quinta-feira, 16 de abril de 2015

Modernidade sólida com calda de chocolate


E aí, insuportáveis?


Fiquei sem internet quase um mês, logo, o abril que presenciam mostra-se mais sem graça que vocês compartilhando página Cifras. Mas vamos lá, tentemos mudar o retrospecto. O que me contam, além da mesmice de sempre? Eu tava pensando... a gente é a repetição da repetição da repetição da repetição da repetafff. Bom, isso o Lavoisier, o Chacrinha e o Steve Jobs - sim, pois o Jobs sabe de todos os mistérios da vida, segundo a rede - já disseram à exaustão que não se cria nada de muito novo no mundo, tudo é resto de outra coisa com roupagem de novidade. Só que, sabe... às vezes essa mesmice me prostra. Às vezes, ela dói mais que o usual. Eu tô doída, há certo tempo. 
Fiquei sem internet quase um mês e, aproveitando a contingência cotidiana, resolvi abraçar a tentativa involuntária de desintoxicação virtual. Sem timelines, sem portais e seus comentários. Celular esquecido em um cômodo da casa - e o nirvana aparente. Notícias, só no papel diagramado, em meio a encartes das Casas Bahia - se bem que faz falta uma flechinha pra fechar o spam. No more vídeos QUE VÃO RESGATAR SUA FÉ NA HUMANIDADE E 20 COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE NÃO SEI QUE CARALHOS. Uma certa paz começou a me habitar, confesso. Até reli uns xerox da faculdade e senti o frescor da profissão ressuscitada do mundo dos mortos - não que fossem papéis interessantes, claro, só resgatei algumas teorias como quem não quer nada. Sim, nem sei o que quero. Mas, em meio à quase alforria, eu permanecia acorrentada ao contrato de leitura, esse maldito. Eu não conseguia ''desligar'' porque me imaginava desaparecendo de um diálogo firmemente estabelecido, ou seja, eu fiquei mais ansiosa e atacada que o normal. Lutei bravamente, mas, coitada, sempre muito à mercê da falta que eu poderia estar fazendo, dos e-mails importantíssimos que eu deveria estar recebendo - em detrimento daqueles de propaganda, frequentes, em que é sugerido o aumento de tamanho do meu pênis inexistente. Cheguei à conclusão previsível que ninguém mais aguenta ler: estamos enlouquecendo. Não sou só eu. A diferença é só que uns disfarçam melhor que os outros - me inclua na equipe dos outros, como não, puta merda, eu não sei disfarçar. Talvez haja discordância, mas penso ser a tal ''modernidade líquida'' um fardo bem desgraçadinho. Ok, a gente ganha e muito, ok, muitas possibilidades, mas isso não quer dizer, necessariamente, mais qualidade de vida. Acho que a sólida era melhor. Vai que fosse com calda de chocolate ainda por cima? Hummmmm, que delícia e que droga. Nunca provarei deste tempero. Boa sorte com os ansiolíticos, Geração Z.



Auxiliou no post: não é da tua conta






  

Nenhum comentário: