terça-feira, 28 de maio de 2013

Sobre não aturar, mea culpa e gatos mafiosos

É... eles tinham razão quando afirmavam que envelhecer tem uma baita vantagem. Aquela vantagem, ô vantagem boa... sinto os olhos brilharem só de falar. É bem verdade que curto ainda as delícias da minha ''mocidade'', como diria o meu Cartola, mas já noto os efeitos do ''ficar mais velha''. Trata-se simplesmente do maravilhoso não aturar. Eu não aturo mais. Eu me nego a aturar algo que me faça mal, algo que me encha o saco, algo que exija minha condescendência quando não existe nem rastro de uma. É bem verdade que às vezes pode demorar, mas, no fundo, eu sempre acabo optando por mim. Se eu contasse como tenho me sentido egoísta e tenho gostado de tal sensação...
O bom de envelhecer é começar a entender realmente que nada vale a sua paz. É uma autoajuda de botequim que chega a ficar chata, mas quer saber? Tem que ser repetida, reafirmada, porque é fácil, fácil de ser esquecida. Alguns dirão que tudo não passa de intransigência da minha parte. Que seja então, que seja.


Lá vou eu fazer mea culpa... vejam só, não é para ler a postagem das ''quaisquer coisas'' e sentir peninha da autora, como se ela estivesse derramando um ódio ciumento em cima dos casais consumistas do mundo, ok? A interpretação é mais que uma leitura feroz vendo só o que quer ver, e tenho absoluta certeza de que, antenados que são, meus leitores sabem disso. Eu só quis dizer mesmo é que presente - no sentido físico da coisa - é mero acessório quando há encantamento gratuito, parceria, perna tremendo, coração acelerado, amor e amor ao quadrado. A frase daquela moça somente me irritou, porque veio aos meus ouvidos como que reunindo numa única assertiva toda a mercantilização dos sentimentos que me enoja desde sempre. E falando nisso, do jeito como as coisas andam, penso ser o encantamento gratuito - e, principalmente, recíproco!!! - o grande presente da vez. Distribuam beijos, em vez de notas, seus sortudinhos de uma figa!


Desde que abracei a maternidade felina, li de tudo um pouco para aprender a lidar com tal criaturinha fascinante, o gato - que, dizem, não é de hoje que sofre com a hostilidade humana. Trata-se de um mistério de muitos anos atrás e obviamente não entrarei em detalhes, por me faltar repertório...
Mas que intriga, isso intriga. Há quem diga que o gato, esse ser frio e calculista, gasta boa parte de suas sete vidas (sic) tramando contra a paz do seu dono. Dia desses, ouvi um achado:

- Não é tu que escolhe o gato, ele é que te escolhe. Se ele não gostar de ti de início, não vai gostar nunca.

Olha, pode até ser, já diria o fulano lá que ''há mais coisas entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia''. Ainda assim, custa-me acreditar em um gato ardiloso com olhar de mafioso e riso cínico, bolando mil e um planos para acabar com o bom andamento dos fatos - fato este que nos leva a outro ponto: o ser humano não gosta do gato, porque não consegue dominá-lo, como usualmente acontece com os cãezinhos. Nada contra eles, claro, amo igualmente, mas que têm talento para a servidão, isso têm. E é simples assim mesmo. O gato nunca será seu e unicamente seu animalzinho de estimação, meu caro. Ele é do mundo, da noite, ele é senhor de si. Para mim, todo o charme dele reside nisso, nessa parceria, nessa afetividade que não é carência, é zelo mútuo. E só. Mas há quem diga que ele é um lobinho em pele de cordeiro, logo...
É sempre válido trazer à análise também aquele chato de mesa de bar que adora comparar cães a gatos, como se ambas as espécies precisassem ficar cada uma em um canto no ringue da predileção humana. Vocês sabiam que dá para amar os dois, sem fazer comparações despropositadas? Parece inédito, né? Mas não é.





