terça-feira, 30 de agosto de 2011

Metalinguagem agridoce

       Vou fazer algo diferente. Usarei a postagem de hoje para falar das minhas postagens - umas das minhas preferidas e tal, e que, de certa forma, foram relegadas por vocês, gracinhas! Eis um legítimo exemplo de metalinguagem agridoce.
       Qual é o problema com vocês, velho? Já escrevi por aqui uns textos que amei e tal - cujos momentos foram de inspiração extrema, um luxo - mas que não ganharam nada, além do ostracismo eterno de vossos olhinhos. Sei que a geral lê o que quiser, quando quiser - e se quiser, claro. Mas, poxa, aí eu falo de um sonho tosco que tive com uma música do Trem da Alegria - até hoje muito incógnito para mim - e o post torna-se um dos mais visitados da história do Criatura Agridoce Corporation? rs // Frankly, my dear, boiei. Devem ter sido os fãs dos pirralhos cantores, só pode.
       Não me xinguem - caso não tenham notado, esse post é da galera, do bem, tô di zua - só estou mostrando meu espanto quanto a esse fato, que me pareceu muito peculiar. Já escrevi uns textos e depois pensei: "Caraleeeeo, esse aqui vai bombar, o pessoal vai me amar muito e zás" - e nem visita tiveram. E outros que fiz meio no piloto automático, sem muita paixão, e, de repente, foram os mais lidos e etc. Não deixa de ser instigante. Queria tanto que vocês lessem outras cositas...
       Peço que amem de coração "Maluca Paixão" (Agosto. // Só porque eu criei em tempo recorde, cerca de 15 minutos e ri muito escrevendo), "Verdinhas" (Maio. // Sim, foi para cada idiota bobalhão, que não tem nada, além de dinheiro na vidinha medíocre e patética), "Entre no jogo" (Abril // De-sa-ba-fo), "Por quem os sinos dobram" (Julho // Achei tão doce. rs), "Meu caro amigo" (Abril // Alôu, é o Chi-co-Bu-ar-que), "Sandália do mal" (Janeiro // Descrição linda de um tombo que caí na facul. rs), "As coisas como são" (Fevereiro // Sobre foras sutis), "Os estranhos" (Julho // Estranheza nossa da cada dia), "Serenar o coração" (Agosto // Ah, muito amor, achei tão delícia, cês não se identificam?).

sábado, 27 de agosto de 2011

Pra ver se cola

         Vocês, certamente, já sonharam muitas coisas toscas e abismantes durante esses anos de sonecas aleatórias à tarde e noites de sono bem dormidas. Eu também. Todos nós temos um histórico ridículo de sonhos para divertir qualquer um. É cada uma, né, galera? Como somos criativos nos enredos, nos personagens, nos detalhes, nos efeitos especiais, no suspense, hein? No meu caso, as histórias renderiam, tranquilamente, um novelão mexicano daqueles. Acho até que tô perdendo de ganhar uns pilas...
          Pois, esses dias, estava vendo alguma porcaria na TV sobre grupos musicais infantis que fizeram sucesso na década de 80 e eis que fiquei - lógico! - com um refrão-infantil-chiclezão de um tal Trem da Alegria atucanando as idéias. Tá, confesso, achei "Pra ver se cola" bem engraçadinha e simpática. Um lovezinho, até me imaginei na escola, novamente - naquele clima de sedução entre crias que vão apontar os lápis, juntas, com o intuito de paquerarem numa nice. Mas sonhar com a música não seria imaginação fértil demais? Acordei rindo. Eita sonho idiota! rs
          Não posso presenteá-los com spoilers da trama sonhada, uma vez que não quero sofrer bullying da sociedade e nem de vocês, amados leitores. Só posso revelar que eu cantava a canção gracinha, já mencionada, muito insanamente. E para qualquer um que passasse na rua. Estava tomada por um pensamento que brilhava e dizia as seguintes palavras: "cola o teu desenho no meu pra ver se cola, cola o meu retrato no teu e me namora, comigo nessa dança, um sonho de criança..." AEUIAHEIAHEUAHEUHA
          Brincadeiras à parte, o fato é que não entendi bulhufas. Sempre fui de dar crédito ao que se passa em minha mente, enquanto durmo serena e feliz - acredito no poder do inconsciente e tal - mas dessa vez, fiquei só com as risadas. O que será que isso tudo quis dizer, Tio Freud? Será que é um sinal de que serei cantora e aterrorizarei criancinhas com minha voz de taquara rachada? Ou será que é hora de colar meu retrato por aí? NOSSA!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A Legalidade e o Jango

