Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Março, 2011

Portuga, seu lindo

Ok, confesso: por pouco não cursei Letras. Só não levei adiante a idéia, pois não possuo, realmente, a complacência característica das educadoras, além de cultivar a paixão pela Língua Portuguesa mais como um hobby doentio que como um possível meio de ganhar a vida. O fato é que eu, muito malandra, desde cedo tratei de me afeiçoar ao idioma materno e lhe devotar notas açucaradas no colégio, tudo isso para me livrar de uma possível rasteira sua no futuro. Sabem como é, não se pode tratá-lo com negligência - um dia a conta vem. (Mentira. Isso ficou bem didático e gracinha, mas nossa relação sempre foi cimentada por uma irresistível atração. Nada de decoreba, foi instinto puro).            
Entretanto, há uns cinco anos, notei que, de mera estudante obediente e temerosa, passei a ser uma verdadeira entusiasta de suas regrinhas e conexões estapafúrdias, de suas orações intercaladas, de suas pontuações, de suas conjugações, de sua capacidade fascinante de confundir meio mundo... m…

King Kong no mercado

A gente fala do que entende. Ponto. O Ostermann fala do futebol, Diogo Mainardi da política e do seu amor doentio pelo PT e Sônia Abrão da vida glamurosa dos BBBs. Cada um na sua. Naturalmente, eu também falo de vários assuntos que julgo dominar. Dou uns pitacos sobre as pérolas dos nossos parlamentares, sobre a situação caótica do Japão, sobre a Saga Crepúsculo e sobre o namoro do viril Justin Bieber com a diva de Walt Disney, Selena Gomez. Sabem como é, estudante de Jornalismo tem de estar por dentro de tudo que ocorre nessa ervilhazinha chamada mundo. Pois, agora vou confessar, sem falsa modéstia, que há um assunto do qual eu entendo mais que qualquer mortal na face da terra: pagar micos no mercado. Gente, eu sou uma expert, ninguém nunca vai me superar, sou, de fato, imbatível. Seria bem lógico atribuir esse “bônus” à raiva de ter que me dirigir até lá, quando ninguém em minha casa quer fazê-lo, uma vez que a gente atrai, sim, senhor, o que transmite. Logo, sair de casa…

O preço de uma verdade

O que leva um jovem jornalista com um futuro promissor em uma influente revista americana a plagiar matérias e sepultar seu nome de vez da vida dos impressos? Foi o que me perguntei, após assistir com descrença o filme “O preço de uma verdade”, lançado em 2003 e dirigido com perspicácia pelo diretor Billy Ray. Na história, somos apresentados a uma figura genial e metódica, conhecida por Stephen Glass, cuja fala distribui elogios por onde quer que passe, nos fazendo acreditar, ainda que erroneamente, que, para se dar bem no mundo do jornalismo, boa imagem e um círculo de amigos intocável são suficientes. No começo, realmente, é possível acreditar na ladainha que o protagonista se propõe a contar, já que, se utilizando de mirabolantes artigos, forjados por ele mesmo, galga posições na conceituada New Republic – publicação sediada em Washington. Porém, à medida que a história avança e envolve em sua trama, o jovem redator cai em contradições, mostra-se nada mais que um desorient…

Na contramão?

Não sei lidar com as minhas frustrações. Ainda não sei equalizar minhas estranhezas, dominar minhas emoções e jogar fora o que não me serve. Não consigo entender estar sempre do lado errado. Torcer pelo mais fraco. Tomar atitudes pouco usuais. Virar a cara para quem eu deveria mostrar automática simpatia. Carregar entranhada uma irremediável tendência de esquerda. Vestir as roupas erradas, quando o tempo está terrivelmente instável. Vestir as roupas certas, quando eu queria mesmo era radicalizar. Não me acostumo com essa persistente sensação de sempre marcar presença ao lado dos desajustados, dos que não possuem pátria, dos que choram em vez de lutarem, dos que saem da festa, quando o agito está no auge, dos que não se sentem à vontade fazendo o que todo mundo faz, dos que insistem em se importar, quando simplesmente ninguém se importa... 
               Alguém mais?