sexta-feira, 27 de abril de 2012

Essa é para ti, Joaquim José!



De todos os caras tidos como herois pela nação - e que tive que estudar no colégio - Joaquim José da Silva Xavier foi o que mais me cativou, desde sempre. Nunca soube explicar a admiração que nutro pelo Joca. Não sei se foi em virtude de sua mineirice (amo esse povo, uai!), de sua audácia de ter peitado a Coroa em uma época tão sanguinária quanto a do Ciclo do Ouro, ou de sua alcunha tão simpática – Joaquim, como é sabido da massa, era conhecido por ''Tiradentes'', pois ganhava a vida extraindo dentições do povo carente da bela São João Del Rey e imediações.
Enquanto me perdia viajando pela Inconfidência Mineira, pela Conjuração Baiana, pela Revolução Farroupilha, entre outras, a imagem do Seu Joaquim José e sua saga polêmica em Minas viveu corroendo meu discernimento estudantil. Qual era a dele? Pagou pela revolta toda unicamente pelo fato de ser um Zé Ninguém? Seu fim melancólico poderia ser considerado cenário para esse presente medíocre que vivemos, no qual se insiste em ignorar a justiça e se pune severamente só os que não possuem influência e verdinhas no bolso? No fundo, é possível notar que Joaquim e sua sina brasileira permanecem mais atuais do que nunca. Ele constitui-se em um heroi genuíno, porque rebelou-se diante do opressor, mesmo não tendo costas quentes. Se analisarmos um pouco do nosso passadinho verde-amarelo, veremos que muito burguesinho revolucionário por aí – e enaltecido às raias do fanatismo - ficaria no chinelo, no quesito “bravura”: sem lenço nem documento, Tiradentes dormia ao relento, ignorando distinção e herança cultural europeia - ao contrário de um tal Bento, por exemplo. Será que não é hora de repensar o conceito de heroísmo dessa pátria, caríssimos?
Foi no dia 21, sei que estou atrasada. Mas, ainda assim, deixo aqui meu sincero sentimento de respeito e gratidão à memória dessa figura que nos agraciou com mais um dia ocioso no calendário - mesmo que possivelmente nem fosse sua pretensão. Que possamos, por fim, ter um pouquinho do espírito dele, alimentando o pensamento, deixando vir à tona a rebeldia de quem clama por dias melhores: nem só de feriados se constroi felicidade, não custa lembrar... 



domingo, 22 de abril de 2012

3 coisas que aprendi no banho passado


         Vocês sabem, né? Estar vivo é, digamos, metáfora de aprendizado. Aprende-se. Erra-se. Convence-se. Erra-se outra vez. Às vezes, nunca se aprende. O risco é grande, claro, mas, ainda assim, vale a pena. No fundinho, sempre fica uma lição meio torta, um conselho meio capenga cansado de ser citado, e pouco seguido, uma experiência que arranca algum sorriso bobo na face por onde já escorreram tantas lágrimas. Sempre ficam resquícios, marcas, cicatrizes... que remédio! Pior é sentar na cadeira, esperando alguém chamar para dançar. Na dúvida, o negócio é dançar sozinho. No escuro, na frente do espelho pelado ou na festa pavorosa onde só os fracassados ficaram. Ninguém vai fazer isso por nós, não custa lembrar.
           Não se trata de autoajuda barata, meus caros, mas, sim, de um tutorial honesto para tentar ver paisagens rosas em paredes que insistem em aparecer cinzas, feias, sem vida. Acompanhem três constatações que me visitaram, enquanto eu tomava banho, na última noite.

