Pular para o conteúdo principal

007 Contra Spectre

Estou há dias para escrever isso. Fui ver Spectre. Pausa pra emoção fluir. Que puta filme! Socorro! Saí meio abestalhada da sala de cinema, fazendo dancinha e tudo com a clássica musiquinha, mas com o coração esmigalhado por nosso menino prodígio da MI6 haver dito em certas entrevistas que não vai rolar continuação - não com ele. Tudo indica que Daniel Craig despediu-se mesmo de suas funções como 007 - e lá vamos nós na empreitada de achar um substituto à altura dos socos ótimos que ele levou nos últimos 9 anos. Não sou especialista em Ian Fleming - guardem as pedras, please -, mas convenhamos, o ator britânico imprimiu ao agente secreto uma veracidade que há tempos não víamos no personagem.
Bueno, nesta nova cilada, Bond, James Bond, segue sendo um moço muito do indisciplinado e viaja ao México sem conhecimento de seus superiores, a fim de investigar uma ligação - a ligação que que dá nome ao filme - e eliminar um tal Marco Sciarra, um dos tantos terroristas que o loirinho fez evaporar do planeta. Quando seu novo chefe, agora interpretado pelo ótimo Ralph Fiennes no lugar da saudosa M de Judi Dench, descobre as suas ações não declaradas, o suspende imediatamente e ordena que o simpático e eficiente Q (Ben Whishaw) implante um chip em sua corrente sanguínea com o objetivo de monitorar seus passos. E paro por aqui, porque as sequências estão é de se descabelar na cadeira. Eu fiz. Bom, eu me descabelo por qualquer coisa, não me tomem como parâmetro.
O que mais me instigou na nova história foi o modo inteligente como diretor e roteiristas entrelaçaram-na às sinopses de Cassino Royale (2006), Quantum of Solace (2008) e Skyfall (2012), isto é, se vocês acharam que havia terminado, não terminou coisa nenhuma, meus queridos. Sentem que lá vem história! E que história, queria ter contado quantas vezes coloquei a mão na boca durante as quase 3h de duração. Fiquei salivando por mais. Merecem destaque o novo vilãozão super do mal do Christoph Waltz (sim, o carinha do Django Unchained está muito diferente!!!) e a bond girl da Léa Seydoux, que interpreta, óbvio, muito mais que um reles apêndice de James Bond: a moça guarda segredos que dão fôlego considerável à trama. E se vocês estavam com saudade de ver nosso pequeno órfão inglês apaixonadinho como em Cassino, preparem-se para emoções. Bond, mais que ser letal e ter licença para matar, vai mostrar que sabe amar. Vem me amar também, Bondzinho.
As paisagens exploradas em belíssimas fotografias, como desertos, caveiras mexicanas, perseguições em ruelas italianas e alpes austríacos são uma pintura à parte: vocês sabem, Hollywood sabe como nos deixar de queixo caído. É claro, meus caros, que se vocês não viram os antecessores, vão achar tudo meio sem graça e sem nexo, mas em suma o filme é um deleite. Eu sou suspeita, sou uma entusiasta de 007 há certo tempo. Lidem com essa mácula adolescente no meu currículo. E lidem, se conseguirem, com a música-tema cantada pelo novato Sam Smith combinada a uma abertura surrealmente linda. E eu achando que ninguém superaria o vozeirão da Adele...


                                      Um martini, please! Batido, não mexido.









Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Isis e eu

Dia desses, um cara comentou altas grosserias numa foto minha (um feioso que estava querendo este corpinho, mas isso a Globo não mostra, uééééééé). O fato é que o moço me esculachou - ainda que, outrora, quisesse comer - dizendo para eu não me achar tanto visto que, perto de beldades como Isis Valverde, Fulana Não Sei Das Quantas (alguma boazuda fitness que nunca nem vi e que deve tirar foto olhando pro chão) e outras mulheres que não identifiquei no comentário magoado, eu era feia pra caralho. Eu, Bruna C., 28 anos, feia pra caralho e humilhada em rede social. Lamentei, claro, mas mais por ele não ter sacado o meme que originou a legenda da foto - olha, feiura até relevamos, mas não sacar um meme? Poxa, estamos falando de uma indústria brasileira vital. Mas, vamos lá, se tem algo que eu capto nessa vidinha obscura é a profundidade das coisas. Este feio incapacitado para entender ironias, achando que estava acabando comigo, só aguçou meu senso de observação.  É evidente que nunca che…

Sobre Ilha das Flores e Ilha das Flores - depois que a sessão acabou

A ideia deste post surgiu de algo bem interessante. Ontem, eu dei uma lida numa entrevista do cineasta Jorge Furtado e decidi dividi-la no perfil que tenho em uma rede social, uma vez que ele fez algumas considerações sobre jornalismo - e isso, independente de quem vier, sempre me faz dar uma parada. Gosto de ver o que estão falando, etc. Na ocasião, o repórter também nos lembrou da passagem de 25 anos daquele que parece ser um dos maiores feitos do porto-alegrense, o curta ''Ilha das Flores'', lançado em 1989 e até hoje considerado um marco em sua carreira.  Arrisco dizer que não haja ninguém que não tenha assistido a tal documentário, especialmente nos anos de ensino médio, mas, vá lá, quem sabe nem todos conheçam. Desde que o vi, fiquei encantada. Encantada, mas não num sentido ''jogo no time do Jorge Furtado Futebol Clube'', e, sim, ''que baita jeito de contar uma história, com deboche e precisão''. Trata-se de um roteiro quase lúdico…

Família Felipe Neto

Eu já queria falar sobre isso há um bom tempo, e, enquanto não criar vergonha nessa cara e entrar num mestrado para matar minha curiosidade de por que caralhos as pessoas dão audiência para pessoas tão bizarras e nada a ver, a gente vai ter que escrever sobre isso aqui. Quando eu falo ''a gente'', me refiro a mim e às vozes que habitam minha cabeça, tá, queridos? Youtubers... youtubers... sim, Bruna, está acontecendo e faz tempo. Que desgraça essa gente! Ó, pai, por que me abandonaste? Quanto tempo eu dormi? Estamos vivendo uma era de espetacularização tão idiota, mas tão idiota que me faltam palavras, é sério, eu só consigo sentir - como diria o fatídico meme. Não tem a mínima condição de manter a sanidade mental, querendo estudar, trabalhar, evoluir quando pegar uma câmera, do celular mesmo, sair falando um monte de merda e enriquecer com isso ficou tão fácil. Vamos usar um case bem ridículo aqui? Vamos.  Dia desses, esta comunicóloga que vos fala, fazendo suas comp…