quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Isis e eu

Dia desses, um cara comentou altas grosserias numa foto minha (um feioso que estava querendo este corpinho, mas isso a Globo não mostra, uééééééé). Enfim, eu apaguei porque o senso de libra aqui é fortíssimo e odeio coisas feias e grosseiras visíveis em lugares que frequento (talvez isso seja indício de querer tudo sempre cor-de-rosa, aprofundaremos em outro post). O fato é que o moço me esculachou - ainda que, outrora, quisesse comer - dizendo para eu não me achar tanto visto que, perto de beldades como Isis Valverde, Fulana Não Sei Das Quantas (alguma boazuda fitness que nunca nem vi e que deve tirar foto olhando pro chão) e outras mulheres que não identifiquei no comentário magoado, eu era feia pra caralho. Eu, Bruna C., 28 anos, feia pra caralho e humilhada em rede social. Lamentei, claro, mas mais por ele não ter sacado o meme que originou a legenda da foto - olha, feiura até relevamos, mas não sacar um meme? Poxa, estamos falando de uma indústria brasileira vital. Mas, vamos lá, se tem algo que eu capto nessa vidinha obscura é a profundidade das coisas. Este feio incapacitado para entender ironias, achando que estava acabando comigo, só aguçou meu senso de observação. 
É evidente que nunca chegaremos aos pés de mulheres midiáticas. Em tempos de Instagram, então, não temos a mínima chance. Percebam o aparato estético que repousa por trás de uma mera selfie. Percebam o staff que trabalha incansavelmente para que essas mulheres pareçam perfeitas, gostosíssimas, sem manchas, sem rugas, sem lactose, sem glúten. Na maioria das vezes, elas realmente são lindas - o ponto não é esse -, mas elas sempre estarão à frente por disporem do recurso feroz da idolatria... ah, a idolatria, a fama, os olimpianos modernos. Estranho falar de idolatria baseada em número expressivo de seguidores e milhões de curtidas, não? É, esses são os monstrinhos que vocês criaram. E que as adolescentes admiram e têm o sonho de conhecer. Cá entre nós, as pessoas já tiveram sonhos melhores.  
A Isis, por exemplo - única criatura que visualizei no rol de princesas citadas -, é lindíssima. Corpão, sorrisão, um mulherão, óbvio. A moça aparece na emissora do Marinho desde 2006, quando interpretou Ana do Véu em Sinhá Moça. São quase 12 anos ininterruptos de Isis Valverde no seu televisor, minha senhora. A atriz já fez trocentos comerciais e campanhas publicitárias, já estampou incontáveis outdoors, já foi presença vip em zilhões de festas estranhas com gente esquisita. Eu tenho medo de ir à cozinha de madrugada beber água e dar de cara com ela. Que chance tenho eu contra Isis? Que chance tem minha bunda contra os glúteos personalizadamente treinados de Isis? Que chance tem meu sorriso contra o sorriso-camada-extra-de-refrescância de Isis? Que chance tenho eu se é o rostinho de Isis que para multidões ávidas por uma fotografia, um aceno que seja? Porra.
Só parecemos esquecer que esses dínamos da visibilidade são, ops, seres humanos como nós. Claro, as cifras volumosas amenizam tudo, mas eles seguem tendo fraquezas, dias ruins, questionamentos, espinhas, celulites, ciúmes, invejas, chulé e papeis chatíssimos em novelas. Isis pode se achar uma atriz medíocre em algum momento ou será que não? Pode se comparar com alguma colega de elenco em algum momento ou nasceu cientíssima de seu talento e brilho? Isis tem TPM. Tem dias em que Isis quer é ver os fãs pelas costas - e eu não condeno, só vocês mesmo para pedirem foto em aeroporto com a pessoa virada devido a 15 horas de voo. Isis chora, Isis tem seus dramas. Tentem imaginar Isis sem toda a parafernália por trás de Isis. Ou qualquer outro famoso, famosa, papagaio, cachorro. Quem são esses seres quando todas as luzes se apagaram e a bebida esquentou? E todas as pressões para permanecerem onde estão ou acham que estão? Só sendo muito ingênuo para não fazer uma leitura básica dessas e ofender por ofender, assim sem criticidade nenhuma (lembrem-se, até para proferir uma ofensa de gabarito é necessário um mínimo de sagacidade, do contrário, quem vira piada é você). Só sendo muito ingênuo - nosso amigo punheteiro que o diga.










terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Mimos, calça jeans, hang loose do perdão

Por quê???????? Por que, Deus? Ó, pai, por que me abandonaste? Eu juro que tentei não dar atenção, mas me parece que isso não é opção hoje em dia: as coisas pulam na nossa cara. Coraaaaagem! 