         E não é que a chamada "Campanha da Legalidade" está completando 50 primaverinhas? Há alguns dias, Zero Hora e Correio do Povo têm feito matérias bonitinhas acerca do ocorrido - que garantiu a posse do nosso gracioso João Goulart, após "forças terríveis" terem feito Jânio Quadros abrir mão da presidência. Fico aqui pensando sobre esses acontecimentos que definiram os rumos da pátria, sabem? Nesse caso, não fixo os neurônios, necessariamente, à Operação Legalidade: Brizola contra-ataca, mas, sim, a todos os meandros que levaram ao fato... ao que poderia ter sido e não foi... ao que nunca se explicou... às aspas abertas pelo tempo, enfim. Não reparem, sou suspeita para falar disso: tenho paixão doentia por história, e não quero me curar. Sem falar que esse período brasileiro me instiga de um modo muito particular.
         Já pararam para pensar que o Brasil poderia ser muito diferente do que é atualmente? (Devo ser a única criatura disposta a viajar na maionese sobre isso, que sina!) É bem verdade que a tal campanha permitiu a Jango assumir um lugar que, embora seu por direito, estava sendo relegado, mas não nego meu ceticismo em relação a toda a novelinha de manutenção da democracia e bla bla bla. A questão é que, a julgar por suas posições liberais e seu histórico de apoio à causa trabalhista, poucos o queriam à frente da nação. Taí a adoção do polêmico sistema parlamentarista que não me deixa mentir, né, lindos? Logo, não entendo por que romantizar nos jornais todo esse flashback, honestamente.
         Para mim, que carrego um espírito nerd soberano, as perguntas são inevitáveis. Se Jango tivesse assumido no regime presidencialista já em 1961 - não após o emblemático plebiscito - o que teria feito? Os milicos teriam se rebelado e tocado o terror antes de 64? Se tivesse executado suas tão famosas reformas de base, teríamos um país menos miserável e ignorante? Caminhávamos, de fato, para o comunismo? Ou ele só queria atenuar as gritantes disparidades sociais, que - vejam só - persistem ferozes? Teríamos uma ditadura de esquerda? E qual era a do Jânio, afinal? Até hoje me pergunto o que esse curioso bigodudo tramava quando resolveu fazer o revolts e renunciar. 
É muito mistério para pouco livro de história contar...

Se é que aguentaram ler até o final... o que vocês, conhecedores de um passado não muito distante do solo tupiniquim, pensam a respeito?



domingo, 21 de agosto de 2011

Hamlet me entende

          Eu ainda tô naquela vibe filosófica do texto e suas intrincadas correlações. Por que escrevê-lo? Aonde tudo vai? Ele ganha vida própria no instante em que é publicado, e vocês entendem o que querem? É tão curioso como seu processo de materialização é secreto, não tendo testemunha alguma além de quem o faz. "Há mais coisas entre o ato da escrita e a tela do computador do que sonha a vã filosofia de vocês." (#HamletFeelings #90Facts). Não resisti.
          No meu caso, são inúmeras as vivências tentando ter voz, ainda que, muitas vezes, fiquem mudas no melhor da polêmica. É simples: não é possível postar tudo fielmente com a crueza com que ocorre. Todavia, as entrelinhas estão aí, marcando presença, existindo um pouquinho em cada parágrafo percorrido. Misturando-se aos eufemismos bobos, às metáforas sem sentido, às hipérboles vaidosas, aos vícios de linguagem, a um corrosivo e agridoce jeito de ser... a uma particular e humana idiotice, enfim.
           Penso que, se eu estiver exultante, triste, resignada, intrigada, tranquila, infantil, adulta, coerente ou o escambau que for, tudo vai estar aqui - ainda que por linhas tortas. O fato é que o estado de espírito acompanha a narração do fato, a crônica, whatever, mas nem sempre está preso a uma impressão só; Nem sempre é fiel a um sentimento sozinho e cabô. O que eu tento, então, é uma reflexão bonitinha para tentar minimizar o gosto de cianureto de dentro da boca e ver se cola.   
           De alguma forma, eu e, vá lá, o que ficou pela metade vamos grudar nos verbos, nos substantivos, nos pontos e em tudo. Porém não sejam extremistas: não é preciso estar chorando as pitangas para falar de tristeza, nem estar sorrindo de orelha à orelha para divagar sobre felicidade. Há momentos que não se pode abstrair, simplesmente. Né, Hamleeeeet?