terça-feira, 21 de maio de 2013

Sobre oito canções e um desabafo

Fuçando nas catacumbas musicais da internet, achei uma banda incrível, dia desses. Seu nome me chamou atenção, e eu resolvi investigar. Ok, a tal banda existe há uns trocentos anos, mas só em 2013 fomos formalmente apresentadas: essas novidades velhas com que o cotidiano nos brinda, vez que outra. (Adoro surpresas em dó maior!) Baixei uma música e achei ótima. Baixei duas, três, continuei achando espetacular. Aí lá pela quarta música, eu já comecei a ficar desconfiada: o universo não costuma ser tão camarada, meu chapa... quando a expectativa é alta, naturalmente nos decepcionamos, é da natureza do joguinho. O fato é que eu segui baixando os arquivos e ficando embasbacada. Na oitava música, eu parei. Parei, medrosa. Parei, preocupada com um possível decréscimo de qualidade dos músicos recém descobertos. "Ah, oito músicas tá louco de bom!'' - pensava, ridícula e convictamente.
Mas aí eu comecei a pensar no interessante da questão, porque eu sou um robô que só sabe pensar - como é do conhecimento de vocês. Essas oito músicas eram o retrato do que sempre me frustrou na vida, um medo infantil de que, depois de tudo dar certo, tudo começasse a ruir lindamente. Não somos criados para abraçar a felicidade que vem sem pedágio, porque escutamos desde pequenos que ela não vem tão fácil. Como se sofrer muito antes fosse preciso para dignificar o bônus. Para dignificar minha santa playlist, amém. Aquelas tais oito canções estrangeiras mais velhas que o sol eram também oito encontros com aquele cara charmoso e adorável que eu não quis mais ver, porque fiquei com medo. Burra e musical, como sempre. Fiquei só com a banda - que, felizmente, não me decepcionou.


SÓ POR HOJE

Tudo começou inocentemente, quando tive um primeiro contato com aquilo. Eu sabia de sua existência desde muito nova, mas nunca tinha ficado tão próxima. De imediato, não imaginei que pudesse ficar tão refém, tão viciada, tão obcecada. Mas o fato é que eu fiquei. E estou há algum tempo. Não consigo pensar quase em mais nada. Tenho medo da reação das pessoas, ao saberem disso. Se saio às ruas, não consigo me controlar. Se vejo um, fico abalada, não consigo mais nem raciocinar. Me sinto dopada, inundada por sentimentos possessivos que nem sabia que existiam. E fica cada vez mais grave, pois eu realmente quero tirar todos os felinos da rua. Eu quero adotar um mundo de felinos. Bom, só por hoje eu me contentei somente com o meu. Mas até quando irei suportar?







quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sobre fotos na balada e ''quaisquer coisas''

Bom, com a expressiva marca de 01 comentário - eu disse um único comentário - na última postagem, vejo que meu poder de persuasão é praticamente nulo. Óbvio, eu pensei em implorar, sabe, tipo assim: ''comenteeeeeeeeem, pelamordedeus, se forem fãs de Friends, pra gente trocar figurinhas, vai ser mó legal'', mas, enfim, só a fofa da Cris atendeu meu pedido. Não sei se vocês não são entusiastas da finada série. Ou não quiseram me dar moral mesmo. Enquanto eu sigo com a dúvida, vamos falar de outras coisas.
Como por exemplo, por que as meninas, hoje em dia, têm se curvado para tirar fotos nas suas baladinhas? Quer dizer, há uma febre geral de lordose crônica se manifestando, e eu não tô sabendo? Gostaria de entender, pois, assim como elas, também vou a festas e tiro fotos, mas nem por isso sinto necessidade de empinar meu pouco sinuoso derrière, quando algum feliz grita ''sorria!''. Bom, talvez seja pelo fato de ele ser pouco sinuoso - e aí é só ciúme galopante por não possuir um traseiro autenticamente brasileiro. Enfim, vamos investigar o porquê de tal fenômeno, tô curiosa.

