Pular para o conteúdo principal

Modernidade sólida com calda de chocolate


E aí, insuportáveis?


Fiquei sem internet quase um mês, logo, o abril que presenciam mostra-se mais sem graça que vocês compartilhando página Cifras. Mas vamos lá, tentemos mudar o retrospecto. O que me contam, além da mesmice de sempre? Eu tava pensando... a gente é a repetição da repetição da repetição da repetição da repetafff. Bom, isso o Lavoisier, o Chacrinha e o Steve Jobs - sim, pois o Jobs sabe de todos os mistérios da vida, segundo a rede - já disseram à exaustão que não se cria nada de muito novo no mundo, tudo é resto de outra coisa com roupagem de novidade. Só que, sabe... às vezes essa mesmice me prostra. Às vezes, ela dói mais que o usual. Eu tô doída, há certo tempo. 
Fiquei sem internet quase um mês e, aproveitando a contingência cotidiana, resolvi abraçar a tentativa involuntária de desintoxicação virtual. Sem timelines, sem portais e seus comentários. Celular esquecido em um cômodo da casa - e o nirvana aparente. Notícias, só no papel diagramado, em meio a encartes das Casas Bahia - se bem que faz falta uma flechinha pra fechar o spam. No more vídeos QUE VÃO RESGATAR SUA FÉ NA HUMANIDADE E 20 COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE NÃO SEI QUE CARALHOS. Uma certa paz começou a me habitar, confesso. Até reli uns xerox da faculdade e senti o frescor da profissão ressuscitada do mundo dos mortos - não que fossem papéis interessantes, claro, só resgatei algumas teorias como quem não quer nada. Sim, nem sei o que quero. Mas, em meio à quase alforria, eu permanecia acorrentada ao contrato de leitura, esse maldito. Eu não conseguia ''desligar'' porque me imaginava desaparecendo de um diálogo firmemente estabelecido, ou seja, eu fiquei mais ansiosa e atacada que o normal. Lutei bravamente, mas, coitada, sempre muito à mercê da falta que eu poderia estar fazendo, dos e-mails importantíssimos que eu deveria estar recebendo - em detrimento daqueles de propaganda, frequentes, em que é sugerido o aumento de tamanho do meu pênis inexistente. Cheguei à conclusão previsível que ninguém mais aguenta ler: estamos enlouquecendo. Não sou só eu. A diferença é só que uns disfarçam melhor que os outros - me inclua na equipe dos outros, como não, puta merda, eu não sei disfarçar. Talvez haja discordância, mas penso ser a tal ''modernidade líquida'' um fardo bem desgraçadinho. Ok, a gente ganha e muito, ok, muitas possibilidades, mas isso não quer dizer, necessariamente, mais qualidade de vida. Acho que a sólida era melhor. Vai que fosse com calda de chocolate ainda por cima? Hummmmm, que delícia e que droga. Nunca provarei deste tempero. Boa sorte com os ansiolíticos, Geração Z.



Auxiliou no post: não é da tua conta






  

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

5 ANOS DE BLOG - PARTICIPE DA PROMOSHARE

Hoje, nós da empresa, completamos 5 anos de blog. Vamos dar o play para entrar no clima:                         #POLÊMICA: sempre preferi o parabéns da Angélica em vez de o da Xuxa. O que não quer dizer que eu ame a Angélica, claro, por mim ela pode ir pra casa do caralho. ENFIM, VAMOS CELEBRAR! 5 ANOS DE MERDA ININTERRUPTA AQUI! UHUL, HEIN? Era 22 de dezembro de 2010, estava euzinha encerrando mais um semestre da faculdade de Jornalismo, meio desgraçada da cabeça (sempre, né), entediadíssima no Orkut, quando finalmente tomei coragem e decidi dar a cara a tapa. Trouxe todas as minhas tralhas para o Blogspot e a esperança de mudar alguma coisa. Infindáveis crônicas começaram a ganhar o mundo e a me deixar mais desgraçada da cabeça ainda: sei lá, escrever é uma forma de ficar nua, de se deixar analisar, de ser sincero até a última gota, e isso nem sempre é bom negócio. Mas, enfim, felizmente tenho sobrevivido sem gran...

Por um mundo

         Por um mundo onde velhos tarados nas esquinas transformem-se em Malvinos Salvadores e Jakes Gyllenhaals. Por um mundo onde as bases e demais esmaltes tenham duração infinita e não nos deixem a ver navios. Por um mundo onde as unhas não nos iludam que aguentam qualquer parada e sigam lindamente quadradas, fazendo a inveja alheia. Por um mundo onde pessoas tenham a língua grudada no céu da boca, se pensarem em fazer alguma fofoca. Por um mundo onde as mesmas pessoas não repassem boatos, tampouco aumentem fatos, cuja procedência desconhecem. E, não sabendo, que não falem, apenas mudem de assunto.                       Por um mundo onde moços que nos deixaram levitando de paixão, devido a uma fatalidade da vida, sejam acometidos pela mesmíssima paixão, grudem em nós, nos surpreendam com sua per...

Flores no lamaçal de creme de avelã

Tenho feito um severo exercício de autocrítica nos últimos tempos - exercício esse que, somado a um problema pessoal bem pontual, me deixou sem tesão algum de escrever. Mas voltei para uma transadinha rápida e certeira. Um mea culpa inspirado nos velhos tempos - desta vez sem o deboche costumeiro. Realmente quero me retratar. H á alguns meses, q uando escrevi, estupefata de indignações diversas, sobre youtubers, eu nunca estive tão certa do que escrevia. Sigo achando que o Youtube amplificou a voz dos imbecis e vem cooptando principalmente crianças a uma sintomática era da baboseira - entre trolladas épicas envolvendo mães e banheiras cheias de nutella , criou-se um nicho bizarro cujo terreno é a falta de discernimento infantil infelizmente. Só que foi aí que residiu meu erro: reduzir a plataforma a um lamaçal de creme de avelã - e nada mais. Não me ative ao fato de que ali coexistem muitos canais interessantíssimos sobre os mais diferentes ramos do conhecimento hum ano , inclusive...