sábado, 20 de agosto de 2011

Feliz ano novo

       Feliz ano novo para mim e para aquela genial da Martha Medeiros! - sim, adoro o fato de saber que, hoje, também é "ano novo" para uma das minhas escritoras preferidas. Que ela siga escrevendo com maestria, enchendo meus olhos com aqueles textos incríveis de sempre, e que eu siga disciplinada nessa indiada pelo mundo das palavras. Quero uns 10% do faro literário dessa mulher, tem como? rs
        Pois é... sabadão gelado, sol petulante naquele joguinho clássico do "apareço e me escondo" - não fui brindada com um dia calorento, devo estar sendo uma menina má, só pode - e eu aqui meio que tentando curtir a data, afinal, tô aí, né... refleti, sonhei, desacreditei, sorri, chorei, tomei na cara, aprendi, regredi, amadureci, ganhei, perdi e, principalmente, sobrevivi. Um viva a essa imperfeita que vos fala e ao seu novo começo.
        Bueno, para ilustrar o momento pieguinhas, deixo uma letra que eu amo de paixão e que fala um pouco de como somos eternos aprendizes, de como as coisas são transitórias, de como é inútil tentar prever o futuro, de como a vida pode ser surpreendente...

Benditas

Benditas coisas que eu não sei
Os lugares onde não fui
Os gostos que não provei
Meus verdes ainda não maduros
Os espaços que ainda procuro
Nos amores que eu nunca encontrei
Benditas coisas que não sejam benditas

A vida é curta
Mas enquanto dura
Posso durante um minuto ou mais
Te beijar pra sempre, o amor não mente, não
Mente jamais

E desconhece do relógio o velho futuro
O tempo escorre num piscar de olhos
E dura muito além dos nossos sonhos mais puros
Bom é não saber o quanto a vida dura
Ou se estarei aqui na primavera futura
Posso brincar de eternidade agora
Sem culpa nenhuma...

Mart'nália

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Eu quero

O mistério escondido
O momento perdido
A culpa amadurecida
A dor diminuída

O beijo não dado
O colo negado
O tempo engatinhado
O desencontro superado

O vazio preenchido
O sonho revivido
A mágoa esquecida
A vida menos bandida

A palavra silenciada
A confissão escancarada
A palpitação desenfreada
A semelhança declarada

O sorriso seduzido
O medo vencido
A malícia subentendida
A alma enternecida

O olhar desviado
O abraço apertado
O gosto entranhado
O pensamento adivinhado

O zelo oferecido
O ciúme engolido
A tolice permitida
A fantasia atrevida

A lembrança anestesiada
A loucura abençoada
A química explicada
A magia para sempre guardada

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ninguém sabe

          Ninguém sabe, mas eu já iniciei uns 3 textos diferentes pelo menos, aqui, e nada. Pensei em uns títulos ótimos, fodásticos, e nada. Inspiração mandou lembrança. O que ocorre? Um minuto, que vou averiguar. Talvez seja meu editor imaginário, barrando minhas pautas na maior cara dura. Qual é a dele?
          Escrever é aquela espécie de tara. Ou você tem ou não tem - sei lá, me faltam argumentos plausíveis no momento, sejam bonzinhos. No meu caso, foi uma coisa que começou meio no susto e tal. Eu fazia umas redações bonitinhas e engajadas no colégio, abarrotava meus diários de escritas doces e panacas sobre garotos que ignoravam minha singela existência e quando vi, passei a considerar que estar nessa área seria um bom meio de ganhar a vida. Optar pelo Jornalismo foi o mais lógico para esse fim, naturalmente. Cheguei a flertar com o Direito, a Psicologia e a Moda - até Médica Pediatra eu quis ser AHEUHAEUAHE - mas o desejo de usar a "palavra" como matéria-prima de um possível trabalho acabou falando mais alto.
          O fato é que eu nunca planejei mergulhar nesse mar profundo dos devaneios literários, das reportagens, das crônicas e afins. Até hoje ando me perguntando se levo jeito para a coisa. Às vezes, tenho umas crises de perfeccionismo galopante e acho que "esse blog tá uma droga, essas coisa tão tudo uns lixo e eu não passo de uma fraude. Buaaaaaa". Escrever é tarefa inglória também. Provoca compulsão, faz você viver pensando nos textos seguintes e em como vai torná-los deliciosos para o leitor. Em como vai externar suas dores - sem parecer pateta demais aos olhos de pessoas que nunca o viram na vida. Em como, principalmente, vai imortalizar aqueles seus trechos carentes e soberbos no pensamento de algum transeunte por aí. No fundinho, você quer é arrebatar a geral. Quer ser amado de alguma forma.
           E não é que essa ladainha rendeu uma prosa? Nem sei por que reclamei de falta de inspiração, a propósito. Dizem que os escritores - sejam eles renomados ou anônimos - são solitários por natureza, pois trazem consigo a necessidade de parar, observar e digerir o que, seguidamente, fica perdido na correria dos dias. Pois eu digo que só escreve quem tem motivos. Eu tenho os meus e não são poucos, mas isso ninguém sabe.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Leozinho tem poder