1- SEJA EGOÍSTA:

           Com todo o seu coração, com toda a sua alma, como todo o seu pseudo-amor, com o todo o seu narcisismo ridículo. Se ame, se valorize, não se negligencie, não se anule, não se maltrate, não se castigue, não se torne um rascunho de si próprio. Seja seu melhor amigo sempre, dedique seus minutos preciosos na terra a se conhecer. Acreditem, isso é muito difícil - ainda mais hoje em dia, com os critérios cada vez mais abstratos e fora de compreensão. Não escute bandas que não gosta para agradar seu namoradinho crianção. Não diga sim, querendo dizer não. Não abra mão de seus projetos por uma pessoa que não pergunta por eles, quando fala com você. Não perca seu sono por alguém que tem pesadelos com seu rostinho adorável. Alguém pode até dizer que o conteúdo acima é atestado de mediocridade, falsa ilusão de superioridade e o diabo a quatro, mas, até que alguém prove o contrário, o fato é que nós somos nossa única companhia constante. Nossa única opção real de força e de superação. Nós e nós mesmos, esse é o jogo. O ônus de tanto "egoísmo" pode até ser a solidão - esse bicho de sete cabeças - mas, ainda assim, creio ser mais digno. 

2- APRENDA A LIDAR COM AS CIRCUNSTÂNCIAS

         Pensamentos mudam, conceitos mudam, sentimentos mudam, o Top10 da MTV muda, o mundo muda, o foco de atenção a bizarrices muda, o acordo ortográfico muda, os sonhos mudam, os planos mudam, as vontades mudam, os ídolos mudam e, nós obviamente, mudamos. Não sei se para pior ou melhor, mas o fato é que mudamos. Sofremos o diabo, mas mudamos, essa é a ordem natural – o que não quer dizer, entretanto, que não temos palavra, coração ou princípios, mas, sim, que somos idiotas o bastante para aceitarmos que a imprevisibilidade da vida é o barato dela, é a grande sacada. Nós teimamos em fazer planos, criar laços, mas a verdade é que morremos de medinho das circunstâncias, uma vez que elas têm poder, uma espécie de lugar cativo no armário de cada um. São monstras na arte de dar na nossa cara e sair abanando como se nada tivesse ocorrido. Creio que seja prudente fazer amizade e chamá-las para um happy hour, em vez de praguejá-las. Elas costumam jogar a nosso favor, quando bem recebidas. Acolha essas chatas e pronto.

3- NÃO SE "ENTREGUE"

           Por mais que haja uma sucessão de dias ruins, por mais que chova na hora de você sair de casa, por mais que você perca o ônibus e seja obrigado a andar 90 km, por mais que todos façam questão de azedar seu dia. Insista. Brigue. Perservere. Não se entregue! Peleie. Lute. Quando algo der errado, ria de si mesmo, da situação, e recomece. Refaça, retome, reorganize estratégias. Não desista do que quer. Ou desista, sei lá, às vezes as desistências também trazem algo de bom. O fato é que eu querendo dizer, aqui, com esse textinho fuleiro parecido com aqueles milhares que correm as compartilhações facebookianas é que sempre deve haver tentativas. A gênia agridoce, aqui, só se deu conta agora, mas, realmente, nessa vidinha, só comemora quem arrisca. Tenta, quebra a cara, chora desconsolado, ri enlouquecidamente. Em outras palavras: não se entrega. 

        

         


          

terça-feira, 10 de abril de 2012

Da série: diálogos agridoces

VOCÊ ME FAZ SONHAR

- Desde que te conheci, voltei a sonhar...
- Ah, minha linda...
- É sério, assim que chego em casa, depois de te ver, caio na cama e sonho, sonho...
- E eu te amo cada vez mais...
- E eu te amo mais ainda, só você me fez sonhar, finalmente, poxa!! Eu andava sofrendo de insônia, há 4 semanas, mas graças a você, tenho dormido como um bebê. Tédio, sabe? Tédio me faz dormir.






segunda-feira, 9 de abril de 2012

Quem tem medo da "filosofada"?

