sexta-feira, 30 de agosto de 2013

THE BIG ONE

De acordo com o IBGE, 74,3% das pessoas que me cumprimentaram pela passagem do meu aníver, me desejaram um amor... um moço assim, que digamos mexa com as minhas estruturas. Ah, acho super válido, né, eu quero o meu barbudinho, the big one, cês sabem, pra assistir a reprises de Friends e criar gatos. Se foi de verdadinha ou não, o fato é que foi desejado. Ok. Eu também vivo sonhando com aquele ideal inatingível, é do cerne do ser mulher  humano - essa espécie que curte alimentar uma ilusão, especialmente quando assiste a comédias românticas protagonizadas pelo garoto Ashton em feriados chuvosos. Todos temos o ideal de pessoa que se encaixaria perfeitamente em nossa estranheza, não? Podem confessar, eu tenho o meu. Só que, contrariando a lei basilar de O Segredo - aquela que diz que desejando ardentemente determinada coisa, ela aparece no seu apartamento e toca o interfone - as opções que aparecem, vez que outra, não são assim tão como eu tinha imaginado... sacam? Oras, então a solução é imaginar outras coisas e ver no que dá, hein?
Pra começo de conversa: quero um viciado em academia, de preferência que poste fotos na frente do espelho nas famigeradas redes, mostrando aos amiguinhos seus quadradinhos da alegria no abdômen e seus bracinhos estourando de gostosura. Nossa, eu me amarro nisso! Seria maravilhoso também se ele comentasse a todo instante que cada treino foi como escalar o Aconcágua. Bom, também quero que meu príncipe seja obcecado por carros, ou melhor, por sons de carro. E fotografe seu possante e o som dele num loop eterno, fazendo milhares de álbuns exaltando sua aquisição. Vocês não têm ideia do quanto um carrinho na capa do Facebook mexe com meus hormônios, seus lindos, ah vocês não sabem...
Seguindo no perímetro facebookiano, também quero que o meu  lord curta páginas tipo Orgulho de ser Hétero. E que ele seja bem homofóbico, sabe? Ô delícia de homem! Se for de um modo super velado e hipócrita, então, vai ser difícil não pular no pescoço de tal criaturinha e encher de beijos. Quero também, p o r f a v o r, que ele escute só - E SÓ - sertanejo. Imagina sair com um homem desse, escutando um Telozinho, no último volume?????? Sorry, meninas, mas eu vi primeiro.
Basicamente, seria isso, nada de exigências. Bom, tem aqueles detalhezinhos que fazem toda a diferença, claro, como escrever bem errado, colocar crase antes de verbo, essas coisas... ah, gostar de rodeios seria o máximo, já ia esquecendo. E achar que Bangladesh é uma banda indiana de rock.


Vai que agora, né?




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Are you gonna be my girl? - Jet








domingo, 25 de agosto de 2013

Tutorial para assimilar a autora

Neste blog, basicamente, externo situações chatinhas que me ocorrem. Chatinhas, mas sempre muito ridas, porque comigo é assim: pra eu me recuperar, eu preciso rir. E eu tô sempre fazendo piada com o que acontece comigo sem que eu possa evitar, com o que eu provoco e sei que tô fazendo errado, etecetera. Talvez isso seja, como diz o menino Roberto Frejat, nada mais que desespero. Que seja então, néam? Se eu não ironizar, enlouqueço.
Porém, mesmo à mercê de todos os tipos de sentimentos depreciativos e da conjunção astral do cruzamento de Saturno com os Cavaleiros do Zodíaco, eu posso ser surpreendida por uma vontade inabalável de simplesmente não tolerar ser abalada por nada. Eu posso, um dia, levantar com um espírito tão radiante, que esqueço de reclamar, esqueço de olhar só o concreto da cidade onde vivo, esqueço de me vitimizar. Mas que delícia sentir isso? Como foi que aconteceu mesmo? Tá, eu levantei, escovei meus dentinhos e coloquei minha camisetinha poser do Queen, foi isso? Preciso anotar e repetir amanhã de manhã. Quando você consegue a proeza, chega a querer guardar um manual físico da coisa. Eu queria, ok.
Entretanto, mesmo sem tutoriais passíveis de serem decorados, eu já capturei o espírito da coisa, tcharam, deixa pra mim, universo. Isso eu não conto pra ninguém. Só quem sorrir pra mim, vai saber...


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Poor little girl - George Harrison






quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Telefonemas

Ah, os telefonemas...