           Eu sou patética. Irrecuperavelmente patética. Tanto, que, depois de um profundo exercício de monopólio do controle remoto (vulgarmente chamado como ato de zapear em frente à televisão), acabei assistindo ao Titanic, pela milionésima vez, em detrimento de tantos outros bons filmes - e para mim inéditos - que passavam simultaneamente. Me consola o fato de que, certamente, uma boa parcela de moças dispostas a chorar por Jack Dawson, novamente, também acabou prestigiando o filme do Sir James Cameron.
           Sejam tolerantes, poxa! Existe alguém que consiga ficar indiferente à história, às roupas puídas do Léo DiCaprio, ao amor dele e da Kate Winslet, à magnitude da produção, à adrenalina de imaginar que aquele navio, de fato, afundou e que cerca de 1500 pessoas perderam suas vidas nas gélidas águas do Atlântico Norte? Não, né? Eu, pelo menos, assim que vi estar passando, me senti inclinada a largar o que estava fazendo para acompanhar. E foi o que fiz. É uma das grandes obras-primas recentes do cinema, não se discute. Porém, não vou ficar aqui pagando pau para americano (ignorem as palavras açucaradas já escritas sobre a fita), mas sim utilizar um momento do filme como gancho para uma reflexão. Tentar extrair filosofia de onde, aparentemente, só sai glamour.
           Mais para o final, logo após Cal ter atirado diversas vezes contra Rose e Jack, os dois acabam voltando à parte do navio que já está imersa no oceano. Dão mil voltas e acabam encontrando Mr. Andrews, o responsável pela construção do titânico - que agora se vê engolido pelo iminente naufrágio. A moça troca algumas palavras de consolo com o projetista e, em seguida, é mostrado o futuro que aguarda tamanha suntuosidade: louças caríssimas quebradas, a mobília sendo devorada pela água, tudo, tudo, valendo praticamente nada diante de tanto desespero, diante da cruel constatação de que a elegância que pairava nos salões, uma semana atrás, nada mais era que a manifestação da miséria existencial das pessoas que dançavam neles.
            Foi aí que me assaltou o pensamento de que o ato de existir é muito mais que o “material”, as picuinhas e todas essas pequenezas diárias que insistem em roubar nosso sono. Principalmente, mais que a superestimação de certos fatos que, analisados de perto, não afetam em nada nossa paz. Minha mente ficou um bom tempo naquela cena, que foi sucedida por outras e outras, até o conhecido desfecho. A imagem do luxo ficando pequeno perante tamanha desolação. Por instantes, senti uma tristeza e fiquei avaliando a quantas andava o meu modo de encarar a vida.
            É, não posso negar que a sessão corujão, aparentemente inútil, acabou sendo de muita valia, uma vez que terminei a noite, enternecida pelo drama, jogada no sofá e entregue às lágrimas, vendendo paz e amor numa vibe angelical - ainda que, horas antes, estivesse enfurecida por conta de uma discussão de nível estratosférico. Incrível! Coisas que só um mocinho meigo e congelado faz pela gente.  
                                               

