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How can you mend a broken heart, Hugh Grant?

Está sofrendo por amor? Eu sugiro Al Green. Mais precisamente, How can you mend a broken heart
Aquilo ali não é uma música, é uma espécie de transe. Sinto uma corrente elétrica percorrendo todo o meu corpo sempre que escuto. E eu escuto muito. Então eu fico ali, sendo mastigada por aqueles acordes, numa comunhão linda e de profundidades de que ninguém suspeita. Não consigo nem respirar direito. Dá gosto de sofrer ouvindo isso - pode ou não pode estar sendo meu som oficial de chorar no banho. Se é para corroer nossos pobres corações, vamos fazer direito. Com um mínimo de elegância. O Hugh Grant, por exemplo, já fez isso em Um Lugar Chamado Notting Hill - logo, estamos absolvidos. Só colocar as mãos no bolso, sair chutando latinha e pronto: eis uma imitação pateta de Hugh Grant.   
Para ser franca, tal música nem é dele - digo, do Green, não do Hugh Grant, dã. Segundo minhas pesquisas inúteis, o hit foi composto pelos manos Gibb, esses queridos que adoram criar músicas para outros também fazerem sucesso e são conhecidos nas grandes rodas por Bee Gees. (I started a joke - que estará na minha lápide, claro - eu nem lembro que é deles. Não dá. Aquela música tem a alma do Faith No More, mals aí. Outra hora, venho falar da relação cabulosa que mantenho com a regravação na voz do Mike Patton, porque é simplesmente a música da minha vida.) Ai ai... cataaaarse!
Pois bem, muito embora pareça, não vim falar de músicas dos irmãos barítonos e filmes de gosto duvidoso, mas sim de... er, sofrer por amor. Sofrer por amor... sofrer... coisa engraçada. Há alguns dias, eu comentava com uma amiga sobre isso - e com outras certas pessoas com quem eu sequer deveria estar comentando essas coisas. Parece a sina de todos nós, pobres mortais. Causa mortis: amor. Ou falta de, vai saber. Sofrer, sofrer e sofrer mais um pouco. Os Sofrimentos do Jovem Werther talvez seja o livro de cabeceira de todo coração espezinhado. Era o meu, que horror. Por um lado, é ótimo: se não se sofre, não se tem texto. Os livros de amor - ou, sei lá, tortura medieval, acho que tem sentido - só são escritos pois há coisas que precisam ser ditas e sofrimentos que precisam ser externados. Ninguém escreve sobre felicidade - ela se basta, ela simplesmente existe. Por outro lado, isso é uma lástima. Ter matéria-prima somente quando se leva uma pancada na cabeça não é lá muito digno. É... que remédio, possivelmente os textos mais lindos, as músicas mais tocantes, as expressões artísticas mais atordoantes, todos eles tenham sido criados no auge de uma dor lancinante. Chuto que Barry Gibb tinha levado um pé homérico no traseiro e saiu aquela coisa maravilhosa. Nem sei o que pensar. How can you mend a broken heart? Eu também não sei, meu caro. Uns colecionam seios em noites infrutíferas; outros bebem à exaustão completa; umas cortam os pulsos e os sentimentos por completo; outras escrevem crônicas na esperança de serem ouvidas... cada um na sua. Na sua solidão e na sua cruz. No melhor e no pior de dois mundos.



                                Certo que a mina deixou ele por causa desse cabelo



Auxiliou no post: 

I started a joke - Faith No More 






  

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