          Acho uma graça quando flagro estudantes de curso superior - tidos como a parcela pensante da sociedade - bradarem que "sociologia e não sei mais o quê" é conversa para boi dormir. Ou que as filosofias e suas derivadas são matérias inúteis, cujos períodos merecem ser matados com prazer. Lindo de ver! Nesses momentos, sou deveras inundada por um orgulho tupiniquim indescritível: dá gosto fazer parte de uma geração assim, hein? Sigam sendo essa expressão de intelectualidade que enche os olhos. Parabéns!
           O fato é que na academia somos instintivamente impelidos a devorar conhecimentos práticos e ficar a par dos meandros de atuação que escolhemos - aqui entram jargões da profissão, relações de poder, entre outros. Bucamos efetivamente ter noção da "massa de manobra" de que faremos parte no futuro e suas correlações com outras áreas do conhecimento. Ok, é natural, no fundo, sabemos que só o trabalho intere$$a e só através dele teremos valor perante à sociedade. Mas ainda assim, me recuso a acreditar que um "ser pensante desses" ache que o carro-chefe de uma formação superior abarque exclusivamente isso. Estamos lidando com quem afinal? Robôs que apenas executam tarefas?
            Não se trata de menosprezar o "saber fazer", claro. Mas também não se pode negar que muitas ações livres de seus "territórios" e repetidas à exaustão são passíveis de serem assimiladas por qualquer um por aí - ainda que tal criatura nunca tenha pisado em um corredor de faculdade. Ok, não vou generalizar. E também não vou voltar atrás: a essência do "saber fazer" é frágil e vocês sabem disso. Em meio a toda essa contradição, penso que a diferença básica entre qualidade e mediocridade resida no ato conhecido como reflexão. Já ouviram falar? Pois é, anda meio negligenciado, mas, ainda assim, creio ser força motriz rumo a um trabalho de qualidade.
             Claro, não defende-se, aqui, a ideia de juntar uma dúzia de desocupados na pracinha para discutir Nietzsche, Weber, Marx e afilhados, enquanto a economia grita imponente lá fora, chamando a viver dentro da selva. Essa reflexão, leia-se "troca de ideias", deve entranhar-se em nós, a fim de cimentar prática e teoria - conhecidos pólos que, seguidamente, parecem se estranhar. Definitivamente, uma nação que condena quem se doa à clássica "filosofada" não merece nada além de serviço medíocre.


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Os desertores

        "Lute pelo que você quer". Tá aí um imperativo que sempre me intrigou. Ele e suas variantes, claro: "lute pelos seus sonhos", "lute pelos seus objetivos", "lute por aquele cretino que você acha que é o amor da sua vida". Em se tratando do amor da vida, que, carinhosamente, chamaremos de cretino, o intrigômetro explode em mil pedacinhos e me presenteia com uma bela e penetrante dor de cabeça. Lutar é subjetivo demais, não acham? Luta-se com armas ou flores? Com palavras ou atitudes? Lutar me parece tarefa indigesta, pois remete ao sentido de guerra, e nem sempre tenho certeza de que meu contingente emocional vai dar conta do serviço.
         Quando eu era mais nova, ficava viajando na maionese sobre o tema. Uma infância povoada por filmezinhos de romance e leituras água-com-açúcar fez isso comigo. Em meio aos clássicos "felizes para sempre" e "era uma vez", a metáfora do "lute" sempre se sobressaiu dentro da caixola e me convidou aos pensamentos mais extremistas. Para mim, continua um pouco assim, mas o fato é que cada um interpreta do jeito que bem quiser. Lutar pode ser lançar uns olhares e palavras grudentas no ar, deixando o acaso - essa raposa sagaz - agir, mas também pode ser perseguir o cara na rua, descobrir onde ele mora, voltar lá 1726 vezes e dizer que precisa dele mais que tudo na vida. Talvez até - como bom dramalhão da Televisa - ajoelhar-se e chorar copiosamente em frente à criatura, e pontilhar sua passagem pela escada de casa com rosas vermelhas. Pelo que me parece, o tal ato de lutar deve configurar-se em um escore razoável de sofrimento, se não, meus caros, tudo indica que não se trata de "peleia" e, logo, não se merece o "território".
          O fato é que nunca se sabe se as estratégias estão certas, se a luta vai valer a pena, ao menos, ou vamos nos arrepender amargamente de ter desejado uma medalhinha de honra ao mérito. Não se sabe sequer se há validade para o embate: há os que lutam anos, e nem um incentivo ganham; há os que desistem na primeira topada com o inimigo - e talvez estes estejam mais lúcidos que o resto do exército, vai saber. Há os que lutam em silêncio e há os que gritam suas batalhas para quem quiser ouvir. Em suma: poucas glórias, muitos desertores.






