quarta-feira, 31 de julho de 2013

Há um ano

Joey está comigo há um ano, desde que o resgatei do submundo da orfandade. Joey, há um ano, me faz ver que eu sempre amei gatos e que eles são criaturinhas fascinantes e doces, ao contrário do que a oposição diz. Joey, há um ano, é meu saquinho terapêutico de banha: não há tristeza que resista a essas dobrinhas peludinhas. Experimente abraçar isso, e sua vida nunca mais será a mesma. A minha não é há um ano.




Ah, abaixo eu trago uma parte (de três) de um documentário bem bacana - e curtinho, nem cansa! - que eu catei no youtube, há uns meses - desde que iniciei os trabalhos na maternidade felina - falando sobre gatinhos e suas curiosidades, além de depoimentos de gatólatras assumidos, tipo o Ruy Castro, por exemplo. (Devo reconhecer que eu já assisti a esses vídeos algumas várias vezes, e em praticamente todas acaba escorrendo alguma lágrima. Mas também, as criaturas colocam Clair de Lune na trilha, pô!) 




Felinem-se!




terça-feira, 16 de julho de 2013

Sobre sensações do mal, um best-seller imaginário e Jake Gyllenhaal

O assunto era tão bacana, tão de ficar horas divagando - a m o - que resolvi voltar com a mesma temática - repetitiva e chata que sou, obrigada. Humildemente - e talvez erraticamente, perdão por isso - eu acabo entrando no campo da psicologia, e, no maior achismo que me é peculiar, insisto em dizer que a sensação é o que nos fere. Tempos atrás, eu levei um fora tão mas tão ridículo, que eu quis tomar um cianuretinho assim de leve, sabe? Todavia, contudo, entretanto, lembrei que eu iria a uma pizzaria fabulosa à noite, como morrer com dor na consciência por ter relegado um rodízio de pizza pago por papai??????? Eu nunca poderia ir pro inferno com essa culpa. Não dava, então tratei de aceitar a sina de ser uma rejeitada. E eu me senti realmente a mais rejeitada das criaturas - coisa que não me sentiria, se o tal anticlímax tivesse sido há uns... digamos... 6 meses. Na referida fase - sim, a vida é feita de fases, tcharam - eu estaria nem aí. Beleza, não me quis, tem quem queira, e aí, lindo, vai rolar aquela sessão de Doutor Jivago ainda, nerd da minha vida??????? Me espera com vinho e paixão. Eu partiria pra outra, sem titubear, com um sorriso condescendente, lamentando por ele o fato de não termos nos conhecido mais a fundo. Jamais por mim. Sim, eu seguiria sendo uma rejeitada, ali, mas não me sentiria como uma. Salve, autoestima, que resolve aparecer e sumir de repente de nossas vidas, tal qual os rabicós de cabelo, as lixas de unha, o amor-próprio, os olhos azuis do Gyllenhaal dos meus sonhos adultos (nada como um eufemismo pra não chocar a audiência cristã, hein). Além disso, também já dei zilhões de foras, ninguém merece apreço por pena, tipo encomenda, né, por favor. O negócio é se querer de graça.
O fato é que quando a gente se blinda contra essas sensações do mal que nos colocam num loop eterno de terror, a gente pode tudo, a gente tá em paz, a gente é feliz do jeitinho escrotinho que é. A gente aceita foras não como um castigo por ser tão imbecil, mas como uma contingência da vida. Ok, na próxima, vão rolar uns amassos, certeza. Porém, essa blindagem é frágil, vocês sabem, o mundo tá sempre pronto pra acabar com nosso brio, pra satanizar uma das coisas mais bacanas que há em nós, a tal confiança. E, se eu tivesse um jeito de fazê-la grudar na gente, certamente já teria escrito um best-seller de autoajuda, ficado milionária, e estaria nesse momento agarrada nessa coisa linda abaixo. Não, de pijama, com uma dor de garganta do demônio, babando nessa tela de notebook.



                                        Acho prudente cê não me olhar assim, Jake...............





Auxiliou no post:

Imitation of life - R.E.M








segunda-feira, 15 de julho de 2013

À mercê de lesmas, DIGO, sentimentos

Ser é fácil de engolir, porque não deixa cicatriz nenhuma. O drama é o sentir-se. E no momento em que você sente, cê tá ferrado, mano. Ser ''algo'' é diferente de sentir-se ''algo''. Por exemplo, você pode se olhar no espelho e ver a tragédia de ser uma baranga consumada, e, mesmo assim, seguir feliz da vida. Mas sentir-se uma baranga é que é a verdadeira tortura. E quando esse sentimento feroz de baranguice aguda chega, não há cristo que dê jeito, minha filha - nem se você fizer uma escova e der uma renovada nos trapos que costuma usar. Lutar contra sentimentos é de uma inutilidade sem precedentes, estamos à mercê deles, pouco imunes, quase marionetes. Argh, humanos.
Quando a minha ex-chefe me chamou para uma reunião super profissional numa sala de reuniões super profissional e intimidadora, e me disse que eu era dispersa e devagar, muito embora meu texto fosse espetacular, brilhante e digno de um Jabuti (ok, bem menos), eu caguei pr'o que ela disse. Mas, assim, caguei mesmo, ninguém me roubava o sonho.
Quer dizer, ela ali acabando com a minha autoestima jornalística lindamente, e eu na Disney, só assentindo com a cabeça, pensando no que eu ia jantar dali a meia hora. Ou seja, eu definitivamente era uma lesma, mas, por não me sentir como tal, tudo permanecia lindo. Tudo continuava lindo para o molusco, cujos sonhos seguiam intactos. Até que um belo dia fui agraciada com o maravilhoso sentimento de me sentir, de fato, uma lesma, e aí as coisas ficaram bem ruins. Repito, guys: a droga é sentir. Já que já fui lesma, posso ser um robô agora? Afe.