Também queria falar do mal de 12 de junho. Mentira, não é mal, é uma graça ver casais fofos declarando amor mútuo e eterno em um dia especialmente pensado para isso. É um amor. Um amor em 5x sem juros no cartão. Mas não consigo ficar indiferente a um certo espírito de hipocrisia que paira sobre a data - e sobre tantas outras. Outro dia mesmo, escutei uma conhecida - uma vez que a criatura é só conhecida, tô liberada pra falar, ok - bradar que ''já tinha que ir pesquisando presente, porque não podia dar qualquer coisa pro seu excelentíssimo'' - excelentíssimo este, que, dado o seu tom de voz, julguei ser uma espécie de executivo da Bolsa, sei lá. Como presentear um lord que anda num conversível com qualquer coisa, né, galera? Não dá. Eu fiquei matutando, evidente. Seria o amor do casal passível de suportar um presente escolhido ao léu? Estariam eles juntos somente para se presentearem com presentes que não são quaisquer coisas? O que vem a ser qualquer coisa em um relacionamento em que, supostamente, a paixão deve ser item primordial para dar certo? Se tal qualquer coisa não tiver um preço elevado, não será digna do seu príncipe moderno? Eu perguntei tudo isso pra ela. Em pensamento, mas perguntei. Em meio a tantas dúvidas, certamente alguém vai lucrar quando a donzela resolver ir às compras para provar seu amor. Mas será que todos sairão ganhando?







quinta-feira, 9 de maio de 2013

Hey, lobsters, 9 anos sem Friends!

Dá pra acreditar que há 9 anos não sabemos como vão as vidas de Joey, Chandler, Monica, Rachel, Phoebe e Ross????????? Hein, como isso??? Em 6 de maio de 2004 (oi, 1º ano do Ensino Médio. oi, fase cabulosa da minha vida) ia ao ar o último episódio da saga dos seis miguxos mais famosos da TV americana, e, segundo informações exclusivas que catei no Google, bateu todos os recordes possíveis de audiência. Também pudera, né. Até hoje eu sonho saber como vai a infância da Emma, como vai a nova casa da Mon e do Chan e a vida deles com os gêmeos, como vai a vida de casada da Pheebs, como vai a vida de solteiro inveterado do Joe, até hoje........ e isso parte meu coraçãozinho em um zilhão de pedaços. Por isso me agarro às reprises como se disso dependesse minha sobrevivência. Eu queria fazer um post babaca com, digamos, os 10 episódios mais marcantes (porque tô ficando boa nisso, diz aê) da série, mas, cara, não sei escolher. Aí pensei em escolher os que eu achei mais engraçados de cada temporada, e....... não dá também. Não sei escolher. Aí pensei em fazer um apanhadão com as piadas mais recorrentes e engraçadas, tipo Ross versus divórcio, Monica versus gordura, Chandler versus inabilidade com as mulheres - ou aquelas tiradas impagáveis da Pheebs e do pai do Ross e da Monica, e...... também não sei fazer, é tudo tão bom, que é injusto escolher. Super concordo que é um clichê desgraçado amar essa gente, mas não posso evitar. Friends marcou toda uma geração, Friends marcou minha vida. (snif!) 


                                                     Como não amar essa fase zoadíssima do Ross? LOL


Mas peraí, eu tenho meus episódios favoritos, claro, aliás essa foto acima é de um deles - que é recorrente também na  lista de favoritos de meio mundo: o do vídeo de formatura, quando a Rachel e o Ross finalmente ficam juntos - 14º da segunda temporada. Ahhhhh como eu amo a segunda temporada! Joey e Chandler esquecendo o filho do Ross, Ben, no ônibus, foi uma das cenas dessa que mais me marcaram também.


                                                 Corridinha básica atrás do ônibus para recuperar a cria.


E quais são os preferidos de vocês???? Contem nos comentários, lobsters!


Beijoca




domingo, 5 de maio de 2013

Sobre enjoos, enjoeiras, a enjoada-mor

Eu enjoo de tudo. Eu enjoo de músicas - tirando, claro, os eleitos da vida inteira. Eu enjoo de comidas. Eu, seguidamente, enjoo da cara das pessoas - tirando, claro, os eleitos da vida inteira. Eu enjoo de circunstâncias. Eu enjoo do meu trajeto de todo dia na rua. Eu enjoo de tudo, man! Mamãe sempre esteve certa, quando afirmou que..... err......

