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Pegação louca



Pegação louca não é heresia, é fantasia. Pode ser sacanagem da boa, mas é bem mais que isso. Talvez seja uma espécie de feitiço. Não acontece toda hora, não é em toda sexta que vigora. É uma união de almas no mais íntimo de suas necessidades física e psicológica. Nisso, honestamente, não existe lógica. É uma venenosa loteria. É um lapso de bem vinda loucura em um apático dia. Pegação louca é não saber se tem futuro, e querer sofrer toda a incerteza do depois. Nós dois? Não sei. É usar o coração até senti-lo mastigado em questão de segundos. Pegação louca é uma junção de mundos. É carne, é essência, é perfume, é poesia, é verso sacana, é um ato de Nelson Rodrigues, é rock doente no último volume com guitarras ensandecidas gritando. Pegação louca talvez seja amor brotando. Pode não ser, mas quase sempre é um pedaço de vida congelando. Vivo no passado, morto no presente. Pegação louca só se sente. Pegação louca é um pouco mentira e um pouco verdade. No fundo, é uma total insanidade. Quem sabe, leviandade. Quase sempre vira saudade. Pegação louca são minutos contados por invejosos. São fagulhas penetrando nos hormônios ociosos. Pegação louca hipnotiza e faz querer, mas não impede de doer. Sempre dói depois do depois. Depois de nós dois. Pegação louca é um drama, é cama, é intrincada trama. É Elis cantando Atrás da Porta. É olho no olho que corta. É discutir Benedetti e Neruda, é entender perfeitamente uma atração muda. Pegação louca é um bônus partilhado em cinco, seis horas. É uma urgência sem demoras. É um querer mútuo e anestesiante. É uma paixão mutante. Pegação louca são seres vivendo sua animalesca vontade de serem felizes. São dois estranhos comungando do seu ridículo com boas e ingênuas intenções. Pegação louca são canções. São verões. São refrões. Pegação louca é uma foto ornando a parede das emblemáticas coisas sem sentido da vida. Pegação louca é adivinhação de pensamento, é conspiração do destino como prêmio por bom comportamento. Pegação louca é cheiro que não sai da roupa, é o insano momento em que se tatua o outro no nosso eu. Pegação louca possivelmente não é do mundo real. Talvez até seja ilegal, por fazer brincar de eternidade com o que não se tem. Mas ainda assim, prefiro esse tipo de mal a um insosso e conhecido bem. 



*Escute, lendo Mardy Bum, dos Arctic Monkeys, ou Bottle It up, da Sara Bareilles, ou Sexy boy, do Air, ou True love ways, do Buddy Holly, ou Tell me where it hurts, do Garbage, ou Deixe estar, da Marina Lima, ou Sexual healing, do Marvin Gaye, ou Everyday is like sunday, versão do Pretenders, ou All shook up, do Ry Cooder, ou Goodnight moon, da Shivaree, ou Young folks, do Kooks, ou Love me like you, do Magic Numbers, ou....... tá, chega. :)      





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