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Serenar o coração

        "É preciso serenar o coração". Escutei tais palavras, dia desses, de uma pessoa - muito sábia, por sinal - e tive que rir. Não um riso debochado, mas de condescendência. Tipo "bacaninha você me dizer isso, mas comigo não rola, porque eu já nasci assim, meio surtada e querendo tudo para ontem". Quem diabos consegue serenar o coração nesse mundo de gente doida? O que, realmente, essa oração subordinada subjetiva engraçadinha, tirada de algum livro barato de autoajuda, quer dizer? Virem-se, preciso de respostas.
         Esse verbo é um achado, é uma doçura, é um infinitivo digníssimo, mas não é para mim. Que mané serenar o coração o quê! Serenar o escambau, não sei fazer isso. Não sei brincar de ser serena. Ando sempre com o músculo cardíaco a 100Km/h, numa velocidade assassina e necessária. É aquela velha assertiva: "ruim com, pior sem". Já saquei. Tenho que conviver com essa (in)serenidade. Coração sereno in memorian. Nunca existiu no meu script.

sábado, 13 de agosto de 2011

Sobre "Maluca Paixão"

          A história, realmente, não contraria as críticas: não é lá grande coisa. É incomum e desastrosa. Mas, ainda assim, "Maluca Paixão" me acertou em cheio com sua proposta inovadora - ao menos, no campo das comédias românticas, onde tudo já é muito conhecido e previsível. Talvez eu leve uns tomates na cabeça, por defender um filme que foi alvo de todos os esculachos possíveis, quando estreou, mas o fato é que nunca prometi ser original por essas bandas. Ele é ruim, mas é daqueles que ensinam, entendem?
           É tudo muito desconexo, sim. Não há lógica nenhuma. Bradley Cooper, todavia, sabe ser charmoso como o cinegrafista Steve, objeto de cobiça da protagonista Mary Horowitz - personagem de Sandra Bullock - que, ainda que pareça carregar consigo toda a patetice existente no planeta, vejam só, é dona de uma incrível personalidade e de um coração que ousa sonhar. Embora o roteiro sofra de uma irreversível falta de lucidez, gostei de tudo. Tudinho. Da trilha, então, nem falemos. Não consigo parar de escutar I will follow him, canção gracinha que ilustra muito dignamente a saga de Mary no encalço do gostosão da câmera pelos vários cantos dos Estados Unidos. Quem nunca seguiu alguém, que atire a primeira pedra, não é mesmo?
           Simpatizei com tudo, como se tivesse participado da produção do longa. Feitinho para mim. Primeiro, porque fala do universo do passatempo que atende pelo nome de "palavra cruzada" - delícia com a qual me acostumei a "perder" bons minutos da minha vida, desde muito nova. Segundo, porque excursiona pela dinâmica do telejornalismo e da guerra de egos de âncoras - assunto explorado de forma leve, trazendo uma crítica sutil à reflexão. E terceiro, porque conta a trajetória dessa moça bem intencionada, meio excêntrica, cuja veia adolescente ainda salta aos olhos - fato que direciona às melhores piadas da trama e que me fez sentir retratada na tela. Se você, cara leitora, já quis algum mocinho de uma forma absurda e teve vontade de pular sobre ele como uma leoa faminta, provavelmente, se identificará do mesmo jeito com a nossa adorável Sandrinha. Simples assim.
            Em suma: não espere grandes cenas de amor, beijos intermináveis, química surreal entre o casal e um final estrelado. A graça está no irracional e nos pensamentos da compulsiva Horowitz, ao explicar os fundamentos das tais palavras cruzadas, entrelaçando-os com os rumos das vidas que existem por aí. Ah e, claro, também nos ataques histéricos da heroína apaixonada e na sua frase derradeira, que diz mais ou menos o seguinte: "Se ama alguém, deixe-o livre; Se tiver que persegui-lo, é porque não era para ficar com ele." Tá anotado, sua louca!
                     

        

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A retardada

          Era um daqueles trajetos clássicos à universidade para aprender. O ano era 2009, a van, como de costume, estava lotada, e o tédio - comum àqueles dias que parecem sempre iguais - era soberano. Bom, havia alguém que insistia em não calar a boca. Era a Bruna. Seus monólogos variavam bastante -escorregavam entre a suspensão da obrigatoriedade do diploma de jornalista, a implicância patológica de uma teacher com seus sapatos até declarações de tara irracional pelo Bento Ribeiro. Enfim, lá pelas tantas, seus devaneios ganhavam audiência.

- Ai, Bruna, tu é tão fora-da-casa... tão retardada. Tu devia fazer um filme, sei lá, uma comédia romântica, dessas bem bestas! - sentenciou uma colega de coletivo da matraca.