Auxiliaram no post:

Hands of time - Groove Armada
Breathe - Anna Nalick






quarta-feira, 10 de julho de 2013

Tentando ser Noel

Eu acho a dita balada (só para fazer charminho usando um neologismo moderninho) uma das coisas mais depreciativas do universo. Mas é aquela coisa, é um mal necessário, ela precisa existir. Ela, a instituição balada. Eu sigo indo, claro, é um direito proletário. De que vale a labuta semanal, sem isso? A sexta da lascívia, dos hormônios pululando em meio às luzes, é a sobremesa depois de comer salada de chuchu na segunda, na terça...
Enquanto eu viver, vou deixar uma graninha nos caixas dos barzinhos e das festas da vida. Eu vou, porque gosto de pensar que sou tipo uma prima próxima do Noel, sedenta por aquela boemia necessária e destrutiva em que ele também se aninhava – uma poesia que não é perceptível sem alguns goles depressores de álcool talvez. Não sei. Talvez eu canse dessas noites infrutíferas em que se coloca toda a esperança de felicidade num sapato vermelho de guerra, num vestido bonito, numa sedução que não se vê de dia, porque é falsa. Certamente vou cansar. E certamente vou cansar de procurar entender por que a gente corre toda sexta em direção ao vazio, à embriaguez como cura para falta de autoestima, falta de carinho, falta de companhia que realmente preencha as retinas de novidade. A diferença é que Seu Noel escrevia uns sambas lindos, e eu... bom, eu nem violão sei tocar. É.




Auxiliou no post:

Último desejo - Noel Rosa


sábado, 6 de julho de 2013

Sobre náuseas e saudadinhas

Já tá me dando náusea geral romantizando as tais passeatas-da-mudança com frases apocalípticas chatas tiradas do hino nacional. E o mais contraditório é que eu sigo a favor dos protestos, das greves, da expressão livre de opiniões e etc. Só que não é por aí que as coisas vão se resolver, vocês sabem. O máximo que vão conseguir é entupir as redações de pauta - e olha que eles (os meus coleguinhas de profissão) já devem estar estafados dos cartazinhos vazios, da ladainha do ''polícia é corrupta, não me deixa protestar em paz''. Sejam mais criativos, sim?
Claro, foi tocante, foi um furor bonito de assistir. Emociona ver tanta gente unida em prol de... de que mesmo? Ah, sim, uns são a favor da moralização da vida pública. Ok. Uns querem mais hospitais, mas onde mesmo que eles querem? Sei lá, só sabe que querem. Ok. Vi até cartaz dizendo para a nossa presidente se assumir, uma vez que ela é um sapatão enrustido. Ok, é uma causa também. Beleza. Mas essa agonia de ir para a rua, ir sem saber qual rumo tomar, ir somente porque há um convite simbólico nas timelines de vocês para ir..... me parece idiota. E eu não queria usar essa palavra, definitivamente. Talvez alguém diga que a idiota sou eu (fique à vontade), que eu tinha é que honrar o fato de ser jovem e - ao menos no álbum do meu Facebook, como vi por aí - mostrar que fiz minha parte. Mas o que diabos é fazer nossa parte, gente? As caminhadas podem até surtir alguns efeitos em doses homeopáticas, mas parlamentares diminuindo seus vencimentos a jato? Desculpe, no way. Nem se vocês acamparem em Brasília. Reitero a posição: os manifestos são dignos, não condeno quem literalmente levantou a bunda do sofá e foi dar seu recado, ao contrário, aplaudo. Mas a minha ficou bem sentada, e não me arrependo, tenho meus motivos. A estrutura que vocês tentam combater, desesperados e iludidos por um ideal tido como ''revolucionário'', é tão podre e cretina, que mina qualquer vontade minha de sair de casa.
É inegável que grande parcela de pessoas presentes nos atos é composta por jovens. Estudantes com, quem sabe, tempo livre para ler e pensar. Muitos, talvez - eu disse talvez - nem necessitem de transporte público - que foi o mote de toda a onda - arrisco. E eles gritam a favor dos menos favorecidos. Ok, é abnegado, é bacana, mas não é dali que vai saltitar um novo Ernesto Guevara para sacudir a América do Sul. Ninguém é tão bonzinho quanto quer parecer, desculpe se acabei com vosso sonho, meu leitor.
Dizer que as ações não têm partido também é de uma imbecilidade aterradora. A gênese do movimento é de esquerda, my boy - se nasceu da insatisfação com o serviço público de transporte, então é vermelha, logo, querer que sua bandeira não esteja tremulando entre as pessoas é no mínimo ingênuo. Aceite isso, lembre-se, você vive numa democracia. Por ora, é isso, em julho eu sempre tenho bloqueios para escrever, pois eu simplesmente detesto julho. Então, não sei quando retornarei. Sintam saudadinhas, acho válido.