sábado, 6 de julho de 2013

Sobre náuseas e saudadinhas

Já tá me dando náusea geral romantizando as tais passeatas-da-mudança com frases apocalípticas chatas tiradas do hino nacional. E o mais contraditório é que eu sigo a favor dos protestos, das greves, da expressão livre de opiniões e etc. Só que não é por aí que as coisas vão se resolver, vocês sabem. O máximo que vão conseguir é entupir as redações de pauta - e olha que eles (os meus coleguinhas de profissão) já devem estar estafados dos cartazinhos vazios, da ladainha do ''polícia é corrupta, não me deixa protestar em paz''. Sejam mais criativos, sim?
Claro, foi tocante, foi um furor bonito de assistir. Emociona ver tanta gente unida em prol de... de que mesmo? Ah, sim, uns são a favor da moralização da vida pública. Ok. Uns querem mais hospitais, mas onde mesmo que eles querem? Sei lá, só sabe que querem. Ok. Vi até cartaz dizendo para a nossa presidente se assumir, uma vez que ela é um sapatão enrustido. Ok, é uma causa também. Beleza. Mas essa agonia de ir para a rua, ir sem saber qual rumo tomar, ir somente porque há um convite simbólico nas timelines de vocês para ir..... me parece idiota. E eu não queria usar essa palavra, definitivamente. Talvez alguém diga que a idiota sou eu (fique à vontade), que eu tinha é que honrar o fato de ser jovem e - ao menos no álbum do meu Facebook, como vi por aí - mostrar que fiz minha parte. Mas o que diabos é fazer nossa parte, gente? As caminhadas podem até surtir alguns efeitos em doses homeopáticas, mas parlamentares diminuindo seus vencimentos a jato? Desculpe, no way. Nem se vocês acamparem em Brasília. Reitero a posição: os manifestos são dignos, não condeno quem literalmente levantou a bunda do sofá e foi dar seu recado, ao contrário, aplaudo. Mas a minha ficou bem sentada, e não me arrependo, tenho meus motivos. A estrutura que vocês tentam combater, desesperados e iludidos por um ideal tido como ''revolucionário'', é tão podre e cretina, que mina qualquer vontade minha de sair de casa.
É inegável que grande parcela de pessoas presentes nos atos é composta por jovens. Estudantes com, quem sabe, tempo livre para ler e pensar. Muitos, talvez - eu disse talvez - nem necessitem de transporte público - que foi o mote de toda a onda - arrisco. E eles gritam a favor dos menos favorecidos. Ok, é abnegado, é bacana, mas não é dali que vai saltitar um novo Ernesto Guevara para sacudir a América do Sul. Ninguém é tão bonzinho quanto quer parecer, desculpe se acabei com vosso sonho, meu leitor.
Dizer que as ações não têm partido também é de uma imbecilidade aterradora. A gênese do movimento é de esquerda, my boy - se nasceu da insatisfação com o serviço público de transporte, então é vermelha, logo, querer que sua bandeira não esteja tremulando entre as pessoas é no mínimo ingênuo. Aceite isso, lembre-se, você vive numa democracia. Por ora, é isso, em julho eu sempre tenho bloqueios para escrever, pois eu simplesmente detesto julho. Então, não sei quando retornarei. Sintam saudadinhas, acho válido.






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