Chico ligou, né? Cês sabem, ele sempre liga, é um querido mesmo, e fica todo prosa, me cantando Futuros Amantes, pra eu entender que um amor é atemporal de qualquer jeito e que o importante mesmo é amar. Em meio a compromissos burocráticos, ele dá um tempo na genialidade e faz um 21 pra desejar uns mimos pra Bruninha, é um galanteador incorrigível esse Seu Francisco. Miúcha manda saudações também, claro, assim como sua filhota, Bebel, e todo o clã. Ai que amores que eles são! Me desmancho! Mas não contente com meus ããããins suspirados via telefone, ele ainda encerra com Todo o Sentimento. E aí eu não aguento, né? Tipo, todo o sentimento tá ali, eu já tô vulnerável. E me lavo chorando. Mas eu ainda tenho lágrimas pro Caê, né... ah esse baiano atrevido, esse menino do rio e do meu coração. Leonino entende leonino, percebam. E ele sabe como me pegar. Não é que o danado cantou Céu de Santo Amaro pro coração de manteiga aqui? É bem verdade que eu ando numa levada Podres Poderes, mas ahhhhh, baiano, tu tem o jeito. Lindo, lindíssimo, amei. Os meus lindos dos Titãs também ligaram, tá? Nem ousem pensar que eles esqueceram. Rolou um coral fabuloso de Diversão, e o Nando interrompeu um show que ele tava fazendo não sei onde pra participar. Ruivão, seu querido, espero revê-lo em breve.
A Marisa Monte também fez das suas, me deixou sem palavras. Essa minha amiga tá cada vez melhor, e, contrariando seu retrospecto arredio com a imprensa, prometeu uma entrevista exclusiva aqui pro blog pra falar do seu último trabalho. Só aguardar. E guardar. Guardei e não consigo esquecer, aliás, o papo que eu tive com o Freddie, direto do além, uma coisa surreal. Meu dentucinho preferido também ligou, povo, evidente, somos muito ligados. Ah, que papo ótimo... falamos dos nossos gatos e de como nos sentimos magnetizados pelos felinos e seus atos banais, como arranhar as almofadas da sala. É um doce! Pedi How can I go on, mas ele fez charme... acabei ganhando One year of love. De leve, de leve, pois havia mais ligações na espera...





segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Habemus censuram

Sempre que eu me sinto muito sufocada de sentimentos e eteceteras com os quais não sei lidar, eu lembro do bloguinho. É tipo uma reação em cadeia: eu preciso escrever sobre isso, preciso externar minhas impressões, preciso que leiam como me sinto (ô ego maldito!). Preciso desabafar no blog!!!
Minha vida, por mais sem gracinha que seja, é matéria-prima pra isso aqui que vocês leem - o que não quer dizer que isso aqui seja inteiramente biográfico. Mas é aquela coisa, eu conto minha história pra vocês de qualquer jeito, seja, por exemplo, quando eu comento que algum moço não quis meus beijos (eu ia escrever amor, mas né, não vou vulgarizar o dito cujo), ou quando eu digo que fico deveras puta ao ler ''nada haver'' e "concerteza'' pelos redutos internéticos, ou quando eu corrompo algum autor por aí, tipo a Ciça Meireles:

''Eu falo merda porque o instante existe
E minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste
Sou pateta.''

Eu sou eu aqui, sou sempre eu, por mais que doa. E, acreditem, sempre dói mais em mim. Enfim, a dor de hoje me parece uma incógnita, mas eu vou falar sobre. Tentar. Então, lá vai: estão me censurando! Por que raios resolveram me censurar? (estão, resolveram, tudo sujeito indeterminado mesmo). Pessoas que supostamente deveriam me amar ou ao menos tolerar do jeito que sou, decidiram me censurar. E eu tenho me sentido putíssima com isso (poucas expressões representam tão bem uma sensação quanto essa, hein). 

- Pra que ser assim, Bruna?

Oras, pra que ser assim? Porque, caralhos, eu sou assim. Parece que, simplesmente, a gente tem que ir se matando um pouquinho todo dia, a fim de ser mais agradável. E daqui a pouco, a gente é nada mais que um mero rascunho de si próprio. Se, digamos, eu nego - leia-se muito polidamente - um chimarrão na roda da fofoca tradicionalista, é porque, ora bolas, eu não gosto da coisa. Pra ser mais franca: eu detesto. Mas nãããão, eu tenho que tomar, eu tenho que fingir interesse, quiçá até queimar a língua, porque, francamente, água fervente não é páreo pra quem é bagual. E eu vomito onde mesmo?

- Querida, e como vai dizer que não toma mate na casa da sogra? Vai ser um papelão. Ha ha

Como eu vou dizer? Dizendo, ué, na cara dela assim, como digo em vossas fuças, titia, a fim de que comecemos a relação da maneira mais franca possível. E ela que me traga um chá, por gentileza, enquanto eu aproveito a delícia que é o filho dela.


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Outono - Chimarruts






sábado, 17 de agosto de 2013

Pidona

Oi, gente, sentiram falta da lesma?


É, eu ando nessas de pensar se alguém sente minha falta. Quem será que sente? Será que eu sou querida, mesmo que, por puro talento, faça de tudo pra ser intragável? Eu explico: vai chegando meu aniversário, e eu vou ficando mais reflexiva, mais introspectiva, pensando no que eu andei fazendo nos últimos trezentos e poucos dias... é meio que um exercício inevitável de contabilizar perdas e ganhos. É instintivo, não que eu queira, simplesmente acontece. Vamos colocar a culpa disso no famigerado inferno astral, sempre ele, se é que existe. 
E eu também fico carente, caralhos, eu fico carente num nível pidão inenarrável. Eu torço por abraços, por cafunés familiares, por declarações do universo que façam eu me sentir um ser humano assim... digamos que fabuloso. Que sortudos somos por conviver com você, agridoce!!!! Feliz ano novo, adorável criatura!!!! Ass: Universo

Percebam a ingenuidade da pessoinha... é esse o espírito que me habita nesses dias, um espírito pueril, nota-se, mas também muito grato, muito inundado por ternura, esperançoso de que a idade me traga sagacidade - isso que eu persigo até ali no meu perfil - e mais resiliência, mais capacidade de fazer humor com qualquer coisa com que eu tropece no caminho. Não sei viver de outro jeito, meus caros, estou fadada a ser desse jeitinho peculiar que sou. Porque, como dizia a outra lá, o que nos resta é dançar sobre os destroços - e eu danço, mesmo que ridiculamente. 


  

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Vovó é que é sortuda

Dia desses, falávamos, uma amiga e eu, sobre como os caras ficam mais atraentes quando não se expõem tanto nas ditas redes sociais. Não sei se somente nós fomos acometidas pela síndrome, mas rola uma curiosidade maior. Sempre rola. Sei lá eu se é mistério, sé é porque eles parecem mais maduros, se é porque ao vermos que não tiraram fotos na última festa a que foram, automaticamente deixaram de usar a túnica da vulgaridade e se converteram em seres superiores. Não sei o que é, mas aí reside um bom chamariz. Ao menos, pra mim. (Aqui, é válido salientar que eu não entendo bulhufas de meninos e desse jogo fabuloso da conquista, ok.) 
Só se fala em redes sociais. Tudo acontece ali: manifestos ganham forma, casamentos e namoros são acompanhados em tempo real, notícias polêmicas e opiniões a tiracolo são difundidas pra todo o globo, etc, etc, etc. Qualquer um tem ao menos algum canal em que é visto, sentido, julgado, acompanhado tipo novela. Os que não têm - possivelmente a minoria - não sabem o quanto são invejados por mim. Essas pessoas (guardem isso) é que são felizes, é que estão realmente felizes, à margem dessa esquizofrenia que gentilmente chamamos de progresso. Olha, não sei vocês, mas eu perco um pouquinho da minha sanidade a cada dia brincando de gerir perfis. Mas é aquela história, eu já tô dentro, não dá mais pra sair.
Tirando essa parte em que eu faço a apocalíptica (vocês já deviam estar habituados, né), o fato é que a situação não é nada animadora. Agora seria o momento de eu inserir alguma porcentagem de quantas pessoas enlouqueceram ou morreram de inveja por causa do Instagram no último semestre, a fim de deixar o texto com uma roupagem jornalística séria e tal, mas não, eu não tenho nenhum dado, eu só queria era dividir mesmo com vocês o quanto me apavora essa vida que a gente vem levando. Claro, qualquer inocente aí vai gritar que se eu tô incomodada, eu tenho mais é que me retirar, mas como me dar ao luxo, se eu não sou uma ilha isolada? Eu vivo com vocês, cara, eu não posso me esconder.
As pessoas, elas avisam quando saem de casa. Elas nos contam onde foram jantar (se for num lugar descoladaço, as chances são mais altas, ca-la-ro). Elas também contam o que estão deglutindo. Elas dizem como estão se sentindo - e, se foram ao médico por conta da comida que não caiu bem no restaurante, elas também avisam se estão hospitalizadas. Falando nisso, vocês já curtiram a página do Hospital da Paloma? Altas dicas pra hipocondríacos lá.
Que Dios me libre, e eu lá quero que geral saiba onde eu ando? Credo, o pouco que eu compartilho da minha vidinha classe média já me apavora, imaginem vocês, sou muito mais fã do anonimato (no meu caso, dum anonimato passível de alguns 15 minutos de fama, ok?). Acho que a minha vó, lá naquela vida rural e bucólica, é que é a verdadeira celebridade. Vovó, essa sortuda.



Acompanhem agora que lindo eu compartilhando isso no Facebook, chorando pra ser lida. Eu disse, não posso me esconder.