segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Sumiços, porre de vinho, Julia Roberts

Sumi, né? Eu sei. Mas não foi por falta de ideia. Na verdade, seguidamente os ''preciso escrever sobre isso porque tá me sufocando'' vêm me visitar em uníssono. Saudade de usar ''uníssono'' em um texto de novo, ufa, saiu. No colégio, uma vez, uma professora disse que eu era uma pedante literária. Sigo honrando o deboche com gosto.  
No geral, eu não tenho mais tempo (será que eu arrumaria tempo?). Não tenho mais tempo para escrever minhas misérias aqui, logo eu que sempre priorizei minimamente este espaço nebuloso. Fazer o quê? É da vida. Nem vim fazer mea culpa até porque ninguém se importa, foi mais para dar as caras, tirar o pó do lugar, abrir as janelas. Como vão? Me convidem para tomar um café, só não liguem para o meu celular, não suporto telefone tocando. Mentira, café com esse calor não tem condição, me convidem para ficar em silêncio tomando um vento na cara. Preciso de silêncio, não aguento mais ter que opinar sobre tudo. Não aguento mais qualquer bizarrice sendo notícia e as implicações da tida notícia ganhando proporções que nunca existiram e virando um compilado de idiotice. Será mesmo a modernidade líquida este retardo ambulante? Aguardemos e sigamos lacrando. Tenho medo de envelhecer e encaretar, mas talvez o encaretamento seja a única saída quando você tem 28 anos mas já vê cabelos brancos insistindo em aparecer no emaranhado de castanhos. Eu não superei ainda ter feito 28, percebe-se. Eu não aguento mais ser jovem mas tudo que eu mais quero na vida é ser jovem. A juventude é um porre de vinho. Deliciosa porque os porres, enquanto não caem em si, são deliciosos. Horrível idem, pois... bem, vocês já experienciaram a ressaca de algo doce? Pois é. Estou fazendo planos para, no futuro, não ter que fazer planos. Eu nem sei se vou estar aqui, cara, vocês me entendem? 
Não bastasse essa embriaguez contínua dos vinte e poucos, experimentei uma droga pesadíssima nos últimos tempos. Parafraseando Julia Roberts ao se referir a Benjamin Bratt nos idos dos anos 90: "foi como levar uma tacada de beisebol na cabeça''. Eu nunca levei uma tacada de beisebol na cabeça, mas, olha, deve ser parecido. Terá sido amor? Depois de debochar em tantos textos, uma hora eu pagaria com a aorta sangrando, era evidente. Terá sido amor? Ou terá sido amor pelo que eu conheci em mim mesma após viver a coisa? A coisa está me matando lentamente. Mas ok, vida, eu fiz a minha parte, saltei sem paraquedas como manda o figurino. Vou continuar saltando, uma hora eu aprendo a voar. 
Não quero mais salvar o mundo, quero é salvar a minha pele. São tempos difíceis para os sonhadores, mas também para os ansiosos crônicos. E para os trouxas, claro, os trouxas sofrem tudo em dobro, não aprenderam a esperteza do mundo. Talvez tenha sido amor demais quando crianças - acharam que seriam tratados assim a vida inteira, e caíram no abismo humano dos outros. Talvez seja só falta de prática - e empíricos que podem ser, logo estarão malandríssimos. Talvez seja sina. São tempos difíceis para os que têm blogs também, os assuntos se esvaziaram neles mesmos. Acho que tudo já foi dito. Será que a Julia Roberts quer me dar uns conselhos?


                               Eu nem contei nada e ela já tá com essa cara...



Auxiliou no post: 

Quero que vá tudo pro inferno - Roberto Carlos




(Abismada como meu processo criativo se ampara em músicas tão aleatoriamente bizarras, alguém quer estudar meu cérebro?)





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