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Ninguém me desperta como você

''Ninguém me desperta como você''. Eu tive que soltar uma risada meio abestalhada, porque francamente... em tempos de amor líquido (vocês que fizeram o Bauman acontecer, agora aguentem) e calcinhas secas, fica dificílimo acreditar - de novo - numa patacoada dessas. Dá uma vontadezinha de acreditar, não? Eu adoro acreditar. Na última vez em que acreditei entreguei tudo - o pior e o melhor de mim -, mergulhei fundo num pires, pirei total, injetei adrenalina na veia. Estou vacinada, querido. Cuidado, essas vacinas não duram tanto tempo assim. Ele sabe. 
''Ninguém me desperta como você''. Que delícia ouvir isso, ler isso, tatuar isso na aorta desse coração fodido, pena que é mentira. Não porque eu não seja digna da benesse, mas porque as palavras saem fáceis demais. Eu aprendi isso da última vez. Não se deixar levar por palavras, ainda que sejam tão gostosas de ler, tão bonitinhas de imaginar, ainda que se aninhem tão rápido nesse desesperado ideal de amor romântico. Não é que o amor romântico mate, ele já nos matou antes de nascermos: somos zumbis vivendo à procura de uma completude viciada - uma lenda, como se vê. Eu queria acreditar que esse tipo único com esse humor único e essa curiosidade única sobre a vida despertou aquele belo físico bom de dar com a cara na parede mais uma vez de uma maneira única e irreversível, eu queria mesmo. Seria incrível que um cara incrível quisesse me amar e me tratar como a princesa furiosa e sarcástica que sou, mas preciso me curar primeiro. Me deixaram meio pedra, jogada num canto com as fantasias que eu mesma criei - ainda que com coadjuvação de luxo de bons-dias carinhosos, apelidinhos fofinhos e elogios meticulosos -, e eu preciso assimilar o que fazer com essa pedra. Ninguém se ilude sozinho, mas se desfazer da ilusão é sempre um processo solitário. ''Ninguém me desperta como você''. Vejam vocês. Ou estou diante de uma releitura de Tomás Antônio Gonzaga se desmanchando em amores por Marília ou negociando com um completo sádico - mais um que joga com as palavras para o meu acervo horroroso. Um mentiroso patológico atrás de uma transa? Um doido varrido que fugiu do hospício e usa máscara de galã? Não pode ser, por que eu? Se sexo é mais fácil de encontrar que cigarro ruim em boteco de esquina? Me erra, arcadista de araque. ''Não tem ninguém que me desperte como você''. Seria lindo se não fosse horrível. Seria verdade se as filas não andassem tão rápido e os rostos não se esquecessem na velocidade da luz. Eu queria acreditar, queria viver algo extraordinário que começasse com loucura virtual que não cessa na vida real, que beira o insano e todos duvidam da veracidade. Eu queria, mas as palavras saem fáceis demais, já sabem o caminho. Já fui imunizada.







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