OIE, MININAS, APAIXONADÍSSIMA NESSE VESTIDO

OLÁ, SEGUIMORES, APAIXONADÍSSIMA NESSE LOOK

APAIXONADA NA MINHA NOVA PAPETE DO SENNINHA

APAIXONADA NO MEU BOY CROSSFITEIRO

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA APAIXONADA NISSO, CARA? NISSO? 
APAIXONADA NELE? N E L E? VOCÊS COMERAM COCÔ COM LINHAÇA?

Será um regionalismo? Se for, peço perdão - inclusive me prontifico a apagar tal curtinha e gravar um vídeo me chicoteando mentira. Mas desconfio que seja só burrice mesmo. Ou retardo mental? Eu fico confusa, sabe, porque a regência de ''apaixonado/a'' nem é das coisas mais difíceis que existem na vida - e, possivelmente, desde a tenra idade sabemos como falar/escrever. Se sou apaixonado, sou apaixonado por, certo? Mimo com intensivão do Pasquale quando é que vai vir, hein? Quem sabe um QI básico?


Sapato? Até gosto, mas não me corrompe. Maquiagem? É... vá lá. Bolsas? Hummmm... bom, jogo duríssimo mas ainda sigo a inteligência emocional. Calça jeans? Não, não dá. E liquidação de calça jeans? Nem estou escrevendo este texto mais. Se tu, por exemplo, ficas em promoção às quatro da tarde, desde a madrugada anterior estarei plantada em frente a sua vitrine, sua linda! Dias atrás, após fazer uma aquisição deveras acertada de uma graciosa bebê, me veio a iluminação: porra, calça jeans! Eu nunca falei de calça jeans! Sou completamente doida, o coração dispara, tropeça, quase para. Foto com Tiago Iorc ou calça jeans? Que pergunta, francamente. Devem ter feito uma lavagem cerebral bizarra em little Bruna, pois, quando flerto com uma em alguma arara da vida, só consigo pensar na Cindy Crawford abraçada por seu queridinho Levi's na icônica propaganda dos anos 90 (inclusive se a Levi's quiser me patrocinar, vamos fazendo). Me imaginar Cindy bem gata garota é questão de minutos, já está feita a merda no já fodido orçamento. Se Marilyn Monroe dormia somente com duas gotinhas de Chanel nº 5, vou mais além e digo que, se pudesse, só vestiria meu jeans favorito para viver. Só ele. 


Vi, na minha página pessoal ao lado, a lembrança de uma postagem de uns anos atrás aqui do excelentíssimo blog e tive uma minimorte - sim, minimorte se escreve junto, arrombado. Me lembrei automaticamente de todo o processo de criação, dos sentimentos envolvidos no texto e da cabeça de outrora.... uééé? Rolou a conhecida indigestão. Será isso a vida? Nos envergonhar do que já fomos? Do que dissemos? Das opiniões burras que proferimos? Dos textos imbecis que publicamos? Dos hífens equivocados que colocamos? Onde não puderes pôr o hífen, não te demores. Não é que eu pense totalmente diferente sobre o assunto da época em questão, mas também não é como se eu fosse escrever tudo igualzinho hoje em dia. Será que amadureci? Será que regredi? Só sei que ali não me reconheci mais. Pensei em apagar, fiz graça, mas aí lembrei que ninguém dá a mínima e fiz uma hang loose do perdão. Dei um riso debochado e condescendente, desses que só nós sabemos, e fiquei matutando com a mão no queixo. Vai ser sempre assim. Nunca estaremos prontos. Vamos sentir o rosto queimar de vergonha alheia muitas vezes mais. Porque as experiências vão se cruzar, as águas que, tempos atrás, foram renegadas vão ser bebidas com gosto, o que condenamos será lindo e o que acalentava a alma nos fará vomitar ali adiante - talvez até literalmente, nunca se sabe. Saber lidar saudavelmente com isso é o grande desafio. E vocês aprenderem a usar o hífen, óbvio.   


                                                                   OIE




  


