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Mostrando postagens de Janeiro, 2012

Ansiosos S/A

Quando alguém me diz que é ansioso, tenho um ímpeto de dar um tapinha nas costas do sujeito e dizer que isso é a mesma coisa que se intitular dono de duas orelhas - ou algo que o valha. Tipo, "ai, fulano, isso é meio geral, voltou de Saturno quando mesmo?". Eu diria que não há quem não seja ansioso. Ansiedade é o inferninho de cada um que vive nesse mundo. Vá tentar explicar isso - ou consulte um terapeuta para se conformar com essa sina cruel. Os ansiosos querem tudo, não me venha com migalhas e quase planos. E querem agora, não me venha com ano que vem. Querem um amor para sempre, querem uma vida compartilhada, mas também querem galinhar, se sentir vivos, lascivos e encantar quem quiserem. Querem um emprego, carreira e glórias - se sentir uma espécie de executivos indispensáveis da Nasdaq - mas também querem se entregar ao ócio, aos seus hobbies inúteis e sem remuneração, ao seu lado artista e vagabundo. Eles queriam ter um clone para botar tudo isso em prática, eis a ver…

Corrompendo Cecília

"Eu falo merda porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou pateta."




Cartas in memorian

Estive no correio, dia desses, e entrei em um fluxo irremediável de consciência. Foi uma coisa meio gratuita, percebam a idiotice da situação. Em meio a pessoas apressadas e compenetradas enviando encomendas, e atendentes munidos de computadores e tecnologia farta, caí no abismo de pensar que, hoje em dia, POXA, não se mandam mais cartas! É um fato irrefutável, ainda que não haja necessidade de ser apocalíptica: as cartas têm lá seu grau de importância na vida das pessoas, mas não como há uns 20 anos, por exemplo - só para citar um intervalo de tempo em que não havia esse arsenal esquizofrênico de meios de interação.
           O fato é que eu parei, ali, perdida num universo à parte - na Brunolândia - e fiquei imaginando que os sempre solícitos carteiros, hoje em dia, pouco devem entregar cartas nas residências desse Brasilzão. Cobranças, documentos, bla bla bla, ok, devem entregar, mas aquelas cartas de outrora... ah aquelas cartas inundadas de saudade, de declarações de a…

Só para constar

Parem onde estão. , agora leiam o letreiro acima nessa fonte graciosa escolhida por mim. Leiam bem. O que diz? Isso, agridoce. A-gri-do-ce. Não é totalmente doce, calmante. Mas também não é um azedume intragável. É uma Trakinas meio a meio. Ao usar essa palavra para tentar - leia-se bem, "tentar" - me definir, vi que eu cairia, mais cedo ou mais tarde, num mar sem fim de clichês - morrendo afogada, a propósito. E é bem isso, eu sou metade de cada coisa.
           Tem dias em que eu tô altruísta nível Madre Teresa e querendo virar um Ernesto Guevara de saltinho. Tem dias em que eu  insana e pouco me lixando para a humanidade. Tem dias em que eu levanto prolixa e filosófica demais - um poço de romantismo. Tem dias em que eu sou a rainha da praticidade e torço o nariz para qualquer sentimentalismo. Tem dias em que eu sou discípula de Gabrielle Chanel e choro cachoeiras se quebrar uma unha. Tem dias em que prendo o cabelo, visto uma regatinha e um All star e …

Jivago, suma!

Lembra-se muito bem do dia em que ouviu falar dele pela primeira vez. Lembra como se fosse hoje. Dia ensolarado, folhas secas costurando as ruas, outono abraçando meio mundo com seus braços gelados e afáveis. Dia bonito. Uma ternura no ar, uma doçura gratuita nas esquinas da cidade. Ao escutar seu nome, sentiu de imediato, um interesse insano: precisava conhecê-lo. Tocar seus cabelos, ouvir suas histórias, derramar seu encantamento naquele título tão convidativo. O moço parecia ser incrível, só ouvira elogios a seu respeito. Mais que curiosidade, alimentava uma espécie de implicância em relação a ele. Quem disse que ela iria com sua cara, só porque era uma espécie de unanimidade? Vai nessa, querido.
           Ele era um jovem médico. Boa pinta, papo inteligente, com uma galeria de mulheres correndo em seu encalço: partidão. Um tanto idealista, um tanto perdidão, um tanto instigante. Sabe-se lá qual era a dele, até que em uma tarde de abril, foram formalmente apresentados. E…

Sobre interesse, clichês e Diretas

Quem circula por essas redes sociais esquizofrênicas - leia-se Twitter, Facebook, Tumblr e afins - deve ficar meio irritado com o tanto de frases feitas que se prolifera pelos cantos de tais redutos de interação virtual. , não sei se vocês ficam irritados, estou só chutando. Mas eu fico. Não chego, entretanto, a sentir o sangue tamborilar de ódio nas veias, apenas entro em um fluxo de consciência conhecido como atordoamento internético crônico. rs // Fico atordoada, porque vejo análises míopes, em se tratando de pessoas e suas relações - isso que é tipo uma incógnita para todos.
         Não faço referência, aqui, entretanto, àquelas famosas citações atribuídas a escritores variados que percorrem, vulgarmente, o corredor mundano da net, mas, sim, a uns reducionismos pseudo-literários bobos e genéricos, sabem..? Tipo,"bla bla bla o que é verdadeiro não vai", "bla bla bla não tiro ninguém da minha vida, apenas reorganizo as posições e inverto as prioridades"…

A heroína das comuns

Toda vez que assisto a algum filme protagonizado por Bridget Jones, tenho vontade de dedicar uma ópera a essa brilhante personagem do universo dos seres lascados. Nunca vi ninguém com mais imã que ela para atrair todo tipo de intempérie nessa vida de comédia romântica - vulgo novela mexicana. Mrs. Jones merece isso e muito mais, já que é uma sobrevivente muito digna dessa selva a que estamos expostas, everyday. Salve, Bridget! Explicarei. Jones é uma jornalista londrina e balzaquiana, cuja vida gira em torno de noitadas infrutíferas e de algumas situações extremamente comuns a essa raça feminina, fadada ao humor involuntário. Trabalha em uma editora, já deu uns pega no chefe lindo e cafajeste e, logicamente, estrepou-se em virtude disso, além de narrar de maneira hilariante todas as suas desventuras e histórias em um diário de estimação. Tem como não amá-la? Bridget, essa linda, é uma humana incorrigível e, por isso, cativa tanto, por isso inspira tanto, por isso faz a gente se sentir …