- Ai, juuuuuura? Jura que eu sou retard.. DIGO, que eu seria capaz de um roteiro vagabundo desses? - indagou, surpresa e xingada.


Quem se importa com rótulos, quando se tem uma história para filmar, não é, minha gente?

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O "incronicável"

          É madrugada em mim, os pensamentos estão a mil, o café esfriou ao lado do mp4 e o sol parece soletrar meu nome para admirá-lo lá fora. Mas acontece que eu estou aqui, presa em um looping eterno de Jéssica Rose, dos Cascavelletes - aliás, alguém poderia explicar esses momentos em que o cérebro gruda em determinada música e faz a gente repeti-la 1928127 vezes? Não, né. Ok, prossigamos. Mentira, não vou prosseguir. Vou é dar voltas, voltas e voltas e não vou contar nada. Cheguei à conclusão de que eu quero "cronicar" o "incronicável". Sorte a de vocês.
          Tenho mais conclusões, no entanto, e essas são fresquinhas dos últimos tempos da última semana (#TitãsFeelings). Quer dizer, nem sei se são conclusões, então vou chamá-las de impressões recentes. Whatever, esse post implora para não ser levado a sério, tadinho. O fato é que eu, mina agridocinha, ando com a leve sensação de estar perdendo algo pelo caminho. Não sei, é tudo muito estranho, muito acelerado, muito lento, muito esquizofrênico, muito real, muito misterioso, muito sei lá, sabem? Graduação terminando, futuro batendo na porta, uma pressão psicológica do caralho, e eu, perdida no meio, gritando, e ninguém parece me enxergar. Nunca achei que estaria tão invisível. Ou será que fiz por merecer?
          Dia desses, eu e uma amiga falávamos sobre trabalho, projetos, relacionamentos e frivolidades em geral, e eis que arrematei o papo, dizendo que a gente só queria ter mais certeza das coisas, uma espécie de garantia de que tudo vai dar certo, de que "vamos dar certo na vida" - para não chorarmos, desconsolados depois. Isso é óbvio, eu sei, mas o evidente, às vezes, costuma ter aura de novidade, principalmente, quando não se pode fugir do que berra na nossa cara - no caso, o fato de que "pisar em ovos" é uma constante para todos.
           É assim que vai ser. Eu sem segurança de nada, a esmo, deitada nesse divã imaginário, tentando fazer amizade comigo mesma e buscando músicas que falem por mim, quando tudo que quero é silenciar. Penso que eu já deveria ter me acostumado, mas é que também bate aquele espírito rock n' roll da Bruna Rose, pedindo para comandar um pouco os trabalhos. Não sei de mais nada. Só peço que não me amarrem numa cadeira de cimento e me lancem no mar.           

Solitude

          Faça o que fizer, diga o que disser, ame quem amar, uma coisa é certa como dois e dois são quatro: você está sozinho nessa vida. Irremediavelmente, sozinho. Sozinho, só você e você. Você e seus pensamentos; Você e seus princípios; Você e suas memórias; Você e seu pé atrás; Você e seu quebra-cabeça; Você e seu jogo dos 7 erros; Você e seus livros; Você e seus ídolos; Você e sua verborragia medrosa; Só você entende.
          É muita pretensão da sua parte querer que os outros partilhem do que diz respeito só a você - essa solidão intrínseca que simplesmente acontece e chega sem pedir licença. Está latente em você. Em mim. Em todos nós. Isso é libertador, mas também amedronta. Cega. Enlouquece. É você pedindo ajuda a si mesmo e lutando contra você próprio, em uma competição silenciosa para ver qual metade desiste primeiro. Você pensa que é o único, mas pertence a um enorme time de solitários e péssimos jogadores. Você sabe que é assim. Eu também sei.

domingo, 7 de agosto de 2011

Ô, baiano!

