião. Tanto que eu ainda chego a sentir o gosto de fel no canto da boca. É um processo de criação interessante: não raro, tudo que o mundo precisa fazer para alimentar meu gênio incompreendido é me deixar bastante puta. Me irrita, vai... isso, assim... não para.
A partir daí, comecei a especular sobre o que me motivou a escrever que andava sem sentido.. er, escrever. É possível que eu estivesse apática - e argh, apatia nunca é bom. Apatia é cômodo, é de boa, beleza, ok, mas não faz brilhar os olhinhos. Nota mental: não ficar apática. Bom se pudéssemos controlar o que se sente, vez que outra. Bom seria se eu parasse de misturar as pessoas nos textos, já que eu fico sempre dando liçãozinha em quem escreve errado. Ah, mas eu tinha que melhorar colocação pronominal também, então foda-se não é mesmo? Foi-se o tempo em que gritar ''foda-se'' era um sintoma de rebeldia.
Em suma, vou tentar manter o ódio aquecido neste coraçãozinho que vos escreve, a fim de brindá-los com coisas intrigantes. Mas não prometo nada. Já vocês, bem que poderiam parar de dar bom dia com frase de impacto tirada de algum livro cretino de marketing, né?

Me deem doses de sagacidade. E alguns risos de colocar a mão na boca, por não poder incomodar a reunião do vizinho.  




Auxiliou no post:

Foundations - Kate Nash