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King Kong no mercado

           A gente fala do que entende. Ponto. O Ostermann fala do futebol, Diogo Mainardi da política e do seu amor doentio pelo PT e Sônia Abrão da vida glamurosa dos BBBs. Cada um na sua. Naturalmente, eu também falo de vários assuntos que julgo dominar. Dou uns pitacos sobre as pérolas dos nossos parlamentares, sobre a situação caótica do Japão, sobre a Saga Crepúsculo e sobre o namoro do viril Justin Bieber com a diva de Walt Disney, Selena Gomez. Sabem como é, estudante de Jornalismo tem de estar por dentro de tudo que ocorre nessa ervilhazinha chamada mundo.
            Pois, agora vou confessar, sem falsa modéstia, que há um assunto do qual eu entendo mais que qualquer mortal na face da terra: pagar micos no mercado. Gente, eu sou uma expert, ninguém nunca vai me superar, sou, de fato, imbatível. Seria bem lógico atribuir esse “bônus” à raiva de ter que me dirigir até lá, quando ninguém em minha casa quer fazê-lo, uma vez que a gente atrai, sim, senhor, o que transmite. Logo, sair de casa com ódio no coração não me traz grandes acontecimentos. Ou melhor, até traz, só que são os outros que se divertem. É só alguém gritar que é preciso fazer determinada compra que já trato de me esconder. Ledo engano, eles sempre me acham e eu acabo sucumbindo aos pedidos insistentes de “vá, faça uma boa ação”.
             Trato de ser o mais breve possível no local, que me parece ser, aliás, o ponto de encontro de 10 entre 9 madames da cidade, todas lindas, com saltão, bolsão, cabelão, peitão e filhos insuportáveis dando pitis e atrapalhando a circulação das pessoas. Mas não há como ser rápida desse jeito. Ainda mais quando você adentra no lugar usando um óculos gigante de sol, cujo raio é de 25 centímetros e fones de ouvidos que provocam total esquecimento da pequena sociedade de consumo ao redor. “É só pegar isso, aquilo e aquele outro e vazar daqui, meu Deusinho”, penso. Que nada, já cheguei me achando e é aí que meu mundinho cai. E as frutas e as verduras idem. Na fila do pão, eu pergunto onde que estão as salsichas. E, se bobear, ainda brigo com o atendente, onde já se viu? Não teria que estar tudo junto, seu incompetente? Caminho mais um pouco, procuro maionese na seção de higiene. Na área das bebidas, me finjo de amável para um senhor de 70 anos que acha que tem 25 e insiste em me seduzir com seu olhar -43. Tropeço no moço que põe as etiquetas dos preços, (se bem que esse não é de se jogar fora). Não é fácil essa vida de consumidora raivosa.  
              Finalmente, a hora de pagar - uma luz no começo da fila – que é a parte que eu mais abomino, justamente, por se tratar de uma. Mas quem é que disse que acabou? Não me lembro de ter mencionado que utilizei alguma cesta ou semelhante, certo? E não utilizei mesmo, o que me obriga a fazer malabarismos com tudo que pretendo levar: pão, salsichas, maionese, ketchup (sim, era cachorro-quente!) sem falar nas chaves e na carteira que fiz questão de levar à mostra, apaixonadamente.  Agora, adivinhem quem aparece, do nada, para fazer eu tremer na base e derrubar o que trago em mãos, leia-se mãos de sebo? Sim, um cruzamento do Ashton Kutcher com o George Clooney! Já viram o estrago, né? Derrubo tudo, um sacrifício juntar tudo novamente, mas divirto a galera, que, provavelmente, está mais estafada que eu. Ora, o que seria do pessoal sem minhas micagens? Reconheçam meu talento nato e venham me assistir, qualquer dia desses.

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