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A garota de rosa shocking fez trintão

Deem uma sobrevida às ombreiras e ao fixador de cabelo, pois vem aí uma resenha super deluxe edition dos 30 anos de Pretty in Pink: sim, a garota de rosa shocking agora é uma simpática balzaquiana. Chama a mamãe, pois estou convicta de que ela já quis dar uns beijos no Andrew McCarthy - o bonitinho, logo ali em 1989, seria um dos patetas hilários que descobre o chefe morto num final de semana na praia e resolve fingir que nada aconteceu. Todo mundo completamente doido na década de 80 ou nem?
Lançado em fevereiro de 1986 e dirigido pelo magnata das comédias adolescentes oitentistas, John Hughes, o filme, ao longo dos anos, saiu da sombra de mero entretenimento jovem e acabou ganhando roupagem cult. Aconteceu o mesmo com Curtindo a Vida Adoidado e Clube dos Cinco - ambos também dirigidos por Hughes. O porquê disso? Boa pergunta. A ambiência hipster cinematográfica, ela não tem limite. Ou, quem sabe, o diretor seja mais profundo do que eu imagino.
A comédia romântica é protagonizada pelo já mencionado McCarthy e pela ruivinha, ícone teen, Molly Ringwald, contando com coadjuvação de luxo de um Jon Cryer promissor, já possivelmente antecipando a veia cômica que o levaria ao estrelato. Ele, Duckie Dale, está enamorado da amiga Andie Walsh, que está é derretida por Blane McDonough, o príncipe yuppie do colégio - hoje em dia, por exemplo, Blane seria o que chamamos de bundinha. Andie vê Duckie somente como um amigo divertido e fiel, mas, vocês sabem, ele está crente de que pode conquistá-la. Enquanto ela foge das investidas do moço, sonha com a bundinha de Blane, digo, sonha com ele, além de ter que suportar as agruras de estudar em um lugar que parece jogar na sua cara todas as diferenças existentes entre os descamisados e os bem nascidos da cidade. Mal sabe ela que o objeto de suas afeições também está de olho em suas madeixas vermelhas. Ah... os amores óbvios de Hollywood.
Em um Estados Unidos neoliberal, na época governado por Ronald Reagan e etc, me parece que essa luta silenciosa de classes consegue transcender a tela. Mas é só uma impressão mesmo. Talvez resida aí a profundidade da coisa, não? Sabemos bem que os dilemas do consumo sabem azedar as relações humanas. Blane é uma gracinha, um anjinho que caiu da nuvem sorrindo, mas nem sempre isso é suficiente. Em contrapartida, gosto muito da postura decidida e madura de Andie, ao aconselhar seu pai em alguns diálogos comoventes e ao lutar dignamente pelo seu amor-próprio - em uma referência clara ao nome do filme. Vestir rosa pink também é empoderar-se. E isso, lá na década perdida, talvez tenha soado revolucionário.





Auxiliou no post: 

Turning japanese - The Vapors


*Para ver estrelinhas, sugiro o tema desta gracinha ''If you leave'', de um tal OMD.








        

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