- Bruna, tu é muito enjoada! (2001)

- Cruzes, minha filha, como tu é enjoada! (2008)

- Eu não sei, tu tá sempre enjoada de tudo! (2013)

Eu sou enjoada. Meu Deus santíssimo, como eu sou enjoada! Vocês também são assim? Eu acho que essa síndrome é meio geral, mas sempre rolam aqueles dias em que você se considera o anticristo, todo desajustado, todo inédito na enjoeira de enjoar de tudo. E aí deprime um cadim, né, ninguém gosta de se sentir uma exceção que enoja meio mundo. Enjoa meio mundo.
E fica grave, pois dedicar uma postagem à coisa é sinal de que a enjoeira vai demorar pra passar. Ou talvez não, né, já que eu também enjoo de pensar sempre a mesma coisa. Ultimamente, tenho estado enjoada das mesmas malditas ideias fixas, de me prender a fatos que me fizeram mal, de não me adaptar a uma nova fase em minha vida. Eu enjoei até da haste dos meus óculos de grau. Enjoei dos meus livros, enjoei das citações que eu sempre adorei, enjoei de Portuguesa, e agora não sei que sabor pedir.
Ando enjoada, por sempre ser tão previsível. E escrever sempre do mesmo jeito aqui.  


Att:

Enjoada-mor






quarta-feira, 1 de maio de 2013

Sobre tortas de contradição, sofrimentos e a princesa do Mario

Tem dias em que eu queria não escrever de modo tão biográfico aqui, sei lá, não me expor muito, porque isso implica algumas situações desagradáveis. Como daquela vez em que eu escrevi não-sei-que-coisa por essas bandas, e, no meio de uma discussão, me engasguei com uma deliciosa torta de contradição. Lindo de ver.

- Ué, Beltrana, mas tu já não escreveu e reafirmou tal coisa lá?

- Oi, é comigo? Cuma?

Mas nãããão, eu teimo, eu despejo todas as minhas angústias e ânsias aqui, sem o mínimo senso de ridículo, mesmo estando careca de saber que isso não é bom negócio. Eu sou uma péssima editora-chefe de mim mesma, em outras palavras. Se eu fosse uma publicação, certamente não venderia. Porque eu não sou comercial, eu nasci fora de moda. E, possivelmente, hei de honrar a sina da indiferença editorial. Contudo, vou parar com a sessão de análise, porque de coitadismo já me basta o dos meus papos com o espelho, e vocês não têm obrigação de ouvirem essas ladainhas - esse bônus é do meu gato. Exceto, claro, quando ele resolve me arranhar. Nem o gato me aguenta às vezes, percebam o drama.

Há alguns - vários - meses, eu me convenci de que sofrer pelo que não dependia exclusivamente da minha boa vontade era insanidade. Assimilei de forma estudantil a coisa e estava me saindo muito bem, até então. Genial, não? Qualquer pessoa bem resolvida sabe que é atraso de vida gastar energia e lágrimas com o que depende de fatores externos - que não sejam, por exemplo, iguais ao ato de levantar cedo da manhã irradiando amor e fazendo a sua parte. O ''nossa parte'' tá na mão, chefia, mas e o resto? Se não vai chover no sábado e vão aceitar nosso projeto? Se vão responder nossos e-mails, que foram enviados, claro, com educação e atenção ímpares? Não sabemos. Mas o "nossa parte" segue vívido, serelepe, esperando uma chance de ter valor. Qualquer pessoa, racional que é, sabe que é atraso de vida, reitero. Mas quem disse que processamos as coisas com essa frieza? Humanos que somos, queremos recompensas urgentes. "Mas eu fiz a minha parte, poxa!" E voltamos a sofrer. Eu voltei.

Não foi legal lutar e lutar, e terminar hoje com um "Thank you, Mario, but our princess is in another castle". Isso veio muito ao encontro do meu estado de espírito ultimamente. Aquelas mensagens subliminares do cotidiano, faz parte. Quer dizer, grande porcaria o que você fez no início, Mario, brigadão, hein, mas não vai rolar. Show de bola mesmo, mas não. O que está acontecendo comigo e com o Mario? Dois fodidos, eu e ele. Nos merecemos.