          E não é que aquele sonífero televisivo chamado "Insensato Coração" me serviu para alguma coisa? Estava eu aqui fazendo não sei o que, até me deparar com a trilha sonora da tal novela das 9 - e caralho!! Que música é essa cantada pelo Caetano Veloso? Gente, o coraçãozinho não anda lá essas coisas, e aí se depara com uma canção desse calibre? Perda total! A composição nem é dele - trata-se de uma regravação de Gilberto Gil - mas, para mim, caiu como uma luva em sua voz. (Existe algo que não caia bem naquela voz? Eis a questão...) Sem falar na companhia do violãozinho esperto e despretensioso. Salve!
          Bom, fui dar uma olhada em algumas coisas a respeito dele e acabei descobrindo, assim do nada, que hoje esse baiano déééélícia está de aníver! Fiquei rindo sozinha com a coincidência, achei o máximo. Então, aqui vai um parabéns bem querido para o filho da Dona Canô e pelo talento presente em 69 anos de estrada! Ah, cara, vou rasgar seda. Eu adoro o Caê, tenho surtos-psicóticos-políticos-patriotas com "Podres Poderes"; Sinto mil facas atravessarem o peito com "Escândalo", "Sozinho" e "Você não me ensinou a te esquecer" (#LisbelaeoPrisioneiroFeelings); Treino meu inglês lixo com a simpática "London London" e por aí vai...
          Fiquem com essa letra maravilhosa, cuja singeleza cabô comigo. Não sei por vocês, gurias, mas eu me senti total homenageada - e olha que hoje o dia é dele. Coisas de Caetano. Leonino, menino, baiano, insano!

Super Homem

Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter


Que nada, minha porção mulher que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É o que me faz viver


Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
Ser o verão no apogeu da primavera
E só por ela ser


Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um deus o curso da história
Por causa da mulher


Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um deus o curso da história
Por causa da mulher...

sábado, 6 de agosto de 2011

Sobre "Pequena Miss Sunshine"

       "Atordoada" não é uma palavra que caiba muito aqui, porém creio que ilustre bem o modo como me senti, hoje, após assistir “Pequena Miss Sunshine” – sim, o atraso é enorme e imperdoável. Referido filme está impregnado de humanidade e, embora carente de minha atenção por tanto tempo, demonstrou-me que segue incrivelmente fresco em seu propósito. Já vi bons filmes nessa vida, mas nunca me deparei com tanta verossimilhança em uma história tão improvável. Poderia ficar discorrendo sobre aspectos técnicos – dos quais, aliás, ainda sou mera aprendiz – e fazer uma legítima resenha, mas não é meu objetivo por ora. Vou é tentar abstrair o encanto que a saga de Olive e seus parentes rumo à Califórnia provocou na criatura agridoce que vos escreve. Mas farei isso sem as coerções exigidas pelas críticas cinematográficas, então, tentemos.
         Dizer que o longa fala de um clã desestruturado que embarca em uma viagem que mudará para sempre o rumo de seus membros soa, no mínimo, simplista. Ainda que o grande objetivo seja o de levar a caçula a um concurso de beleza na velha Kombi amarela da família – símbolo máximo dos malucos adoráveis - o road-movie envolve em um fato além disso: em como o ser humano é frágil enredado em sua teia de "verdades", na busca por mostrar seu valor e suas concepções à sociedade. Para ratificar isso, somos brindados com atuações brilhantes e com personagens demasiado reais. São pessoas confusas, instigantes, excêntricas e, como não deixaria de ser, fascinantes.
          A matriarca, sempre agregadora, tentando minimizar os vários conflitos que surgem no desenrolar da trama, ainda que se esvaia em questionamentos; O avô sarcástico e descrente, mas, mesmo assim, amoroso; A própria garotinha aspirante à miss, ingênua e esforçada, ainda que já carregue "sintomas" de uma criação pouco ortodoxa; O tio gay e suicida, cujos momentos reflexivos dão o tom dramático que é visto na história e de quem tirei as melhores lições; Entre outros personagens que carregam suas vidas nas costas - todos muito bêbados de existência e daquele humor que beira a bizarrice. No fundo, a sensação que se aninhou em mim é de que o absurdo comum a todos eles é totalmente compreensível, pois trata-se do mesmo que o meu.
          Penso que seja impossível não se imaginar em, ao menos, um diálogo carregado de sutileza dentre os vários do filme. Em determinado conjunto de palavras e ações meticulosas lá está nossa vida ganhando replay, porém com novas cores e sentidos. Não soube explicar a gratuidade da simpatia com que fui arrebatada, após os créditos invadirem a tela da TV e a tal comédia metida a drama se despedir. Todavia, assenti com a cabeça, ao lembrar daquele velho clichê que diz que ninguém é normal quando visto de perto.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Declaração