  

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sobre felicidades insuspeitas

Olá, pessoas!

      
       Quem costuma me fazer umas visitinhas anônimas e gentis, deve ter visto que me ausentei nos últimos dias. Não por falta de inspiração, claro - vivo no mundo da lua imaginando causos para brindá-los. Ando é sem tempo, tecnologia e um tantinho de saco. Não sei o que ocorre, meus queridos, talvez o divórcio seja iminente. Ou não também, quem sabe eu tente uma reconciliação... aguardem os próximos capítulos agridoces. Só não mudem de canal tão cedo.
        Por ora, venho falar de uma banalidade. Aquela velha banalidade que vive no escuro, mas carrega aura de felicidade. De repente, algo muda, ligam a luz e TCHARAM, lá se foi ela, a tal banalidade, que sempre foi renegada. Ou que nunca foi percebida, sei lá. No fundo, somos uns baita mal-agradecidos, reclamando de barriga cheia, praguejando o marasmo de cada domingo, quando, na verdade, nada está tão ruim quanto parece. Sabem aqueles momentos em família, de muita risada e alguns sermões? Sabem aqueles dias em que conseguimos pôr o papo em dia com algum amigo querido, ainda que numa conversa casual na rua? Então, somos felizes pacaralho, ali, naqueles segundos preciosos. Percebem? Não se trata de uma felicidade encomendada, como naquelas - conhecidas - vezes, em que vamos à festa dos sonhos, programada há sei lá quantos dias, e, no entanto, voltamos para casa, p. da vida. Putos da vida, por estarmos sóbrios demais, vazios demais. Endividados demais, por conta daquele vestido que... poxa, olhando bem, nem era tão lindo como na vitrine. "Mil vezes raios, ainda quebrei o salto da minha sandália." Muitas vezes, você paga para se lascar e sabe disso.
        Você é feliz? Aposto que é, e nem desconfia. Dia desses, li uma crônica muito bacana da Ana Paula Padrão, em que ela falava sobre a tal felicidade e alguns assuntos relacionados. Na ocasião, a jornalista debatia o fato de o Brasil ser "misteriosamente" batizado com uma efusividade anormal no período de Carnaval, e como todo mundo parece vender disposição e letras de axé na ponta da língua nos dias de folia. Padrão se propôs a colocar essa "alegria louca" em xeque, ao afirmar que o verdadeiro sentido de estar alegre é muito mais discreto - se bobear, até mais duradouro. Eu ando acreditando piamente nessa assertiva: felicidade, para mim, é estado de espírito - não, empolgação barata, daquelas que você grita aos quatro ventos, antes de sair para a sua baladinha sagrada de sexta-feira.
          Felicidade é esse eterno tédio a que estamos acostumados diariamente, é sol com chuva, vento, garoa, mormaço. Felicidade é acordar e botar a cara para fora de casa na esperança de dias melhores, é a abominável rotina. É sentir a respiração ofegante, o músculo dolorido, o coração acelerado, o olho brilhando, a boca seca, o ouvido seduzido pela banda preferida. Felicidade é isso que a gente quer que mude todo santo dia, mas, no fundinho, não querendo que mude uma vírgula.