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Funk não é cultura

Depois do milionésimo ''funk não é cultura'' ouvido na conversa, decidi sair dali. Meio abismada com a burrice humana, mas muito convicta de que precisava escrever algo. Eu queria realmente entender o que vem à cabeça das pessoas quando falam em cultura. Inteligência? Refinamento? Saber usar este ou aquele talher? Vamos começar pelo basicão: cultura não é grau de instrução. Uma pessoa analfabeta tem cultura, assim como nós e nossos diplominhas fétidos. Quando ouço alguém dizer que fulano não tem cultura, só consigo pensar num esvaziamento daquele ser. É de uma ignorância aterradora dizer que as pessoas não têm cultura, quer dizer, toda a vivência delas não significa nada? E o jeito como elas levam a vida, se vestem, se relacionam, consomem? 
Eu, particularmente, acho funk um saco, prefiro ouvir um Greatest Hits inteiro da betoneira do vizinho a dar ibope. Não me sinto empoderada ouvindo, não gosto das letras, não consigo apreciar os arranjos e não consumo estando 100% sóbria e em pleno uso de minhas faculdades mentais (a gente até ama dar uma sentadinha marota, mas o estardalhaço estraga tudo), mas daí a dizer que isso não faz parte da cultura brasileira é de uma falta de conhecimento comovente. Cultura brasileira, olha que loucura, é Noel Rosa e Mc Kevinho - o que não quer dizer que Kevinho esteja qualitativamente à altura de Noel, tentem se acalmar. Funk é cultura, sim. É uma manifestação genuína de valores, percepções, desejos, é voz de uma infinidade de pessoas e como elas enxergam o mundo. Existe cultura ali, porque ela denuncia um modo de viver. Cultura não é somente algo que achamos bacaninha de consumir ou que denota elevado poder aquisitivo, sacam? Cultura é novela, Big Brother, Youtubers (argh), History Channel, Machado de Assis, Ingmar Bergman e Mazzaropi, todo mundo junto e misturado e existindo e provocando reações. Cultura simplesmente existe.
A despeito da negação bizarra do começo do texto, não vou negar que me faço algumas perguntas inocentíssimas como uma mera espectadora da coisa - pois, querendo ou não, os funkeiros sempre me provocam riso nem que seja. Por que falam do que falam e falam desse jeito? Querem chamar atenção, chocar? Querem ser ouvidos? E se querem, por que dessa maneira? Que imagem querem passar? Serão eles mais lascivos e trepantinos que nós, pobres de nós? Será que a favela não sabe falar de amor? Do amor antes da trepada e do amor que fica depois da trepada? ''Não vá morrer sem experimentar a maravilha de trepar com amor.'' Poderia ser Bonde do Tigrão, mas é só Gabriel García Marquez doce e certeiro. Nem só de mamadas infrutíferas vive um ser, acho que eles conseguem ir um pouco além.


                                                                   Q?









sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Show da vida

Saquem o conto açucarado do qual tomei conhecimento hoje - na verdade, sei dele há uns meses mas somente hoje fui atingida pela epifania. Epifania louca que caiu como uma bigorna na minha cabeça - epifania boa é assim, rasgando convicções. Que história! Digna de passar em algum programa de auditório no domingo e tudo - não por ser ridícula e sensacionalista, mas por ser verdadeiramente linda e comovente. Não que programas de auditório no domingo não sejam ridículos e sensacionalistas, vocês me entenderam. Enfim, vamos aos fatos. 
É sobre um casal, claro, awnnnnnn. Ela, gaúcha, meia idade, filhos criados, várias desilusões pelo caminho. Ele, um italiano que vivia na Suíça (e muitas coisas trazia de lá, zoei), e todo o resto também pois o roteiro costuma se repetir com todos os mortais que já têm algumas bagagens na vida - boas e ruins. Entre eles, impensáveis quilômetros e o Atlântico inteiro. Quem diria? Até eu, que creio em todas as possibilidades amorosas, duvidaria. Mas aí um aplicativo de relacionamentos aconteceu na vida deles. E eles aconteceram também há quatro anos. Não precisam mais de torcida para darem certo, já deram! Tem dado, está dando, como tudo que está fadado para ser nessa imensidão da qual pouco temos conhecimento, sob esse céu que nos abraça. Vai se foder, isso é muito lindo. Ou eu que estou de TPM e chorando sensibilidade por todos os poros, escolham aí. Ele largou uma Europa invernal, charmosa e emocionalmente segura para se aventurar num país quente, razoavelmente charmosinho mas totalmente incógnito romanticamente - até então, o amor era só uma projeção embasada em calorosas conversas virtuais. Quem diria, meus amigos? Essa coisa toda é uma sinopse completinha do já extinto programa Cilada. Mas a vida, essa ratazana.... depois disso, o futuro já é hoje e temos um gringo que ninguém diz ter nascido fora do Brasil. No mínimo, inspirador. 
Fiquei a pensar, meus caros. Se isso não é amor, não sei mais o que pode ser. Um coração cheio de vontade é capaz de minimizar fronteiras - e não só as geográficas. Claro que há casos e casos, mas definitivamente quando uma pessoa está disposta e fazer mudanças drásticas em sua vivência a fim de ficar perto de alguém - simplesmente ficar perto, vejam a nobreza - é porque há algo sólido no propósito. É realmente querer com toda a verdade que isso traz. É a velha história do ''quem quer, arruma um jeito''. Quem quer faz Brasil virar Suíça, faz estrangeira virar amor da vida, faz filhos de casamentos anteriores virarem família. Quem quer, faz. Eu não acreditava muito nisso, mas o bom da virada dos anos é que eles podem trazer novas percepções. Todo mundo merece alguém que lute por nós. Bom, talvez nem todos (certamente nem todos, não dá para ser tão otimista aqui), mas essa mulher certamente merecia e foi contemplada no sorteio do incrível show da vida. Aproveite seu prêmio, ma oeeee. Caiu um cisco aqui.   





Auxiliou no post: 

Little Joy, com Keep me in mind, No one's better sake e Unattainable