         Te quero como nunca pensei que fosse querer. De um jeito que só eu sei, de um jeito que me faz ficar fora do eixo. Depois de tanto tempo sem te ver, sem te sentir, nem sei do que seria capaz, se houvesse um reencontro. Talvez eu saísse gritando como te amo, como me sinto ligada a teus caprichos únicos e instigantes. Mas chego à conclusão de que não diria nada, apenas me embeveceria com tua presença lânguida que me encanta mais e mais, sem cessar.
         Mesmo naqueles dias difíceis, em que eu te maldizia, esbravejando como eras insuportável e imprevisível, te adorava como nunca. Sempre fui tua - não do outro. Sofria um pouco com teus exageros, é bem verdade, mas só tinha olhos para ti - não sei como ainda duvidavas da minha fidelidade. Tinhas a manha para lidar comigo, me dominar, me deixar maluca de paixão. E bem sabes que vivo te exaltando, falando do quanto és incrível, do quanto me fascinas pelo simples fato de existir. Na verdade, tu não vales nada, mas confesso que ando louca da vida atrás de ti. Procurando, atônita, um meio de te trazer de volta.
         Em um senhor exercício de abstração, te imagino chegando como quem anuncia o regresso a uma velha morada. Abraçando meu corpo, invadindo cada poro da minha pele e me fazendo esquecer de tudo a minha volta. Me envolvendo e me deixando completamente desnorteada, sem ter como resistir aos teus encantos. Criando raízes no meu inconsciente e me levando a crer que a felicidade só existe ao teu lado. Sempre te quis, porém somente nos últimos dias é que tive noção da necessidade absurda que tenho de ti e da tua incandescência.
         Por ora, o que tenho são essas tuas promessas vazias de retorno. Te quero, infinitamente, ainda que saiba que estás distante. Cá estou, namorando as músicas que ouvia contigo e me perguntando quanto tempo preciso passar por essa tortura até te encontrar, novamente. O fato é que não sei mais como viver sem ti, CALOR! Te quero de uma maneira quase doente. Vem para mim, vem.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Old habits die hard

        Olhava, só olhava - procurava apreender o que nunca havia despertado seu desatino de viver. No entanto, pouco enxergava. Não via familiaridade nas conversas, nos rostos, nos sorrisos - insossos flashes de entusiasmo, levados pelas circunstâncias. Onde estaria o motivo de tanto desencontro? Em alguma gaveta do esquecimento, certamente. Abri-la tornou-se trabalhoso, talvez nem existisse mais chave. Quem sabe...
         Foi um minuto de distração e tudo foi perdido, virou rotina. Acostumou-se a olhares sem brilho, perguntas protocolares, falsos interesses, socializações por conveniência, guerras frias e mornidão nas ações. Ainda que isso incomodasse, era previsível. Todos eram estranhos e nunca deixariam de ser. Queria chorar, mas não havia sinceridade. Queria gritar como tudo era banal, mas faltava verdade. Sobrava leviandade.
         Se pudesse colocar cada evidência em seu lugar e reescrever cada dia vivido pela metade, possivelmente, o faria. Contudo, uma certeza: nunca pertencera àquele lugar. Nunca estivera ali.         

Obrigada, gracinhas virtuais!

       Bueno, quando comecei a fazer as postagens, nunca imaginei que vocês leriam com tanta assiduidade. Eu sempre quis ter um blog, mas, seguidamente, esbarrava na insegurança de talvez não dar certo e bla bla bla. O fato é que estou aqui já com essa embromação, há quase 8 meses (logo, vou parir. rs), e pude perceber que vocês estão lendo pra caralho!
       Não se trata de ser reconhecida na rua, ganhar milhões com publicidade ou ser citada em rodas de conversa - estou longe disso, caríssimos. Bem longe AHEUHAEUAHEUAHEUAHUE - mas também não posso ignorar o feedback que tenho recebido, seja através de palavras diretamente a mim, via messenger, ou pelos comentários anônimos nos posts. Estou cada vez mais animada com essa história de ser blogueira, tem sido muito satisfatório. Sem falar que até agora não recebi nenhum xingamento! Muito amor!
       Enfim, era isso. Essas palavras são para expressar o meu agradecimento a cada um que "perde" um pouquinho de seus minutos diários, acompanhando tudo que sai do meu pensamento agridoce. Continuem comigo, pessoas legais que dão audiência para a Bru! Muito obrigada mesmo!

Beijos